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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Vício antigo

Em declaração feita ontem, no Maranhão, Fernando Haddad mostra o poder do hábito na vida das pessoas. Segundo o petista, seria possível alcançar Bolsonaro até o final da campanha.

“O Nordeste está dando uma resposta. Nós vamos roubar 1 ponto porcentual dele (Jair Bolsonaro, presidenciável do PSL) por dia e trazer para nós”, disse o candidato do PT.

Montaigne  já advertia em seus Ensaios que, primeiro, rouba-se alfinetes e, depois, dinheiro, ou coisa de maior valor.

O velho hábito fez Haddad proclamar, com a devida naturalidade, que iria "roubar" votos de Bolsonaro.  Parece que o gatuno contumaz não foi feliz dessa vez.

sábado, 19 de maio de 2018

Kit passeata (Publicado em OTEMPO, de 17-05-2018)




Talvez seja uma espécie de amarga tradição ou, talvez somente uma infortunada coincidência ou - quem sabe? – uma singela sinalização a respeito do futuro que nos espera.  O fato é que no intervalo de pouco mais que uma geração (1979 e 2018),  professores mineiros foram  recepcionados da mesma maneira pelas forças repressivas em Belo Horizonte: com empurrões e com jatos d’água, em truculenta resposta às suas principais reivindicações.

Professores da educação básica, em geral, pedem três coisas às autoridades de qualquer nível às quais estão subordinadas: condições de trabalho, dinheiro e segurança. Algo absolutamente razoável sob qualquer ponto de vista.


Naquele já longínquo ano de 1979 o governador era Francelino Pereira e Paulino Cícero o Secretário Estadual de Educação (é bom memorizar o nome dos mandões). Pedia-se aumento salarial. Como nos dias que correm, os cofres estavam vazios, alegavam os então Secretários da Fazenda e da Administração. A prefeitura da capital, mera extensão política do Estado, pouco podia fazer para os seus. 

Hoje é diferente. As instâncias locais e regionais possuem competência relativa dentro do pacto federativo. Quanto ao papel desempenhado pela Polícia e Bombeiros militares, sob o comando do governo estadual, naquela época e agora, vale lembrar que só atuam cumprindo ordens, em estrito respeito às normas da disciplina e da hierarquia. Quem, portanto, acionou, à distância, o gatilho dos canhões de água gelada contra homens e mulheres indefesos não foram os policiais; os responsáveis são os dirigentes, portadores da caneta que assinou as ordens.


Nos velhos bons tempos de explícita e corajosa solidariedade, professores da UFMG convocaram greve em apoio aos docentes reprimidos e humilhados da rede estadual. Agora, não se ouviu mais que um silêncio obsequioso ou, no máximo, algum leve rosnado pra dentro, vindo das estruturas educacionais aparelhadas pelo petismo pois, afinal, há importantes interesses que não podem ser comprometidos, caso a corda venha a ser esticada ao ponto de ruptura. 

As boquinhas, conforme diria Garotinho, não podem ser ameaçadas por situações tão banais. Há quem diga que as mestras até apreciaram o banho involuntário.


Na próxima passeata, professoras incorporarão ao kit passeata – composto de bandeiras da CUT, do PT e dos seus puxadinhos, apitos e megafones – um vistoso maiô listrado de preto e branco, em homenagem simultânea ao demiurgo recolhido na cadeia de Curitiba, um sabonete e uma toalha. Tudo acabará, então, como festa em alegre confraternização da companheirada. É pedagógico recuperar as palavras de Lula da Silva ditas aos professores enxovalhados, no calor dos acontecimentos, quatro décadas atrás: “A luta de vocês é de todos os trabalhadores brasileiros”. Agora, não mandou nem um bilhetinho. Carta, então, nem pensar. Seu furor epistolar está voltado para o juiz Moro.

Ai de Bolsonaro se fosse ele, ou algum de seus adeptos ou simpatizantes, os responsáveis pelo covarde canhonaço d’água lançado contra as mestras. O mundo cairia abaixo: machista, sexista e outros adjetivos que tais. Seria o mínimo a se esperar. Vejamos o que outubro próximo nos reserva. 

quinta-feira, 29 de março de 2018

A violência e o PT


As campanhas eleitorais do PT e seus puxadinhos - PC do B, PSOL e outros menos votados - possuem u'a marca em comum: a violência, verbal, física ou ambas ao mesmo tempo. E não só para eleições gerais como, também, em disputas sindicais, em entidades estudantis e outras mais. Pode-se, mesmo, sem macular a história dessa gente, dizer que a violência está no DNA do petismo. É um traço totalitário inerente à sua natureza mais profunda. Sua matriz se encontra no comunismo, tal qual foi entendido por Marx, Lenine e Stalin e que, depois, foi incorporado pelo fascismo e pelo nazismo. O comunismo, de fato, antecede historicamente a defesa e a prática da violência como estratégia política. Apenas para recordar, a revolução comunista russa se deu em 1917; já o fascismo italiano se fez vitorioso em 1922 e a subida dos nazistas ao poder, na Alemanha, só viria a ocorrer em 1933.

As afinidades programáticas do comunismo com o fascismo e o nazismo são, portanto, bem conhecidas. A grande pensadora judia Hannah Arendt demonstrou exaustivamente tais fatos em seu precioso estudo As origens do totalitarismo. Não há como ignorá-lo nem dele divergir. 

O petismo já foi identificado como manifestação tardia do comunismo (essencialmente totalitário, repita-se), na periferia do mundo ocidental. O curioso é que tenha sobrevivido até o presente momento, apesar da ruptura do bloco soviético. Com o desmonte dos regimes ideologicamente vinculados à antiga União Soviética, restou ao PT e seus asseclas o culto nostálgico de países e lideranças ditatoriais ainda existentes em pouquíssimos lugares do planeta, como é o caso de Cuba, Coreia do Norte, satrapias africanas e, em menor escala de intensidade, a China, expressão suprema do capitalismo de estado totalitário. 

Chega a ser patético que um dos mais trêfegos puxadinhos do PT - o PC do B - ainda mantenha um culto quase que religioso ao grande irmão da Coreia do Norte, uma das excrescência mais notáveis do largo portfólio de devoções dessa gente. Cabe rememorar, nem que seja para indicar o grau de insanidade desses comunistas um tanto abilolados, a maneira como se referiam à balcânica Albânia (sociedade tribal de criadores de cabras), e a seu líder Enver Hoxa: o farol do socialismo! Deve existir alhures alguém que consiga explicar tal subserviência. Talvez a psicanálise ofereça algum recurso para tal. Afinal de contas, chamar os líderes de "grande timoneiro", "inefável irmão", "maravilhoso e sábio condutor", "painho de Garanhuns" e outras denominações mais para o ridículo do que para o cômico, deve ter algum fundamento teratológico. Talvez, quem sabe, uma resultante da ausência do pai na constelação familiar. A bastardia materialmente real se superaria com a figura de um Grande Pai simbólico. Num país como o Brasil, em que ao menos 40% das famílias são chefiadas por mulheres, a presença do pai é desejada  como nunca se viu antes na história brasileira.  

terça-feira, 13 de março de 2018

Desafio às forças armadas


No último dia 8 de março foi comemorado o dia internacional das mulheres. Foram diversificadas as manifestações em todos os lugares do mundo. Bem verdade que (pelo menos entre nós), as comemorações tiveram mais o sabor derivado de inocente chá com torradas para madames, que a expressão de um sentimento cívico e civilizatório compatível com o momento. Excetuam-se, como não poderia deixar de ser os atos de vandalismo praticados pela turma do PT por intermédio de seus conhecidos braços armados, à frente megeras do MST, que se propuseram, e realmente efetivaram, invasão e depredação de instalações de O Globo, em claro desafio ao sistema de segurança implantado com a intervenção federal no Rio de Janeiro.

A audaciosa atitude dos invasores do jornal (estimados em quase um milhar de pessoas) não recebeu qualquer resposta das autoridades - mudas como um frade de pedra - que mantiveram, como se nada estivesse acontecendo de grave, sua rotina de bate boca com moradores e bandidos de algumas favelas selecionadas. Conforme se dizia antigamente, passaram a mão na bunda do guarda; no caso, na bunda do general.

O exército, por acaso, não possui serviço de inteligência? 

Mobilizar, como o fizeram os petistas, centenas de pessoas (mulheres na sua maioria, algumas com o rosto coberto com máscaras), para uma conduta bem próxima do mais descarado terrorismo, exige uma estrutura logística que deveria ter sido percebida com bastante antecedência pelas Forças Armadas, agora responsáveis pela Segurança carioca. 

Conforme deu no noticiário, forças da repressão só deram as caras depois que o bando, tranquilo e às gargalhadas, já havia se retirado do local bastante tempo antes. Quem eram eles? De onde vieram? Para onde foram? Quantos ônibus foram utilizados? Quais suas placas de identificação? A melhor resposta, em vista dos fatos: foram abduzidos e, portanto, desapareceram da face da Terra. 

Outra situação de grande perplexidade foi o silêncio da Rede Globo, que se absteve de relatar o acontecido no seu poderoso sistema de comunicação, não se sabe se por serenidade, conivência, covardia ou para evitar levar água ao moinho de Bolsonaro. Esta última hipótese, aos olhos de muitos, é a mais provável, sem descartar a combinação não excludente de todas as referidas e outras mais não mencionadas.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Dilma, a porca gadarena


Para justificar sua recusa em morar no palácio da Alvorada (preferindo continuar habitando o palácio do Jaburu), o presidente Michel Temer assim se manifestou:

“Não deixo de acreditar em certas energias. Não me senti à vontade.”

O presidente, com certeza, lançou mão de sua fina sensibilidade espiritual para identificar a presença, nos aposentos antes ocupado por dona Dilma, de encostos e demais espíritos imundos, criaturas malignas por excelência, brotadas das profundezas do inferno.

A vara de porcos gadarenos comandada pela antiga presidente ainda vai afetar, e muito, o ambiente institucional brasileiro. O PT, esse amontoado de suínos, está aí para não deixar qualquer dúvida a respeito. Alguém deveria jogar água benta na possuída dama vermelha, em rigoroso ritual exorcista. Cruz credo; sai pra lá Exu caveira. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Ratos, baratas e outras criaturas



Novo símbolo para os petistas

Forças políticas costumam utilizar animais como símbolos de suas agremiações partidárias. Nos Estados Unidos, Republicanos e Democratas são identificados pelo elefante e pelo burro, respectivamente. No Brasil, o PSC tem o peixe como marcador de sua identidade cristã. Já o PSDB é mais conhecido pela referência ao tucano que pela alcunha socialdemocrata.  
Outros partidos, como o PT, tentaram se aproveitar da simbologia da estrela - muito comum nos países comunistas, mas não somente neles - para criar uma referência imaginária universal. O PDT aproveita-se do símbolo internacional do socialismo - a rosa vermelha - sem muito sucesso, no entanto, apesar da profecia de Eça de Queirós, ainda no século XIX, em suas Notas Contemporâneas.
Na ebulição de projetos de fundação e refundação de partidos pelos quais passamos, vale uma amigável sugestão para os petistas. Nenhuma criatura se parece mais, no recôndito de sua natureza, com a turma petista, que o onipresente rato. Tal associação, aliás, já  está bem difundida e consolidada no seio da população brasileira. 
A figura do rato, porém, nem sempre é negativa. Basta olhar os desenhos animados onde Jerry pontifica contra o gato Tom. Walt Disney também elevou às alturas a simpatia pelo mouse Mickey. Por alguma ironia do destino, o eventual possível futuro do petismo está vinculado às obras produzidas na odiada Hollywood. Em comum com a Disneylândia, a Petelândia desfilaria pelas ruas com um broche de rato enfeitando a lapela.    
Há, no entanto, um porém: por um atávico antiamericanismo, o PT pode repudiar o rato e preferir a kafkiana figura da periplaneta americana - nossa popular barata - inseto de prodigiosa ancestralidade que resiste até a bombas nucleares. Aí, então, a nova agremiação poderia se denominar, em homenagem ao bolivarianismo circundante, de Partido dos Cucarachas, em vez de Partido dos Ratos.



Convenção dos novos petistas

Estão postas duas boas opções, ambas com sólidas fundamentações históricas e ideológicas. Petistas, sirvam-se. 


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Corrupção: as más companhias

As delações dos empreiteiros vêm atingindo lideranças do PMDB. Uma primeira conclusão se impõe frente a tal situação. A convivência com o PT e seus puxadinhos contaminou os peemedebistas. Foram muitos anos; mais de uma década. Os mais velhos, antigamente, diziam que "quem com porcos se mistura, farelos come". É o caso. O PMDB ficou emporcalhado pela proximidade com gatunos escolados em desviar dinheiro público.  Não absolve a turma do Temer, mas é um atenuante razoável. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Audácia do Boff: PT e Dilma sofrem bullying


A loucura humana, de fato, não tem limites. O notório frei Boff acaba de cometer uma das mais absurdas teses sobre os crimes e os criminosos do PT. Estes estariam a sofrer um bullying persistente, como se fossem bodes expiatórios a purgar as culpas que pertencem a todo o Brasil. Quer dizer, Lula, Dilma e mais uma lista de delinquentes cuja enumeração preencheria um daqueles antigos catálogos telefônicos, são doces criaturas que vêm sendo assediadas por gente perversa e pecadora, cujo propósito é encontrar quem pague pelas consequências de anos de corrupção, fraudes e trapaças generalizadas. 

Dilma, Lula e a vasta companheirada não teriam nenhuma culpa ou responsabilidade pelo que aconteceu. Incrível, mas é o que diz o tal teólogo. Frente a tais desvarios dá para entender o "silêncio obsequioso" a que foi condenado pelo papa Bento XVII. Se Boff, no entanto, não pode mais rosnar para dentro da Igreja, poem-se ele absurdamente a cacarejar, impenitente, contra os cidadãos e as instituições democráticas brasileiras. Para que não pairem dúvidas a respeito de suas audaciosas formulações, segue abaixo a íntegra do artigo do bofe:

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A persistência do bullying sobre o Partido dos Trabalhadores e Dilma


"É notório o bullying político e social sofrido persistentemente pelo PT e por Dilma Rousseff. Uma coisa é reconhecer que houve corrupção e erros políticos do PT, e outra coisa é tributar quase exclusivamente tais fatos e a crise atual ao PT e à ex-presidente.

Para entender esse penoso fenômeno, socorre-nos um dos maiores pensadores da atualidade que dedicou grande parte de sua obra a decifrar o que seja a agressividade humana e seus disfarces: René Girard (1923-2015), francês, professor de letras e antropólogo, que viveu nos Estados Unidos. Constata Girard que todos os grupos, e mesmo as sociedades conhecidas, vêm atravessados por tensões e conflitos. O processo civilizatório, a educação, as leis e as religiões propõem um ponto de equilíbrio que permita uma convivência minimamente pacífica ou que impeça que os conflitos não sejam destrutivos.

Mas pode chegar um momento em que os conflitos perdem as rédeas e as forças do negativo vão se acumulando, rompendo o referido equilíbrio. Começam os processos de ruptura nas relações sociais e até nas famílias e entre amigos. O instrumento mais usado é a mídia.

Lentamente, emerge o sentimento de que, assim como se encontra, a sociedade não pode continuar. Ela tem que encontrar um novo equilíbrio. Uma das formas, a mais equivocada e persistente, é a criação de um bode expiatório, que varia consoante as circunstâncias históricas: podem ser os comunistas, os sem-terra, os pobres que ascenderam socialmente, os terroristas, os muçulmanos, as esquerdas e outros.

Em nosso caso, o bode expiatório escolhido foi e continua sendo o PT e a ex-presidente Dilma Rousseff. Toda a raiva e o ódio acumulados são lançados sobre o bode expiatório. Ele carrega todas as maldades e é feito responsável por todos os desmandos ocorridos e pela crise econômico-financeira. Esquecidos ficam, consciente ou inconscientemente, todos os acertos, em especial a maior transformação social pacífica feita em nosso país, que implicou a diminuição de nossa maior vergonha, a desigualdade social e, positivamente, a integração de cerca de 40 milhões de pessoas, sempre consideradas peso morto da história.

Mas há outra função, a de ocultar. Ao colocarem toda culpa e todos os males sobre o PT e a ex-presidente, os grupos dominantes ocultam sua própria perversidade e culpa. Apresentam-se, farisaicamente, como paladinos da moralidade e tomados de indignação contra a corrupção. No entanto, exatamente dentro desses grupos dominantes se encontram os maiores corruptos, corruptores e sonegadores de impostos.

A Bíblia conhece também a figura do bode expiatório, sobre o qual a comunidade colocava todas as ofensas a Javé e o levava para o deserto para lá morrer. O mesmo faziam os gregos, chamando o bode expiatório de “phármacon”, que, como um remédio farmacêutico, purificava a sociedade de seus desacertos. O cristianismo o vê na figura do cordeiro imolado. O efeito é sempre o mesmo: aplacar a sociedade para que, refeita, possa equilibrar seus conflitos, até que estes se agravem novamente e acabem por criar algum outro bode expiatório.
Assim funciona canhestramente nossa história sacrificialista. Girard vê uma saída sensata: na coordenação dos interesses ao redor do bem comum, na total transparência e na inclusão de todos, sem sacrificar ninguém. Mas reconhece que esse não é o caminho seguido pela maioria das sociedades conhecidas. O mais fácil é criar bodes expiatórios, como se pratica atualmente no Brasil. Para a infelicidade geral".  

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Para onde vão os votos dos petistas?

O PT e o petismo sempre tiveram ao menos uma terça parte do eleitorado de Belo Horizonte. É necessário fazer referência ao petismo (sem vínculo exclusivo com o PT) por uma simples razão. Em outras eleições o partido se revestiu do manto de outras siglas, como é o caso do PSB, mera linha auxiliar histórica do PT, que era reforçado, ainda, pela sopa de letrinhas de outros grupos partidários, como o PC do B, velho serviçal sempre disponível para o que desse e viesse, além de dissidentes fanáticos gerados no mesmo ventre perverso (PSOL, PSTU, Rede etc.).

As últimas pesquisas de opinião na capital mineira apontam que a chapa de candidatos a prefeito e vice - formada respectivamente por dois deputados federais do PT e do PC do B - mal alcança 5% das intenções de voto.  

Ora, onde estão os eleitores petistas que não se dariam a aparecer? Mergulhados em algum  limbo político? Ou estão se encaminhando para alguma candidatura de perfil gelatinoso e pronto para aceitar escolhas de variadas origens políticas e ideológicas, verdadeiro voto útil, capaz de, menos que vencer, infligir uma derrota aos principais e tradicionais adversários, os tucanos?

Kalil, sem dúvida, é o nome do "tapado" como dizem os mexicanos para o verdadeiro candidato oculto do centro de poder. Dentre os demais pretendentes que, talvez, até buscassem criar um cenário que lhes fosse mais favorável, o que parece não ter se configurado até o momento (a quinze dias da eleição), Kalil, o empreiteiro parvenu, corre por fora da raia verbalizando o popular discurso da anti-política, atraindo cada vez mais os votos ressentidos do petismo, agora desamparado de opções orgânicas. 

Assim como Collor fez com as elites políticas brasileiras em outro momento, Kalil se impôs ao governador Pimentel, que ao estilo de Pilatos, lavou as mãos, liberando seus adeptos para fazerem suas escolhas eleitorais. Fragilizado por sua participação nas escandalosas roubalheiras da companheirada, Pimentel sabe, no entanto, que um empreiteiro como prefeito de Belo Horizonte não será obstáculo a um entendimento e a acertos de natureza política e administrativa com o governo estadual. Para o governador, o importante agora é reduzir os danos, optar pelo mal menor. Pimentel circula bem, muito bem, aliás, no ambiente empresarial. Kalil seria um interlocutor bastante satisfatório, caso venha a vencer a disputa, credenciando-se para enfrentar no segundo turno o deputado João Leite, desta feita o real preferido de Aécio, coisa que não o fora nas eleições municipais de 2004. Mas esta é outra história. Os ventos mudam de direção e o secretamente rejeitado de ontem torna-se o desejado de hoje.  


Partido do "fora Temer" (Estadão)

O partido do “Fora Temer” é uma agremiação inventada pelos oportunistas do PT para congregar todos aqueles que, como consequência do impeachment da presidente Dilma Rousseff, ou perderam a boquinha de que desfrutavam no governo federal ou precisam desesperadamente de uma boia política, por mais furada que seja, para sobreviver ao naufrágio petista.

No primeiro time estão os grupelhos que, apresentando-se como “movimentos sociais”, recebiam fartas verbas públicas para fazer a defesa violenta do governo petista. Destacam-se, nessa turma, o notório Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e seu subproduto urbano, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). São eles que, junto com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), estão na vanguarda das manifestações que vêm infernizando a vida dos brasileiros a título de exigir a saída do presidente Michel Temer.

No segundo grupo aparecem os políticos petistas que, aflitos, temiam ficar sem discurso na campanha eleitoral, já que o PT, antes um trunfo eleitoral, se tornou um fardo. As pesquisas de intenção de voto mostram esse peso morto: os candidatos petistas perdem em quase todas as cidades importantes, e de maneira acachapante. Além das agruras de Haddad em São Paulo, a tigrada está em maus lençóis em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro, no Recife e até mesmo em Porto Alegre, seu tradicional reduto.

Isso explica por que, de uma hora para outra, a campanha de Haddad deixou de lado qualquer discussão séria sobre a cidade que ele administra de forma tão amadora e passou a vincular os adversários do prefeito ao tal “golpe” que os petistas vivem a denunciar. Foi Lula, em recente comício com seu afilhado, quem deu a senha: “O Doria, a Marta e o Russomanno representam exatamente aqueles parlamentares que deram o golpe na Dilma”. Tanto Lula como Haddad estavam usando no paletó um adesivo em que se lia “Fora Temer, Fica Haddad” – sem nenhuma menção ao PT.

Assim, o “Fora Temer” foi formalizado como o “partido” dessa turma, inclusive no material de campanha. Mas, como tudo o que envolve Lula e seus sequazes, o “Fora Temer” é apenas uma palavra de ordem. É um grito vazio, irresponsável, antidemocrático. Se a reivindicação desse pessoal fosse o retorno de Dilma Rousseff à Presidência, ainda haveria nisso alguma dose de racionalidade política. Mas nem os próprios petistas – Lula à frente – querem saber de Dilma, cuja desastrosa gestão foi em parte responsável pela formidável debacle do PT.

A reivindicação de que Michel Temer deixe o governo, sem mais nem menos, e que se convoquem novas eleições diretas para presidente, sabe-se lá com base em que legislação, somente se presta a fornecer aos petistas algum discurso que lhes permita evitar a discussão de temas mais constrangedores, como a corrupção envolvendo vários de seus principais dirigentes e o amadorismo gerencial de Haddad, Dilma e outros pupilos de Lula. Felizmente, a despeito do apoio que o partido do “Fora Temer” conseguiu amealhar entre alguns incautos, parece claro que a essa associação de intrujões está reservado, nas urnas, o profundo desprezo da maioria dos brasileiros.

 





domingo, 4 de setembro de 2016

O PT e a solução para o Estado Islâmico

Milton Pires oferece criativa solução para o problema do terrorismo do dito Estado Islâmico. Sob o comando da agora desempregada Dilma Rousseff, uma delegação de especialistas bem poderia aportar ali na região do Iraque, Síria, Irã e Afeganistão.



quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Hélio Bicudo e o impeachment


Segue o link para o depoimento do Dr. Hélio Bicudo sobre o impeachment de dona Dilma, a pavorosa dama que já foi presidente do Brasil.

Depoimento de Hélio Bicudo

sábado, 13 de agosto de 2016

O dia seguinte do PT (Ricardo Noblat)


O PT já dá o impeachment como fato consumado. Planeja e discute agora, internamente, o seu day after, o rescaldo dos escombros. O desafio é sobreviver, eleitoral e judicialmente.
O presidente do TSE, Gilmar Mendes, determinou esta semana a abertura do processo que poderá cassar o registro do partido, envolvido em múltiplas falcatruas, parcialmente mapeadas pela Lava Jato. A defesa não será jurídica, até porque tem contra si os fatos e a lei, mas política. O partido não desistiu da teoria do golpe.
Dilma está perdida, mas o partido ainda crê na mística de Lula, na possibilidade de transformar sua iminente prisão num grande happening político, que mobilize a militância residual, os movimentos sociais e o transmute de prisioneiro comum em perseguido político.
Tudo, segundo os estrategistas do petismo, depende da aplicação engenhosa de uma palavra que, mais que clichê, tornou-se instrumento eficaz de propaganda política: a narrativa.
Não importam os fatos, mas a versão. Se os fatos não coincidem com a narrativa – e raramente isso se dá -, pior para os fatos, diria Nélson Rodrigues.
Essa estratégia explica a obstinada veemência, quase histérica em alguns momentos, da bancada de senadores petistas e adjacentes. Defendem Dilma não de olho em sua absolvição, em que não creem, mas no documentário cinematográfico, em preparo, sob a direção da cineasta Anna Muylaert, focado no afastamento de Dilma.
Com ele, pretendem fazer do limão da derrota a limonada da revanche. Não se deve subestimá-los: de propaganda, os petistas entendem. Forjaram-se nela e com ela chegaram ao poder, convencendo a muita gente de que promoveram a redenção social do país, não obstante terem deixado em seu rastro um vasto contingente de 12 milhões de desempregados, as contas públicas em ruínas e os cárceres de Curitiba superlotados.
Detalhes, nada que um bom roteiro não possa alterar, numa edição cuidadosa, que explore e vitimize as expressões dramáticas do ocaso de Lula e Dilma e transfigure seus oponentes em carrascos. Não faltam imagens, cenas de embates em manifestações públicas, material para forjar a narrativa que se quiser, bem longe dos fatos e de seus contextos.
Esse material, levado a festivais nacionais e internacionais de cinema – e posteriormente veiculado nas redes sociais -, será apresentado como a “prova” do golpe, da truculência da elite e da direita, inconformadas com o projeto social do PT, que (segundo essa narrativa) deu voz e vez aos pobres.
Pouco importa o fato, documentado por órgãos governamentais ainda na vigência do governo Dilma, de que os pobres continuam tão pobres quanto antes, acrescidos agora dos desempregados da classe média, que se contam aos milhões.
Se tal narrativa encontra pouco trânsito e verossimilhança quando apenas verbalizada, adquire efeito bem mais convincente quando acrescida de imagens em movimento.
A estratégia explora as inevitáveis dificuldades do governo Temer em lidar com a crise que herdou.
O PT, arquiteto da catástrofe, tentará reverter sua autoria, acusando os que o sucedem – e tentam consertar o estrago – de tê-la engendrado. Creem na onipotência e veracidade do dito de Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler, segundo quem uma mentira repetida à exaustão vira verdade. O PT, aliás, é prova disso.
O teste inicial dessa estratégia será a prisão de Lula, que o partido dá como certa, na sequência, ou mesmo antes, da consumação do impeachment. Aposta-se na sobrevivência do mito, na condição que ainda teria de sacudir o povão, mobilizado pela militância treinada, oriunda da burguesia universitária e sindical.
Aposta-se, sobretudo, nas dificuldades do governo Temer de proporcionar a curto prazo resultados que sejam sentidos no bolso da população. Essa aposta, ao menos, faz sentido. A crise, nesta primeira etapa, como o próprio Temer já avisou, oferecerá remédios amargos e impopulares – e resultados lentos.
Antes de melhorar, o país pode até piorar, dado o espectro político de que dispõe, em grande parte ex-parceirios da era petista.
O PT, com sua propaganda, quer convencer o público que a culpa de tudo não é de sua passagem pelo governo, mas de sua saída. Aposta, mais uma vez, na burrice da população.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Escola sem partido = Escola sem PT


O PT não é o que de pior poderia acontecer a estudantes em termos de deformação espiritual. A estupidez, aí sim, granítica, está com outros fanáticos de agrupamentos tipo PSOL, PSTU, PCB, Rede e Causa Operária mas, principalmente, com os trogloditas do PC do B. Pessoas comuns jamais acreditariam que a Albânia fosse o "farol do socialismo"; muito menos que a Coréia do Norte fosse o ápice da democracia, verdadeira antecâmara do paraíso comunista. Para quem tiver alguma dúvida a respeito de tais figuras e seu modo de pensar, basta visitar o site Vermelho, do PC do B. Essa gente é uma prova viva de quão inexorável é a entropia, à qual estamos condenados, caso não se desenvolvam outros paradigmas organizacionais.   

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

As pedaladas, as campeãs e o assalto aos velhinhos (Rolf Kuntz)


Um caso ou outro poderia ser acidente. Mas os maus negócios dos bancos, a queima de recursos das fundações, a devastação das grandes estatais e a crise da Oi, sem condições de pagar R$ 65,4 bilhões de dívidas, trazem as marcas de um estilo de governo. Esse estilo foi implantado em 2003 e só interrompido, por enquanto provisoriamente, em abril deste ano. O escândalo do crédito consignado apenas acrescentou um toque de perversidade, um tempero especial, a uma longa história de bandalheiras.

Os R$ 23,1 bilhões perdidos pela Petros podem ser uma cifra assustadora, mas esse valor parece até modesto quando se pensa no balanço da Oi. A quebra, ou quase quebra, da operadora estabeleceu um recorde. Nenhum outro processo de recuperação judicial havia envolvido tanto dinheiro. Mas outros detalhes também tornam especial esse episódio. A Oi, uma das maiores empresas de telecomunicação do Brasil, é uma das mais discutíveis criações do governo petista.

O toque final de sua constituição dependeu de uma alteração legal promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Formatada para ser a grande companhia nacional do setor, capaz de enfrentar as multinacionais, essa operadora resultou em mais um fracasso, mais uma prova contra a política de criação de campeãs nacionais. Uma de suas poucas realizações notáveis foi a instalação de uma antena ao lado do sítio do ex-presidente Lula.

A nova ação da Polícia Federal, com prisão do ex-ministro Paulo Bernardo, condução de seu colega Carlos Gabas e visita à sede do PT em São Paulo, foi classificada por aliados da presidente Dilma Rousseff como tentativa de reforçar o processo de impeachment. A manobra seria destinada, além disso, a desviar a atenção das acusações a membros do governo provisório. Alegações como essas poderiam ter alguma respeitabilidade em outras circunstâncias. Mas é impossível, agora, levá-las a sério. Afinal, a Operação Custo Brasil, mais um desdobramento da Operação Lava Jato, só escancara mais detalhes de uma enorme sequência de crimes.

Alguns desses novos detalhes, como o desvio de dinheiro de clientes do crédito consignado, funcionários ativos e aposentados, são especialmente hediondos. Mas, além de mais escabrosos que outros, podem ser especialmente informativos. A denúncia vai além do assalto e aponta o PT como um dos beneficiários do dinheiro subtraído.

Cada novo capítulo da Operação Lava Jato confirma os vínculos entre aparelhamento, loteamento e corrupção nos governos entre 2013 e meados de abril de 2016. Esses governos foram guiados essencialmente por um projeto de poder. Todo o discurso a respeito de planos de integração social e de mudança econômica nunca foi mais que um esforço de construção de imagem. Esse esforço pode ter enganado parte do público brasileiro e, com certeza, uma parte considerável do público estrangeiro. Mas a chamada política social do PT foi principalmente um instrumento de dominação, baseado muito mais na transferência de renda – um mecanismo de fácil manejo – do que na efetiva absorção dos pobres na economia moderna. Sem as transferências, a maior parte das famílias provavelmente voltaria às condições miseráveis.

Os aumentos do salário mínimo superiores aos ganhos de produtividade também proporcionaram alguma melhora do consumo, mas políticas desse tipo são insustentáveis. Depois de algum tempo, a inflação tende a anular seus efeitos.

Além disso, nenhuma economia administrada sem disciplina fiscal, uso criterioso de recursos e atenção ao investimento e à produtividade vai muito longe. A recessão brasileira, com mais de 11 milhões de desempregados, é mais uma prova dessa obviedade ignorada pelos petistas – principalmente pela presidente Dilma Rousseff e por seus incompetentes favoritos.

Não há como fixar uma linha divisória entre o estilo de ocupação do governo – aparelhamento, loteamento e apropriação partidária do Estado – e o desastre econômico. A mediocridade do primeiro mandato, com crescimento médio anual de apenas 2,1%, foi um claro prenúncio da recessão. Em 2014 a economia, já atolada na crise, cresceu 0,1%, enquanto a inflação bateu em 10,67%. A piora do quadro a partir daí foi um desdobramento normal, até porque a presidente rejeitou os esforços do ministro Joaquim Levy de reconhecer e enfrentar os problemas.

Quem vincula a Operação Custo Brasil ao processo de impeachment acerta, no entanto, pelo menos num ponto. Há um parentesco indisfarçável entre o projeto de poder do PT, os desmandos na administração direta e indireta, a desastrosa política econômica e as pedaladas fiscais. São estas, formalmente, a base do processo de impeachment. Mas só com muito esforço de abstração é possível separá-las do resto. O resto inclui, entre outros detalhes, o desemprego de mais de 11 milhões e o assalto aos velhinhos do crédito consignado. Esse jogo político é indivisível.

domingo, 26 de junho de 2016

Crime hediondo



As malfeitorias, para adotar conceito caro a dona Dilma – que a cada dia vêm à luz - quase não espantam mais as pessoas decentes. Os petistas roubaram o Banco do Brasil, roubaram a Petrobrás, roubaram a Eletrobrás, roubaram os Correios e roubaram os fundos de pensão. A lista, contudo, não se esgota nestes casos, exemplos meramente ilustrativos. De fato, pelo que já se tomou conhecimento, poderia seguir, interminável, tão densa e tão inumerável quanto aquelas velhas listas telefônicas. 

Onde essa gente estiver, é batata: basta dar uma enxadada que surgirão montes de minhocas. Eis aqui um dos consensos da república a ser testado nas próximas eleições municipais. Quem votar no PT ou nos seus partidos satélites já sabe de antemão quais seus desdobramentos. O erário estará sob permanente ameaça de dilapidação em todas suas dimensões.

Para relativa surpresa do país, no entanto, parece que o petismo alcançou o estado da arte em seu ofício de predadores. Conforme vem sendo amplamente divulgado - a respeito das mutretas do crédito consignado - resolveram eles expropriar dos pobres avoengos da nação (aposentados e pensionistas), um capilé modesto de R$1 real sobre cada operação de registro bancário, derivada de empréstimos tomados pelos vovozinhos e vovozinhas em dificuldades financeiras. R$1 real é um número baixo que mais remete a esmola que a fonte de enriquecimento. Acumulados, entretanto, chegam a montante que superaria os R$100 milhões de reais. Nos tempos da finada fartura, tal procedimento poderia ser comparado ao vintém de Pedro, aquelas humildes contribuições que os fiéis de todo o mundo faziam para alegria dos tesoureiros do Vaticano. Nada mais nada menos que singela extração de sangue de pulgas.

Uma conclusão se impõe: ninguém está a salvo da volúpia argentária petista. Nem o ceguinho que se abriga encolhido num canto qualquer da praça. Se um dos predadores com estrelinha no peito passar por ali é fatal. O ceguinho ficará sem suas moedas e, talvez, até mesmo sem o chapéu ensebado. Roubar mixaria dos idosos é algo que nem o padre Vieira conseguiria imaginar. Não há explicação sociológica para tamanha perversão de caráter. Compreende-se o saqueio de grandes empresas, como a Petrobrás. Dali há o que se tirar, a carniça é grande, pode satisfazer a muitos. Mas enfiar a mão no bolso de gente frágil - para dele retirar algumas moedas - é algo que nem os bandidos mais pés de chinelo ousariam fazer. 

A gatunagem seria juridicamente não mais que um crime de bagatela, algo pequeno demais para materializar o tipo penal. Vista, porém, na sua amplitude, a deplorável prática assumiria dimensões de crime hediondo, do ponto de vista moral. Para fechar o arco do inimaginável só faltaria invadir uma creche e fugir depois com os pirulitos e chupetas das crianças ali abrigadas. Que os vovozinhos e seus netinhos se lembrem disso ao comparecerem às urnas em outubro próximo.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Dinheiro sujo do PT: a torneira fechou (Augusto Nunes)


Por falta de verba para fretamento de jatinhos, o PT desistiu de bancar as viagens de Dilma Rousseff e sua comitiva de desocupados. A partir de agora, a Assombração do Alvorada terá de contentar-se com discurseiras no jardim, obedientemente aplaudidas pela plateia que junta a criadagem do palácio ao bando de áulicos sustentados por milhões de pagadores de impostos. É preciso manter a animação da tropa que aguarda ao lado da patroa a definitiva ordem de despejo.

Neste ano, Lula não recebeu um único e escasso convite para fazer palestras no Brasil ou no exterior. Entre 2011 e 2013, foi sempre extensa a fila de empresários dispostos a contratar por até 400 mil dólares um palestrante que se limitava a cumprimentar-se pelo parto do Brasil Maravilha ─ um superlativo embuste registrado em cartório. Com os avanços da Lava Jato, também parou de crescer até a coleção de títulos de doutor honoris causa.
O fim da farra aérea de Dilma e a aposentadoria forçada do camelô de empreiteira nada têm a ver com a crise econômica que atormenta os brasileiros comuns: foram provocados pelo fechamento das torneiras que abasteciam com dinheiro sujo o caixa do PT e o cofre do Instituto Lula. Para ajudar a presidente demitida, o partido promete reprisar a vaquinha que socorreu José Dirceu. O padrinho talvez já tenha reduzido o volume de reservas sob a guarda de Paulo Okamotto.

O palanque ambulante poderia usar o tempo que agora sobra ensinando aos 12 milhões de brasileiros desempregados como é que se faz para viver uma vida de milionário sem trabalhar. E tanto o poste quanto o seu fabricante deveriam aproveitar o momento adverso para submeter-se a um teste de popularidade de altíssima precisão. Basta que embarquem num avião de carreira e perguntem aos demais passageiros o que estão achando da situação do Brasil.


terça-feira, 7 de junho de 2016

Ainda na caverna de Ali Babá (publicado em O Tempo, em 5 de junho de 2016)


As delações premiadas, à medida que surgem, revelam com clareza solar o ambiente pútrido onde, e como, se faz a grande política no país. Poucos se salvam, esta que é a verdade. Mesmo aqueles que se querem os mais puros não conseguem explicar a fonte espúria dos recursos dos quais se utilizam para suas campanhas. O ataque aos cofres sindicais é algo tão trivial que nem espanto mais causa aos observadores. Partidecos que rosnam na periferia do PT são velhos comensais daquela fonte, sem esquecer a merreca curta das entidades estudantis. É a velha história referida por Montaigne: primeiro, roubam-se alfinetes, depois, coisas mais substanciais. Tudo não passa de mera questão de aprendizagem. Quem duvidar, avalie a movimentação do PC do B, Piçol, PCO, PISTU, PDT e outras siglas dessa indigesta sopa de letrinhas.


Velhos amigos, ou seria melhor dizer velhos cúmplices, postos sob o risco de cair nas mãos do Moro, entregam até a própria mãe; fazem tudo para ficar livres das pesadas condenações impostas pelo magistrado curitibano aos que frequentam sua Vara, esta sim, um modelo de gente que trabalha sério, sem o estrelismo delirante dos mandarins do STF (atenção em Marco Aurélio). Os criminosos, então, desenvolvem qualquer estratégia disponível. O que importa é ficar sob o abrigo dos tribunais superiores, notórios pelo passo de cágado que imprimem aos milhares de processos que apodrecem nas gavetas sob suas responsabilidades exceto, claro, o malvado Eduardo Cunha.  Suas excelências preferem, de fato, ao mister de prover a devida justiça, os holofotes da disputa política escandalosa. Vale observar que a rápida provisão judicial é preceito inscrito dentre os direitos do cidadão desde a Magna Carta inglesa, nos primórdios do século XIII, oitocentos anos, isso mesmo, oitocentos anos atrás.

As delações premiadas mais recentes devassam o caráter dos membros das afoitas quadrilhas estruturadas pelo regime lulopetista. Amigos de fé e camaradas, daqueles que se guardam no lado esquerdo do peito, sentindo o cheiro de queimado, tornam públicas as mais incríveis façanhas de seus chegados e colegas. O incrível é que se comportam com a mesma naturalidade com a qual levavam à frente suas estripulias coletivas. 

Lamentavelmente, não possuímos no Brasil instituições sábias como as existentes no Japão. Gatunos, que os há, lá e cá, reagem de maneira diferente quando pegados em flagrante. Aqui, alegam que tudo não passa de sórdida vingança de parceiros, chateados pela divergência na partilha dos cabedais furtados. Lá, pegam uma faca afiada e praticam o haraquiri, animados por um apurado senso de honra, conceito que nem de longe tangencia o ethos político nacional.


Um dos fatos mais incríveis em toda esta confusão é a cara lavada com a qual os delatores e os delatados se mostram em público. Sorriem placidamente, alguns até dão gostosas gargalhadas quando indagados pela imprensa a respeito dos fatos, hienas saboreando sua carniça. E nós, os otários, assistindo de longe a guerra fratricida dentro da caverna de Ali Babá. Assistindo e pagando os pesados impostos que sustentam os vagabundos, que ainda têm a ousadia de nos chamar de contribuintes, rindo cinicamente de nossa cara aparvalhada.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Dilma é praga do Brizola


Em entrevista dada à Folha de São Paulo, dona Dilma se superou. A brizolenta criatura afirmou com todas as letras:

“Nós vamos pagar o pato do pato. Porque quem paga o pato, quando não se tem imposto num país, é a população”. 

Essa dama balofa, inculta e feia ainda proclama que é economista. Décadas dentro dos palácios (na prefeitura de Porto Alegre, no governo do Rio Grande do Sul e no Planalto), e ela não aprendeu nada. 

Petistas, ouçam a voz da razão. Fiquem livres da criatura de Lula. Mandem-na para o PC do B. Lá ela encontrará seus iguais. Gente como as tenebrosas Graziotin, Perpétua e outras centenas de bruacas indigestas. Além de poder compartilhar uma tapioca eventual e um caldo de cana com esse gigante, o deputado Orlando Silva.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Como morrem as instituições (Bolivar Lamounier)


Instituições não morrem de morte morrida, morrem de morte matada – e raramente de forma abrupta. Fenecem (ou se atrofiam) gradativamente, ao longo de um processo pontilhado pelo desprezo de alguns e pela prepotência de outros. E, sobretudo, por agressões e traições ao seu espírito. Por ações e omissões da parte dos dirigentes e representantes aos quais incumbe zelar pelos papéis que as distinguem, mas que em vez disso acabam contribuindo para a descaracterização deles.

Para bem fixar o sentido da afirmação acima peço licença para fazer dois esclarecimentos preliminares. O primeiro é que esta reflexão carece de sentido para extremistas de direita ou de esquerda. Para os adeptos do fascismo (e do populismo, seu primo pobre latino-americano), o que importa é a vontade do líder, do Führer, nunca os “formalismos vazios” que os liberais chamam de “instituições”. Numa linha muito própria, o conceito de política empregado pelos comunistas e seus companheiros de viagem tem pouco ou nada que ver com instituições; mal se distingue da tática, domínio regido muito mais pela malícia do que por valores. Os leitores a que me dirijo são, portanto, preferencialmente, os que prezam o liberalismo político e a democracia.

Em segundo lugar, há uma interrogação prévia a ser respondida. O que distingue uma instituição de uma organização qualquer? Minha resposta, já em parte indicada, é que uma instituição só existe em função do fiel cumprimento, por seus dirigentes e representantes, dos papéis que conferem sentido prático aos valores que ela professa. Uma igreja cujos dirigentes não se comportam como religiosos pode ser qualquer coisa, mas igreja certamente não é. O comandante militar que propende a agir como braço armado de um líder ou de uma facção política pode ser um caudilho, mas não a autoridade que jurou defender a sociedade e a Constituição. A distinção que estou tentando delinear vale em todos os níveis e âmbitos da sociedade. Por ação ou omissão, o professor que não vê diferença entre ensino e proselitismo e a maioria estudantil que se acomoda ou se deixa intimidar pelos profissionais do grevismo também contribuem para a descaracterização da instituição universitária.

Infelizmente, a crise política e econômica em que o Brasil se encontra é propícia à multiplicação de comportamentos anti-institucionais. Três casos recentes parecem-me requerer um comentário crítico.

Primeiro, o posicionamento assaz polêmico de dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso e Marco Aurélio Mello.

Barroso, antecipando o possível afastamento de Dilma Rousseff e a consequente ascensão de Michel Temer, exclamou diante de uma plateia algo como “um governo do PMDB? Meu Deus, é isso o que temos?” – enunciando uma posição manifestamente facciosa. Não menos chocante, Marco Aurélio Mello, dono de uma formidável bagagem de conhecimentos jurídicos e de uma não menos formidável experiência judicante, assumiu uma posição frontalmente contrária ao impeachment, chegando mesmo a vaticinar dias sombrios para o país no caso de a proposição a ser brevemente votada na Câmara dos Deputados sair vitoriosa. Um juízo de valor, sem nenhuma dúvida, com a agravante de haver sido formulado como uma previsão ou antecipação hipotética de um estado de coisas futuro.

Proposições desse tipo são adequadas quando enunciadas pelos profissionais da futurologia – a chamada “construção de cenários” –, mas descabem por completo na boca de um magistrado.

O segundo caso, que comento por dever de oficio, é a compra de votos para tentar deter o impeachment que Lula organizou nas dependências do hotel Golden Tulip, em Brasília. Há coisa de 20 anos, e com objetivo patentemente eleitoral, Lula ofereceu aos brasileiros uma avant-première do gênero populista pelo qual haveria de se nortear, afirmando que mais de metade da Câmara dos Deputados era integrada por “picaretas”. Em outros tempos – lembro-me dos anos 50 –, teria recebido uma resposta à altura. Se se atreveu a fazer tal afirmação, foi certamente por perceber a vertiginosa perda de altitude do Poder Legislativo no período pós-transição e pós-Constituinte.

Mas, ainda assim, quem ali vemos, no Golden Tulip, dando expediente full-time, é um ex-presidente da República. Um ex-presidente investigado pela Justiça, isso é certo, mas que ao menos por três razões deveria dar-se ao respeito: o cargo que ocupou durante oito anos, a estima que parcela expressiva da sociedade ainda lhe devota e um elementar respeito às instituições democráticas.

Por último, devo também me referir a certo tipo de parlamentar, aquele ao qual Lula parece estar se dedicando com maior afinco. Falo dos “picaretas”, do “baixo clero”, dos que devem seus mandatos aos “grotões” – ou seja, daqueles que jamais ergueram a voz para contestar esses termos pejorativos, como também não contestaram o insulto que Lula lhes fez em 1993.


Quer nas referências verbais que fazia em relação a eles, quer nas atividades “práticas” mediante as quais procura aliciá-los, Lula sempre os aviltou na física e na jurídica – ou seja, como indivíduos e como integrantes da instituição legislativa. Se esse é um retrato fiel dos “picaretas”, se eles de fato carecem, como Lula insinuou, da altivez e da independência que o exercício de um mandato eletivo pressupõe, se entre eles a regra é a falta de brios e de hombridade, então, convenhamos, o Congresso Nacional está de fato prestes a perder o status de uma verdadeira instituição. Está se transformando numa organização qualquer, fadada a perder o respeito dos cidadãos.