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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Ética fugiu de Belo Horizonte


Nas grandes manifestações realizadas em Belo Horizonte contra o petismo e seus epígonos, pairava no ar o espírito da ética e do desejo de limpar as estrebarias da política local e nacional, verdadeiro trabalho de Hércules a ser encetado pelos eleitores e pelos cidadãos.

O frescor de tais desejos, no entanto, apodreceu mais rápido do que se imaginava. Parcela expressiva dos moradores de Belo Horizonte parece querer, hoje, ser governada por um prefeito candidato a ocupar, brevemente, uma cela na Penitenciária Nelson Hungria, uma espécie de Papuda, que já hospeda clientes egressos do abominável mensalão.

Intelectuais, professores, artistas e outros nomes do saber, no entanto, quedam-se em silêncio cúmplice, numa apoio tácito a Kalil, o parvenu sem escrúpulos, pretendente ao cargo de prefeito da capital mineira. Seria demasia pedir que relessem “O 18 Brumário de Luiz Bonaparte”, obra prima na qual Marx analisa a conduta de outro famoso aventureiro? Onde estão as assanhadas manifestações acadêmicas outrora tão rápidas e contundentes contra tudo e contra todos? Ah, sim, os defensores da moral e dos bons costumes estão preocupados, muito preocupados, claro, com a legalidade e legitimidade do impeachment de dona Dilma. O governo da cidade onde vivem não lhes diz respeito. 

Qual a importância ética da vitória de Kalil, o empreiteiro mais enrolado que fumo de rolo, poder-se-ia indagar. Entre um homem honesto e decente (João Leite) ou um Kalil, a elite pensante de Belo Horizonte parece que preferiu um ladrão debochado. 

Tal escolha não é surpreendente. Novidade antropológica seria o contrário dessa que fazem . Em tempos há muito idos e vividos, Anás, Caifás, o Sinédrio e seus acólitos escolheram Barrabás. Sim: "queremos Barrabás", consta no Evangelho, na primeira e trágica eleição direta da história.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Os amigos de Kalil


A Polícia Federal deflagrou mais uma etapa da operação Acrônimo, que investiga as patifarias do governador Pimentel (do PT). Newton Cardoso, tão mal falado, perto de tais escroques não passaria de um reles punguista. Neste 21 de outubro de 2016, a Federal foi bater às portas das empreiteiras EGESA Engenharia, ECB - Empresa Construtora do Brasil e a CAMTER Construções e Empreendimentos, todos amigos e colegas de ofício de Kalil, o empreiteiro enrolado (quase que um pleonasmo), que pretende ser prefeito de Belo Horizonte, cidade à qual deve milhares de reais de impostos sonegados. 

Neste ambiente que só "me causa repugnância", como diz o verso célebre de Augusto dos Anjos, repete-se a velha história: puxa-se uma pena, vem uma galinha; puxa-se uma galinha, vem o galinheiro todo. É gente desse quilate que opera a todo vapor para ganhar a eleição na capital mineira. Chegam a babar como cachorro louco, imaginando o tamanho do cofrão da prefeitura que ficará sob sua guarda e tutela.   


Suruba em Belo Horizonte


Para alegria dos incautos, há formidável suruba em curso na capital mineira. Mas não é aquela saudável esbórnia dionisíaca quando todos se apresentam nus no grande salão festivo. A síntese é: ninguém é de ninguém e cada um é de todo mundo. Tem homens magros e mulheres gordas, bem como o contrário; anões bem dotados, pederastas machões uns, afeminados, outros; velhos desdentados e mulheres lascivas além de cabritas, jumentas, nabos e cenouras; todos os tipos, enfim, de criaturas do mundo animal e vegetal passíveis de usos alternativos. Pasolini morreria de inveja de tal sordidez burguesa.

Em Belo Horizonte, ao contrário da depravação original, a suruba possui outra natureza. Agora, ela é política e eleitoral. Anões, quando aparecem no cenário, somente os de baixa estatura moral. Empreiteiros, sim, têm posições e ações destacadas frente à maioria dos presentes. Corruptos encanecidos, desmascarados pelas investigações da operação Lava-Jato, postam-se como guardiões do mais lídimo interesse público. Partidários de Marina Silva, arauta da nova política, ambientalistas decrépitos, e esquerdistas analfabetos, à procura de alguém que lhes dê as palavras de ordem a serem seguidas, no mais puro centralismo democrático à moda de Stálin, se irmanam na expectativa de obtenção de uma boquinha na máquina administrativa da prefeitura em disputa. 

Somente o fascínio pelo grotesco pode explicar o apoio eleitoral que Kalil vem obtendo. Dado a calotes e outras velhacarias, o pretendente a prefeito desfila em seu anacrônico triunfo, qual Heliogábulo, mostrando a bunda ao populacho, não numa biga, mas em fálicas motocicletas cinematográficas, que fazem reluzir sua potência ou, melhor dizendo, a real e oculta impotência. 

Kalil representa a parte doentia de Belo Horizonte, a oposição fake comandada pelo empreiteiro falido, similar a todos os outros empreiteiros congêneres. Quebrar qualquer sentido de eventual confiança do eleitorado nele é a missão do candidato verdadeiramente de oposição.   

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Salário baixo, mas muito amor e carinho


Com a barra meio pesada para seu lado, o empreiteiro Kalil - candidato a prefeito de Belo Horizonte - resolveu pegar uma carona na insatisfação popular. Homem tinhoso, Kalil percebeu que ele e seus colegas de ofício estavam com a batata já bem assada. Os escândalos que se sucedem aos borbotões desnudam a realidade do mundo dos empreiteiros. O mais limpo tem sarna, ou lepra, para lançar mão de conceito do próprio empreiteiro falastrão. 

Desocupado, resolveu dar uma de flaneur: andar pela capital mineira para conhecer o modo de vida dos pobres. 

Surpreendeu-se ao saber que o povão vive uma vida pior que a de cachorro. Sua mente um tanto desequilibrada expeliu, então, aquilo que se tornou o centro de seu plano de governo: dar muito carinho aos cidadãos. Parece inspirado naqueles antigos bolerões, também conhecidos como músicas de corno, imortalizadas por Nelson Gonçalves. Uma piada, dificilmente involuntária, em vista do que o empreiteiro de férias já deu a conhecer em outras oportunidades. 

Para os funcionários da prefeitura acrescentou o amor no atacado ao carinho prometido no varejo. Salário que é bom, nada! Para demonstrar os afetos dos quais se diz possuído, passou a circular de camisa cor de rosa, sugestão que deve ter recebido, e acatado, pelo visto, do Mário Jacaré, epígono do notório "Movimento do Machão Mineiro". 

De todas as bizarrices de Kalil, a mais estranha é sua reconhecida ignorância a respeito das condições de vida da população, tendo sido ele dirigente de um dos mais populares clubes de futebol do país. Desfilando pelas ruas em suas motocicletas cinematográficas, nunca antes tinha visto os pobres de perto. Agora, Kalil sabe como é tal personagem, sua majestade, o pobre. 

Seus amigos e aliados do PT transferiram a ele a mesma conversa fiada que Collor inaugurou e Dilma consolidou: o pobre é nosso; o pobre precisa de carinho; o pobre necessita de devoção. O homem certo para amar o pobre é Pai Kalil da Empreita Malandra. Pai Kalil e Mãe Dilmão, esse casal teratológico saído das páginas do livro dos seres imaginários.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Dória e Kalil: empresário e empreiteiro


Em determinadas circunstâncias históricas, quando se conjugam crises espiritual, política, econômica e social, aparecem aventureiros e inovadores buscando ocupar o proscênio conturbado. É o campo perfeito para aqueles que se dizem portadores da boa nova, com uma abordagem em tudo diferente de "tudo isso que está aí". Nestas eleições municipais, como não poderia deixar de ser, pululam os candidatos a prefeito que, enchendo as bochechas, não se cansam de se apresentar travestidos da roupagem do "novo". Alguns, provavelmente o são; outros, ao contrário, não passam de barrocas imitações; parecem, mas não são.

João Dória, prefeito eleito de São Paulo, é um empresário de verdade que expressou em sua campanha o compromisso com valores caros ao mundo contemporâneo. Tudo que disse e prometeu estava alicerçado numa história pessoal e empresarial coerentes com suas pregações. 

Elias Kalil, candidato e prefeito de Belo Horizonte, ao contrário do paulista, escolheu o nicho da antipolítica no seu aspecto mais primário, brandindo toscamente bordão de ódio e desprezo aos políticos em geral: "chega de político; agora é Kalil". Kalil, diferentemente de Dória, não é empresário. Ele é, apenas, mais um daqueles seus iguais que emporcalharam a vida nacional - os Odebrecht, os Andrade Gutierrez, os Camargos Correias etc. - para ficar apenas nos mais notórios, sem esquecer outros tantos empreiteiros que pululam em todo o país, de diferentes tamanhos e propósitos negociais, todos porém em íntima associação de natureza oligopólica. Cada macaco em seu galho, e todos juntos e irmanados beliscam sua parte no butim. 

Empreiteiros, conforme se sabe, são o braço operativo do estado. Atuam, sem qualquer dificuldade, para a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Mereciam, a bem da verdade, um ministério todo seu: o ministério das empreiteiras, a se desdobrar, pelo princípio da simetria, em secretarias estaduais e municipais com o mesmo objeto. Sendo parte orgânica da administração pública, os empreiteiros fazem e desfazem, comandando decisões e subornando os políticos visando alcançar seus objetivos pecuniários. Empreiteiros não se subordinam à política. O contrário, sim, é que é a verdade. 

Tendo tal poder e tal inserção social, os empreiteiros jamais sofrem baques em seus negócios. Sua fonte de sustentação não é o mercado, tal como entendido costumeiramente. Apoiam-se no erário e inventam medidas e maneiras para manter um fluxo de caixa que lhes seja sempre favorável. Para azeitar seus recebimentos, untam os canais costumeiros, nascendo daí a corrupção institucionalizada ou, como diria Dante, "do não fazem sim pela propina".

Kalil, o candidato a prefeito de Belo Horizonte, dá um passo adiante nesse complexo jogo entre empreiteiros e a política. Mais ousado é o movimento quando se sabe, ou pelo que se divulga, ser ele um empreiteiro falido, com contas a acertar com o fisco municipal. Mais curioso, ainda, é seu suporte organizacional, construído em torno de pequenos partidos de esquerda - PHS, PV e Rede Solidariedade - com o velado apoio do PT e seus sequazes, como o PC do B e outros menos votados. Espantoso bloco de poder, que nem um Gramsci conseguiria decifrar. Esses partidecos se movimentam, e remoem, gulosamente, à espreita das boquinhas volumosas da prefeitura, caso obtenham a vitória no próximo dia 30 de outubro, tendo Kalil como aríete a arrombar as portas.       

sábado, 15 de outubro de 2016

A cor das uvas


Ressentido pela impossibilidade de obter apoio de gente respeitável à sua campanha para prefeito de Belo Horizonte, o empreiteiro Kalil deu uma de mané: recusou o que nunca teria, numa bravata típica da chamada antipolítica. As uvas, afinal, estão verdes. Empreiteiros, de fato, não andam por aí com o prestígio em alta. Os escândalos que protagonizam são sobejamente conhecidos. Ninguém os ama, ninguém os quer. Apelando à imagem produzida pelo próprio candidato, os empreiteiros parecem contagiados por um mal de natureza política. 

Um silogismo esclarece a questão: os empreiteiros estão com lepra; Kalil é empreiteiro; logo, Kalil está leproso. Disfarçado com a máscara de "empresário",  tenta de toda maneira escapar do estigma. Não tem pudor de cuspir no prato em que comeu, nem de posar de vítima para tentar explicar seus calotes e falências, mesmo tendo recursos para saldar suas obrigações. Dormem na sua garagem veículos de alto luxo, além de motocicletas cinematográficas. Mas ele não paga as contas, e ponto final. 

Seria o caso de relembrar o perfil do Marquês de Pombal, numa referência de Camilo Castelo Branco: o moço é falido, sim, falido de brios. As classes médias de Belo Horizonte já conhecem o roteiro a ser cumprido por gente como Kalil. Por isso foram às ruas nos últimos anos. Foram protestar contra os aventureiros e os aventureirismos encarnados no PT, no petismo e assemelhados (PC do B, Rede Sustentabilidade, PCB, Psol, PSTU), e toda uma vasta sopa de letrinhas de escassa representatividade social.

Quais dos grandes ícones e lideranças do PV e da Rede Solidariedade teriam coragem de, batendo no peito, declarar que apoiam Kalil e o que ele representa? Caroneiro da insatisfação popular, o postulante do PHS à prefeitura de BH se sustenta nas pesquisas com o voto do petismo, ainda encroado na administração pública. Nem os petistas, porém, notórios pela ausência de pudor e pelo apreço a boquinhas, ousam se manifestar abertamente em prol do parvenu

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Kalil e Marina: ambientalismo de montão


Em Belo Horizonte desenrola-se campanha eleitoral das mais bizarras. Aqui há alianças e alianças. Uma delas se deu entre as forças políticas majoritariamente anti-petistas da cidade, em torno do deputado estadual João Leite. Compreensível. Em BH, sempre é bom relembrar, a rombuda Dilma foi derrotada, apesar de ter sido vitoriosa no restante do estado, em 2014. Cumpriu papel relevante para os resultados obtidos pela chapa petista nos grotões mineiros o inefável Walfrido Mares Guia, eminência pardacenta, verdadeiro Rasputin de todas as eleições
ocorridas em Minas nos últimos 30 anos. 

Mares Guia, aliás, e não por acaso, coordena a campanha para prefeito de exótico empreiteiro que, tendo falido suas empresas, agora se devota ao projeto de falir Belo Horizonte. Também não é mera coincidência o empreiteiro Kalil, em sua trajetória, ter seguido os passos de dona Dilma (com quem irmana a torcida pelo Atlético, clube glorioso que não tem culpa, porém, de atrair simpatizantes de todos os tipos). A especialista que quebrou o Brasil, quebrou antes uma lojinha de produtos de R$1,99 no mercado popular de Porto Alegre. Os brasileiros, infelizmente, não souberam ler nos fatos os sinais que alertavam para o que viria no futuro, ao votar na madame para presidente do país. O povo bem parece gostar do flerte com o perigo.

Kalil se compôs com o petismo, capitaneado pelo governador Pimentel e com os doidões verdes, ansiosos por uma boquinha na prefeitura, além dos ecochatos de Marina Silva, que lhe forneceu um vice extraído das hostes da Rede Sustentabilidade, um sobredito ex-petista, o deputado estadual Paulo Lamac, configurando um novo e verdadeiro exército de Brancaleone.  Curioso é que os companheiros do falido empreiteiro nada falam, nada argumentam, nada justificam frente ao eleitorado de Belo Horizonte a opção que fizeram. Seria, no mínimo, ridículo assistir Kalil e Marina Silva desfilando de mãos dadas pelas ruas esburacadas de BH, secundados pelos mais vistosos ambientalistas da cidade. 

Realmente, não há como explicar a aliança da pueril Marina com um empreiteiro fabricante de asfalto. Só haveria uma suspeita para dar conta do fato que, dadas as características da moçada, se torna bem plausível. Acendida a fogueira das comemorações, haveria mato inadequado (molhado, quem sabe?), quando tomaram as decisões fundamentais. Mato molhado dá fumacê. Fumacê demais intoxica, e turva, o juízo.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Belo Horizonte: todo o poder aos empreiteiros


Do conúbio perverso entre a voracidade e os governos nasceram os empreiteiros. Estes, filhos devotados aos pais, nunca deixaram de prestar-lhes as devidas homenagens com a generosa abertura da sua fornida cornucópia. De maneira vagamente assemelhada com os empresários comuns (que buscam atentamente oportunidades de negócios, com um olho no mercado e outro na concorrência), os empreiteiros têm aqui, claramente definido, um aspecto que marcará sua natureza: diferentemente dos verdadeiros empresários privados, os empreiteiros, na prática, só negociam com o governo, seu único cliente, quer seja no âmbito municipal, estadual ou federal. 

As operações conduzidas pela justiça e pela polícia, em especial a chamada Operação Lava-Jato, escancarou os subterrâneos onde se movem os empreiteiros. A ousadia dessa gente é simplesmente inacreditável. Um dos mais audaciosos dos empreiteiros (Marcelo Odebrecht) chegou a criar um específico departamento para gerenciar as propinas e capilés, com os quais alimentava a cobiça dos políticos, do Brasil e de outras plagas. O corruptor sabia que tal cobiça, universal segundo também denuncia a Palavra, é igual ao abismo e igual ao inferno: nunca se satisfaz. 


Tal conduta deletéria não se restringe, porém, aos grandes empreiteiros. Os ratos são ratos, independentemente do seu tamanho. A grande imprensa não se cansa de apontar exemplos dessa rede corruptora que se espraia do norte ao sul e do leste ao oeste. Apesar do pendor cleptocrático dos   governantes e da burocracia pública, sempre houve uma espécie de "ética" entre estes e os empreiteiros; os governantes, bem ou mal, governavam e os empreiteiros ficavam no seu pedaço, a distribuir os pixulecos que sustentavam e acalmavam aqueles. O mecanismo era simples. As propinas não passavam de custos a serem embutidos no preço final de qualquer obra ou serviço prestado. Por isso o espanto quando se tem notícia de empreiteiro que faliu. Empreiteiro falido é um oxímoro
: se é empreiteiro não é falido; se é falido não é empreiteiro. Empreiteiro falido, somente com fraude.

Imagine-se, agora, um empreiteiro, como Marcelo Odebrecht (o corruptor-mór da República), postulando a presidência do Brasil, ou um Léo Pinheiro se credenciando a governar São Paulo. Seria tão chocante quanto botar o bicheiro Carlinhos Cachoeira na chefia da Polícia Federal. Ou designar Fernandinho Beira Mar para uma delegacia de tóxicos.    


Em Belo Horizonte, contudo, um desses paradoxos corre o risco de se viabilizar. Um empreiteiro está na disputa da prefeitura. Esse exotismo dos mineiros pode ser a senha acenada aos plutocratas do país. Chega de políticos, como diz Kalil? Não. Chega de intermediários entre os empreiteiros e os cofres públicos. Os lucros da turma aumentarão. O sindicato dos patrões das obras públicas esfrega as mãos de alegria. Kalil, quem sabe, até traga um resultado socialmente desejável. Talvez, passe a pagar seus tributos municipais, coisa que ele evita fazer, fugindo do fisco como o diabo foge da cruz. 



terça-feira, 11 de outubro de 2016

Faroeste em Belo Horizonte (O rei do gatilho)


Se a campanha para eleger o prefeito da capital mineira fosse um filme, certamente não seria um folhetim meloso, nem uma tragédia. Estaria mais próximo de um pastelão narrado como faroeste, em nada, porém, similar àqueles filmes de bangue-bangue clássicos da filmografia americana. Sua genética estaria com os faroestes espaguetes italianos, pastelões mais próximos da comédia que dos dramas que marcaram aquele gênero. O estilo, indefectível, é o mesmo que o de Kid Morengueira.


Dick Vigarista



Começa o filme. No salão alguns dançam, outros bebem e aqueloutros jogam um carteado amigo. Misturam-se os diferentes tipos humanos. O zumbido aumenta alguns decibéis antes de tudo ficar naquele silêncio que antecipa graves decisões. A cafetina, acostumada aos tiroteios, puxa suas pupilas pelos braços rumo a um canto protegido do salão. O mocinho e o bandido caminham um em direção ao outro. Um bêbado pergunta a uma criança escondida debaixo de uma mesa quem é quem os que vão duelar. A criança, sempre ela, tal como no caso da roupa do rei, não quer perder nenhum movimento das próximas cenas. Responde rápido ao interlocutor: tá na cara. Um é o mocinho e o outro é o bandido. Dick vigarista se dá fácil a conhecer. A seu lado, Muttley, rindo sarcasticamente. O cão se aloja no topo da escada, para melhor apreciar o combate.  

Cuidado, Moreira! Bang, bang, bang....


Muttley Pimentel
  

Na fita real que se desenrola agora na capital mineira, bem frente aos nossos olhos, em flagrante imitação da arte pela vida, os contendores do cabaré de Belo Horizonte respondem pelos nomes de João Leite e Kalil. Prevalecerá o julgamento comprometido com a verdade feito pela criança? Quem é o mocinho e quem é o bandido, é a pergunta que não quer calar. Lombroso é a chave do enigma.



terça-feira, 4 de outubro de 2016

Siga o Walfrido


A eleição no segundo turno para a prefeitura de Belo Horizonte começou a esquentar. A primeira  mexida no tabuleiro foi dada por Kalil, o empreiteiro de férias. Sua campanha será coordenada agora por Walfrido Mares Guia, um dos lulopetistas mais notórios de Minas Gerais. Quando Lula precisa de um jatinho, Walfrido, um dos mais íntimos colaboradores de Pimentel, coloca o seu, imediatamente, à disposição. 

Nos subterrâneos daquilo que foi chamado "mensalão mineiro", que levou o ex-governador Azeredo ao cadafalso, o titereiro que movia as guitas dos fantoches era, também, o ex-ministro. O processo referente ao caso, ao que parece, foi abduzido. Ninguém sabe, ninguém viu mais o papelório. 

Se o candidato João Leite quiser ganhar as eleições, precisa prestar atenção aos movimentos de Kalil. A primeira medida é simples: siga o Walfrido! Seu estilo e digitais ficarão marcados nas decisões que forem tomadas.  

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Empreiteiros X Políticos: a aventura de Kalil


A reputação dos políticos, sabe-se há muito tempo, não é lá essas coisas. Desse fato se servem demagogos eventuais para alardear suas diferenças em relação a parlamentares que, periodicamente, disputam eleições, tal qual está acontecendo na luta pela prefeitura de Belo Horizonte. Dizendo não serem políticos, fazem o mais político dos discursos políticos. Apontando o dedo podre para os adversários, pretendentes como Kalil, de ofício empreiteiro, querem disputar e vencer os “políticos” nas eleições municipais no corrente ano de 2016. Em São Paulo ocorre algo similar.

A reputação dos empreiteiros, no entanto, não é nenhuma Brastemp, como se diria antigamente. Se os políticos, qual fraldas sujas, podem - e devem - ser removidos periodicamente de suas posições, qual seria a solução adequada para arrostar os empreiteiros malandros? Solução sedutora seria aquela relatada pelo historiador Suetônio em sua obra sobre os Doze Césares. Calígula, um dos mais eficientes imperadores romanos, costumava degolar os empreiteiros que não realizassem a contento as obras contratadas. Verdade que os tempos atuais não permitem práticas tão bárbaras, apesar da simpatia que provocaria nas multidões.

Os casos de imperícia e de trapaças dos empreiteiros são notórios: viadutos que desabam, coberturas de estádios que desmoronam, passarelas arrancadas pelas águas, pistas com cobertura asfáltica que não duram um verão, usinas de energia inadequadas, moradias populares que se esfarelam mesmo antes de qualquer uso, os exemplos são inumeráveis. O passivo da turma capitaneada pela Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS e outras menos votadas é considerável.

Agora, o que se observa, porém, é uma articulação dos chamados pequenos e médios empreiteiros contra os grandes do setor, aproveitando a crise pela qual passa o país. Parecem querer inverter o juízo proferido por Diógenes, ao vislumbrar uma comitiva conduzindo um grupo de homens para o cadafalso: “lá vão os ladrões grandes enforcar os ladrões pequenos”. 

Em Belo Horizonte, os empreiteiros pequenos se assanham contra os empreiteiros grandes. A ferramenta que pretendem utilizar nessa disputa de vida ou morte é a prefeitura da capital mineira. Por isso bradam: Kalil para prefeito, em aliança estreita com os maluquinhos da Rede de Marina Silva e os nefelibatas do PV. 

Empreiteiro fabricante de asfalto, Kalil deve ter acenado aos novos aliados com a promessa de tingir de verde - ecologizando, vá lá o neologismo - a pasta asfáltica, dando assim um novo colorido à cidade, sem se esquecer naturalmente dos acertos com os adeptos do arco íris.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Para onde vão os votos dos petistas?

O PT e o petismo sempre tiveram ao menos uma terça parte do eleitorado de Belo Horizonte. É necessário fazer referência ao petismo (sem vínculo exclusivo com o PT) por uma simples razão. Em outras eleições o partido se revestiu do manto de outras siglas, como é o caso do PSB, mera linha auxiliar histórica do PT, que era reforçado, ainda, pela sopa de letrinhas de outros grupos partidários, como o PC do B, velho serviçal sempre disponível para o que desse e viesse, além de dissidentes fanáticos gerados no mesmo ventre perverso (PSOL, PSTU, Rede etc.).

As últimas pesquisas de opinião na capital mineira apontam que a chapa de candidatos a prefeito e vice - formada respectivamente por dois deputados federais do PT e do PC do B - mal alcança 5% das intenções de voto.  

Ora, onde estão os eleitores petistas que não se dariam a aparecer? Mergulhados em algum  limbo político? Ou estão se encaminhando para alguma candidatura de perfil gelatinoso e pronto para aceitar escolhas de variadas origens políticas e ideológicas, verdadeiro voto útil, capaz de, menos que vencer, infligir uma derrota aos principais e tradicionais adversários, os tucanos?

Kalil, sem dúvida, é o nome do "tapado" como dizem os mexicanos para o verdadeiro candidato oculto do centro de poder. Dentre os demais pretendentes que, talvez, até buscassem criar um cenário que lhes fosse mais favorável, o que parece não ter se configurado até o momento (a quinze dias da eleição), Kalil, o empreiteiro parvenu, corre por fora da raia verbalizando o popular discurso da anti-política, atraindo cada vez mais os votos ressentidos do petismo, agora desamparado de opções orgânicas. 

Assim como Collor fez com as elites políticas brasileiras em outro momento, Kalil se impôs ao governador Pimentel, que ao estilo de Pilatos, lavou as mãos, liberando seus adeptos para fazerem suas escolhas eleitorais. Fragilizado por sua participação nas escandalosas roubalheiras da companheirada, Pimentel sabe, no entanto, que um empreiteiro como prefeito de Belo Horizonte não será obstáculo a um entendimento e a acertos de natureza política e administrativa com o governo estadual. Para o governador, o importante agora é reduzir os danos, optar pelo mal menor. Pimentel circula bem, muito bem, aliás, no ambiente empresarial. Kalil seria um interlocutor bastante satisfatório, caso venha a vencer a disputa, credenciando-se para enfrentar no segundo turno o deputado João Leite, desta feita o real preferido de Aécio, coisa que não o fora nas eleições municipais de 2004. Mas esta é outra história. Os ventos mudam de direção e o secretamente rejeitado de ontem torna-se o desejado de hoje.  


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Kalil: contra tudo isso que está aí!



Uma das características mais persistente do petismo é sua oposição radical a “tudo isso que está aí”. Essa é a expressão síntese da chamada cultura do repúdio, a qual marca indelevelmente os adeptos e simpatizantes do PT. Pode-se ainda incluir nesse bloco os miúdos agrupamentos que gravitam em torno daquele partido, como a REDE (de Marina Silva), o PC do B, o PSOL, o PSTU e outras frações mais minoritárias ainda, tipo PCO e PCB.

Com sua desfaçatez habitual, o petismo percebeu que em cidades como Belo Horizonte, marcada por um forte sentimento oposicionista, uma candidatura a prefeito pelo PT estaria condenada a naufragar. As manifestações dos últimos anos, quando a classe média rebelada foi para as ruas questionar especialmente Lula, Dilma e o PT dão a conhecer a dimensão profunda de tal sentimento de rejeição. É bom recordar que apesar de Dilma ter vencido as eleições de 2014 em Minas Gerais, ela não ganhou em Belo Horizonte.

Se os fatos vêm ratificando dia após dia o conceito geral sobre a podridão e canalhice das hostes petistas, não é menos verdade que a quadrilha chefiada por Lula é profissional e imaginosa nas artes da política. Veja-se que Patrus Ananias, deputado federal, ex-ministro de Lula e Dilma além de ex-prefeito da capital mineira, seria indubitavelmente o melhor nome do PT para a disputa em outubro. Com seu jeitão sonso de sacristão aposentado, Patrus ainda mantém imagem de pessoa honesta e respeitável em Belo Horizonte, apesar de vaias recebidas recentemente em lugares públicos. Recusou, no entanto, ir para a disputa, desconfiado e matreiro que é. Ele sabe que a batata do PT está quase assada.

Alguém, entretanto, tinha que ir para o sacrifício. Arrumaram, então, um obscuro parlamentar do PT (um tal Reginaldo Lopes), para encabeçar a chapa majoritária, secundado por uma esquisita deputada do PC do B (uma tal Jô Morais), reavivando o velho pacto, da legenda principal com sua subserviente e histórica sublegenda, num dueto medonho sob todos os aspectos. Isso foi o máximo que conseguiram agrupar para apresentar aos moradores de Belo Horizonte. A fragilidade eleitoral da pavorosa dupla pode ser aferida pelas pesquisas que são divulgadas periodicamente; não ultrapassam os 3% da preferência entre os consultados. É uma proporção digna de candidatos a vereador. 

Ficou, pois, uma dúvida ou interrogação. Para quem, ou para onde, irão os votos dos petistas e dos comunistas do Brasil, que os há em Belo Horizonte, apesar de minoritários? Qual candidato mais se assemelha àqueles que, antigamente, viviam a bradar que são “contra tudo isso que está aí?”

A resposta é simples e surpreendente. Da mesma maneira que a luva deve se ajustar à mão, o petismo desamparado, o marinismo da nova política e os verdes lançaram um nome que capturasse aquele antigo eleitor do PT: os revoltados contra a situação em geral, os que fazem restrições à política e aos políticos (da mesma maneira que o fizeram Collor, o caçador de marajás, e Dilma, a supergerente, aquela que fazia e acontecia). 

Dilma e Collor nunca se davam ao desfrute de dar confiança aos políticos tradicionais, que sempre desprezaram, preferindo ficar nos seus conchavos corruptores com meia dúzia de apaniguados. Acharam Kalil disponível (empreiteiro de férias, imagine-se o non sense), fazendo dupla com um vice-prefeito provindo da Rede, de Marina Silva, a porta voz de uma pretensa "nova política" que, aliás, ainda não deu as caras em Belo Horizonte.  

Kalil se apresenta bancando o “gerentão”, pondo e dispondo, no seu peculiar estilo “deixa que eu chuto”, como se uma prefeitura complexa igual a de Belo Horizonte fosse um clube de futebol dirigido a golpes e gritos. Seu bordão, repetido à exaustão, é "chega de político, agora é Kalil". O petismo envergonhado não teve dúvidas. Saindo dos subterrâneos da ação política vai encaminhando para Kalil suas intenções de voto, tudo sob as bênçãos discretas do governador Pimentel. 

Kalil só não obterá êxito se for mostrado ao povo de Belo Horizonte seus vínculos com Collor e Dilma. Os três, por sinal, pensam de forma semelhante. Por isso seus gestos igualmente similares. Kalil é uma espécie de Dilma menos analfabetizado. Herdou de Collor o histrionismo, as caretas e o raciocínio raso. Resulta, enfim, nessa peculiar disputa mineira um híbrido de empreiteiro com ecochatos, configurando um novo avatar. Só pela magia tal absurdo poderá se viabilizar concretamente. 



quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Lula, o PT, Pimentel, Kalil e as eleições em Belo Horizonte


A Operação Lava Jato apontou há pouco alguns dos crimes cometidos por Lula da Silva e outros membros da sua quadrilha. Caída a máscara do principal gatuno, os olhos se voltam para as implicações eleitorais das denúncias. 

No caso de Belo Horizonte, a conseqüência mais imediata é a queda da máscara de Alexandre Kalil, o candidato oculto do PT e de Pimentel. O candidato oficial é o medíocre deputado petista Reginaldo Lopes, boi de piranha lançado para fazer de conta que o PT está na disputa. O verdadeiro candidato da moçada é o ex-presidente do Atlético mineiro, empreiteiro desbocado e exótico que surfa na rejeição generalizada do povo ao mundo da política. No embaralhado da disputa na capital mineira (com onze candidatos), a figura de Kalil se esconde atrás da confusão, camuflando sua verdadeira natureza.

Kalil pensa como Dilma e Lula e fala igual o Collor. Seu discurso da anti-política parece ter sido desenvolvido pela ex-presidente cassada. Aliás, Collor, igualmente cassado, também assim se manifestava, sempre contra o parlamento, os políticos e as lideranças tradicionais. Collor foi o caçador de marajás; Kalil é o caçador de políticos. Caso vença as eleições, Belo Horizonte pode se preparar para uma futura cassação, destino possível a boquirrotos e irresponsáveis do tipo Collor, Lula, Dilma e Kalil.   

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Belo Horizonte e os empreiteiros


Carrapato vai longe no lombo do boi. De igual maneira fazem, ou faziam, os empreiteiros nas suas relações com os políticos. Tal feliz conjunção, no entanto, começou a enfrentar problemas. Sua maior expressão está no processo conhecido por petrolão. Turvou-se mais ainda o quadro com a proibição de financiamento empresarial das campanhas políticas. Os empreiteiros, entretanto, perceberam um ganho imprevisto: não precisavam mais de intermediários entre eles e os cofres públicos. Até pela inutilidade do relacionamento que acarretaria mais ônus que bônus. Veio, então, a pergunta: "por qual razão se sujeitar à escroquerie habitual dos políticos?"

A resposta caminhou em sábia direção, em retomada do conselho joanino a Pedro I: "bote a coroa na cabeça antes que outro aventureiro o faça". Solução óbvia tão evidente que ninguém perceberia, como não percebeu. Faz lembrar a "Carta Roubada", de Edgar Poe: a missiva estava ali, à vista dos olhos, tão evidentemente posta que ninguém a localizava. 

Alexandre Kalil é a "carta roubada" dos empreiteiros, em articulação com o governador Fernando Pimentel. Este lançou um candidato do PT à prefeitura da capital mineira para servir de boi de piranha ao ódio popular contra o PT, Lula, Dilma e cia. Enquanto isso, vai realizando o passa moleque fingindo que apoia um enquanto, por baixo dos panos, fomenta outro que quase repete o mantra já utilizado pelo governador em sua última campanha para prefeito: o "bom de serviço", bordão que Kalil endossa com outras palavras em seu estilo deixa que eu chuto. 

Os caciques, ao que parece, se dividiram: o senador Aécio apoia João Leite; o prefeito de BH Márcio Lacerda patrocina Délio Malheiros; e Pimentel, vai de quem? Kalil, o empreiteiro trapalhão, é claro. A solução Kalil agrada, e muito, o sindicato das empreiteiras e, principalmente, ao governador, figura altamente qualificada em negócios envolvendo a política, bastando conferir um de seus rolos mais notáveis embutidos na operação Acrônimo. 

Kalil repete em seu discurso antipolítica a mesma verve de Fernando Collor e Dilma, os dois cassados da república. Ambos devem ter sido eleitos, cada um a seu tempo, com o voto do histriônico Kalil. Sua eventual vitória prenuncia nuvens negras para Belo Horizonte.     

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A antipolítica de Kalil


A disputa neste ano pelo cargo de prefeito de Belo Horizonte apresenta aos eleitores uma ampla gama de candidatos. Há para todos os gostos e preferências políticas e ideológicas. Entre eles o que mais se vem destacando é o candidato Kalil, empreiteiro e ex-presidente do clube Atlético Mineiro, o famoso Galo vingador. De fala direta e desbocada faz uso intenso do bordão: "chega de políticos; agora é Kalil". Surfa, assim, no alargado sentimento popular contra a classe política, apresentando-se como o estranho no ninho capaz de fazer e acontecer na prefeitura da capital das alterosas. Soa, também, muito parecido com o discurso de Fernando Pimentel - "o bom de serviço" - quando este disputou, e venceu, em 2004, a eleição para prefeito de Belo Horizonte. Kalil, de fato, tem inumeráveis modelos para imitar.  

É uma estratégia que já deu resultados, uns bons, outros ruins, em outros lugares e eleições (bons para os aventureiros, maus para a sociedade). O nome mais recente que vem à memória, destes profanadores da democracia, é o de Dilma Rousseff, recentemente chutada da presidência da república. A madame sempre se apresentou como aquela que detestava política e não se envolvia nos meandros das negociações na vida parlamentar. Uma gerentona, enfim, que rosnando suas ordens botava ordem no país. Com ela não tinha ti-ti-ti nem conversa fiada. Dona Dilma se queria a encarnação da administradora devotada a zelar por seus pimpolhos, qual uma galinha choca e mal humorada cuida de seus pintainhos. 

Kalil poderia, sem violentar a realidade, se apresentar aos eleitores de BH como o herdeiro espiritual de Dilma Rousseff. Ambos fazem, e fizeram, política com um discurso da antipolítica. Até nos maus modos, na truculência e na língua suja ambos se assemelham. 

Outro companheiro de Kalil que a ele se assemelha, em sua abominável forma de ser, é o ex-presidente Collor de Mello. Histriônicos e fanfarrões, os dois são movidos a golpes da mais desabrida marquetagem. Os dois modelos ideológicos de Kalil (aliás, cassados pelo parlamento em, 1992 e 2016), deram no que deram, conforme se pode aferir das suas trajetórias tão nefastas para a população que os elegeu em algum momento da história.

Na crise de representação vivida pelo Brasil, aventureiros costumam aparecer. É algo esperado e, até, normal. Em bem da verdade, não só aqui mas, também, em todos os lugares onde as pessoas ficaram reduzidas à condição de massas desamparadas. Donald Trump, nos Estados Unidos, é o exemplo mais eloquente dos últimos tempos. Em 1933, na Alemanha, as massas escolheram Hitler, pelo voto, levando o mundo ao terror e à barbárie nazista. Kalil é um dos herdeiros dessa perversa tradição a que estão sujeitas democracias em crise. 

Os demais candidatos a prefeito parecem não ter a coragem de espicaçar Kalil, denunciando sua vocação autoritária. Talvez pelo desejo de fugir à politização da campanha. Aceitam, dessa maneira, que um aventureiro qualquer paute a disputa eleitoral com um discurso centrado na antipolítica, paradoxalmente o mais político dos discursos. 

Quando a máscara de Kalil for retirada, se é que o será, surgirão as imagens ocultas de seus mentores: Dilma, Collor e outros, tão ou mais abomináveis que ele. Na singular disputa de BH, o candidato secreto, in pectore, do ainda governador Pimentel, e do petismo mais nefasto, chama-se Elias Kalil. 

O ponto fraco da tramoia é a rejeição ao PT pela classe média da capital mineira. Dilma ganhou em Minas, em 2014, mas não ganhou em Belo Horizonte. As multidões que foram às ruas pedir o impeachment presidencial dificilmente engolirão o passa moleque que estão a armar com a candidatura Kalil.