Mostrando postagens com marcador Lava-Jato. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lava-Jato. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 7 de março de 2017

Padrões alemães e a lava-jato


Os depoimentos contidos nas delações premiadas dos executivos da Odebrecht são devastadores. Os negócios da empreiteira com a cúpula do PT, em especial com Lula, configuravam uma organização detalhada e detalhista, típico da cultura germânica. Planilhas contendo nomes, dados e fatos fazem lembrar os arquivos alemães que serviram de base para a condenação de Eichmann, o carniceiro nazista, cujo julgamento em Jerusalém foi esplendidamente narrado pela grande filósofa Hannah Arendt. Corrupção ao estilo Odebrecht era coisa séria. Dificilmente as outras empreiteiras poderão apresentar algo similar; o estilão destas deve ser o tradicional no Brasil, com avacalhação generalizada. Com a Odebrecht, jamais: é tudo pão pão, queijo queijo.

Não deixa de ter sua graça, uma organização ser punida por ser, exatamente, bem organizada. Nunca ninguém ouviu falar de "departamento" da propina em alguma instituição, operando a pleno vapor, conforme vem sendo divulgado pela imprensa. Nem os baianos conseguiram dar um toque local de malemolência ao gigantesco grupo empresarial.

Deveriam ter aprendido com Maluf; ninguém encontrou, apesar da insistência investigatória, um papelucho que seja, registrando as estripulias do atual deputado e ex-governador de São Paulo. Chega a causar espécie que o malufismo tenha sido colocado para escanteio no atual ambiente de negócios no Brasil. Paulo Maluf é quem deve ser visto como empreendedor eficiente. Esse bando de empreiteiros que se julgam malandros são, de fato, os otários das negociatas costumeiras. 

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Belo Horizonte: todo o poder aos empreiteiros


Do conúbio perverso entre a voracidade e os governos nasceram os empreiteiros. Estes, filhos devotados aos pais, nunca deixaram de prestar-lhes as devidas homenagens com a generosa abertura da sua fornida cornucópia. De maneira vagamente assemelhada com os empresários comuns (que buscam atentamente oportunidades de negócios, com um olho no mercado e outro na concorrência), os empreiteiros têm aqui, claramente definido, um aspecto que marcará sua natureza: diferentemente dos verdadeiros empresários privados, os empreiteiros, na prática, só negociam com o governo, seu único cliente, quer seja no âmbito municipal, estadual ou federal. 

As operações conduzidas pela justiça e pela polícia, em especial a chamada Operação Lava-Jato, escancarou os subterrâneos onde se movem os empreiteiros. A ousadia dessa gente é simplesmente inacreditável. Um dos mais audaciosos dos empreiteiros (Marcelo Odebrecht) chegou a criar um específico departamento para gerenciar as propinas e capilés, com os quais alimentava a cobiça dos políticos, do Brasil e de outras plagas. O corruptor sabia que tal cobiça, universal segundo também denuncia a Palavra, é igual ao abismo e igual ao inferno: nunca se satisfaz. 


Tal conduta deletéria não se restringe, porém, aos grandes empreiteiros. Os ratos são ratos, independentemente do seu tamanho. A grande imprensa não se cansa de apontar exemplos dessa rede corruptora que se espraia do norte ao sul e do leste ao oeste. Apesar do pendor cleptocrático dos   governantes e da burocracia pública, sempre houve uma espécie de "ética" entre estes e os empreiteiros; os governantes, bem ou mal, governavam e os empreiteiros ficavam no seu pedaço, a distribuir os pixulecos que sustentavam e acalmavam aqueles. O mecanismo era simples. As propinas não passavam de custos a serem embutidos no preço final de qualquer obra ou serviço prestado. Por isso o espanto quando se tem notícia de empreiteiro que faliu. Empreiteiro falido é um oxímoro
: se é empreiteiro não é falido; se é falido não é empreiteiro. Empreiteiro falido, somente com fraude.

Imagine-se, agora, um empreiteiro, como Marcelo Odebrecht (o corruptor-mór da República), postulando a presidência do Brasil, ou um Léo Pinheiro se credenciando a governar São Paulo. Seria tão chocante quanto botar o bicheiro Carlinhos Cachoeira na chefia da Polícia Federal. Ou designar Fernandinho Beira Mar para uma delegacia de tóxicos.    


Em Belo Horizonte, contudo, um desses paradoxos corre o risco de se viabilizar. Um empreiteiro está na disputa da prefeitura. Esse exotismo dos mineiros pode ser a senha acenada aos plutocratas do país. Chega de políticos, como diz Kalil? Não. Chega de intermediários entre os empreiteiros e os cofres públicos. Os lucros da turma aumentarão. O sindicato dos patrões das obras públicas esfrega as mãos de alegria. Kalil, quem sabe, até traga um resultado socialmente desejável. Talvez, passe a pagar seus tributos municipais, coisa que ele evita fazer, fugindo do fisco como o diabo foge da cruz. 



quinta-feira, 21 de julho de 2016

Marilena Chauí

Dona Marilena Chauí é professora de filosofia da USP, considerada a maior e melhor universidade do país. Fez-se famosa pela sua, aliás, bem remunerada adesão ao PT, e sua defesa de tudo que é maléfico que o petismo impôs à nação. Se pelo dedo se conhece o gigante, a conduta política da madame permite entender a sofrível reputação das instituições de ensino superior brasileiras, verdadeiros antros de doutrinação, em nada diferentes das madraçais islâmicas. 

Alguém poderia achar que a dona, em seus delírios insanos, somente está a exercer o seu direito de livre manifestação do pensamento, vá lá a concessão. Em tudo, porém, há um limite. Quem se der ao trabalho de assistir ao vídeo abaixo, verá que um pedido de interdição da professora de filosofia favorita do PT deveria ser considerado. Os pais de alunos da tia velha deveriam considerar tal hipótese, em defesa da saúde mental e intelectual de seus filhos. José Guilherme Merquior, por sinal, já apontara seu comportamento desonesto ao plagiar Claude Lefort. 

A possível demência cobraria das autoridades acadêmicas um laudo psiquiátrico, em prol do interesse público e da defesa do equilíbrio espiritual no ambiente universitário. 

https://youtu.be/AQXw8B0lN2c

Marilena Chauí e a lava-jato




domingo, 20 de março de 2016

Não vai ter golpe (Noblat)


Simples o que aconteceu na última quarta-feira em Brasília quando Dilma telefonou para Lula avisando-o de que um emissário lhe entregaria no hotel o termo de posse.

No melhor “estilo Dilma” de falar, ela disse, na tentativa desesperada de se fazer entender: "Seguinte, eu tô mandando o Messias junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!"

Subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil, Jorge Messias deu a Lula uma cópia assinada por Dilma do termo de posse dele como ministro-chefe da Casa Civil da presidência da República.
E pegou a assinatura de Lula em outra cópia do mesmo documento que ainda carecia da assinatura de Dilma. Mas como este parágrafo acabará na próxima linha, espere só um pouco para conhecer o resto da história. Adiante.
Dilma e Lula haviam sido informados de que o juiz Sérgio Moro estava pronto para decretar a prisão preventiva de Lula pedida pelo Ministério Público de São Paulo.
Se isso acontecesse, Lula correria o risco de ser preso antes da posse, indo assim a pique a operação montada para fazê-lo Ministro de Estado. Uma vez ministro, ele ficaria a salvo da “República de Curitiba” e aos cuidados do Supremo Tribunal Federal.
Do hotel em Brasília, Lula retornou a São Paulo.  Se agentes federais batessem à sua porta, ele assinaria a cópia do termo de posse já assinado por Dilma, uma espécie de habeas corpus administrativo.
Em Brasília, por sua vez, Dilma assinaria a cópia do termo de posse já assinado por Lula, mandando-o para publicação no Diário Oficial. E o ministro-chefe da Casa Civil assim “lavado”, escaparia à prisão.
Um plano perfeito? Está para ser inventado um. Bancado pela dupla Dilma-Lula para obstruir a Justiça, o plano começou a dar errado tão logo Moro, acostumado a bisbilhotar os outros, soube que estava sendo bisbilhotado.
Suspendeu a redação dos motivos que justificariam a prisão de Lula e divulgou de uma vez mais de 40 conversas dele ao telefone, grampeadas com a sua autorização. 
Para o país, foram horas eletrizantes, aquelas, transcorridas entre o anúncio de que Lula aceitara o convite de Dilma para ser ministro (pouco antes do meio-dia) e o momento em que se ouviu na Globo News (pouco antes das 19h) a voz de Dilma informando a Lula sobre o papel que só deveria ser usado “em caso de necessidade”.
Em cerca de sete horas, o governo foi da esperança e da euforia à frustração e ao medo.
É com pavor a uma queda rápida que o governo se prepara para enfrentar no Congresso o pedido de impeachment.
Desfalcado de Lula, que teve sua nomeação para ministro suspensa pela Justiça, e ameaçado por novos fatos a serem produzidos pela Lava-Jato, o governo parece dispor de uma única arma: os erros dos seus adversários.
Atuará em cima dos erros. E, no mais, seja o quer Deus quiser.
Deus, não sei, mas os brasileiros dão fortes sinais de que desejam ver Dilma, Lula e o PT pelas costas. Não estão divididos, como se diz. Podem não saber o que querem, mas sabem o que não querem.
Não querem ser enganados como foram por Dilma, reeleita com base em mentiras. Não querem devolver o que ganharam. E não querem corrupção - daí o esmagador apoio ao impeachment e a rejeição crescente a Lula.
Jamais a democracia por aqui deu tantas provas de solidez e de vitalidade.  Suportou a queda de um presidente eleito. Se for o caso, suportará outra.
Tranquilo: não vai ter golpe.


sábado, 27 de fevereiro de 2016

Peripécias do óbvio (Fernando Gabeira)


O governo assaltou e arruinou a Petrobrás. A tese mais elementar era esta: parte do dinheiro roubado foi desviada para as campanhas de Lula, Dilma e tutti quanti.

No Brasil, o elementar nem sempre se impõe. Almas generosas dizem: não há provas de que os milhões roubados da Petrobrás foram usados em campanha. Todo o dinheiro foi registrado no TRE: contribuições legais. As empresas que doaram são as mesmas do escândalo. O dinheiro da propina foi simplesmente lavado. As almas delicadas não acreditam que tenha havido dinheiro sujo na campanha e não fazem a mínima ideia de para onde voaram milhões de dólares. E consideram que está tudo bem com a lavagem de dinheiro, embora isso seja um crime punido por lei.

Agora a casa caiu. A prisão do marqueteiro João Santana mostra que ele recebeu dinheiro do escândalo do petróleo como pagamento pela sórdida campanha de 2014.

Fechou-se o quadro. Ele já estava desenhado no celular de Marcelo Odebrecht. Numa das anotações falava que as contas na Suíça poderiam atingir a campanha dela. Quem é ela? Se afirmar que é Dilma, as almas generosas vão dizer: há milhões de outras mulheres no Brasil.

Delcídio Amaral já havia advertido Dilma de que a prisão de Marcelo Odebrecht atingiria sua campanha, porque a empresa pagou a João Santana no exterior. Mercadante teria dito: a Odebrecht é problema do Lula. Solidariedade zero entre eles.

Agora, vão dizer que o dinheiro de Santana foi ganho em campanhas no exterior. Ele fez algumas, no universo da esquerda latino-americana. Todas pagas regiamente. Acontece que ele enviou o dinheiro do Brasil. Por que as campanhas lhe pagariam aqui? Acontece que recebeu durante a campanha de Dilma. Por que as campanhas de fora pagariam fora do tempo?

E como se não bastasse: que outras campanhas levaram dinheiro de propina de Keppel Fels, que tem um estaleiro no Brasil, opera com a Petrobrás, e seu lobista Swi Skornicki, destinatário de um bilhete da mulher de João Santana, Mônica, orientando-o a depositar os dólares no exterior?

As descobertas da Lava Jato apenas demonstram com provas uma tese cristalina: roubaram para permanecer no poder e acumular fortunas. Mas, sobretudo, para prosseguir no governo, entupindo as campanhas de dinheiro sujo.

Tecnicamente, a Lava Jato seguiu o caminho real: o dinheiro. É em torno da grana que eles giram como mariposas.

Além da cooperação suíça, as autoridades norte-americanas foram rápidas em enviar seus dados. Os suíços mantiveram sua disposição de colaborar.

Enfim, o cerco se fechou, uma parte considerável do mundo se alia ao povo brasileiro no esforço não só de punir os responsáveis, mas também de recuperar o dinheiro roubado.

E o governo, os políticos, os brasileiros, em tudo isso? O que era apenas uma tese que já balançava Dilma se tornou um fato comprovado com documentos. Aliás, mais documentos do que em outros casos da Lava Jato.

Se fosse uma partida de xadrez, diria que o governo levou um xeque-mate. Antes apenas se falava que a campanha de Dilma foi feita com dinheiro roubado. Agora todos sabem.

Mas o PT não é um jogador de xadrez comum , e não só porque atropela regras. Ele se distancia da própria realidade. Xadrez? Não estou vendo o tabuleiro. Antena no sítio de Atibaia? Lula não usa celular. Prisão do marqueteiro? O PT não tem marqueteiro, é apenas um senhor que nos ajuda.

De qualquer forma, será difícil acordar todas as manhãs, num país mergulhado em crise econômica, e pensarmos que ele está nas mãos de um grupo que roubou para vencer.

E não será apenas uma certeza política. Estarão lá, diante de nós, as contas no exterior, os dólares enviados, as transferências, conversões – enfim, toda a trajetória do fio condutor a que eles estão ligados: a grana.

De qualquer forma, o episódio é um momento de otimismo, na medida em que precipita a queda de Dilma. Como as crises estão entrelaçadas, uma solução política poderia dar algum alento à economia e se um projeto de transição sério fosse levado até 2018.

O PSDB voltou do recesso dizendo que votaria os projetos de interesse do País ao lado do governo. Isso me parece correto, pois sempre fui contra as pautas-bomba que explodem no bolso dos contribuintes. No entanto, não se deve acreditar ser esse o grande problema da oposição. Seu problema é não focar na saída da crise: o impeachment. E não trabalhar com uma ideia mais clara da transição.

Olhando para o futuro próximo, não faz sentido dizer que vota a reforma da Previdência só se o PT votar também. É um tema inescapável na transição.

Orientar-se pela posição do PT é, de uma certa forma, antecipar uma disputa em 2018. Não sabemos direito como será 2018 nem se haverá PT. O problema é achar um rumo para a transição e fazê-la acontecer com a queda de Dilma.

Os acontecimento da semana mostram que o jogo de empurrar com a barriga é apenas um esforço para levar Dilma até 2018, tudo bonitinho, faixa passada. A realidade, por meio de uma investigação competente, com apoio internacional, mostrou mais uma vez que é preciso pegar o touro à unha.

Os que esperam 2018 deveriam considerar apenas como ele será muito pior se nada for feito. Com que cara o Brasil chegará lá, dirigido por um governo corrupto, incompetente, politicamente nulo?
Quem sabe faz a hora ou espera acontecer? Ao contrário da canção, às vezes, acho melhor esperar acontecer. Mas, no caso específico, há um sentido de urgência.

Continuar com esse governo vai desintegrar o País. Uma terrível animação de Hong Kong já mostra a Baía de Guanabara poluída, atletas vomitando, a estátua do Cristo Redentor fazendo toneladas de cocô. É uma peça de humor. Mas se parece muito com o pesadelo que vivemos no Brasil.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Reflexões sobre o volume morto (Fernando Gabeira)


Lula teve alguns momentos de sinceridade na última semana. Disse que tanto ele como Dilma estavam no volume morto e que o PT só pensa em cargos. Ele se referiu ao volume morto num contexto de análise de pesquisas, que indicavam a rejeição ao governo e ao PT. Nesse sentido, volume morto significa estar na última reserva eleitoral. No entanto, o termo deve ser visto de forma mais ampla.

Estar por baixo nas pesquisas nem sempre significa um desastre. Em alguns momentos da História, o próprio PT, e disso me lembro bem, não alcançava 10% dos eleitores, mas tinha esperança, e os índices não abalavam sua autoestima. O volume morto em que se meteu agora é diferente. Ele indica escassez da água de beber e incapacidade energética, depois de 12 anos de governo. Foi um tempo em que, sob muitos aspectos, andamos para trás.

Há perdas na economia, na credibilidade do sistema político, todo um projeto fracassado acabou jogando o país também num volume morto. Há chuvas esparsas como a Operação Lava-Jato, mas elas caem muito longe dos reservatórios do PT. Tão longe que ajudam a ressecar ainda mais o terreno lodoso que ainda abastece as torneiras petistas.

Lula pode estar apenas querendo se distanciar de Dilma e do PT. Ele a inventou como estadista e agora bate em retirada. E quanto ao PT, quem vai rebater suas críticas e arriscar o emprego e a carreira? Pois é esse o combustível de seus quadros.

Há cerca de uma década escrevi um artigo intitulado “Flores para os mortos”, no qual afirmava que uma experiência com pretensão de marcar a História terminava, melancolicamente, numa delegacia de polícia. Foi muito divulgado, e na internet usaram até fundo musical para compartilhá-lo. O título é inspirado numa cena do filme de Luis Buñuel, a florista gritando na noite: “Flores, flores para os mortos”.

Devo ter recebido muitas críticas dos petistas. Passados dez anos e algumas portas de delegacia, hoje é o próprio líder que admite a incapacidade política de Dilma e a voracidade dos seus seguidores.

Olho para esse tempo com melancolia. Ao chegar ao Brasil, os tempos do exílio não pesavam tanto. O futuro era tão interessante, o processo de redemocratização tão promissor que compensavam o passado recente. Agora, não. O futuro é mais sombrio porque a tentativa de mudança foi uma fraude, a própria palavra mudança tornou-se suspeita: poucos creem que o sistema político possa realizar os anseios sociais.

Lula fala em esperança para sair do volume morto. Mas que esperança pode arrancá-los do volume morto quando o próprio líder, apesar de sua sinceridade ocasional, não consegue vislumbrar uma saída? Lula repete aquela frase atribuída ao técnico Yustrich: “Eu ganho, nós empatamos, vocês perdem”.

Lendo no avião uma entrevista do escritor argelino Kamel Daoud, muito criticado pelos muçulmanos mais radicais do seu país. O título da entrevista é: “Nem me exilar, nem me curvar”.

Uma de suas respostas me tocou fundo. O repórter perguntou: “Como você, depois de viver anos ligado aos Irmãos Muçulmanos, conseguiu escapar desse mundo?”. “Leitura, muita leitura”, respondeu Kamel Daoud.

O resto da viagem fiquei pensando como teria sido bom para a esquerda brasileira leitura, muita leitura, para poder escapar da sua própria miopia ideológica.

Na verdade, ela mastigou conceitos antigos, cultivou políticas retrógradas, como essa de apoiar o chavismo, e se perdeu nos escaninhos dos cargos e empregos. Ela me lembra os jovens do filme “O muro”. Um dos seus ídolos acaba como porteiro de hotel, e é melancólica a cena em que os admiradores o descobrem, paramentado, carregando malas.

Leitura, muita leitura, não importa em que plataforma, talvez impedisse a esquerda de ver seu predestinado líder proletário trabalhando como lobista de empreiteiras. Talvez nem se chamaria mais de esquerda.

Um dos mais ricos petistas critica os outros por só pensarem na matéria. A realidade surpreendeu todas as previsões da volta ao exílio, tornou-se uma espécie de pesadelo.

Tomara que chova nos reservatórios adequados e as forças que caíram no volume morto continuem por lá, fixadas na única esperança que lhes resta: sobreviver.

O país precisa sair do volume morto, reencontrar um nível de crescimento, credibilidade no seu sistema político. Hoje o país é governado por um fantasma de bicicleta e um partido de míseros oportunistas, segundo seu próprio líder, chamado de Brahma pelas empreiteiras.


sexta-feira, 26 de junho de 2015

PT, Krupp e Odebrecht

Partidos totalitários se parecem























A luta de classes continua, virada porém, de ponta cabeça. A direção nacional do PT tornou pública, ontem, sua posição em favor dos maiores bilionários do país. Com tal posicionamento, o partido ainda será conhecido como o PET (Partido dos Empreiteiros e dos Trabalhadores). Seria bom lembrar a similar aliança, outrora, de outro partido dito dos trabalhadores - o nacional socialista - com o grande empresariado alemão no período dos nazistas (doze anos, entre 1933 e 1945), notadamente a Krupp.

"Gustav Krupp era diretor da indústria Krupp AG, em 1933, quando assumiu o papel de dirigente da Associação da Indústria Alemã do Reich e tornou-se um importante aliado do regime nazista. Há indícios históricos que confirmam a utilização de mão-de-obra forçada de civis e prisioneiros de guerra dos campos de concentração nesta época, podendo ter chegado a 100 mil".

Abaixo, trecho da cândida defesa dos companheiros empreiteiros da Odebrecht, Andrade-Gutierrez, Mendes Jr., Queiroz Galvão, UTC e outras, tal como 
formulada pelos companheiros trabalhadores (Lula e Dilma à frente).

"Preocupa ao PT as consequências para a economia nacional do prejulgamento de empresas acusadas no âmbito da Operação Lava-Jato". 


O texto na sua íntegra está no site do PT. Vale a pena ler. 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

O porco gordo e a porcada ainda magra (Retirado de O Antagonista)

















O habitual lero-lero de Lula em visita às "obras" no Comperj-RJ, conforme pode ser conferido na revista ÉPOCA, resume em 1’46” a rapina cometida na Petrobras.
A versão integral do discurso é ainda mais reveladora. É quase uma delação premiada de Lula.
Inicialmente, ele citou as autoridades presentes ao evento. Cinco deles estão sendo investigados pela Lava Jato:
1 – “Quero começar cumprimentando o companheiro Sérgio Cabral”.
2 – “Nosso companheiro Pezão”.
3 – “O ministro Edison Lobão”.
4 – “O nosso querido Paulo Roberto Costa, presidente em exercício da Petrobras”.
5 – “Nosso companheiro Jorge Sergio Machado, presidente da Transpetro”.
Em seguida, ele explicou os motivos daquele evento:
“Eu sei que tem algumas pessoas que estão perguntando ‘por que o Lula já visitou pela terceira vez o Comperj, se ainda a obra não está sendo construída, está na fase da terraplanagem?’ A primeira coisa que tem que compreender é que eu adotei como filosofia de vida aquela de que ‘é o olho do dono que engorda os porcos’. Então, eu tenho que estar presente sempre, para saber se as coisas que nós decidimos estão funcionando”.
Cinco anos mais tarde, as obras no Comperj continuam paradas, mas a filosofia de vida de Lula funcionou: os porcos engordaram um bocado.
Depois de falar sobre seus porcos, Lula disse que sabia da roubalheira em Abreu e Lima. Ele disse também que a roubalheira tinha de prosseguir:
“Se a gente não fica esperto, a obra da refinaria de Pernambuco estaria parada. Porque se levantou suspeita de sobrepreço em algumas obras. E foi para a comissão do Congresso, a comissão do Congresso colocou no anexo VI, e eu vetei, porque senão teria que ter mandado embora 27 mil trabalhadores”.
Lula esclareceu igualmente que, para engordar seus porcos, a ração teria de ser fornecida pela própria Petrobras:
“O companheiro Paulo Roberto Costa sabe, a Dilma Rousseff, como presidenta do conselho administrativo da Petrobras, sabe, o ministro Lobão, como ministro de Minas e Energia, sabe que, há cinco anos atrás, se dependesse da vontade da Petrobras, não teria nenhuma refinaria no Brasil”.
Outro porco do chiqueiro de Lula, Hugo Chávez, entrou na história:
“Numa visita de trabalho do presidente Chávez, conseguiu a parceria para a PDVSA se associar à Petrobras. Levamos três anos para construir essa parceria, porque a Petrobras e a PDVSA são duas grandes empresas, e duas moças bonitas no mesmo baile, elas sofrem uma concorrência natural entre elas, e nós demoramos muito para construir a engenharia do acordo que, graças a Deus, está pronto e está andando”.
Lula, a essa altura, introduziu o único assunto que realmente interessava:
“São bilhões de dólares, de investimentos. Se a gente for medir só o que a gente está fazendo, a gente vai ultrapassar os US$ 60 bilhões em refinaria neste país”.
E apresentou seus cúmplices:
“Aqui tem muitos empresários do setor da construção civil”.
O juiz Sergio Moro poderia usar o discurso de Lula como prova da Lava Jato. Ele mostra claramente quem era o chefe do esquema.