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quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Dilma, o golpe e universidades públicas

Conforme já foi amplamente noticiado, algumas universidades brasileiras vêm patrocinando "cursos" sobre a cassação de dona Dilma, que teria sido, para fanáticos esquerdistas, não uma decisão constitucionalmente correta, mas um verdadeiro "gópi" (no pitoresco patuá de uma folclórica senadora petista potiguar).

A UFMG, evidentemente, não poderia ficar de fora da discussão de tão relevante assunto. Sua respeitável faculdade de Direito - a Casa de Afonso Pena - resolveu então meter também sua colher de pau no angu "com que empanturra todos os membros do magistério". 

Numa midiática manobra para atrair as atenções do público, convidou a notória dama ensacadora de vento para proferir a aula inaugural do tal curso, que terá, ainda, a presença ativa de outros 32 palestrantes, segundo informa a imprensa de Belo Horizonte. 

Não é este o primeiro evento com tal finalidade dentro da UFMG. Entidades sindicais do magistério e do funcionalismo administrativo acadêmico já haviam patrocinado um seminário com a mesma pauta nos dias 4 e 5 de julho do corrente no campus da Pampulha. Postados à mesa, eminentes professores doutores falaram para pouco mais de duas dezenas de entediados e sonolentos ouvintes. Com certeza havia mais gente no grupo de serviçais ao lado, que varriam salas, corredores e instalações sanitárias do prédio onde se dava a efeméride e, também, na capina dos vastos jardins circundantes. Mas estes humildes terceirizados não passavam de sombras invisíveis e, talvez, sejam até mesmo eleitores de Bolsonaro. Melhor nem pensar neles.

O ápice da reunião dos cintilantes mandarins foi o momento em que um dos painelistas, revirando seu sarapatel de fatos desconexos ao longo da história brasileira, chamou a dama cassada pelo Senado federal de "presidenta" Dilma. Tal suprema manifestação de sabujice indica o longo e penoso percurso reservado para o Brasil, no futuro, caso queira se livrar dos parasitas que infestam as universidades públicas atualmente.

 

terça-feira, 24 de outubro de 2017

O horror, o horror, o horror

A desfaçatez de Lula da Silva é algo de impressionante. Condenado por diferentes crimes e réu em mais meia dúzia de processos, em diferentes varas criminais, saltita pelo país a fora em sua permanente campanha eleitoral, sem qualquer questionamento por parte das autoridades. 

Ainda agora, à frente de seus mirmídones, percorre algumas regiões de Minas Gerais, vomitando sobre os ouvidos dos mineiros suas torpezas já sobejamente conhecidas. E ainda nos ameaça com a candidatura de Dilma Roussef nas eleições para o senado em 2018. Só de pensar em tal possibilidade vem à mente a expressão famosa do filme Apocalipse now: "o horror, o horror, o horror..."

Terá alguma graça, no entanto, acompanhar a movimentação da chapa petista, com Dilma pedindo votos para si e para Pimentel, este como candidato à reeleição ao governo de Minas. A recíproca também será impagável, com Pimentel no palanque da madame cassada por estripulias várias em 2016, endeusando sua correligionária estocadora de vento. Se, à dupla famigerada se juntar o nome de Lula para a presidência, os mineiros poderão alcançar a tríplice coroa: ficar livres, simultaneamente, de três das mais tenebrosas personagens já surgidas no quadro político nacional.   

quinta-feira, 23 de março de 2017

Dilma, a porca gadarena


Para justificar sua recusa em morar no palácio da Alvorada (preferindo continuar habitando o palácio do Jaburu), o presidente Michel Temer assim se manifestou:

“Não deixo de acreditar em certas energias. Não me senti à vontade.”

O presidente, com certeza, lançou mão de sua fina sensibilidade espiritual para identificar a presença, nos aposentos antes ocupado por dona Dilma, de encostos e demais espíritos imundos, criaturas malignas por excelência, brotadas das profundezas do inferno.

A vara de porcos gadarenos comandada pela antiga presidente ainda vai afetar, e muito, o ambiente institucional brasileiro. O PT, esse amontoado de suínos, está aí para não deixar qualquer dúvida a respeito. Alguém deveria jogar água benta na possuída dama vermelha, em rigoroso ritual exorcista. Cruz credo; sai pra lá Exu caveira. 

quarta-feira, 8 de março de 2017

Todas, menos Dilma


Manifestação de caminhoneiro que lava a alma dos brasileiros. Ah, e das brasileiras também. Salve o dia internacional das mulheres.



domingo, 15 de janeiro de 2017

Comando Vermelho e Sindicato do Crime


O Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte, composto por trabalhadores devotados ao ramo de homicídios, roubos e latrocínios naquele progressista estado brasileiro, resolveu dar sua colaboração aos "irmãozinhos" do Amazonas e Roraima, mostrando que a união faz a força. 

Ao que parece, a confusão não é mais que uma reação estratégica ao projeto da CUT de fortalecer seus quadros, instalando bases para futura hegemonia no pedaço. Os avanços da Lava-Jato sinalizam para uma ampliação da presença de outros poderosos (gente como Lula, Palocci e Vacari),  num ambiente institucional já ocupado por diferentes facções de "trabalhadores". A companheirada de hoje - conforme explicou o advogado Marcello Cerqueira em esclarecedor artigo no jornal O Globo - foi quem pautou o modelo de organização para bandidos pés-de-chinelo, ainda nos tempos dos governos militares, quando terroristas e assaltantes de bancos, em geral, passaram a conviver nos calabouços da Ilha Grande. 

O Comando Vermelho, nascido Falange Vermelha, é a mais perversa  herança dentre todas as que forjaram os ideólogos do sub-marxismo ainda imperante entre nós, deixada como vingança dos antigos terroristas contra a sociedade que os rejeitou, por bem ou por mal. Os manos passaram, então, a usar conceitos complexos mal digeridos para sua concepção particular de luta de classes, matriz do "nós contra eles" que tanto marca o discurso lulista.

O ovo da serpente começou a ser chocado naqueles anos sombrios, sob a emulação de "pensadores" qual dona Dilma, classificada, aliás, como professora da doutrina leninista voltada para jovens com vento na cabeça, conforme se sabe hoje. Francamente, só podia dar no que deu. Era dialética demais para mentes tão estúpidas. Marcola, sem dúvida, tem mais discernimento. A escolinha da professora Dilma faria mais sucesso que a do professor Raimundo. Fica a sugestão para a atualmente desocupada dama: criar algo, parecido com a Khan Academy, devotado a cultuar o marxismo-leninismo. Vai bombar na internet, especialmente se for ao vivo.     

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O tamanho da podridão (Editorial do Estadão)


A prisão do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, ainda que apenas por algumas horas, significa que o escândalo da Petrobrás alcançará mais gente e gente muito mais graúda do que os notórios operadores do PT que hoje amargam a prisão. Já se sabia que o propinoduto que ligou a máquina do Estado aos cofres do PT era o pilar de um método de governo, sendo o ex-presidente Lula o “chefe supremo” do esquema de corrupção, como autoridades já denunciaram. Mas as suspeitas que recaem sobre Mantega, se comprovadas, mostrariam a extensão do contágio por grande parte do primeiro escalão da administração, passando o próprio governo a ser visto como uma organização criminosa.

Mais longevo ministro da Fazenda da história brasileira, Mantega tornou-se, ao lado da presidente cassada Dilma Rousseff, o grande símbolo do jeito petista de governar. Enquanto Dilma, em seu dialeto peculiar, agredia a realidade de sua desastrosa administração com frases desconexas, Mantega, sempre com ar professoral, tratava de insultar a inteligência alheia com dados sem sustentação e retórica vazia para comprovar o acerto da famigerada “nova matriz econômica” – aquela que quase quebrou o Brasil. O ministro da Fazenda era a face mais conhecida da impostura do PT na condução da economia, um obediente executor das fantasias nacional-desenvolvimentistas de Dilma. Nada, porém, indicava que ele tivesse feito uso de seu cargo e de seu poder para fazer algo além de destruir as finanças do País.

Tudo isso mudou ontem. O juiz Sergio Moro aceitou pedido do Ministério Público Federal para que Mantega fosse preso, sob acusação de que o petista, em novembro de 2012, quando era ministro, solicitou ao empresário Eike Batista recursos para o pagamento de dívidas de campanha do PT. A informação foi prestada pelo próprio Eike em depoimento ao Ministério Público em maio passado.

Em 2012, o Grupo OSX, de Eike, integrava um consórcio que havia obtido um contrato de US$ 922 milhões com a Petrobrás para a construção de plataformas. Suspeita-se de que Mantega tenha pedido a propina como compensação por esse contrato. Sem experiência na área, o consórcio contemplado não conseguiu entregar as plataformas.

Em seu depoimento, Eike disse que Mantega solicitou R$ 5 milhões para o PT. O dinheiro, depositado no exterior, foi entregue por meio de falsa prestação de serviços pela empresa de João Santana, o marqueteiro do PT. Para Eike, não estava claro que se tratava de uma contrapartida por seu contrato com a Petrobrás, mas não é preciso grande perspicácia para desconfiar dos reais motivos de Mantega – afinal, como disse Eike, “o ministro da Fazenda me pediu, o que é que você faz?”. Além de ministro da Fazenda, Mantega era presidente do Conselho de Administração da Petrobrás.

Eike e Mantega, segundo o depoimento do empresário, trataram a propina como “doação eleitoral”. Em seu despacho, Moro lembra que não cabe a um ministro de Estado “solicitar doações eleitorais ao partido do governo, ainda mais doações sub-reptícias”, feitas “através de contas secretas mantidas no exterior e com simulação de contratos de prestação de serviço, meio bem mais sofisticado do que o usual mesmo para uma doação eleitoral não contabilizada”.

Para Moro, está clara a “similaridade com o modus operandi verificado no esquema criminoso da Petrobrás”. Eis o que realmente importa a essa altura. São muitas as evidências de que o grande sistema de corrupção implantado pelos petistas pode ter tido entre seus operadores o mais importante ministro de Estado tanto de Lula como de Dilma. Terá sobrado um canto que seja de seus governos que não tenha sido conspurcado?

É claro que os petistas, sem ter como defender o ex-ministro, apelam à já tradicional vitimização, pois Mantega foi detido quando estava num hospital acompanhando a mulher, que se tratava. Ao decidir revogar a prisão – pedida porque, segundo os procuradores, havia risco de destruição de provas –, Moro disse que ele, os policiais e o Ministério Público desconheciam a situação familiar do ex-ministro. Mas Lula, sempre ele, já andou dizendo que a prisão de Mantega prova que “qualquer tese de humanitarismo foi jogada no lixo”. Sobre a grave acusação que pesa sobre o ex-ministro, nem um pio.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Lula, o PT, Pimentel, Kalil e as eleições em Belo Horizonte


A Operação Lava Jato apontou há pouco alguns dos crimes cometidos por Lula da Silva e outros membros da sua quadrilha. Caída a máscara do principal gatuno, os olhos se voltam para as implicações eleitorais das denúncias. 

No caso de Belo Horizonte, a conseqüência mais imediata é a queda da máscara de Alexandre Kalil, o candidato oculto do PT e de Pimentel. O candidato oficial é o medíocre deputado petista Reginaldo Lopes, boi de piranha lançado para fazer de conta que o PT está na disputa. O verdadeiro candidato da moçada é o ex-presidente do Atlético mineiro, empreiteiro desbocado e exótico que surfa na rejeição generalizada do povo ao mundo da política. No embaralhado da disputa na capital mineira (com onze candidatos), a figura de Kalil se esconde atrás da confusão, camuflando sua verdadeira natureza.

Kalil pensa como Dilma e Lula e fala igual o Collor. Seu discurso da anti-política parece ter sido desenvolvido pela ex-presidente cassada. Aliás, Collor, igualmente cassado, também assim se manifestava, sempre contra o parlamento, os políticos e as lideranças tradicionais. Collor foi o caçador de marajás; Kalil é o caçador de políticos. Caso vença as eleições, Belo Horizonte pode se preparar para uma futura cassação, destino possível a boquirrotos e irresponsáveis do tipo Collor, Lula, Dilma e Kalil.   

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Belo Horizonte e os empreiteiros


Carrapato vai longe no lombo do boi. De igual maneira fazem, ou faziam, os empreiteiros nas suas relações com os políticos. Tal feliz conjunção, no entanto, começou a enfrentar problemas. Sua maior expressão está no processo conhecido por petrolão. Turvou-se mais ainda o quadro com a proibição de financiamento empresarial das campanhas políticas. Os empreiteiros, entretanto, perceberam um ganho imprevisto: não precisavam mais de intermediários entre eles e os cofres públicos. Até pela inutilidade do relacionamento que acarretaria mais ônus que bônus. Veio, então, a pergunta: "por qual razão se sujeitar à escroquerie habitual dos políticos?"

A resposta caminhou em sábia direção, em retomada do conselho joanino a Pedro I: "bote a coroa na cabeça antes que outro aventureiro o faça". Solução óbvia tão evidente que ninguém perceberia, como não percebeu. Faz lembrar a "Carta Roubada", de Edgar Poe: a missiva estava ali, à vista dos olhos, tão evidentemente posta que ninguém a localizava. 

Alexandre Kalil é a "carta roubada" dos empreiteiros, em articulação com o governador Fernando Pimentel. Este lançou um candidato do PT à prefeitura da capital mineira para servir de boi de piranha ao ódio popular contra o PT, Lula, Dilma e cia. Enquanto isso, vai realizando o passa moleque fingindo que apoia um enquanto, por baixo dos panos, fomenta outro que quase repete o mantra já utilizado pelo governador em sua última campanha para prefeito: o "bom de serviço", bordão que Kalil endossa com outras palavras em seu estilo deixa que eu chuto. 

Os caciques, ao que parece, se dividiram: o senador Aécio apoia João Leite; o prefeito de BH Márcio Lacerda patrocina Délio Malheiros; e Pimentel, vai de quem? Kalil, o empreiteiro trapalhão, é claro. A solução Kalil agrada, e muito, o sindicato das empreiteiras e, principalmente, ao governador, figura altamente qualificada em negócios envolvendo a política, bastando conferir um de seus rolos mais notáveis embutidos na operação Acrônimo. 

Kalil repete em seu discurso antipolítica a mesma verve de Fernando Collor e Dilma, os dois cassados da república. Ambos devem ter sido eleitos, cada um a seu tempo, com o voto do histriônico Kalil. Sua eventual vitória prenuncia nuvens negras para Belo Horizonte.     

Juscelino Kubitschek


Se ainda vivo fosse, o presidente Juscelino, nascido em Diamantina, em 1902, estaria completando 114 anos hoje,12 de setembro de 2016.

Juscelino foi o melhor prefeito de Belo Horizonte, o mais destacado governador de Minas Gerais e o maior dos presidentes da república brasileira. Foi grande no nível micro, bem como no nível mais elevado da administração pública. Seu espírito de estadista não encontrou obstáculo para se manifestar em qualquer dos âmbitos permitidos pela política. 

Ainda recentemente sua grandiosa obra na capital mineira foi reconhecida pela UNESCO, tornando-a patrimônio da humanidade. 

No entanto, quando se vê os candidatos a prefeito de Belo Horizonte (nas atuais eleições, onde comparecem onze pretendentes), cansando a população da cidade, e não falando mais que abobrinhas pueris, a luz da memória faz resplandecer a visão de mundo do notável prefeito Juscelino.

Aliás, é bem possível que poucos dos candidatos sequer tenham ouvido falar do saudoso presidente JK. A linha de memória da maioria não vai além dos anos 80 do século passado. O tom das abordagens que fazem nos meios de comunicação parece aquele de candidatos a vereador em algum dos miseráveis grotões de Minas Gerais, que os há às centenas e para todos os gostos; o total alcança a inacreditável marca de 853 municípios. 

Numa síntese ligeira, todos estão a prometer casa, comida e transporte grátis. Dependendo do caso, adicionam ao cardápio a oferta de roupa lavada, passada e, até, engomada. A redundância discursiva provoca o efeito que as pesquisas indicam: os candidatos, após algumas semanas do início do pleito, permanecem com praticamente o mesmo capital eleitoral que tinham na largada, variando alguns pontos de percentagem para cima ou para baixo. 

Fato curioso é a constante declaração dos candidatos de pretenderem "cuidar" das pessoas. Ora, quem cuida da gente são nossos parentes. A prefeitura deve cuidar da cidade. A pretensão de transferir para o poder público responsabilidades familiares já deu no que deu em outras oportunidades. Exemplo recente está com dona Dilma - a expelida do Planalto - com sua totalitária ideia de ser a "mãe" do PAC. 

Quem tem pais não precisa, nem quer, ter u'a bruxa corrupta como mãe vicária. Getúlio, da mesma forma, era dado ao papel de "pai" dos pobres, deformação espiritual típica do fascismo periférico tardio, cujo exemplo mais eloquente está na Venezuela e seus sequazes bolivarianos. Lula, de todos, foi mais sabido. Com sua sagacidade de predador forjado no sindicalismo, contentou-se em ser não mais que o impudico e pervertido "amante" dos empreiteiros, e dos banqueiros, atuantes na praça.    

domingo, 4 de setembro de 2016

O PT e a solução para o Estado Islâmico

Milton Pires oferece criativa solução para o problema do terrorismo do dito Estado Islâmico. Sob o comando da agora desempregada Dilma Rousseff, uma delegação de especialistas bem poderia aportar ali na região do Iraque, Síria, Irã e Afeganistão.



quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Quem são os canalhas (Senador Ronaldo Caiado, no Senado)


Tenho a certeza que o Brasil vai tirar algumas lições deste processo de cassação de Dilma.

A primeira lição é que o presidente deve respeitar o orçamento, e não, tratá-lo como peça de ficção ignorando prerrogativas do Congresso;

Que o presidente não deve avançar no dinheiro público para fazer populismo, demagogia e políticas irresponsáveis;

Que o presidente não deve avançar no dinheiro público para realizar esse populismo bolivariano promovido por Dilma e Lula;

Tiramos a lição de que o presidente não pode enganar, iludir uma população inteira realizando o maior estelionato eleitoral já visto.

Esta é, sim, uma sessão histórica. Sim, esta é uma sessão em que vamos definir quem são os verdadeiros "canalhas" da política brasileira;

Os "canalhas" da política brasileira são aqueles que assaltaram a Petrobras. Que se enriqueceram com dinheiro público;

"Canalhas" são aqueles que tomaram o dinheiro público para ganhar eleições. Que tiraram esse dinheiro da saúde e da educação;

"Canalhas" são aqueles que levaram o Brasil a uma situação crítica de desemprego e inflação ocultando a crise e acabando com a credibilidade do país.

Este é um momento de assepsia da política brasileira. Momento de tirar todo o tecido contaminado da política nacional;

É o momento do ressurgimento da esperança do cidadão com a política do país. Do resgate da moralidade de quem quer ver o dinheiro público respeitado;


O Brasil mandou o seu recado: todo político agora tem que ter responsabilidade com aquilo que se compromete na campanha eleitoral.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

O dia D de Dilma (Arnaldo Jabor, em 30-08-2016)


Eu vos escrevo do passado. Hoje é o dia D de Dilma. Como terá sido o discurso de Dilma no Senado? Bem, fazer ‘mea culpa’, nem pensar. Eu a entendo. Ninguém sai na rua ou vai ao Senado para bater no peito e dizer: “Eu sou um(a) incompetente, eu sou responsável pela quebra do País!”. Tudo bem, mas a autocrítica era um hábito recorrente durante aquele ex-socialismo que ainda viceja nas cabeças petistas. Lembro-me da hilariante autocrítica de um alto dirigente chinês durante a Revolução Cultural: “Eu sou um cão imperialista, eu sou o verme dos arrozais!...”. 

E, como estou no domingo passado, me pergunto: como terá sido o discurso? Sem dúvida, Dilma falou com sinceridade total (não é ironia), falou de sua alma revolucionária.

O discurso de Dilma é para ela mesma. Para se convencer fundamente de que não cometeu erro algum. Vocês já viram. Eu imagino: “Começo dizendo que minha consciência está em paz. Quando entrei em 2010, o Brasil estava ameaçado por ideologias reacionárias: a social-democracia, neoliberalismo, mas eu restaurei o essencial: a luta contra o imperialismo norte-americano, contra a desnacionalização de nossas riquezas, contra essa sociedade de empresários irresponsáveis e também contra o lucro. 

Fiz o fundamental: coloquei o Estado no topo, no centro de tudo, pois de lá emana a verdade para essa sociedade de ignorantes, essa classe média reacionária, como bem acusou nossa filosofa. O Brasil é tão frágil que só um grande Estado provedor pode proteger as massas nas lutas sociais, que elas nem sabem que estão travando; mas eu sei, porque nós somos a consciência do povo. 

Sou acusada de ter dilapidado as contas do País, rompendo a Lei de Responsabilidade Fiscal. Rompi, sim. Pois eu tive orgulho de usar o Estado e seu tesouro acumulado para estimular o consumo tão ansiado pelos pobres-diabos, sim, mesmo que os cofres públicos tenham ficado vazios para investir. 

Populismo? Eu chamo de catequese, conquista de adeptos para o grande futuro que virá! Gasto público é vida! Eu não podia ficar aprisionada naquela leizinha de responsabilidade neoliberal que o FHC inventou. Fiz isso, sim, porque meus fins justificavam esse meio; o fim era garantir apoio para próximas eleições do nosso PT, para ficarmos no poder desse país alienado, até a chegada do futuro socialista. 

Eu fiz tudo certo. Distribuí cargos sem fim, dei verbas gordas para seus currais, nobres senadores. Fiz isso porque sei que, às vezes, é preciso praticar o mal para atingir o bem. Será que o Maquiavel disse isso? 

Eu sabia de tudo, eu sabia que a compra da refinaria de Pasadena ia ser um rombo pavoroso, confesso, mas como conseguir dinheiro para minha reeleição sem propinas? Propinas de esquerda, é claro. Por isso, fiz vista grossa, sim, quando aquele Cerveró me entregou uma página solta, com uma piscadinha do olhinho vesgo. 

Tenho orgulho de tudo que fiz. Menti na campanha, dizendo que não ia ter comida no prato do povo, menti nos bilhões que arranquei dos bancos para esconder o déficit público. Mas foram mentiras que chamo de ‘corrupção revolucionária’. Ahh, esse meu povo, tão ignorante, desvalido. A miséria me fazia feliz. Explico: denunciar a miséria era um alívio para minha consciência. 

Desculpem a emoção (chora), mas há uma pureza doce na miséria que me comove muito (lágrimas). Mas, nós do PT, somos os sujeitos da História e, apesar de vossa injustiça contra nós, vamos construir o paraíso social. 

Meus fins uniram o País. Sim, uni vocês até mesmo contra mim, porque confundiram minha sutileza ideológica com incompetência, acharam que eu errava, sem saber que meu acerto era no futuro. Nunca errei. Não me arrependo de nada. Houve corrupção? Sim, mas adstrita a alguns elementos desonestos, que traíram nossa missão. Dizem que roubamos; não, a palavra não é essa – é apenas a ‘desapropriação’ de um tesouro comprometido com metas neoliberais... isso é que fizemos. 

É muito difícil desenvolver esse país de merda, desculpem o termo. Por isso, temos de destruir o capitalismo por dentro, já que não dá mais pé uma revolução russa. Mesmo uma avacalhação é mais revolucionária – seria uma espécie de ‘esculhambação criativa’ para arrasar administrações de direita. 

Foi isso que fez nosso líder Chávez, assassinado pelos imperialistas, que lhe injetaram câncer no corpo, e, depois que ele virou passarinho, passaram a roubar até os alimentos do povo, botando a culpa em nossos irmãos bolivarianos. 

Nosso povo também não sabe se governar. Por isso, digo, democracia clássica como? Para nós, ‘democracia’ sempre foi uma estratégia para tomada do poder. E não era hipocrisia; era dialética histórica. Tínhamos de apoiar a democracia burguesa para depois fazer o centralismo democrático, que tanto usou nosso grande irmão Stalin, injustiçado por aqueles dois fascistas Kruchev e Gorbachev. 

Eu sou inocente, pura, não tenho dinheiro na Suíça e toda minha paixão lancinante pelo povo brasileiro foi confundida com desonestidade e incompetência. As massas ainda vão sentir a minha falta, debaixo de um governo neoliberal que só pensa em contabilidade. 

Vocês hoje me baniram, mas vão se arrepender no futuro, pois o Brasil nasceu torto e nunca será consertado nem por Temer nem por ninguém. 

Arrependei-vos, fariseus do templo, pois, como disse a querida Gleisi Hoffmann: esse Senado não tem moral para me julgar. 

Estou sofrendo um golpe. Sim, não adiantam rituais, votações; repito, sim, que é golpe tramado por essas instituições de direita, como o STF, o Congresso, o Ministério Público, a OAB, a Polícia Federal. 

Estou orgulhosa de mim. Como Getúlio, saio da presidência para entrar na História. E, para terminar, cito o líder maoista João Pedro Stédile, quando disse aos camponeses: ‘Tenham filhos – eles conhecerão o socialismo!’. E eu acrescento: Seus filhos vão respeitar minha imagem no futuro. Adeus!” 

Estou no passado, amigos leitores, mas deve ter sido algo mais ou menos assim. Que acham? 

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Hélio Bicudo e o impeachment


Segue o link para o depoimento do Dr. Hélio Bicudo sobre o impeachment de dona Dilma, a pavorosa dama que já foi presidente do Brasil.

Depoimento de Hélio Bicudo

sábado, 13 de agosto de 2016

Da mesma laia (publicado em O Tempo, de 28 de novembro de 2009)

"Os outros presidentes são todos da mesma laia!" O autor da frase é ele mesmo. Sim, é ele, o atual presidente da República, Lula da Silva, que assim se referiu aos seus antecessores em evento recente na capital mineira. Nem é preciso ir a um dicionário para saber que laia é uma palavra depreciativa sobre alguma característica comum a um grupo de pessoas. Mais do que um arroubo eventual em linguagem de sarjeta, no entanto, a assertiva presidencial mostra ao grande público a forma habitual de pensar de um homem carente de qualquer estofo espiritual. Carência, aliás, não só dele, como, também, daqueles que o cercam e o seguem caninamente.

Não é de se estranhar, então, que a vulgaridade esteja mais presente em sua língua do que a própria saliva. A coleção de desatinos daria para fazer um dicionário político-pornográfico. Do ponto de vista político, a forma lulesca de conceber o mundo (dividido, segundo seus acólitos, entre "nós" e "eles"), mostra a incrível persistência de uma concepção de origem stalinista, mesmo após aquela sangrenta ditadura comunista ter-se dissolvido no tempo.

Pois não é que Lula, Zé Dirceu e Dilma (para ficar apenas nos nomes mais notórios) desenterraram do museu das perversões históricas a teoria de Jdanov? Esse tal de Jdanov, ex-ministro da Cultura do regime soviético, dizia que o ambiente político se dividia em dois campos: os que estão conosco e os outros que, certamente, não estando conosco, estão contra nós.

Assim, quem estiver "conosco" pode ser o maior patife, o maior gângster ou o maior canalha que, apesar disso, será acolhido no ninho (deixam de ser piratas para virarem corsários do rei). Estão aí os nomes emblemáticos de Sarney, Maluf, Calheiros, Jáder Barbalho e toda a turma do mensalão.

Essa gente primitiva reduz o mundo, portanto, a duas possibilidades antagônicas: se não é preto, é branco; se não é amigo, é inimigo; se não é crente, é descrente. A rigidez mental os leva a praticar, ao longo da vida, os maiores desatinos, inclusive a tortura e o assassinato em massa. Não possuem qualquer limite. Estão aí para o demonstrar os exemplos do dia a dia. A própria corrupção do governo Lula, com sua frondosa cleptocracia, é uma herança ideológica do stalinismo, conforme se observa na estrutura similar da Rússia atual, ainda marcada pelos hábitos de Stalin.

Não é algo fortuito: é parte de um sistema, de um modo bárbaro de ver e de viver. Nada diferente de Hitler e similares que povoaram a história humana. Quem duvidar se ponha a ler as manifestações de Zé Dirceu, Dilma e de outros asseclas conhecidos que os seguem e defendem.

O propósito deliberado desses liberticidas é implantar nos trópicos uma imitação barata e tardia dos regimes totalitários de outrora. O culto à personalidade, ao estilo stalinista, é apenas a parte visível do processo. Tem o resto.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Resposta antológica de Janaína Paschoal (Almirante Tavares)



A Senadora Fátima Bezerra (PT-RN) dirigiu-se à Professora Janaína Paschoal, criticando-a por pedir o impeachment "de uma presidenta eleita", fazendo o seguinte comentário:

– Não é uma presidente qualquer. É uma mulher que traz no corpo as marcas da tortura que sofreu POR DEFENDER A DEMOCRACIA no Brasil.
 
A resposta de Janaína veio na lata:

– Prezada senadora: se Dilma foi ou não torturada, não sei.

1°) Ela diz que foi, mas ela também diz que nunca soube de corrupção na Petrobras; a senhora decide se a palavra dela merece ou não seu crédito, senadora.

 2°) Agora, quanto a ter Dilma lutado pela democracia, prezada senadora, veja se consegue entender: Dilma foi membro da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), organização MARXISTA-LENINISTA (a senhora sabe o que é isso, certo?) que praticava assaltos, atentados e sequestros.
         
3°) Tais ações tinham como finalidade (que constava dos estatutos da referida organização, a senhora pode pesquisar) implantar no Brasil uma ditadura do proletariado, um regime de partido único que não permite liberdade de expressão, liberdade de associação partidária, imprensa livre, eleições, nada que vagamente se assemelhe à democracia que a senhora mencionou.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Dinheiro sujo do PT: a torneira fechou (Augusto Nunes)


Por falta de verba para fretamento de jatinhos, o PT desistiu de bancar as viagens de Dilma Rousseff e sua comitiva de desocupados. A partir de agora, a Assombração do Alvorada terá de contentar-se com discurseiras no jardim, obedientemente aplaudidas pela plateia que junta a criadagem do palácio ao bando de áulicos sustentados por milhões de pagadores de impostos. É preciso manter a animação da tropa que aguarda ao lado da patroa a definitiva ordem de despejo.

Neste ano, Lula não recebeu um único e escasso convite para fazer palestras no Brasil ou no exterior. Entre 2011 e 2013, foi sempre extensa a fila de empresários dispostos a contratar por até 400 mil dólares um palestrante que se limitava a cumprimentar-se pelo parto do Brasil Maravilha ─ um superlativo embuste registrado em cartório. Com os avanços da Lava Jato, também parou de crescer até a coleção de títulos de doutor honoris causa.
O fim da farra aérea de Dilma e a aposentadoria forçada do camelô de empreiteira nada têm a ver com a crise econômica que atormenta os brasileiros comuns: foram provocados pelo fechamento das torneiras que abasteciam com dinheiro sujo o caixa do PT e o cofre do Instituto Lula. Para ajudar a presidente demitida, o partido promete reprisar a vaquinha que socorreu José Dirceu. O padrinho talvez já tenha reduzido o volume de reservas sob a guarda de Paulo Okamotto.

O palanque ambulante poderia usar o tempo que agora sobra ensinando aos 12 milhões de brasileiros desempregados como é que se faz para viver uma vida de milionário sem trabalhar. E tanto o poste quanto o seu fabricante deveriam aproveitar o momento adverso para submeter-se a um teste de popularidade de altíssima precisão. Basta que embarquem num avião de carreira e perguntem aos demais passageiros o que estão achando da situação do Brasil.


segunda-feira, 13 de junho de 2016

Ideia delirante (Estadão)


Dilma Rousseff está cada vez mais perdida em seus devaneios. Percebendo que a versão de que é vítima de um “golpe” não colou, a presidente afastada investe agora numa tentativa desesperada de reverter no Senado a clara tendência pela decretação de seu impeachment. Está propondo uma ideia estapafúrdia: se for reconduzida ao Planalto, convocará um plebiscito sobre a antecipação da eleição presidencial. Aprovada nas urnas a tese da eleição, renunciará. E um novo presidente da República – ou uma nova presidente, sabe-se lá – se encarregará, com a legitimidade que ela acusa Michel Temer de não ter, de concluir o mandato.

A ideia de promover eleições, especialmente quando o País está mergulhado numa crise geral, tem algum apelo popular. Principalmente se for apresentada como um ato de generoso desprendimento por parte de uma mulher que se apresenta como injustiçada por seus inimigos, mas disposta a entregar nas mãos do povo os destinos do País.

A eleição presidencial antecipada já está prevista na Constituição, se ocorrer a vacância dos cargos de presidente e vice-presidente. Se essa vacância ocorrer nos dois primeiros anos do mandato – no caso, até 31 de dezembro próximo – será automaticamente convocada nova eleição, para presidente e vice, “noventa dias depois de aberta a última vaga”, segundo o artigo 81 da Constituição. Acontecendo a vacância dupla a partir do início do segundo ano de mandato, a eleição se dá indiretamente, pelo Congresso Nacional, em 30 dias.

Para que haja eleição direta como propõe Dilma – mas não como ela necessariamente quer –, é preciso que não haja presidente nem vice-presidente. Como não passa pela cabeça de Michel Temer renunciar à Vice-Presidência, as coisas são menos simples do que Dilma expõe. Ela também se diz disposta a “convocar” a consulta popular, mas essa prerrogativa é exclusiva do Congresso, a partir de qualquer uma de suas duas Casas, como estabelece o artigo 14 da Constituição Federal. O que significa que, se está falando sério, Dilma terá primeiro que convencer os senadores ou os deputados a aprovar a convocação do plebiscito, o que tem de ser feito por pelo menos um terço dos deputados ou senadores.

Enquanto exercia a Presidência, principalmente a partir do início do segundo mandato, Dilma sempre teve enorme dificuldade para fazer passar no Congresso propostas em que tinha interesse. Nada leva a crer que será diferente na hipótese remota em que ela acabe sendo reconduzida ao Planalto. Estariam os parlamentares interessados em eleição presidencial antecipada?

Michel Temer exerce a Presidência, substituindo a presidente afastada de acordo com o que estabelece a Constituição. Não tem nenhuma razão para renunciar. Assim, a eleição antecipada que Dilma afirma desejar só será possível se aprovada por um plebiscito que não se limitaria a convocar a consulta, mas também declararia a vacância dupla – o que seria, na verdade, a cassação do mandato do vice-presidente. Em resumo, o golpe imaginário, de que Dilma se queixa de ser vítima, seria aplicado, de verdade, em Michel Temer.

Assim, mesmo que Dilma esteja realmente disposta a cumprir o que promete – convencer o Congresso a convocar o plebiscito e, aprovada a eleição antecipada, renunciar à Presidência –, a viabilidade prática dessa ideia é, no mínimo, extremamente duvidosa. Se o julgamento final do processo de impeachment pelo Senado for realizado, como está previsto, em agosto, restarão menos de cinco meses para que – com uma eleição municipal prevista para outubro – sejam realizados ainda este ano, primeiro, o plebiscito e, em seguida, se for o caso, a eleição para escolher quem concluirá os dois anos de mandato que Dilma ainda teria. De quebra, teria que ser resolvido o problema de saber quem ocupará a Presidência da República no meio tempo entre a renúncia da desprendida Rousseff e a posse do novo chefe de Estado. O presidente da Câmara dos Deputados, seja ele Eduardo Cunha, seja Waldir Maranhão? Arre!

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Socialistas de botequim (O Antagonista)


Gilmar Mendes também discursou, nesta manhã, em encontro na Procuradoria Geral do Rio de Janeiro, registra o Valor.

O ministro disse que o impeachment está "a caminho de se concretizar", relembrou que "a realidade fiscal não aceita desaforos" e fez questão de salientar que "fraudes contábeis foram praticadas para anestesiar a população em ano eleitoral".

Mas Mendes lacrou mesmo quando fez o seguinte comentário:
"É inegável que o Brasil se tornou uma república egoísta, corporativista. Temos socialistas de botequim, ganham altos salários, cuidam dos seus interesses corporativos e entre um champanhe e outro fazem discursos pelos pobres."

terça-feira, 7 de junho de 2016

Por que Dilma não pode voltar (Estadão)



O editorial do Estadão deveria ter outro título: A assombração quer continuar nos assombrando. Temer comete um engano. Deveria dar todo apoio à madame para ela viajar e falar, principalmente, falar. A figura mal assombrada seria a melhor propaganda para a confirmação do impeachment.
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"A presidente Dilma Rousseff parece acreditar que, ao se manifestar sobre seu governo e seu afastamento, angaria simpatia e, assim, afasta a hipótese altamente provável de seu impeachment. Sempre que a petista abre a boca, porém, fica claro para o País que, se seu governo já foi desastroso, seu eventual retorno à Presidência seria um cataclismo, pois a administração seria devolvida a quem se divorciou completamente da realidade. No mundo em que vive, Dilma se confunde com Poliana: não cometeu nenhum erro, não é responsável pela pior crise econômica da história brasileira e só foi afastada em razão de um complô neoliberal operado pelo deputado Eduardo Cunha, e não porque a maioria absoluta dos brasileiros exige seu impeachment.

“Temos que defender o nosso legado”, disse à Folha de S.Paulo a presidente responsável por recessão econômica, desemprego crescente, inflação acima da meta e contração da atividade, do consumo e do investimento, além de um rombo obsceno nas contas públicas. Foi essa herança, maldita em todos os sentidos, que criou o consenso político em torno do qual o Congresso faz avançar o impeachment. Assim, quando fala em seu “legado”, não é à dura realidade que Dilma está se referindo, mas sim à farsa segundo a qual seu governo beneficiou os mais pobres - justamente aqueles que mais sofrem com a crise que ela criou.

Na entrevista, Dilma sugere que seu “legado” é a manutenção de programas sociais, o que estaria sob risco no governo de Michel Temer, instituído como parte de uma conspiração para instalar no Brasil uma “política ultraliberal em economia e conservadora em todo o resto”. A desmontagem da rede de proteção aos mais pobres seria, segundo ela, o objetivo dos “golpistas”. Dilma atribui aos adversários a intenção de fazer o que ela própria já estava realizando na prática: todos os principais programas sociais de seu governo sofreram cortes nos últimos anos, em razão da falta de dinheiro.

Especialista em destruir os fundamentos da economia, Dilma achou-se autorizada a comentar as possíveis medidas do governo Temer para tentar recuperar um pouco da racionalidade econômica que ela abandonou. Dilma disse ser “um absurdo” a possibilidade de que a imposição de um teto para os gastos públicos atinja áreas como educação. Para ela, “abrir mão de investimento nessa área, sob qualquer circunstância, é colocar o Brasil de volta no passado”. Foi esse tipo de pensamento, segundo o qual há gastos que devem ser mantidos “sob qualquer circunstância”, que condenou o Brasil a um déficit público superior a R$ 170 bilhões.

Ainda em seu universo paralelo, Dilma disse que em 2014 ninguém notou que o País já passava por uma crise, embora o descalabro estivesse claro para quem procurou se informar. “Quando é que o pessoal percebeu que tinha uma crise no Brasil, hein? A coisa mais difícil foi descobrir que tinha uma crise no Brasil”, disse ela, desafiando a inteligência alheia de forma grosseira até para seus padrões. Bastaria ler os documentos de análise da economia produzidos regularmente pelo Banco Central para constatar o desastre desde sua formação até o seu fiasco final com o episódio Joaquim Levy. Ela prefere imputar as mazelas da economia em seu governo à desaceleração da China, à queda do preço do petróleo, à seca no Sudeste e a um complô da oposição e de Eduardo Cunha, que, segundo suas palavras, é “a pessoa central do governo Temer”. Ou seja: para Dilma, se Cunha por acaso não existisse, ela ainda estaria na Presidência, e a crise, superada.

“A crise econômica é inevitável”, ensinou Dilma na entrevista. “O que não é inevitável é a combinação danosa entre crise econômica e crise política. O que aconteceu comigo? Houve uma combinação da crise econômica com uma ação política deletéria.” Segundo a petista, o Congresso, dominado por forças malignas que tinham a intenção de criar um “ambiente de impasse propício ao impeachment”, sabotou todas as “reformas” que ela queria aprovar. Ou seja, Dilma teima em não reconhecer que o clima hostil que ela enfrentou no Congresso foi resultado de sua incrível incompetência administrativa, potencializada por descomunal inabilidade política e avassaladora arrogância. Prefere denunciar a ação de “inimigos do povo” contra seu governo.

Finalmente, convidada a dizer quais erros acha que cometeu, Dilma respondeu: “Ah, sei lá”.

domingo, 22 de maio de 2016

Caradurismo sem limites (O Tempo)


Ausente em ato contra o impeachment que recebeu a presidente afastada Dilma Rousseff anteontem em Belo Horizonte, o governador Fernando Pimentel (PT) aproveitou palanque da inauguração de uma maternidade ontem, em Contagem, na região metropolitana, para discursar a favor dos direitos populares que estariam “ameaçados” com o governo interino de Michel Temer (PMDB).

“Nesse momento difícil da vida política brasileira, de Contagem se ergue a voz não só da cidade mas a voz de Minas Gerais. A voz grave e profunda que precisamos sempre erguer em momentos em que o Brasil vê sua estrutura democrática ameaçada”, bradou Pimentel.

“A voz que diz não àqueles que querem ameaçar as conquistas sociais do povo brasileiro. A voz que diz não àqueles que querem ameaçar as conquistas trabalhistas do povo brasileiro. A voz que diz não àqueles que querem fazer ajuste fiscal em cima dos mais pobres, dos mais humildes e dos mais necessitados”.

Pimentel disse ainda que a voz de Contagem é a dos que “lutam pela democracia, pelo respeito ao voto popular, pelo respeito à Constituição e, acima de tudo, por manter o nosso compromisso com os mais pobres, mais necessitados e com o povo trabalhador desse Estado”.

“É com esse compromisso e esperança que a voz de Contagem, que é também a voz de Minas, se faz ouvir no Brasil inteiro dizendo não àqueles que querem o retrocesso e sim à luta pela democracia que nós custamos tanto a conquistar”.