Mostrando postagens com marcador fundos de pensão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fundos de pensão. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Acidente em Brumadinho

A mineradora Vale protagonizou, há algumas horas, mais um grave acidente ambiental, agora em Brumadinho, município da região metropolitana de Belo Horizonte. O rompimento de uma barragem de rejeitos minerários em tudo lembra aquele ocorrido no município de Mariana, considerado até agora o mais grave acidente ambiental do Brasil. A contaminação do rio São Francisco projeta, para as populações a jusante, impactos da maior significação. Vão se tornando tragédia acidentes que afetam duas das maiores bacias hidrográficas do Brasil.

Talvez tenha chegado a hora de convocar os acionistas da Vale a uma participação mais efetiva na resolução de crises provocadas pela empresa, consoante a responsabilidade objetiva que possuem, e da qual parecem querer se esconder. Cabe lembrar aqui que o controle acionário da Vale pertence aos notórios fundos de pensão das estatais. Se a satisfação dos acionistas é uma da pedras de toque do mundo empresarial, aos bônus deve corresponder, por outro lado, os simétricos ônus. 

Mais que nunca, urgem respostas para o povo brasileiro. Uma delas seria erigir um Museu dos Acidentes. Para que nunca sejam esquecidos aqueles que deixaram sua marca funesta nas pessoas e no meio ambiente. Um marco, um símbolo permanente dos danos sofridos pelo país. Talvez isso ajude a todos, no futuro, servindo de alerta e de orientação sobre os rumos a seguir. 

terça-feira, 6 de setembro de 2016

A propaganda governamental é o mensalão da imprensa (Mário Sabino, em O Antagonista)


Hoje, finalmente, começou a ser desbaratado o esquema que PT e PMDB operavam nos fundos de pensão de Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Correios. Uma ninharia estimada em 50 bilhões de reais. Enquanto a massinha de manobra da esquerda brasileira barbariza nas ruas contra o "golpe" do impeachment, a PF e a Justiça golpeiam a esquerda brasileira e os seus acólitos dentro dos limites da Constituição.

Aparelhados pela companheirada, os fundos de pensão dessas estatais igualmente aparelhadas entraram como sócios de negócios feitos sob medida para perder dinheiro dos trabalhadores e enriquecer a malandragem campeã nacional. O esquema esteve à nossa frente durante pelo menos dez anos, mas contou com o silêncio cúmplice da maioria das empresas jornalísticas, receosas de perder a verba publicitária controlada pelos criminosos.

Tal é o meu ponto: o escândalo dos fundos de pensão deveria levar à extirpação completa da excrescência chamada propaganda governamental. A pretexto de divulgar as suas realizações, ministérios, secretarias e estatais -- federais, estaduais ou municipais -- gastam bilhões de reais a cada ano para comprar consciências, promover políticos e partidos e encher as burras de agências de publicidade e comunicação que superfaturam contratos e repassam parte da grana para os encarregados de liberar a verba. Não há um país civilizado que desperdice tamanho volume de recursos dessa maneira.

A proibição de propaganda oficial em todos os níveis, além de economizar recursos e diminuir o grau de corrupção, fortaleceria a liberdade de imprensa. Sem a droga financeira administrada pelos governos, jornais e emissoras ficariam mais pobres, porém mais limpinhos. Mais limpinhos, não fariam vista grossa para um escândalo como o dos fundos de pensão das estatais. Ah, mas o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal ficariam em desvantagem na competição com outros bancos que vivem anunciando e patrocinando. E quem precisa do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal? Vamos privatizá-los, assim como foram privatizados ou simplesmente extintos os bancos estaduais. Adiante: quem precisa da estatal Petrobras? Quem precisa da estatal Correios? Gente honesta não precisa.

A propaganda governamental é o mensalão da imprensa. É imperioso acabar com ele.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Vale do Rio Doce e os fundos de pensão


A mineradora Vale do Rio Doce não gosta do rio Doce. Tanto é assim que renegou o nome do glorioso rio para ser chamada simplesmente de VALE. Reconhecida como uma das maiores multinacionais do planeta, a empresa não pretende ser associada a tão provinciano recanto onde nasceu e se constituiu. Tal vínculo poderia implicar na consideração de eventuais responsabilidades para com toda a região do vale do rio Doce, onde moram milhares de pessoas em dezenas de municípios.

Controlada pelos principais fundos de pensão das estatais (Previ, Funcef, Petrus) em sintonia com o Bradesco (este o maior acionista individual, com 20% do capital votante, que indica o presidente da companhia), a Vale do Rio Doce é uma das joias da coroa do império empresarial sob a tutela do PT. Talvez por isso o silêncio das entidades sindicais, dos movimentos sociais, das Pastorais e outros a respeito das responsabilidades e das soluções para a crise gerada pelo espantoso acidente ambiental deflagrado em Mariana. 

A companheirada está numa sinuca de bico. Os donos do negócio, e é esta a grande questão prática, ainda serão chamados à responsabilidade para pagar o custo financeiro do momentoso acidente. E quem são os donos da mineradora Vale? A resposta já foi dada acima: os fundos de pensão controlados pelo PT e seu braço sindical. Os mesmos fundos, aliás, enrolados com inúmeras trapaças do petrolão e, possivelmente, outras que ainda não vieram à luz. A Lava Jato, e a imprensa, a cada dia que passa trazem uma novidade. 

O setor elétrico mostrou apenas a ponta do iceberg, com a Eletronuclear. Os fatos, essa a verdade, é que onde há empreiteiras, rodovias, geração de energia e mineração, estarão também os fundos de pensão. Conforme disse o ministro Gilmar Mendes, puxa-se uma pena e vem uma galinha, puxa-se uma galinha e vem o galinheiro inteiro.

A situação tornou-se complicada pelo fato dos rendimentos derivados das atividades econômicas da Vale servirem para o pagamento das aposentadorias e pensões dos associados à Previ (Banco do Brasil), Funcef (Caixa Econômica Federal), Petrus (Petrobrás), e outros. Anatomia institucional (e tem que ser anatomia patológica), sugere que se está frente a uma poderosa e complexa teia de interesses, que se derrama sobre outras empresas direta ou indiretamente controladas pelos múltiplos parceiros. 

Basta conferir as inumeráveis Empresas de Propósito Específico - EPE - no portfólio desses gigantes. Veja-se, para ficar num só exemplo das cumplicidades, que o presidente da Vale ocupava, até recentemente, a presidência do Conselho de Administração da Petrobrás. Com as bênçãos dos mandarins dos fundos de pensão, executivos profissionais saem daqui pra ali, e dali pra aqui, numa busca frenética de bem servirem a quem os nomeou. 

Os acionistas, claro, querem resultados financeiros polpudos, pouco se lixando para problemas ambientais e sociais que possam surgir. É nessa lógica que se inserem os eventos de Mariana e do rio Doce. O diabo é que a conjuntura do país não se mostra favorável aos negócios ligados à infraestrutura (mineração, estradas, energia, etc.). 

Os fundos de pensão controlados pelos petistas, alguns já debilitados em função das falcatruas e outras estripulias, recentes e passadas, tentarão jogar as culpas em alguma entidade estrangeira. Dificilmente conseguirão êxito. A única ajuda com a qual os fundos poderão contar está nos governos - federal e estadual - ambos do PT, ao qual estão umbilicalmente vinculados. 

Os moradores e municípios que foram lesados devem ficar atentos com qualquer proposta que provenha quer do governo estadual, quer do federal. Tais governos tudo farão para proteger os fundos de pensão que seus iguais controlam. A desconfiança prévia é medida de alta sabedoria.   


  

quinta-feira, 23 de julho de 2015

A Lava Jato e o dinheiro dos trabalhadores

Um dos relatórios da Polícia Federal a respeito da Lava Jato descreve parte do processo de construção de sondas para exploração de petróleo em alto mar:

"Os contratos foram fechados pela Sete Brasil – empresa criada pela Petrobrás, com fundos e bancos – para 29 equipamentos, pelo valor total de US$ 25,5 bilhões, a partir de 2011. 
A Sete foi constituída pelas empresas FI-FGTS, Petrus, Previ, Funcef, Valia, Santander, Bradesco, BTG Pactual, EIG Global Energy Partners, Lakeshore e Luce Venture Capital".

Pois bem. Quem responderá pelas perdas do dinheiro dos trabalhadores em geral (retirado do FGTS), dos petroleiros (Petrus), bancários do Banco do Brasil (Previ), dos bancários da Caixa Econômica Federal (Funcef), e dos trabalhadores da Vale do Rio Doce (VALIA)? A aposentadoria de milhares dos participantes destes fundos de pensão estará ameaçada como, aliás, já se concretizou com o fundo de pensão do pessoal dos Correios - o POSTALIS. 

A verdadeira sopa de letrinhas - conforme se vê acima - dos "parceiros" nas negociatas pode esconder o fundamental: a perversa aliança - ou bloco de poder - entre sindicalistas, fundos de pensão, banqueiros nacionais e internacionais, além dos notórios empreiteiros, para submeter o Brasil a uma nova ordem política. Importante destacar a participação da CUT nesse processo de saqueio que não tem paralelo no mundo civilizado.

A teia de cumplicidades é absurdamente diversificada. Ela se manifesta também nas denominadas Sociedades de Propósito Específico (SPE), formalizadas através da constituição de blocos de controle de empreendimentos, bem como pelo cruzamento de participação acionária entre as variadas famiglias mafiosas.    


A operação Lava Jato, ao que parece, está apenas tornando visível o que muitos já desconfiavam. As multinacionais brasileiras - a Petrobrás e a Odebrecht, por exemplo - atuam predatoriamente, sem fé, sem lei e sem rei, tal como as antigas Sete Irmãs (Shell, Esso etc.). Suas parcerias com os saqueadores do PT tem algo de natural. No fundo, no fundo, o DNA é o mesmo.