domingo, 15 de outubro de 2017

Tribunais superiores e a reforma política

Numa postura digna do Conselheiro Acácio, o STF decidiu que a Constituição Federal de 1988 ainda está em plena vigência, ora, ora vejam que coisa notável. Para chegar a tão insólita conclusão, suas excelências resolveram validar aquilo que expressamente consta no texto constitucional, no tocante às prerrogativas parlamentares. Deputados federais e senadores só podem ser presos se houver a chancela do respectivo corpo legislativo. 

A meia dúzia que votou pela Constituição enfrentou, claro, as forças do obscurantismo capitaneadas pelo ministro Barroso (sempre ele), em permanente debate contra o princípio da representação popular. Barroso, Fachin e Rosinha Weber julgando-se ungidos por não se sabe quem, resolveram aplicar a si próprios a chamada "teoria da representação presumida", não somente no caso em tela mas, também, em outras oportunidades, conforme fartamente divulgado pelos meios de comunicação. 

A conduta aberrante desses magistrados sem o voto que os legitimasse permite levantar forte suspeita. A reforma política que o Brasil precisa não deveria começar pelas mais altas Cortes, por exemplo, o STF e o STJ? 

Muita gente questiona os políticos tradicionais; postula-se sua remoção sumária dos postos que ocupam, do mais humilde vereador dos grotões até o mais alto cargo executivo da República. As ações dos vereadores, deputados e senadores, no entanto, estão em permanente escrutínio. Tais políticos, não se há de esquecê-lo, precisam submeter seus mandatos à vontade dos eleitores em eleições periódicas. 

Aliás, numa avaliação extensiva das trapalhadas dos políticos, uma das mais perniciosas tem sido a aprovação dos nomes indicados para o Supremo Tribunal Federal. Imagine-se a situação em que todos os políticos - todos mesmo, de cabo a rabo - sejam trocados nas duas próximas eleições. 

Com o STF e o STJ que aí estão postos, considere-se, o país não vai melhorar nunca. Os bacanas passam um dia inteiro para decidir um único caso sob sua apreciação. Ficam a ler enfadonhos votos nos quais nem eles próprios prestam atenção. Extenuados, passam à etapa gastronômica de seu mister. Um lanche farto ao final da árdua jornada e suas excelências se retiram para alguma viagenzinha pelo país, ou em alguma excursão no circuito "Elizabeth Arden" da diplomacia: Nova York, Paris, Londres, Roma ou Berlim. 

Os processos podem ficar para a volta. Afinal, estão bem guardados em amplas e sólidas gavetas.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Delenda Bolsonaro

Sim, Bolsonaro deve ser destruído. Numa jornada espantosamente solitária, o antigo capitão do exército brasileiro transita por todos os cantos do Brasil. Nesses lugares, de norte a sul e de leste a oeste, é recebido efusivamente por milhares de cidadãos. Cidadãos desiludidos, com justa razão, com os rumos a que foi levado o país até o momento.

Portador de um discurso fluido, em tudo contrário ao discurso viscoso de outros prováveis pretendentes, Bolsonaro nada de braçada no mar de lodo da política nacional. E o faz sem se deixar contaminar pelo que faz a gente imunda do lulo-petismo há mais de três décadas, conforme qualquer um pode constatar.

Sim, Bolsonaro deve ser destruído. Os romanos também sabiam que Cartago deveria sofrer o mesmo processo destrutivo. Frente à ameaça da derrota política, petistas e aliados se escoram no preceito: Delenda Bolsonaro! 

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Olá amigos, voltei

Após tenebroso inverno, estou de volta.

Grande abraço aos amigos e leitores eventuais.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Pimentel volta aos negócios


O governador Pimentel volta aos negócios em grande estilo. Acaba de inventar um mecanismo financeiro para permitir a utilização de imóveis de propriedade pública (algo do tipo vende e depois aluga), visando gerar caixa para seu governo medíocre. O cheiro de negociata é mais que evidente. Dará com os burros n'água pois, afinal, quem botará dinheiro de seu em alguma coisa gerida por Pimentel? Os fundos de pensão das estatais? Entidades financeiras internacionais? Empreiteiras amigas? 

A proposta do governo mineiro carece de um fundamento essencial para ter a chance de ser bem sucedido: a confiança. Um governador na bica de ser julgado e condenado por crimes infamantes - apurados pelas Operações Acrônimo e Lava Jato - conseguirá atrair algum incauto para financiar suas estripulias? Depois de tudo que se sabe a seu respeito? Cesteiro que faz um cesto, faz um cento. Esta é a melhor descrição do personagem que - até quando? - continuará a infelicitar o povo de Minas Gerais. Onde tem dinheiro e tem Pimentel não caberia outro julgamento: vai dar merda. 

O desespero do melhor amigo de dona Dilma tem uma sólida razão política oculta. Os resultados das últimas eleições municipais criaram um novo polo de poder em torno da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Prefeituras poderosas como as da capital mineira, de Contagem e de Betim, entre outras, relegaram Pimentel e sua turma de cafajestes a um papel político secundário. É em torno daqueles prefeitos que a sucessão de 2018 irá gravitar. O nome a ser destacado é o do sólido empresário  Vittorio Medioli, estrategista e realizador com capacidade de conduzir Minas Gerais ao patamar que o estado já teve em outras épocas.


terça-feira, 28 de março de 2017

O filho, da puta, do Brasil


O patético filme (O filho do Brasil), sobre a vida e obra de Lula da Silva - financiado , aliás, pelos empreiteiros que hoje mourejam para escapar dos tentáculos da Operação Lava Jato - receberá uma continuação em breve, agora mostrando a alma negra daquele personagem (o filho da puta do Brasil). Mas eis que o herói está questionando judicialmente a utilização de cenas realistas nas quais esteve envolvido (como sua condução coercitiva para depor na Polícia Federal, em março do ano passado), alegando que isso poderia afetar sua imagem pública, como se tal fosse possível. Reivindica, então, do juiz Moro a proibição de utilização daquelas imagens geradas pela polícia. 

Difícil encontrar palavras para comentar caso tão espantoso. Conduta tão asquerosa de censura prévia a uma obra cinematográfica deveria receber algum tipo de protesto da intelectualidade universitária e outros parasitas que gravitam em torno do pervertido de Garanhuns. Mas é inútil esperar que essa gente escrota vá assim se manifestar. Continuam, no mínimo, a sofrer os efeitos da dissonância cognitiva: a realidade se modifica mas a compreensão dela permanece inalterada. Caso psiquiátrico, a se ver.

Em espírito, figuras como Chico Buarque, frei Bofe e outros mais só estão a repetir o comportamento dos intelectuais franceses adeptos do comunismo, quando veio à luz o genocídio praticado na URSS por Stálin e seus mirmídones: ignoraram solenemente os fatos apontados por Kruchev em 1956, e mantiveram seu engajamento com a causa de um dos regimes políticos mais bárbaros que já existiu, capaz de fazer sombra aos piores crimes do nazi-fascismo. Ah, diziam, não se podia agir de maneira a favorecer o imperialismo capitalista, reiteravam os pensadores progressistas de então. Hoje o discurso é contra o neo-liberalismo.

E olhem que os lambe-cu esquerdistas, na Europa, eram gente do calibre de um Sartre e, não, de figurinhas tropicais menores, como Chauí, a bruxa plagiadora de Claude Lefort, a mesma que diz que o mundo se ilumina quandro as tripas de Lula expelem em gás  o resultado de sua atividade intelectual. Sim, Lula peida e Chauí corre para ficar de joelhos a aspirar o sublime fermentado em tão sagrado invólucro.    

sexta-feira, 24 de março de 2017

O Puteiro de Lula


Uma das passagens mais hilária retirada do conjunto de depoimentos dos executivos da Odebrecht, a respeito das propinas pagas pela empreiteira, é aquela que reporta a entrega do dinheiro sujo de Lula e cia em um cabaré, nome elegante de puteiro da zona de baixo meretrício. Talvez pelo fato das mães dos petistas envolvidos ganharem ali, suadamente, a vida na mais velha profissão da história humana, a escolha do local para fazer a tradição do dinheiro tenha sido aquela. 

Dado o padrão conhecido dos envolvidos, um rendez-vous é um local mais que adequado até para morigerar os filhos das putas. O caso todo parece roteiro de filme classe B. Alguém, a propósito, conseguiria identificar o nome e a localização do estabelecimento que abriga o altar de Eros? Este poderia, a partir de bom marketing, ser elevado à categoria de atração turística. 

As roubalheiras petista merecem, quem sabe, que fosse erigido um museu do petrolão em sua homenagem. O puteiro em tela seria um lugar perfeito para eternizar em cera a imagem depravada de Lula e seus sequazes, a organização criminosa da qual falava o ministro Celso de Mello. 

Voto em lista: pequenos partidos sobreviverão


O voto em lista é tudo que os vigaristas querem. A campanha será longa e custosa. Exigirá bastante dinheiro para sustentar uma máquina de propaganda destinada a angariar votos para uma legenda partidária qualquer. Será um farra para os pequenos partidos. Quanto custará a chamada "cabeça da chapa"? Um projeto eleitoral bem organizado coloca o financiador no primeiro lugar da lista. Outras lideranças ficariam distribuídas no rol, de maneira a obter pelo menos mais de dois coeficientes eleitorais. Empresários bem sucedidos não encontrarão qualquer dificuldade de comprar a vaga privilegiada e financiar um exército de cabos-eleitorais. As últimas eleições municipais mostraram isso em vários lugares. Plutocratas aventureiros, como os prefeitos de Belo Horizonte e de São Paulo, venceram facilmente lideranças consolidadas. Os pequenos partidos não têm que se preocupar com sua sobrevivência. 

Deus e o diabo na terra dos pinhais


Sugestão para Lula: tendo perdido a assistência do ilustre professor criminalista Juarez Cirino, contrate outro professor notório: o igualmente criminalista Sérgio Salomão Shecaira. Estará em boas mãos, mãos de calango, claro. Dinheiro não é problema quando a relação se dá entre camaradas e companheiros. Exótico e atrevido - até a prisão de Sérgio Moro ele já pediu - será um espetáculo o combate político e jurídico entre os dois xarás - um do mal e o outro do bem, um novo Deus e o Diabo na terra dos pinhais. O boquirroto Shecaira poderá, assim, prestar um grande serviço à organização criminosa que assaltou o país, caso seja bem sucedido. As apostas estão na mesa. Vamos, Shecaira, força e coragem. 

Doutor Tomás Turbando: o mais limpo tem sarna

O trio de juristas que ornam o mundo petista: professores doutores Sérgio Salomão Shecaira, José Eduardo Cardoso e o famoso mestre Tomás Turbando, íntimo amigo do ex-ministro da Justiça de dona Dilma, de quem é devoto e assessor para assuntos onanísticos. São os ícones de verdadeira legião. Na cabeça da manada de desmiolados políticos são os mais destacados. Tudo isso é público e notório, conforme estão demonstrando a Operação Lava-Jato, bem como outros procedimentos que correm na justiça eleitoral.

O mais limpo da turma tem sarna. Agora, fazer trocadilho com masturbação é algo do caralho, ainda mais quando no bojo do julgamento político da madame que presidia o Brasil, sempre vista e conhecida como um breve contra a luxúria. 


quinta-feira, 23 de março de 2017

Dilma, a porca gadarena


Para justificar sua recusa em morar no palácio da Alvorada (preferindo continuar habitando o palácio do Jaburu), o presidente Michel Temer assim se manifestou:

“Não deixo de acreditar em certas energias. Não me senti à vontade.”

O presidente, com certeza, lançou mão de sua fina sensibilidade espiritual para identificar a presença, nos aposentos antes ocupado por dona Dilma, de encostos e demais espíritos imundos, criaturas malignas por excelência, brotadas das profundezas do inferno.

A vara de porcos gadarenos comandada pela antiga presidente ainda vai afetar, e muito, o ambiente institucional brasileiro. O PT, esse amontoado de suínos, está aí para não deixar qualquer dúvida a respeito. Alguém deveria jogar água benta na possuída dama vermelha, em rigoroso ritual exorcista. Cruz credo; sai pra lá Exu caveira. 

quarta-feira, 22 de março de 2017

Prisão para Sérgio Moro



A melhor prova de que a insanidade ocupou, de vez, o ambiente acadêmico das principais universidades brasileiras, está no pedido de prisão para o juiz Sérgio Moro, proposto por um professor de direito penal, pra lá de esquisito, da Faculdade de Direito da USP, há alguns dias. É uma verdadeira revolução epistemológica, somente vista em alguns filmes de faroeste, onde o bandido é quem persegue o mocinho. 


Audácia ou loucura de advogado petista?

Sede do PMDB invadida por professsores


No último 21 de março, pelegos de uma dita CONLUTAS, buliçosa Central Sindical pertencente ao PSTU, PSOL, Rede e outros micropartidos, invadiram a sede mineira do PMDB, em Belo Horizonte. A palavra de ordem, claro, era o "fora Temer", seguido de outra curiosa apologia: a "fica Dilma". Quem quiser ouvir, pode procurar nos blogs e outras redes sociais. O rosnado da pequena e atrevida multidão não pediu, o que pareceria mais lógico - o "volta Dilma" - mas, sim, o "fica Dilma"... fica onde você está pelo que se pode deduzir. 

Evidentemente, os professores estavam matando aula, trazendo graves prejuízos aos alunos e às suas famílias. Se o emprego que aqueles têm não lhes satisfaz, qualquer que seja o motivo, a solução é simples. Basta pedir demissão e procurar outros afazeres. Essa gente votou maciçamente em Pimentel para o governo de Minas Gerais, governo este que, em troca, está pagando o salário mensal dos funcionários públicos à prestação, tal qual vem fazendo o governo do Rio de Janeiro. Por qual insidiosa razão essa gente não vai protestar em frente à CEMIG (onde o governador despacha usualmente, escondido de eventuais pressões, ou de uma batida policial derivada de suas roubalheiras, tal como sinaliza a Operação Acrônimo da PF), ou então nos largos jardins da Cidade Administrativa, lá nos confins do Judas, na região norte da capital mineira?  

O triste papel que os docentes mineiros vêm desempenhando - o de massa de manobra de pelegos sem escrúpulos e, pior, o de traidores da causa da Educação - só confirma, infelizmente, o acerto de velho aforismo perfeitamente aplicável àqueles oportunistas: aquele a quem os deuses odeiam, fazem-no professor. 

terça-feira, 21 de março de 2017

Friboi

Propaganda do grupo JBS a propósito do escândalo das carnes podres


Os frigoríficos gigantes, como o Friboi, também fazem parte da herança maldita do regime petista. Com a ajuda do BNDES, e dos Fundos de Pensão das estatais, esses vendedores de carniça, verdadeiras hienas, enriqueceram prodigiosamente. 

Os últimos acontencimentos, relativos a fraudes e manipulação de carne podre, talvez sirvam de saudável exemplo para a população refletir sobre aquilo que ingere. E nada melhor que a quaresma para se pensar a respeito. 

segunda-feira, 20 de março de 2017

Sim, furtamos, roubamos, achacamos, corrompemos, extorquimos, etc. E daí?

O PT confessou. Está publicado no site do Partido. Cínicos, só se esqueceram de dizer que desviar dinheiro alheio é marca sua de origem. Vem desde os tempos em que só saqueavam o cofre dos sindicatos, dos diretórios estudantis, das entidades associativas e outros. Analisando com lupa, provavelmente - não, não provavelmente, mas, certamente, sim - a turma já começara a carreira furtando a chupeta do coleguinha no berçário. 

Segue abaixo a incrível manifestação oficial dos petistas, gatunos confessos, como se isso lhes aliviasse a consciência culpada, e os livrasse da necessária prestação de contas. Só fica faltando, agora, a imprescindível dissolução formal da quadrilha. Uma organização criminosa não pode ter CNPJ. Ficará ela parecida com outros grupos clandestinos, tipo MST e MTST que, aliás, sempre foram agentes da implementação da estratégia da "dualidade de poder", prescrita por Lenin aos seus seguidores.

“As eleições brasileiras historicamente foram feitas mediante contribuições não contabilizadas, vulgo caixa dois.
O Partido dos Trabalhadores, provavelmente, se utilizou das mesmas regras que os demais usavam. Grande parte dos militantes que assumiram a função de gerir recursos o fizeram como tarefa política. Tarefa, aliás, com enorme exposição pessoal (…).
A disputa eleitoral é estratégica para o Partido dos Trabalhadores e não a menos importante.
Na situação exposta acima, como o PT poderia disputar eleições sem recursos enquanto todos os partidos neoliberais o tinham de sobra e de várias fontes? Seria impossível disputar com chances de vitória sem os instrumentos necessários. É perfeitamente lógico que o Partido dos Trabalhadores, apresentando um projeto ao país, disputando um novo rumo para a nação, tenha buscado se financiar para tal”.

As virgens prometidas: algumas dúvidas


Se um mártir devoto de Alah vai para o céu, e lá terá direito a 72 virgens, ganhará também 72 sogras? E quantos serão os cunhados?

E se o glorioso mártir for gay, ficará mantida a promessa das seis dúzias do prêmio máximo? Uma irmã gostosa, igual aquela do Carlos da Maia, caberia também no pacote? Alguma Lolita poderia ser reivindicada?  E se o agraciado for impotente, receberá a necessária dose de Viagra? Será permitida a suruba, tal qual ocorre hoje direto no Senado federal, ou haverá alguma pausa para recarregar as baterias? 

São muitas as dúvidas, são muitas as emoções.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Temer é fraco, diz Dilma

Dona Dilma acusa Temer de ser fraco. Talvez tenha lá uma dose de verdade. Vejamos a questão sindical. Uma das fontes de financiamento da CUT é a Contribuição Sindical. Esta dita Central abocanha algo da ordem de R$50 milhões por ano, fruto da renúncia do governo federal de 50% da parcela que legalmente lhe caberia (60% vai para o sindicato de base, 15% para as federações, 5% para as confederações, e 20% iria para o ministério do Trabalho). 

Qual foi a mágica que Lula fez? O sistema sindical brasileiro é confederativo, segundo a Constituição; não estipula a existência de Centrais Sindicais, somente sindicatos, federações e confederações. Lula simplesmente fez aprovar uma lei prescrevendo que metade daqueles 20% referidos acima, seriam distribuídos entre as Centrais, pois que estas estariam legalmente fora da partilha do montante recolhido (equivalente ao somatório do valor de um dia de trabalho de cada trabalhador em todo o país). 

É essa grana que move as manifestações anti-Temer e anti-reformas. Se Temer fosse mesmo mais corajoso, suspenderia na hora o faz-me-rir da pelegada da CUT, deixando-a a pão e laranja. Arrumava alguém com prerrogativa para questionar a legalidade e constitucionalidade da lei inventada por Lula e, enquanto isso, congelaria os repasses para a CUT e outras, exigindo condicionantes que impedissem ou dificultassem qualquer transferência financeira para elas, as Centrais. 

Em suma, pesar a mão e fazer política, sem medo de ser feliz e de descontentar o verdadeiro exército mercenário dos Stédiles da vida. A mesma coisa deveria ser feita para neutralizar partidos e organizações clandestinos, tipo MST e congêneres. E não esquecer, primordialmente, de cobrar prestação de contas das quais foram isentadas pela atual legislação. 

Mais: se os Sindicatos, as Federações e as Confederações quiserem criar uma associação qualquer às suas custas, nada haverá de impedi-las. O associativismo no Brasil é livre, respeitando-se as leis e, principalmente, a Constituição da República.

    

Maluf, o mais honesto


Aqueles mais idosos conhecem os fatos da vida brasileira por tê-los testemunhado. Nunca precisaram ler algum relato, ou livro de história, para saber o que aconteceu. O exemplo mais gritante é o deputado federal, ex-prefeito e ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf. Talvez por hábito arraigado, o primeiro nome buscado no noticiário (sobre os envolvidos com o mensalão e o petrolão), fosse o dele. E nada, nem na espessa lista do Janot. 

Paulo Maluf, ao que parece, fazia parte daqueles gatunos românticos que vampirizavam a conta do custeio dos orçamentos públicos: nada mais que um pirulito, um franguinho, um litrinho de leite para a gurizada. Muito diferente da quadrilha lulo-petista que saqueia a viúva com a cobiça de piratas e o entusiasmo espiritual de corsários (a serviço da causa, claro).

Se fosse um homem vingativo, Maluf deveria processar seus desafetos. Certamente ganharia gorda indenização. Maluf, o único dos figurões da política dos últimos 50 anos não enrolado com a Lava-Jato, merece o diploma de segundo político mais honesto do Brasil. O primeiro lugar, não poderia deixar de ser, pertence a Lula. Até isso Lula da Silva, a perfeita reencarnação de São Dimas, conseguiu roubar.  

Febre Amarela: alerta da OPAS (Obrigado, Pimentel)


A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) emitiu na tarde desta quinta-feira, 16, um comunicado sobre febre amarela em que alerta para a possibilidade de o Brasil voltar a ter transmissão da forma urbana da doença. No texto, a organização atribuiu o risco à confirmação de casos em humanos e macacos em áreas próximas a grandes aglomerados urbanos. A Opas observa, no entanto, não haver até o momento evidências de que o Aedes aegypti, mosquito associado à forma urbana da doença, tenha provocado casos da infecção.
Mortes de macacos foram registradas em áreas próximas do Rio. Em Minas, epicentro da epidemia até o momento, um paciente de Esmeraldas, cidade situada na região metropolitana de Belo Horizonte, teve a infecção confirmada. Foi registrada ainda a morte de macacos na região próxima da capital mineira. 
No comunicado desta quinta, a Opas foi mais enfática em relação ao risco de o Brasil voltar a ter a forma urbana da doença - o último caso foi registrado em 1942. Na nota de janeiro sobre o tema, a organização afirmava: "risco de transmissão urbana da febre amarela não pode ser descartado." 
Em 17 de fevereiro, o comunicado dizia que, "mesmo que exista a possibilidade de uma mudança no ciclo de transmissão de febre amarela em curso, até o momento não há evidências de que o mosquito Aedes aegypti esteja envolvido na transmissão."
O Ministério da Saúde, em comunicado, assegurou não haver no momento evidências de febre amarela urbana no País. De acordo com a pasta, equipes de vigilância têm feito coleta de mosquitos nas áreas afetadas para verificar a presença do vírus. O texto assegura que não foram encontrados até agora insetos infectados nas áreas urbanas. 
No alerta desta quinta, a Opas informa que suas equipes estão em diversas áreas afetadas para apoiar o País na resposta ao surto. O comunicado dá destaque ainda para expansão da doença no continente. Além do Brasil, outros cinco países notificaram casos de febre amarela neste ano: Colômbia, Bolívia, Equador, Peru e Suriname - dois países a mais do que no boletim anterior, divulgado no início de março. 
No Equador, a confirmação do caso é a primeira depois de 2012. No Suriname, nenhuma infecção era registrada desde 1972. O Peru registrou três casos e a Bolívia, um.
A Opas ressalta que Estados precisam continuar seus esforços para detectar, confirmar e tratar adequadamente e de forma oportuna os casos da doença, "dada a atual situação de febre amarela no Brasil e o surgimento de casos em áreas que passaram vários anos sem registros." De acordo com o comunicado, "para isso, é importante que profissionais de saúde estejam atualizados e capacitados para detectar e tratar os casos, especialmente em áreas de circulação do vírus."

O governador petista Fernando Pimentel, e seus mirmídones, a cada momento, mergulhando na lama fétida da História. Mas convenhamos: os mineiros votaram nele porque quiseram. Pimentel venceu no primeiro turno as eleições de 2014. Ninguém pode alegar que foi enganado.   

terça-feira, 14 de março de 2017

Dilma e Temer com Danilo Gentili


O humorista Danilo Gentili entrevista Dilma e Temer em seu programa The Noite. Rir dessa gente é uma espécie de vingança.

Impagável!

Dilma e Temer no programa The Noite

segunda-feira, 13 de março de 2017

Dilma: analfabeta em qualquer língua


Dona Dilma é um espanto. Em sua gloriosa coerência já demonstrou ser analfabeta em português, em espanhol e, agora, na doce língua de Proust, o francês. A púcura dama, certamente, não vai faltar ao chamado: também deve ser analfabeta em búlgaro e, com certeza, em inglês. 

O link abaixo demonstra que, apesar de na juventude ter sido aluna em escola de freiras francófonas, dona Dilma persevera em sua intransponível obtusidade, custe o que custar.

Dilma: analfabeta em qualquer língua

Revigorar os partidos (Estadão em 13-03-2017)


“O Brasil não tem partidos, só siglas”, disse o presidente Michel Temer em entrevista à revista britânica The Economist, reproduzida pelo Estado. A avaliação adquire especial relevância tendo em vista que o seu autor não é alguém de fora do mundo da política. Michel Temer tem uma intensa participação na vida político-partidária brasileira desde o início da década de 80, quando se filiou ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Com vários mandatos parlamentares, ele foi presidente da Câmara dos Deputados por três vezes e, até pouco tempo atrás, era o presidente do PMDB. Pois bem, é uma pessoa com essa vivência política que afirma que os partidos no Brasil são apenas siglas.

O diagnóstico é grave e deve suscitar uma reflexão responsável, que ajude a descobrir as causas da anomalia e a propor soluções concretas. A qualidade de uma democracia depende em boa medida da vitalidade dos partidos políticos.

Não se trata de enfraquecer, como pretendem alguns, a democracia representativa, apostando numa idealizada “democracia direta”, como se o caminho para uma maior proximidade do Estado com a população fosse a instalação dos chamados mecanismos de “participação popular”. A experiência de outros países com essas medidas indica sua real natureza. Mais do que espaços para ouvir as múltiplas vozes da sociedade, tornam-se instrumentos de apropriação da chamada “vontade popular” por grupos politicamente organizados.

O caminho para melhorar a qualidade da política passa necessariamente por fortalecer a democracia representativa. A solução para o grave problema decorrente do fato de os partidos políticos serem meras siglas não está simplesmente em acabar com os partidos ou enfraquecê-los ainda mais. O que faz falta é revigorá-los.

Uma medida que pode contribuir para isso é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 36/2016, que impõe uma cláusula de barreira aos partidos políticos. De acordo com o texto aprovado no Senado e encaminhado em novembro passado à Câmara, as legendas, para terem direito ao pleno funcionamento parlamentar, precisarão preencher nas eleições para a Câmara dos Deputados, entre outras condições, a obtenção de um mínimo de 3% dos votos válidos. Só após ultrapassarem essa barreira, os partidos terão direito aos recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão. A proposta ajudaria, portanto, a filtrar os partidos nanicos, que, custeados pelo Estado, só servem a seus proprietários e ajudam a transformar o Parlamento num balcão de negócios.

Mas o problema dos partidos brasileiros não está restrito às pequenas legendas. Elas não são as únicas que são apenas siglas. Em quase todos os partidos se observa uma ampla e profunda indefinição programática. Seus estatutos são, com leves diferenças de estilo, de uma incrível monotonia, trazendo uma enfadonha citação dos mesmos valores e ideais, quase sempre copiados de uma cartilha dita de esquerda, sem relação com a atuação dessas legendas na vida política do País.

Logicamente, essa situação destoa do sistema proposto pela Constituição de 1988, que coloca os partidos políticos entre as instituições fundamentais para a organização do Estado, estabelecendo que a filiação partidária é condição imprescindível para o exercício de mandatos eletivos. Longe de ser um trâmite burocrático, tal condição manifesta a convicção de que a esfera partidária é etapa obrigatória para o debate, o aprimoramento, a difusão e a aplicação efetiva das ideias e propostas que circulam fecundamente numa sociedade.

O respeito à Constituição conduz, portanto, a que se cuide bem dos partidos. Desprezá-los, como se fossem organizações por sua natureza contrárias ao interesse público, é um grave equívoco, com consequências daninhas para toda a sociedade. Faz falta uma profunda reforma política, com regras que facilitem que os partidos sejam de fato agrupamentos de pessoas unidas em torno de um núcleo de princípios e ideais. São esses, e não outros, os trilhos da democracia.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Mulheres de grelo duro e outras


O presidente Temer e o deputado estadual mineiro João Leite têm uma característica comum: ambos são pessoas amáveis e bem educadas, incapazes de pronunciar um palavrão sequer em suas atividades rotineiras. Seus comentários durante as comemorações do dia internacional da mulher,  no entanto, estão sofrendo duras críticas por parte de algumas parlamentares e militantes da oposição. 

Quem são elas? Fácil identificar; são aquelas de "grelo duro", como as definiu o cafajeste Lula da Silva, este, sim, um modelo de macho aplaudido pelas barangas, sempre papando uma desavisada. Já em relação aos  mutiladores genitais femininos, um obsequioso silêncio nas avaliações dessas viragos detestáveis. Clara é a explicação para tal conduta. 

Como sustentar o discurso da "Mama África", explorada e perseguida, apontando formas bárbaras de tratamento das mulheres africanas pelas quais o mundo europeu não tem qualquer responsabilidade? Melhor ignorar, pensam com cautela. E cabe repetir à exaustão: os agentes de tão brutal tratamento dado às meninas e moças não são os homens; são as próprias mães e avós das vítimas. 

O Ministério da Saúde bem poderia obrigar os médicos a informarem casos de suspeita de mutilação genital feminina que chegassem a seu conhecimento, nos consultórios. Afinal, cresce no Brasil a presença de migrantes oriundos da África Negra. Seria, então, uma inegável manifestação de solidariedade de gênero, ultrapassando em muito a conversa fiada das barulhentas feminazis mais conhecidas.   

quarta-feira, 8 de março de 2017

Pimentel e as isenções


Quando era ministro de dona Dilma, o atual governador de Minas participou ativamente da concessão de subsídios ao setor industrial chamado de "fordista protegido". Quanto tais desonerações custaram ao estado de Minas e aos municípios mineiros? Agora, Pimentel quer socorro do governo central sem abrir mão do fluxo de caixa propiciado pela COPASA e pela CEMIG, substitutas dos antigos bancos do estado em termos de atuação financeira. Isso para não falar na grossa corrupção envolvida nos negócios. 

Não por acaso, até o sócio e amigo íntimo - um tal de Bené - ao perceber o tamanho da punição a que estaria condenado, tratou logo de apontar as culpas e a responsabilidade de Pimentel em diversas trapaças, conforme consta da Operação Acrônimo. Newton Cardoso, notória e tristemente famoso em todo o Brasil, se comparado ao atual governador, não passa de reles mão de seda. Herdeiros de longa e respeitável tradição política, os mineiros desonraram a memória de Minas Gerais, quando se permitiram eleger governador figura tão desqualificada, que já se assanha pensando na reeleição, em 2018. 

Taí uma excelente oportunidade para Aécio Neves se redimir de tantas presepadas que cometeu, com destaque para suas traições a João Leite, Serra, Alckmin e Pimenta da Veiga, candidatos do seu próprio partido em diferentes eleições majoritárias nos últimos 16 anos, que foram cristianizados por ele, em benefício de Pimentel e do PT. Em vez de postular a presidência da República, que se candidate novamente ao governo de Minas em 2018.  

Todas, menos Dilma


Manifestação de caminhoneiro que lava a alma dos brasileiros. Ah, e das brasileiras também. Salve o dia internacional das mulheres.



terça-feira, 7 de março de 2017

Padrões alemães e a lava-jato


Os depoimentos contidos nas delações premiadas dos executivos da Odebrecht são devastadores. Os negócios da empreiteira com a cúpula do PT, em especial com Lula, configuravam uma organização detalhada e detalhista, típico da cultura germânica. Planilhas contendo nomes, dados e fatos fazem lembrar os arquivos alemães que serviram de base para a condenação de Eichmann, o carniceiro nazista, cujo julgamento em Jerusalém foi esplendidamente narrado pela grande filósofa Hannah Arendt. Corrupção ao estilo Odebrecht era coisa séria. Dificilmente as outras empreiteiras poderão apresentar algo similar; o estilão destas deve ser o tradicional no Brasil, com avacalhação generalizada. Com a Odebrecht, jamais: é tudo pão pão, queijo queijo.

Não deixa de ter sua graça, uma organização ser punida por ser, exatamente, bem organizada. Nunca ninguém ouviu falar de "departamento" da propina em alguma instituição, operando a pleno vapor, conforme vem sendo divulgado pela imprensa. Nem os baianos conseguiram dar um toque local de malemolência ao gigantesco grupo empresarial.

Deveriam ter aprendido com Maluf; ninguém encontrou, apesar da insistência investigatória, um papelucho que seja, registrando as estripulias do atual deputado e ex-governador de São Paulo. Chega a causar espécie que o malufismo tenha sido colocado para escanteio no atual ambiente de negócios no Brasil. Paulo Maluf é quem deve ser visto como empreendedor eficiente. Esse bando de empreiteiros que se julgam malandros são, de fato, os otários das negociatas costumeiras. 

Propina não é propina


A propina paga pela burguesia à "crasse" trabalhadora deve ser entendida de forma diferente como tem sido feita. A fatídica palavra remete a gorjeta, tal qual entendem os povos de língua espanhola. Pedir propina não passa de  reles solicitação de um adjutório, perfeitamente integrado nos costumes locais dos hermanos. Na concepção pátria, no entanto, a propina ganha aura de política de distribuição de renda, quando não de expressão da velha luta de classes. Reagindo à alienação, como diria Marx, o capilé arrancado dos capitães da indústria traveste-se de mais valia, quando repassada aos representantes sindicais, agora sob a forma de Participação em Lucros e Resultados - a PLR. Não há nada de ilícito nisso. Aliás, há sólidos fundamentos a justificá-la. A previsão legal encontra-se no ordenamento jurídico brasileiro. Claro que no Brasil há singularidades não encontráveis em nenhum outro país. Por exemplo, a curiosa prática na Petrobrás de pagar a PLR aos petroleiros, mesmo quando a empresa dá prejuízo. 


As Centrais Sindicais e o financiamento eleitoral

A contribuição sindical – o chamado imposto sindical – equivale à remuneração de um dia de trabalho de cada trabalhador ao longo de um ano. Esse dinheiro é distribuído da seguinte maneira: 60% para o sindicato de base, 15% para a federação sindical à qual o sindicato esteja vinculado, 5% para a confederação respectiva e os restantes 20% vão para o Ministério do Trabalho, destinados a financiar programas governamentais de interesse dos trabalhadores, como era o caso do Sistema Nacional do Emprego – o SINE.
A Constituição federal, ao estabelecer que a organização trabalhista fosse confederativa, não previu a existência de Centrais Sindicais. As que foram criadas não possuem, portanto, base legal para justificar sua participação na montanha de dinheiro recolhida anualmente de todos os trabalhadores, quer estes fossem, ou não, afiliados a algum sindicato. Tais Centrais são, de fato, máquinas políticas partidárias que utilizam seus recursos para, simplesmente, financiar campanhas eleitorais nos pleitos regulares, em especial, aqueles destinados a eleger pretendentes a cargos executivos (prefeitos, governadores e presidente da república).
Para sustentar as ditas centrais o governo Lula abriu mão de metade da parcela (20%), a que teria direito. Repassou para aquelas entidades o equivalente a dez pontos de percentagem do bolo financeiro global já referido. A título de exemplo, a CUT recebe algo da ordem de R$50 milhões por ano, segundo estimativas conservadoras de alguns estudiosos. Se a tal montante for adicionada parcela do que recebem os sindicatos, as federações e confederações vinculadas à CUT, o total ficará próximo e, até mesmo, superior às contribuições do esquema Odebrecht voltado para as eleições presidenciais do PT. E tudo com uma vantagem inegável: o caixa sindical é imune a qualquer auditoria ou prestação de contas, por incrível que possa parecer. Em quatro anos o volume da grana chegaria a R$200 milhões de reais. Estes valores jamais entraram na contabilidade financeira das campanhas petistas. Ou alguém duvida que a CUT e seu esquema não fazem outra coisa que não mera campanha eleitoral, servindo como um dos braços fortes de mobilização urbana do petismo (junto com o MST, este, armado, e atuando junto ao campesinato)?

Se o governo pretende fazer reformas estruturantes, a primeira a ser feita seria a sindical. Tal decisão serviria para, pelo menos, tirar oxigênio da tigrada, e tornar a vida dessas organizações mais transparentes e menos corruptas.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Mutilação genital feminina


A mutilação genital feminina - MGF - é uma tradição que afeta várias comunidades humanas, principalmente na África Negra e nos países muçulmanos. No dia 06 de fevereiro é comemorado o dia internacional contra a MGF. Infelizmente não se viu maiores - para não dizer completa ausência - referências ou denúncias contra prática tão nefanda aqui no Brasil. Não se tem notícia de sua ocorrência no país, mas a migração crescente de africanos pode nos incluir, para nossa tristeza, na relação daquelas vitimadas pela barbárie. 

Portugal, ao contrário do Brasil, possui um forte comprometimento pela erradicação da mutilação. Há, mesmo, estatísticas oficiais confiáveis. A atuação da Anistia Internacional e do governo português ajudam a elevar a consciência dos migrantes que aportam no território lusitano, a respeito do assunto.

Em vista da omissão dos movimentos feministas nacionais (a maioria controlada pelo lulo-petismo), aos quais não interessa mobilizar nada que contrarie a adocicada visão de mundo sobre as tradições africanas que vendem país afora, segue comovente link contendo filme documentário realizado em Portugal. As mulheres e, sobretudo, as crianças não podem mais continuar a viver dessa forma. A diplomacia brasileira, tão terceiro-mundista na era Lula-Dilma, bem poderia engrossar as vozes que protestam contra a MGF.  

Mutilação genital feminina


sábado, 25 de fevereiro de 2017

Fora Marco Aurélio!

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Mais uma vez - e não será a última, com toda certeza - o Marco Aurélio Mellou-se. Seguiu à risca um dos sentidos do verbo melar: sujar-se, emporcalhar-se, ao conceder habeas corpus a um dos assassinos mais cruéis da história judiciária brasileira, o ex-goleiro Bruno. Sua excelência justificou sua decisão alegando que o matador premiado era pessoa de "bons antecedentes". Se esse for o metro com o qual mede as causas postas a seu juízo, o povo brasileiro está fodido. A torpeza aqui lançada é imprescindível para se avaliar o torpe ato do nefelibata magistrado. Barbarícia, do traseiro fazia trompa, peidando à roda desavergonhadamente, conforme relata Dante na Divina Comédia. Atos torpes devem ser, então, descritos com torpeza. 

Em entrevista à imprensa, Marco Aurélio ainda teve a petulância de considerar o HC concedido ao Bruno como politicamente incorreto, essência dos posicionamentos contra-majoritários de juízes que pensam como ele. De fato, ele foi, sim, politicamente correto, passando a mão suja na cabeça do assassino, afrontando as leis e o decoro público. Os defensores do Champinha agora têm um juiz para se dizer de seu.

Vale relembrar novamente o sentido dado ao fraseado "politicamente correto", pelo ex-presidente Truman: "Ser politicamente correto é ser capaz de agarrar um pedaço de merda pelo seu lado limpo" Ao mellar este caso, o meritíssimo valida mais uma vez a rotunda resposta dada a ele pelo jornalista José Nêumanne, quando indagado se confiava no STF, no programa Roda Viva, da TV Cultura: "não, não confio"! E você, leitor, confia no Supremo Tribunal Federal? 

Aos gritos que emanam das ruas pedindo fora esse, fora aquele, cabe incluir mais um: Fora Marco Aurélio!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Brasília faz mal à saúde


De repente, não mais que de repente, figurões da república afastam-se de seus cargos por alegadas razões médicas. Um está com problema de coluna, outro com próstata bichada, outro mais com hemorroida exposta e por aí vai a tenebrosa lista. Isso sem falar nos loucos, nos desequilibrados, nos exibicionistas patológicos, nos portadores de aneurismas, nos pederastas e nos pedófilos, uma listagem da espessura da CID, catálogo internacional das doenças. 

Há um conjunto atual de malandros que, tal como frei Betto, que também pulou fora do governo Lula pouco antes de explodir o mensalão, tais malandros, repita-se, pediram demissão a Temer, o que prova o valor de boa rede de informantes para fazer sucesso entre os seus chegados. Mas o fizeram agora, às vésperas da publicação da delação da Odebrecht, a delação do fim do mundo. Viu-se, portanto, dois dos mais notórios personagens do Planalto pedirem pra operar ou cagar, e saindo. 

Tomara que tudo não seja mais que singela paranoia a acometer os cidadãos, todos de saco cheio das bizarrices do período lulo-dilmista. Temer ainda tem algum crédito. A herança que recebeu de Dilma e Lula, mais que maldita, o deixaram engessado em algumas de suas escolhas. Afinal, viver não é preciso; só o navegar, com a ajuda de mapas, instrumentos e estrelas, é preciso. Michel Temer, no fundo, no fundo, é herdeiro da milenar sabedoria dos fenícios. O Brasil conta com tal herança. A carga morta ou inútil deve ser lançada ao mar.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Epigrama para Jucá (ao estilo de Manoel Bandeira)


O senador Romero Jucá é o que é. Igual a todos, intelectualmente, pois que somos a resultante daquilo que lemos ao longo da vida. Em recente defesa da suruba democrática o poderoso líder governista socorreu-se de ingênua obra fescenina cantada pelo falecido grupo musical Mamonas Assassinas. Tantas possíveis referências literárias e logo esta, para espanto geral, foi a adotada por ele em discurso na tribuna do Senado.

Pernambucano, como Manoel Bandeira, Jucá deveria ter lido mais do maior dentre os poetas brasileiros. Talvez encontrasse, no poema Pasárgada, para ficar no mais famoso, fonte de citações e imagens mais íntegras para ilustrar seus argumentos. 

Em homenagem a Jucá segue abaixo adaptação - vá lá, uma paródia grosseira - de inesquecível epigrama de Bandeira contra desafeto da época:


Por um mau jeito se peida
Mulata nortista sarará.
Essa mulata é Roraima,
O peido, Romero Jucá. 

Que Roberto Romano desculpe a ousadia.


Indecoro (Roberto Romano)


Quando a realidade política e social se degrada e atinge o insuportável, o discurso apodrece, evidencia sinais de morte. As formas administrativas do Brasil agonizam. Contra o que dizem muitos colegas da universidade, seguidos por inúmeros jornalistas, discordo da tese segundo a qual as nossas instituições “funcionam normalmente”. A menos, claro, que o critério da normalidade seja o hábito de formar quadrilhas para o roubo das riquezas físicas ou espirituais de um povo.

Mesmo em situações de crise a instituição e os indivíduos que a manejam devem manter o decoro. Esse é um cálculo difícil. Um gramático inglês do século 16 exemplifica: se a duquesa vai à corte, ela não pode usar roupas mais brilhantes do que a rainha. Mas se a mesma pessoa usa vestimentas inferiores às de suas iguais, é indecorosa. No cálculo do aceitável em sociedade, consideram-se o corpo próprio e os demais. E cada um merece tratamento relativo à sua dignidade.

O decoro surgiu na Grécia e recebeu um nome: Aidós. Trata-se da vergonha imposta a quem não se comporta em público. Penas severas eram aplicadas aos que, por educação falha ou vício de caráter, desrespeitavam os cidadãos de Atenas. Sem a vergonha os valores democráticos empalidecem porque o corpo e a língua indecorosos mostram que a lei foi corroída pela selvageria.

Na Idade Média o decoro foi retomado pelos monges. A roupa e os gestos não poderiam depor contra um religioso que, supostamente, tinha optado pela pobreza. Frades vestidos como barões eram a prova de que os votos sagrados haviam sido desobedecidos. Daí o uniforme das ordens, sem enfeites de prata, ouro, pedras preciosas. A “dama pobreza”, segundo Francisco de Assis, exige que seus pretendentes vivam como ela, vestida apenas pela graça divina. A língua deveria seguir a mesma regra.

Da Renascença em diante, o decoro passou a nortear as palavras, as roupas, os gestos dos reis, dos nobres, dos burgueses. Ele é um exercício de respeito aos outros e meio de garantir o respeito a si mesmo. Quem não tem prerrogativas, mas quer exercê-las, é indecoroso. Um hóspede que toma o papel da dona da casa, indicando aos demais o lugar onde devem tomar assento, é indecoroso. E se a anfitriã deixa o indiscreto fazer o gesto inconveniente, ela é indecorosa. Sua prerrogativa não deve ser negada sequer pelo marido, pelos filhos, pais, etc. Se um bispo comum, numa visita papal, ousa dar a bênção Urbi et Orbi... ele não apenas enlouqueceu, mas seu ato é indecoroso.

Uma regra que ajuda a decidir as inclinações à moda chinesa, quando pessoas estão diante da porta: não é a mais jovem, mais bonita, mais velha a ceder a passagem. Dá o lugar quem o possui. Se o mais jovem é presidente da República, ele cede a passagem, primeiro aos velhos, depois às mulheres, depois aos demais. Não é falta de respeito um inferior na escala governamental passar primeiro. É indecoro do que detém o mais alto cargo não ceder a passagem, mostra que ele ignora a etiqueta e as verdadeiras prerrogativas do seu posto.

Assim, na escrita, diz o citado gramático inglês do século 16: se um autor não usa imagens no texto, é indecoroso por desprezar a fantasia e o gosto do leitor. Se as usa aos borbotões, é indecoroso, pois despreza inteligências e culturas. O poeta decoroso jamais dirá algo como “a face rosada e fina do general”. É indecente um general ter faces que só cabem às crianças e às raparigas em flor.

Se uma autoridade quer ser respeitada, deve respeitar o povo (que fica chocado com palavrões e outras marcas de indecoro). Certas falas devem ser evitadas. Não por causa do hipócrita “politicamente correto”. Trata-se de algo sério. Os reitores são “magníficos”, mesmo se não ostentam magnificência. A comunidade acadêmica é a proprietária do título, usado em seu nome. Deputados, senadores, edis são “excelentíssimos” não porque sejam dotados de excelência. 

O título pertence ao soberano, o que possui a maiestas, termo latino para designar o ente mais elevado no coletivo. Na monarquia, a maiestas é apanágio do rei, que usa o título em nome do povo. Na democracia é o próprio povo que a empresta, a cada eleição, aos representantes. É assim que o decorum exige tratar o povo com respeito. Não por “boa educação”, mas por subordinação da “autoridade” diante de quem a “autoriza”. E a regra funciona para todos os Poderes, incluindo o Judiciário e o militar. Sem tal respeito, temos larápios da soberania, não representantes.

A expressão “soberania popular” e o termo “majestade” incomodam ouvidos indecentes. Mas eles permitem reconhecer a força das normas democráticas. Somos herdeiros do mundo grego e latino em práticas e valores. O Direito e a política não fogem à regra. No Estado moderno as ideias de soberania e majestade, contra o exercício ditatorial ou aristocrático do mando, aplicam-se à totalidade dos cidadãos (Thomas, Y., L’Institution de la Majesté, em Revue de Synthèse, julho/dezembro de 1991).

Faltar com o decoro diante da maiestas é destruir a fé pública. Um político não tem o direito de ser leviano. Seu ofício exige ponderação, a gravitas. Para os romanos, a gravitas comanda uma atitude “que não se curva em proveito do sucesso político passageiro" (Yavetz, Z., La Plèbe et le Prince).

O representante não pode tratar os cidadãos como crianças. Ele deve ser o portador de uma gravitas dicendi. “Suruba”, “canalha” e quejandos são termos levianos. A boca suja pode ser aceita entre malandros, na sua vida íntima. Mas na língua de quem decide sobre os bens públicos, com repercussões vitais sobre o País, semelhantes vocábulos indicam apenas... levitas indigna de qualquer democracia.


Se as mãos de muitos políticos brasileiros estão sujas, que eles pelo menos limpem a língua. De preferência com muito sabão.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Ao sapo a lei e ao gato o leite (José Nêumanne)


Em 12 de maio de 2016, deposta a presidente reeleita em outubro e novembro de 2014 por processo regular de impeachment, o vice que lhe fez companhia na chapa registrada na Justiça Eleitoral assumiu o posto máximo da República. Ao compor o primeiro escalão do governo, Michel Temer, constitucionalista por formação, prometeu reduzir o total de ministérios. E para cumprir a promessa contou com um companheiro de velhas batalhas que, como muitos outros nomeados para sua equipe, também tinha servido no desgoverno da petista Dilma Rousseff: Moreira Franco. Deu-lhe caneta cheia, mas não o livrou do martelo de Moro.

Ao ex-governador do Rio e ministro de Aviação nas gestões de madama coube dirigir a tal secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), cujo carro-chefe seria a “relicitação” de privatizações malsucedidas de aeroportos e rodovias. Acontece que Dilma tinha concedido a gestão de rodovias e aeroportos a empresas privadas e lhes prometeu bancar a privatização dissimulada com grana viva cedida a leite de pato pelo BNDES. Como a fajutice dava muito na vista, a criativa patota da contabilidade imaginosa bolou um truquezinho rastaquera: o empréstimo-ponte, que consistia em conceder ao felizardo compadre um dinheirinho, a ser coberto depois pelo BNDES. No meio do caminho, aquela que ao telefone em casa diz ser Janete foi apeada do poder, o BNDES mudou de direção e os concessionários ficaram ao deus-dará.

Moreira, que tinha negociado a ideia original, da ponte de comando do PPI (não confunda com pipi) em pleno Planalto, socorreu com a salvação a empreita camarada: o consórcio inadimplente entregaria a concessão a outro. E este seria favorecido pela generosidade do novo BNDES, de vez que se trata de um programa governamental, e ainda indenizaria o novo premiado. Detalhe: quem não pagou poderia habilitar-se para a relicitação. É o caso, por exemplo, da Odebrecht, que faz parte do consórcio que administra o Aeroporto Internacional Tom Jobim, vulgo Galeão, no Rio. Ou seja o comprador indeniza o inadimplente, exercendo ao mesmo tempo os dois papéis. Nâo é engenhoso? Pode ser, mas até agora não saiu da prancheta. Muito embora já tenha sido anunciado e tudo o mais.

Foi então que eis senão que de repente apareceu um óbice para preocupar o amigo dileto. O genro de Amaral Peixoto, por sua vez genro de Getúlio, e, de resto, também sogro do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, despertou de um sono já conturbado por um pesadelo, quando a plantonista Cármen Lúcia homologou as temidas delações premiadas dos 77 da Odebrecht. Delações homologadas na véspera, o bom padrinho socorreu o parceiro com aquela blindagem que nem sogro concede a genro: o foro privilegiado de ministro, o que lhe garante o privilégio de não ser submetido à primeira instância, indo direto para a última, o Supremo Tribunal Federal (STF). Para tanto nomeou-o ministro da Secretaria-Geral da Presidência. E blindado seja o amigo.

A Rede Sustentabilidade e o PSOL, sobreviventes da esquerda carnavalesca nacional, viram similitude entre a nomeação do amigo de fé, irmão e camarada do poderoso chefão e outra, proibida pelo STF, em que a afilhada tentou livrar o padrinho Lula das garras do mesmo juiz do Paraná.

Logo veio em socorro daquele apelidado de Angorá na delação dos 77 da Odebrecht a Advocacia-Geral da União (AGU), segundo a qual “dizer que o objetivo da nomeação é conferir foro privilegiado, como alegavam os autores, é ilação”. Mais lembrou a AGU (nada que ver com angu): que o pleito “violaria frontalmente” a separação dos Poderes, invadindo drasticamente a esfera de competência do Poder Executivo. “Tampouco isso poderia conferir qualquer privilégio, pois o ministro está atualmente sujeito a julgamento pela mais alta corte do país” completou a advogada-geral. E escreveu ainda que a manutenção da liminar provocaria grave lesão à ordem pública e administrativa e “danos irreparáveis ao país”.

Nessa queima de velas de cera frágil ocorreu ao autor destas linhas intolerantes que a única vez em que o piauiense que governou o Rio protagonizou algo similar a um “dano irreparável” a este país foi em 1982, quando seria beneficiado pela maior fraude eleitoral da História: o escândalo Proconsult. Para refrescar a memória do judicioso cacique, o último governo militar, sob a égide do tríplice coroado Baptista de Figueiredo, tentou derrotar o anistiado socialista moreno Leonel Brizola na eleição para o governo do Estado do Rio, roubando-lhe votos na contagem eletrônica num engenhoso sistema denominado “diferencial delta”. Na contagem final, um programa mandraque computava como do adversário do gaúcho, o referido dito cujo indigitado neto de seu Franco, alfaiate, de Picos (PI), os votos em branco e nulos para darem a vitória, urna a urna, ao candidato do governo, dos militares e dos bicheiros, ele mesmo, o próprio.

O STF não se fez de rogado e resolveu, pela pena de seu decano, Celso de Mello, dar ao amigo de Temer aquilo que outro ministro da mesma turma, Gilmar Mendes, havia negado ao padrinho de Janete. E o fez com base na ficção mais escrachada da pós-verdade judicial: a presunção da imparcialidade. Segundo o relator, “a mera outorga da condição político-jurídica de Ministro de Estado não estabelece qualquer círculo de imunidade em torno desse qualificado agente auxiliar do Presidente da República, pois, mesmo investido em mencionado cargo, o Ministro de Estado, ainda que dispondo da prerrogativa de foro ratione muneris, nas infrações penais comuns, perante o Supremo Tribunal Federal, não receberá qualquer espécie de tratamento preferencial ou seletivo, uma vez que a prerrogativa de foro não confere qualquer privilégio de ordem pessoal a quem dela seja titular”. Contra a afirmação pesa o fato de que, nestes quase três anos de Operação Lava Jato, o juiz Moro condenou 120 réus e o STF, zero. Nem um prélio entre Alemanha e Íbis teria esse placar.

PSOL e Rede Sustentabilidade apelam para o plenário. Talvez tenha faltado aos partidos da oposição caquética uma lembrança de que os nobilíssimos membros da Corte são capazes de vilezas individuais e coletivas. A Suprema Tolerância Federal, depois de ter encantado a Nação levando os magnatas do PT para o convívio no inferno prisional do País, convalidou um por um os compassivos decretos de perdão concedidos pela disciplinada Dilma Janete a companheiros como José Genoíno, deixando de lado apenas Zé Dirceu e Pedro Corrêa, que delinquiram cumprindo penas do mensalão na Papuda. Enquanto os sem mandatos e sem foro, entre estes o mero instrumento de sua volúpia, Marcos Valério, o “operador”, apodrecem nas masmorras sabe-se lá até que século.

Ainda faz parte do altíssimo colegiado o alinhado ex-presidente da “Corte” Ricardo Lewandowski, que usou o substantivo com o O aberto para determinar o corte de parte da pena da protegida de seu amigo de São Bernardo, Lula da Silva. Ao fatiar o artigo da Constituição e, assim, permitir que a ré pudesse assumir o emprego de “merendeira” de escola, o dadivoso jurisconsulto do ABC abriu caminho para a deposta candidatar-se a senadora ou a deputada federal, o que melhor lhe convier, conforme acaba de declarar com aquele seu estilo que torna a última flor do Lácio o primeiro espinho do latim vulgar. E ao fatiar a Carta Magna o ilustre togado ganhou a justa alcunha de Juvenal federal, em homenagem ao personagem da publicidade do presunto, alçado a jurisprudência.


Assim sendo, dia virá em que, parodiando o Evangelho, os brasileiros de boa-fé ainda dirão, para justificar os fatos acima relatados: “Ao sapo o que é do sapo, só se ele for imberbe, ou seja, a lei”. Mas “ao gato o que é do gato, desde que seja angorá, ou seja, um pires cheinho de leite de pato”. Mas isso tudo, é claro, “só se for a pau, Juvenal”

A hora de Pimentel está chegando


O próximo dia 02 de março pode ser um dia glorioso para os mineiros. O STF vai julgar ação constitucional cujo resultado garantirá a permanência de Pimentel no governo de Minas ou, então, significará o primeiro pontapé na sua trajetória em direção à penitenciária Nelson Hungria. Com isso acrescentará mais uma dupla à fabulosa lista de casais enrascados com a lei penal, traço marcante do lulo-petismo.

A "velha" política, nesse aspecto, tinha um lado ético e respeitoso para com as consortes. O antigo mandrião furtava e se corrompia mas preservava a família e, principalmente, as esposas. Agora, não. A dupla que rouba unida permanece unida, pelo menos é o que parece. Até agora. Os exemplos estão publicados na imprensa quase que dia após dia. Lula, João Santana, Paulo Bernardo, Cabral e, agora, Pimentel, a lista é devastadora.

Aqueles que durante mais de vinte anos resistiram ao regime autoritário implantado em 1964, nunca imaginariam que o resultado de tantos esforços resultaria, simplesmente, em entregar o controle do dinheiro público aos mais ladravazes patifes que se tem notícia nos cinco séculos de história brasileira. 

O país não se transformou em um imenso Portugal, como queria o poeta; transformou-se em uma imensa maranha, um maranhão. Triste sina daquela gente A capitania dos sarneys é tão primitiva, tão atrasada que, pensando estar dando um voto de rebeldia contra o imortal capo maranhense elegeu um governador do PC do B. Francamente, passar da sujeição à mais antiga oligarquia nordestina  para um arremedo de gulag não é lá coisa que possa ser vista como um passo civilizatório.  

O estado de espírito da maioria dos cidadãos cria ambiente para as sugestões mais duras a serem aplicadas, em se tratando de agentes públicos corruptos. Pena de morte, trabalhos forçados, prisão perpétua e outras circulam entre as mais desejadas. Talvez se deva pensar na solução aurida da sharia, a lei muçulmana: cortar a mão direita ao primeiro crime, e a mão esquerda no caso de reincidência. A mão esquerda é a mão das abluções; a mão direita é aquela com a qual se come. Ser obrigado a se alimentar com a mão impura - não por acaso chamada de sinistra - é uma punição suplementar ao delinquente decepado. 

O Irã bem que poderia emprestar alguns aiatolás ao Brasil. Sua simples presença certamente ajudaria a morigerar os costumes da vasta turma de seguidores de Ali Babá. Sedentas de igualdade, as mulheres feiosas se converteriam fácil, fácil ao ideário Xiita pela neutralização das odiosas distorções do mercado amoroso onde as feias são perdedoras. Com a burka ficariam todas em posição de equilíbrio. Ainda haveria, sempre, uma emoção adicional no ato de descobrir o que estava posto ao pretendente, submerso ali debaixo dos panos: uma Bundchen ou uma Ideli? Jacó sofreu desse problema. Sua salvação foi a possibilidade de abocanhar Rachel, em vez de ficar condenado ao matrimônio perpétuo com a remelosa Lia. Ah, Bila e Zelfa (escravas das duas irmãs), também entraram no pacote de Jacó, nosso mítico ancestral, maroto e prolífico.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Febre amarela em Belo Horizonte

Ao que parece, segundo fontes insuspeitas, a febre amarela urbana chegou em Belo Horizonte. Informações atestando a morte de pequenos micos contaminados, no bairro Copacabana, região da Pampulha, já estão confirmadas. Há, também, na capital mineira pessoas afetadas que não estiveram nas áreas de risco já conhecidas, como nos vales do Rio Doce e do Mucuri. Poderiam, assim, o que não foi o caso, ter trazido a doença de lá. No posto de vacinação no Campus da UFMG, e no Instituto de Ciências Biológicas da universidade, é possível confirmar tão grave situação.

Isso é só mais um vexame decorrente do incrível modo petista de governar. Se as coisas continuarem como vão, em breve o palácio do governador estará cercado de amarelões. As autoridades médicas de Belo Horizonte não ficam atrás das autoridades estaduais em termos de enrolation. Cheios daquele lero-lero tradicional, tentam defender o indefensável, querendo nos fazer crer que tudo está sob controle.  

Olha o carnaval aí, gente!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

No fio da navalha (Fernando Gabeira)


O Espírito Santo já teve mais presença na mídia nacional. No passado havia correspondentes como Rogério Medeiros, do Jornal do Brasil, que fez inúmeras reportagens sobre a histórica devastação da Mata Atlântica no Espírito Santo. E revelou grandes personagens, como Augusto Ruschi, o homem que amava o beija-flor, e o lendário desmatador Rainor Greco, que depois de devastar a Mata Atlântica levou seu know-how para a Amazônia.

No fim de semana as notícias sobre a greve da Polícia Militar (PM) me inquietaram. Na segunda-feira, no rádio, avaliei que esse poderia ser o tema mais importante da semana. Anexei uma preocupação: o fechamento das escolas e dos postos de vacinação. Acabara de voltar do Espírito Santo, onde a morte dos macacos se ampliava e os primeiros casos de febre amarela já se registravam na zona rural de Colatina. O Espírito Santo, dos Estados limítrofes de Minas Gerais, é o mais vulnerável à febre amarela, por ter menos gente vacinada.

Mas a onda de violência tornou-se algo mais assustador do que a febre amarela. Assassinatos, saques, assaltos, tiroteio, tudo isso nos relembra de como é tênue o limite para a barbárie, como é delicado o equilíbrio em que nos movemos no Brasil, inclusive com nosso mundo político vivendo em outro planeta.

Sempre defendi a ideia de que se investisse em segurança, reconhecendo como é caro esse esforço, mesmo com algumas reduções de custos que o uso da tecnologia possa trazer. A ideia é ter uma polícia bem treinada, bem paga e respeitada pela sociedade. Até mesmo reverenciada quando um policial morre em confronto com criminosos, algo que os movimentos de direitos humanos ainda não interiorizaram.

A greve da Polícia Militar (PM) capixaba não foi a primeira. Uso a palavra greve porque a encenação das famílias na porta dos quartéis era apenas para construir uma realidade alternativa, como está em moda atualmente. Houve greves em Pernambuco e na Bahia e a cada vez que elas ocorrem enfraquecem os argumentos dos que gostariam de vê-los em melhor situação. 

Todo policial militar, mesmo que não conheça a Constituição no seu todo, é ensinado, ao ser admitido, sobre o que ela proíbe que ele faça. O caos que o movimento dos policiais provocou no Espírito Santo é tão grave que, em circunstâncias menos dramáticas que aquelas em que vivemos, valeria considerá-los desertores e construir uma nova Polícia Militar.

Um dos efeitos negativos é a propagação. Em Minas Gerais, já se anunciou na noite de terça-feira o boato de uma greve de PMs e bombeiros. Se vingar, já é uma novidade não só inquietante, mas desapontadora: os bombeiros são muito bem vistos pelo povo.

No Rio de Janeiro, os PMs estão em luta contra o governo Pezão, que é um remanescente do grupo que assaltou e quebrou o Estado. Nesse sentido, têm todo o respeito. Mas uma coisa é lutar contra o governo e outra, contra a sociedade, desrespeitando a Constituição e expondo as cidades à barbárie.

No Espírito Santo, um plano de austeridade econômica equilibrou as contas, mas não teve a sensibilidade política que um planejamento desse tipo precisa ter. Os PMs estão há quase quatro anos sem reajuste salarial. E ali sua tarefa não é fácil. A quantidade de bandidos que tomou as ruas é uma evidência da aspereza da missão.

No Rio de Janeiro o problema também é muito sério. O famoso resgate econômico do governo federal está fazendo água, com negativas da Caixa Econômica, do Banco do Brasil e da Advocacia-Geral da União. Falta também aprová-lo na Assembleia Legislativa.
Há uma possibilidade de o governo não resistir à crise. Mas aí coloco a segunda questão: uma simples troca de governo aquietaria os protestos?

Num cenário tão confuso, em todas as áreas, em que as PMs estão prestes a cruzar os braços, uma saída para a sociedade é a autodefesa. Não me refiro a armas, mas a smartphones. Já começam a surgir aplicativos mapeando tiroteios, indicando zonas perigosas. O próprio Exército, que tem sido uma espécie de último recurso, talvez possa avançar nesse caminho. Uma coisa é patrulhar uma cidade, outra é patrulhar conectado por milhares de cidadãos também preocupados com a segurança. Os movimentos tornam-se mais econômicos e precisos.

Da mesma forma, como no combate ao terrorismo na Europa, as autoridades podem informar as pessoas por seus celulares, estabelecer um novo patamar de segurança por meio da comunicação. 

Se os acontecimentos do Espírito Santo ganharem maior dimensão, o caminho da autodefesa é inevitável. Com a superação mais aguda da crise, a experiência de se autodefender por meio da comunicação será muito importante. Ela contribui para economizar custos num momento em que é preciso, mais do que nunca, investir na segurança, mas, lamentavelmente, estamos falidos.

Na verdade, eu nem iria escrever sobre isso. O tema original eram as primeiras semanas de Donald Trump e os limites que a democracia americana está impondo a ele. O que houve no Espírito Santo reviveu um certo instinto, um faro, de que estamos mais perto do caos do que imaginamos.

Os acontecimentos têm sido muito surpreendentes e nos arrastam como uma enxurrada de verão. Mas nunca resolvi a dúvida: os acontecimentos são mesmo tão surpreendentes ou o que mudou foi a nossa capacidade de prever?

Num país onde isso tudo acontece e o ministro da Justiça pede demissão para se preparar para uma sabatina no Senado, realmente, vivemos em múltiplas realidades paralelas.

Recebi uma mensagem assim: momento estranho que vivemos aqui e no mundo. Respondi: é preciso recuperar a racionalidade, não completamente, porque um pouco de loucura sempre tem o seu lugar.


Nos últimos tempos, as proporções estão invertidas: a balança pendeu para a loucura.