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quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Dilma, o golpe e universidades públicas

Conforme já foi amplamente noticiado, algumas universidades brasileiras vêm patrocinando "cursos" sobre a cassação de dona Dilma, que teria sido, para fanáticos esquerdistas, não uma decisão constitucionalmente correta, mas um verdadeiro "gópi" (no pitoresco patuá de uma folclórica senadora petista potiguar).

A UFMG, evidentemente, não poderia ficar de fora da discussão de tão relevante assunto. Sua respeitável faculdade de Direito - a Casa de Afonso Pena - resolveu então meter também sua colher de pau no angu "com que empanturra todos os membros do magistério". 

Numa midiática manobra para atrair as atenções do público, convidou a notória dama ensacadora de vento para proferir a aula inaugural do tal curso, que terá, ainda, a presença ativa de outros 32 palestrantes, segundo informa a imprensa de Belo Horizonte. 

Não é este o primeiro evento com tal finalidade dentro da UFMG. Entidades sindicais do magistério e do funcionalismo administrativo acadêmico já haviam patrocinado um seminário com a mesma pauta nos dias 4 e 5 de julho do corrente no campus da Pampulha. Postados à mesa, eminentes professores doutores falaram para pouco mais de duas dezenas de entediados e sonolentos ouvintes. Com certeza havia mais gente no grupo de serviçais ao lado, que varriam salas, corredores e instalações sanitárias do prédio onde se dava a efeméride e, também, na capina dos vastos jardins circundantes. Mas estes humildes terceirizados não passavam de sombras invisíveis e, talvez, sejam até mesmo eleitores de Bolsonaro. Melhor nem pensar neles.

O ápice da reunião dos cintilantes mandarins foi o momento em que um dos painelistas, revirando seu sarapatel de fatos desconexos ao longo da história brasileira, chamou a dama cassada pelo Senado federal de "presidenta" Dilma. Tal suprema manifestação de sabujice indica o longo e penoso percurso reservado para o Brasil, no futuro, caso queira se livrar dos parasitas que infestam as universidades públicas atualmente.

 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Mandarins sob suspeita




Cintilantes mandarins universitários estão sendo questionados por suas condutas em diferentes universidades brasileiras. No caso mais recente vindo à tona - o da UFMG - não se sabe, ainda, qual a natureza dos crimes pelos quais são investigados o próprio reitor e outros servidores. Eles foram omissivos ou comissivos? Talvez ambos. A Polícia Federal, escolada em investigações sobre práticas corruptas, conforme já se viu nos fatos referentes ao mensalão e ao petrolão, estica agora seus longos braços para atingir outros ramos da frondosa herança do regime lulopetista. Verdade que tudo do que são eventualmente acusados pode não passar de infundadas suspeitas. Talvez. 

Talvez tudo  não passe de pérfida manobra de inimigos políticos visando privatizar o ensino superior brasileiro, conforme alguns mestres o declararam à imprensa. Se assim for, entender-se-iam as prisões, as conduções coercitivas e a apreensão de documentos reclamados pela autoridade policial. Dificilmente, no entanto, tais procedimentos seriam autorizados por um juiz competente, caso não possuíssem fundamentos fáticos e jurídicos. Vai longe o tempo em que tudo que contrariasse interesses de corporações, tachado de perfídia neoliberal, seria aceitável. Nem as franjas mais primitivas do PCdoB, aquelas que idolatram Kim Jong-un, falam mais de neoliberalismo.   

Para aqueles que observam os acontecimentos de longe, aliás, seria inusitado que mesmo respeitáveis instituições acadêmicas ficassem livres da contaminação pela gosma petista, numa tessitura que abarcasse, ao fim e ao cabo, todas as dimensões da vida social. Qual uma negra e venenosa aranha, que vai secretando seus fios e aprisionando os que dela se aproximam, o lulopetismo foi se infiltrando em todos os níveis das instituições públicas transformando-as em zumbis a serviço de sua causa, para vergonha e decepção do povo brasileiro, que esperava uma universidade comprometida com as grandes causas que a tantos afligem. A sociedade nunca esperou, jamais, condutas ilegais e reprováveis vindas de quem quer que seja, ainda mais de qualificados professores, pesquisadores e outros técnicos.

É uma questão de compostura. Reitores precisam dar o exemplo. O beija-mão coletivo de dona Dilma por parte de uma centena deles (às vésperas das últimas eleições presidenciais, quando a caravana da subserviência aportou em Brasília), é exemplo de outras tantas magníficas genuflexões. No conceito de corrupção dever-se-ia incluir a  utilização de recursos públicos em campanhas eleitorais, notoriamente praticada entre petistas e puxadinhos, e sob vistas grossas e ouvidos moucos por quem deveria coibi-lo. Circulares anódinas com orientações de conduta em período eleitoral, repetem a velhacaria bragantina: fazer leis para inglês ver. Da mesma forma com que se agiu com relação ao tráfico negreiro, a mobilização petista continuou debaixo dos panos. E ainda continua.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Escola com partido


Corre nas redes sociais debate sobre a partidarização das escolas, em especial as da rede pública. Dentro das universidades, no entanto, o assunto chega a causar perplexidade, dada a obviedade da questão. A partidarização no ambiente acadêmico é algo visto como natural, desde que os partidos envolvidos sejam PT, PC do B e seus puxadinhos (PSOL, PSTU, PCB e outros menos votados). 

Fiéis à vetusta tradição jesuítica - os fins justificam os meios - gente como o atual reitor da UFRJ se permite fazer tudo, tudo mesmo, que for necessário para impor concepções, detonar professores independentes e, sobretudo, perseguir sem qualquer escrúpulo aqueles que não rezam por sua cartilha, caluniando e difamando seus antagonistas. Há casos de sobra para contar. O que não há, infelizmente, são exemplos de atuação do Ministério Público, tal como se sabe  agora no Rio de Janeiro, chamando na chincha a companheirada depravada (ávida por um pixuleco), apesar de instado por denúncias concretas feitas de maneira não anônima. 

Em momentos eleitorais, especialmente quando se vota para presidente, a audácia de professores comuns, e de dirigentes, alcança grau de paroxismo. Já chegaram ao cúmulo de tanger os alunos, como se fossem gansos de ceva, para receberem no auditório de notória escola superior seu tóxico mingau ideológico. Jornais respeitáveis - como o Estadão -  noticiaram à época o uso de boletim oficial de comunicação da UFMG, para proselitismo partidário e eleitoral em favor da primeira eleição de dona Dilma. 

O padrão ético da turma pode ser aferido, ainda, pelas fuzarcas patrocinadas, com farta distribuição de bebidas alcoólicas (onde o Red Bell ocupava lugar de destaque), para professores e também para estudantes e funcionários, em exuberante boca livre ou 0800. Nunca se soube, aliás, a fonte que custeava as festanças. Tais libações extravagantes também mereceram questionamento jornalístico, vale afirmar, porém, nunca respondido por quem de direito. Simplesmente deram de ombros. Os bacantes jamais entenderam o conceito de responsabilidade, princípio fundante na preservação de uma ordem política constitucional. 

Constituição? Ora, que se dane, dizem os lassalianos com arrogância.      

sábado, 28 de novembro de 2015

Punheta e siririca: os avanços da Pátria Educadora


O espírito de Pasolini baixou nas universidades públicas, em especial nas federais, infestadas de petistas mas, também, de muita gente do PC do B além, claro, dos tributários de excrescências do tipo PSTU, PSOL, PCB, PCO e outras infindáveis denominações perfazendo verdadeira sopa de letrinhas. Não sabendo mais o que inventar pela glória da Pátria Educadora, resolveram agora investir em outro tipo de perversão: a suruba pedagógica. 

Foi noticiado há alguns dias que uma dita "oficina da siririca" estaria ocorrendo no campus da Universidade Federal do Amapá. Até aí, tudo bem. Nos tempos momentosos que correm, exotismos equatoriais podem ser tolerados sem maiores consequências. Nas lonjuras amazônicas daquele estado, e com aquele calor úmido, não deve haver mesmo muito o que fazer nas horas vivas do dia. Então, tome siririca para deixar as mãos ocupadas, peludas mãos estas, que se ficarem ociosas irão, certamente, fazer coisas muito piores, coisas que nem o diabo faz. Melhor então prevenir levando à frente um estranhíssimo evento universitário.

Verdade que pode estar havendo alguma pesquisa secreta, ainda não divulgada, promovida por antropólogos ou arqueólogos pós-modernos, para quem tais oficinas de siririca estariam servindo de laboratório. Quem sabe, para esclarecer a possibilidade de humanos regredirem ao estágio de bonobos, notáveis chipanzés adeptos do "faça amor, não faça a guerra". 

Parentes distantes dos humanos, os adoráveis bonobos vivem em perpétua suruba. Em aparecendo à sua frente algum buraquinho, por menor que seja, de irmã, mãe, avó, prima, tia e mesmo de irmãos, pai, avô, primo, tia ou de quem mais que der as caras, e as bundas, no pedaço eles partem pra cima em incansáveis práticas eróticas. Pasolini ficaria maravilhado babando de inveja. 

Mais recentemente, outra universidade pública - a UFMG - resolveu contribuir para o avanço do conhecimento nessa área tão relevante, que tangencia de maneira insofismável as ciências pedagógicas. Também implantou uma outra "oficina" destinada às cultoras da siririca. Não se sabe se houve abordagem das últimas tecnologias da "chuca", as quais constavam da programação da Universidade Federal do Amapá. Em tempo, "chuca" remete às práticas de limpeza, assepsia e preparação do esfíncter anal para a adequada e sadia penetração. Possivelmente, UFMG fez o que fez por prudente separação dos eventuais interessados no tema "siririca e chuca", nem sempre convergentes em termos de público alvo, demonstrando assim o maior valor que o tempo confere às entidades acadêmicas mais antigas. 

Enfim, a Pátria Educadora de dona Dilma prossegue em sua trajetória de esquisitices. Haverá um momento futuro em que tais insanidades serão objeto, agora sim, de pesquisadores preocupados em entender a degradação de instituições educacionais submetidas ao ditames de bárbaros irresponsáveis. O silêncio cúmplice das Reitorias, e dos pomposos mandarins e intelectuais acadêmicos, passa a fazer todo o sentido. Rinocerontes não falam.

Abaixo seguem links que exibem os últimos acontecimentos no campus da UFMG. Um deles retrata um bando de pelados, simiescamente bailando. Bonobos teriam mais compostura. A dancinha se deu no monumento situado na porta de entrada da Reitoria, possivelmente sob aplausos dos educatecas lá instalados, isto é, se estivessem com mais de u'a mão desocupada. O outro link contém imagens dos aprendizes de siririca. Um esforço vão e caro. Bater uma punhetinha dispensa a colaboração de professores e de escolas. Estas só colaboram, indiretamente, quando possuem lindas professorinhas, como diria Ataulfo Alves morrendo de saudades, excitando a imaginação e o natural vigor da rapaziada.  

UFMG - Sirica é cultura


UFMG - Siririca é educação

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

POLÍTICA E UNIVERSIDADE

"Três antigos dirigentes da UFMG (capitaneados por seu ex-reitor, professor Ronaldo Pena) utilizaram-se de veículo institucional da universidade ("Boletim" de 18.10) para acintosa campanha em favor da candidata oficial a presidente da República. Causou espécie, com repercussão na imprensa nacional, a forma como se deu o apoio, pois há explícita vedação legal para isso, conforme entendimento de juristas especializados em legislação eleitoral. Abrir espaço para artigos de defensores de outra candidatura - como alguns chegaram a defender - só iria ampliar a violação praticada, democratizando-a perversamente.

Qualquer jornal local certamente acolheria tais manifestações pessoais nas suas páginas de opinião, até por causa da alta posição acadêmica dos autores. Além do mais, um público mais universal estaria sendo brindado, assim, com as avaliações políticas dos referidos e magníficos docentes. A sociedade seria grandemente beneficiada. Ganharia mais elementos de informação no julgamento do governo Lula, não só no tocante às questões orçamentárias educacionais como, também, em outros aspectos infelizmente negligenciados pelos mestres.

Em linguagem sectária, similar à utilizada pela candidatura chapa-branca, argumentam os ex-dirigentes que "o momento é de comparação de dois projetos para o Brasil. De um lado, Dilma Rousseff, representando a continuidade do projeto desenvolvido nos últimos anos, e de outro, José Serra, a oposição a esse projeto". Ouvem-se aí ecos de um totalitarismo tardio, emanados da "teoria dos dois campos" de Jdanov - ideólogo do stalinismo: quem não está comigo está contra mim; quem não é amigo, é inimigo; quem não é socialista, é capitalista e assim sucessivamente. José Dirceu, o chefe da quadrilha do mensalão, assinaria sem tergiversar a espantosa simplificação da realidade contida nesse diagnóstico.

Não consideraram os ilustres professores que uma parcela do eleitorado pode fazer, simplesmente, uma escolha baseada na teoria do mal menor, indissociável do sistema de voto em dois turnos, tal como existe em outros países.

Uma concepção severina da educação - não a que tem como referência a visão do grande poeta João Cabral de Melo Neto, mas aquela inspirada no ex-deputado Severino Cavalcanti, o achacador de lanchonetes - considera o dinheiro como norte a ser seguido, bem como unidade de medida de ações governamentais. Desde que os governantes abram sua vasta cornucópia para suculentas bolsas isentas de imposto de renda, tudo estará bem. Não importa que seus adeptos e acólitos patrocinem, por exemplo, a queima de livros em praça pública (tal como se deu em março do corrente, em São Paulo), numa repetição dos atos dos nazistas, em 1933, às portas de uma universidade alemã. Em nossa universidade severina, bolsos e bolsas recheados falarão mais alto. Valores civilizatórios ficarão severinamente distantes. Vale relembrar o poeta alemão Heine, que assim disse, em 1843: num lugar onde se queimam livros, depois se começa a queimar pessoas."

(Publicado no jornal O TEMPO, de Belo Horizonte, em 23/11/2010)