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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O reinado do justo rei (Isaías, 32: 5 a 8)


5 - Ao louco nunca mais se chamará
nobre, e do fraudulento jamais se dirá
que é magnânimo.

6 - Porque o louco fala loucamente,
e seu coração obra o que é iníquo,
para usar de impiedade e para pro-
ferir mentiras contra o Senhor, para
deixar o faminto na ânsia da sua fo-
me e fazer que o sedento venha a ter
falta de bebida.

7 - Também as armas do fraudulento
são más; ele maquina intrigas para
arruinar os desvalidos, com palavras
falsas, ainda quando a causa do po-
bre é justa.

8 - Mas o nobre projeta cousas no-
bres, e na sua nobreza perseverará.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Kalil confessou: é ladrão!


Um ladrão confesso, como Kalil, já deveria estar em prisão preventiva. Ele, no entanto, está por aí flanando e, possivelmente à procura de oportunidades, tal qual um descuidista circulando pelas ruas da cidade. Sua biografia criminosa, a acreditar-se em Montaigne, deve ter começado roubando alfinetes; depois, passou ao dinheiro vivo. Tal imagem construída pelo notável pensador francês sugere que roubar é uma prática que se inicia afanando coisas pequenas e de valor insignificante. Caso não haja uma política de tolerância zero com os infratores desde o início de suas carreiras, uma bola de neve se constituirá até chegar ao ponto alcançado por Kalil. 

O candidato a prefeito de Belo Horizonte é um predador igual aos petistas. Se estes roubam para financiar o partido, Kalil busca proveitos pessoais. A diferença é a mesma que há entre “corso” e “pirataria”. Petistas são corsários, os que roubam para uma causa; Kalil, ao contrário, é “pirata”, pois se apropria dos valores alheios para enriquecer a si próprio. O que os distingue, portanto, não são os métodos, porém, os objetivos. 

Na hipótese indesejável, mas possível, de vitória de Kalil e seu bando, a prefeitura da capital mineira se verá transformada na rediviva caverna onde Ali-Babá promovia, fraternalmente, a distribuição do butim: “um pra mim, um procê, um pra mim; um pra mim, um procê, um pra mim; um pra mim, um procê, um pra mim...”

Ademar de Barros e seu fiel discípulo Paulo Maluf disputavam votos em São Paulo ancorados no bordão “rouba, mas faz”. Kalil inovou, nesse sentido. Para ele basta o primeiro verbo: Kalil rouba. Fazer, que é bom, está fora de cogitação. No máximo, Kalil vai distribuir carinho, num bunga-bunga tropicalizado onde todos entram somente com a respectiva bunga, pronta para ser invadida e arrombada pelo fauno alfa.

Jeremias fala dos ladrões que se envergonham quando são apanhados. Engano do gentil profeta. Há ladrões que não se envergonham, têm a cara estanhada. Chegam, mesmo, a se vangloriar de seus atos perante Deus e perante os homens. Kalil é um exemplo de tal doentia falta de pudor.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Os amigos de Kalil


A Polícia Federal deflagrou mais uma etapa da operação Acrônimo, que investiga as patifarias do governador Pimentel (do PT). Newton Cardoso, tão mal falado, perto de tais escroques não passaria de um reles punguista. Neste 21 de outubro de 2016, a Federal foi bater às portas das empreiteiras EGESA Engenharia, ECB - Empresa Construtora do Brasil e a CAMTER Construções e Empreendimentos, todos amigos e colegas de ofício de Kalil, o empreiteiro enrolado (quase que um pleonasmo), que pretende ser prefeito de Belo Horizonte, cidade à qual deve milhares de reais de impostos sonegados. 

Neste ambiente que só "me causa repugnância", como diz o verso célebre de Augusto dos Anjos, repete-se a velha história: puxa-se uma pena, vem uma galinha; puxa-se uma galinha, vem o galinheiro todo. É gente desse quilate que opera a todo vapor para ganhar a eleição na capital mineira. Chegam a babar como cachorro louco, imaginando o tamanho do cofrão da prefeitura que ficará sob sua guarda e tutela.   


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Salário baixo, mas muito amor e carinho


Com a barra meio pesada para seu lado, o empreiteiro Kalil - candidato a prefeito de Belo Horizonte - resolveu pegar uma carona na insatisfação popular. Homem tinhoso, Kalil percebeu que ele e seus colegas de ofício estavam com a batata já bem assada. Os escândalos que se sucedem aos borbotões desnudam a realidade do mundo dos empreiteiros. O mais limpo tem sarna, ou lepra, para lançar mão de conceito do próprio empreiteiro falastrão. 

Desocupado, resolveu dar uma de flaneur: andar pela capital mineira para conhecer o modo de vida dos pobres. 

Surpreendeu-se ao saber que o povão vive uma vida pior que a de cachorro. Sua mente um tanto desequilibrada expeliu, então, aquilo que se tornou o centro de seu plano de governo: dar muito carinho aos cidadãos. Parece inspirado naqueles antigos bolerões, também conhecidos como músicas de corno, imortalizadas por Nelson Gonçalves. Uma piada, dificilmente involuntária, em vista do que o empreiteiro de férias já deu a conhecer em outras oportunidades. 

Para os funcionários da prefeitura acrescentou o amor no atacado ao carinho prometido no varejo. Salário que é bom, nada! Para demonstrar os afetos dos quais se diz possuído, passou a circular de camisa cor de rosa, sugestão que deve ter recebido, e acatado, pelo visto, do Mário Jacaré, epígono do notório "Movimento do Machão Mineiro". 

De todas as bizarrices de Kalil, a mais estranha é sua reconhecida ignorância a respeito das condições de vida da população, tendo sido ele dirigente de um dos mais populares clubes de futebol do país. Desfilando pelas ruas em suas motocicletas cinematográficas, nunca antes tinha visto os pobres de perto. Agora, Kalil sabe como é tal personagem, sua majestade, o pobre. 

Seus amigos e aliados do PT transferiram a ele a mesma conversa fiada que Collor inaugurou e Dilma consolidou: o pobre é nosso; o pobre precisa de carinho; o pobre necessita de devoção. O homem certo para amar o pobre é Pai Kalil da Empreita Malandra. Pai Kalil e Mãe Dilmão, esse casal teratológico saído das páginas do livro dos seres imaginários.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Kalil e Marina: ambientalismo de montão


Em Belo Horizonte desenrola-se campanha eleitoral das mais bizarras. Aqui há alianças e alianças. Uma delas se deu entre as forças políticas majoritariamente anti-petistas da cidade, em torno do deputado estadual João Leite. Compreensível. Em BH, sempre é bom relembrar, a rombuda Dilma foi derrotada, apesar de ter sido vitoriosa no restante do estado, em 2014. Cumpriu papel relevante para os resultados obtidos pela chapa petista nos grotões mineiros o inefável Walfrido Mares Guia, eminência pardacenta, verdadeiro Rasputin de todas as eleições
ocorridas em Minas nos últimos 30 anos. 

Mares Guia, aliás, e não por acaso, coordena a campanha para prefeito de exótico empreiteiro que, tendo falido suas empresas, agora se devota ao projeto de falir Belo Horizonte. Também não é mera coincidência o empreiteiro Kalil, em sua trajetória, ter seguido os passos de dona Dilma (com quem irmana a torcida pelo Atlético, clube glorioso que não tem culpa, porém, de atrair simpatizantes de todos os tipos). A especialista que quebrou o Brasil, quebrou antes uma lojinha de produtos de R$1,99 no mercado popular de Porto Alegre. Os brasileiros, infelizmente, não souberam ler nos fatos os sinais que alertavam para o que viria no futuro, ao votar na madame para presidente do país. O povo bem parece gostar do flerte com o perigo.

Kalil se compôs com o petismo, capitaneado pelo governador Pimentel e com os doidões verdes, ansiosos por uma boquinha na prefeitura, além dos ecochatos de Marina Silva, que lhe forneceu um vice extraído das hostes da Rede Sustentabilidade, um sobredito ex-petista, o deputado estadual Paulo Lamac, configurando um novo e verdadeiro exército de Brancaleone.  Curioso é que os companheiros do falido empreiteiro nada falam, nada argumentam, nada justificam frente ao eleitorado de Belo Horizonte a opção que fizeram. Seria, no mínimo, ridículo assistir Kalil e Marina Silva desfilando de mãos dadas pelas ruas esburacadas de BH, secundados pelos mais vistosos ambientalistas da cidade. 

Realmente, não há como explicar a aliança da pueril Marina com um empreiteiro fabricante de asfalto. Só haveria uma suspeita para dar conta do fato que, dadas as características da moçada, se torna bem plausível. Acendida a fogueira das comemorações, haveria mato inadequado (molhado, quem sabe?), quando tomaram as decisões fundamentais. Mato molhado dá fumacê. Fumacê demais intoxica, e turva, o juízo.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Empreiteiros X Políticos: a aventura de Kalil


A reputação dos políticos, sabe-se há muito tempo, não é lá essas coisas. Desse fato se servem demagogos eventuais para alardear suas diferenças em relação a parlamentares que, periodicamente, disputam eleições, tal qual está acontecendo na luta pela prefeitura de Belo Horizonte. Dizendo não serem políticos, fazem o mais político dos discursos políticos. Apontando o dedo podre para os adversários, pretendentes como Kalil, de ofício empreiteiro, querem disputar e vencer os “políticos” nas eleições municipais no corrente ano de 2016. Em São Paulo ocorre algo similar.

A reputação dos empreiteiros, no entanto, não é nenhuma Brastemp, como se diria antigamente. Se os políticos, qual fraldas sujas, podem - e devem - ser removidos periodicamente de suas posições, qual seria a solução adequada para arrostar os empreiteiros malandros? Solução sedutora seria aquela relatada pelo historiador Suetônio em sua obra sobre os Doze Césares. Calígula, um dos mais eficientes imperadores romanos, costumava degolar os empreiteiros que não realizassem a contento as obras contratadas. Verdade que os tempos atuais não permitem práticas tão bárbaras, apesar da simpatia que provocaria nas multidões.

Os casos de imperícia e de trapaças dos empreiteiros são notórios: viadutos que desabam, coberturas de estádios que desmoronam, passarelas arrancadas pelas águas, pistas com cobertura asfáltica que não duram um verão, usinas de energia inadequadas, moradias populares que se esfarelam mesmo antes de qualquer uso, os exemplos são inumeráveis. O passivo da turma capitaneada pela Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS e outras menos votadas é considerável.

Agora, o que se observa, porém, é uma articulação dos chamados pequenos e médios empreiteiros contra os grandes do setor, aproveitando a crise pela qual passa o país. Parecem querer inverter o juízo proferido por Diógenes, ao vislumbrar uma comitiva conduzindo um grupo de homens para o cadafalso: “lá vão os ladrões grandes enforcar os ladrões pequenos”. 

Em Belo Horizonte, os empreiteiros pequenos se assanham contra os empreiteiros grandes. A ferramenta que pretendem utilizar nessa disputa de vida ou morte é a prefeitura da capital mineira. Por isso bradam: Kalil para prefeito, em aliança estreita com os maluquinhos da Rede de Marina Silva e os nefelibatas do PV. 

Empreiteiro fabricante de asfalto, Kalil deve ter acenado aos novos aliados com a promessa de tingir de verde - ecologizando, vá lá o neologismo - a pasta asfáltica, dando assim um novo colorido à cidade, sem se esquecer naturalmente dos acertos com os adeptos do arco íris.