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segunda-feira, 22 de abril de 2019

O STF recrudesceu

Em tempos já idos e vividos, quando um general das antigas se incomodava por qualquer dá cá esta palha do dia a dia, ele ameaçava recrudescer. Este curioso verbo é dicionarizado como "transformar em algo ou alguém mais intenso: tornar-se mais forte, exacerbar. Reviver os sintomas mais intensos e alarmantes da doença; agravar-se". 

Dois ilustres ministros do STF passaram, então, do cogitado ao executado: recrudesceram, e saíram a prender qualquer cidadão no qual enxergassem alguma conduta delitiva, principalmente, se se referisse a algum reparo às inumeráveis presepadas com as quais os onze sábios do supremo sinédrio nos brinda quase que diariamente. 

No período pascal ficaria bem lembrado o julgamento do Divino Mestre pela gangue comandada por Anás e Caifás. Pai e filho se preocupavam sobremaneira com o rumo dos negócios praticados à sombra das arcadas do templo. Pela primeira e única vez, o filho do Eterno se enfureceu e saiu a chicotear o bando de traficantes que contavam, certamente, com o apoio decisivo dos empreiteiros de então.  

A hipótese não é absurda. Naqueles tempos, palácios, estradas, termas, diques, canais, fortalezas e similares eram construídas por gente especialmente devotada a tais empreendimentos. 

A narrativa maçônica sugere a relevância dos construtores para a vida humana em termos de segurança, conforto e prática devota. Centra-se, para isso, na trajetória do arquiteto Hiran Abif, um empreiteiro dos bons e do bem, assassinado por concorrentes, ao que parece, invejosos do seu poder e competência.  

Nada mais corriqueiro, portanto, que os vínculos orgânicos que empreiteiros de todos os tipos e calibre estabeleciam com os donos do poder secular e temporal. Afinal, se obras precisam ser realizadas, é necessário que alguém as encomende e, principalmente, pague por elas. 

É claro que havia riscos no negócio. Calígula, por exemplo, que foi um grande realizador de obras monumentais durante seu curto reinado (segundo Suetônio), costumava mandar decapitar os empreiteiros que não fossem eficientes. Esse costume um tanto bárbaro, bem poderia ser recuperado em nome do interesse público. Seria um estímulo irresistível. É tentador pensar, igualmente, nos juízes escorchados por  desídia ou venalidade.

Voltando ao começo. É possível que os arroubos de virilidade, vistos no recrudescimento de dois juízes fakes do STF, sejam prenúncio de novos e arejados tempos. Quem sabe tudo não seja mais que insidiosa manobra para permitir por linhas transversas um efetivo questionamento sobre o anacronismo do próprio Supremo e de suas inconveniências?

DiasTóffoli e Alexandre Moraes estão se autoimolando em benefício da morigeração do judiciário. A incompreensão a respeito deles é a mesma que cerca Judas Iscariote, único da troupe do Divino Mestre a perceber que alguém deveria traí-Lo, para que se cumprisse a profecia. Os demais apóstolos queriam, primeiramente, obter as glórias do Paraíso. Não iriam por em risco a oportunidade ímpar de se ajeitarem entre os eleitos. Deixaram para o ecônomo o triste encargo da renúncia pessoal em prol dos demais.  

Fantasia? Talvez não... Longa vida a Tóffoli e Moraes pela notável garantia que estão dando às liberdades públicas. Mesmo que por linhas tortas, aliás, tortíssimas. Pela traição que cometeram contra a Constituição estão  contribuindo com a democracia, tal qual o Iscariote com os mistérios da Salvação. Que a dupla continue a recrudescer.


sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Suruba em Belo Horizonte


Para alegria dos incautos, há formidável suruba em curso na capital mineira. Mas não é aquela saudável esbórnia dionisíaca quando todos se apresentam nus no grande salão festivo. A síntese é: ninguém é de ninguém e cada um é de todo mundo. Tem homens magros e mulheres gordas, bem como o contrário; anões bem dotados, pederastas machões uns, afeminados, outros; velhos desdentados e mulheres lascivas além de cabritas, jumentas, nabos e cenouras; todos os tipos, enfim, de criaturas do mundo animal e vegetal passíveis de usos alternativos. Pasolini morreria de inveja de tal sordidez burguesa.

Em Belo Horizonte, ao contrário da depravação original, a suruba possui outra natureza. Agora, ela é política e eleitoral. Anões, quando aparecem no cenário, somente os de baixa estatura moral. Empreiteiros, sim, têm posições e ações destacadas frente à maioria dos presentes. Corruptos encanecidos, desmascarados pelas investigações da operação Lava-Jato, postam-se como guardiões do mais lídimo interesse público. Partidários de Marina Silva, arauta da nova política, ambientalistas decrépitos, e esquerdistas analfabetos, à procura de alguém que lhes dê as palavras de ordem a serem seguidas, no mais puro centralismo democrático à moda de Stálin, se irmanam na expectativa de obtenção de uma boquinha na máquina administrativa da prefeitura em disputa. 

Somente o fascínio pelo grotesco pode explicar o apoio eleitoral que Kalil vem obtendo. Dado a calotes e outras velhacarias, o pretendente a prefeito desfila em seu anacrônico triunfo, qual Heliogábulo, mostrando a bunda ao populacho, não numa biga, mas em fálicas motocicletas cinematográficas, que fazem reluzir sua potência ou, melhor dizendo, a real e oculta impotência. 

Kalil representa a parte doentia de Belo Horizonte, a oposição fake comandada pelo empreiteiro falido, similar a todos os outros empreiteiros congêneres. Quebrar qualquer sentido de eventual confiança do eleitorado nele é a missão do candidato verdadeiramente de oposição.   

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Salário baixo, mas muito amor e carinho


Com a barra meio pesada para seu lado, o empreiteiro Kalil - candidato a prefeito de Belo Horizonte - resolveu pegar uma carona na insatisfação popular. Homem tinhoso, Kalil percebeu que ele e seus colegas de ofício estavam com a batata já bem assada. Os escândalos que se sucedem aos borbotões desnudam a realidade do mundo dos empreiteiros. O mais limpo tem sarna, ou lepra, para lançar mão de conceito do próprio empreiteiro falastrão. 

Desocupado, resolveu dar uma de flaneur: andar pela capital mineira para conhecer o modo de vida dos pobres. 

Surpreendeu-se ao saber que o povão vive uma vida pior que a de cachorro. Sua mente um tanto desequilibrada expeliu, então, aquilo que se tornou o centro de seu plano de governo: dar muito carinho aos cidadãos. Parece inspirado naqueles antigos bolerões, também conhecidos como músicas de corno, imortalizadas por Nelson Gonçalves. Uma piada, dificilmente involuntária, em vista do que o empreiteiro de férias já deu a conhecer em outras oportunidades. 

Para os funcionários da prefeitura acrescentou o amor no atacado ao carinho prometido no varejo. Salário que é bom, nada! Para demonstrar os afetos dos quais se diz possuído, passou a circular de camisa cor de rosa, sugestão que deve ter recebido, e acatado, pelo visto, do Mário Jacaré, epígono do notório "Movimento do Machão Mineiro". 

De todas as bizarrices de Kalil, a mais estranha é sua reconhecida ignorância a respeito das condições de vida da população, tendo sido ele dirigente de um dos mais populares clubes de futebol do país. Desfilando pelas ruas em suas motocicletas cinematográficas, nunca antes tinha visto os pobres de perto. Agora, Kalil sabe como é tal personagem, sua majestade, o pobre. 

Seus amigos e aliados do PT transferiram a ele a mesma conversa fiada que Collor inaugurou e Dilma consolidou: o pobre é nosso; o pobre precisa de carinho; o pobre necessita de devoção. O homem certo para amar o pobre é Pai Kalil da Empreita Malandra. Pai Kalil e Mãe Dilmão, esse casal teratológico saído das páginas do livro dos seres imaginários.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Dória e Kalil: empresário e empreiteiro


Em determinadas circunstâncias históricas, quando se conjugam crises espiritual, política, econômica e social, aparecem aventureiros e inovadores buscando ocupar o proscênio conturbado. É o campo perfeito para aqueles que se dizem portadores da boa nova, com uma abordagem em tudo diferente de "tudo isso que está aí". Nestas eleições municipais, como não poderia deixar de ser, pululam os candidatos a prefeito que, enchendo as bochechas, não se cansam de se apresentar travestidos da roupagem do "novo". Alguns, provavelmente o são; outros, ao contrário, não passam de barrocas imitações; parecem, mas não são.

João Dória, prefeito eleito de São Paulo, é um empresário de verdade que expressou em sua campanha o compromisso com valores caros ao mundo contemporâneo. Tudo que disse e prometeu estava alicerçado numa história pessoal e empresarial coerentes com suas pregações. 

Elias Kalil, candidato e prefeito de Belo Horizonte, ao contrário do paulista, escolheu o nicho da antipolítica no seu aspecto mais primário, brandindo toscamente bordão de ódio e desprezo aos políticos em geral: "chega de político; agora é Kalil". Kalil, diferentemente de Dória, não é empresário. Ele é, apenas, mais um daqueles seus iguais que emporcalharam a vida nacional - os Odebrecht, os Andrade Gutierrez, os Camargos Correias etc. - para ficar apenas nos mais notórios, sem esquecer outros tantos empreiteiros que pululam em todo o país, de diferentes tamanhos e propósitos negociais, todos porém em íntima associação de natureza oligopólica. Cada macaco em seu galho, e todos juntos e irmanados beliscam sua parte no butim. 

Empreiteiros, conforme se sabe, são o braço operativo do estado. Atuam, sem qualquer dificuldade, para a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Mereciam, a bem da verdade, um ministério todo seu: o ministério das empreiteiras, a se desdobrar, pelo princípio da simetria, em secretarias estaduais e municipais com o mesmo objeto. Sendo parte orgânica da administração pública, os empreiteiros fazem e desfazem, comandando decisões e subornando os políticos visando alcançar seus objetivos pecuniários. Empreiteiros não se subordinam à política. O contrário, sim, é que é a verdade. 

Tendo tal poder e tal inserção social, os empreiteiros jamais sofrem baques em seus negócios. Sua fonte de sustentação não é o mercado, tal como entendido costumeiramente. Apoiam-se no erário e inventam medidas e maneiras para manter um fluxo de caixa que lhes seja sempre favorável. Para azeitar seus recebimentos, untam os canais costumeiros, nascendo daí a corrupção institucionalizada ou, como diria Dante, "do não fazem sim pela propina".

Kalil, o candidato a prefeito de Belo Horizonte, dá um passo adiante nesse complexo jogo entre empreiteiros e a política. Mais ousado é o movimento quando se sabe, ou pelo que se divulga, ser ele um empreiteiro falido, com contas a acertar com o fisco municipal. Mais curioso, ainda, é seu suporte organizacional, construído em torno de pequenos partidos de esquerda - PHS, PV e Rede Solidariedade - com o velado apoio do PT e seus sequazes, como o PC do B e outros menos votados. Espantoso bloco de poder, que nem um Gramsci conseguiria decifrar. Esses partidecos se movimentam, e remoem, gulosamente, à espreita das boquinhas volumosas da prefeitura, caso obtenham a vitória no próximo dia 30 de outubro, tendo Kalil como aríete a arrombar as portas.       

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Belo Horizonte: todo o poder aos empreiteiros


Do conúbio perverso entre a voracidade e os governos nasceram os empreiteiros. Estes, filhos devotados aos pais, nunca deixaram de prestar-lhes as devidas homenagens com a generosa abertura da sua fornida cornucópia. De maneira vagamente assemelhada com os empresários comuns (que buscam atentamente oportunidades de negócios, com um olho no mercado e outro na concorrência), os empreiteiros têm aqui, claramente definido, um aspecto que marcará sua natureza: diferentemente dos verdadeiros empresários privados, os empreiteiros, na prática, só negociam com o governo, seu único cliente, quer seja no âmbito municipal, estadual ou federal. 

As operações conduzidas pela justiça e pela polícia, em especial a chamada Operação Lava-Jato, escancarou os subterrâneos onde se movem os empreiteiros. A ousadia dessa gente é simplesmente inacreditável. Um dos mais audaciosos dos empreiteiros (Marcelo Odebrecht) chegou a criar um específico departamento para gerenciar as propinas e capilés, com os quais alimentava a cobiça dos políticos, do Brasil e de outras plagas. O corruptor sabia que tal cobiça, universal segundo também denuncia a Palavra, é igual ao abismo e igual ao inferno: nunca se satisfaz. 


Tal conduta deletéria não se restringe, porém, aos grandes empreiteiros. Os ratos são ratos, independentemente do seu tamanho. A grande imprensa não se cansa de apontar exemplos dessa rede corruptora que se espraia do norte ao sul e do leste ao oeste. Apesar do pendor cleptocrático dos   governantes e da burocracia pública, sempre houve uma espécie de "ética" entre estes e os empreiteiros; os governantes, bem ou mal, governavam e os empreiteiros ficavam no seu pedaço, a distribuir os pixulecos que sustentavam e acalmavam aqueles. O mecanismo era simples. As propinas não passavam de custos a serem embutidos no preço final de qualquer obra ou serviço prestado. Por isso o espanto quando se tem notícia de empreiteiro que faliu. Empreiteiro falido é um oxímoro
: se é empreiteiro não é falido; se é falido não é empreiteiro. Empreiteiro falido, somente com fraude.

Imagine-se, agora, um empreiteiro, como Marcelo Odebrecht (o corruptor-mór da República), postulando a presidência do Brasil, ou um Léo Pinheiro se credenciando a governar São Paulo. Seria tão chocante quanto botar o bicheiro Carlinhos Cachoeira na chefia da Polícia Federal. Ou designar Fernandinho Beira Mar para uma delegacia de tóxicos.    


Em Belo Horizonte, contudo, um desses paradoxos corre o risco de se viabilizar. Um empreiteiro está na disputa da prefeitura. Esse exotismo dos mineiros pode ser a senha acenada aos plutocratas do país. Chega de políticos, como diz Kalil? Não. Chega de intermediários entre os empreiteiros e os cofres públicos. Os lucros da turma aumentarão. O sindicato dos patrões das obras públicas esfrega as mãos de alegria. Kalil, quem sabe, até traga um resultado socialmente desejável. Talvez, passe a pagar seus tributos municipais, coisa que ele evita fazer, fugindo do fisco como o diabo foge da cruz. 



terça-feira, 27 de setembro de 2016

Empreiteiros: penicos de palácio

Os empreiteiros são ligados aos governantes de maneira tão umbilical que não deveriam ser tratados como "empresários", ou homens da iniciativa privada convencional. Eles, de fato, configuram uma espécie de ente autárquico especial, organicamente vinculados aos governos da esfera municipal, estadual e federal. O Estado é, com efeito, seu cliente preferencial, quando não é o único. Certamente por tais características eles, empreiteiros, se sintam tão à vontade na convivência com os políticos, não desgrudando destes em nenhuma hipótese em degenerada intimidade.   

Sai governo, entra governo, mude ou não o partido hegemônico, os empreiteiros lá permanecem impávidos em seu nicho negocial. Os reis de antanho se sucediam no trono trazendo novas configurações cortesãs; uma coisa, no entanto, não mudava. Ao olhar debaixo da cama, o imperador constatava que o mesmo penico de louça decorada (que pertencera a seus vetustos avoengos), lá pairava, silencioso, imóvel, e pronto para cumprir sua função habitual e indelegável. Os empreiteiros, também irremovíveis, são uma espécie de penicos de palácio. 

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Empreiteiros X Políticos: a aventura de Kalil


A reputação dos políticos, sabe-se há muito tempo, não é lá essas coisas. Desse fato se servem demagogos eventuais para alardear suas diferenças em relação a parlamentares que, periodicamente, disputam eleições, tal qual está acontecendo na luta pela prefeitura de Belo Horizonte. Dizendo não serem políticos, fazem o mais político dos discursos políticos. Apontando o dedo podre para os adversários, pretendentes como Kalil, de ofício empreiteiro, querem disputar e vencer os “políticos” nas eleições municipais no corrente ano de 2016. Em São Paulo ocorre algo similar.

A reputação dos empreiteiros, no entanto, não é nenhuma Brastemp, como se diria antigamente. Se os políticos, qual fraldas sujas, podem - e devem - ser removidos periodicamente de suas posições, qual seria a solução adequada para arrostar os empreiteiros malandros? Solução sedutora seria aquela relatada pelo historiador Suetônio em sua obra sobre os Doze Césares. Calígula, um dos mais eficientes imperadores romanos, costumava degolar os empreiteiros que não realizassem a contento as obras contratadas. Verdade que os tempos atuais não permitem práticas tão bárbaras, apesar da simpatia que provocaria nas multidões.

Os casos de imperícia e de trapaças dos empreiteiros são notórios: viadutos que desabam, coberturas de estádios que desmoronam, passarelas arrancadas pelas águas, pistas com cobertura asfáltica que não duram um verão, usinas de energia inadequadas, moradias populares que se esfarelam mesmo antes de qualquer uso, os exemplos são inumeráveis. O passivo da turma capitaneada pela Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS e outras menos votadas é considerável.

Agora, o que se observa, porém, é uma articulação dos chamados pequenos e médios empreiteiros contra os grandes do setor, aproveitando a crise pela qual passa o país. Parecem querer inverter o juízo proferido por Diógenes, ao vislumbrar uma comitiva conduzindo um grupo de homens para o cadafalso: “lá vão os ladrões grandes enforcar os ladrões pequenos”. 

Em Belo Horizonte, os empreiteiros pequenos se assanham contra os empreiteiros grandes. A ferramenta que pretendem utilizar nessa disputa de vida ou morte é a prefeitura da capital mineira. Por isso bradam: Kalil para prefeito, em aliança estreita com os maluquinhos da Rede de Marina Silva e os nefelibatas do PV. 

Empreiteiro fabricante de asfalto, Kalil deve ter acenado aos novos aliados com a promessa de tingir de verde - ecologizando, vá lá o neologismo - a pasta asfáltica, dando assim um novo colorido à cidade, sem se esquecer naturalmente dos acertos com os adeptos do arco íris.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

PT, Krupp e Odebrecht

Partidos totalitários se parecem























A luta de classes continua, virada porém, de ponta cabeça. A direção nacional do PT tornou pública, ontem, sua posição em favor dos maiores bilionários do país. Com tal posicionamento, o partido ainda será conhecido como o PET (Partido dos Empreiteiros e dos Trabalhadores). Seria bom lembrar a similar aliança, outrora, de outro partido dito dos trabalhadores - o nacional socialista - com o grande empresariado alemão no período dos nazistas (doze anos, entre 1933 e 1945), notadamente a Krupp.

"Gustav Krupp era diretor da indústria Krupp AG, em 1933, quando assumiu o papel de dirigente da Associação da Indústria Alemã do Reich e tornou-se um importante aliado do regime nazista. Há indícios históricos que confirmam a utilização de mão-de-obra forçada de civis e prisioneiros de guerra dos campos de concentração nesta época, podendo ter chegado a 100 mil".

Abaixo, trecho da cândida defesa dos companheiros empreiteiros da Odebrecht, Andrade-Gutierrez, Mendes Jr., Queiroz Galvão, UTC e outras, tal como 
formulada pelos companheiros trabalhadores (Lula e Dilma à frente).

"Preocupa ao PT as consequências para a economia nacional do prejulgamento de empresas acusadas no âmbito da Operação Lava-Jato". 


O texto na sua íntegra está no site do PT. Vale a pena ler. 

terça-feira, 12 de maio de 2015

Petrobrás: a santinha do lupanar (Reinaldo Azevedo)



"Olhem aqui: uma coisa é as empreiteiras pagarem uma multa pesada — decida-se quanto na instância adequada — em razão das malandragens que foram feitas em parceria com a Petrobras. Outra, muito distinta, é a estatal recorrer à Justiça cobrando ressarcimento das empreiteiras. Aí, tenham a santa paciência, não é mesmo?

Isso só acontece, assim, com essa desfaçatez, porque se inventou a tese absurda, falsa, mas verossímil para os cretinos, de que a estatal é apenas vítima da sem-vergonhice.

Vocês sabem muito bem que não me conformo com essa tese desde o primeiro dia. Ela é a filha bastarda e supostamente virtuosa do estatismo mais xucro.  Sustentar que a Petrobras foi vítima de alguma coisa corresponde, no terreno da ética política, a isentar o modelo que fez — e faz — com que a empresa seja campo de manobra de um partido político.

Se eu fosse um dos empreiteiros da Lava Jato, recorreria à Justiça, acusando a Petrobras de chantagem e de extorsão. Sei, os empreiteiros não vão fazer isso… Passaram tanto tempo grudados nos países baixos do petismo que acabaram perdendo a moral — e o moral — para reagir.

Não, senhores! Não há santos nessa história. A Petrobras posar agora de moça virtuosa e traída é dessas coisas que condenam não o presente, mas o futuro do Brasil. Era só o que faltava: a Petrossauro, agora, como São Jorge de lupanar…”

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Leiam texto da VEJA.com.


"A Petrobras vai entrar com ação cívil contra cinco empreiteiras e alguns de seus executivos envolvidas na Operação Lava Jato, pedindo ressarcimento de cerca de 1,3 bilhão de reais, disse a estatal nesta sexta-feira.

O valor pode ser ainda maior se acrescido de multas e danos morais. Apesar de ter sido parte atuante no polo passivo da corrupção do petrolão, a estatal insiste na tese de que é vítima na investigação e, por isso, continuará entrando com ações na Justiça.
A companhia já havia acionado individualmente na Justiça as construtoras Engevix e a Mendes Junior e alguns dos seus executivos, e deverá entrar com ação contra outras três empresas pedindo o ressarcimento total de cerca de 452 milhões de reais. O montante considera reparos por danos materiais e multa, além de pedido de indenização por danos morais, cujos valores serão quantificados no decorrer do processo.

Nas próximas semanas, a Petrobras ingressará, também como coautora, em outras três ações, envolvendo contratos com as empresas Camargo Corrêa, OAS e Galvão Engenharia, totalizando pedido de reembolso de aproximadamente 826 milhões de reais.
“Essas ações se somam a um conjunto de medidas que estão sendo adotadas para garantir o ressarcimento integral dos prejuízos sofridos pela companhia, inclusive aqueles relacionados à sua reputação, e reforçam o compromisso da Companhia em cooperar com as investigações”, disse a estatal, em nota.

A Operação Lava Jato da Polícia Federal e do Ministério Público investiga um esquema bilionário de corrupção envolvendo contratos da Petrobras com as maiores empreiteiras do país, e que teria desviado recursos para partidos políticos, políticos, operadores e ex-executivos da Petrobras.

Nesta semana, a Justiça Federal do Paraná autorizou a devolução de 157 milhões de reais à Petrobras dos recursos repatriados de contas no exterior do ex-gerente de Serviços da estatal Pedro Barusco".

sexta-feira, 1 de maio de 2015

O porco gordo e a porcada ainda magra (Retirado de O Antagonista)

















O habitual lero-lero de Lula em visita às "obras" no Comperj-RJ, conforme pode ser conferido na revista ÉPOCA, resume em 1’46” a rapina cometida na Petrobras.
A versão integral do discurso é ainda mais reveladora. É quase uma delação premiada de Lula.
Inicialmente, ele citou as autoridades presentes ao evento. Cinco deles estão sendo investigados pela Lava Jato:
1 – “Quero começar cumprimentando o companheiro Sérgio Cabral”.
2 – “Nosso companheiro Pezão”.
3 – “O ministro Edison Lobão”.
4 – “O nosso querido Paulo Roberto Costa, presidente em exercício da Petrobras”.
5 – “Nosso companheiro Jorge Sergio Machado, presidente da Transpetro”.
Em seguida, ele explicou os motivos daquele evento:
“Eu sei que tem algumas pessoas que estão perguntando ‘por que o Lula já visitou pela terceira vez o Comperj, se ainda a obra não está sendo construída, está na fase da terraplanagem?’ A primeira coisa que tem que compreender é que eu adotei como filosofia de vida aquela de que ‘é o olho do dono que engorda os porcos’. Então, eu tenho que estar presente sempre, para saber se as coisas que nós decidimos estão funcionando”.
Cinco anos mais tarde, as obras no Comperj continuam paradas, mas a filosofia de vida de Lula funcionou: os porcos engordaram um bocado.
Depois de falar sobre seus porcos, Lula disse que sabia da roubalheira em Abreu e Lima. Ele disse também que a roubalheira tinha de prosseguir:
“Se a gente não fica esperto, a obra da refinaria de Pernambuco estaria parada. Porque se levantou suspeita de sobrepreço em algumas obras. E foi para a comissão do Congresso, a comissão do Congresso colocou no anexo VI, e eu vetei, porque senão teria que ter mandado embora 27 mil trabalhadores”.
Lula esclareceu igualmente que, para engordar seus porcos, a ração teria de ser fornecida pela própria Petrobras:
“O companheiro Paulo Roberto Costa sabe, a Dilma Rousseff, como presidenta do conselho administrativo da Petrobras, sabe, o ministro Lobão, como ministro de Minas e Energia, sabe que, há cinco anos atrás, se dependesse da vontade da Petrobras, não teria nenhuma refinaria no Brasil”.
Outro porco do chiqueiro de Lula, Hugo Chávez, entrou na história:
“Numa visita de trabalho do presidente Chávez, conseguiu a parceria para a PDVSA se associar à Petrobras. Levamos três anos para construir essa parceria, porque a Petrobras e a PDVSA são duas grandes empresas, e duas moças bonitas no mesmo baile, elas sofrem uma concorrência natural entre elas, e nós demoramos muito para construir a engenharia do acordo que, graças a Deus, está pronto e está andando”.
Lula, a essa altura, introduziu o único assunto que realmente interessava:
“São bilhões de dólares, de investimentos. Se a gente for medir só o que a gente está fazendo, a gente vai ultrapassar os US$ 60 bilhões em refinaria neste país”.
E apresentou seus cúmplices:
“Aqui tem muitos empresários do setor da construção civil”.
O juiz Sergio Moro poderia usar o discurso de Lula como prova da Lava Jato. Ele mostra claramente quem era o chefe do esquema.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Empreiteiros e Calígula

Uma verdadeira história do Brasil só seria aceitável quando focasse a atuação dos empreiteiros. Isso incluiria todos, dos mais modestos prestadores de serviços contratados pelo poder público, até os gigantes que hoje se expandiram pelo mundo. Reis, imperadores, sátrapas, prefeitos, governadores e presidentes de repúblicas nunca deixaram de levar uma beirada dos ganhos daqueles operadores. Para os empreiteiros isso nunca foi problema: era um custo fácil de ser contabilizado. O freguês é quem sempre mandava.

- Qual a percentagem, excelência? O senhor é quem manda: 2%, 5%, 10%, 20%? É só dizer.

Tal formulação parece ser a única que de fato interessa aos parceiros. Poderia ser dirigida ao beneficiário direto ou, quando algum pudor se insinua, a intermediários expressamente designados como tal. Poderia ser o Paulinho, a Gracinha, o Valério, o Valfredo, o Nestor, o Duque, o Youssef ou qualquer outro que transite entre uma e outra ponta dos negócios. Falar diretamente, no entanto, implica riscos desnecessários. O caso do Severino, achacador de dono de boteco, é o exemplo mais conspícuo. Ganha uma merreca e ainda é afrontado com denúncia cara a cara. Um intermediário dá segurança, evitando possíveis desdobramentos. Não que a intermediação seja garantia de procedimentos livres de risco. O exemplo do petrolão escancarou o problema. O esquema atual, pelo que se pode deduzir, ainda será objeto de aperfeiçoamento. Talvez, num estilo mafioso, com a liquidação periódica do agente a soldo ou do porta voz do dono. Alguns incidentes indicam que tal modelo não está descartado, posto apenas no rol das possibilidades teóricas. Não se pode esquecer dos acontecimentos vinculados ao episódio Celso Daniel.  

Para negociar com os empreiteiros, uma visita à História dos doze Césares, de Suetônio, seria instrutiva. Realizador compulsivo e delirante, Calígula criou um método infalível de tratar as empreitadas, aplicando sutilíssimo método de controle de qualidade. Se entendesse que as coisas não corriam bem, mandava degolar o empreiteiro. Com tal acicate, dispensava-se qualquer mecanismo gerencial garantidor da obediência a normas e contratos. Ministros e dirigentes, aliás, como acontecia em alguns reinos africanos, deveriam ser submetidos a saneador estrangulamento periódico. Nas Viagens de Gulliver, Swift faz menção ao prazo de validade dos ministros de certo reino. Após 15 anos de exercício eles eram executados. Criava-se, assim, uma saudável rotatividade no poder. E não se pense que tal destino desestimulasse as ambições. Caso o costume vigorasse entre nós, ninguém duvide: as filas seriam maiores que as do INSS. O critério de seleção dos ministros, segundo Swift, era igualmente inusitado. Fazia-se uma disputa entre os pretendentes. Quem melhor se saía caminhando na corda bamba era escolhido. Um critério, enfim, tão bom como qualquer outro, similar a provas de concurso público. Saber andar na corda bamba evitava recrutar gente ruim de serviço ou incapaz da mais elementar habilidade de sobrevivência num mundo cheio de disputas e de perfídias.