O Brasil assiste a uma verdadeira explosão de concursos para o ingresso em alguma carreira disponível no governo (administração direta, indireta e empresas públicas ou de economia mista), no âmbito federal, estadual ou municipal. Muitas das vêzes, no entanto, tais disputas nem se destinam a abrir uma perspectiva real para os interessados. Trata-se, tão somente, de criar uma expectativa de ingresso pois destinam-se (os referidos concursos), à construção de quadros de reserva para uma futura possível chamada, dentro dos prazos de validade convencionais (geralmente de dois anos prorrogáveis por mais dois). Não é incomum, entretanto, que o tempo passe (caducando o concurso), e aqueles "classificados" fiquem sem ser chamados para os cargos que disputaram.
Em alguns casos notórios as inscrições contam-se não em milhares, mas, em centenas de milhares. Certamente serão poucas as famílias brasileiras que não tenham algum de seus membros aspirando um emprego público de qualquer nível. Mais que o salário perseguem a estabilidade e a garantia de renda permanente, numa indicação da situação insegura em que vive a maioria da população, apesar da ufanista propaganda oficial sobre a prosperidade do país. Carreiras da burocracia especializada do executivo (fisco, diplomacia, Banco Central etc), e, principalmente, aquelas do judiciário e do legislativo são desejadas como se fossem prêmios da loteria. Isto enseja custosa preparação e a correspondente criação de verdadeira indústria de cursinhos preparatórios.
As classes intermediárias, historicamente tributárias do emprego público, são as que mais perseguem o que julgam ser um lugar ao sol em termos profissionais. Seus membros inscrevem-se em vários concursos ao mesmo tempo, sempre na esperança de que em algum deles seus objetivos serão atingidos. Afinal, quando se está em um engarrafamento dentro de um túnel, pensa-se sempre que o andar de uma das filas é uma sinalização de que as outras irão se mover também. Subjacente a este raciocínio está o aforisma de Augusto Matraga: todos têm sua hora e sua vez; basta ter paciência para esperar.
Se é verdade que concursos são necessários para o recrutamento de quadros profissionais, parece, no entanto, estar em ação um projeto que visa manipular a esperança das pessoas, provocando um entorpecimento crítico daqueles que aspiram um emprego público. A tolerância com a qual amplas parcelas da sociedade brindam o governo mais corrupto da história da república pode ter nos fatos acima enumerados um dos seus fundamentos. Seria interessante colocar em alguma pesquisa de opinião algum ítem que verificasse se o informante, ou algum parente próximo, é pretendente a algum emprego público.
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Há 8 anos
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