quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

PROMESSAS...

Segue abaixo um artigo do jornalista Carlos Alberto Sardenberg publicado em 19-08-2010, com o título PROMETEM CIDADÃOS, ENTREGAM MAUS ALUNOS:

"Há algum tempo, em visita ao Brasil, um diretor do Ministério da Educação da China alinhava as razões pelas quais seu país logo seria a segunda potência econômica do mundo. Além dos motivos clássicos - rápido crescimento, elevado nível de poupança e investimento, muita pesquisa em novas tecnologias, escola de qualidade - acrescentou um que chamou a atenção: na China, dizia, com orgulho, há 300 milhões de jovens estudando inglês, bom inglês. E isso é igual à população dos Estados Unidos, onde nem todo mundo fala inglês, acrescentava, com satisfeita ironia.
Quantos jovens estudam inglês a sério no Brasil? E quantos nas escolas públicas? Em compensação, nos últimos três anos, conforme leis aprovadas no Congresso, os alunos do ensino básico brasileiro passaram a ter aulas de filosofia, sociologia, artes, música, cultura afro-brasileira e indígena, direitos das crianças, adolescentes e idosos, educação para o trânsito e meio ambiente.
Como não aumentaram o número de horas/aula nem o número de dias letivos, é óbvio que o novo currículo reduz as horas dedicadas a essas coisas banais como português, matemática e ciências.Vamos falar francamente: isto não tem o menor sentido. É um sinal eloquente de como estão erradas as agendas brasileiras.Dirão: mas nossas escolas precisam formar cidadãos conscientes, não apenas bons alunos.
Está bem. Então vai aqui a sugestão: dedicar os sábados e talvez algumas manhãs de domingo para essa formação. Não há melhor maneira de conhecer a cultura indígena do que visitar aldeias, aos sábados, um passeio educativo. Artes plásticas? Nos museus e nas oficinas. Música? Que tal orquestras e bandas que ensaiariam aos sábados ou durante a semana depois das aulas? Meio ambiente? Visitas às florestas e parques. Consciência de trânsito? Um sábado acompanhando os funcionários pelas cidades.
E assim por diante. Como aliás se faz nos países asiáticos, conhecidos pela qualidade de seu ensino. Mas é mais complicado, exige organização, um pouco mais de dinheiro, mais trabalho, especialmente nos fins de semana, e professores e instrutores mais qualificados e entusiasmados com as funções, obviamente com boa remuneração.
Em vez disso, determina-se a inclusão de algumas aulas no currículo e está completa a enganação: ninguém vai aprender a sério nenhuma dessas "disciplinas do cidadão", assim como a maioria não aprende a contento português, matemática e ciências.Inglês então, nem se fala, porque aí tem um componente ideológico. É a língua do imperialismo. (Embora seja provável que dentro em pouco seja a língua do imperialismo chinês).
Mas reparem que, quando se trata de estudar mesmo, nem essa ideologia esquerdo-latina ajuda. Diz o pessoal: como estudar inglês se somos todos latino-americanos, bolivarianos e amamos Chávez? Vai daí que vamos ensinar o espanhol a sério? Já seria uma grande ajuda, mas esquece.
Até já se disse que o espanhol seria obrigatório, mas não vingou. Talvez porque o espanhol seja a língua dos colonizadores? Não se espantem se alguma emenda mandar que todos aqui estudem as línguas dos índios.A sério: todos os testes, nacionais e internacionais, mostram que nossos alunos vão mal em português, matemática e ciências. Todos os estudos mostram que isso cria um enorme problema para as pessoas e para o país. Para as pessoas, porque não conseguem emprego numa economia da era do conhecimento. E para o país, porque, com uma mão de obra não qualificada, perde a batalha crucial dos nossos dias, a da produtividade tecnológica.
Reparem: isso é sabido, provado e demonstrado. E fica por isso mesmo.
Por isso mesmo, não. Tiram tempo de português para incluir uma rápida enganação de cultura afro.A agenda equivocada atravessa todo o ensino brasileiro. Nada contra as ciências sociais e as artes, mas, responda sinceramente, caro leitor, cara leitora, é normal, é razoável que a PUC-Rio tenha formado, no ano passado, 27 bacharéis em cinema, três físicos e dois matemáticos? É normal que, em 2008, as faculdades de todo o Brasil tenham formado 1.114 físicos, 1.972 matemáticos e 2.066 modistas? Como comentou o cineasta e humanista João Moreira Salles, em evento recente da Rádio CBN, nem Hollywood tem emprego para tantos cineastas quanto os que são formados por aqui. E sobre 128 cursos superiores de moda no Brasil: "Alimento o pesadelo de que, em alguns anos, os aviões não decolarão, mas todos nós seremos muito elegantes." Duvido. As escolas de moda precisariam ser eficientes, o que está longe da realidade.
Na verdade, há aqui uma perversidade sem tamanho. As pessoas das classes mais pobres e os pais que não estudaram já estão convencidos que seus filhos não vão longe sem estudo.Tiram isso, com sabedoria, de sua própria experiência. E fazem um sacrifício danado para colocar os filhos nas escolas e levá-los até a faculdade, particular, paga, na maior parte dos casos.
Quando conseguem, topam com a perversidade: os rapazes e as moças pegam o diploma superior, mas não estão prontos para o trabalho qualificado.Com o diploma, caro, guardado em casa, fazem concurso para gari, por exemplo.
Uma injustiça com as famílias pobres, um custo enorme para o país e a desmoralização do estudo.Se tivessem planejado algo para atrasar o país, não teriam conseguido tanto êxito"

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Mau exemplo: censura a Paulo Coelho

O intercâmbio entre o Brasil e o Irã parece estar dando resultados. Depois da censura a Monteiro Lobato patrocinado pelo Conselho Nacional de Educação (?), os aiatolás atômicos resolveram imitar os obscurantistas brasileiros (provavelmente sob a sinistra inspiração de Lula da Silva), e proibiram a publicação das obras do inefável Paulo Coelho. A Monteiro Lobato até seria compreensível algum tipo de restrição. Afinal de contas ele tinha a alma de caricaturista. Herman Lima em sua "História da Caricatura no Brasil" já chamava a atenção para "o acurado conhecimento que Monteiro Lobato desfrutava no terreno da caricatura universal". Transitando do desenho e da pintura (suas paixões iniciais) para a prosa, o criador de Jeca Tatu só modificou a forma de descrever o mundo que via e que, aliás, tanto merecia suas ironias e verrinas certeiras. Em suas próprias palavras, nada mais tinha feito "senão pintar com palavras. Minha impressão predominante é puramente visual". Compreende-se, pois, que Lobato ainda hoje incomode os bem comportados, os politicamente corretos, os cátaros redivivos etc., numa prova cabal da vitalidade dos seus textos. Os poderosos e as autoridades de todos os tempos, sabe-se bem, nunca suportaram o efeito corrosivo do humor.

Mas censurar Paulo Coelho, como estão fazendo as autoridades iranianas? A que ponto não chegou o fanatismo dos xiitas! Inspirado em relatos da tradição sufi, em contos das 1001 noites e em outras fontes similares provindas principalmente do extremo oriente, este autor, de uma certa maneira, faz uma releitura um tanto edulcurada, pasteurizada mesmo, destas velhas versões, lendas e fábulas milenares pertencentes ao patrimônio da humanidade. Simplifica, sim, mas há, todavia, grandes méritos em seu trabalho intelectual. Ao convidar milhões de pessoas a tomarem um livro - e lê-lo - contribui para criar bases para um avanço espiritual e cultural incontestável em diferentes lugares do mundo. As páginas de Paulo Coelho em nada lembram os Versos Satânicos, exceto por contraste, para merecerem quaisquer reparos dos aiatolás.

O fato é que os censores de todos os tempos e lugares se irmanam na sua proverbial estupidez. Eles, no entanto, passarão, como passaram os que queriam colocar uma tanga em figuras pintadas pela artista Yara Tupynambá em obscura igreja de Minas Gerais anos atrás. Esse tipo de gente também não hesitaria em cobrir as partes pudendas do Davi, de Michelangelo, ou lançar ao fogo as obras que os torturam com verdades, tal como fizeram os nazistas outrora e professores petistas em 2010, na cidade de São Paulo. Torçamos para que a inteligência, afinal, prevaleça.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Salário mínimo

O salário mínimo vai receber um aumento: R$30 por mês. Francamente, adicionar à renda do trabalhador a quantia de R$1 real por dia é uma façanha. Mal dá para um pastel ali na esquina.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Votos de boas festas e feliz ano novo

Aos meus amigos e eventuais leitores, um feliz 2011. Continuemos a acreditar na Razão. Afinal, ela é tão somente a escrava das Paixões.

sábado, 11 de dezembro de 2010

"Lula e a psiquiatria" - Professor Roberto Romano

O artigo abaixo - do professor Roberto Romano - é um refrigério nestes tempos bicudos em que vivemos. Serve para nos ajudar na compreensão do sentido das perseguições e outras violências sofridas por aqueles que incomodam e chegam, até, no caso limite, ao assassinato de professores. Stalin morreu, o stalinismo, não.

"No imaginário sobre o Estado, a prudência aparece com a alegoria das três faces: a do ancião, a do homem maduro e a de um jovem. Presente, passado e porvir são unidos para o domínio do instante oportuno, o kayrós grego. Os feitos dos legisladores ou governantes devem ser definidos com meticulosa sapiência, mas executados na hora exata. Um minuto antes, ou depois, a medida salutar transforma-se em crime contra a sociedade. A obra de Maquiavel se alicerça na prudência: o que foi dito, se negado pela mesma pessoa, joga ilegitimidade sobre o seu poder.

O site WikiLeaks atualiza a lógica que norteia a máquina do Estado. A guerra entre imprensa e poder existe desde o século 17. As duas frentes – a oficial e a crítica – usam armas perigosas. É o caso da propaganda que gera o culto dos governantes. Quanto maior a censura estatal, mais eficientes as técnicas de manipulação popular. O poder moderno fundamenta-se no binômio de segredo e propaganda. A censura garante o primeiro e os escritores venais aprimoram a segunda (*).

Norberto Bobbio mostra o quanto é antigo o disfarce político. “Que o poder tenda a usar máscara para não ser reconhecido e agir longe de olhares indiscretos, é uma velha história. Tal velha história tem mesmo um nome célebre que, somente com sua pronúncia, dá calafrios na espinha: “arcana imperii”. Em análise magistral, escreveu Elias Canetti: “O segredo está no mais íntimo núcleo do poder” (Massa e Poder). Os fundadores da democracia pretenderam dar vida à forma de governo sem máscara, na qual os segredos do domínio fossem abolidos definitivamente e destruído aquele “núcleo interior”.” Da tese extrai Bobbio o corolário ignorado no Brasil pelos que controlam o Estado: “O poder oculto não transforma a democracia, perverte-a. Não a golpeia mais ou menos gravemente nos seus órgãos vitais, extermina-a.” Entre os “órgãos vitais” da alma democrática encontra-se a liberdade de pensamento e de expressão (**).

Em dias recentes, o sr. Luiz Inácio da Silva retomou uma faceta de sua figura pública, o vezo autoritário de esconder práticas políticas usando, para tal fim, ataques à imprensa. Recordo um fato da sua campanha vitoriosa de 2002. A Folha de S.Paulo realizou debate com ele, quando perguntei: “Governos eleitos na América do Sul enfrentam pesadas críticas da imprensa (…), isso ocasiona choques que chegam a ameaçar a estabilidade institucional, como no caso da Venezuela. Qual será a sua política para a mídia internacional e brasileira, como pretende Vossa Senhoria se relacionar com os formadores de opinião?”

O candidato afirmou ser “preciso acertar na política, ou seja, esse negócio de o presidente da República ficar dizendo que não conversa com A, com B, não cabe ao presidente da República (…), ele é presidente de todos.” Disse mais: “Ou você estabelece uma negociação com a sociedade, com os empresários, mesmo com aqueles que são mais duros contra você, com os donos dos canais de televisão, com os donos dos jornais, para que se estabeleça a possibilidade de governar este país (…). Eu sou tão negociador que em 1975, quando Petrônio Portella disse “vai começar o processo de negociação”, me chamou, tinha muita gente que dizia: Lula, não vá. Eu falei: eu vou. Por que você vai? Porque eu tenho o que dizer. Eu fui lá. Então a minha vida inteira só fiz isso, (…) fazer acordos, fazer negociações (…)”. Mesmo com certo general houve acordo: “Fui lá, conversei três horas com ele e cumpri o que ele disse para mim. Fiquei no sindicato e o Exército não se meteu nas nossas greves. Depois, então, veio o Miltinho e botou o Exército para bater na gente.” E Lula defendeu o diálogo com jornalistas: “Até porque se o cara não quiser conversar comigo eu vou em cima dele para conversar.” A matéria, na íntegra, pode ser lida em http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u35797.shtml.

Ao ser perguntado, na semana passada, sobre o apoio que recebe da oligarquia Sarney, que exigiu (e obteve) a censura deste jornal, Lula foi “em cima” do repórter: “Pergunta preconceituosa como esta é grave para quem está há oito anos cobrindo Brasília. Demonstra que você não evoluiu nada. O presidente Sarney é presidente do Senado… Preconceito é uma doença. O Senado é uma instituição autônoma diante do Poder Executivo, da mesma forma, o Poder Judiciário. O Sarney colaborou muito para a institucionalidade. E ademais é o seguinte: o Sarney foi eleito pelo Amapá, eu não sei por que o preconceito. Você tem de se tratar, quem sabe fazer uma psicanálise para diminuir o preconceito.”

A conveniência política que rende segredo e censura em favor de quem o apoia se justifica, segundo o presidente, pela “institucionalidade”. Tragicômica e nada original razão de Estado. Hospícios para intelectuais independentes e jornalistas surgiram no século 19. Hölderlin foi internado por suas posições jacobinas, acusado de loucura. Depois dele, o tratamento psiquiátrico foi a solução contra a crítica na Alemanha, na Itália e na União Soviética. O silêncio sobre tais medidas durou o tempo em que a propaganda enganou as massas, gerando a “popularidade” dos governantes. Mas os “loucos” venceram. Caíram as paredes dos manicômios totalitários com o Muro. O pêndulo, hoje, retorna ao poder e à propaganda. Devemos agradecer ao WikiLeaks.

(*) Burke, Peter: A Fabricação do Rei (RJ, Zahar Ed.) e Thuau, E.: Raison d”État et Pensée Politique à l”Époque de Richelieu (Paris, Armand Colin Ed.).

(**) Il Potere in Maschera, in L”Utopia Capovolta.
(Publicado no jornal O Estado de S. Paulo, 08/12/2010)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"Professor é morto na Faculdade"

(Matéria publicada em O Tempo, de 8/12/2010)

"Um crime trágico em um cenário improvável: um professor assassinado em uma escola particular localizada na região Centro-Sul de Belo Horizonte. No início da noite de ontem, o mestre em educação física Kássio Vinícius de Castro Gomes, 39, foi esfaqueado em um dos corredores do Instituto Metodista Izabela Hendrix, na rua da Bahia, no bairro de Lourdes, por um aluno.
O crime foi filmado pelas câmeras do circuito interno de segurança da instituição de ensino. Segundo o delegado Wagner Pinto, as imagens flagraram o estudante Amilton Loyola Caires, 23, golpeando o docente no tórax.
O jovem cursava diferentes períodos da graduação e teria ingressado no Izabela Hendrix após ter sido transferido de uma outra faculdade privada da capital. Uma das testemunhas contou que o suspeito teria sido expulso da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), justamente por um caso de agressão contra funcionários.
Por volta de 18h40 de ontem, antes do início das aulas da noite, o suspeito teria discutido com o professor e deixado a faculdade. Minutos depois, ele retornou e reiniciou a briga. Amilton fugiu em uma moto e deixou a faca usada no crime jogada no corredor.
Motivação. Segundo colegas, a discussão começou porque Amilton não teria aceitado o fato de ter sido reprovado na primeira etapa de um trabalho. "Tínhamos um trabalho marcado com o professor hoje (ontem). Pelo que ouvi dizer, o Kássio estava se dirigindo para o outro prédio da faculdade quando foi atacado no corredor", contou Luiz Henrique Rodrigues Souza, aluno do 2º período do curso de educação física.
Segundo testemunhas, três alunos cercaram o professor, mas apenas Amilton o esfaqueou. "Estou indignado. Ele era um professor experiente e uma pessoa muito boa", lamentou Luiz Henrique. De acordo com os colegas de Amilton, o suspeito é morador do bairro União, na região Leste da capital.
Representantes da instituição de ensino confirmaram que as imagens já foram colocadas à disposição da Polícia Civil. Segundo eles, a segurança conta com 52 vigilantes e 53 câmeras.
A instituição foi fechada ontem para a perícia da Polícia Civil, mas a escola divulgou nota informando que as aulas serão retomadas normalmente amanhã."

"A violência nas escolas é uma realidade" - Júnia Paixão

(Publicado no Jornal OTEMPO em 07/12/2010"


"A violência nas escolas contra professores, ao contrário do que dizem as autoridades da educação, não é feita por casos isolados, mas se configura como uma prática comum nos dias de hoje. Vivemos numa situação de constante tensão, pois nossos alunos estão cada dia mais sem limites e sem noção de certo e errado.

Não prego a hierarquia autoritária, mas um mínimo de respeito à autoridade do mestre, dentro da sala de aula, tem que ser cobrada. Se educamos adolescentes e jovens para a vida, como será quando eles tiverem que enfrentar o mundo fora dos muros da escola? Não podemos fazer vista grossa às atrocidades vividas todos os dias pelos educadores, com agressões verbais, porque, na maioria dos casos de violência física, a agressão sofrida é o cume de um processo que já começou há muito tempo.

Infelizmente, somos a parte mais frágil dessa corda. Os alunos têm direitos demais e nem sequer podemos cobrar-lhes seus deveres de estudantes com rigor, pois o insucesso de todos os alunos, mesmo os mais indolentes, recai sobre os ombros do professor. Nossa avaliação de desempenho, tão alardeada pelo governo como meritocracia, está atrelada ao número de alunos evadidos da escola e à quantidade de baixo desempenho dos estudantes, mesmo que tudo tenha sido tentado.

E o mais interessante é que não vemos nenhum movimento do governo em melhorar o atendimento a essa clientela. As escolas não contam com nenhum profissional que possa auxiliar no diagnóstico de problemas sociais, envolvimento com drogas e outros fatores de risco social. Projetos são lançados sem a mínima preocupação com a infraestrutura das escolas, como a escola de tempo integral. Alunos especiais são jogados em instituições sem a menor capacidade de acolhê-los adequadamente.

A violência sofrida por profissionais de educação é o resultado de uma política educacional equivocada e incoerente, que privilegia números, abarrota as escolas de papéis a serem preenchidos, cobra condescendência dos educadores para com os educandos, tira a autonomia das escolas e culpa os professores por todo o mal, inclusive das agressões das quais são vítimas.

O magistério é uma profissão em extinção. Os jovens que vão enfrentar o mercado de trabalho hoje têm um leque de opções muito amplo e muito promissor. Quem vai querer entrar numa escola com vários ideais e passar toda a sua vida profissional brigando pelo mínimo de dignidade?"