Mostrando postagens com marcador reitores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador reitores. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Reitores


Segundo me foi relatado certa vez pelo professor Theotônio dos Santos, os reitores de universidades japonesas, caso estejam em qualquer cerimônia, inclusive naquelas com a presença do Imperador, assumem ritualmente a presidência dos trabalhos. Professores, aliás, são os únicos para quem o Imperador se levanta para cumprimentar, numa demonstração de respeito e reconhecimento pelo seu papel na sociedade.

No Brasil, claro, o buraco é mais embaixo. Ao contrário do que acontece no Japão, os reitores brasileiros adoram bajular dona Dilma, de quatro, assim como já o faziam com Lula, em manifestações de apoio ao regime lulo-petista. Saem dos encontros, após as devidas genuflexões, com o nariz marrom, efeito imediato da sabujice desavergonhada. Com a próxima mudança de governo, no entanto, é provável que alterem suas devoções. A eles se juntarão, sem muito esforço, professores que antes eram favoráveis a FHC, mudaram para Lula, seguido de Dilma, e agora se especula os rumos que irão seguir. Fácil descobrir, em vista do oportunismo militante.

Certa vez ouvi de um desses mandarins (estatístico famoso e especialista em avaliação educacional), quando lhe relatava um processo de perseguição política movido por dirigentes acadêmicos subordinados ao PC do B, uma incrível resposta: "Você, infelizmente, escolheu o lado dos que perderam".  O virtuoso mestre, defenestrado há pouco, do governo Dilma, certamente se prepara para voltar ao redil, agora sob o comando de Temer ou de um eventual novo prefeito. Alguns, por largo e proveitoso treinamento, sempre escolhem o lado dos que sempre ganham ou ganharam. 

terça-feira, 12 de maio de 2015

Reitores lobbistas


Reitores das 63 universidades federais do país manifestaram apoio, nesta sexta-feira (8), à indicação de Luiz Edson Fachin para o STF (Supremo Tribunal Federal). Os ditos magníficos são os mesmos que, igualmente, apoiaram a re-eleição da candidata petista  à presidência, fato tornado público em vergonhosa cerimônia de beija-mão no palácio do Planalto, em 2014. 

Tal conduta, no entanto, não causa espécie a ninguém. Ela está em consonância com o uso despudorado das estruturas acadêmicas, partidarizadas indevidamente, que não se cansam de usar recursos institucionais em campanhas do PT, tudo sob o olhar leniente e cúmplice dos dirigentes universitários. Quanto a isso, o Ministério Público não age para cobrar as responsabilidades porque não quer. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Roda Viva

O excelente programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, apresentou na última segunda feira uma entrevista com o professor Modesto Carvalhosa. O ilustre jurista trouxe a debate a legislação existente no Brasil (e em outros lugares) para combater a corrupção. O caso da Petrobrás, evidentemente, esteve no centro das considerações de todos os participantes. Vale a pena assistir. O vídeo está disponível no youtube.

O professor Modesto Carvalhosa chamou a atenção para o obsequioso silêncio da OAB, da CNBB e outras entidades a respeito dos escândalos continuados que avassalam a administração pública brasileira. Mais espantoso, no entanto, é o silêncio da Academia. As universidades brasileiras - ao menos aquelas que podem assim ser denominadas, em vista da vasta picaretagem no setor - comportam-se como se nada de mais estivesse acontecendo. Elas estão preocupadas, aí sim, de forma cabal, é com disputas ideológicas subalternas. Incivilidades costumeiras como injúrias trocadas por adultos, ou mesmo, explicitação de preconceitos variados em momentos de conflito, transformam-se em causas maiores a merecer os cuidados de reitores pusilânimes e omissos, isso quando não são cúmplices de práticas que em nada diferem das estripulias da facinorosa turma da Petrobrás e outras entidades públicas.  

Equivocam-se os que pensam ser a clientela da bolsa família a maior responsável pela continuidade do regime petista. Há setores amplos das classes médias tributárias do emprego público muito mais responsáveis pela tragédia Dilma, que os frágeis e miseravelmente pobres habitantes das periferias urbanas e rurais. O espírito bolseiro também se espraia nas instituições escolares mais respeitáveis, este é um fato. É o dinheiro, estúpido, diria aquele marqueteiro americano! Quem quer dinheiro? Quem quer dinheiro... Aliás, tal indagação revela a notável compreensão da cobiça universal por parte do maior especialista brasileiro em alma humana, o animador dos domingos Silvio Santos. Todos no auditório levantam avidamente as mãos ao ouvir a crua e sarcástica pergunta, loucos para pegar no ar um aviãozinho feito com nota de R$50 e lançado ao léu.

O espantoso nas universidades é a submissão, a aceitação voluntária da canga sobre o pescoço. Não o fazem por um reles pão com mortadela e um copo de tubaína, é claro, pois tão ilustres mestres não se deixam vender por tão pouco. Afinal, não auferem seu jabá provindo do Ministério do Desenvolvimento Social. Suas bolsas, isentas de imposto de renda, são tributárias do MEC, onde inumeráveis comissões companheiras fatiam e repartem para os acoelhados o capilé que lhes dará um refresco ao final do mês.

O formidável bloco acadêmico junta-se, então, ao bloco das Suas Excelências, docilmente aquarteladas na OAB à espera de uma boquinha extraída do quinto constitucional, e às Suas Eminências Reverendíssimas, mais preocupadas com as pastorais da guerra, que em questionar as extorsões que os publicanos governistas não se cansam de praticar contra os incautos que os sustentam. Será sempre educativo relembrar para os pósteros a caravana da vergonha, composta de dezenas de magníficos reitores, em beija mão subserviente no palácio do Planalto, hipotecando baboso apoio e voto à então candidata oficial à presidência da república.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Os reitores que bajulam e a PNAD

Pelos dados da PNAD recentemente publicados, o analfabetismo ficou praticamente estável entre brasileiros com 15 anos ou mais de idade: passou de 8,7% para 8,3%. Isso significa que no último levantamento havia 13.048.000 de pessoas nessa situação. A meta do Plano Nacional de Educação para 2010 era erradicar o analfabetismo — objetivo adiado para 2020.
A taxa de analfabetos é significativamente menor entre os mais jovens, mais escolarizados, efeito do esforço dos últimos vinte anos de incluir todas as crianças no ensino fundamental. Entre os brasileiros com idades entre 15 e 17 anos, a taxa chegou a 0,8 em 2013 — são 83.000 meninos e meninas. Entre outros grupos, contudo, as taxas seguem altas e caem muito pouco. Entre aqueles que têm 25 anos ou mais, é de 10,2%. Na prática, são 12.633.000 pessoas. O estudo classifica como alfabetizadas as pessoas capazes de ler e escrever pelo menos um bilhete simples.
A situação fica pior quando se consideram os analfabetos funcionais, pessoas de 15 anos ou mais de idade com menos de quatro anos de estudo. A Pnad de 2013 mostra queda de meio ponto percentual na comparação entre 2012 e 2013. Neste ano, a taxa chegou a 17,8% — são nada menos do que 27,9 milhões de pessoas que, embora saibam ler, não compreendem a mensagem do texto em questão. No Nordeste, o problema afeta 27,2% dos brasileiros a partir dos 15 anos; no Sudeste, 12,9%.
Em resumo, analfabetos de dois, três ou quatro costados representam hoje algo em torno de 41 milhões de brasileiros (equivale a toda a população do estado de São Paulo), Apesar do escandaloso número, os 54 reitores das universidades federais do Brasil garantiram, babosamente, à primeira mandatária, que o país "está no rumo certo" (sic). Cheios de contentamento, os magníficos dirigentes se declararam, então, sem nenhum pudor, eleitores da madame.    
(Fonte: informações publicadas no portal da VEJA).

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O Ideb e o desastre na educação (editorial do Estadão)

Quase cinco dúzias de reitores prestaram vassalagem a dona Dilma, hipotecando-lhe apoio eleitoral, sob a alegação ufanista de que o Brasil estaria no rumo certo. Certamente as magnificências não estavam informadas dos resultados do Ideb. Compreensível, portanto, a subserviência palaciana. Devem viver no mundo da lua. O editorial do Estadão pode ajudar a repor as coisas no devido lugar.
.........................................................................................

                         
                 O IDEB e o desastre na educação


"O País venceu a barreira da universalização do ensino, mas continua muito atrasado com relação à qualidade da educação. Essa é a conclusão do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) referente a 2013, divulgado de dois em dois anos e calculado a partir das notas dos alunos em provas de português e matemática e das taxas de reprovação nos anos iniciais e finais dos ensinos fundamental e médio.

Criado em 2005, o Ideb também serve para monitorar o desempenho das secretarias estaduais e municipais de Educação e verificar se os municípios, Estados e União estão cumprindo as metas para cada ciclo escolar. Em 2013, o ensino médio obteve 3,7 pontos, numa escala de zero a dez. Foi a mesma nota do Ideb de 2011, o que mostra a estagnação desse ciclo. No ensino fundamental, o índice subiu de 4,1 para 4,2, entre 2011 e 2013, mas o patamar esperado pelas autoridades educacionais era de 4,4. Dos 27 Estados, 16 tiveram em 2013 uma nota no ensino médio pior do que a obtida em 2011.

Outros seis, apesar de terem registrado resultados melhores, não atingiram as metas esperadas. Em São Paulo, as escolas públicas de duas em cada três cidades do Estado também não atingiram as metas.

As péssimas notas fizeram soar mais um sinal de alerta, mostrando que a educação continua muito abaixo dos padrões necessários a um a economia competitiva e capaz de ocupar mais espaços no comércio mundial. A qualidade da educação básica estagnou - e, mais grave, em patamares muito baixos. Os anos finais do ensino fundamental e do ensino médio encontram-se numa situação crítica, sem transmitir informações mínimas para justificar a diplomação dos alunos. Assim, mesmo quando os estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental avançam, o ganho se perde nas séries à frente. O Ideb de 2013 revelou que até as escolas particulares pioraram.

Os resultados medíocres contrariam as expectativas das autoridades, que imaginavam que as pontuações de 2013 seriam melhores do que as de 2011. "Imaginávamos que teríamos uma onda de melhoria que passaria dos anos iniciais e acabaria chegando ao ensino médio. O impacto não foi o esperado. Há a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre isso", reconheceu o ministro da Educação, José Henrique Paim. Ao justificar o fracasso da política educacional, ele atribuiu a culpa, entre outros fatores, à falta de formação superior dos docentes dos anos finais do ensino fundamental e médio e ao descompasso do currículo deste último ciclo com relação ao mercado de trabalho.

Os pedagogos reconhecem que o ensino médio é o maior gargalo da educação brasileira, mas atribuem as péssimas notas do Ideb de 2013 à falta de articulação entre União, Estados e municípios. "Os resultados são frustrantes. Existia uma expectativa de que, com mais investimentos, haveria um avanço, o que não ocorreu", afirma Mozart Ramos Neves, do Conselho Nacional de Educação. "Os dados refletem um cenário onde temos muito esforço, mas ainda pouco foco na aprendizagem e no que acontece em sala de aula. Boa parte do debate público educacional recente foi centrada no porcentual do Produto Interno Bruto ou nos recursos do pré-sal que seriam destinados à educação. Não existe o mesmo engajamento e mobilização para discutir as práticas escolares e as reformas estruturantes que fazem a diferença para o aluno aprender efetivamente", afirmam Denis Mizne e Ernesto Martins Faria, da Fundação Lemann.

O fracasso da política educacional, que há mais de uma década é marcada por prioridades equivocadas e orientada por modismos pedagógicos e interesses eleiçoeiros, nega às novas gerações a formação escolar de que necessitam para se inserirem num mercado de trabalho cada vez mais exigente. Também dificultam sua emancipação social e condenam jovens e adolescentes, por falta de escolas de qualidade, a um futuro de dificuldades. Fica evidente agora por que o governo tentou adiar a divulgação do Ideb de 2013: para não prejudicar a campanha da presidente da República pela reeleição".


(O ESTADO DE S.PAULO - 12 Setembro 2014)