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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Para onde vão os votos dos petistas?

O PT e o petismo sempre tiveram ao menos uma terça parte do eleitorado de Belo Horizonte. É necessário fazer referência ao petismo (sem vínculo exclusivo com o PT) por uma simples razão. Em outras eleições o partido se revestiu do manto de outras siglas, como é o caso do PSB, mera linha auxiliar histórica do PT, que era reforçado, ainda, pela sopa de letrinhas de outros grupos partidários, como o PC do B, velho serviçal sempre disponível para o que desse e viesse, além de dissidentes fanáticos gerados no mesmo ventre perverso (PSOL, PSTU, Rede etc.).

As últimas pesquisas de opinião na capital mineira apontam que a chapa de candidatos a prefeito e vice - formada respectivamente por dois deputados federais do PT e do PC do B - mal alcança 5% das intenções de voto.  

Ora, onde estão os eleitores petistas que não se dariam a aparecer? Mergulhados em algum  limbo político? Ou estão se encaminhando para alguma candidatura de perfil gelatinoso e pronto para aceitar escolhas de variadas origens políticas e ideológicas, verdadeiro voto útil, capaz de, menos que vencer, infligir uma derrota aos principais e tradicionais adversários, os tucanos?

Kalil, sem dúvida, é o nome do "tapado" como dizem os mexicanos para o verdadeiro candidato oculto do centro de poder. Dentre os demais pretendentes que, talvez, até buscassem criar um cenário que lhes fosse mais favorável, o que parece não ter se configurado até o momento (a quinze dias da eleição), Kalil, o empreiteiro parvenu, corre por fora da raia verbalizando o popular discurso da anti-política, atraindo cada vez mais os votos ressentidos do petismo, agora desamparado de opções orgânicas. 

Assim como Collor fez com as elites políticas brasileiras em outro momento, Kalil se impôs ao governador Pimentel, que ao estilo de Pilatos, lavou as mãos, liberando seus adeptos para fazerem suas escolhas eleitorais. Fragilizado por sua participação nas escandalosas roubalheiras da companheirada, Pimentel sabe, no entanto, que um empreiteiro como prefeito de Belo Horizonte não será obstáculo a um entendimento e a acertos de natureza política e administrativa com o governo estadual. Para o governador, o importante agora é reduzir os danos, optar pelo mal menor. Pimentel circula bem, muito bem, aliás, no ambiente empresarial. Kalil seria um interlocutor bastante satisfatório, caso venha a vencer a disputa, credenciando-se para enfrentar no segundo turno o deputado João Leite, desta feita o real preferido de Aécio, coisa que não o fora nas eleições municipais de 2004. Mas esta é outra história. Os ventos mudam de direção e o secretamente rejeitado de ontem torna-se o desejado de hoje.  


quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A farra das fraudes fiscais dos ratos roendo os rotos (José Nêumanne - 07/10/2015)


Ulula o óbvio de que a situação desesperadora pela qual passam trabalhadores perdendo os empregos e empresas prestes a fechar as portas só terá alívio quando se mudar o nome que há na placa que indica a usuária do gabinete mais importante do Palácio do Planalto, senha dos resquícios de poder que paralisam e empobrecem o País. Mas isso está a depender agora de alguns poucos fatores: a capacidade de praticar lambanças da gerenta inconsequenta e incompetenta; agentes policiais federais. procuradores da República e juízes honrados e preparados; além de profissionais de comunicação probos, corajosos e independentes.

Tudo o que de horripilante e nauseabundo a Nação vem tomando conhecimento nos últimos 20 meses, até agora, independeu de qualquer iniciativa da soit-disant oposição formal. O chefe dela, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), tem sido merecedor de piadas como a publicada por Jorge Bastos Moreno em sua coluna no Globo sábado passado: ele a exerce no horário comercial das terças às quintas-feiras, quando esporadicamente dá à Nação aflita a subida honra de ouvir sua voz. Mais frequente do que ele na tribuna na anterior gestão da presidente foi o tucano paranaense Álvaro Dias, que jogou no lixo seu cacife ao aderir freneticamente à candidatura de Edson Fachin ao Supremo Tribunal Federal (STF). E também o paulista Aloysio Nunes Ferreira, vice derrotado na eleição, agora investigado juntamente com governistas, velhos comparsas de luta armada contra a ditadura, no maior assalto a cofres públicos do mundo em qualquer época.

O escândalo que corroeu os pés de barro do mito do socialismo honesto do Partido dos Trabalhadores (PT) não foi revelado pela oposição. Mas pela mui pouco arguta gerenta deficienta que o padimLula Romão Batista nos impingiu, levando-a ao citado gabinete da plaquinha. Foi ela que chamou a atenção para o caso ao inculpar Nestor Cerveró, meliante feito diretor da Petrobrás por esse padroeiro, pela compra da tal “ruivinha” em Pasadena.

Ao sincericídio de Dilma acrescentou-se, durante esse período, a diligente investigação do lava jato de dinheiro sujo do propinoduto da Petrobrás num posto de gasolina em Brasília por Polícia Federal (PF), Ministério Público Federal (MPF) e Justiça do Paraná, na pessoa do novo herói nacional, Sergio Moro. E isso só foi possível mercê de divisões inconciliáveis na PF; da honestidade e do preparo dos procuradores; e da expertise do juiz, enfronhado em práticas contemporâneas do crime organizado e que tinha prestado excelentes serviços ao assessorar a ministra Rosa Weber, no STF, durante o julgamento do processo conhecido como mensalão. E o tsunami de lama foi sendo publicado a conta-gotas.

O extenso aparelhamento da máquina pública federal e dos três Poderes, empreendido pelo trabalho efetuado “diuturnamente e noturnamente” (como diria a atual responsável por desligar e religar seus interruptores) por Zé Dirceu, já valeu a este uma condenação pelo STF no mensalão. E novos processos no que agora se convencionou chamar de petrolão. Uma sólida camada de teflon, contudo, ainda protege o grande chefe de todos, e sua sucessora, de algum constrangimento. Esta continua impávida no poder, sendo até, vez por outra, agraciada com definições de “honesta” pelos tucanos Fernando Henrique Cardoso e Aloysio Nunes Ferreira, dados como de oposição.

Com obsequiosa costura efetuada por Nelson Jobim, que na presidência do STF engavetou pedido de habeas corpus do acusado de mandante da execução de Celso Daniel, Sérgio Gomes da Silva, o máximo que se conseguiu em relação ao ex foi chamá-lo para se explicar na PF na condição de informante – nem acusado nem testemunha. Isso só lhe causa desconforto semântico, pois Romeu Tuma Jr. assegura, em Assassinato de Reputações, que ele foi o agente Barba de seu pai no Dops. E ninguém contestou.

No Tribunal Superior Eleitoral, ex-advogadas do PT não impediram a discussão sobre a existência de provas de uso de gráficas fantasmas e de suspeitas de financiamento do propinoduto à campanha da reeleição. Mas pedem vista ou fogem das sessões para interromper o julgamento. A julgar por fatos recentes, as suspeitas serão julgadas nas calendas, depois de o alvo das suspeições ter decidido se sairá pela porta da frente da História com a renúncia ou despejada por um processo legal, nada golpista.

Dilma, que não se destaca pelo excesso de inteligência, mas também não é tolinha, trata de ganhar tempo no TCU. Ali, como se diz em linguagem vulgar, o buraco é mais embaixo. O procurador Júlio Marcelo de Oliveira foi à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado descrever evidências técnicas de com quantas “pedaladas” a candidata disposta a fazer o diabo para ganhar uma eleição pôde levar a cabo esse feito. No entanto, o trio Panela Batida – Adams, Cardozo e Barbosa – anunciou que se propõe a anular o relatório de Augusto Nardes, que lista 18 infrações à lei nas contas federais de 2014. Nunca ninguém antes foi tão cínico na História deste país, diria Lula se fosse da oposição.

Para ganhar tempo no poder, este indicou a Dilma no pré-sal do baixo clero do Congresso quem a ajudará a adiar o impeachment. Um, Celso Pansera, o dono do quilão Barganha, vizinho do Sacana’s, que fez ameaças ao contador da lavanderia do PT, Alberto Youssef, é pau-mandado do ex-sócio e hoje pseudodesafeto dela Eduardo Cunha. Outro, Marcelo Castro, ignoto psiquiatra do Piauí, escreveu o relatório da reforma política, recusado pelo mesmo mandante, Cunha, e assumirá o caos da saúde pública nacional. Com cúmplices no governo e na oposição, que lhe concede o benefício da dúvida, segue Cunha incólume

No Gabinete Ouro Preto, o baile da Ilha Fiscal prenunciou a queda do Império. O Gabinete do Doutor Picciani vem aí para garantir a farra das fraudes fiscais dos ratos que roem a roupa dos rotos. Amém!


sábado, 5 de setembro de 2015

Temer e o futuro do Brasil


Os tucanos estão querendo tirar a castanha do fogo com a mão do PMDB. A insistência de Aécio na reprovação das contas, e subsequente cassação, da chapa Dilma/Temer, só interessa a Aécio. Para o povo brasileiro o importante é fazer uma transição a menos tumultuada possível. Com o impeachment da nefasta madame já estariam resolvidos 90% dos problemas do país. Os outros 10% ficariam por conta da atuação de Temer, basicamente da forma como ele liderar o processo. 

Aécio deveria se conformar com seu destino e aceitar ser o catalisador do ódio do lulo-petismo, servindo de boi de piranha, enquanto Temer cruza a correnteza conduzindo o povo. Ser presidente, aliás, é destino, conforme dizia o velho Tancredo. Talvez os fados tenham reservado a mesma impossibilidade vivida pelo avô, o similar não-destino, para o neto. O Brasil, todavia, não pode ficar prisioneiro da tragédia pessoal de quem quer que seja. 

Temer agrega.Temer conhece bem o PT. Pode até atrair alguns menos ideologizados da turma para uma vasta composição política nacional. Uma boquinha ali (imprescindível, sob a coordenação de Garotinho), um ministério das mucamas e da famulagem acolá, uma ou outra sinecura mais adiante que lhes permitam roer um osso magro, e já estaria de bom tamanho. 

Se tiver alguma dificuldade nas negociações basta escalar o Jucá para o papel de interlocutor. Este é craque. Só não pode deixar os petistas perto dos cofres. Nenhum cofre mesmo, nem daqueles que recolhem esmolas para as sociedades vicentinas. Este é outro axioma inafastável. Assim como o escorpião, os lulo-petistas não conseguiriam negar a própria natureza e, logo logo, estaríamos frente, não mais do mensalão, ou do petrolão, mas do vicentão. A moçada não brinca em serviço.
   
Boa sorte, presidente Temer, e cuide bem da Marcela. A reima a ser deixada pela horrenda senhora que ocupa, ainda, a presidência tem a potência de feitiços ancestrais. Por via das dúvidas, mande espalhar sal grosso nos palácios e convide representantes de todas as religiões para defenestrar os encostos lá pousados há treze anos. Toc, Toc, Toc! 

terça-feira, 7 de julho de 2015

O destino e a presidência da república

Tancredo dizia que a presidência era destino. Este, caprichosamente, não quis favorecê-lo, ao permitir que morresse à véspera de sua posse, nos estertores do regime militar. O destino, ao que parece, também foi cruel com seu neto, o senador Aécio Neves.

Os fados marcaram encontro, sim,  com Michel Temer, tal qual já haviam feito com Sarney e Itamar.


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Vaccari: ministro da Fazenda de Dilma

Dona Dilma não se cansa de criticar e condenar as escolhas alheias, em vez de mostrar ao eleitorado suas próprias opções. Aécio fez uma ousada manobra: apresentou ao público o nome daquele que será seu ministro da Fazenda - Armínio Fraga - caso ele seja eleito no próximo domingo. Armínio é um técnico respeitado e admirado por sua competência, não só aqui no Brasil, como também internacionalmente. Além do mais, é honesto. Ser honesto deve ser obrigação de todos. Mas em vista dos padrões usuais das administrações petistas, já faz um enorme diferencial ter assessores que primam pela integridade.

Dona Dilma, no entanto, não tem coragem de sugerir um nome que seja para seu ministério da Fazenda. Dada a legião de petistas, seria implausível que não houvesse ninguém melhor que Guido Mantega disponível na praça. Suspeita-se que o escolhido, o nome in pectore, é o do tesoureiro do PT - um tal João Vaccari - talvez o especialista que melhor encarne a natureza das relações financeiras que os atuais governistas estabelecem com o erário. Delúbio, outro craque, infelizmente está proibido pela Justiça federal de se credenciar para o cargo. Não que ele não tenha qualificações. Elas são abundantes e extravasam qualquer medida. 

Pela experiência, eficiência e dedicação, no entanto, o melhor indicado seria Vaccari. Seu envolvimento com as negociatas da Petrobrás, dos fundos de pensão, de Itaipu e, sabe Deus que mais, fazem-no o candidato natural para gerenciar a portentosa máquina da fazenda pública. 

No último debate deste segundo turno, dona Dilma poderia esclarecer isso, em vez de ficar preocupada com as escolhas de Aécio. Quem nomeou ministros e dirigentes que foram defenestrados dos cargos, após denúncias da imprensa e, não por investigação oficial, foi dona Dilma. Seu dedo podre só poderá escolher mesmo outras figuras, tão apagadas e medíocres como as que ornamentam seu balofo ministério. 

terça-feira, 21 de outubro de 2014

As leis e as salsichas

Bismarck, chanceler da Prússia nos idos do século XIX, já ensinava que não seria bom que se soubesse como são feitas nem as leis, nem as salsichas. O risco de um ataque de vômito seria muito grande. Na salsicharia do Palácio do Planalto as costumeiras carnes utilizadas exalam o odor esperado, coerentes com o apodrecimento geral daquele ambiente. Não surpreende ninguém que o empreendimento seja comandado por gente da estirpe de Lula e Dilma. Estes são apenas a parte visível do iceberg. Dando-lhes suporte está uma multidão cuja natureza é similar à deles: uma horda. 

Os resultados finais das eleições seguem em aberto. Apesar de resultados recentes de pesquisa indicarem um empate técnico entre Aécio e dona Dilma, é mais provável que os indecisos e os que admitem votar em branco ou votar nulo optem, ao final, pelo candidato oposicionista. Se quisessem escolher a candidata oficial, eles já o teriam feito, em vista da maciça propaganda martelada dia e noite, há mais de uma década, por todos os meios de comunicação. Caberá a largas frações das chamadas classes médias o papel decisivo nesse confronto entre a civilização e a barbárie.   

Como já versejava, em 1960, um poeta obscuro e amargo, porém, sagaz, em seu soneto "3 de Outubro" (que era a data das eleições antigamente):

Ei-los vendilhões da pátria escravizada,
Ei-los a disputar a marmita e a gamela.
Imorais fariseus arautos da embrulhada,
A preparar ao povo a cangalha e a sela.

E esse povo imbecil que tomba na esparrela,
Que não compreende a fraude, não entende nada,
Não vê que essa canalha a própria pança zela,
E quer ver a caveira à plebe degradada.

No fim da apuração o eterno resultado,
Que desde oitenta e nove a nação avassala,
Levando ao poder o patife e o tarado.

C'o ajuda do eito vil e os votos da senzala,
Caco se elege e Ali-Babá é deputado,
Numa competição de rifa e de cabala.

Aécio e o erro estratégico

A última pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra queda de Aécio e subida de dona Dilma. Considerando-se as variações dentro da margem de erro, ambos permanecem estatisticamente empatados. Deixando de lado eventuais críticas metodológicas, os números devem ser cotejados com a condução da campanha dos candidatos. No caso de Aécio, sua queda se deu concomitante com o estilo assumido pelo seu programa eleitoral. 

Deixando de lado o tom crítico, incisivo, sem meias palavras que deveria permear todo discurso oposicionista, Aécio parece que vacilou, retornando ao velho estilo nhém-nhém-nhém peculiar dos tucanos, gastando seu precioso tempo de TV a mostrar a família (mãe, irmã, filha e esposa), colhendo ainda seus depoimentos sobre ele, obviamente favoráveis. Tremendo erro estratégico. Quem tem mulher vistosa não deve ficar exibindo-a, principalmente para aqueles propensos à inveja. Velho ditado ídiche afirma: "se você tem uma mulher bonita, você não é bom amigo". 

Aécio deveria ter-se mirado no exemplo do Eike Batista. Muito do ódio por ele amplamente suscitado se deve à sua imagem de homem bem sucedido e, notadamente, por um privilégio inalcançável à maioria dos homens: foi casado com Luma de Oliveira, a linda e graciosa artista de todos os carnavais. Luma, então, quando se apresentou em público certa vez com uma coleira contendo o nome do marido, levou a inveja das massas ao paroxismo. Comparada com as barangas com quem a maioria é casada, soa absolutamente detestável um homem jovem, inteligente, poderoso e charmoso ter como companheira aquela que foi exibida na televisão.  

Campanha eleitoral contra o PT deve ser mantida em tensão permanente. A capacidade de mentir e de fraudar dados e informações dos petistas é incalculável. A questão da vacina para cavalos e das calúnias que a turma vem fazendo a Armínio Fraga, são esclarecedoras sobre o estilo da moçada. 

Seria fácil rebater aos críticos de Armínio como futuro ministro de Aécio. Armínio é uma pessoa respeitável e admirada no mundo inteiro. Dona Dilma deveria, isso sim, justificar a gangue que a acompanha: Sarney, Maluf, Newtão, Renan Calheiros, Zé Dirceu, Genoíno, Delúbio, Vaccari, Paulo Roberto Costa, Lula e mais uma infinidade de trapaceiros cuja enumeração exigiria um volume igual ao de uma lista telefônica.

A vacina para cavalos que foi contabilizada como gasto de saúde durante o governo de Aécio, em Minas Gerais, mereceu uma nota oficial da FUNED (segue abaixo). Este é um exemplo definitivo da má fé, da desonestidade intelectual e do maucaratismo dos petistas. Contra essa canalha, não se pode dormir no ponto.


                                   NOTA DE ESCLARECIMENTO DA FUNED:


“Em relação à contestação da candidata do Partido dos Trabalhadores no debate realizado na Rede Record no último dia 19 de outubro, que questionou a inclusão de despesas com Vacina para Equinos como gasto em Saúde, conforme teria sido apontado por um Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, esclarecemos que:
A Fundação Ezequiel Dias é um dos 04 (quatro) produtores nacionais de soros antitóxicos. Atualmente, toda a produção de soros do país passa em algum momento pela FUNED, através de um processo de produção compartilhada entre os laboratórios oficiais, autorizado pela ANVISA,
Para cumprir com esta importante missão, mantém uma Fazenda Experimental em Betim, onde são criados 129 equinos (número atual).
O processo de produção dos soros inicia-se na extração do veneno dos animais peçonhentos e, posterior, inoculação nos cavalos para produção de anticorpos.
Posteriormente, parte do plasma destes animais é extraído e processado, de modo a gerar o produto final (soro).
Mensalmente são produzidos 1.200 litros de plasma, possibilitando uma produção anual exclusiva da FUNED de cerca de 150.000 doses/ano.
Em função da manutenção da qualidade dos produtos, a FUNED mantém um programa profilático e vacina todos os equinos da Fazenda São Judas Tadeu com a vacina tríplice.
Esta vacina protege contra Influenza Equina, Encefalomielite Equina e Tétano. A recomendação técnica preconiza a revacinação de todo o rebanho anualmente.
Sendo assim, a vacinação em questão É ESSENCIAL para a geração de um produto de saúde, sendo portanto compreendida como gasto em saúde.
A afirmação feita pela candidata é infeliz, pois demonstra ou um uso inadequado da informação para fins eleitorais ou um desconhecimento do Sistema Nacional de Saúde, em especial de um processo tão crítico para o país, para o qual a FUNED, um laboratório de Minas Gerais, tem sido o grande parceiro estratégico do Ministério.
Cabe ressaltar que é devido a atuação da FUNED na produção compartilhada que está sendo possível a manutenção dos estoques e a garantia do sucesso do Programa Nacional de Imunização e da saúde da população brasileira.” 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Os intelectuais e professores fisiológicos

Faltando poucos dias para o segundo turno, quando será escolhido o próximo presidente da república, causa espanto que os professores fisiológicos que sempre declaram apoio à candidatura oficial, ainda não tenha se manifestado a seu favor. Mau sinal para Dilma. Talvez os intelectuais chapa-branca estejam à espera de um quadro eleitoral mais bem definido, para não perderem o bote na bocada. A prudente postura talvez tenha fundamento. Afinal, os 54 magníficos reitores de universidades federais já fizeram o costumeiro beija-mão, dando uma puxadinha no saco de dona Dilma. E os reitores interpretam e representam o sentimento dominante na Academia. Aécio, porém, pode ganhar, nunca se sabe. Escolher o lado errado é perigoso. Quem sabe, redução das suculentas bolsas (isentas de imposto de renda), que engordam o salário mensal, além de comprar o silêncio da moçada frente aos desatinos e roubalheiras do lulo-petismo. A complacência, certamente, custou mais que um simples prato de lentilhas.  

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Em quem voto e por quê – Fernando Henrique Cardoso

 (Publicado no Estadão, em 05/10/2014)


 "Poucas vezes o refrão de estarmos numa encruzilhada terá sido tão verdadeiro. Neste domingo os eleitores carregam para a votação o peso de uma responsabilidade histórica. E o mais grave é que, dadas as condições do debate eleitoral e as formas prevalecentes de manipulação da opinião pública, boa parte do eleitorado nem atina qual seja a bifurcação diante da qual o País está.

Numa das mais mistificadoras campanhas dos últimos tempos, a máquina publicitária e corruptora do PT e aliados espalhou boatos de que Aécio Neves acabaria com os programas sociais (em grande parte criados pelo próprio PSDB!) e Marina Silva seria a expressão dos interesses dos banqueiros, tendo nas mãos, com a independência do Banco Central, a bomba atômica para devastar os interesses populares. Por mais ridículas, falsas e primárias que sejam as imagens criadas (também eram simplificadoras as imagens do regime nazista ou do stalinista para definir os "inimigos"), elas fizeram estragos no campo opositor.

A guerra de acusações descabidas escondeu o tempo todo o que a candidata à reeleição deixou claro nos últimos dias: suas distorções ideológicas. Fugindo aos scripts dos marqueteiros, que a pintam como uma risonha e bonachona mãe de família, e do PAC, a presidenta vem reafirmando arrogantemente que tudo o que fez foi certo; se algo deu errado, foi, como diria Leonel Brizola, por conta das "perdas internacionais". Mais ainda, disse com convicção espantosa ser melhor dialogar com os degoladores de cabeças inocentes do que fazer-lhes a guerra, coisa que só os "bárbaros" ocidentais pensam ser necessária.

E o que é isso: socialismo? Populismo? Não, capitalismo de Estado, sob controle de um partido (ou do chefe do Estado). Um governo regulamentador, soberbo diante da sociedade, descrente do papel da opinião pública ("não é função da imprensa investigar", outra pérola dita recentemente por Dilma), com apetite para cooptar o que seja necessário, desde empresários "campeões nacionais" até partidos sedentos de um lugar no coração do governo. Algo parecido com o que o lema do velho PRI mexicano expressava: fora do orçamento, não há salvação; nem para as empresas, nem para os partidos, nem para os sindicatos, para ninguém. Crony capitalism, dizem os americanos. Capitalismo para a companheirada, diríamos nós.

E sempre com certo ar de grandeza, herdado do antecessor: nunca antes como agora. Para provar os acertos, vale tudo: fazer citações sem respeito ao contexto, escamotear as contas públicas ou até mesmo, para se justificar, dizer: "Nunca ninguém puniu tanto os corruptos como este governo!". Como se as instituições de Estado (Polícia Federal, Ministério Público, tribunais, etc.) fossem mera extensão dos governantes.

Criou-se um clima de ilusão e embuste usando uma retórica baseada no exagero e na propaganda. Será isso democracia? Estamos, pouco a pouco, apesar de mantidas as formas democráticas, afastando-nos de seu real significado. Como em alguns outros países da América Latina. Com jeitinho brasileiro, mas com iguais consequências perversas. O modo de governar (democraticamente ou não) é tão importante para mostrar as diferenças entre os partidos quanto as divergências de orientação nas políticas econômicas ou sociais.

Por mais que a propaganda petista mistifique, as políticas sociais têm o rumo definido desde a Constituição de 1988. Executadas com maior ou menor perícia por parte de quem governa, com maior ou menor disponibilidade de recursos, o caminho dessas políticas está traçado: mais e melhor educação, mais e melhor saúde, mais e melhor amparo a quem necessita (bolsas, aposentadorias, etc.). Já a política econômica perdeu o rumo e destrói pouco a pouco as bases institucionais que permitiram consolidar a estabilidade e favorecer o crescimento da economia.

No conjunto de sua obra, o governo atual rompeu o equilíbrio alcançado entre Estado, mercado e sociedade e dá passos na direção de um modelo à Ernesto Geisel. Tal modelo é incompatível com a democracia e com a economia moderna. Não poderão sobreviver os três ao mesmo tempo.

É esse o fantasma que nos ronda. Reeleita a candidata, a assombração vira ameaça real. Ameaça à economia e ao regime político, pelo menos quanto ao modo de entender o que seja democracia. Não é preciso que nos ensinem que democracia requer inclusão social e alargamento da participação política. Essa foi a luta do meu governo, desde o primeiro dia, em condições muito mais adversas. É este governo que necessita aprender que a inclusão e a participação verdadeiramente democráticas requerem defesa vigilante das liberdades fundamentais (especialmente de imprensa), autonomia da sociedade civil, separação entre partido, governo e Estado. Como o governo mostra dificuldade em aprender, só há um caminho: votar na oposição.

Mas em qual oposição? Com o devido respeito às demais forças oposicionistas, que deverão estar juntas conosco no segundo turno, há um candidato e um partido que já demonstraram na prática que obedecem aos valores da democracia, da inclusão social e da modernização do País. Já mostraram também que sabem governar. O PSDB e seus aliados lançaram as bases sociais e econômicas do Brasil contemporâneo. Aécio é a expressão deste Brasil. Governando Minas Gerais, fez seu Estado avançar (o Estado tem hoje o melhor Ideb do País no ensino fundamental) e marcou a sua administração por inovações na forma de estabelecer e cobrar resultados. Não foi o único governador a se destacar no período recente, mas esteve sempre entre os melhores.

Meu voto, portanto, será dado a Aécio. Não só por ele, mas pelo que ele representa, como uma saída para a encruzilhada em que nos encontramos”.

SOCIÓLOGO, FOI PRESIDENTE DA REPÚBLICA


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Ninguém aguenta mais o PT (Salim Mattar) - 08/09/2014




Salim Mattar
Salim Mattar teve seu primeiro contato com a ideia de liberalismo aos 16 anos, quando o professor de um cursinho noturno obrigou os alunos a ler A Riqueza das Nações, de Adam Smith.
Era o destino.
“Quais as chances de um curso de contabilidade, no interior de Minas Gerais, ensinar um livro tão importante?” Salim parece pensar em voz alta durante um almoço recente em Belo Horizonte, sede da Localiza, a empresa de aluguel de automóveis da qual é fundador, presidente executivo do conselho e um dos maiores acionistas.
O segundo contato veio no ano seguinte, quando leu na revistaVisão excertos do livro O caminho da servidão, do economista austríaco Friedrich Hayek, cuja tese central é de que todas as formas de coletivismo, incluindo o socialismo, levam irremediavelmente à perda das liberdades individuais.
“Li aquilo e pensei: Esse cara está falando coisas que fazem sentido e em que eu acredito.” (A Visão, já extinta, era publicada por um outro liberal, o empresário Henry Maksoud, já falecido.)
Décadas depois, Salim tomou para si a tarefa de disseminar o ideário liberal no País –principalmente agora, depois de 12 anos do PT no poder e do crescimento exacerbado da máquina estatal, da carga fiscal e do discurso antiliberal.
Seu ativismo mais direto começou nos anos 80, período em que foi fundado o Instituto Liberal no Rio, São Paulo e Belo Horizonte, e por meio do qual ajudou a financiar a tradução para o português da obra mais eloquente do ideário liberal: A Revolta de Atlas, de Ayn Rand, uma filósofa russa naturalizada americana. Em 2000, foi um dos fundadores do Instituto Millenium, também voltado para a defesa da livre iniciativa e das liberdades individuais.
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Nos últimos meses, outros empresários fizeram pronunciamentos de viés liberal, com tonalidades distintas. Rubens Ometto Silveira de Mello, da Cosan, citou Ayn Rand num discurso em Nova Iorque. Abilio Diniz disse esperar que o governo “não atrapalhe”, falando de uma medida provisória que prejudicava a BRF, e Benjamin Steinbruch criou o melhor slogan para a tese de que o Estado hoje atrapalha, dizendo que “só louco investe no Brasil.”
De uma hora pra outra, Salim Mattar não está mais falando sozinho.
Abaixo, o que ele acha das eleições que se aproximam.
Como o senhor vê o que aparenta ser o fim iminente do ciclo do PT no poder?
Acho que é hora de fazermos uma reflexão. Por que o Brasil está nesta situação, de 12 anos de PT desconstruindo o Brasil? O Brasil só não está pior porque o País é bom demais: é um país rico, com um povo trabalhador e um bom empresariado. Ninguém gosta de colocar o dedo na ferida, mas de quem é a culpa disto?  Para mim, a culpa é do DEM e do PSDB. Com um Fiat Elba, cassaram o Collor, mas com o mensalão, faltou culhão ao DEM e ao PSDB para pedir o impeachment do Lula. Aí dizem: “Mas não havia clima pra isso… Lula tinha tido uma votação maciça..” Pois muito bem, mas e a lei? Onde fica a lei? Uma votação maciça põe um indivíduo acima da lei? O DEM e o PSDB têm um débito com o País. Aliás, nunca souberam fazer oposição e não aprenderam com o PT sendo oposição enquanto governavam.
E a perspectiva de eleição de Marina Silva?
Todo mundo fala da comoção que foi a morte do Eduardo. Mas tem outra comoção implícita nas pesquisas: a comoção do antipetismo. Você vê que as pessoas querem mudança. Marina vai ser muito melhor que a Dilma porque vai ‘despetizar’ o Governo. Ao despetizar o Governo, o país melhora. Existe um ranço no atual Governo contra o capital, contra o lucro, contra o livre mercado, contra o capital estrangeiro e contra as liberdades individuais e de imprensa, contra a ética. Qualquer opositor da Dilma que vença vai fazer um trabalho de naturalmente despetizar o Governo. Ninguém aguenta mais! Aquele desabafo do Roberto Setúbal é isso: ninguém aguenta mais a mediocridade. A sociedade clama por qualquer um que não seja o PT.
Tanto faz Marina ou Aécio?
Não importa quem seja: o povo está dizendo que é anti tudo que está acontecendo atualmente: o aparelhamento da agências reguladoras, a qualidade da educação, que caiu, as obras de infraestrutura que não foram feitas a tempo… e agora tem essa delação premiada do cara da Petrobras: isso, em qualquer País sério, derruba governo, cai todo mundo! No Brasil, vai ficar por isso mesmo? Qualquer governo novo serve. Um governo que seja pior do que o da Dilma serve, porque vai ‘despetizar’ o Governo. Aécio ainda é para mim o nome certo para consertar o País. Ainda tenho esperança, faltam 30 dias e tudo pode acontecer. Se não der Aécio, que seja a Marina. Com certeza melhor do que ‘tudo isto que está aí’. Quem vencer vai receber uma herança maldita.
O empresariado está tomando posição?
Sou do grupo controlador de uma empresa listada na Bolsa, tenho acionistas, então tento não misturar as coisas, mas eu, como cidadão, não tenho mais como me calar. Estou no limite. Amo este país, acredito nele! É claro que estou colocando mais emoção nas palavras para tocar as pessoas, mas a maior parte do empresariado deseja uma mudança. Muitos não falam porque têm medo de retaliação. Todo dia a gente ouve uma história. Este Governo gera medo nas pessoas usando de sua força, do seu poder.
O senhor acha que os empresários deveriam participar mais do debate de ideias no País?
“Uma coisa é você não querer envolver sua empresa, que tem acionistas que podem até não concordar com você. Mas os empresários poderiam fazê-lo na pessoa física. Poderiam contribuir para a disseminação de idéias que possam garantir amanhã o livre mercado e mais liberdade para empreender. A gente compra seguro contra incêndio, seguro de vida e acidentes… Por que não comprar um seguro para garantir que teremos um livre mercado amanhã?”

(Transcrito de Mercado de Ideias)

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O discurso do medo

A grande imprensa divulga a estratégia compartilhada, que seria utilizada por petistas e tucanos, frente à potencial ameaça  a eles da candidatura Marina Silva. Resultados de recente pesquisa feita pelo instituto Datafolha apontam a possível supremacia de Marina contra Aécio (na obtenção de uma vaga para o segundo turno das eleições presidenciais), e, em seguida, outra possível vitória de Marina no segundo turno contra Dilma. Marina Silva, qual um bicho-papão, almoçaria um e jantaria a outra. Reagindo a tais cenários, a solução comum para Dilma e Aécio seria desqualificar a candidata socialista apontando-lhe incompetência, ou inexperiência, gerencial e administrativa para fazer frente aos desafios postos ao próximo presidente da república.

Os tucanos ainda possuem alguma legitimidade para levantar tal questão, dada sua devoção a critérios burocráticos de análise política. Quanto aos petistas, postular a hipótese desqualificadora é simplesmente risível. Não que a turma petista não tenha gabarito para fazer o diabo (conforme dona Dilma esclareceu há pouco); porém, por mais que se queira, parece difícil encontrar período de governo tão medíocre quanto o da atual presidente. A presumida gerentona, de gerente não tem, nem tinha, nada que a abonasse ou sustentasse tal crença. 

O colapso do sistema energético brasileiro, em que pese sua condução com mão de ferro por dona Dilma (desde início do período Lula), é demonstração mais que cabal da incapacidade política e administrativa da madame. Se Marina não tem experiência, o que é discutível, pois que foi ministra do meio ambiente por longos anos, pelo menos não faliu nenhuma lojinha de R$1,99 a que se propôs criar e gerenciar. Não se sabe, por outro lado, que Marina tenha assinado, sem ler, qualquer documento oficial que afetasse altos interesses da sociedade, tal como procedeu dona Dilma no caso Pasadena. 

A leviandade e a incompetência são parte inerente do perfil da atual primeira mandatária. Os resultados de sua obra aí estão - desastrosos - quando analisados e compreendidos sob qualquer ponto de vista. A própria mediocridade de seu untuoso ministério ainda será objeto de muita reflexão no futuro. Entrar e sair desse ministério parece mais uma disputa de xepeiros, em guerra por restos de repolhos e batatas bichadas nos finais de feira. Foi verdadeiramente uma façanha ajuntar um grupo tão vasto e diversificado de nulidades num único bloco. Há para todos os gostos e, segundo dizem, alguns até honestos. Ninguém, mesmo os devotados ao dia-a-dia da política, conseguiria dizer corretamente o nome e função de metade dos atuais ocupantes dos cargos de primeiro escalão.
   
O povo brasileiro, então, não corre outro risco com Marina - se não o de ficar tudo como está - dado que piorar a situação em que vive o país não é possível. Já chegamos ao fundo do poço. Os tucanos, por sua vez, ficam tão somente no velho programa de governo satirizado por Eça de Queirós, em O Conde de Abranhos: Moralidade, Ordem e Economia. Sua imaginação institucional não ultrapassa esse desenho básico. A Marina Silva bastaria aprofundar e insistir no compromisso prioritário de limpar as estrebarias de Augias que vicejam nos porões dos múltiplos e diferentes palácios onde se abrigam os parasitas que nos governam. Só a economia com o dinheiro que não é roubado já daria para fazer muita coisa. O povo entenderia bem o projeto político assim resumido. O eixo de seu discurso deve-se voltar para as questões energéticas, econômicas e institucionais. Ela não precisa provar seus compromissos com o social. Sua cara ascética é o retrato do que ela é, bem contrastante com o ar de gula e de voracidade que a outra ostenta.    

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Cirstianizando dona Dilma

Na postagem do dia 04 de agosto - Dona Dilma ao mar - foi apontada, aqui neste blog, a trairagem de Fernando Pimentel com dona Dilma. Sua equipe de campanha inundou Belo Horizonte com vistosos adesivos para veículos, com um detalhe importante: sem qualquer menção à candidatura presidencial. A de agora, entretanto, não seria a primeira pernada que Pimentel aplica na companheirada do PT. Em 2008, ele puxou o tapete dos pretendentes petistas à prefeitura da capital mineira. Apoiou, junto com Aécio, a candidatura de Márcio Lacerda do PSB, que foi o vitorioso.

O jornal O Globo publica na edição de hoje - 06 de agosto - questionamentos havidos na reunião da Executiva nacional do PT, a respeito de uma chapa Pimentécio (Pimentel mais Aécio), que estaria sendo gestada em Minas Gerais. Pimentel, como não podia deixar de ser, negou estivesse escondendo dona Dilma e alegou que "houve um erro de gráfica" na confecção de suas peças publicitárias. O jornal ainda acrescenta: "Dilma também não é citada no jingle de Pimentel". Acredite quem quiser, na explicação do ex-ministro de Dilma. Pimentel sabe que dona Dilma é uma bola de ferro amarrada no saco. Do jeito que as coisas andam, ela vai para o abismo e vai levá-lo junto. Esperto, finório mesmo, Pimentel busca pegar uma carona no nome de Aécio, deixando a madame pra trás, pois que esta lembra u'a mala velha, sem alça e com rodinha quebrada. Aí tem, certamente, o dedo inefável de Walfrido Mares Guia, o maior especialista nessas tramas políticas e eleitorais. Consta ser invenção sua o Lulécio (Lula e Aécio, em 2002) e o Dilmasia (Dilma e Anastasia, em 2010). Walfrido é tão sagaz que conseguiu se transformar, de inimigo capital dos petistas, em amigo de infância de todos eles.

Pimentel busca repetir, também, a experiência exitosa de 1950, quando Cristiano Machado, candidato a presidente pelo PSD, foi abandonado pelos companheiros, que preferiram apoiar Getúlio Vargas, o vitorioso, enfim, pelo velho PTB. Daí veio o verbo "cristianizar". Minas tem mais exemplos famosos. Bradando o bordão Jan-Jan (Jânio e Jango), cristianizaram Milton Campos, que era adversário de Jango na disputa pelo cargo de vice-presidente, em 1960. Milton Campos foi derrotado até em sua terra natal. Dona Dilma é a próxima vítima. Vai se juntar, também, a Ulisses e Quércia, cristianizados pelo PMDB em 1989 e 1994, respectivamente. Bem vinda, dona Dilma, à lata de lixo da história.
 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Muita promessa...

...E pouco atendimento! Não pense algum desavisado que o título deste artigo, e sua continuação no início deste texto, faça  parte de algum receituário gerado nos porões obscuros do palácio do Planalto. Ou seja fruto do vadio e imaginoso espírito marqueteiro de Lula da Silva, harmonizado com eventuais emanações do cérebro sáfaro de dona Dilma. Felizmente não é assim tão vulgar. Trata-se, de fato, de um verso da Divina Comédia que anuncia pérfido conselho – recebido de um aventureiro, e acatado pelo papa Bonifácio VIII – desejoso de derrotar seus inimigos de então, os cardeais Colona. São antigas, como se vê, as deploráveis práticas a que se entregam os políticos (pátrios e de outras plagas também): prometer muito, e pouco cumprir das promessas.

Fazendo o diabo em época de eleições, como já pontificou a atual presidente, imagine-se o que não fariam nossos dirigentes, caso tivessem lido na íntegra a obra de Dante Alighieri, tão ricamente ilustrada com pecados e perversões os mais diversificados. Sob tal inspiração o país viraria uma festa! De arromba! Sorte nossa que Lula seja pouco dado às letras clássicas, se é que é dado a alguma. E do vernáculo, dona Dilma não domine quantidade de palavras superior à de um funkeiro mediano. Até em coisas das mais triviais o Brasil se empobreceu nos últimos tempos: em vez de trinca de patetas, temos agora apenas uma dupla. Relembre-se, a propósito, que Ulisses Guimarães tachou de "três patetas" o triunvirato militar que se apossou do governo após a morte de Costa e Silva. 
       
O deplorável casal petista, verso e reverso de um mesmo disco arranhado, não possui o mínimo daquilo que se chamava antigamente de semancol. Lula e dona Dilma não “se mancam”, não desconfiam, ou fingem não desconfiar, que seu tempo acabou. Zumbis insepultos que se recusam a ir para a cova, continuam a agir como se o Brasil não estivesse a mudar, grávido, ansioso por novos tempos e novas caras na condução do país. Um país ansioso, sobretudo, por palavras que lhe toquem o ânimo e o estimule na busca de um tempo mais civilizado. 

Os brasileiros estão fartos das vulgaridades costumeiras de Lula, e das tronchices com as quais dona Dilma fere dia a dia nossos ouvidos e  sensibilidade. Uma inspeção nos arquivos da internet mostrará a qualquer curioso a magnitude da estupidez e da mais granítica ignorância de ambos frente a assuntos corriqueiros. Enfim, basta ler e ouvir para crer quem são os atuais dirigentes do Brasil.

Lula e Dilma arregimentaram em torno de si o lixo político e cultural produzido em cinco séculos da história brasileira. De tal união brota o chorume repulsivo que alimenta figuras emblemáticas como Sarney, Collor, Dirceu e Maluf. As recentes manifestações e censuras públicas ligadas à realização da Copa do mundo não passam de um sintoma do que fermenta sob a superfície. Quem mais vai acreditar em promessas desses embusteiros? Que pessoa normal consegue imaginar a nação conduzida, nos próximos anos, por gente tão desqualificada cujo maior legado foi a institucionalização da corrupção, da propaganda desavergonhada, da mentira e das falsas promessas? O Brasil está farto de tais trapalhões. Os eleitores têm sinalizado pela rejeição ao nome de dona Dilma, que desejam mudanças. Entretanto, não se viu ainda uma clara opção alternativa. Nas simulações que os institutos de pesquisa publicam, as oposições ainda patinam no mesmo lugar. Os discursos dos pretendentes oposicionistas soam perigosamente similares uns aos outros. Por surpreendente que possa parecer, o único que tem se manifestado de forma clara e inequívoca é o pastor Everaldo Pereira, candidato do nanico PSC, falando com firmeza à expressiva base evangélica disseminada por todo o país. Os dois nomes mais em evidência - Aécio Neves e Eduardo Campos - parece estarem a oferecer apenas mais do mesmo. Suas bases programáticas são variantes daquilo que o petismo implantou nos últimos doze anos, com acréscimos cosméticos e pontuais aqui e ali. Talvez por isso o aparente paradoxo: o povo não quer dona Dilma, mas ainda não indicou aquele que melhor interprete o desejo eleitoral da maioria em outubro próximo. Frente ao lenga-lenga burocrático e administrativista de Campos e Aécio, não causaria surpresa um crescimento dos índices eleitorais do pastor Everaldo.