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sábado, 25 de julho de 2015

Doações e obrigações - o caso petrolão

Notícia divulgada pela VEJA.com informa que presentes de luxo eram dados às figuras mais proeminentes do esquema do petrolão. Tais dádivas configuram uma forma clássica de se prestar homenagem, ou vassalagem, criando assim uma espécie de vínculo obrigacional entre doador e receptor. Doutrinas jurídicas e estudos antropológicos discutem, há muito, a natureza de tais obrigações. Instigante exemplo, válido por todos, está na obra de Marcel Mauss sobre a dádiva (Essai sur le don).

Cabe, então, a pergunta: os diretores da Petrobrás também davam presentes valiosos aos seus superiores? Se a resposta for positiva, qual foi o mimo que Paulo Roberto Costa deu à filha de Dilma, no seu casamento, solenidade em que o ex-diretor foi dos raros brasileiros a receber convite? Quem meus filhos agrada, minha boca adoça, reza velho adágio popular. Não se está imiscuindo, portanto, na esfera privada da venturosa noiva. A dádiva era endereçada, de fato, a sua majestade, a rainha-mãe. Se o brinde teve origem nos frutos desviados do petrolão, é legítimo tal questionamento e, mais legítimo ainda, pedir que aquele seja devolvido ao patrimônio público. Veja-se que num caso similar - o do famigerado Silvinho - este estornou imediatamente o Land Rover que lhe foi doado por uma das corruptoras (GDK) ligadas à Petrobrás, assim que começaram a vir a público os rolos do mensalão. Se Paulo Roberto Costa fez mesura com o chapéu alheio, para não se utilizar menção mais próxima da verdade sobre seu instrumento de gozo, o presente dado por ele precisa ser, antes de mais nada, de conhecimento público.

A notícia segue abaixo:

"Os ex-presidentes da Petrobras José Sergio Gabrielli e Graça Foster não são formalmente investigados na Operação Lava Jato, mas os nomes dos dois aparecem em uma seleta lista de destinatários de presentes de luxo ofertados pela construtora Odebrecht. 

Um documento apreendido pela Polícia Federal na sede da empreiteira com os dizeres "Relação de Brindes Especiais - 2010" indica que a empresa presenteava os diretores com pinturas e obras de arte de artistas consagrados como Alfredo Volpi, Gildo Meirelles, Romanelli e Oscar Niemeyer.

O remetente das cobiçadas obras era o diretor da Odebrecht Rogério Araújo, o mesmo que aparece em mensagens cifradas de celular redigidas pelo patrão, Marcelo Odebrecht. Ambos estão presos desde o dia 19 de junho e foram denunciados formalmente pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Além dos dois ex-presidentes da Petrobras, foram destinatários dos "brindes" da construtora os ex-diretores Paulo Roberto Costa, Renato Duque, Jorge Zelada e Nestor Cerveró, além do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco. Todos eles respondem a processos decorrentes da Lava Jato".


quarta-feira, 6 de maio de 2015

O mandarim (Eça de Queiroz)


Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás e piloto do petrolão, tem ascendência portuguesa. Deveria ter honrado os antepassados e lido Eça de Queiroz, em vez de dedicar seu tempo a servir a organização criminosa que assaltou o Brasil. Em "O Mandarim", novela de cunho fantástico, o genial romancista apresenta uma lição definitiva, de natureza moral:

"Só sabe bem o pão que dia a dia ganham as nossas mãos: nunca mates o Mandarim!"  



sexta-feira, 1 de maio de 2015

O porco gordo e a porcada ainda magra (Retirado de O Antagonista)

















O habitual lero-lero de Lula em visita às "obras" no Comperj-RJ, conforme pode ser conferido na revista ÉPOCA, resume em 1’46” a rapina cometida na Petrobras.
A versão integral do discurso é ainda mais reveladora. É quase uma delação premiada de Lula.
Inicialmente, ele citou as autoridades presentes ao evento. Cinco deles estão sendo investigados pela Lava Jato:
1 – “Quero começar cumprimentando o companheiro Sérgio Cabral”.
2 – “Nosso companheiro Pezão”.
3 – “O ministro Edison Lobão”.
4 – “O nosso querido Paulo Roberto Costa, presidente em exercício da Petrobras”.
5 – “Nosso companheiro Jorge Sergio Machado, presidente da Transpetro”.
Em seguida, ele explicou os motivos daquele evento:
“Eu sei que tem algumas pessoas que estão perguntando ‘por que o Lula já visitou pela terceira vez o Comperj, se ainda a obra não está sendo construída, está na fase da terraplanagem?’ A primeira coisa que tem que compreender é que eu adotei como filosofia de vida aquela de que ‘é o olho do dono que engorda os porcos’. Então, eu tenho que estar presente sempre, para saber se as coisas que nós decidimos estão funcionando”.
Cinco anos mais tarde, as obras no Comperj continuam paradas, mas a filosofia de vida de Lula funcionou: os porcos engordaram um bocado.
Depois de falar sobre seus porcos, Lula disse que sabia da roubalheira em Abreu e Lima. Ele disse também que a roubalheira tinha de prosseguir:
“Se a gente não fica esperto, a obra da refinaria de Pernambuco estaria parada. Porque se levantou suspeita de sobrepreço em algumas obras. E foi para a comissão do Congresso, a comissão do Congresso colocou no anexo VI, e eu vetei, porque senão teria que ter mandado embora 27 mil trabalhadores”.
Lula esclareceu igualmente que, para engordar seus porcos, a ração teria de ser fornecida pela própria Petrobras:
“O companheiro Paulo Roberto Costa sabe, a Dilma Rousseff, como presidenta do conselho administrativo da Petrobras, sabe, o ministro Lobão, como ministro de Minas e Energia, sabe que, há cinco anos atrás, se dependesse da vontade da Petrobras, não teria nenhuma refinaria no Brasil”.
Outro porco do chiqueiro de Lula, Hugo Chávez, entrou na história:
“Numa visita de trabalho do presidente Chávez, conseguiu a parceria para a PDVSA se associar à Petrobras. Levamos três anos para construir essa parceria, porque a Petrobras e a PDVSA são duas grandes empresas, e duas moças bonitas no mesmo baile, elas sofrem uma concorrência natural entre elas, e nós demoramos muito para construir a engenharia do acordo que, graças a Deus, está pronto e está andando”.
Lula, a essa altura, introduziu o único assunto que realmente interessava:
“São bilhões de dólares, de investimentos. Se a gente for medir só o que a gente está fazendo, a gente vai ultrapassar os US$ 60 bilhões em refinaria neste país”.
E apresentou seus cúmplices:
“Aqui tem muitos empresários do setor da construção civil”.
O juiz Sergio Moro poderia usar o discurso de Lula como prova da Lava Jato. Ele mostra claramente quem era o chefe do esquema.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Enfrentar o PT e Dilma

Os tucanos cometem um erro grave em suas ações políticas. Com os petistas não se pode vacilar. Tratá-los de maneira civilizada é igual guardar uma cascavel no paletó. Se, mais tarde, enfiar a mão no bolso para pegar o bicho, ninguém pense que a serpente vai-se deixar conduzir placidamente. Parodiando o poeta, quem vive no meio de feras sente a inevitável necessidade de também ser fera. 

A relação com o petismo e seus associados deve se pautar, então, no mesmo método com que se deve tratar os terroristas do Estado Islâmico. Tais torturadores, degoladores e crucificadores só conhecem a linguagem da força. Alguém seria louco o suficiente para pretender conversar e negociar com aqueles psicopatas homicidas? Essa gente é a barbárie em estado puro. Caso necessário, vendem a própria mãe. Vendem e entregam para quem comprou. 

Tornado público em 2002, o episódio Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André, já não foi suficiente para esclarecer as oposições? De lá para cá, nestes longos doze anos, toda uma sucessão de estripulias marcou a trajetória do PT e suas práticas com os poderes da república. É incrível que lideranças notáveis das oposições, enquanto a criminalidade corre solta, ainda elogiem a suposta honestidade e integridade dos maiores dirigentes petistas.  

O PT aprende, as oposições, não. A cada dia inovam com uma falcatrua, um roubo, um desvio, um atentado à fé pública. A obra da turma é vasta em tamanho e diversidade. O petistas furtam até o significado das palavras; prostituem respeitáveis dicionários. Dona Dilma, por exemplo, chama de "malfeitos" ao mais desabrido assalto aos cofres públicos perpetrado por seus amigos e colegas. O regime petista assemelha-se ao vigente na Rússia contemporânea: uma inescrupulosa cleptocracia, quase um pleonasmo. Nela o lema parece ser: roubai-vos uns aos outros. 

Dona Dilma é a candidata da quadrilha. Está a um passo de conseguir novo mandato popular que legitime o saqueio habitual do erário. Sua aparente falta de discernimento deveria ser o objeto das críticas mais contundentes ao final  da reta desta campanha eleitoral. Ela e Lula, unha e carne que são. O ponto crítico seria mostrar que seus subordinados nada fariam sem autorização prévia da chefia. Zé Dirceu o disse com todas as letras: "tudo que faço, faço com conhecimento de Lula". Os desvios de dinheiro do mensalão e do petrolão, portanto, obedeceram a um comando mais que conhecido e determinado. Dilma controlava com mão de ferro tudo que se passava na Petrobrás. Além de presidente do Conselho de Administração da empresa, a madame foi Ministra das Minas e Energia e da Casa Civil, de onde punha e dispunha, mandava e desmandava.

Lula e dona Dilma não eram neófitos. Já possuíam suficiente experiência na obtenção de fundos ilícitos para sustentar seus projetos políticos. Ele, com a grana dos sindicatos; ela, com assaltos a cofres e bancos para financiar o terrorismo nos tempos dos generais. Ou não foi ela quem comandou o roubo do cofre de Ademar de Barros, de onde foram sacados o equivalente hoje a mais de R$30 milhões de reais? 

Não há inocentes na administração pública. Os mecanismos de controle interno e de fiscalização são de tal maneira burocratizados, que somente numa ação bem orquestrada se pode saquear uma empresa como a Petrobrás. São assessores aos montes, motoristas, secretárias de pequenas, médias e grandes chefias, gerentes, superintendentes, e diretores de todos os calibres, além de multidão de técnicos, economistas, engenheiros e administradores de diferentes perfis. Patrocinar, sem que ninguém desconfie ou saiba, um assalto dessa envergadura aos cofres de uma empresa de tal porte, é de remota possibilidade. Não é impossível, porém, conforme se está a descobrir. Exigiria, no entanto, para perdurar durante tantos anos - mais de uma década, ao menos - uma teia de cumplicidade que a atravessasse de cabo a rabo. 

Aliás, dona Graça Foster - atual presidente e antiga responsável pela Diretoria de Gás e Óleo da Petrobrás - também nunca soube de nada? Nem suspeitava de que alguém estava lhe passando para trás? Ou ela era, igualmente e de fato, cúmplice, parceira e sócia nas negociatas?  As oposições deveriam chamá-la para o centro do cenário. Conhecedora da cultura da Casa, dona Graça Foster não poderia ignorar o que se passava debaixo de seus bigodes. Mais grave ainda é sua situação por ser ela, pelo que já foi publicado, íntima da madame. Não se sabe, contudo, se dona Graça foi ao casamento da filha de dona Dilma. Paulo Roberto Costa, o Paulinho, foi. Possivelmente este último era mais próximo ainda da família presidencial que dona Graça Foster. Ao festão ocorrido em Porto Alegre, só compareceram poucos, pouquíssimos, escolhidos entre os varões e viragos da República. Paulinho, o resolvedor geral dos problemas financeiros da turma, deve ter dado valioso presente aos noivos, consoante suas posses e a importância da mãe da noiva. A campanha de dona Dilma autoriza discutir tais laços íntimos e suas implicações para a nação.      




domingo, 12 de outubro de 2014

OAB, a omissa

O Ministério Público vem recebendo os mais infames e infamantes ataques provindos de dona Dilma e sua corriola (não há outro termo para definir o bando). E não só a Procuradoria Geral da República mas, também, membros honestos do judiciário, como o juiz Sérgio Moro (que conduz os processos que envolvem o doleiro Alberto Roussef e o companheiro e amigo Paulinho Roberto Costa, unha e carne de figurões da nação petista).

Acostumados a saquear dinheiro alheio, a turma de dona Dilma se abespinha com a divulgação de notícias que os incriminam, irrespondíveis. Tão acachapante como um batom na cueca, fato verdadeiro e primeiro sobre o qual não resta qualquer dúvida. Aristóteles concordaria com tal observação. 

A roubalheira dos patriotas, é importante esclarecer, não nasceu ontem, mas anteontem, dentro dos sindicatos de onde desviavam recursos para financiar suas primeiras campanhas eleitorais. Não por acaso, os dois tesoureiros do PT - o professor de matemática Delúbio Soares (aquele que das quatro operações só aprendeu uma),  e o Dr. João Vaccari (especialista em cooperativas habitacionais fraudulentas) - foram forjados no mundo sindical. O vício é, pois, de origem. Não aprenderam a saquear depois que chegaram ao governo. O preparo foi bem anterior. Quando assumiram o comando da república, já estavam altamente qualificados nas artes da trapaça. A sangria do erário era só questão de tempo e oportunidade, evidência que se tornou maior quando se associaram a outros profissionais - a turma do PMDB e do PP - onde pontificavam Maluf, Janene, Sarney, Calheiros e outros de igual talento e calibre. O destino da administração pública estava selado: pura crônica de gatunagem anunciada. 

A aliança PT/PMDB concretizou uma síntese dialética entre dois tipos de especialistas: pirataria (PMDB) e corso (PT). Os métodos sempre foram os mesmos. O que os diferencia é a destinação do butim. Os piratas saqueiam para si; os corsários para o partido, entidade com aura similar à de uma rainha (vale relembrar os corsários ingleses, que pilhavam para a Coroa, nunca para si próprios). O modus operandi que vem sendo deslindado no caso da Petrobrás permite construir, agora, uma terceira categoria: a dos corsoratas, fusão dos que roubam para o partido e, também, desviam uma beirada para seus cofres particulares. A magnitude da roubalheira pode ser vista no volume de dinheiro que o tal Paulinho aceitou devolver aos cofres públicos - R$70 milhões - quase o equivalente ao que foi desviado do Banco do Brasil no escândalo do mensalão.

Impressionante em tudo isso é o silêncio da OAB. Fossem os tempos de Raimundo Faoro, a gloriosa Ordem teria chamado a si a responsabilidade de cobrar, no mínimo, compostura das autoridades públicas (dona Dilma e Lula à frente), que achincalham a Magistratura e o Ministério Público. A quadrilha de gatunos petistas desqualifica a autonomia de órgãos do Estado. Seus representantes, entretanto, como o Procurador Geral da República, restam mudos e cúmplices com os achaques. A OAB não fica para trás na omissão. Em vez de defender a ordem constitucional, a Ordem parece estar mais preocupada, aí sim, com as indicações de apaniguados para os cargos judicantes disponíveis nos Tribunais (desembargadores e ministros). 

Nesse ambiente de vale-tudo, a OAB nada diz, igualmente, sobre o programa "minha casa, minha vida" especial para juízes e ministério público (adjutório, ou bolsa, de quase R$5 mil reais mensais para custear despesas com moradia de tão nobres autoridades). O estado babá, ou o ogro filantrópico, como dizia Octavio Paz, é o mesmo que distribui espórtulas para os miseráveis, e abrigo e conforto para os mandarins da república.   

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Dona Dilma, as mentiras e o prato de lentilhas

Dona Dilma nunca enfrentou um adversário de verdade nos debates promovidos pelas redes de televisão. Só Aécio lhe deu um tranco, nesta última madrugada, mas deixou de tripudiar sobre ela, lembrando-lhe que a Polícia Federal tem prerrogativas constitucionais que não dependem de favores do governo. Ignorante e pernóstica, a madame seria um prato cheio para polemistas e tribunos com um mínimo de verve. Ao primeiro atrevimento seu, receberia - na lata - respostas que a fariam perder as estribeiras.

Dona Dilma tem a mentira em seu DNA. Mente em suas referências pessoais, acadêmicas e políticas com incrível naturalidade. Ela nem se apercebe direito do que diz. Talvez por isso sua linguagem seja truncada, recheada de anacolutos, pródiga em frases sem nexo ou contraditórias entre si.

Para que tais considerações não fiquem no campo da especulação, vejamos alguns exemplos que bem explicam o caráter deformado da madame.

Dona Dilma declarou, por ocasião da vitória do Atlético mineiro na Copa Libertadores da América, que torcia para o clube. Mais: que fora frequentadora assídua do Mineirão quando criança, levada ao campo pelas mãos de seu pai. À primeira vista, nada mais prosaico, e mais família, ver um pai extremoso levando a filhota feiosa para se divertir numa espetáculo popular, descansando seu espírito tão devotado a portentosos estudos da dogmática marxista leninista. A mentirada da madame passaria por compreensível, não fosse ela quem é e foi. 

O engodo não seria mais que singela declaração de amor ao glorioso Galo de Belo Horizonte. A demagogia, no entanto, é parte de uma estrutura espiritual que se reproduz em outros campos conforme se verá abaixo. O estádio governador Magalhães Pinto - nome oficial do Mineirão - só foi inaugurado em setembro de 1965. Nesta época, portanto, ela não era mais criança (nascera em 1947); seu pai já era falecido desde 1962, e ela - mulher madura de sólidos dezoito aninhos - já estava envolvida com o embrião do qual nasceram grupos terroristas onde ela teria pontificado algum tempo depois. 

Gente com o perfil de dona Dilma, aliás, sempre viu o futebol como ópio do povo. O velho esporte bretão não merecia qualquer atenção positiva dos que se queriam, presumidamente, representar a vanguarda da luta política no Brasil. 

Mentir, então, é um vício de dona Dilma. A psicanálise o denomina de mitomania, ou mania de dizer mentiras. É uma doença do espírito. Incurável.

No mundo acadêmico há um sistema de registro da biografia intelectual daqueles que se interessam em torná-la pública. É a chamada Plataforma Lattes. Os pontos fundamentais da carreira são inseridos pelo interessado, que se utiliza para isso de senha pessoal e intransferível. A senha garante, assim, que qualquer inserção, ou posterior alteração, seja de responsabilidade exclusiva do dono do perfil. Cada pessoa tem uma, da mesma maneira que cada um tem um número de CPF. 

Pois bem. Dona Dilma inseriu no seu currículo a posse de títulos que, na verdade, nunca possuiu - Mestrado e Doutorado pela Universidade de Campinas. Enfatuada, vaidosa e arrogante, a rainha da mentira não resistiu à tentação de enfeitar a própria biografia intelectual. Nem o mais renomado puxa-saco, mesmo que o quisesse, poderia acessar os registros da Plataforma Lattes, dada a confidencialidade da senha, sem a douta dama saber. Alguém acha, por acaso, que ela deu alguma explicação pública para fraude tão desavergonhada? Em vista disso, quem é louco para confiar na madame?

Ainda recentemente, em debate promovido pela Rede Record de televisão, dona Dilma se pôs a questionar votos que Marina Silva teria dado (quando senadora), por ocasião do complexo processo de aprovação de lei a respeito da CPMF. Também censurou a ex-senadora por sua mudança de partido, como se estivesse numa "escolinha da professora Raimunda", além de cobrar-lhe saber na ponta da língua coisas do tipo: qual é a raiz quadrada do número pi elevado à enésima potência? 

Marina respondeu com brandura à impertinente manifestação da desmiolada matrona. Deveria ter desqualificado a autora da pergunta apontando a mudança de partido que dona Dilma fez, há pouco mais de uma década. A madame era afiliada ao PDT. Ocupava, por indicação partidária, o cargo de Secretária das Minas e Energia do Rio Grande do Sul, no governo petista de Olívio Dutra. O PDT, à época, rompeu com o governador e entregou os cargos de confiança que ocupava. 

Dona Dilma não teve dúvidas: saiu do PDT e entrou, incontinenti, para o PT, a fim de se manter no carguinho. Brizola definiu bem o ocorrido. Acusou dona Dilma de se vender por um prato de lentilhas, traindo o PDT para manter a apreciada boquinha governamental. A madame, que se quer um exemplo de virtude, de firmeza e de incomparável lealdade, certamente se esqueceu do papelão que desempenhou naqueles pagos riograndenses. 

Mudar de partido de oposição para partido governista a fim de levar vantagem pessoal (como fez dona Dilma), é bem diferente de mudar de rico partido governista para pobre partido de oposição, como foi o caso de Marina Silva.  

Nos tormentosos tempos que vivemos ainda temos que aturar outras mentiras de dona Dilma, além das grosserias costumeiras nas quais ela é campeã. Logo ela, que tem tão formidável telhado de vidro. Sua arrogância tem a mesma magnitude - com o sinal invertido - de sua subserviência a Lula e outros cafajestes que impregnam seu governo (Sarney, por exemplo). Seria fácil lhe fazer indagações sobre seus vínculos com um dos maiores gatunos da Petrobrás, o tal Paulo Roberto Costa, vulgo Paulinho, um dos convidados de honra do casamento da sua filha (filha dela, dona Dilma). 

Tal intimidade, hoje negada, pode ser retratada pela imagem abaixo de três dos cavaleiros do apocalipse. Paulinho parece dizer, como o demônio no episódio da tentação de Cristo: "Veja, tudo isso um dia será seu". Dona Dilma se encanta e baba de satisfação. O apedeuta, então, estasiado, olha boquiaberto. Abestalhado. 




terça-feira, 23 de setembro de 2014

Quem nomeou Paulo Roberto Costa?

Há um grande mistério na Petrobrás, esta verdadeira caixa-preta, como afirmou certa vez o ex-presidente Itamar Franco. A empresa opera numa desordem tamanha, que ninguém sabe quem nomeou o tal Paulo Roberto Costa - o Paulinho - para sua diretoria mais importante. Em entrevista dada à rede Globo, dona Dilma jurou de pés juntos que não foi ela. Também não foi Lula, ela garantiu. Fez uma insinuação que poderia ter sido Fernando Henrique Cardos, claro, só podia ser ele. 

No meio daquela vastidão que é a Petrobrás, não seria impossível que um aventureiro qualquer entrasse para uma sala vazia e começasse a dar ordens e a comandar o boteco. Ninguém percebeu o insólito da situação, tal qual a história do leão que entrou numa repartição pública e, a cada dia, comia um funcionário; só foi descoberto depois que ele devorou o homem do cafezinho.

Há casos não anedóticos referidos a falsos médicos que pulam pra dentro de hospitais e vão exercendo a profissão sem serem molestados por ninguém. É tudo uma zorra mesmo, ora essa, então por qual razão alguém vai questionar uma autoridade? 

A situação, enfim, é kafkiana: Paulinho comandou um assalto à Petrobrás. Ele precisa explicar melhor o que aconteceu. Era amigo do peito de Lula e de dona Dilma, apesar dela negar com veemência. Além do casamento da filhota da madame, Paulinho afagava as largas costas presidenciais, com uma sem-cerimônia admissível somente a poucos. Não é costumeiro que um subalterno manifeste tantas intimidades, a dar autógrafos, e escrevendo



no torso da mais alta autoridade da república. Alguém, certamente, está mentindo nessa história. Na foto acima, Paulinho se baba ao ponto do capacete quase cair ao chão, enquanto dava um lance no traseiro da madame.
   

domingo, 21 de setembro de 2014

Dona Dilma e Paulo Roberto Costa: presente de casamento




O engenheiro Paulo Roberto Costa foi manda chuva na Petrobrás ao longo do governo Lula, e boa parte do período de dona Dilma. Praticamente uma década inteira. Era diretor da empresa. Resolvia todos os problemas da companheirada. Recebeu, até, o título de "resolvedor geral" da república petista. Um talentarrão, como diria Eça de Queirós. Paulinho, como era carinhosamente tratado pela cúpula governista, era a personificação daquela amizade lastreada na infância ou, no mínimo, o genro que todo sogro gostaria de ter. 

Homem de bom gosto e dado a prodigalidades (em especial,  com o dinheiro alheio), Paulinho foi um dos eminentes convidados para o casamento da filha de dona Dilma, cerimônia à qual compareceram somente os bons amigos e os figurões coroados da República (quatrocentos varões e viragos da melhor extração). Não se sabe se foi a partir deste faustoso evento que a madame embirrou com sua bizarria. Suspeita-se que o presente dado por ele aos nubentes possa não ter tido a magnificência esperada pela sempre estressada e extremosa mãe. 

Num dia qualquer, após longa noite devotada ao balanço dos custos e dos benefícios do festão matrimonial, dona Dilma acordou invocada. Alegando "falta de afinidade", qual a rainha de copas e antes de qualquer veredito prévio, mandou ver, fatal: cortem-lhe a cabeça! Expulso da Corte de Dilma, lá se foi, então, o renegado Paulinho cuidar da própria vida e, claro, da vida de alguns outros mais necessitados que ele e, principalmente, dele. Os negócios, enfim, não podiam parar.

A expulsão de Paulinho do paraíso petista causou alguma perplexidade. Poucos se aperceberam dos fundamentos da drástica decisão presidencial, tendo em vista as intimidades com que viviam os referidos personagens. Mãe da noiva, porém, é assim: avalia o prestígio e o valor dos amigos pelo preço dos presentes que a filha recebe. Esse negócio de presentear com panela de pressão, forno de micro-ondas ou liquidificador é coisa de gente periférica. Há mesmo que se torcer o nariz para tantos cacarecos. 




Bandejas, então, não se deve nem pensar. São tantas dadas aos noivos, que costumam ser amontoadas em pilhas, nos cantos, entupindo os armários; só servem para ficar guardadas e, depois, passar pra frente (após rápido polimento), no próximo casório a que se estiver obrigado a comparecer. Bandejas são uma detestável espécie de moeda a circular no mercado matrimonial. Mais depreciados que elas somente os jarros de incomparável breguice, e os indefectíveis faqueiros. Ah!, sim: quadros com pintura acrílica de paisagens rurais, cheios de vaquinhas e um riacho borbulhante a serpentear atrás da casa rústica, também engrossam as dádivas desprezíveis.

Qual terá sido o presente que Paulinho deu à dona Dilma? Sabendo-se, hoje, a origem suspeita de seu dinheiro, irá ela devolver o brinde recebido do antigo parceiro e diretor da Petrobrás?





sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Dilma: "eu não sabia"


Declarações de dona Dilma sobre o petrolão, em entrevista ao jornal O Globo, de 12 de setembro de 2014, repetindo a resposta de Lula a respeito do mensalão:

                  
"Se eu tivesse sabido qualquer coisa sobre o Paulo Roberto, ele teria sido demitido e investigado. Eu tirei o Paulo Roberto com um ano e quatro meses de governo. Eu não sabia o que ele estava fazendo. Eu tirei, porque não tinha afinidade nenhuma com ele.”


Quer dizer, a madame que controlava com mão de ferro a Petrobrás - a mãe de todas as corrupções - só demitiu o "Paulo Roberto" por falta de afinidade. Qual afinidade? Aquela afinidade eletiva referida por Goethe? Afinidade erótica ou amorosa? Afinidade ideológica?  Quer dizer, conviveu intimamente com o ex-diretor por quase uma década e só então descobriu que "não tinha afinidade com ele". Essa mulher sofre de cretinismo.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Dilma, a espancadora de projetos

Dona Dilma tem um estranhíssimo costume, segundo relata o insuspeito Mercadante, atual ministro da Casa Vil, com cadeira permanente no núcleo decisório do Planalto. Segundo ele, dona Dilma costuma "espancar" os projetos que lhe são apresentados, prática gerencial que deve ter aprendido nos porões da ditadura: com ela é na porrada! Qualquer vacilo do apresentador de eventual proposta, ele caía num corredor polonês e entrava no cacete. Com um jeitão que muito favorece o desempenho de papel tão exótico, a dona presidente devia comparecer às reuniões munida de taca e salmoura: a taca para nela cortar os desavisados, e a salmoura para aliviar os lanhos provocados na cacunda das vítimas. 

Com sua habitual finesse, a madame, então, interrogava, perquiria, questionava, bancava a advogada do diabo; queria saber tudo a respeito do assunto, tintim por tintim. Obcecada, ao que consta, e rigorosa nas avaliações dos projetos e dos subordinados, dona Dilma tratorava a moçada e ai de quem não se saísse a contento com ela. Essa foi, pelo que se viu em anos passados, a imagem da gerentona que ela vendeu e outros revenderam a bom preço. Dizem que ela metia o bedelho até nos planos de vôo do AeroLula-51, quando este se deslocava para o exterior. A dama seria uma sumidade. Com ela é assim: não senta não, mas se sentar no pinico, tem que obrar!   

Pois bem, se tudo dito anteriormente for verdade, como uma criatura tão talentosa, aliás, talentosa pra chuchu, pode alegar que não fazia a menor ideia do que acontecia, sob os fios de seu volumoso buço, nas entranhas da Petrobrás? Ela não espancou o suficiente as propostas de jerico do Paulo Roberto Costa, do Cerveró e do tal Gabrielli? Qual dirigente, seja de simples botequim ali da esquina, ousaria assinar uma ordem de compra de qualquer coisa sem ao menos ler o que está escrito? Dona Dilma confessou que fez isso. A espantosa leviandade da espancadora de projetos lesou o povo brasileiro em centenas de milhões de reais. Mandou adquirir um monte de ferro velho nos Estados Unidos, a preço de ouro vinte e quatro quilates. Por qual fantástica razão ela não desconfiou do apoio, amplo e generalizado, de tantos partidos à permanência de Paulo Roberto Costa na diretoria da empresa? Não era possível; não era crível que o prestígio do agora presidiário dirigente fosse quase igual ao de Papai Noel, e ela não desconfiasse de nada. Ora, teria a madame sofrido uma espécie de síndrome de Pangloss? Também não parece plausível, dado o reduzido número de neurônios de seu oco cabeção. A ingenuidade, e o otimismo delirante do personagem de Voltaire, exigem uma certa capacidade intelectual para as devidas justificações. Nenhum idiota consegue ser tão panglossiano assim.

Por mais que tente explicar sua conduta nas roubalheiras da Petrobrás, dona Dilma não tem como fazê-lo sem cair em grossas contradições. O povo brasileiro está começando a entender a defesa insana que a madame faz da Petrobrás e de suas potencialidades, como o pré-sal, engodo que trás para o presente, como se já existisse, um futuro mais que incerto ou que só existe na imaginação. Dona Dilma e sua corriola querem continuar usufruindo, à larga, dos vultosíssimos recursos que a empresa, apesar de saqueada permanentemente pelo lulo-petismo, ainda consegue produzir. O petróleo, como já foi dito alhures, é dos brasileiros, mas a Petrobrás é de dona Dilma e sua equipe de saqueadores.   

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Algemas para os gatunos

Paulo Roberto Costa demonstrou ser mais sagaz que Marcos Valério. Este confiou demais na turma lulo-petista que lhe acenara com a absolvição ou, ao menos, uma expressiva redução de eventuais penas, caso condenado. Uns dias em cana e, logo logo, estaria livre como um passarinho para desfrutar pacificamente dos cabedais amealhados. O grande azar dele foi trombar com um Joaquinzão no meio do caminho. Duro, áspero, inflexível, corajoso e justo, o ex-ministro Joaquim Barbosa conduziu-se da maneira que todos os brasileiros gostariam de ver operando nos tribunais. Juízes e, não, mamulengos venais comerciando sentenças e favores.

Antes do início do julgamento, Marcos Valério poderia ter lançado mão do instituto da delação premiada. Vacilou, como se diz. Levado na maciota pelos espertos petistas, ficou mudo como um frade de pedra. Quando acordou e vislumbrou que o pau de bosta ficaria na sua mão, tentou delatar a turma e os fatos mas, aí, já era tarde. Resultado: 40 anos de cana, destruição da família e sangria patrimonial que resultaram no fim de sua vida como homem e como cidadão.

Paulo Roberto Costa desconfiou que o destino que lhe estava reservado pela companheirada repetiria a trajetória de Marcos Valério. Os chefões escapariam como sempre fazem (Lula é o exemplo mais notório). O rabo de foguete sobraria mesmo é para ele e sua família. Ninguém viria em seu auxílio, concluiu. Os petistas são animais políticos em seu sentido mais amplo. Solidariedade para eles significa uma relação onde um entra com as costas e o outro com o chicote (e ainda deve pedir desculpas por estar ajoelhado). Na hora do pega pra capar, eles pulam fora e só tentam salvar os seus, e olhe lá. Zé Dirceu, João Paulo e Genoíno que o digam.

Em vista disso, Paulo Roberto Costa resolveu abrir o bico, e contar tudo que sabe sobre as roubalheiras na Petrobrás, na esperança de merecer os favores da legislação. Dados os riscos que corre, dificilmente relataria algo que não pudesse provar. As denúncias publicadas pela revista VEJA, na semana que passou, devem ser complementadas na próxima edição, seguindo velha técnica jornalística de sempre deixar reservado um pouco do material, para ser divulgado depois de armado o fuzuê. Por isso o silêncio ou despiste dos envolvidos. Eles não podem dar explicação ou negar fatos sem saber o que a revista publicará no próximo final de semana. 

O tal Alberto Youssef, doleiro que operava para a turma, que fique velhaco também. É outro candidato a ser vizinho do Marcos Valério, enquanto as lideranças petistas buscarão abrigo com os gentis ministros dos tribunais superiores, conforme todo mundo viu no julgamento do mensalão. Pelo divulgado até o momento, essa gente fez muita merda. O destampar do pinico causará uma comoção nacional, principalmente se o material em estoque naquele for jogado no ventilador. Haverá, no mínimo, se não um dilúvio, ao menos um tsunami de bom tamanho.

Os candidatos adversários do PT e associados deveriam enfeitar o estúdio, onde gravam seus programas eleitorais, com inúmeras algemas e correntes, daquelas que os presidiários americanos usam nos filmes policiais sujeitando as canelas. Peados e algemados, tal é o quadro que o Brasil que presta gostaria de testemunhar. Esse é o pano de fundo da decoração: algemas em todos os lugares; penduradas nas paredes, no teto e em cima das mesas, bem ao alcance das mãos. O povo entenderia perfeitamente a simbologia.