quinta-feira, 19 de abril de 2018

Versos íntimos (Augusto dos Anjos)




Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

As damas pacíficas do PT (adaptado do blog de Polibio Braga)



"Fascistas têm de morrer, um a um, e me inscrevo para essa missão", escreveu bem assim a professora e doutora Rejane Barreto Jardim, coordenadora do Laboratório de Estudos Feministas da Ufpel, Pelotas, RS. A Ufpel é pública, mantida com dinheiro dos contribuintes, o que quer dizer que nós pagamos os salários de Rejane para que ela nos ameace de morte. Ela também é professora de História Medieval.

"Morte aos fascistas !", apela aos seus correligionários lulopetistas a doce professora Regina, ao se referir a todos os patriotas brasileiros que defendem a prisão do réu condenado por corrupção Lula da Silva. O Estado Islâmico já tem quem o represente no Brasil.

Leitores que acompanham os posts de Rejane Barreto Jardim, compartilharam do discurso de ódio, sobretudo quando ela escreve:

- Meu ódio é revolucionário e é ódio de classe, sim. Odeio burguês. E você, cuide-se para saber de que lado está".

Obs: Marilena Chauí também odeia a classe média...

Perto de tais senhoras, Jair Bolsonaro é apenas um bom samaritano. Aliás, ai do Bolsonaro se ousasse se expressar de tal maneira.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Lula e a schadenfreude


O recolhimento de Lula da Silva à prisão parece ser o destino inevitável, e tardio, de uma biografia repleta de incidentes condenáveis. Ninguém se torna delinquente após chegar à presidência da república; ao contrário, ocupar a primeira magistratura é tão somente a oportunidade de aperfeiçoar aquilo que já vem, no essencial, constituído previamente. 

Itamar Franco, por acaso, foi um sujeito corrupto? e Juscelino? e Jango? e Getúlio? para ficar apenas em alguns nomes emblemáticos da história brasileira. Isso para não falar dos presidentes militares, sob cujos ombros pesaram estrelas, jamais a pecha de desonestos, essa virtude burguesa considerada coisa de fracos e moralistas que não sabem o que é o poder e o significado de seu exercício. 

Acusações graves à elite política, já fartamente tornadas públicas, apenas no período lulopetista, no qual se inscreve, também, como indissociável, o breve reinado do presidente Temer, que aparece como que acossado pela reima pegajosa de sua antecessora imediata, de quem foi vice-presidente por seis longos anos. 

A prolongada coabitação com gente do tipo de Lula ou Dilma foi desastrosa para os atuais dirigentes do país. Millor Fernandes disse certa vez que riqueza não pega, mas pobreza, sim. Parafraseando o grande humorista (e sagaz observador da natureza humana), a convivência com gente honesta pouco afeta o indivíduo; mas sentar-se à mesa com bandidos é um prelúdio de futura condenação, verdadeira tranca de cadeia.

Pois, então, Lula da Silva foi pilhado pelo aparelho judiciário brasileiro, inicialmente por suas traficâncias imobiliárias referentes a um triplex em movimentada praia paulista. Marcha, agora, célere, para a prestação de contas quanto a um sítio em Atibaia. Antes, outra negociata envolvendo outro apartamento vizinho àquele em que reside, e uma nova sede para um tal de Instituto Lula. Tudo já sobejamente conhecido por todo o povo brasileiro. Só gente sofrendo de dissonância cognitiva para não reconhecer a conduta delituosa de Lula e seus parceiros, homens de negócio como ele mesmo o é, e sempre foi, tudo amparado por irrefutável conjunto probatório a expor, à luz do sol, o vasto conjunto de piratas e corsários devotados ao saqueio sistemático da coisa pública.  

Configurando um bloco de poder composto por sindicalistas dos fundos de pensão, empreiteiros, latifundiários (curiosamente chamados de "pecuaristas"), renomados patrícios (para utilizar a classificação proposta por Darcy Ribeiro), coronéis nordestinos e banqueiros discretíssimos sob a liderança inconteste de Lula da Silva, a resultante é a materialização atualizada daquilo já visto na obra de Raymundo Faoro (Os donos do Poder), publicado há mais de 60 anos. Safos como sempre o foram, somente os banqueiros ainda se mantém longe do fogaréu onde ardem alguns dos trapaceiros pegados em flagrante. Interessante nessa articulação é o fato dos Bancos terem sido os primeiros beneficiários do regime lulista: quem chega mais cedo bebe a água mais limpa. Se houver dúvida quanto a isso basta conferir o teor do suprimido artigo 192 da Constituição de 1988, ocorrido em 29 de maio de 2003, através da Emenda Constitucional 40, a primeira promulgada no fatídico período lulopetista.

Lula está, portanto, no lugar para o qual se preparou com tão larga competência. Se em alguns brasileiros emerge um sentimento de solidariedade a ele pelo transe atravessado, a outros muitos aflora aquilo que os alemães chamam de "schadenfreude" (alegria pelo infortúnio alheio). Em vista dos fatos e dos personagens, é uma alegria justa que não desmerece a quem a sente. O passivo deixado por Lula e seus acumpliciados justifica tal avaliação da parte dos mais revoltados.

A nova saúva - Cora Rónai (O GLOBO, 12/04/2018)



"O antipetismo é o novo bicho papão dos intelectuais de esquerda. Ele acaba de ser comparado, por um amigo culto, inteligente e a quem respeito muito, ao antissemitismo na Alemanha de Hitler. Só posso atribuir a comparação ao calor do momento — vastas emoções, pensamentos imperfeitos. Mas acho que, em algum momento do futuro, serenados os ânimos, valeria à esquerda procurar, com honestidade, as origens desse suposto antipetismo, até porque é difícil encontrar a cura para um mal cuja causa se desconhece. Digo “suposto” não porque ele não exista, mas porque, da forma como vem sendo colocado, ele mais parece um movimento organizado, um conluio de vermes, o autêntico oposto de “democracia” — seja lá o que entenda por democracia alguém que defende o PT.

Ao contrário de tanta gente que denuncia o antipetismo, não tenho a menor pretensão de falar “pelo povo”, “pelos brasileiros”, “por todos nós”. Falo única e exclusivamente por mim, e já é responsabilidade que me baste. Eu detesto o PT. E detesto o PT pelo que o PT é, pelo que o PT fez e continua fazendo, e pela forma como o PT se comporta.

Não há um único fator externo ao PT embutido no meu sentimento.

É lógico que a sua intensidade tem a ver com o fato de que este é o partido que estava no poder até ontem: a crise que vivemos é, em maior ou menor grau, o resultado das suas escolhas e das suas ações. Tem a ver também com a hipocrisia do partido, que sempre se apresentou como alternativa ética aos demais, e foi incapaz de um simples pedido de desculpas à população quando se viu no centro do maior escândalo de corrupção já apurado no país.

E olhem que a corrupção do PT é, para mim, o menor dos seus males — ainda que ele a tenha elevado à categoria de arte. Meu maior problema com o PT, e com a esquerda como um todo, é a sua incapacidade de diálogo, a sua aversão ao contraditório e, sobretudo, a sua militância arrogante e patrulheira, que exige que todos se posicionem exatamente da mesma forma. Já estive em países de pensamento único e não gostei.

Há movimentos de direita igualmente obtusos e intolerantes, mas de modo geral eles se apresentam exatamente como são, toscos e primitivos. A sua embalagem é mais sincera; eles não pretendem ser “bons”, e nem falam do alto de um pedestal de virtudes.

Um dia, ainda naquela remota eleição que Lula disputou com Collor, eu estava na rua com o Millôr, e comentei com ele que, pelo visto, o Lula ia ganhar — todos os carros que passavam com adesivos eram PT. O Millôr olhou, olhou, e me disse para prestar mais atenção: a maioria dos carros simplesmente não tinha adesivos.

— Sabe o que isso significa, né?

Eu sabia. Usar um adesivo do Collor, pelo menos na Zona Sul do Rio de Janeiro, era se arriscar a ter o carro arranhado e enfrentar militantes petistas raivosos. Eu tinha passado por isso com o adesivo do Covas que havia usado no primeiro turno.

Collor ganhou a eleição sem adesivos, não exatamente com “votos envergonhados”, como o PT disse à época, mas com votos intimidados.

Lula, um militante intolerante ele também, nunca desceu do palanque. Passou todos os seus anos de presidência, e mais os da Dilma, como vítima de um complô das elites, insistindo na divisão do nós contra eles: ricos contra pobres, brancos de olhos azuis contra negros, todos contra nordestinos.

Lula, como todos sabem, é uma mulher negra da periferia; agora, ainda por cima, encarcerada.

Um candidato pode ser o que quiser, mas um presidente não. O presidente de todos os brasileiros não pode dizer que quem não votou no seu partido odeia pobres e tem horror de ver os filhos dos pobres na universidade, porque além de divisiva, essa afirmação é extremamente ofensiva.

Há uma esquerda bem intencionada que talvez não tenha percebido o quanto de ódio havia, e ainda há, nesse discurso, porque ele a põe no pedestal ao qual ela imagina ter direito e massageia o seu ego. Ele reafirma a sua superioridade moral e apenas põe os inferiores no seu devido lugar.

Mas para quem não votou no PT — e que não é necessariamente de direita, de extrema direita ou, como está na moda, “fascista” — cada declaração dessas soou como um insulto. Durante 13 anos, os 50 milhões de eleitores que não votaram em Lula ou Dilma, e que, em sua vasta maioria, são apenas brasileiros como os demais brasileiros, ouviram que eram péssimas pessoas. Qualquer política de estado era invariavelmente apresentada como um desafio à sua intrínseca maldade: apesar de vocês, que não votam no PT, os pobres vão ter saúde, vão estudar, vão ter moradia e dignidade.

Como se qualquer ser humano, por não petista que seja, pudesse ser contra isso.

Cinquenta milhões de eleitores foram sistematicamente agredidos e desumanizados pela retórica de Lula e pelo “ódio do bem” da esquerda; agora não suportam o PT.

Mas por que será, não é mesmo?"

quinta-feira, 29 de março de 2018

A violência e o PT


As campanhas eleitorais do PT e seus puxadinhos - PC do B, PSOL e outros menos votados - possuem u'a marca em comum: a violência, verbal, física ou ambas ao mesmo tempo. E não só para eleições gerais como, também, em disputas sindicais, em entidades estudantis e outras mais. Pode-se, mesmo, sem macular a história dessa gente, dizer que a violência está no DNA do petismo. É um traço totalitário inerente à sua natureza mais profunda. Sua matriz se encontra no comunismo, tal qual foi entendido por Marx, Lenine e Stalin e que, depois, foi incorporado pelo fascismo e pelo nazismo. O comunismo, de fato, antecede historicamente a defesa e a prática da violência como estratégia política. Apenas para recordar, a revolução comunista russa se deu em 1917; já o fascismo italiano se fez vitorioso em 1922 e a subida dos nazistas ao poder, na Alemanha, só viria a ocorrer em 1933.

As afinidades programáticas do comunismo com o fascismo e o nazismo são, portanto, bem conhecidas. A grande pensadora judia Hannah Arendt demonstrou exaustivamente tais fatos em seu precioso estudo As origens do totalitarismo. Não há como ignorá-lo nem dele divergir. 

O petismo já foi identificado como manifestação tardia do comunismo (essencialmente totalitário, repita-se), na periferia do mundo ocidental. O curioso é que tenha sobrevivido até o presente momento, apesar da ruptura do bloco soviético. Com o desmonte dos regimes ideologicamente vinculados à antiga União Soviética, restou ao PT e seus puxadinhos o culto nostálgico de países e lideranças ditatoriais ainda existentes em pouquíssimos lugares do planeta, como é o caso de Cuba, Coreia do Norte, satrapias africanas e, em menor escala de intensidade, a China, expressão suprema do capitalismo de estado totalitário. 

Chega a ser patético que um dos mais trêfegos puxadinhos do PT - o PC do B - ainda mantenha um culto quase que religioso ao grande irmão da Coreia do Norte, uma das excrescência mais notáveis do largo portfólio de devoções dessa gente. Cabe rememorar, nem que seja para indicar o grau de insanidade desses comunistas um tanto abilolados, a maneira como se referiam à balcânica Albânia (sociedade tribal de criadores de cabras), e a seu líder Enver Hoxa: o farol do socialismo! Deve existir alhures alguém que consiga explicar tal subserviência. Talvez a psicanálise ofereça algum recurso para tal. Afinal de contas, chamar os líderes de "grande timoneiro", "inefável irmão", "maravilhoso e sábio condutor", "painho de Garanhuns" e outras denominações mais para o ridículo do que para o cômico, deve ter algum fundamento teratológico. Talvez, quem sabe, uma resultante da ausência do pai na constelação familiar. A bastardia materialmente real se superaria com a figura de um Grande Pai simbólico. Num país como o Brasil, em que ao menos 40% das famílias são chefiadas por mulheres, a presença do pai é desejada  como nunca se viu antes na história brasileira.  

Bolsonaro e os impropérios do PT (Publicado em OAntagonista de 29--03-2018)


No palanque de Lula, ontem à noite, em Curitiba, os petistas 

deram uma amostra de sua campanha pela paz.
Eles chamaram seus adversários de “fascistas”, “psicopatas”, “canalhas”, “golpistas”, “machistas”, “homofóbicos” e “cachorros loucos”. 
Só não chamaram de "corruptos".

quinta-feira, 22 de março de 2018

Chilique de Barroso


Em sessão ordinária (e bota ordinária nisso) no último 21 de março, o STF exibiu na TV para todo o Brasil uma parte de suas entranhas. Tal qual ocorreu na proclamação da República, o povo assistiu, bestializado, a sucessão de acontecimentos, de fazer corar um frade de pedra, protagonizados pelos juízes mais poderosos da nação. Acusações mútuas entre homens já abrigados pelo Estatuto do Idoso faz supor que tais personagens estejam fora do domínio de suas faculdades. Sofrendo - quem sabe? - de alguma moléstia demencial ou tardia crise de identidade. 

O ministro Gilmar Mendes é o que é, todo mundo já conhece. Explosivo e truculento, porém conhecedor das regras e doutrinas constitucionais, não teme afrontar posições das quais tenha alguma divergência. Quando menino, Gilmar deve ter sido daqueles que, jogando futebol com a turma, quebrava o pau e só ia na canela dos adversários. 

Já o ministro Barroso (talvez o epíteto de Barrosinho lhe coubesse melhor), ficaria com o grupo dos de compleição delicada que, no primeiro trompaço, saía correndo, com a bola debaixo do braço, buscando consolo no colo de mamãe. Sua conduta faz lembrar, e quanto, o deputado Jean Willis. Só faltou cuspir no ministro Gilmar Mendes. 

O futuro presidente da República, mais que nunca, terá que neutralizar o STF, se quiser bem governar o país sem a tutela dessas estranhas e perniciosas figuras que controlam a cúpula do aparelho judiciário. Imagine-se o horror que seria uma Câmara dos Deputados totalmente renovada em seus 513 membros, um Senado com outros 54 senadores e outro presidente da República, todos eleitos pelo voto popular. Pois isso de nada adiantaria frente a continuidade de onze figuras um tanto decrépitas, ditando a Lei e determinando, ao seu alvitre, os rumos da nacionalidade.