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sábado, 19 de maio de 2018

Kit passeata (Publicado em OTEMPO, de 17-05-2018)




Talvez seja uma espécie de amarga tradição ou, talvez somente uma infortunada coincidência ou - quem sabe? – uma singela sinalização a respeito do futuro que nos espera.  O fato é que no intervalo de pouco mais que uma geração (1979 e 2018),  professores mineiros foram  recepcionados da mesma maneira pelas forças repressivas em Belo Horizonte: com empurrões e com jatos d’água, em truculenta resposta às suas principais reivindicações.

Professores da educação básica, em geral, pedem três coisas às autoridades de qualquer nível às quais estão subordinadas: condições de trabalho, dinheiro e segurança. Algo absolutamente razoável sob qualquer ponto de vista.


Naquele já longínquo ano de 1979 o governador era Francelino Pereira e Paulino Cícero o Secretário Estadual de Educação (é bom memorizar o nome dos mandões). Pedia-se aumento salarial. Como nos dias que correm, os cofres estavam vazios, alegavam os então Secretários da Fazenda e da Administração. A prefeitura da capital, mera extensão política do Estado, pouco podia fazer para os seus. 

Hoje é diferente. As instâncias locais e regionais possuem competência relativa dentro do pacto federativo. Quanto ao papel desempenhado pela Polícia e Bombeiros militares, sob o comando do governo estadual, naquela época e agora, vale lembrar que só atuam cumprindo ordens, em estrito respeito às normas da disciplina e da hierarquia. Quem, portanto, acionou, à distância, o gatilho dos canhões de água gelada contra homens e mulheres indefesos não foram os policiais; os responsáveis são os dirigentes, portadores da caneta que assinou as ordens.


Nos velhos bons tempos de explícita e corajosa solidariedade, professores da UFMG convocaram greve em apoio aos docentes reprimidos e humilhados da rede estadual. Agora, não se ouviu mais que um silêncio obsequioso ou, no máximo, algum leve rosnado pra dentro, vindo das estruturas educacionais aparelhadas pelo petismo pois, afinal, há importantes interesses que não podem ser comprometidos, caso a corda venha a ser esticada ao ponto de ruptura. 

As boquinhas, conforme diria Garotinho, não podem ser ameaçadas por situações tão banais. Há quem diga que as mestras até apreciaram o banho involuntário.


Na próxima passeata, professoras incorporarão ao kit passeata – composto de bandeiras da CUT, do PT e dos seus puxadinhos, apitos e megafones – um vistoso maiô listrado de preto e branco, em homenagem simultânea ao demiurgo recolhido na cadeia de Curitiba, um sabonete e uma toalha. Tudo acabará, então, como festa em alegre confraternização da companheirada. É pedagógico recuperar as palavras de Lula da Silva ditas aos professores enxovalhados, no calor dos acontecimentos, quatro décadas atrás: “A luta de vocês é de todos os trabalhadores brasileiros”. Agora, não mandou nem um bilhetinho. Carta, então, nem pensar. Seu furor epistolar está voltado para o juiz Moro.

Ai de Bolsonaro se fosse ele, ou algum de seus adeptos ou simpatizantes, os responsáveis pelo covarde canhonaço d’água lançado contra as mestras. O mundo cairia abaixo: machista, sexista e outros adjetivos que tais. Seria o mínimo a se esperar. Vejamos o que outubro próximo nos reserva. 

sexta-feira, 17 de março de 2017

Temer é fraco, diz Dilma

Dona Dilma acusa Temer de ser fraco. Talvez tenha lá uma dose de verdade. Vejamos a questão sindical. Uma das fontes de financiamento da CUT é a Contribuição Sindical. Esta dita Central abocanha algo da ordem de R$50 milhões por ano, fruto da renúncia do governo federal de 50% da parcela que legalmente lhe caberia (60% vai para o sindicato de base, 15% para as federações, 5% para as confederações, e 20% iria para o ministério do Trabalho). 

Qual foi a mágica que Lula fez? O sistema sindical brasileiro é confederativo, segundo a Constituição; não estipula a existência de Centrais Sindicais, somente sindicatos, federações e confederações. Lula simplesmente fez aprovar uma lei prescrevendo que metade daqueles 20% referidos acima, seriam distribuídos entre as Centrais, pois que estas estariam legalmente fora da partilha do montante recolhido (equivalente ao somatório do valor de um dia de trabalho de cada trabalhador em todo o país). 

É essa grana que move as manifestações anti-Temer e anti-reformas. Se Temer fosse mesmo mais corajoso, suspenderia na hora o faz-me-rir da pelegada da CUT, deixando-a a pão e laranja. Arrumava alguém com prerrogativa para questionar a legalidade e constitucionalidade da lei inventada por Lula e, enquanto isso, congelaria os repasses para a CUT e outras, exigindo condicionantes que impedissem ou dificultassem qualquer transferência financeira para elas, as Centrais. 

Em suma, pesar a mão e fazer política, sem medo de ser feliz e de descontentar o verdadeiro exército mercenário dos Stédiles da vida. A mesma coisa deveria ser feita para neutralizar partidos e organizações clandestinos, tipo MST e congêneres. E não esquecer, primordialmente, de cobrar prestação de contas das quais foram isentadas pela atual legislação. 

Mais: se os Sindicatos, as Federações e as Confederações quiserem criar uma associação qualquer às suas custas, nada haverá de impedi-las. O associativismo no Brasil é livre, respeitando-se as leis e, principalmente, a Constituição da República.

    

terça-feira, 7 de março de 2017

As Centrais Sindicais e o financiamento eleitoral

A contribuição sindical – o chamado imposto sindical – equivale à remuneração de um dia de trabalho de cada trabalhador ao longo de um ano. Esse dinheiro é distribuído da seguinte maneira: 60% para o sindicato de base, 15% para a federação sindical à qual o sindicato esteja vinculado, 5% para a confederação respectiva e os restantes 20% vão para o Ministério do Trabalho, destinados a financiar programas governamentais de interesse dos trabalhadores, como era o caso do Sistema Nacional do Emprego – o SINE.
A Constituição federal, ao estabelecer que a organização trabalhista fosse confederativa, não previu a existência de Centrais Sindicais. As que foram criadas não possuem, portanto, base legal para justificar sua participação na montanha de dinheiro recolhida anualmente de todos os trabalhadores, quer estes fossem, ou não, afiliados a algum sindicato. Tais Centrais são, de fato, máquinas políticas partidárias que utilizam seus recursos para, simplesmente, financiar campanhas eleitorais nos pleitos regulares, em especial, aqueles destinados a eleger pretendentes a cargos executivos (prefeitos, governadores e presidente da república).
Para sustentar as ditas centrais o governo Lula abriu mão de metade da parcela (20%), a que teria direito. Repassou para aquelas entidades o equivalente a dez pontos de percentagem do bolo financeiro global já referido. A título de exemplo, a CUT recebe algo da ordem de R$50 milhões por ano, segundo estimativas conservadoras de alguns estudiosos. Se a tal montante for adicionada parcela do que recebem os sindicatos, as federações e confederações vinculadas à CUT, o total ficará próximo e, até mesmo, superior às contribuições do esquema Odebrecht voltado para as eleições presidenciais do PT. E tudo com uma vantagem inegável: o caixa sindical é imune a qualquer auditoria ou prestação de contas, por incrível que possa parecer. Em quatro anos o volume da grana chegaria a R$200 milhões de reais. Estes valores jamais entraram na contabilidade financeira das campanhas petistas. Ou alguém duvida que a CUT e seu esquema não fazem outra coisa que não mera campanha eleitoral, servindo como um dos braços fortes de mobilização urbana do petismo (junto com o MST, este, armado, e atuando junto ao campesinato)?

Se o governo pretende fazer reformas estruturantes, a primeira a ser feita seria a sindical. Tal decisão serviria para, pelo menos, tirar oxigênio da tigrada, e tornar a vida dessas organizações mais transparentes e menos corruptas.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Partido do "fora Temer" (Estadão)

O partido do “Fora Temer” é uma agremiação inventada pelos oportunistas do PT para congregar todos aqueles que, como consequência do impeachment da presidente Dilma Rousseff, ou perderam a boquinha de que desfrutavam no governo federal ou precisam desesperadamente de uma boia política, por mais furada que seja, para sobreviver ao naufrágio petista.

No primeiro time estão os grupelhos que, apresentando-se como “movimentos sociais”, recebiam fartas verbas públicas para fazer a defesa violenta do governo petista. Destacam-se, nessa turma, o notório Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e seu subproduto urbano, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). São eles que, junto com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), estão na vanguarda das manifestações que vêm infernizando a vida dos brasileiros a título de exigir a saída do presidente Michel Temer.

No segundo grupo aparecem os políticos petistas que, aflitos, temiam ficar sem discurso na campanha eleitoral, já que o PT, antes um trunfo eleitoral, se tornou um fardo. As pesquisas de intenção de voto mostram esse peso morto: os candidatos petistas perdem em quase todas as cidades importantes, e de maneira acachapante. Além das agruras de Haddad em São Paulo, a tigrada está em maus lençóis em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro, no Recife e até mesmo em Porto Alegre, seu tradicional reduto.

Isso explica por que, de uma hora para outra, a campanha de Haddad deixou de lado qualquer discussão séria sobre a cidade que ele administra de forma tão amadora e passou a vincular os adversários do prefeito ao tal “golpe” que os petistas vivem a denunciar. Foi Lula, em recente comício com seu afilhado, quem deu a senha: “O Doria, a Marta e o Russomanno representam exatamente aqueles parlamentares que deram o golpe na Dilma”. Tanto Lula como Haddad estavam usando no paletó um adesivo em que se lia “Fora Temer, Fica Haddad” – sem nenhuma menção ao PT.

Assim, o “Fora Temer” foi formalizado como o “partido” dessa turma, inclusive no material de campanha. Mas, como tudo o que envolve Lula e seus sequazes, o “Fora Temer” é apenas uma palavra de ordem. É um grito vazio, irresponsável, antidemocrático. Se a reivindicação desse pessoal fosse o retorno de Dilma Rousseff à Presidência, ainda haveria nisso alguma dose de racionalidade política. Mas nem os próprios petistas – Lula à frente – querem saber de Dilma, cuja desastrosa gestão foi em parte responsável pela formidável debacle do PT.

A reivindicação de que Michel Temer deixe o governo, sem mais nem menos, e que se convoquem novas eleições diretas para presidente, sabe-se lá com base em que legislação, somente se presta a fornecer aos petistas algum discurso que lhes permita evitar a discussão de temas mais constrangedores, como a corrupção envolvendo vários de seus principais dirigentes e o amadorismo gerencial de Haddad, Dilma e outros pupilos de Lula. Felizmente, a despeito do apoio que o partido do “Fora Temer” conseguiu amealhar entre alguns incautos, parece claro que a essa associação de intrujões está reservado, nas urnas, o profundo desprezo da maioria dos brasileiros.

 





sexta-feira, 22 de abril de 2016

Tiradentes


A Conjuração Mineira é comemorada em todo dia 21 de abril. Alguns, de maneira equivocada, chamam a rebelião comandada por Tiradentes de "Inconfidência Mineira". É um erro. Inconfidência é coisa de traidores, aqueles que conspiravam contra os portugueses, na visão destes. Chamar o alferes de inconfidente é chancelar a versão oficial, de que os conjurados eram pessoas não confiáveis, da mesma forma que o eram os "subversivos" durante o regime militar. Assim, a denominação correta é a de CONJURADOS, não de inconfidentes

Em Ouro Preto realizavam-se, todos os anos, manifestações contrárias às festividades oficiais, tudo sob o comando do PT e seus mirmídones, notadamente dirigentes sindicais da CUT. Um desses dirigentes, ao que parece, marceneiro, alguns anos depois foi envolvido em caso sórdido e mal explicado em que o mesmo acabou sodomizado (por não se sabe por quem); o valente gostava de comandar a baderna fazendo bunda-lelê para gozo próprio e gáudio dos presentes. Abaixava as calças e mostrava o traseiro nu, todo sacolejante, para a população à sua frente. Era o momento alto dos protestos do PT. 

Os petistas continuam, ainda, se valendo das metáforas anais. Cantaram loas e homenagens várias a um bando de bundões que compareceu à outrora cívica e recatada festa de Ouro Preto. A praça Tiradentes foi ocupada por centenas de alguns ditos camponeses. Estranho. Quem vive de trabalhar a terra não pode ficar muito tempo longe de suas lavouras e criações. Só no Brasil isso é possível. Suspeita-se que, de fato, havia ali apenas uma inocente massa de manobra, tangida a mortadela e tubaína, remunerada na base de alguns caraminguás provindos dos cofres públicos, para procederem a marchas e encenações coreografadas pelos Stédiles da vida.  

domingo, 23 de agosto de 2015

Onde está o Ministério Público?

O chefe da CUT - uma das alas do braço armado do PT, juntamente com o MST - declarou em convescote, dentro do palácio do Planalto que: 


“Nós somos trabalhadores. Somos defensores da unidade nacional. Isso implica ir para as ruas entrincheirados, de armas na mão, se deitar e lutar, se tentarem tirar a presidente. Nós seremos o exército que vamos enfrentar essa burguesia".


Frente à má repercussão, ensaiou um recuo. Afinal, não ficaria bem reconhecer a similaridade de conduta da turma com as SS nazistas (tropas de assalto do Partido dos Trabalhadores Alemães).

Pelego profissional, o tal rapaz só cumpriu o velho ritual, obrigatório para quem caga fora do pinico: recolheu a bosta. A defesa acintosa de atos terroristas - como se depreende de suas palavras - deveria ser analisada à luz da lei de segurança nacional, ainda em vigor. Onde está o MP?

quinta-feira, 23 de julho de 2015

A Lava Jato e o dinheiro dos trabalhadores

Um dos relatórios da Polícia Federal a respeito da Lava Jato descreve parte do processo de construção de sondas para exploração de petróleo em alto mar:

"Os contratos foram fechados pela Sete Brasil – empresa criada pela Petrobrás, com fundos e bancos – para 29 equipamentos, pelo valor total de US$ 25,5 bilhões, a partir de 2011. 
A Sete foi constituída pelas empresas FI-FGTS, Petrus, Previ, Funcef, Valia, Santander, Bradesco, BTG Pactual, EIG Global Energy Partners, Lakeshore e Luce Venture Capital".

Pois bem. Quem responderá pelas perdas do dinheiro dos trabalhadores em geral (retirado do FGTS), dos petroleiros (Petrus), bancários do Banco do Brasil (Previ), dos bancários da Caixa Econômica Federal (Funcef), e dos trabalhadores da Vale do Rio Doce (VALIA)? A aposentadoria de milhares dos participantes destes fundos de pensão estará ameaçada como, aliás, já se concretizou com o fundo de pensão do pessoal dos Correios - o POSTALIS. 

A verdadeira sopa de letrinhas - conforme se vê acima - dos "parceiros" nas negociatas pode esconder o fundamental: a perversa aliança - ou bloco de poder - entre sindicalistas, fundos de pensão, banqueiros nacionais e internacionais, além dos notórios empreiteiros, para submeter o Brasil a uma nova ordem política. Importante destacar a participação da CUT nesse processo de saqueio que não tem paralelo no mundo civilizado.

A teia de cumplicidades é absurdamente diversificada. Ela se manifesta também nas denominadas Sociedades de Propósito Específico (SPE), formalizadas através da constituição de blocos de controle de empreendimentos, bem como pelo cruzamento de participação acionária entre as variadas famiglias mafiosas.    


A operação Lava Jato, ao que parece, está apenas tornando visível o que muitos já desconfiavam. As multinacionais brasileiras - a Petrobrás e a Odebrecht, por exemplo - atuam predatoriamente, sem fé, sem lei e sem rei, tal como as antigas Sete Irmãs (Shell, Esso etc.). Suas parcerias com os saqueadores do PT tem algo de natural. No fundo, no fundo, o DNA é o mesmo.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Acidente na refinaria baiana da Petrobrás

Notícias recentes dão conta de mais um acidente em instalações da Petrobrás, dessa vez na Refinaria Landulfo Alves. A curiosidade a respeito é a vitimização de três trabalhadores terceirizados envolvidos em manutenção dos equipamentos daquela empresa. Um deles teve 70% do corpo queimado. Como uma atividade tão importante - a de manutenção - notadamente numa unidade industrial extremamente sensível, que processa combustível e outros componentes perigosos, fica entregue a terceirizados? 

A pelegada da FUP e da CUT certamente passará batida; o Ministério Público do Trabalho também. Provavelmente nenhum dos seus dirigentes sindicais levantará a voz para questionar o acontecido. Causará espanto se o fizer. Manutenção é setor crítico com atuação permanente. Deveria ser feita apenas por gente especializada dos quadros da Petrobrás. Infelizmente a imprensa não divulga o nome da empresa contratada para prestar o serviço de manutenção; nem o quanto ela ganha no seu contrato; nem o quanto ela paga às pessoas contratadas para servirem à Petrobrás. Pelo padrão observado em outros contratos no caso petrolão, alguém deve estar mamando.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

CUT, a amiga dos banqueiros

A imprensa noticia que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) vai tentar espalhar que Marina vai governar a favor dos bancos. A pelegada acha que o país se esqueceu da primeira emenda constitucional patrocinada por Lula da Silva, no início de 2003, logo após sua posse (a famosa EC-40). A memória deles é fraca, porém há gente que se lembra muito bem. Para atender aos companheiros banqueiros, Lula mandou o PT suprimir o parágrafo 3º do inciso VIII, constante do artigo 192 da Constituição Federal (a bem da precisão, ficou apenas o caput, ligeiramente alterado). Aliás, nunca é demais lembrar que o PT (capitaneado por Lula) votou contra o projeto final e recusou-se a assinar a Constituição, tal como aprovada em outubro de 1988. 

Para evitar qualquer dúvida, segue abaixo o importante trecho do artigo supra referido, no seu inciso VIII, afastado da ordem constitucional brasileira em maio de 2003:

"Parágrafo 3º - As taxas de juros reais, nelas incluídas comissões e quaisquer outras remunerações direta ou indiretamente referidas à concessão de crédito, não poderão ser superiores a doze por cento ao ano; a cobrança acima deste limite será conceituada como crime de usura, punido, em todas as suas modalidades, nos termos que a lei determinar." 

Os banqueiros se regozijaram. Estava livre o caminho para a cobrança de juros estratosféricos, como os cobrados em operações de crédito direto ao consumidor, cartões de crédito e cheque especial, que chegam a alcançar 150% ao ano. À época da alteração, houve a ruptura de Brizola com Lula, motivada por essa emenda. Brizola viu na medida tomada uma rendição à banca internacional. Não por acaso, os lucros do sistema financeiro alcançaram, durante o governo Lula e Dilma, níveis estelares. O PDT foi, então, para a oposição; só voltou ao colo de Lula depois que o velho caudilho faleceu. Mas aí não era mais o PDT. Era tão somente um amontoado de picaretas sob a chefia de um aventureiro inescrupuloso. 

A canalha cutista e petista, no entanto, se arvora em defensora do povo contra a volúpia dos bancos. E nem pedem desculpas por terem - no início de 2003 - nomeado Henrique Meireles, ex-presidente do BankBoston, para dirigir o Banco Central brasileiro. Meireles, além de banqueiro internacional, tinha sido eleito deputado federal pelo PSDB de Goiás. Nem tomou posse do mandato. Renunciou e foi cumprir as ordens que o grande capital estabelecera para enquadrar Lula e seu séquito de vigaristas. 

Em vista de tais fatos cabe indagar: quem é mesmo a amiga dos banqueiros? Quem subordinou a política brasileira aos ditames dos grandes financistas internacionais? Dona Dilma e sua turma deveriam ter um pouquinho mais de vergonha na cara.     

Sindicatos de caras de pau

A pelegada do PT e Cia começa a botar as asinhas de fora. Estão homiziados principalmente na CUT mas, também, em outras centrais amigas. O bando de cafajestes passou agora a se devotar a ataques injustos a Marina Silva. Parasitas profissionais a serviço do petismo - recebem sem trabalhar para ficar de plantão na defesa de suas boquinhas - não se envergonham de nenhuma indignidade. São capazes de tudo. 

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) teve a coragem de questionar Marina a respeito dos seus posicionamentos sobre a atuação da Petrobrás, a mãe de todas as corrupções. Dos canos da empresa jorra petróleo, é verdade, mas o maior volume que ela expele, de fato, é de lama fétida, a lama do petrolão. Quando os inumeráveis casos de roubalheira envolvendo a cúpula petroleira vieram à luz, não se viu qualquer manifestação dos pelegos da FUP contra o saqueio efetuado. Silêncio. Silêncio absoluto. Silêncio cúmplice e vergonhoso coonestando a bandidagem dos companheiros amigos. 

De um certo ponto de vista essa gente que defende a ladroagem governista tem razão. A Petrobrás é deles; engana-se quem julgar o contrário, pois ela já foi privatizada há muito tempo: A Petrobrás é uma empresa dos funcionários da Petrobrás. Sabem os pelegos petroleiros que ao se repartir o butim, uma parte substanciosa do numerário fica nos seus bolsos. O povo brasileiro que se dane. E pague a conta, logicamente, sem mugir nem tugir. 

Até uma criatura tosca como Severino Cavalcanti - aquele vulgar achacador de dono de lanchonete que presidiu a Câmara dos Deputados - percebeu o tamanho da bocada. O ex-deputado queria, porque queria, indicar alguém de sua confiança para "aquela diretoria que fura poço". Gatuno primitivo, Severino percebeu no entanto, por onde passava o trilho que o levaria à independência e riqueza futuras. A mãe de todas as corrupções lá estava, pronta para se deixar esquartejar, a um comando de Lula ou Dilma.

Severino, por bronco essencial, não desconfiou que a tal diretoria que fura poço (e as outras também), já tinham donos. Dona Dilma estava a postos - na presidência do Conselho de Administração da Petrobrás -  para garantir o bom andamento dos negócios e, claro, das negociatas, conforme a imprensa vem constatando e divulgando. Feroz como Cérbero, o cão de guarda do inferno, dona Dilma rosnava, no tom de costume, para espantar qualquer outro aventureiro que tentasse meter a mão no soutien da comadre. A preferência no enricar, lógico, era de Lula, o senhor e controlador dos caminhos. 

Alguém ouviu o mais leve muxoxo da pelegada em defesa da Petrobrás? Nada de nada, nadica mesmo! A matilha de cães vai, no entanto, fiel ao espírito cínico, latir para Marina Silva, que ameaça acabar com a farra da corja, caso ganhe as eleições presidenciais. 

Outro caso de pelegagem explícita se dá com os sindicatos de bancários afiliados à CUT. Em Belo Horizonte, a pretexto de campanha salarial, afixaram nas paredes externas do Banco Itaú, e somente nele, ofensas aos acionistas majoritários - a família Setúbal - que teriam demitido alguns funcionários. Pretendem, de fato, com tal referência explícita, atingir politicamente Marina Silva, pelos vínculos de amizade desta com Neca Setúbal. Os garbosos defensores dos eventuais demitidos, entretanto, não se manifestaram, em nenhum momento, quando o Banco Santander mandou para a rua, por solicitação de ninguém mais, ninguém menos, que Lula da Silva, gente que criticou a política econômica do governo. Inacreditável que Lula - de todos os pelegos e picaretas, o mais pelego e picareta de todos - teve a ousadia de pedir a um patrão que demitisse um trabalhador, violência inominável agravada pela torpeza da motivação.

Pois, então, é gente desse tipo descrito acima que está questionando Marina Silva. Por ocasião do saqueio do Banco do Brasil (de onde a turma petista se locupletava junto com Marcos Valério), e da Caixa Econômica Federal, a pelegada parasitária da CUT também ficou no mais obsequioso dos silêncios. Para refrescar a memória, o mensalão que levou a cúpula do PT para a prisão, e a compra pela Caixa do falido banco de Silvio Santos - o Panamericano - não mereceram a mais leve censura por parte dos parasitas profissionais da CUT. Mas eles se querem juízes das propostas de governo de Marina Silva. 

A esperança dos que anseiam por uma limpeza, em regra, dessas estruturas sindicais carcomidas, começa com a obrigatoriedade da pelegada fazer prestação de contas dos recursos que recebem do governo. Esse é o temor que os anima a defender dona Dilma com unhas e dentes. Temor de que seus indefensáveis privilégios - principalmente o de não terem seus gastos auditados pelo Tribunal de Contas da União - venham a ser extintos.

Com dona Dilma no governo, a gatunagem sindical continuará, igualmente, assim como se dá com todas as outras empresas públicas, em especial com a Petrobrás, a mãe de todas as corrupções. Mais que cúmplices, eles são sócios que compreendem muito bem a natureza dos seus negócios pecuniários.