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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Quem são os canalhas (Senador Ronaldo Caiado, no Senado)


Tenho a certeza que o Brasil vai tirar algumas lições deste processo de cassação de Dilma.

A primeira lição é que o presidente deve respeitar o orçamento, e não, tratá-lo como peça de ficção ignorando prerrogativas do Congresso;

Que o presidente não deve avançar no dinheiro público para fazer populismo, demagogia e políticas irresponsáveis;

Que o presidente não deve avançar no dinheiro público para realizar esse populismo bolivariano promovido por Dilma e Lula;

Tiramos a lição de que o presidente não pode enganar, iludir uma população inteira realizando o maior estelionato eleitoral já visto.

Esta é, sim, uma sessão histórica. Sim, esta é uma sessão em que vamos definir quem são os verdadeiros "canalhas" da política brasileira;

Os "canalhas" da política brasileira são aqueles que assaltaram a Petrobras. Que se enriqueceram com dinheiro público;

"Canalhas" são aqueles que tomaram o dinheiro público para ganhar eleições. Que tiraram esse dinheiro da saúde e da educação;

"Canalhas" são aqueles que levaram o Brasil a uma situação crítica de desemprego e inflação ocultando a crise e acabando com a credibilidade do país.

Este é um momento de assepsia da política brasileira. Momento de tirar todo o tecido contaminado da política nacional;

É o momento do ressurgimento da esperança do cidadão com a política do país. Do resgate da moralidade de quem quer ver o dinheiro público respeitado;


O Brasil mandou o seu recado: todo político agora tem que ter responsabilidade com aquilo que se compromete na campanha eleitoral.

As pavorosas: última oportunidade


A oportunidade de ver as pavorosas reunidas é similar à daqueles cometas que passam pela Terra de mil em mil anos. Aproveitem. Os modelitos em vermelho estão sensacionais.



Curioso, não tem nenhuma preta, nem preto. Isso é racismo, madames, racismo. As louras estão super-representadas.  

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Por que Dilma será condenada pelo tribunal da história (Mário Sabino em O Antagonista)



Dilma Rousseff está no Senado enquanto escrevo.

No seu discurso de defesa, ela afirmou que não decretou a abertura de créditos suplementares sem autorização do Congresso e negou ter contraído empréstimos proibidos junto a bancos públicos, a fim de encobrir a cratera lunar nas contas do governo. Os seus crimes de responsabilidade são golpe da oposição, dos ex-aliados traidores, das elites econômicas e, como de hábito, da imprensa.

Para tentar suscitar compaixão nos seus juízes, a petista apelou às torturas sofridas durante o regime militar (que, não esqueçamos, ela queria ver substituído por uma ditadura comunista) e ao câncer do qual se curou (como se doença fosse certificado de idoneidade).

Agora, nas respostas às perguntas dos senadores, nem mesmo petistas e afins conseguem segurar-se nas cadeiras e fingir alguma atenção às suas falas desconexas. Preferem fazer selfies com Chico Buarque, na parte da galeria reservada aos convidados. Posso imaginar, aliás, o desespero de Chico Buarque. Ouvir Dilma Rousseff é pior do que ouvir a Ópera do Malandro.

Dilma é previsível, tentou ser patética, mas carece de sintaxe e, sobretudo, pathos. Não inspira simpatia ou comiseração. Pelas expressões dos senadores, desperta apenas estupor.

Sabemos que a petista é prova de que não é necessário ter carisma para ser eleito ou para governar. Sabemos que a sua vitória nas urnas é prova de como grande parte dos brasileiros é composta por bobocas. Dilma, contudo, atesta que, assim como uma obra de arte precisa de pathos para atravessar o tempo, um político dele necessita para ser absolvido, se não no presente, pela posteridade.


Por falta de pathos, ainda que fosse inocente, ela será julgada culpada no tribunal da história, não importam os documentários ou os livros que a pintarão como vítima.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Hélio Bicudo e o impeachment


Segue o link para o depoimento do Dr. Hélio Bicudo sobre o impeachment de dona Dilma, a pavorosa dama que já foi presidente do Brasil.

Depoimento de Hélio Bicudo

sábado, 13 de agosto de 2016

O dia seguinte do PT (Ricardo Noblat)


O PT já dá o impeachment como fato consumado. Planeja e discute agora, internamente, o seu day after, o rescaldo dos escombros. O desafio é sobreviver, eleitoral e judicialmente.
O presidente do TSE, Gilmar Mendes, determinou esta semana a abertura do processo que poderá cassar o registro do partido, envolvido em múltiplas falcatruas, parcialmente mapeadas pela Lava Jato. A defesa não será jurídica, até porque tem contra si os fatos e a lei, mas política. O partido não desistiu da teoria do golpe.
Dilma está perdida, mas o partido ainda crê na mística de Lula, na possibilidade de transformar sua iminente prisão num grande happening político, que mobilize a militância residual, os movimentos sociais e o transmute de prisioneiro comum em perseguido político.
Tudo, segundo os estrategistas do petismo, depende da aplicação engenhosa de uma palavra que, mais que clichê, tornou-se instrumento eficaz de propaganda política: a narrativa.
Não importam os fatos, mas a versão. Se os fatos não coincidem com a narrativa – e raramente isso se dá -, pior para os fatos, diria Nélson Rodrigues.
Essa estratégia explica a obstinada veemência, quase histérica em alguns momentos, da bancada de senadores petistas e adjacentes. Defendem Dilma não de olho em sua absolvição, em que não creem, mas no documentário cinematográfico, em preparo, sob a direção da cineasta Anna Muylaert, focado no afastamento de Dilma.
Com ele, pretendem fazer do limão da derrota a limonada da revanche. Não se deve subestimá-los: de propaganda, os petistas entendem. Forjaram-se nela e com ela chegaram ao poder, convencendo a muita gente de que promoveram a redenção social do país, não obstante terem deixado em seu rastro um vasto contingente de 12 milhões de desempregados, as contas públicas em ruínas e os cárceres de Curitiba superlotados.
Detalhes, nada que um bom roteiro não possa alterar, numa edição cuidadosa, que explore e vitimize as expressões dramáticas do ocaso de Lula e Dilma e transfigure seus oponentes em carrascos. Não faltam imagens, cenas de embates em manifestações públicas, material para forjar a narrativa que se quiser, bem longe dos fatos e de seus contextos.
Esse material, levado a festivais nacionais e internacionais de cinema – e posteriormente veiculado nas redes sociais -, será apresentado como a “prova” do golpe, da truculência da elite e da direita, inconformadas com o projeto social do PT, que (segundo essa narrativa) deu voz e vez aos pobres.
Pouco importa o fato, documentado por órgãos governamentais ainda na vigência do governo Dilma, de que os pobres continuam tão pobres quanto antes, acrescidos agora dos desempregados da classe média, que se contam aos milhões.
Se tal narrativa encontra pouco trânsito e verossimilhança quando apenas verbalizada, adquire efeito bem mais convincente quando acrescida de imagens em movimento.
A estratégia explora as inevitáveis dificuldades do governo Temer em lidar com a crise que herdou.
O PT, arquiteto da catástrofe, tentará reverter sua autoria, acusando os que o sucedem – e tentam consertar o estrago – de tê-la engendrado. Creem na onipotência e veracidade do dito de Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler, segundo quem uma mentira repetida à exaustão vira verdade. O PT, aliás, é prova disso.
O teste inicial dessa estratégia será a prisão de Lula, que o partido dá como certa, na sequência, ou mesmo antes, da consumação do impeachment. Aposta-se na sobrevivência do mito, na condição que ainda teria de sacudir o povão, mobilizado pela militância treinada, oriunda da burguesia universitária e sindical.
Aposta-se, sobretudo, nas dificuldades do governo Temer de proporcionar a curto prazo resultados que sejam sentidos no bolso da população. Essa aposta, ao menos, faz sentido. A crise, nesta primeira etapa, como o próprio Temer já avisou, oferecerá remédios amargos e impopulares – e resultados lentos.
Antes de melhorar, o país pode até piorar, dado o espectro político de que dispõe, em grande parte ex-parceirios da era petista.
O PT, com sua propaganda, quer convencer o público que a culpa de tudo não é de sua passagem pelo governo, mas de sua saída. Aposta, mais uma vez, na burrice da população.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Socialistas de botequim (O Antagonista)


Gilmar Mendes também discursou, nesta manhã, em encontro na Procuradoria Geral do Rio de Janeiro, registra o Valor.

O ministro disse que o impeachment está "a caminho de se concretizar", relembrou que "a realidade fiscal não aceita desaforos" e fez questão de salientar que "fraudes contábeis foram praticadas para anestesiar a população em ano eleitoral".

Mas Mendes lacrou mesmo quando fez o seguinte comentário:
"É inegável que o Brasil se tornou uma república egoísta, corporativista. Temos socialistas de botequim, ganham altos salários, cuidam dos seus interesses corporativos e entre um champanhe e outro fazem discursos pelos pobres."

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Barroso: advogado de dona Dilma e do PT (Retirado do noticiário do Estadão)


Apesar do esforço para tentar barrar o impeachment de dona Dilma, o ministro Barroso não conseguiu mobilizar as forças do atraso que ainda apoiam a madame visando impedir seu afastamento. Agora, e mais uma vez, segundo noticiário do Estadão abaixo, o pretensioso magistrado volta a meter seu bedelho onde não é chamado. Sua excelência, caso deseje tanto interferir na política nacional, deveria se candidatar a um cargo nas próximas eleições de 2018. Seus palpites infelizes seriam, então, manifestos no lugar adequado: na Câmara dos Deputados, no Senado Federal ou no palácio do Planalto. 

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"O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso afirmou na quarta-feira, 8, que crime de responsabilidade não basta para desencadear um processo de impeachment no País. Em uma palestra para alunos da Universidade de Brasília (UnB), ele sustentou que, embora tenha havido infrações em outros governos, a perda de apoio político é condição indispensável para o afastamento do presidente da República.
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"O impeachment depende de crime de responsabilidade. Mas, no presidencialismo brasileiro, se você procurar com lupa, é quase impossível não encontrar algum tipo de infração pelo menos de natureza orçamentária. Portanto, o impeachment acaba sendo, na verdade, a invocação do crime de responsabilidade, que você sempre vai achar, mais a perda de sustentação política", afirmou o ministro ao fazer uma crítica sobre o sistema político do País.

O argumento é semelhante ao que sustenta a defesa da presidente afastada Dilma Rousseff no processo de impeachment. Segundo ela, os supostos crimes pelos quais responde no Senado foram cometidos por outros presidentes no passado sem maiores consequências. As chamadas pedaladas fiscais, por exemplo, foram adotadas tanto por Luis Inácio Lula da Silva quanto por Fernando Henrique Cardoso, os dois antecessores de Dilma.

Barroso defendeu, no entanto, que "pessoas razoáveis e bem intencionadas" têm bons argumentos ou para afirmar que o processo contra a presidente afastada é ilegítimo ou para pensar o contrário. Na avaliação dele, se, por um lado, a perda de popularidade não justifica o afastamento da petista, a falta de sustentação política para aprovar medidas capazes de tirar o País da crise não ajuda a situação dela.

"Eu acho que quem acha que (o impeachment) é golpe tem fundamentos razoáveis para dizer que não há uma caracterização evidente de crime político e, na verdade, está-se exercendo um poder do ponto de vista de quem foi derrotado nas eleições. Esse é um discurso plausível. O outro é: a presidente não tinha mais sustentação política para fazer o que o País precisava, e a maior parte da sociedade e a maior parte do Congresso acharam que era melhor afastá-la".

O ministro rechaçou a possibilidade de o STF tomar uma posição a respeito do assunto e disse que, se a Corte escolher um lado, perde a legitimidade. "Não é papel do Supremo jogar o jogo político quando ele chega nesse estágio. Essa deixa de ser uma questão de certo ou errado e passa a ser uma questão de escolhas políticas. Não é papel do Supremo fazer escolhas políticas", defendeu.

Indicado por Dilma em 2013 para ocupar uma cadeira no STF, Barroso foi relator da decisão sobre o rito do impeachment no ano passado, após o julgamento em que o argumento dele saiu vitorioso ao admitir a tese do governo petista de que os deputados apenas autorizavam o andamento da denúncia, mas a decisão de instaurar o processo dependia do Senado.

Pouco antes de Dilma ser afastada, o ministro chamou atenção ao fazer duras críticas ao PMDB, partido do qual faz parte o presidente em exercício Michel Temer. "Meu Deus do céu! Essa é a nossa alternativa de poder", afirmou o Barroso sem saber que estava sendo filmado pelo sistema interno de TV do STF sobre a hipótese de Temer e seus aliados assumirem o governo”.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Por que Dilma não pode voltar (Estadão)



O editorial do Estadão deveria ter outro título: A assombração quer continuar nos assombrando. Temer comete um engano. Deveria dar todo apoio à madame para ela viajar e falar, principalmente, falar. A figura mal assombrada seria a melhor propaganda para a confirmação do impeachment.
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"A presidente Dilma Rousseff parece acreditar que, ao se manifestar sobre seu governo e seu afastamento, angaria simpatia e, assim, afasta a hipótese altamente provável de seu impeachment. Sempre que a petista abre a boca, porém, fica claro para o País que, se seu governo já foi desastroso, seu eventual retorno à Presidência seria um cataclismo, pois a administração seria devolvida a quem se divorciou completamente da realidade. No mundo em que vive, Dilma se confunde com Poliana: não cometeu nenhum erro, não é responsável pela pior crise econômica da história brasileira e só foi afastada em razão de um complô neoliberal operado pelo deputado Eduardo Cunha, e não porque a maioria absoluta dos brasileiros exige seu impeachment.

“Temos que defender o nosso legado”, disse à Folha de S.Paulo a presidente responsável por recessão econômica, desemprego crescente, inflação acima da meta e contração da atividade, do consumo e do investimento, além de um rombo obsceno nas contas públicas. Foi essa herança, maldita em todos os sentidos, que criou o consenso político em torno do qual o Congresso faz avançar o impeachment. Assim, quando fala em seu “legado”, não é à dura realidade que Dilma está se referindo, mas sim à farsa segundo a qual seu governo beneficiou os mais pobres - justamente aqueles que mais sofrem com a crise que ela criou.

Na entrevista, Dilma sugere que seu “legado” é a manutenção de programas sociais, o que estaria sob risco no governo de Michel Temer, instituído como parte de uma conspiração para instalar no Brasil uma “política ultraliberal em economia e conservadora em todo o resto”. A desmontagem da rede de proteção aos mais pobres seria, segundo ela, o objetivo dos “golpistas”. Dilma atribui aos adversários a intenção de fazer o que ela própria já estava realizando na prática: todos os principais programas sociais de seu governo sofreram cortes nos últimos anos, em razão da falta de dinheiro.

Especialista em destruir os fundamentos da economia, Dilma achou-se autorizada a comentar as possíveis medidas do governo Temer para tentar recuperar um pouco da racionalidade econômica que ela abandonou. Dilma disse ser “um absurdo” a possibilidade de que a imposição de um teto para os gastos públicos atinja áreas como educação. Para ela, “abrir mão de investimento nessa área, sob qualquer circunstância, é colocar o Brasil de volta no passado”. Foi esse tipo de pensamento, segundo o qual há gastos que devem ser mantidos “sob qualquer circunstância”, que condenou o Brasil a um déficit público superior a R$ 170 bilhões.

Ainda em seu universo paralelo, Dilma disse que em 2014 ninguém notou que o País já passava por uma crise, embora o descalabro estivesse claro para quem procurou se informar. “Quando é que o pessoal percebeu que tinha uma crise no Brasil, hein? A coisa mais difícil foi descobrir que tinha uma crise no Brasil”, disse ela, desafiando a inteligência alheia de forma grosseira até para seus padrões. Bastaria ler os documentos de análise da economia produzidos regularmente pelo Banco Central para constatar o desastre desde sua formação até o seu fiasco final com o episódio Joaquim Levy. Ela prefere imputar as mazelas da economia em seu governo à desaceleração da China, à queda do preço do petróleo, à seca no Sudeste e a um complô da oposição e de Eduardo Cunha, que, segundo suas palavras, é “a pessoa central do governo Temer”. Ou seja: para Dilma, se Cunha por acaso não existisse, ela ainda estaria na Presidência, e a crise, superada.

“A crise econômica é inevitável”, ensinou Dilma na entrevista. “O que não é inevitável é a combinação danosa entre crise econômica e crise política. O que aconteceu comigo? Houve uma combinação da crise econômica com uma ação política deletéria.” Segundo a petista, o Congresso, dominado por forças malignas que tinham a intenção de criar um “ambiente de impasse propício ao impeachment”, sabotou todas as “reformas” que ela queria aprovar. Ou seja, Dilma teima em não reconhecer que o clima hostil que ela enfrentou no Congresso foi resultado de sua incrível incompetência administrativa, potencializada por descomunal inabilidade política e avassaladora arrogância. Prefere denunciar a ação de “inimigos do povo” contra seu governo.

Finalmente, convidada a dizer quais erros acha que cometeu, Dilma respondeu: “Ah, sei lá”.

domingo, 22 de maio de 2016

Pastoral da guerra (Implicante)


Apoiador histórico do PT, Leonardo Boff manda “derrubar cavalos” com bolas de gude.
É isso mesmo.
Figura onipresente nos já clássicos abaixo-assinados para defender algum líder petista metido em encrenca, Leonardo Boff é parte da chamada “classe artística apoiadora” do partido.
Mas, apesar do passado religioso, parece que suas pregações não são sempre em nome da paz. Roma estava certa quando lhe impôs o silêncio obsequioso.
Disse o truculento franciscano:
“Para nos defender contra o golpe policial e nosso direito de nos manifestar nas praças compremos bolas de gude para derrubar os cavalos”.(Contribuição ao belicoso frade: rolhas também são ótimas. Escorregando nelas o cavalo vai cair e quebrar as pernas).

Senta a pua!

Caradurismo sem limites (O Tempo)


Ausente em ato contra o impeachment que recebeu a presidente afastada Dilma Rousseff anteontem em Belo Horizonte, o governador Fernando Pimentel (PT) aproveitou palanque da inauguração de uma maternidade ontem, em Contagem, na região metropolitana, para discursar a favor dos direitos populares que estariam “ameaçados” com o governo interino de Michel Temer (PMDB).

“Nesse momento difícil da vida política brasileira, de Contagem se ergue a voz não só da cidade mas a voz de Minas Gerais. A voz grave e profunda que precisamos sempre erguer em momentos em que o Brasil vê sua estrutura democrática ameaçada”, bradou Pimentel.

“A voz que diz não àqueles que querem ameaçar as conquistas sociais do povo brasileiro. A voz que diz não àqueles que querem ameaçar as conquistas trabalhistas do povo brasileiro. A voz que diz não àqueles que querem fazer ajuste fiscal em cima dos mais pobres, dos mais humildes e dos mais necessitados”.

Pimentel disse ainda que a voz de Contagem é a dos que “lutam pela democracia, pelo respeito ao voto popular, pelo respeito à Constituição e, acima de tudo, por manter o nosso compromisso com os mais pobres, mais necessitados e com o povo trabalhador desse Estado”.

“É com esse compromisso e esperança que a voz de Contagem, que é também a voz de Minas, se faz ouvir no Brasil inteiro dizendo não àqueles que querem o retrocesso e sim à luta pela democracia que nós custamos tanto a conquistar”.

domingo, 24 de abril de 2016

Palhaços aprovam corrupção


Palhaços e bobos da corte são herdeiros de milenar tradição. São livres para dizer as verdades que outros não podem enunciar, sob o risco de terem a cabeça degolada.

Os palhaços, portanto, assim como os demais humoristas, cumprem importante papel público. Talvez, mesmo, uma função contra-majoritária ao denunciar a falsa roupa do rei, que desfilava completamente nu buscando os aplausos da multidão. A palhaçada foi proclamada por uma criança, certamente um aprendiz de palhaço, que arrostou a opinião bajuladora da maioria e repôs as coisas no seu devido lugar. A magnífica vestimenta real era uma ilusão.

Fiéis a tão honorável costume, palhaços brasileiros resolveram questionar o Tiririca por ter votado a favor do impeachment de dona Dilma. Alguns supõem que Tiririca ficou com inveja das palhaçadas presidenciais, das quais a autodenominação flexionando o gênero é a mais inofensiva, porém, não menos ridícula manifestação. 

Pois bem. uma associação, ou sindicato, de palhaços expeliu uma nota de protesto contra o posicionamento do Tiririca. Sem qualquer preocupação com a roubalheira e o circo monumental erguido pelos petistas para facilitar as divertidas formas de gatunagem, os pândegos partiram pra cima do deputado, em notável palhaçada a favor, ela que é sempre do contra. Haveria, por exemplo, coisa mais engraçada que os casos de Lula: do seu apartamento que não é seu e do seu sítio que também não lhe pertence? Humor puro, eis a verdade. Boca Nervosa, o sambista apalhaçado descreveu bem a situação: "Não é nada meu, excelência eu não tenho nada, isso é tudo de um amigo meu".

Mas vale a pena ler parte da "nota oficial". Segue abaixo o tal protesto questionando Tiririca. Houve pequena revisão, de grátis, como diria o Mussum, para ajustar o texto ao espírito da época.

“Nós, palhaças e palhaços profissionais - brasileiras e brasileiros, estrangeiras e estrangeiros, terráqueas e extraterrestres - engajadas e engajados na defesa da democracia do Brasil, manifestamos nossa mais completa insatisfação e repúdio em relação à postura e ao voto de vossa excelência.”

Viva Carequinha!

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Cereja com veneno (José Nêumanne)


Hoje de manhã fui à sede da Associação Brasileira da Indústria de Plástico (Abiplast) para uma conversa com seus dirigentes do Brasil inteiro. Os executivos que foram conversar comigo transmitiram uma perplexidade geral em todo o País quanto à situação surrealista que estamos vivendo neste momento histórico duro, mas estimulante.

Comunguei com eles esta sensação de absurdo abandono que nos rodeia, baseada em fatos recentes que só não espantam pessoas absolutamente desprovidas de quaisquer laivos de sensibilidade e compaixão.

Abordamos, por exemplo, a dolorosa notícia de que o governo do Estado do Rio suspendeu o pagamento das aposentadorias de seus servidores. Não se trata apenas de solidariedade de aposentado com outros, mas de uma percepção exata e precisa da desumanidade da situação de cidadãos pobres que passaram a vida inteira trabalhando duro e não recebem mais o dinheiro de que precisam para comer e viver com decência. Têm, para tanto, de comprar remédios, cada dia mais caros na situação de crise econômica pela qual ora o País passa.

No entanto, com seu desgoverno morto, à espera da hora de marcar o enterro, Dilma Vana Rousseff Linhares não foi capaz sequer de chamar o governador fluminense em exercício, Francisco Dornelles para se inteirar da causa desse despautério. Ela só pensa em como evitar ir para a cadeia depois que a Câmara dos Deputados despejá-la da Presidência da República e do foro privilegiado do cargo, que ela nada faz para merecer. Em vez disso, continua sua cruzada contra o óbvio ululante.

Chamei a atenção dos presentes no auditório da Avenida Paulista para o cálculo que ela anunciou aos dez jornalistas que recebeu no Palácio na manhã de ontem. Segundo Sua Insolência Isoladíssima, é positivo o saldo de empregos nestes cinco anos e três e meio meses de indigestão.

Como se vê, nunca sequer levou em mínima conta a situação de 200 brasileiros que perdem a ocupação remunerada todo dia, atingindo o patamar impressionante de 10 milhões de desempregados.

A cereja envenenada desse bolo podre, contudo, foi sua frase mais reproduzida nos jornais hoje: se passar incólume pelo impeachment, ela proporá um pacto à Nação, que é composta por políticos, empresários e o povo em geral – todos eles execrados por ela na condição de golpistas contra a democracia. Como se sabe, esta se resume segundo Dilma à apertada vitória eleitoral que ela, o PT, Michel Temer e o PMDB tiveram sobre o tucano Aécio Neves em outubro do ano passado.

Contei-lhes também que não é correto chamar de corrupção o que aconteceu na Petrobrás, no BNDES e, pelo que já se sabe até agora, em praticamente toda a máquina pública federal nos 12 anos, três meses e meio dos desgovernos Lula e Dilma.

Corrupção era o que havia antes. O que se passou desde as denúncias de Paulo de Tarso Venceslau sobre o descalabro ocorrido com as finanças das prefeituras petistas ao Jornal da Tarde até hoje foi o maior assalto aos cofres públicos da história da humanidade. Corruptos históricos e célebres como Lupion, Adhemar e Maluf não praticavam tal modalidade.

O que houve aqui ultimamente foi um crime comum, com furto seguido de mortes, praticado por uma enorme e complexa organização criminosa que nem sequer pode ser definida como de colarinho branco. São os criminosos em que até os colarinhos são sórdidos.

Conversamos por duas horas, o mesmo tempo que Dilma usou para mostrar que nada tem a fazer, porque, diante de tudo, ela achou mesmo fundamental foi propor aos jornalistas um acordo de convívio entre uma presidente eleita, que trocou o poder pela burrice e pela ignorante arrogância, com mais de uma centena de milhões de brasileiros que ela se apraz em detestar. Macacos nos mordam!


Ficou faltando alguém que dela arrancasse a resposta para a pergunta que não quer calar: como Dilma conseguirá pactuar, melhorar a economia e governar contra dois terços do Congresso, 61% da população e praticamente todo o empresariado brasileiro, se conseguir passar pela barreira do impeachment? Esta seria a única forma que lhe resta de ressuscitar dos mortos, em cuja companhia hoje está o seu desgoverno. Ah, pois!

A comuna de Brasília (Cesar Maia)

       
1. Quando aceito o pedido de Impeachment de Dilma e aberto o varejo de cargos, se esperava que Dilma, Lula e seu núcleo duro suavizassem sua comunicação e seus discursos, de forma a não gerar insegurança nos deputados do baixo clero que procurava atrair.
     
2. Ou seja, para ter votos suficientes, deveriam caminhar em direção ao Centro. Mas fizeram exatamente o contrário. Se encantaram pelo slogan que seus comunicadores criaram, "não vai ter golpe", e subiram o tom.
    
3. Se alguns deles imaginavam que esse slogan apontaria para um debate suave e jurídico sobre questões de constitucionalidade, o que ocorreu foi exatamente o contrário. O slogan "não vai ter golpe" foi sendo interpretado como algo do tipo "se for necessário pegaremos em armas para defender o mandato de Dilma".
    
4. Os dois lados interpretaram assim, a começar pelos apoiadores de Dilma, deputados, senadores, ministros da casa, lideranças do PT, da CUT e por aí foi. Os discursos no Planalto, no Congresso e nos Comícios subiram o tom como um slogan latino-americano das esquerdas em diversas situações: "Não passarão". Ou parafraseando: "Governo Dilma ou morte".
    
5. As caras e bocas dos deputados escalados para falar, ministros da casa, de Dilma, Lula, parlamentares do núcleo duro, etc., foram ganhando feições e expressões crescentemente raivosas. As fotos e vídeos mostravam isso todos os dias. Era como se fosse um alerta de "guerra civil". Claro, um blefe, mas que os militantes exaltados acreditaram.
   
6. Os que defendiam o impeachment de Dilma passaram a ser chamados de golpistas, fascistas, nazistas e coisas no estilo.
   
7. Toda essa coreografia foi percebida pela opinião pública difusa, pelos deputados e senadores que estão fora da esgrima ideológica como se, não passando o impeachment, nos dois e meio últimos anos de governo, Dilma radicalizaria à esquerda. A distribuição de cargos não seria redistribuição de poder, muito pelo contrário.
   
8. O poder estaria mais centralizado ainda e sob a batuta dos raivosos oradores, na ópera bufa do "não vai ter golpe". Ao tempo que convenceu os seus, assustou os demais. Nem precisava mais de argumentos para que os deputados -acompanhando e presenciando esta escalada- se assustassem. E comentassem: É, desse jeito virá um novo governo, mas agora sem cooptação, sem coalizão e sem pactuação alguma, nem no último escalão. Será a integração completa governo-partido.
   
9. E lembraram os conselhos de Chávez a Lula: “Rompa logo esse impasse e radicalize em defesa do povo”. Esse é o entusiasmo dos lulistas e é o pânico dos demais.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

A queda de Dilma



Em seu famoso filme sobre Hitler, o diretor Oliver Hirschbiegel retrata as últimas horas do tirano. Recolhido em seu bunker, cercado apenas por um reduzido número de fâmulos, o abominável chanceler destila até o fim sua sociopatia primordial. O melhor do filme, no entanto, é servir de base para paródias diariamente divulgadas pela internet. Dona Dilma parece seguir pelo mesmo caminho de Hitler, numa cabal demonstração de que a vida pode imitar a arte. Entrincheirada no palácio de Planalto, a madame ensandecida vê demônios, golpistas e inimigos por todos os lados querendo ocupar seu trono.

Quem duvidar de que algo estranho se passa com ela, basta observar seus olhos sempre esbugalhados e a postura corporal canina, desafiadora, como a chamar qualquer um, por qualquer dá cá esta palha, para uma briga de tapas e unhadas. Alguém teria coragem de entrar num elevador junto com ela? Pois é esta senhora, com a tampa do caixão já a lhe ser pregada, que se debate furiosamente querendo fugir ao destino que ela mesma traçou. Suas escolhas, pelo terrorismo armado, ontem, e pela violação das leis do país, hoje, notadamente a Constituição Federal de 1988, são as causas únicas do processo de impeachment a que está sendo submetida pelo Congresso da República.

Cercada de tipos os mais extravagantes – basta conferir as figuras que ocupam, ou já ocuparam, seu exótico ministério – a implausível senhora revela, à medida que se aproxima do final o seu show macabro, a mais absoluta falta de compostura política: “daqui não saio, daqui ninguém me tira”, em retórica mambembe mal parodiando o clássico samba de Zé Kety. As lideranças majoritárias do Brasil, no entanto, cobram sua saída imediata. Realmente, é difícil suportá-la. Nas pessoas decentes ela só causa gastura. Só apoiam sua permanência no governo os parasitas costumeiros, que vivem de adjutórios extraídos da vasta cornucópia do erário: sindicalistas, professores, artistas e intelectuais chapas brancas, gente agraciada pelas bolsas de diferentes tipos e dimensões. Marx diria que, cevados à base de “salsichão e alho”, custam  um preço até que bem baratinho. Na falta do agrado clássico a esses comensais, pode-se apelar para a mortadela de carne de cavalo e para a tropical tubaína.

O Brasil passará pelo necessário processo de purificação; anos e anos, talvez décadas. A grande lição a ser aprendida, e cultivada, é não deixar a hidra sobreviver com suas inumeráveis cabeças. A complacência com os crimes e transgressões petistas, que não começaram agora quando chegaram ao poder, mas vem de muito longe, desde seu nascedouro como partido, deve ser uma política pública, uma decisão de Estado. A Constituição alemã proíbe a existência de partidos que atentem contra a Federação, pelo conteúdo de seus programas partidários ou pela conduta de seus membros. Eis aí um bom exemplo para nós. Reduziria, e muito, o banditismo político nacional. Veja, a seguir, o artigo a respeito:

Artigo 21

[Partidos]

(1) Os partidos colaboram na formação da vontade política
do povo. A sua fundação é livre. A sua organização interna
tem de ser condizente com os princípios democráticos.
Eles têm de prestar contas publicamente sobre a origem e
a aplicação de seus recursos financeiros, bem como sobre
seu patrimônio.

(2) São inconstitucionais os partidos que, pelos seus objetivos
ou pelas atitudes dos seus adeptos, tentarem prejudicar ou
eliminar a ordem fundamental livre e democrática ou por
em perigo a existência da República Federal da Alemanha.
Cabe ao Tribunal Constitucional Federal decidir sobre a
questão da inconstitucionalidade.

(3) A matéria será regulamentada por leis federais.


terça-feira, 12 de abril de 2016

Mangabeira-Unger (Entrevista, em 12-04-2016)


Contrário ao impeachment, o ex-ministro dos governos Lula e Dilma Roberto Mangabeira Unger, 69, afirma que a corrupção é um problema sério, porém localizado e que não deveria ser usada para desviar o foco dos desafios reais do país.

Apesar de defender a continuidade do atual mandato presidencial, o filósofo, que em setembro deixou a extinta Secretaria de Assuntos Estratégicos, diz que os erros cometidos por Dilma são graves e numerosos. Ele disse que a política educacional não se tornou prioritária e criticou a dependência econômica das commodities e o loteamento dos ministérios –práticas estas que, segundo ele, unem os governos do PT e o PSDB.

De volta à Universidade Harvard, onde ministra quatro cursos neste semestre, Mangabeira Unger defende uma agenda que priorize a flexibilização do Orçamento, a produção, uma ampla reforma educacional e a reinvenção do federalismo. Em novembro, ele trocou o PMDB pelo PDT e agora trabalha pela candidatura de Ciro Gomes.

A seguir, trechos da entrevista concedida à Folha em seu escritório, na faculdade de direito de Harvard:
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Impeachment

Não, não e não. Práticas fiscais usadas por todos os presidentes recentes não podem servir para derrubar presidente. Qualificação progressiva e prospectiva das práticas fiscais, sim. Utilização casuística dessa qualificação para mudar o poder, não. Não há qualquer indício tampouco de que a presidente tenha tentado obstruir a Justiça.

Conheço Dilma Rousseff há mais de 30 anos. Como todos nós, ela é cheia de defeitos, mas é uma pessoa íntegra e ilibada. Desde Prudente de Morais (1894-1898), não vemos tanta severidade moral na pessoa do chefe de Estado.

Eu espero que o impedimento seja derrotado na Câmara dos Deputados e, se não for derrotado na Câmara, derrotado no Senado.

Renúncia

A renúncia é muito menos danosa do que o impedimento, porque não significaria por si só uma perversão constitucional. Mas não é a solução melhor. O melhor para o país, e eu digo como crítico severo dos erros do governo Dilma, é que a presidente seja resguardada no exercício do seu mandato, mas que, em seguida, reoriente radicalmente o seu governo. Que se supere a si mesma. Que faça uma autocrítica profunda. Que chame os melhores.

Corrupção localizada

A tentativa de impedimento nasce de um processo e de um contexto que ameaçam a democracia brasileira. O ponto de partida é a preocupação com a corrupção no Brasil. A corrupção é um problema nacional sério, porém localizado.

A sua causa principal está na relação entre os políticos e as empresas que financiam as campanhas eleitorais. É um problema solucionável pela mudança das regras de financiamento da política.
O Brasil é, de longe, o menos corrupto dos grandes países emergentes. Embora a corrupção tanto nos aborreça, é nada em comparação com o que existe, por exemplo, na China, na Rússia ou na Índia. E não pode servir para nos desviar do enfrentamento de nossos problemas reais.

Onda contra Dilma

Criou-se uma onda no Brasil. Embrulhamos o ódio e a frustração no manto do moralismo. A onda passará e deixará gosto amargo na boca da nação. Não há atalhos para construir o Brasil. A polícia, os procuradores e a grande mídia se associaram para construir essa onda e conseguiram sensibilizar a imprensa internacional. A onda utilizou o instituto perigoso das prisões preventivas, num verdadeiro assalto às liberdades públicas no país.

Uma parte da elite jurídica e judicial abdicou de sua responsabilidade de por freio às paixões do momento. Temos de enfrentar a corrupção, sim, mas não a custo de fragilizar a democracia brasileira ou de eximir de enfrentar os verdadeiros problemas nacionais.

Imprensa e a crise

A imprensa entrou na onda [do impeachment]. Com isso, também abdicou a sua responsabilidade. A responsabilidade essencial da imprensa, numa democracia, é aprofundar o entendimento da realidade, ampliando a imaginação do possível. Não do possível remoto, mas do possível adjacente.

A imprensa se deixou contaminar pelas paixões da onda. Isso nos deve lembrar da necessidade de reconstruir também o contexto institucional da própria mídia. Desfazer os oligopólios da mídia no Brasil e fomentar a multiplicação de formas de iniciativa e de propriedade nos meios de comunicação. Nada de regulação da imprensa, nada de monitoramento. É o contrário, radicalizar a diversidade.

Paralelo com os EUA

Alguns compararam a situação com o impeachment do presidente Richard Nixon (1969-74). Se fizermos uma comparação com a experiência americana, a mais pertinente é com a tentativa de impedir o presidente Andrew Johnson, em 1868, pouco após o fim da Guerra Civil.

Ele era teimoso e impopular e tentou reverter algumas das conquistas da Guerra Civil no Sul. Houve uma tentativa de impedimento. O impedimento acabou sendo derrotado por um único voto no julgamento do Senado americano. Inclusive pelos votos dos adversários políticos de Johnson.

Embora o presidente Johnson continue a ser considerado um péssimo presidente, até hoje a derrota de seu impedimento é comemorada como um marco na evolução constitucional do país. Os americanos compreenderam que a tarefa do processo do impeachment não é salvar o país ou os Poderes dos seus erros políticos e converter impopularidade em mudança de governo.

Erros da presidente

Ao condenar a tentativa de impedimento nestas circunstâncias, afirmo ao mesmo tempo a importância de registrar graves e numerosos erros de seu governo. A fonte maior de todos esses erros é não haver reconhecido a necessidade de mudar o nosso caminho nacional.

Não me conformo com o abandono da suposta prioridade do governo: a qualificação do ensino público, a pretexto da falta de dinheiro e da necessidade de tratar, dia e noite, da cooptação dos políticos. Exemplifica, de maneira candente, a observação de André Gide de que o erro mais comum em política é confundir o urgente com importante.

Nós temos tido, pelo menos desde os governos dos mandatos de FHC, o mesmo projeto no poder, liderado primeiro pelo PSDB e depois pelo PT. E é um projeto hoje exaurido. Os seus traços são os seguintes: na política econômica, a dependência das commodities, dos recursos naturais como o motor do nosso crescimento. E a tentativa de democratizar a economia do lado da demanda sem uma democratização correspondente do lado da oferta e da produção.
Os interesses do trabalho e da produção foram subordinados aos interesses do rentismo financeiro. E as commodities pagaram a conta. Estes governos todos aceitaram o nível muito baixo de poupança nacional e de consequente dependência de poupança externa.

A prática política que acompanha essa persistência no rumo errado foi a prática de dividir o governo em duas partes: entre o círculo íntimo, o presidente cercado pelos seus amigos e tecnocratas confiáveis, e o resto do governo, usado para saciar os apetites dos partidos políticos nesse nosso monstruoso presidencialismo de coalizão, que é a combinação dos piores defeitos do presidencialismo americano clássico copiado no Brasil e do regime parlamentar europeu.

Mudança de rumo

Entendo que a alternativa nacional a ser construída, se possível, no resto do mandato da atual presidente e de qualquer forma a partir da sucessão presidencial passa por quatro grandes eixos: o primeiro eixo é a reorganização das finanças públicas como preliminar de uma nova estratégia nacional de desenvolvimento. Não podemos reorganizar as finanças públicas mexendo apenas nos 10% de orçamento de gasto discricionário. Temos de enfrentar os 90%, que são gasto compulsório. Inclusive as vinculações constitucionais.
Mas o país só aceitará este sacrifício se vier no bojo de um projeto de democratização das oportunidades econômicas e das capacitações educacionais. Não pode ser uma iniciativa tecnocrática. Tem de ser uma condição antecedente de uma mudança de rumo no interesse da maioria. Portanto, que sirva aos interesses da produção e do trabalho e que permita em seguida começar a aprofundar a democracia brasileira.

O segundo eixo é organizar no nosso país um produtivismo includente. Fazer aquilo que o modelo vigente até agora não fez, democratizar a economia do lado da produção, e não apenas do lado da demanda e do consumo.

O terceiro eixo é uma revolução na qualidade da educação pública. Novamente, começa em dois conjuntos de ações que não custam dinheiro, custam ideias e inovações institucionais. Um conjunto é a organização da cooperação federativa em educação, a maneira do governo federal trabalhar com Estados e municípios. Não podemos permitir que a qualidade da educação que um jovem brasileiro recebe dependa do acaso do lugar onde ele nasce.

O segundo conjunto de ações na revolução educacional é o currículo nacional, que determina aquilo que cada jovem brasileiro tem o direito de aprender. Uma nova educação capacitadora e analítica, que substitua de vez o enciclopedismo raso e passivo que sempre predominou entre nós.

O quarto eixo é a reinvenção do nosso federalismo. Uma estratégia nacional, como esta que estou propondo, só se efetiva quando toca o chão da realidade nas grandes regiões do país. Uma nova política regional focada em vir ao encontro das vanguardas já emergentes em cada região do país para lhes dar o equipamento econômico e educacional necessário para construir novas vantagens comparativas. Uma política regional que, em vez de ser formulada em Brasília e imposta a partir do centro, seja construída pelas próprias regiões e microrregiões, com apoio do governo central. Já está acontecendo na notável auto-organização do Centro-Oeste brasileiro, que passou a se chamar Brasil Central. O Brasil não está esperando ser salvo, está se levantando na escuridão por sua própria conta.

Agora, esses quatro eixos precisam ser complementados pela reconstrução do Estado e da política, com uma cautela: é comum, entre a elite reformadora do Brasil, imaginar que a reforma do Estado e da política sejam a mãe de todas as reformas. Uma condição anterior à reorientação do rumo. A verdade é oposta. Nenhum país muda a sua política e o seu Estado para só depois decidir o que fazer com o Estado e a política reformada. A reforma do Estado e da política só ocorre de fato no meio do caminho de uma luta para reorientar o rumo social e econômico e assim terá de ser entre nós.

Do PMDB ao PDT

Sou fundador do PMDB e, mais do que isso, o autor do manifesto de fundação do partido. Concebi o PMDB como um instrumento político de uma grande coalizão majoritária a favor da predominância dos interesses do trabalho e da produção. E o PMDB tem um recurso precioso, a sua incomparável base municipal. Mas os atos recentes, culminando no lançamento do documento "Uma Ponte para o Futuro", demonstraram o fechamento dos grupos que hoje controlam o partido à construção de uma alternativa como a que proponho.

Saí do PMDB e voltei ao meu partido histórico, o PDT. E lá vou trabalhar para apoiar a candidatura de Ciro Gomes, que vejo como o melhor instrumento na sucessão presidencial da alternativa que defendo. Ele demonstra a necessária capacidade de enfrentamento, tem clareza intelectual, e esse casamento é daquilo que precisamos hoje na liderança do país. 

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Impeachment: caça aos picaretas (Ricardo Noblat)

Lula, Dilma e o séquito de picaretas


Quantos picaretas haverá em um Congresso de 513 deputados federais e 81 senadores?

Nos anos 80 do século passado, o então deputado Luiz Inácio da Silva acusou o Congresso de abrigar, pelo menos, 300 picaretas.
Triste ironia! Pois foi com o apoio de uma maioria deles que Lula governou duas vezes.
E é a eles que Lula novamente pede socorro para evitar, desta vez, a interrupção do mandato de Dilma.
Aquele que se apresenta como “a alma mais honesta do país” recebeu plena delegação de poderes de Dilma para empenhar o que for preciso em troca de votos capazes de barrar a aprovação do impeachment na Câmara dos Deputados – de ministérios a cargos com orçamentos milionários; de liberação de dinheiro para pequenas obras a dinheiro vivo para financiar futuras campanhas.
De zica e de outros doenças, Dilma deixou de falar, reparou?
Neste momento, o estado de São Paulo vive um surto da gripe H1N1, com 534 casos confirmados e 70 mortes relacionadas ao vírus. Falta vacina nos postos médicos.
Uma multidão apinhou-se à porta de uma concessionária da BMW na capital paulista atraída por 1,5 mil doses de vacina oferecidas de graça. Cadê Dilma?
O Brasil está desgovernado desde que ela foi reeleita sem saber direito o que fazer. No primeiro mandato, parecia saber. Mandou sete ministros embora em nome do combate à corrupção.
Depois, aconselhada por Lula, trouxe-os de volta. No mais, fez tudo errado e afundou o país como se vê.
Errou até quando promoveu Lula a ministro na tentativa criminosa de salvá-lo da Lava-Jato – e de salvar-se.
O trabalho sujo, agora, desempenhado por Lula, liberou Dilma para ficar rouca de tanto apregoar que os corruptos jamais a derrubarão – logo ela, de biografia imaculada.
Procede assim em comícios país a fora e Palácio do Planalto adentro, animados pela palavra de ordem repetida por militantes amestrados de que “impeachment é golpe”.
Virou uma figura patética. Uma caricatura sem graça dela mesma.
Falta estimar o número de picaretas com direito a assento no plenário da Câmara. Mas muitos estão divididos entre aceitar pagamentos à vista ou a prazo.
À vista é o que Lula lhes promete desde que entreguem primeiro seus votos. A prazo é o que lhes prometem os que dizem falar em nome do vice-presidente Michel Temer.
Por enquanto, o vice está recolhido ao silêncio. Faz acenos à distância.
Esta tarde, salvo uma surpresa na qual nem o governo acredita, a Comissão Especial da Câmara aprovará o relatório que recomenda a abertura do processo de impeachment contra Dilma.
O relatório será votado no plenário da Câmara entre a próxima sexta-feira e o domingo. Ali, para que o pedido possa ser encaminhado ao Senado, serão necessários os votos de 342 de um total de 513 deputados.
Os defensores do impeachment admitem não ter os 342 votos. Mas dizem dispor de 330 a 335. Será?
No fim de semana, a maioria dos deputados voou aos seus Estados para encontrar parentes, amigos e eleitores. No Recife, Jorge Corte Real (PTB-PE) reafirmou ao pai que votará a favor do impeachment como ele lhe pedira.
Convidado para ser ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR) surpreendeu o governo no sábado com o anúncio de que está indeciso quanto ao impeachment. A filha dele, deputada estadual pelo PP, é a favor.
Espera-se para breve uma nova fase da Lava-Jato. Fora outras coisinhas (alô, alô, Lula!).