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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Marco Aurélio para presidente


Agora se entende a razão do protagonismo ensandecido de Marco Aurélio. Ele está em plena campanha para ser presidente. Presidente do Sindicato dos Magistrados é claro. E já se sabe que a nova entidade pediu afiliação antecipada à CUT. 

Enquanto os juízes da primeira instância dão show de bola, as Cortes Superiores brasileiras se pautam pelo modelo do Desembargador Amado, célebre personagem de O Conde de Abranhos, notável e inconcluso romance de Eça de Queirós.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Eça de Queirós, a política e o enriquecimento


Muitos ainda se surpreendem com o notável enriquecimento da imensa família Silva (Lula da Silva, vale esclarecer). Nada de espantoso há nisso. Lula e seus ronaldinhos não fazem mais que atualizar a lição do Conselheiro Gama Torres (personagem de Eça de Queirós em "O Conde de Abranhos"), romance infelizmente inacabado do grande escritor português. Para os que não o leram, é a mais saborosa e fina análise do mundo político de então. Parece estar a falar do Brasil, de Lula e de seus mirmídones sindicais.  

No romance, sondado por um grupo de jornalistas achacadores sobre a possibilidade de comparecer com algum pixuleco (a expressão é contemporânea, mas o conteúdo é o mesmo da cheta daquela época), o Conselheiro, pai de família exemplar e cuidadoso, rebateu na hora à solicitação, deixando ainda uma lição admirável:

- "A política foi feita para mobilizar fortunas e não para sorvê-las". 

Perderá quem apostar que Lula da Silva é um analfabeto e, não, um ecista fanático e compulsivo. 

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A OAB e o Bey de Túnis


Eça de Queirós nos conta a história de seu comércio pessoal com o Bey de Túnis. Segundo o notável romancista português, quando faltava assunto para crônica que lhe fora encomendada, não tinha dúvida: sacava do bolso a figura da repulsiva figura que tiranizava a velha cidade do norte da África, e sentava-lhe o pau! Era batata. Em poucos minutos preenchia as linhas necessárias, e sua obrigação estava cumprida. É um truque antigo, portanto, criar um inimigo ou adversário que esteja colocando em risco alguma coisa importante - a paz ou a democracia, por exemplo - para, em seguida, postar-se frontalmente contra esse que patrocina a ameaça. 

O atual presidente da OAB nacional deu uma de Eça. Em suas justificativas para apoiar um manifesto de empresários comensais do erário, o ilustre causídico apontou o dedo para os militares, que estariam – segundo ele - querendo implantar, de novo, uma ditadura militar no Brasil. De onde sua excelência tirou tamanha tolice? Militares, hoje, não têm coragem, sequer, de andar fardados pelas ruas. Estão mais interessados na intendência (salsichão e alho, dizia Marx), e nos seus brinquedos de guerra de alta tecnologia. Outras ameaças - essas sim, reais, à democracia - estão assentadas ao lado da direção da OAB. Milícias armadas travestidas de "movimentos sociais" praticam e defendem condutas que em qualquer país civilizado seriam taxadas como terroristas. Para estes que verdadeiramente ameaçam a Constituição, a voz do presidente da Ordem é um leve, quase inaudível, cicio. 

Faz sentido tal postura. A velha entidade de Faoro devota-se, agora, mais em agir como broker para filtrar pretendentes às vagas nos tribunais superiores, que ser a voz concentrada dos inumeráveis juristas do Brasil.

Por qual razão a OAB afirma que "mudanças, respeitando-se a Constituição, se fazem necessárias?" Isso é de uma obviedade que dispensaria ser enunciado. É um axioma que não merece lembrança por parte de ninguém. A menos que os que assinaram a tal carta à nação saibam o que corre nos subterrâneos dos palácios, lugares onde circulam com ampla desenvoltura, e foco de articulações totalitárias, a começar por convocação para a luta armada, conforme explicitou o presidente da CUT.

Em sendo assim, cabem desculpas a esses patriotas (os presidentes de algumas confederações mais o presidente nacional da OAB), desejando-lhes sucesso e que continuem a alertar o país dos riscos que a democracia brasileira está sofrendo no desgoverno do PT e seus fâmulos.

terça-feira, 22 de julho de 2014

ECOS DE BRASÍLIA

Eça de Queiroz costumava dizer que a “vadiagem é a mais absorvente das profissões” e, com isso, pouco tempo deixaria aos ociosos. Na mesma linha de raciocínio operava outro sagaz conhecedor da alma humana - o trovista Belmiro Braga. Questionado por um amigo, que reclamava dele, Belmiro, por não dar notícias, o poeta mineiro respondeu na lata, como se diz, ainda na agência do correio, em Juiz de Fora:


"Caro amigo perdoa,

a resposta demorada.

Você sabe, quem vive à toa

Não tem tempo para nada".


Pois, Lula da Silva, o rei da preguiça, e emérito profissional da vadiagem, conseguiu a façanha de subverter a vida pública brasileira ao construir seu governo sob o tripé da desordem, da imoralidade e do desperdício, em contraposição ao imperativo clássico de ORDEM, MORALIDADE e ECONOMIA. Transmitiu ainda seu DNA à sua sucessora, dona Dilma, a implausível. Esta senhora quer, agora, radicalizar o programa de desgoverno petista com mais desordem, mais imoralidade e mais desperdício, pleiteando a reeleição. Em linguagem contemporânea o dístico lulista ficaria assim: INSEGURANÇA, CORRUPÇÃO e INCOMPETÊNCIA.

As chapas petistas para as próximas eleições (nos diferentes níveis de disputa), com exceções que devem estar fundadas em algum equívoco, são enfeitadas por mensaleiros, gatunos da coisa pública e notórios parasitas, todos irmanados, unha e carne, com a vibrante companheirada dos chegados e simpatizantes, ávidos por uma teta estatal, ou uma boquinha, como já sentenciou conhecido político carioca. Uma eventual vitória de Fernando Pimentel para governar Minas Gerais, por exemplo, levanta já uma suspeita angustiante: quem será o futuro Secretário da Fazenda do estado? Com a má fama acumulada (que pode ser indevida ou injusta, vá lá a ressalva), avantaja-se como favorito o atual deputado federal Newton Cardoso, do PMDB.

A dobradinha do PT e do PMDB pode não ser justa, mas é perfeita: Deus os fez e o diabo os juntou. Dependendo da direção para onde se olha, vê-se o futuro ou o passado um do outro (o PMDB ao mirar o PT estará coberto de razões se afirmar ao parceiro: "eu sou você amanhã"). E, no presente, ambos se amalgamam na disputa pouco fraternal de siameses canibais - entre dois Cains, pois não cabe um Abel na relação - a se entredevorarem pelos votos dos grotões para onde estão sendo expulsos pelos eleitores das grandes cidades. PT e PMDB estão condenados a terminarem num abraço de afogados. É o melhor que pode acontecer ao Brasil. Sem o alimento dos cofres públicos poderão aprender a, novamente, fazer oposição política de maneira civilizada.