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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Dona Dilma é uma piada


“Da porta para dentro, a mãe ela é essencial. Da porta pra fora, os dois são muito importantes. Agora, da porta pra dentro o pai também é importante. (…) A gente admira o pai, a gente admira a mãe, a gente ama o pai e a mãe. Aqui nós hoje inauguramos, sobretudo, um espaço de amor”.

(Declaração de dona Dilma Rousseff, durante entrega de unidades do programa Minha Casa, Minha Vida no Paranoá (DF), revelando numa única frase, em dilmês primitivo, que a mãe é essencial da porta da casa para dentro e importante da porta para fora; que o pai é importante da porta para fora e, da porta para dentro, é importante mas não essencial, que tanto ele quanto ela devem ser amados e que, da porta do Planalto para dentro ou para fora, os filhos do Brasil têm fortíssimos motivos para sentir-se sem pai nem mãe).

Blog do Augusto Nunes

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A crise voltou ao palácio

Dona Dilma voltou ao palácio do Planalto. Deve colher nos próximos meses os resultados de suas ações, quer no campo político quer no administrativo e judicial mas, sobretudo, no eleitoral. Não surpreende a ninguém que conheça o PT que o Brasil tenha sido conduzido ao ponto em que está. A turma é mesmo da pá virada. Os petistas fazem as críticas centenárias do padre Vieira parecerem censuras a jovens e afoitos seminaristas. O atual bloco de poder, no entanto, não decepciona ninguém, esta que é a verdade: são cleptomaníacos assumidos. 

Seus receios quanto ao futuro têm sólidos fundamentos. Até os tucanos, ao que parece, resolveram assumir o papel oposicionista que recusaram cumprir na última década. Se deram mau com isso. Estão descobrindo que o PT não brinca em serviço. São capazes de vender a mãe, ou de pisar no pescoço da velha para atingir seus objetivos. 

Se as oposições pretendem acuar o petismo e, principalmente, à dona Dilma, deveriam trabalhar em sintonia com o espirito dos que recusam fazer  qualquer tratativa com a madame. Nada de frescuras anunciando que não farão oposição ao país e, sim, ao PT. Ora, isso fica parecendo desculpa esfarrapada para levar as coisas em fogo brando. O governismo esticou a corda; não cabe às oposições facilitar nada para ele. Punhos de renda só devem ser utilizados com aqueles que são civilizados o suficiente. O jogo é bruto. Os que pretendem jogá-lo não podem ter medo de cara feia. Rapapés e linguagem melíflua representam, de fato, uma rendição antecipada. 

Os casos que envolvem a Petrobrás conformam a pauta do momento. Aspecto pouco explorado pelas oposições diz respeito à espionagem que os americanos fizeram no Planalto. A interceptação de mensagens, que o governo classificou como ações "contra a Petrobrás", em busca de seus supostos segredos, talvez revele o temor que a cúpula petista tem a respeito da divulgação das petro-roubalheiras eventualmente detectadas. Por que não trazer o assunto de novo à baila?    



     

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Dona Dilma, as mentiras e o prato de lentilhas

Dona Dilma nunca enfrentou um adversário de verdade nos debates promovidos pelas redes de televisão. Só Aécio lhe deu um tranco, nesta última madrugada, mas deixou de tripudiar sobre ela, lembrando-lhe que a Polícia Federal tem prerrogativas constitucionais que não dependem de favores do governo. Ignorante e pernóstica, a madame seria um prato cheio para polemistas e tribunos com um mínimo de verve. Ao primeiro atrevimento seu, receberia - na lata - respostas que a fariam perder as estribeiras.

Dona Dilma tem a mentira em seu DNA. Mente em suas referências pessoais, acadêmicas e políticas com incrível naturalidade. Ela nem se apercebe direito do que diz. Talvez por isso sua linguagem seja truncada, recheada de anacolutos, pródiga em frases sem nexo ou contraditórias entre si.

Para que tais considerações não fiquem no campo da especulação, vejamos alguns exemplos que bem explicam o caráter deformado da madame.

Dona Dilma declarou, por ocasião da vitória do Atlético mineiro na Copa Libertadores da América, que torcia para o clube. Mais: que fora frequentadora assídua do Mineirão quando criança, levada ao campo pelas mãos de seu pai. À primeira vista, nada mais prosaico, e mais família, ver um pai extremoso levando a filhota feiosa para se divertir numa espetáculo popular, descansando seu espírito tão devotado a portentosos estudos da dogmática marxista leninista. A mentirada da madame passaria por compreensível, não fosse ela quem é e foi. 

O engodo não seria mais que singela declaração de amor ao glorioso Galo de Belo Horizonte. A demagogia, no entanto, é parte de uma estrutura espiritual que se reproduz em outros campos conforme se verá abaixo. O estádio governador Magalhães Pinto - nome oficial do Mineirão - só foi inaugurado em setembro de 1965. Nesta época, portanto, ela não era mais criança (nascera em 1947); seu pai já era falecido desde 1962, e ela - mulher madura de sólidos dezoito aninhos - já estava envolvida com o embrião do qual nasceram grupos terroristas onde ela teria pontificado algum tempo depois. 

Gente com o perfil de dona Dilma, aliás, sempre viu o futebol como ópio do povo. O velho esporte bretão não merecia qualquer atenção positiva dos que se queriam, presumidamente, representar a vanguarda da luta política no Brasil. 

Mentir, então, é um vício de dona Dilma. A psicanálise o denomina de mitomania, ou mania de dizer mentiras. É uma doença do espírito. Incurável.

No mundo acadêmico há um sistema de registro da biografia intelectual daqueles que se interessam em torná-la pública. É a chamada Plataforma Lattes. Os pontos fundamentais da carreira são inseridos pelo interessado, que se utiliza para isso de senha pessoal e intransferível. A senha garante, assim, que qualquer inserção, ou posterior alteração, seja de responsabilidade exclusiva do dono do perfil. Cada pessoa tem uma, da mesma maneira que cada um tem um número de CPF. 

Pois bem. Dona Dilma inseriu no seu currículo a posse de títulos que, na verdade, nunca possuiu - Mestrado e Doutorado pela Universidade de Campinas. Enfatuada, vaidosa e arrogante, a rainha da mentira não resistiu à tentação de enfeitar a própria biografia intelectual. Nem o mais renomado puxa-saco, mesmo que o quisesse, poderia acessar os registros da Plataforma Lattes, dada a confidencialidade da senha, sem a douta dama saber. Alguém acha, por acaso, que ela deu alguma explicação pública para fraude tão desavergonhada? Em vista disso, quem é louco para confiar na madame?

Ainda recentemente, em debate promovido pela Rede Record de televisão, dona Dilma se pôs a questionar votos que Marina Silva teria dado (quando senadora), por ocasião do complexo processo de aprovação de lei a respeito da CPMF. Também censurou a ex-senadora por sua mudança de partido, como se estivesse numa "escolinha da professora Raimunda", além de cobrar-lhe saber na ponta da língua coisas do tipo: qual é a raiz quadrada do número pi elevado à enésima potência? 

Marina respondeu com brandura à impertinente manifestação da desmiolada matrona. Deveria ter desqualificado a autora da pergunta apontando a mudança de partido que dona Dilma fez, há pouco mais de uma década. A madame era afiliada ao PDT. Ocupava, por indicação partidária, o cargo de Secretária das Minas e Energia do Rio Grande do Sul, no governo petista de Olívio Dutra. O PDT, à época, rompeu com o governador e entregou os cargos de confiança que ocupava. 

Dona Dilma não teve dúvidas: saiu do PDT e entrou, incontinenti, para o PT, a fim de se manter no carguinho. Brizola definiu bem o ocorrido. Acusou dona Dilma de se vender por um prato de lentilhas, traindo o PDT para manter a apreciada boquinha governamental. A madame, que se quer um exemplo de virtude, de firmeza e de incomparável lealdade, certamente se esqueceu do papelão que desempenhou naqueles pagos riograndenses. 

Mudar de partido de oposição para partido governista a fim de levar vantagem pessoal (como fez dona Dilma), é bem diferente de mudar de rico partido governista para pobre partido de oposição, como foi o caso de Marina Silva.  

Nos tormentosos tempos que vivemos ainda temos que aturar outras mentiras de dona Dilma, além das grosserias costumeiras nas quais ela é campeã. Logo ela, que tem tão formidável telhado de vidro. Sua arrogância tem a mesma magnitude - com o sinal invertido - de sua subserviência a Lula e outros cafajestes que impregnam seu governo (Sarney, por exemplo). Seria fácil lhe fazer indagações sobre seus vínculos com um dos maiores gatunos da Petrobrás, o tal Paulo Roberto Costa, vulgo Paulinho, um dos convidados de honra do casamento da sua filha (filha dela, dona Dilma). 

Tal intimidade, hoje negada, pode ser retratada pela imagem abaixo de três dos cavaleiros do apocalipse. Paulinho parece dizer, como o demônio no episódio da tentação de Cristo: "Veja, tudo isso um dia será seu". Dona Dilma se encanta e baba de satisfação. O apedeuta, então, estasiado, olha boquiaberto. Abestalhado. 




domingo, 21 de setembro de 2014

Dona Dilma e Paulo Roberto Costa: presente de casamento




O engenheiro Paulo Roberto Costa foi manda chuva na Petrobrás ao longo do governo Lula, e boa parte do período de dona Dilma. Praticamente uma década inteira. Era diretor da empresa. Resolvia todos os problemas da companheirada. Recebeu, até, o título de "resolvedor geral" da república petista. Um talentarrão, como diria Eça de Queirós. Paulinho, como era carinhosamente tratado pela cúpula governista, era a personificação daquela amizade lastreada na infância ou, no mínimo, o genro que todo sogro gostaria de ter. 

Homem de bom gosto e dado a prodigalidades (em especial,  com o dinheiro alheio), Paulinho foi um dos eminentes convidados para o casamento da filha de dona Dilma, cerimônia à qual compareceram somente os bons amigos e os figurões coroados da República (quatrocentos varões e viragos da melhor extração). Não se sabe se foi a partir deste faustoso evento que a madame embirrou com sua bizarria. Suspeita-se que o presente dado por ele aos nubentes possa não ter tido a magnificência esperada pela sempre estressada e extremosa mãe. 

Num dia qualquer, após longa noite devotada ao balanço dos custos e dos benefícios do festão matrimonial, dona Dilma acordou invocada. Alegando "falta de afinidade", qual a rainha de copas e antes de qualquer veredito prévio, mandou ver, fatal: cortem-lhe a cabeça! Expulso da Corte de Dilma, lá se foi, então, o renegado Paulinho cuidar da própria vida e, claro, da vida de alguns outros mais necessitados que ele e, principalmente, dele. Os negócios, enfim, não podiam parar.

A expulsão de Paulinho do paraíso petista causou alguma perplexidade. Poucos se aperceberam dos fundamentos da drástica decisão presidencial, tendo em vista as intimidades com que viviam os referidos personagens. Mãe da noiva, porém, é assim: avalia o prestígio e o valor dos amigos pelo preço dos presentes que a filha recebe. Esse negócio de presentear com panela de pressão, forno de micro-ondas ou liquidificador é coisa de gente periférica. Há mesmo que se torcer o nariz para tantos cacarecos. 




Bandejas, então, não se deve nem pensar. São tantas dadas aos noivos, que costumam ser amontoadas em pilhas, nos cantos, entupindo os armários; só servem para ficar guardadas e, depois, passar pra frente (após rápido polimento), no próximo casório a que se estiver obrigado a comparecer. Bandejas são uma detestável espécie de moeda a circular no mercado matrimonial. Mais depreciados que elas somente os jarros de incomparável breguice, e os indefectíveis faqueiros. Ah!, sim: quadros com pintura acrílica de paisagens rurais, cheios de vaquinhas e um riacho borbulhante a serpentear atrás da casa rústica, também engrossam as dádivas desprezíveis.

Qual terá sido o presente que Paulinho deu à dona Dilma? Sabendo-se, hoje, a origem suspeita de seu dinheiro, irá ela devolver o brinde recebido do antigo parceiro e diretor da Petrobrás?





quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Hora da mudança



sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Dilma: "eu não sabia"


Declarações de dona Dilma sobre o petrolão, em entrevista ao jornal O Globo, de 12 de setembro de 2014, repetindo a resposta de Lula a respeito do mensalão:

                  
"Se eu tivesse sabido qualquer coisa sobre o Paulo Roberto, ele teria sido demitido e investigado. Eu tirei o Paulo Roberto com um ano e quatro meses de governo. Eu não sabia o que ele estava fazendo. Eu tirei, porque não tinha afinidade nenhuma com ele.”


Quer dizer, a madame que controlava com mão de ferro a Petrobrás - a mãe de todas as corrupções - só demitiu o "Paulo Roberto" por falta de afinidade. Qual afinidade? Aquela afinidade eletiva referida por Goethe? Afinidade erótica ou amorosa? Afinidade ideológica?  Quer dizer, conviveu intimamente com o ex-diretor por quase uma década e só então descobriu que "não tinha afinidade com ele". Essa mulher sofre de cretinismo.

O Ideb e o desastre na educação (editorial do Estadão)

Quase cinco dúzias de reitores prestaram vassalagem a dona Dilma, hipotecando-lhe apoio eleitoral, sob a alegação ufanista de que o Brasil estaria no rumo certo. Certamente as magnificências não estavam informadas dos resultados do Ideb. Compreensível, portanto, a subserviência palaciana. Devem viver no mundo da lua. O editorial do Estadão pode ajudar a repor as coisas no devido lugar.
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                 O IDEB e o desastre na educação


"O País venceu a barreira da universalização do ensino, mas continua muito atrasado com relação à qualidade da educação. Essa é a conclusão do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) referente a 2013, divulgado de dois em dois anos e calculado a partir das notas dos alunos em provas de português e matemática e das taxas de reprovação nos anos iniciais e finais dos ensinos fundamental e médio.

Criado em 2005, o Ideb também serve para monitorar o desempenho das secretarias estaduais e municipais de Educação e verificar se os municípios, Estados e União estão cumprindo as metas para cada ciclo escolar. Em 2013, o ensino médio obteve 3,7 pontos, numa escala de zero a dez. Foi a mesma nota do Ideb de 2011, o que mostra a estagnação desse ciclo. No ensino fundamental, o índice subiu de 4,1 para 4,2, entre 2011 e 2013, mas o patamar esperado pelas autoridades educacionais era de 4,4. Dos 27 Estados, 16 tiveram em 2013 uma nota no ensino médio pior do que a obtida em 2011.

Outros seis, apesar de terem registrado resultados melhores, não atingiram as metas esperadas. Em São Paulo, as escolas públicas de duas em cada três cidades do Estado também não atingiram as metas.

As péssimas notas fizeram soar mais um sinal de alerta, mostrando que a educação continua muito abaixo dos padrões necessários a um a economia competitiva e capaz de ocupar mais espaços no comércio mundial. A qualidade da educação básica estagnou - e, mais grave, em patamares muito baixos. Os anos finais do ensino fundamental e do ensino médio encontram-se numa situação crítica, sem transmitir informações mínimas para justificar a diplomação dos alunos. Assim, mesmo quando os estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental avançam, o ganho se perde nas séries à frente. O Ideb de 2013 revelou que até as escolas particulares pioraram.

Os resultados medíocres contrariam as expectativas das autoridades, que imaginavam que as pontuações de 2013 seriam melhores do que as de 2011. "Imaginávamos que teríamos uma onda de melhoria que passaria dos anos iniciais e acabaria chegando ao ensino médio. O impacto não foi o esperado. Há a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre isso", reconheceu o ministro da Educação, José Henrique Paim. Ao justificar o fracasso da política educacional, ele atribuiu a culpa, entre outros fatores, à falta de formação superior dos docentes dos anos finais do ensino fundamental e médio e ao descompasso do currículo deste último ciclo com relação ao mercado de trabalho.

Os pedagogos reconhecem que o ensino médio é o maior gargalo da educação brasileira, mas atribuem as péssimas notas do Ideb de 2013 à falta de articulação entre União, Estados e municípios. "Os resultados são frustrantes. Existia uma expectativa de que, com mais investimentos, haveria um avanço, o que não ocorreu", afirma Mozart Ramos Neves, do Conselho Nacional de Educação. "Os dados refletem um cenário onde temos muito esforço, mas ainda pouco foco na aprendizagem e no que acontece em sala de aula. Boa parte do debate público educacional recente foi centrada no porcentual do Produto Interno Bruto ou nos recursos do pré-sal que seriam destinados à educação. Não existe o mesmo engajamento e mobilização para discutir as práticas escolares e as reformas estruturantes que fazem a diferença para o aluno aprender efetivamente", afirmam Denis Mizne e Ernesto Martins Faria, da Fundação Lemann.

O fracasso da política educacional, que há mais de uma década é marcada por prioridades equivocadas e orientada por modismos pedagógicos e interesses eleiçoeiros, nega às novas gerações a formação escolar de que necessitam para se inserirem num mercado de trabalho cada vez mais exigente. Também dificultam sua emancipação social e condenam jovens e adolescentes, por falta de escolas de qualidade, a um futuro de dificuldades. Fica evidente agora por que o governo tentou adiar a divulgação do Ideb de 2013: para não prejudicar a campanha da presidente da República pela reeleição".


(O ESTADO DE S.PAULO - 12 Setembro 2014)

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Dona Dilma fugiu do pau...

(Publicado no blog do Ricardo Setti, em 03/09/2014)

A campanha de Pimenta da Veiga deveria seguir o exemplo do Jornal da Globo. Construir um monte de perguntas a serem feitas ao filhote de Dilma - Fernando Pimentel - a fim de esclarecer o eleitorado mineiro sobre os riscos que este está correndo. A hipótese de uma rápida campanha PIMENTINA também deveria ser considerada.
Segue abaixo o texto de Setti com o relato do vergonhoso comportamento de dona Dilma, a pusilânime:

"Tal como previsto, a presidente Dilma Rousseff não compareceu à entrevista que, por sorteio entre os principais presidenciáveis, deveria ter concedido ao Jornal da Globo, iniciado às 00h05 de hoje, quarta-feira.
O âncora William Waack — sem dúvida um dos melhores entrevistadores do país, que conhece em profundidade os temas de que trata e não faz média com personalidades de qualquer tipo — anunciou, após o nóticiário diário das atividades dos três candidatos mais bem situados nas prévias, que a presidente “se recusou” a dar a entrevista, acrescentando: “Naturlamente, um direito dela”.
Explicou que, com as entrevistas — a de hoje será com Aécio Neves (PSDB) –, o telejornal pretende “ajudar os eleitores” em sua escolha.
Se fosse uma candidata à Presidência que tivesse efetivamente o que dizer aos brasileiros, sem os floreios, recursos técnicos e fantasias do horário eleitoral obrigatório, Dilma consideraria haver perdido 23 preciosos minutos — tempo que o JN dedicou a Marina Silva, na madrugada desta terça-feira — de exposição livre e sem rodeios ao eleitorado.
Como demonstrou no debate transmitido pelo SBT, porém, a presidente não consegue se dar bem com perguntas e precisa consultar papelada preparada para sua assessoria para não tropeçar.
Waack e sua colega de bancada mostraram ao público as perguntas que fariam à presidente, caso ela não houvesse fugido da raia. É claro que, como sempre ocorre, as respostas propiciariam novas perguntas e que o elenco, portanto, seria maior do que o de abaixo.
Mas vejam como havia temas difíceis para Dilma:
1. Os últimos índices oficiais de crescimento indicam que o país entrou em recessão técnica. A senhora ainda insiste em culpar a crise internacional, mesmo diante do fato de que muitos países comparáveis ao nosso estão crescendo mais?
2. A senhora continuará a represar os preços da gasolina e do diesel artificialmente, para segurar a inflação, com prejuízo para a Petrobras?
3. A forma como é feita a contabilidade dos gastos públicos no Brasil no seu governo tem sido criticada por economistas, dentro e fora do país, e apontada como fator de quebra de confiança. Como a senhora responde a isso? 
4.  A senhora prometeu investir R$ 34 bilhões em saneamento básico e abastecimento de água até o fim do mandato. No fim do ano passado, tinha investido menos da metade, segundo o Ministério das Cidades. O que deu errado?
5. Em 2002, o então candidato Lula prometeu erradicar o analfabetismo, mas não conseguiu. Em 2010, foi a vez da senhora, em campanha, fazer a mesma promessa. Mas foi durante o seu mandato que o índice aumentou pela primeira vez, depois de 15 anos. Por quê?
6. A senhora considera correto dar dentes postiços para uma cidadã pobre um pouco antes de ser feita com ela uma gravação do seu programa eleitoral de televisão?"

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Árbitro supremo, o acaso governa tudo... (em Paraíso Perdido, de Milton)

O quadro político nacional sofreu uma incrível modificação com a morte de Eduardo Campos, num acidente aéreo em São Paulo, no último 13 de agosto, este mês fatal na vida brasileira. Não se sabe ainda os rumos que sua coligação partidária tomará, nem o impacto da tragédia junto à opinião pública. Possivelmente, o cômodo jogo de compadres entre os petistas e os tucanos perderá as escoras que o sustentam. Não subsistirá mais. O sentimento de mudança, no mínimo latente, na sociedade brasileira, pode encontrar agora um caminho por onde fluir. O cavalo está arreado esperando ser montado. Dependerá de Marina Silva.

A curiosa situação de dona Dilma - rejeitada por grande parte da população, porém favorita até agora, conforme resultados das últimas pesquisas - começará a se dissolver, caso Marina assuma o lugar do ex-governador pernambucano. A surda inquietação da boiada, tangida em indolente marcha por caminhos já conhecidos mas indesejados, sofre o choque de um raio que cai de um céu escuro. Parte do rebanho que já se desgarrara rompe através de outro trilho, e arrasta consigo a vasta multidão que seguia para o rumo do mesmo, em bovina submissão. Dificilmente os condutores da massa informe conseguirão conter o estouro depois deste começado. Dona Dilma está fotografada!

Os estrategistas de dona Dilma talvez apostem no tempo de TV como arma infalível a ser usada pela madame. Ledo engano. Ulisses Guimarães possuía um latifúndio no horário eleitoral da campanha de 1989 e, no entanto, amargou fragorosa derrota para Collor. Dona Dilma é enfadonha, grosseira e untuosa. O tempo de TV para ela é uma condenação. Quanto mais aparecer, pior para suas pretensões. O espírito do tempo - zeitgeist - igualmente joga contra ela. Os petistas não conseguirão pregar na testa de Marina a pecha de serviçal da classe dominante. A ex-senadora é asceta, pobre e evangélica; lembra mais a figura de Ghandi. Uma simples comparação de perfil físico com a rotunda e repolhuda presidente dirá, mais que mil palavras, algo sobre quem é quem. Mais provável será uma migração da base petista histórica para as hostes de Marina. Esta terá algo a oferecer (ao menos, uma boquinha), dada a ausência de quadros profissionais entre os socialistas para governar. Que ninguém se espante se Marina for ao segundo turno a disputar com Aécio. Afinal, o governo de dona Dilma é tão ruim que até os petistas querem mudá-lo.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Milagre!

Em evento de mulheres da Assembléia de Deus, dona Dilma declarou, para espanto de muitos:

"Acredito naqueles que creem. Acredito no poder da oração. Não se esqueçam de orar por mim. Todos os dirigentes deste país dependem do voto do povo e da graça de Deus", disse Dilma, que concluiu, sem ruborizar, sendo ela quem é: "Deus abençoe." 

Milagre! Só pode ser. A súbita piedade de dona Dilma, contudo, não parece combinar com sua história e suas convicções. Afinal, diria um cético, ela mesma foi quem falou que em época de eleições é permitido fazer o diabo. 

Já alguém cheio de doce esperança poderia inferir que nada como uma eleição para salvar uma réproba.  


terça-feira, 22 de julho de 2014

O Brasil se empobrece




O Brasil se empobrece e não somente do ponto de vista econômico. Até na dimensão circense da política, há um esvaziamento do picadeiro. Quando da morte de Costa e Silva, Ulisses Guimarães definiu com precisão cirúrgica a natureza do triunvirato militar que assumiu as rédeas do governo: denominou-os de “três patetas”, em cáustica referência aos famosos cômicos americanos da primeira metade do século passado, adeptos de um humor chegado ao pastelão e à farsa física. Na época presente, nem três são agora os patetas que comandam o país. Reduziram-se a dois e, não demora muito, sobrará apenas um deles à frente da ribalta.

Lula da Silva não pode ver um microfone. Tomando-o, em qualquer lugar e situação, o resultado de sua intervenção é previsível: abobrinhas e obscenidades jorrando aos borbotões, sob o olhar embasbacado de plateias inverossímeis, que vão do lumpesinato tangido a mortadela e tubaína, até pelegos sindicais habituados desde sempre ao não-trabalho, passando por velhotas ainda histéricas, bem como intelectuais e acadêmicos chapas-brancas sempre à procura de uma boquinha no aparelho do estado. 

Duas das mais esquisitas criaturas dessa fauna – uma, filósofa mulata, dita uspiana, inimiga jurada da classe média e habitante de um estranho mundo paralelo e a outra, senadora da república, branca, de olhos claros e proverbial e fatal lourice, também versada em sexologia - de tal modo enfeitiçadas pelos sortilégios do farsante-mor até já o chamaram, em espantosa idolatria, de “deus”, ou lhe atribuíram a capacidade de paralisar o tempo, fantasticamente, para que o mundo pudesse sorvê-lo. Nem Moe, nem Larry e nem Curly, mesmo nos momentos mais agudos de suas carreiras como humoristas conseguiriam alcançar o nível de palhaçadas protagonizadas por Lula da Silva.

Já dona Dilma, coitada, à falta de maiores dotes, só lhe resta o histrionismo tacanho, ao modo dos Trapalhões ou de Tiririca, derivado da incapacidade insuperável de enunciar frases com sujeito, verbo e predicado. Ou, então, de servir de objeto de repulsa, no papel inglório de Monga, a mulher barbuda que se exibe em circos mambembes aterrorizando as criancinhas com suas caretas, apertando os beiços com ódio. Seu gestual grosseiro pode, no máximo, servir de alusão a velhos personagens de filmes de faroeste, quando caminham, pernas semi arqueadas, em passadas firmes e ritmadas para o duelo final, prontos para sacar a pistola. John Wayne não faria melhor. 

Os dois patetas, legítimos sucessores dos três patetas dos anos de chumbo, não querem, contudo, largar o proscênio. Imaginam-se eternos, querem-se amados e aplaudidos pela plateia, apesar das piadas e desempenhos que não sensibilizam nem fazer rir a mais ninguém. O último protagonismo que lhes resta será botar fogo na lona do circo. E disso eles são perfeitamente capazes.           

ECOS DE BRASÍLIA

Eça de Queiroz costumava dizer que a “vadiagem é a mais absorvente das profissões” e, com isso, pouco tempo deixaria aos ociosos. Na mesma linha de raciocínio operava outro sagaz conhecedor da alma humana - o trovista Belmiro Braga. Questionado por um amigo, que reclamava dele, Belmiro, por não dar notícias, o poeta mineiro respondeu na lata, como se diz, ainda na agência do correio, em Juiz de Fora:


"Caro amigo perdoa,

a resposta demorada.

Você sabe, quem vive à toa

Não tem tempo para nada".


Pois, Lula da Silva, o rei da preguiça, e emérito profissional da vadiagem, conseguiu a façanha de subverter a vida pública brasileira ao construir seu governo sob o tripé da desordem, da imoralidade e do desperdício, em contraposição ao imperativo clássico de ORDEM, MORALIDADE e ECONOMIA. Transmitiu ainda seu DNA à sua sucessora, dona Dilma, a implausível. Esta senhora quer, agora, radicalizar o programa de desgoverno petista com mais desordem, mais imoralidade e mais desperdício, pleiteando a reeleição. Em linguagem contemporânea o dístico lulista ficaria assim: INSEGURANÇA, CORRUPÇÃO e INCOMPETÊNCIA.

As chapas petistas para as próximas eleições (nos diferentes níveis de disputa), com exceções que devem estar fundadas em algum equívoco, são enfeitadas por mensaleiros, gatunos da coisa pública e notórios parasitas, todos irmanados, unha e carne, com a vibrante companheirada dos chegados e simpatizantes, ávidos por uma teta estatal, ou uma boquinha, como já sentenciou conhecido político carioca. Uma eventual vitória de Fernando Pimentel para governar Minas Gerais, por exemplo, levanta já uma suspeita angustiante: quem será o futuro Secretário da Fazenda do estado? Com a má fama acumulada (que pode ser indevida ou injusta, vá lá a ressalva), avantaja-se como favorito o atual deputado federal Newton Cardoso, do PMDB.

A dobradinha do PT e do PMDB pode não ser justa, mas é perfeita: Deus os fez e o diabo os juntou. Dependendo da direção para onde se olha, vê-se o futuro ou o passado um do outro (o PMDB ao mirar o PT estará coberto de razões se afirmar ao parceiro: "eu sou você amanhã"). E, no presente, ambos se amalgamam na disputa pouco fraternal de siameses canibais - entre dois Cains, pois não cabe um Abel na relação - a se entredevorarem pelos votos dos grotões para onde estão sendo expulsos pelos eleitores das grandes cidades. PT e PMDB estão condenados a terminarem num abraço de afogados. É o melhor que pode acontecer ao Brasil. Sem o alimento dos cofres públicos poderão aprender a, novamente, fazer oposição política de maneira civilizada.