Lula livre... em 2030
Coisa rara, inusitada mesmo, foi a prisão de Lula da Silva após processo que seguiu, até agora, todos os trâmites processuais previstos na legislação brasileira. O cumprimento da pena, é bem verdade, apresenta algumas distorções e favorecimentos indevidos ao criminoso condenado.
Ocupa ele confortável sala de estado-maior na sede da Polícia Federal em Curitiba na qual só falta uma cama redonda e teto espelhado. Até aparelho de ginástica está à sua disposição. Não seria difícil nem absurdo se se encontrasse na cela geladeira, ar condicionado e forno de micro-ondas.
Comparado com a situação carcerária de Pedrinhas, no Maranhão, o cárcere de Lula da Silva é um verdadeiro resort. Nestas tão excepcionais condições, o educando tem aproveitado o tempo disponível ora para se devotar ao ofício epistolar (será que teremos novos Cadernos do Cárcere, ao estilo de Gramsci?), ora para se embeber dos clássicos da prosa mundial, o que colabora para dar higidez ao estilo e profundidade aos conceitos que formula.
A prisão, conforme anotou Jorge Luis Borges, faz bem à literatura. Os exemplos pontuais de Marco Polo, Cervantes e nosso brasileiríssimo Graciliano estão aí para corroborar a ousada tese do grande argentino. O que pode comprometer os resultados derivados de tão nobre esforço é a presença impertinente de grande número de visitas diárias.
Criação literária exige concentração e método. Estão fora de cogitação quaisquer vínculos com sexo, drogas e axé ou assemelhados. Paz, horário rigoroso, comida balanceada, roupinha confortável (um pijama de flanela azul com, no máximo, algumas estrelinhas vermelhas), e Lula da Silva está pronto para sua grande aventura civilizatória. Em posição de lótus, talvez entre em transe e comece a profetizar.
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