Mostrando postagens com marcador Lula. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lula. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Os bonzos do lulismo


Bonzos era a denominação dada por Thomas Mann aos sicários e aos amarra-cachorros de Hitler no período nazista. Faziam rápida e alegremente tudo que seu líder mandasse. Se necessário, dariam por ele até a própria vida, caninamente. Não perderiam, se a tivessem, a oportunidade de encharcar as roupas de gasolina; depois, um pau de fósforo liquidava o assunto. Tal qual fanáticos mais contemporâneos, não temiam a extinção nem a dor. Chegavam a ver nela - a morte - algo de grandioso e de libertador. Por uma questão de lógica elementar, se não respeitavam a própria vida, por qual razão iriam respeitar a vida alheia? Eis aí o fundamento das práticas genocidas que gente daquela espécie cultivou na Europa, e ainda cultiva, hoje em dia, em diferentes partes do mundo. 

Pois bem, os bonzos do lulismo começam a mostrar suas faces. Com o apoio destemido de grupos religiosos católicos, meia dúzia de fanáticos se postou à frente do Supremo Tribunal Federal para fazerem uma pública greve de fome. Tal pelotão foi escolhidos a dedo. Os chefes, ao que parece, selecionaram somente aqueles que pesassem algumas boas arrobas, com muita banha para queimar, conforme se pode deduzir pelas imagens divulgadas. 

E qual é a  motivação para tão extravagante conduta? Simples: obrigar o STF a libertar um delinquente comum, que se encontra recolhido em Curitiba, nas dependências da Polícia Federal, de maneira a permitir-lhe participar das próximas eleições presidenciais. Por óbvio, o prisioneiro não caiu dos céus na jaula que ocupa, acidentalmente. Ao contrário, entrou em cana após a descoberta de inumeráveis crimes por ele cometidos, julgados por juízos competentes em duas instâncias judiciais.  Há outros processos em curso, não custa relembrar.

Incapaz de fazer um mísero sacrifício que implique algum custo pessoal, o dono do partido dos bonzos orientou seus acólitos no sentido de se sacrificarem por ele. Talvez tenha lido Veblen (dizem que ele se tornou leitor compulsivo), e aplicado alguma de suas ideias a seu favor (se há consumo vicário, por que não haveria uma greve de fome vicária?). Em síntese, não passa do velho esquema de fazer mesura com chapéu alheio. Há forma mais picaresca para a devida comparação, deixada aqui de lado em respeito aos bons costumes e às famílias brasileiras. 

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Ainda há juízes em Berlim

A espantosa presepada cometida pelos petistas para botar Lula em liberdade é algo que continuará a dar pano para manga. Em audaciosa manobra, que pode servir de base para o roteiro de filmes do gênero (como "Fugindo de Alcatraz"), o notório criminoso recolhido a uma sala especial da carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, imaginou uma fuga, em tudo mais próxima de comédia pastelão que de uma história de suspense.

Combinando o esforço de três porquinhos trapalhões com a diligente ignorância de um desembargador aloprado, armou-se uma rota de fuga que não tinha como dar certo. E não deu, conforme qualquer sujeito medianamente informado já saberia de antemão. Continua a valer aqui a recomendação de constituir uma assessoria especializada em "vai dar merda", toda vez que algum dirigente petista resolver fazer uma das suas.

O único proveito que se pode tirar dos acontecimentos é saber que ainda há juízes em Curitiba e Porto Alegre, tal qual havia em Berlim. Juízes que não adentraram nos tribunais pelas portas dos fundos continuam a ser a única esperança de se ver a lei aplicada como é preciso. As reações observadas em amplos setores, principalmente do próprio Judiciário, talvez sirvam para enquadrar outros buliçosos ministros (situados no STF) em eventuais e equivalentes situações. A sombra de Dias Toffoli o precede.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Quem vota em Lula?


Divulga-se frequentemente, em especial após a publicação de rotineiras pesquisas de opinião sobre a intenção de voto dos entrevistados, que Lula da Silva seria o favorito caso a eleição presidencial ocorresse hoje.

Fala-se muito que o Nordeste brasileiro secundado pelos bolsões de pobreza no restante do país são redutos inexpugnáveis, inacessíveis enfim, para conservadores e liberais, fadados a serem derrotados pela massa de pobres e analfabetos esparramada pelo país afora. Uma espécie de linha Maginot ou, para ficar numa linguagem tropicalizada, de mandiocal onde somente o criminoso chefe da quadrilha lulopetista consegue cavoucar com sucesso. 

Não é incomum ouvir oposicionistas fazendo críticas ácidas aos eleitores nordestinos vistos como politicamente alienados, e serviçais, tangidos tão somente pelos estímulos pecuniários da bolsa família. Se isso fosse verdade, no entanto, como explicar a fragorosa derrota do PT e seus puxadinhos nas ultimas eleições municipais de 2016?

O voto dos pobres nordestinos não é organicamente petista. Já foi do MDB, do PFL, do PSDB e, até, da ARENA, nos tempos do maior programa social criado no Brasil, o FUNRURAL. O Nordeste é, de fato, governista; tão governista quanto as classes médias que votam, sustentam ideologicamente, justificam os crimes e fornecem quadros políticos para as gestões petistas dispersas pelo território nacional. As universidades públicas são exemplo acabado de tais procedimentos deletérios e reacionários. 

Se a intelectualidade europeia pós-segunda guerra mundial endossou o genocídio comunista conduzido por Stálin, os intelectuais brazucas postaram-se com as quatro patas no chão para serem docemente estuprados pelo psicopata de Garanhuns.  Menos mal se houve gente como Sartre, na França, quando saiu em defesa dos comunistas. Era uma posição política detestável, porém, compreensível. No Brasil, para nossa vergonha civilizatória, seus pensadores se expressam defendendo ladrões vulgares e desqualificados sob qualquer prisma ético ou moral. 

Sob qual promessa busca-se construir um novo projeto eleitoral lulopetista? Esses aventureiros, que se abrigam numa miríade de siglas vazias, quando não roubam na entrada, roubam na saída; e ainda deixam um bilhete avisando que voltarão para roubar o que não conseguiram levar desta vez.     

  

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O chantecler caboclo


Pouco antes de nascer o dia (talvez até na profunda madrugada), o galo se encarrega de avisar ao mundo que o sol está surgindo. Seu cérebro de galinha, no entanto, o faz cultivar a convicção de que é seu canto que mobiliza o astro rei. Quando se trata das ilusões do vaidoso galináceo, no entanto, os demais seres do mundo têm para com ele uma suave condescendência. Ora, quão tola é essa criatura, estariam a dizer para si, caso pudéssemos entendê-los.

Pois não é que o mundo da política reproduz de maneira bem aproximada a pretensão do chantecler egocentrado? As tramas fazem lembrar as fábulas de Esopo. Uma dita filósofa – professora Marilena Chauí – chegou a enunciar que o mundo emudece quando Lula fala. Claro, eram tempos em que, no gordo pacote de compras literárias governamentais, ocupavam lugar de destaque os livros da madame. Ao que parece, a finada fartura se foi para sempre e a fiel militante petista regrediu ao status de classe média.


Pelos números revelados pelas últimas pesquisas eleitorais, Lula da Silva aparece com a preferência de um terço aproximadamente dos eleitores, seguido de Jair Bolsonaro com 18% e os demais nomes com indicações bem baixas ou insignificantes. O chantecler petista é louvado pelo desempenho, aliás, digno de menção, mas não pelas razões que a maioria dos analistas elenca. O surpreendente é que cacarejando diariamente nos últimos 40 anos (quando presidente, o petista alcançava a marca de três discursos diários para rádios e TV’s de todo o país), Lula da Silva só receba a preferência de pouco mais de 30% dos eleitores que declaram votar nele nas próximas eleições.


Convenhamos. Era para ser um número bem mais expressivo para quem aparenta ter nascido sobre um palanque. Sem falar na poderosa máquina sindical e corporativa na administração pública, nos hospitais, nas escolas de todos os níveis, nas igrejas e nos denominados movimentos sociais. É uma estrutura de arromba! Com todo esse poderio, não consegue fazer frente a um deputado ainda desconhecido que faz sua pré-campanha apoiado na família e em meia dúzia de gatos pingados. Enquanto Lula voa pelos ares a bordo de luxuosos jatinhos dos empresários amigos, Bolsonaro se desloca dentro dos seus limites, como se fora titular de um circo mambembe cujo meio de transporte são carroças mal ajambradas.   


Rico, poderoso e atrevido como um garnizé, Lula pode terminar na reta final enfrentando um político audacioso e sem máculas que o desonrem. O povo será posto frente a duas opções: votar numa pessoa honesta ou votar num gatuno já condenado pela justiça brasileira. Isso sem por em discussão a malta predadora da qual é composta o lulismo. Será uma decisão radical, a que será tomada pelos 130 milhões de eleitores em outubro do próximo ano. Na mente da maioria já está fixada a imagem do significado da candidatura Bolsonaro. O deputado pode se dar ao desfrute de alargar sua base de apoio.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

O horror, o horror, o horror

A desfaçatez de Lula da Silva é algo de impressionante. Condenado por diferentes crimes e réu em mais meia dúzia de processos, em diferentes varas criminais, saltita pelo país a fora em sua permanente campanha eleitoral, sem qualquer questionamento por parte das autoridades. 

Ainda agora, à frente de seus mirmídones, percorre algumas regiões de Minas Gerais, vomitando sobre os ouvidos dos mineiros suas torpezas já sobejamente conhecidas. E ainda nos ameaça com a candidatura de Dilma Roussef nas eleições para o senado em 2018. Só de pensar em tal possibilidade vem à mente a expressão famosa do filme Apocalipse now: "o horror, o horror, o horror..."

Terá alguma graça, no entanto, acompanhar a movimentação da chapa petista, com Dilma pedindo votos para si e para Pimentel, este como candidato à reeleição ao governo de Minas. A recíproca também será impagável, com Pimentel no palanque da madame cassada por estripulias várias em 2016, endeusando sua correligionária estocadora de vento. Se, à dupla famigerada se juntar o nome de Lula para a presidência, os mineiros poderão alcançar a tríplice coroa: ficar livres, simultaneamente, de três das mais tenebrosas personagens já surgidas no quadro político nacional.   

terça-feira, 28 de março de 2017

O filho, da puta, do Brasil


O patético filme (O filho do Brasil) - sobre a vida e obra de Lula da Silva - financiado , aliás, pelos empreiteiros que hoje mourejam para escapar dos tentáculos da Operação Lava Jato - receberá uma continuação em breve, agora mostrando a alma negra daquele personagem (o filho da puta do Brasil). Mas eis que o herói está questionando judicialmente a utilização de cenas realistas nas quais esteve envolvido (como sua condução coercitiva para depor na Polícia Federal, em março do ano passado), alegando que isso poderia afetar sua imagem pública, como se tal fosse possível. Reivindica, então, do juiz Moro a proibição de utilização daquelas imagens geradas pela polícia. 

Difícil encontrar palavras para comentar caso tão espantoso. Conduta tão asquerosa de censura prévia a uma obra cinematográfica deveria receber algum tipo de protesto da intelectualidade universitária e outros parasitas que gravitam em torno do pervertido de Garanhuns. Mas é inútil esperar que essa gente escrota vá assim se manifestar. Continuam, no mínimo, a sofrer os efeitos da dissonância cognitiva: a realidade se modifica mas a compreensão dela permanece inalterada. Caso psiquiátrico, a se ver.

Em espírito, figuras como Chico Buarque, frei Bofe e outros mais só estão a repetir o comportamento dos intelectuais franceses adeptos do comunismo, quando veio à luz o genocídio praticado na URSS por Stálin e seus mirmídones: ignoraram solenemente os fatos apontados por Kruchev em 1956, e mantiveram seu engajamento com a causa de um dos regimes políticos mais bárbaros que já existiu, capaz de fazer sombra aos piores crimes do nazi-fascismo. Ah, diziam, não se podia agir de maneira a favorecer o imperialismo capitalista, reiteravam os pensadores progressistas de então. Hoje o discurso é contra o neo-liberalismo.

E olhem que os lambe-cu esquerdistas, na Europa, eram gente do calibre de um Sartre e, não, de figurinhas tropicais menores, como Chauí, a bruxa plagiadora de Claude Lefort, a mesma que diz que o mundo se ilumina quando as tripas de Lula expelem em gás  o resultado de sua atividade intelectual. Sim, Lula peida e Chauí corre para ficar de joelhos a aspirar o sublime fermentado em tão sagrado invólucro.    

sexta-feira, 17 de março de 2017

Maluf, o mais honesto


Aqueles mais idosos conhecem os fatos da vida brasileira por tê-los testemunhado. Nunca precisaram ler algum relato, ou livro de história, para saber o que aconteceu. O exemplo mais gritante é o deputado federal, ex-prefeito e ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf. Talvez por hábito arraigado, o primeiro nome buscado no noticiário (sobre os envolvidos com o mensalão e o petrolão), fosse o dele. E nada, nem na espessa lista do Janot. 

Paulo Maluf, ao que parece, fazia parte daqueles gatunos românticos que vampirizavam a conta do custeio dos orçamentos públicos: nada mais que um pirulito, um franguinho, um litrinho de leite para a gurizada. Muito diferente da quadrilha lulo-petista que saqueia a viúva com a cobiça de piratas e o entusiasmo espiritual de corsários (a serviço da causa, claro).

Se fosse um homem vingativo, Maluf deveria processar seus desafetos. Certamente ganharia gorda indenização. Maluf, o único dos figurões da política dos últimos 50 anos não enrolado com a Lava-Jato, merece o diploma de segundo político mais honesto do Brasil. O primeiro lugar, não poderia deixar de ser, pertence a Lula. Até isso Lula da Silva, a perfeita reencarnação de São Dimas, conseguiu roubar.  

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Sátiros encanecidos


Velhos sátiros gostam de carne nova. Inspiram-se no edificante exemplo do rei Davi que, muito friorento, e já nos estertores de sua longa vida, dormia abraçado com Abisague, formosa e jovem virgem, posta a ele para lhe aquecer a carcaça nas frias noites daquele áspero oriente, sem contudo chegar ao paroxismo de tê-la conhecido. Só o calorzinho de uma perfumada pele cor de pêssego já era o bastante para Davi bem adormecer, entoando loas infindas ao Senhor. 

Deixando de lado a inspiração bíblica, pode-se apelar ao explicativo e popular ditado "para cavalo velho o remédio é capim novo", quando homens idosos se achegam com parceiras que poderiam ser suas netas. Claro que para evitar discriminação de gênero, costuma-se dizer também, em justa contrapartida, que "para égua velha o remédio é mandioca puba".

Famoso por sua concupiscência, o ex-presidente, e recém viúvo, Lula da Silva tem, agora, a oportunidade de se igualar a alguns dos ocupantes, ou ex-ocupantes, de cadeira presidencial. Há exemplos em todos os lugares do planeta. Nada de barangas, por favor. Melhor variar, deixando de lado material reciclado contemporâneo. Gatinhas há aos montes, todas seduzidas pelo afrodisíaco do poder, ou por sua expectativa. Sassaricam por aí trêmulas, loucamente desejosas por um pitéu de boa cepa. E, sobretudo, fugir de estagiárias. Por causa de uma destas, Clinton entrou pelo cano.  

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Teori, Eduardo Campos e Ulisses Guimarães


A morte do ministro Teori Zavascki acende, mais uma vez, o velho debate brasileiro sobre a ética na política. Veja-se o caso de Lula. Não foram poucas as críticas sofridas por ele a propósito das suas relações promíscuas com a plutocracia dominante. Sua conduta no mensalão e no petrolão chegou a ser objeto de escárnio para humoristas e artistas, conforme se pode ver na composição "Não é nada meu", do sambista Boca Nervosa.

Não é nada meu

Sim, talvez tenha razão o antigo metalúrgico (e é triste defender Lula em alguma coisa que lhe diz respeito), ao afirmar que não tinha apartamento no Guarujá, nem sítio em Atibaia e, muito menos, avião para passear pra lá e pra cá: é tudo de um "amigo meu". Os que o criticam, mais que de forma injusta e discriminatória, estariam somente exercitando nossa proverbial hipocrisia, vendo um cisco no olho alheio, esquecendo-se da trave nos próprios olhos. Outros, igualmente, se refestelam no uso gratuito de patrimônio de terceiros, sem que recebam maiores censuras por seus atos imprudentes. Paira, aliás, um silêncio quase obsequioso sobre o ocorrido com Teori Zavascki.

Ulisses viajava num helicóptero de um "amigo meu" quando aconteceu o acidente que o matou. O mesmo destino teve Eduardo Campos, também num jatinho de um "amigo meu". Agora, Teori se junta a eles, em suas tragédias comuns: também viajava numa aeronave de "um amigo meu" quando esta se espatifou no mar de Paraty, no Rio de Janeiro, para onde se dirigia em busca de edulcorado final de semana, juntamente com empresário amigo, secundados por duas damas anônimas, estas, de fato, vítimas inocentes que pouco ou nada devem ter contribuído para a configuração do acontecido.

Os meios de comunicação ainda repercutirão bastante o acidente. Afinal Teori era dos homens mais importantes da República, não só pelo alto cargo ocupado como, também, pela sua responsabilidade na condução do mais momentoso processo da história judiciária brasileira. Seu falecimento faz girar o caleidoscópio do destino de milhões de pessoas direta ou indiretamente afetadas pelo turbilhão. Uma coisa, porém, há-de estar clara na consciência de todos. Teori cometeu o mais fatal de seus erros. 

domingo, 15 de janeiro de 2017

A voz da Ciência


Está comprovado: bosta não afunda!



sábado, 17 de dezembro de 2016

Lixo


O zelador do edifício Solaris, no Guarujá-SP, foi arrolado como testemunha no caso conhecido como "o apartamento de Lula que não é de Lula". O tal imóvel seria, como quer nos fazer crer o facinoroso ex-presidente, da empreiteira OAS e, não, dele, apesar de todas as evidências em contrário. 

Longe do lero-lero peculiar do juridiquês - que mais encobre do que desvela - o referido zelador expressou, em língua popular, a melhor definição da corriola petista. Deveria se tornar a frase do ano: "vocês são lixo".

Tais sujos e deteriorados personagens deveriam ser transportados rumo à cadeia em caminhões-caçamba, aqueles destinados a remover os detritos repugnantes dos quais aquela gente é parte indissociável. 

Lixo, vocês são lixo!

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O tamanho da podridão (Editorial do Estadão)


A prisão do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, ainda que apenas por algumas horas, significa que o escândalo da Petrobrás alcançará mais gente e gente muito mais graúda do que os notórios operadores do PT que hoje amargam a prisão. Já se sabia que o propinoduto que ligou a máquina do Estado aos cofres do PT era o pilar de um método de governo, sendo o ex-presidente Lula o “chefe supremo” do esquema de corrupção, como autoridades já denunciaram. Mas as suspeitas que recaem sobre Mantega, se comprovadas, mostrariam a extensão do contágio por grande parte do primeiro escalão da administração, passando o próprio governo a ser visto como uma organização criminosa.

Mais longevo ministro da Fazenda da história brasileira, Mantega tornou-se, ao lado da presidente cassada Dilma Rousseff, o grande símbolo do jeito petista de governar. Enquanto Dilma, em seu dialeto peculiar, agredia a realidade de sua desastrosa administração com frases desconexas, Mantega, sempre com ar professoral, tratava de insultar a inteligência alheia com dados sem sustentação e retórica vazia para comprovar o acerto da famigerada “nova matriz econômica” – aquela que quase quebrou o Brasil. O ministro da Fazenda era a face mais conhecida da impostura do PT na condução da economia, um obediente executor das fantasias nacional-desenvolvimentistas de Dilma. Nada, porém, indicava que ele tivesse feito uso de seu cargo e de seu poder para fazer algo além de destruir as finanças do País.

Tudo isso mudou ontem. O juiz Sergio Moro aceitou pedido do Ministério Público Federal para que Mantega fosse preso, sob acusação de que o petista, em novembro de 2012, quando era ministro, solicitou ao empresário Eike Batista recursos para o pagamento de dívidas de campanha do PT. A informação foi prestada pelo próprio Eike em depoimento ao Ministério Público em maio passado.

Em 2012, o Grupo OSX, de Eike, integrava um consórcio que havia obtido um contrato de US$ 922 milhões com a Petrobrás para a construção de plataformas. Suspeita-se de que Mantega tenha pedido a propina como compensação por esse contrato. Sem experiência na área, o consórcio contemplado não conseguiu entregar as plataformas.

Em seu depoimento, Eike disse que Mantega solicitou R$ 5 milhões para o PT. O dinheiro, depositado no exterior, foi entregue por meio de falsa prestação de serviços pela empresa de João Santana, o marqueteiro do PT. Para Eike, não estava claro que se tratava de uma contrapartida por seu contrato com a Petrobrás, mas não é preciso grande perspicácia para desconfiar dos reais motivos de Mantega – afinal, como disse Eike, “o ministro da Fazenda me pediu, o que é que você faz?”. Além de ministro da Fazenda, Mantega era presidente do Conselho de Administração da Petrobrás.

Eike e Mantega, segundo o depoimento do empresário, trataram a propina como “doação eleitoral”. Em seu despacho, Moro lembra que não cabe a um ministro de Estado “solicitar doações eleitorais ao partido do governo, ainda mais doações sub-reptícias”, feitas “através de contas secretas mantidas no exterior e com simulação de contratos de prestação de serviço, meio bem mais sofisticado do que o usual mesmo para uma doação eleitoral não contabilizada”.

Para Moro, está clara a “similaridade com o modus operandi verificado no esquema criminoso da Petrobrás”. Eis o que realmente importa a essa altura. São muitas as evidências de que o grande sistema de corrupção implantado pelos petistas pode ter tido entre seus operadores o mais importante ministro de Estado tanto de Lula como de Dilma. Terá sobrado um canto que seja de seus governos que não tenha sido conspurcado?

É claro que os petistas, sem ter como defender o ex-ministro, apelam à já tradicional vitimização, pois Mantega foi detido quando estava num hospital acompanhando a mulher, que se tratava. Ao decidir revogar a prisão – pedida porque, segundo os procuradores, havia risco de destruição de provas –, Moro disse que ele, os policiais e o Ministério Público desconheciam a situação familiar do ex-ministro. Mas Lula, sempre ele, já andou dizendo que a prisão de Mantega prova que “qualquer tese de humanitarismo foi jogada no lixo”. Sobre a grave acusação que pesa sobre o ex-ministro, nem um pio.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Partido do "fora Temer" (Estadão)

O partido do “Fora Temer” é uma agremiação inventada pelos oportunistas do PT para congregar todos aqueles que, como consequência do impeachment da presidente Dilma Rousseff, ou perderam a boquinha de que desfrutavam no governo federal ou precisam desesperadamente de uma boia política, por mais furada que seja, para sobreviver ao naufrágio petista.

No primeiro time estão os grupelhos que, apresentando-se como “movimentos sociais”, recebiam fartas verbas públicas para fazer a defesa violenta do governo petista. Destacam-se, nessa turma, o notório Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e seu subproduto urbano, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). São eles que, junto com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), estão na vanguarda das manifestações que vêm infernizando a vida dos brasileiros a título de exigir a saída do presidente Michel Temer.

No segundo grupo aparecem os políticos petistas que, aflitos, temiam ficar sem discurso na campanha eleitoral, já que o PT, antes um trunfo eleitoral, se tornou um fardo. As pesquisas de intenção de voto mostram esse peso morto: os candidatos petistas perdem em quase todas as cidades importantes, e de maneira acachapante. Além das agruras de Haddad em São Paulo, a tigrada está em maus lençóis em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro, no Recife e até mesmo em Porto Alegre, seu tradicional reduto.

Isso explica por que, de uma hora para outra, a campanha de Haddad deixou de lado qualquer discussão séria sobre a cidade que ele administra de forma tão amadora e passou a vincular os adversários do prefeito ao tal “golpe” que os petistas vivem a denunciar. Foi Lula, em recente comício com seu afilhado, quem deu a senha: “O Doria, a Marta e o Russomanno representam exatamente aqueles parlamentares que deram o golpe na Dilma”. Tanto Lula como Haddad estavam usando no paletó um adesivo em que se lia “Fora Temer, Fica Haddad” – sem nenhuma menção ao PT.

Assim, o “Fora Temer” foi formalizado como o “partido” dessa turma, inclusive no material de campanha. Mas, como tudo o que envolve Lula e seus sequazes, o “Fora Temer” é apenas uma palavra de ordem. É um grito vazio, irresponsável, antidemocrático. Se a reivindicação desse pessoal fosse o retorno de Dilma Rousseff à Presidência, ainda haveria nisso alguma dose de racionalidade política. Mas nem os próprios petistas – Lula à frente – querem saber de Dilma, cuja desastrosa gestão foi em parte responsável pela formidável debacle do PT.

A reivindicação de que Michel Temer deixe o governo, sem mais nem menos, e que se convoquem novas eleições diretas para presidente, sabe-se lá com base em que legislação, somente se presta a fornecer aos petistas algum discurso que lhes permita evitar a discussão de temas mais constrangedores, como a corrupção envolvendo vários de seus principais dirigentes e o amadorismo gerencial de Haddad, Dilma e outros pupilos de Lula. Felizmente, a despeito do apoio que o partido do “Fora Temer” conseguiu amealhar entre alguns incautos, parece claro que a essa associação de intrujões está reservado, nas urnas, o profundo desprezo da maioria dos brasileiros.

 





quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Lula, o PT, Pimentel, Kalil e as eleições em Belo Horizonte


A Operação Lava Jato apontou há pouco alguns dos crimes cometidos por Lula da Silva e outros membros da sua quadrilha. Caída a máscara do principal gatuno, os olhos se voltam para as implicações eleitorais das denúncias. 

No caso de Belo Horizonte, a conseqüência mais imediata é a queda da máscara de Alexandre Kalil, o candidato oculto do PT e de Pimentel. O candidato oficial é o medíocre deputado petista Reginaldo Lopes, boi de piranha lançado para fazer de conta que o PT está na disputa. O verdadeiro candidato da moçada é o ex-presidente do Atlético mineiro, empreiteiro desbocado e exótico que surfa na rejeição generalizada do povo ao mundo da política. No embaralhado da disputa na capital mineira (com onze candidatos), a figura de Kalil se esconde atrás da confusão, camuflando sua verdadeira natureza.

Kalil pensa como Dilma e Lula e fala igual o Collor. Seu discurso da anti-política parece ter sido desenvolvido pela ex-presidente cassada. Aliás, Collor, igualmente cassado, também assim se manifestava, sempre contra o parlamento, os políticos e as lideranças tradicionais. Collor foi o caçador de marajás; Kalil é o caçador de políticos. Caso vença as eleições, Belo Horizonte pode se preparar para uma futura cassação, destino possível a boquirrotos e irresponsáveis do tipo Collor, Lula, Dilma e Kalil.   

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Juscelino Kubitschek


Se ainda vivo fosse, o presidente Juscelino, nascido em Diamantina, em 1902, estaria completando 114 anos hoje,12 de setembro de 2016.

Juscelino foi o melhor prefeito de Belo Horizonte, o mais destacado governador de Minas Gerais e o maior dos presidentes da república brasileira. Foi grande no nível micro, bem como no nível mais elevado da administração pública. Seu espírito de estadista não encontrou obstáculo para se manifestar em qualquer dos âmbitos permitidos pela política. 

Ainda recentemente sua grandiosa obra na capital mineira foi reconhecida pela UNESCO, tornando-a patrimônio da humanidade. 

No entanto, quando se vê os candidatos a prefeito de Belo Horizonte (nas atuais eleições, onde comparecem onze pretendentes), cansando a população da cidade, e não falando mais que abobrinhas pueris, a luz da memória faz resplandecer a visão de mundo do notável prefeito Juscelino.

Aliás, é bem possível que poucos dos candidatos sequer tenham ouvido falar do saudoso presidente JK. A linha de memória da maioria não vai além dos anos 80 do século passado. O tom das abordagens que fazem nos meios de comunicação parece aquele de candidatos a vereador em algum dos miseráveis grotões de Minas Gerais, que os há às centenas e para todos os gostos; o total alcança a inacreditável marca de 853 municípios. 

Numa síntese ligeira, todos estão a prometer casa, comida e transporte grátis. Dependendo do caso, adicionam ao cardápio a oferta de roupa lavada, passada e, até, engomada. A redundância discursiva provoca o efeito que as pesquisas indicam: os candidatos, após algumas semanas do início do pleito, permanecem com praticamente o mesmo capital eleitoral que tinham na largada, variando alguns pontos de percentagem para cima ou para baixo. 

Fato curioso é a constante declaração dos candidatos de pretenderem "cuidar" das pessoas. Ora, quem cuida da gente são nossos parentes. A prefeitura deve cuidar da cidade. A pretensão de transferir para o poder público responsabilidades familiares já deu no que deu em outras oportunidades. Exemplo recente está com dona Dilma - a expelida do Planalto - com sua totalitária ideia de ser a "mãe" do PAC. 

Quem tem pais não precisa, nem quer, ter u'a bruxa corrupta como mãe vicária. Getúlio, da mesma forma, era dado ao papel de "pai" dos pobres, deformação espiritual típica do fascismo periférico tardio, cujo exemplo mais eloquente está na Venezuela e seus sequazes bolivarianos. Lula, de todos, foi mais sabido. Com sua sagacidade de predador forjado no sindicalismo, contentou-se em ser não mais que o impudico e pervertido "amante" dos empreiteiros, e dos banqueiros, atuantes na praça.    

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Bloco de poder (1)



A máfia que tomou o Brasil de assalto, configurando um novo bloco de poder, era composta por três grupos: sindicalistas dos fundos de pensão, o patriciado pertencente à elite governamental e o núcleo empresarial composto na sua essência por empreiteiros e banqueiros. 

A ajuntá-los em frutuosa aliança a vasta pecúnia provinda dos cofres públicos, cornucópia inesgotável. Ali o dinheiro, esta mercadoria por excelência, amalgamava os interesses comuns de intelectuais, capitães da indústria, burocratas, agiotas e banqueiros, pecuaristas e, sobretudo, as lideranças políticas que gravitavam em torno do PT e seus satélites. Todos queriam levar um pedaço da carcaça, como cães predadores depois de acossar e derrubar a gigantesca presa.

O primeiro movimento destinado a definir a conformação de tal bloco político foi a supressão do artigo 192 da Constituição Federal de 1988, pela via da Emenda Constitucional 40, de 29 de maio de 2003. Tal mutilação à Carta Magna selou a aliança do petismo com a alta finança, ao entregar aos banqueiros, qual Herodes para Salomé com a cabeça de João Batista em bandeja de prata, uma carta branca permitindo-lhes cobrar do povo os juros que bem entendessem. As taxas do cheque especial e dos cartões de crédito chegaram no ano corrente a valores siderais, de trezentos a quatrocentos por cento ao ano. E os cínicos petistas ainda alardeiam seu amor aos pobres; pobres de espírito, isso sim. 

Tal felonia cometida pelo PT contra o povo brasileiro foi, aliás, a primeira patrocinada por Lula e seus asseclas, mal começado seu primeiro mandato. O estelionato eleitoral de Dilma, dez anos depois, não passou de repeteco de igual traição. Aqueles que duvidarem de tal interpretação leiam o artigo 192 acima referido, em especial o parágrafo 3° do inciso VIII que dizia:

“As taxas de juros reais, nelas incluídas comissões e quaisquer outras remunerações diretas ou indiretamente referidas à concessão de crédito, não poderão ser superiores a doze por cento ao ano; a cobrança acima     deste limite será conceituada como crime de usura, punido, em todas as suas modalidades, nos termos que a lei determinar”.

(continua)

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Quem são os canalhas (Senador Ronaldo Caiado, no Senado)


Tenho a certeza que o Brasil vai tirar algumas lições deste processo de cassação de Dilma.

A primeira lição é que o presidente deve respeitar o orçamento, e não, tratá-lo como peça de ficção ignorando prerrogativas do Congresso;

Que o presidente não deve avançar no dinheiro público para fazer populismo, demagogia e políticas irresponsáveis;

Que o presidente não deve avançar no dinheiro público para realizar esse populismo bolivariano promovido por Dilma e Lula;

Tiramos a lição de que o presidente não pode enganar, iludir uma população inteira realizando o maior estelionato eleitoral já visto.

Esta é, sim, uma sessão histórica. Sim, esta é uma sessão em que vamos definir quem são os verdadeiros "canalhas" da política brasileira;

Os "canalhas" da política brasileira são aqueles que assaltaram a Petrobras. Que se enriqueceram com dinheiro público;

"Canalhas" são aqueles que tomaram o dinheiro público para ganhar eleições. Que tiraram esse dinheiro da saúde e da educação;

"Canalhas" são aqueles que levaram o Brasil a uma situação crítica de desemprego e inflação ocultando a crise e acabando com a credibilidade do país.

Este é um momento de assepsia da política brasileira. Momento de tirar todo o tecido contaminado da política nacional;

É o momento do ressurgimento da esperança do cidadão com a política do país. Do resgate da moralidade de quem quer ver o dinheiro público respeitado;


O Brasil mandou o seu recado: todo político agora tem que ter responsabilidade com aquilo que se compromete na campanha eleitoral.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Hélio Bicudo e o impeachment


Segue o link para o depoimento do Dr. Hélio Bicudo sobre o impeachment de dona Dilma, a pavorosa dama que já foi presidente do Brasil.

Depoimento de Hélio Bicudo

sábado, 13 de agosto de 2016

Da mesma laia (publicado em O Tempo, de 28 de novembro de 2009)

"Os outros presidentes são todos da mesma laia!" O autor da frase é ele mesmo. Sim, é ele, o atual presidente da República, Lula da Silva, que assim se referiu aos seus antecessores em evento recente na capital mineira. Nem é preciso ir a um dicionário para saber que laia é uma palavra depreciativa sobre alguma característica comum a um grupo de pessoas. Mais do que um arroubo eventual em linguagem de sarjeta, no entanto, a assertiva presidencial mostra ao grande público a forma habitual de pensar de um homem carente de qualquer estofo espiritual. Carência, aliás, não só dele, como, também, daqueles que o cercam e o seguem caninamente.

Não é de se estranhar, então, que a vulgaridade esteja mais presente em sua língua do que a própria saliva. A coleção de desatinos daria para fazer um dicionário político-pornográfico. Do ponto de vista político, a forma lulesca de conceber o mundo (dividido, segundo seus acólitos, entre "nós" e "eles"), mostra a incrível persistência de uma concepção de origem stalinista, mesmo após aquela sangrenta ditadura comunista ter-se dissolvido no tempo.

Pois não é que Lula, Zé Dirceu e Dilma (para ficar apenas nos nomes mais notórios) desenterraram do museu das perversões históricas a teoria de Jdanov? Esse tal de Jdanov, ex-ministro da Cultura do regime soviético, dizia que o ambiente político se dividia em dois campos: os que estão conosco e os outros que, certamente, não estando conosco, estão contra nós.

Assim, quem estiver "conosco" pode ser o maior patife, o maior gângster ou o maior canalha que, apesar disso, será acolhido no ninho (deixam de ser piratas para virarem corsários do rei). Estão aí os nomes emblemáticos de Sarney, Maluf, Calheiros, Jáder Barbalho e toda a turma do mensalão.

Essa gente primitiva reduz o mundo, portanto, a duas possibilidades antagônicas: se não é preto, é branco; se não é amigo, é inimigo; se não é crente, é descrente. A rigidez mental os leva a praticar, ao longo da vida, os maiores desatinos, inclusive a tortura e o assassinato em massa. Não possuem qualquer limite. Estão aí para o demonstrar os exemplos do dia a dia. A própria corrupção do governo Lula, com sua frondosa cleptocracia, é uma herança ideológica do stalinismo, conforme se observa na estrutura similar da Rússia atual, ainda marcada pelos hábitos de Stalin.

Não é algo fortuito: é parte de um sistema, de um modo bárbaro de ver e de viver. Nada diferente de Hitler e similares que povoaram a história humana. Quem duvidar se ponha a ler as manifestações de Zé Dirceu, Dilma e de outros asseclas conhecidos que os seguem e defendem.

O propósito deliberado desses liberticidas é implantar nos trópicos uma imitação barata e tardia dos regimes totalitários de outrora. O culto à personalidade, ao estilo stalinista, é apenas a parte visível do processo. Tem o resto.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Cunha fora, fora Dilma! (José Nêumanne)


Quando Eduardo Cunha renunciou, o PT começou a despedir-se do poder de manobra que ainda lhe restava na Câmara dos Deputados provisoriamente entregue ao bizarro vice eventual, Waldir Maranhão. Afinal, este é teleguiado pela excrescência chamada PCdoB, partido de ativistas contra o impeachment mais por chicanas advocatícias do que por votações parlamentares, pois seus causídicos são imaginosos, mas seu eleitorado é escasso, do tamanho da fidelidade às determinações de Enver Hoxha, o último tirano da Europa, que comandou de Tirana, que não se perca pelo nome, a paupérrima e cruel Albânia. Maranhão não sabe, mas em sua gestão Hoxha é Deus e Flávio Dino, seu chefinho maranhense, o profeta. Só que ele próprio teria de ser substituído em pouco tempo por um presidente de verdade, eleito pelos votos dos pares.

A renúncia e o fogo cruzado amigo e inimigo do ex-presidente da Casa abateram o fanfarrão Cara de Cunha e a eleição do chefe da Mesa daquela passou a assemelhar-se a um arrumadinho, servido nas festas juninas de Campina Grande, tantos passaram a ser os ingredientes de sua receita complexa. Ao meio-dia de quarta 13, inscreveram-se para a disputa 17 puxadores do samba-enredo da Escola de Samba Desunidos do Eu Sozinho.

Chegado de Pernambuco, onde anunciara que é candidato a presidente da República em 2018 e que Dilma voltará do ostracismo (nem tanto) do afastamento, Pai Lulinha vislumbrou uma tábua de salvação nas pretensões de Rodrigo Maia (DEM-RJ), filho do ex-brizolista e ex-prefeito do Rio César Maia, além de figura de proa de um partido desmanchado nos anos sob égide petralha. Sem coragem de lançar candidato do desfigurado PT, Lula prometeu descarregar no antigo adversário preferencial os votos da bancada, que lhe presta vassalagem, suficientes para esmigalhar o centrão, guindado ao poder na Câmara por Cunha. E agora com ele expelido.

Só que, numa demonstração de que hoje pode ser que a criatura se imponha sobre o criador, Dilma o desautorizou decidindo com o fígado, órgão de seu corpo que ainda funciona, que o venturoso aliado de última hora foi feroz defensor do impeachment dela. E, então, negou-lhe apoio. A ideia de lançar Marcelo Castro candidato dos anti-impeachment teve a mesma inteligência inspiradora dos imbecis que convenceram a “presidenta” a apoiar Arlindo Chinaglia na disputa inglória que Eduardo Cunha venceu, esmagando no primeiro turno e de uma vez só o insigne e insignificante petista e o anticandidato tucano sem força nem voto.

Depois de uma passagem pelo Ministério da Saúde em que disse torcer para que as mulheres férteis do Brasil contraíssem a zika antes de engravidar, Marcelo Castro cumpriu a sina de bobo de corte deposta. Beneficiado pelo espírito contemporizador do chefão do PMDB que assumiu o Planalto, Michel Temer, ao não expulsá-lo do partido por grave traição, como devia ter feito, o psiquiatra piauiense deixou claro que marcar uma consulta com ele não avaliza o pleno juízo de psicopata nenhum. E, com o mesmo ânimo com que só deixou a pasta do desgoverno que desabou para votar contra o impeachment, partiu encapuzado para o sacrifício como um boi magro migra para o cutelo do marchante cruento.

E lá foi Lula junto para o previsível abate com o inglório exército de Brancaleone contra o impeachment de madama. No primeiro turno Castro teve 70 votos. Somados aos 22 de Luiza Erundina (PSOL-SP) e mais os 16 de Orlando Silva (PCdoB-SP), foram 108, apenas 2 a mais do que os 106 obtidos pelo ex-cunhista Rogério Rosso (PSD-DF) para ir à disputa no turno decisivo. Rodrigo Maia, primeiro candidato que Lula tentou apoiar, teve 120 no primeiro turno. No segundo, 285, que, somados aos 120 de Rosso, tido como candidato do desfalecido cunhismo, somam 405, 38 mais do  que os 367, mais de dois terços dos 513 deputados, que garantiram a continuidade do processo contra Dilma e seu encaminhamento ao julgamento final do Senado. Esta aritmética primária mostra que a situação de Dilma no julgamento final não está melhor agora, como o patrono dela acaba de jurar em Pernambuco.

A presidência da Câmara é muito importante. O vencedor ocupa o cargo durante ausências do vice-presidente em exercício, Michel Temer, em mais uma jabuticaba azeda – essa tolice de presidente brasileiro não governar fora do território nacional, como o fazem governantes de outros países mais relevantes no panorama geopolítico. Mas a contabilidade do impeachment revela mais: a tentativa de protelar seu julgamento final no Senado para as calendas de agosto, quem sabe novembro, com todo o esforço que o inspirador do boneco Petralowski, do grupo Nas Ruas, tem feito, de nada adianta. A lição está aí. É duvidoso que Dilma, Lula e a PT a tenham compreendido. Mas os expoentes do Senado, com assento abaixo da cumbuca oposta, têm obrigação de ver, entender e imitar.

Neste 14 de julho, pois, talvez seja de bom alvitre comemorar o resultado da eleição para a presidência da Câmara. Não apenas por ter representado uma nova derrota na marcha de Lula, Dilma e do PT ao tentarem retomar o poder que não honraram quando permitiram a ocupação da máquina pública por uma organização criminosa cujos tentáculos partidários, burocráticos e políticos exauriram a República, levando-a à mais desavergonhada sordidez ética, à mais grave crise econômica e ao maior caos político da História.

Mas também e principalmente pela capacidade que os poderes republicanos tiveram de sair de uma situação de pulverização inimaginável para encontrar uma saída que preservou um mínimo de integridade institucional. Ainda há uma íngreme subida a escalar com muito peso nas costas e poucas porções de pão ázimo e água doce para galgar das profundezas de pré-sal a que chegou a Nação. Mas o sinal de rearticulação dado a partir da evidência de que a sociedade luta para manter algum pudor e pressionar os encarregados das instituições a evitarem afundar ainda mais no pântano cívico é patente. Até mesmo para um velho pessimista e cínico como este degas aqui. É animador ver uma situação que beirava a total degradação apontar não a luz no fim do túnel, mas a nesga de céu vista por quem olha do poço de muita profundidade. Deus nos acompanhe nesta subida íngreme, neste inóspito inferno a superar, e nos leve à possibilidade de reconstruir tudo do nada a rés do chão.

Agora Cunha está fora do caminho e o povo sem mandato provou que tem força para impor a vontade de mais de 120 milhões de brasileiros: Cunha fora, fora Dilma! Esta é a palavra de ordem neste veranico seco, mas fértil em lições politicas e neste dia em que a civilização comemora o 227º aniversário da Queda da Bastilha. Allons, enfants de la patrie, vamos lá, filhos da pátria.