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quinta-feira, 21 de julho de 2016

A desculpa do "antipetismo" (Estadão)


É muito conveniente, para os petistas, atribuir suas previsíveis dificuldades eleitorais neste ano, especialmente em São Paulo, ao tal “ódio ao PT” que eles tanto vivem a denunciar. O melancólico, mas merecido, quarto lugar do prefeito Fernando Haddad na pesquisa do Datafolha de intenção de voto à Prefeitura parece dar razão aos estrategistas de sua campanha que querem descolar o alcaide da desastrosa imagem de seu partido – estigma que, segundo esse raciocínio, excita na classe média paulistana seu atávico antipetismo. 

No entanto, essa é, como de hábito, uma desculpa esfarrapada: a hostilidade ao PT realmente cresceu nos últimos anos e acentuou-se mais recentemente, mas não em razão de preconceito contra o partido, e sim por ter ficado clara a brutal incompetência administrativa dos petistas, não apenas no Município de São Paulo, mas na gestão federal.

É por esse motivo que está cada vez mais difícil encontrar eleitores que se dizem petistas ou que tenham alguma boa vontade com o partido. As últimas eleições mostraram que o grosso do voto na sigla construída por Lula da Silva começa a se concentrar onde a pobreza e o atraso limitam o senso crítico dos eleitores. Especialmente nas regiões metropolitanas, antigo reduto do Partido dos Trabalhadores, o definhamento da legenda se acelerou – a pesquisa do Datafolha mostra que a simpatia pelo PT em São Paulo, por exemplo, caiu de cerca de 25% há quatro anos para 11% agora. 

O PT ainda é o partido que tem mais eleitores cativos na capital paulista, mas nem de longe apresenta o vigor dos tempos, nem tão distantes, em que o lulopetismo se arrogava o privilégio de ditar os termos da história.

Quando questionados sobre o fenômeno, os petistas têm uma explicação na ponta da língua: trata-se do resultado de uma gigantesca orquestração promovida para difamar o PT. E tudo, é claro, para impedir que o chefão Lula vença as eleições presidenciais de 2018. Como escreveu o presidente do PT, Rui Falcão, em texto publicado pelo partido no dia 18, a “insidiosa campanha da mídia monopolizada” e a “perseguição implacável de autoridades parciais” visam a “infligir uma derrota acachapante ao PT nas eleições municipais” e a frustrar a eventual candidatura de Lula, “liderança inquestionável” nas pesquisas.

Entre os conselheiros de Haddad, o discurso é o mesmo. Já há quem diga, aqui e ali, que o prefeito, se quiser se reeleger, terá de encontrar meios de lidar com a carga da impopularidade da presidente afastada Dilma Rousseff e do PT, sem falar na do próprio Lula, que em São Paulo enfrenta grande rejeição. Isso seria, na opinião desses assessores, o maior obstáculo de Haddad.

Assim, com a desfaçatez habitual, os petistas vão construindo a fantasia segundo a qual o problema eleitoral do PT está no eleitor – instigado pela “mídia monopolista” e pela “elite golpista” a odiar os petistas – e não no próprio partido, cujos delírios de uma revolução social financiada pelo Estado resultaram na maior crise econômica da história recente, sem falar na desmoralização da política pela via da institucionalização da corrupção.

Seria realmente espantoso se a esta altura, com a exposição escancarada da incompetência dos companheiros Haddad e Dilma, os eleitores não manifestassem repúdio ao modo petista de governar. É provável que entre os que reprovam o prefeito e a presidente ora afastada haja mesmo muitos antipetistas convictos, desses que escolhem o candidato pelo potencial para derrotar o PT. 

Mas é evidente que, diante do descalabro dos governos de Dilma e de Haddad, com desemprego, recessão, contas no vermelho, ruas esburacadas, ciclovias improvisadas, saúde em pandarecos, educação vergonhosa e muitas, mas muitas promessas grandiosas não cumpridas, a decisão de desalojar o PT do poder o quanto antes seja a mais racional a ser tomada na hora de votar.


A própria Dilma reconheceu isso, ainda que por obra de evidente ato falho. Em evento em uma universidade do ABC, depois de ter sido criticada por um dos presentes, a petista, sem querer, explicou por que foi afastada da Presidência: “Uma das constatações que temos que fazer é que algo não deu certo, tanto é que eles estão lá, e nós, aqui”. Bingo.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Lula, aspirante a ditador (Ricardo Noblat)

Chales Chaplin e o Grande Ditador
Se Dilma trocará Joaquim Levy no Ministério da Fazenda por Henrique Meirelles? Não sei. A essa altura, imagino que nem mesmo ela saiba.

Só sei que Lula, padrinho da eventual mudança, insistirá na troca. Bem como insistirá em que Dilma troque José Eduardo Cardozo por qualquer outro nome no Ministério da Justiça.
Por quê?
Ora. No caso de Levy, Lula ainda tem a desculpa de que ele só fala em arrocho da economia. Que não representa uma esperança. E que está errado ao não estimular a volta do consumo.
Enfim: que toda a política econômica de Levy é um equívoco. E que a persistir assim, o PT perderá as eleições do próximo ano. E, seguramente, a eleição presidencial de 2018.
No caso de Cardozo, por mais que tente, Lula não tem como esconder seus interesses pessoais em jogo.
Cardozo tem que sair do governo porque ele não manda ou não quer mandar na Polícia Federal e no Ministério Público. E os dois ameaçam Lula com suas investigações, e também a família dele.
Lula ficou riquinho da silva. E seus talentosos filhos igualmente.
A substituição de Levy também deixaria Lula mais tranquilo se o sucessor dele passasse a mandar na Receita Federal.
Pois é: assim como a Polícia Federal e o Ministério Público, a Receita Federal está indo para cima dos ganhos de Lula e de sua família em negócios com empreiteiras.
Somente entre 2011 e 2014, Lula declarou ganhos de 27 milhões de reais como palestrante de empreiteiras beneficiadas pelos seus dois governos. Sabe como é: uma mão lava a outra.
A mão que Lula ofereceu está sendo lavada pelas empreiteiras envolvidas na roubalheira na Petrobras.
Acuada pela oposição, tratada com má vontade pelo PT, só restou a Dilma, com medo do impeachment, entregar-se a Lula. Ou melhor: entregar o governo.
A recente reforma ministerial não foi obra de Dilma, mas de Lula. Só que ela está inacabada.
Lula pouco se lixa para o que é melhor ou pior para o país. O que ele mais quer é escapar da Lava-Jato e ser candidato a presidente em 2018.
A presidente, não. A ditador.
Porque se ele chama Dilma de fraca por não interferir nas ações da Polícia Federal, do Ministério Público e da Receita Federal é porque ele, presidente, interferiria, sim.
A polícia, o ministério e a receita não são órgãos de governo sujeitos às vontades do presidente ocasional. São órgãos do Estado.
Mas isso nada vale para Lula. Deveriam se comportar como quer o presidente. E assim será se ele suceder Dilma.


terça-feira, 15 de setembro de 2015

Dilma é irresponsável: Crônica de uma morte anunciada


Eles passaram quatro anos repetindo: as pirotecnias da política econômica do governo Dilma estourariam depois das eleições.

O mais triste da crise atual é que ela foi anunciada. Desde 2011, quando Dilma deu uma rasteira no tripé macroeconômico e passou a desdenhar o câmbio flutuante e o controle de gastos e da inflação, economistas previram que daria tudo errado. Não só previram, mas passaram os últimos anos afirmando, repetindo e se esgoelando que daria tudo errado.

“A troca de crescimento por inflação não é estável; com o tempo, o resultado é apenas inflação mais alta”, disse o economista Alexandre Schwartzman em janeiro de 2012.

“O mais grave do quadro atual é que este governo não demonstra que conhece – ou que concorde – com a importância da preservação do tripé macroeconômico. Portanto, ele corre o risco de desabar”, afirmou a jornalista Beatriz Ferrari na Veja de 18 de abril de 2011.

“Risco é que o grau de investimento seja retirado em 2015”, diz uma reportagem do Valor Econômico de novembro de 2013. Paulo Vieira da Cunha, um dos economistas ouvidos pelo Valor, disse: “quem está rodando modelos de análise da dívida pública já vê que ela não é sustentável em um horizonte mais longo, entre 2015 e 2016”.

Há três anos, o economista Adolfo Sachsida descreveu o cenário atual com uma exatidão incrível:

"Em 2014, como sempre acontece em ano de eleições, o gasto público dará um salto. Inclua nesse cenário a avalanche de medidas provisórias e intervenções governamentais na economia de todo tipo, inclusive as do BNDES, que aumentam o gasto público e favorecem setores eleitos pelo governo em detrimento do restante da sociedade. Em 2015, primeiro ano do novo governo eleito, será o momento de pagar a conta da irresponsabilidade fiscal e monetária do passado. Economizem dinheiro, pois quando a crise chegar quem tiver liquidez (dinheiro em caixa) vai conseguir fazer excelentes negócios. A partir de 2015 o Brasil amargará o mesmo tipo de cenário que já enfrentou no começo dos anos 1980".


Esses economistas acertaram em cheio, mas não era preciso ser um vidente ou um grande gênio da economia para fazer essas previsões. Bastava ser um pouco mais inteligente que a equipe econômica do primeiro mandato de Dilma.

(Leandro Narloch)

terça-feira, 11 de agosto de 2015


Em 04 de março de 2013 dona Dilma declarou cinicamente: "Podemos fazer o diabo na hora da eleição". E fez, sem nenhum pudor, conforme se viu em 2014.

Em 10 de agosto de 2015, a madame pontificou: "Vamos repudiar sistematicamente o vale-tudo para atingir qualquer governo", tentando escapar da ameaça de ser condenada pelos principais tribunais do país (TSE, STF, Tribunal de Contas), e do repúdio de praticamente três em cada quatro brasileiros que a querem no cu da cobra. 

domingo, 26 de julho de 2015

Partido dos Trabalhadores: nome é sina


Pela primeira vez, em quatro anos, a Coreia do Norte foi às urnas neste domingo (19 de julho) para suas eleições locais.

Mas como são as eleições num país apontado em diversos rankings internacionais como um dos mais totalitários e corruptos do mundo e que é governado pela mesma família desde 1948? Fará o pleito jus ao nome oficial de República Popular Democrática da Coreia do Norte?

O que será decidido?

Eleições locais são realizadas na Coreia do Norte desde 1999. A deste domingo teve como objetivo a escolha de governadores, prefeitos e deputados no país com 25 milhões de habitantes.

O número de deputados é decidido pelo tamanho da população de cada região. No último pleito, em 2003, o governo anunciou que aproximadamente 27 mil "intelectuais, trabalhadores, camponeses e tecnocratas" foram eleitos.

Quais são as opções para os eleitores?

A escolha é extremamente limitada. A escolha dos candidatos é determinada pelo Partido dos Trabalhadores, o mesmo do ditador norte-coreano, Kim Jong-un, que assumiu o poder em 2011. Para cargos executivos há apenas um nome na cédula.

Abstenções e votos nulos são considerados atos de traição, o que pode resultar em execução por fuzilamento, por exemplo.

As pessoas vão mesmo às urnas?

Em 2011, na última eleição local, o índice de comparecimento foi de 99,7%, com a agência estatal de notícias justificando a abstenção de 0,3% com o fato de que os ausentes estavam fora do país ou em alto-mar. Algo curioso em um regime que controla rigorosamente o direito de ir e vir de seus cidadãos.

O rol de eleitores é uma forma de o governo controlar possíveis defecções para países vizinhos. "É durante o período eleitoral que o governo descobre quem fugiu", disse um refugiado norte-coreano ao site NK News, especializado em notícias alternativas ao estrito controle estatal.

E Kim Jong-un?

As eleições deste domingo não decidiram a liderança do país, embora a Coreia do Norte também conte com eleições parlamentares.

Na última, no ano passado, Jong-un recebeu 100% dos votos. O gorducho, cujo carão chapado é dona Dilma escarrada, é o sonho de consumo do PT e partidos satélites, como o famigerado PC do B.



Kim Jong-un
Dilma Jong-dois

























A Coréia do Norte é exemplo definitivo da ilimitada capacidade humana de ser estúpida. Talvez sua classe dirigente seja descendente de algum ET cujo disco voador lá aportou. Os aliens, ao que parece, teriam criado uma espécie de zoológico humano e estariam a estudar os bípedes esquisitos lá aprisionados, bem como os resultados de complexas permutações de DNA e dietas variadas a que estão sendo submetidos há quase cem anos.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Previsão de 2002 se realizou (Cesar Maia)

"O QUE SE PREVIA NA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL DE 2002 DEMOROU..., MAS ACONTECEU!
            
1. Na campanha de 2002, analistas nacionais e de outros países projetavam um quadro sombrio com a vitória de Lula. Três conclusões eram consensuais: a inevitável irresponsabilidade fiscal; o afrouxamento inflacionário; e a ocupação da máquina do Estado pela máquina do PT. Em função disso, Duda Mendonça redigiu e Lula assinou e divulgou a Carta aos Brasileiros, onde assumia compromissos de responsabilidade econômico-financeira.
            
2. Com Palocci no ministério da Fazenda, o governo Lula foi afirmando os compromissos da Carta aos Brasileiros. Na verdade, essa não era a natureza nem a disposição do PT. As condições políticas e institucionais não permitiam outros caminhos, sob o risco de desintegração econômica e impasse político.
            
3. No final de 2003, a TV Globo, com uma câmera oculta (ou com gravação amadora de quem estava na reunião e repassou à TV Globo), divulgou um vídeo do discurso do poderoso ministro José Dirceu para a militância que estava exaltada com medidas que o partido havia criticado por muito tempo.
            
4. Dirceu foi claro: A 'correlação de forças' não permite, neste momento, avançarmos como gostaríamos. Por isso, nesta primeira etapa, adotaremos medidas conservadoras para dentro e aplicaremos nossas ideias e nosso programa para fora (leia-se política externa). A explicação de Dirceu agradou a militância. O tempo confirmou Dirceu e mostrou que eram apenas ações táticas e que a estratégia continuava a mesma.
            
5. Em 2004, o governo/PT começou a aplicar a “ética revolucionária”, ou seja, desvio de recursos públicos ou privados para financiar a “revolução” (ou seja, a garantia de maioria absoluta no parlamento para implementar o que desejasse), não é roubo, mas “expropriação”. A primeira grande operação de “expropriação” foi o mensalão. Em conversas informais a partir do estouro do escândalo, o argumento dos dirigentes era: o dinheiro não é para ninguém, ninguém está se apropriando de nada, é para garantir o poder num parlamento burguês de deputados e senadores corruptos. Isso é diferente do que fazemos, argumentavam. Esse dinheiro serve ao povo, concluíam.
         
6. Ultrapassados os obstáculos e o primeiro choque de opinião pública durante a CPI, já em 2006, ano eleitoral, a máquina governamental ocupada pelo PT e dinheiro desviado sem limites prepararam a eleição de 2006, usando todo tipo de recursos; de propaganda (Gobells ficaria envergonhado), agressões, mentiras, etc. Outra vez, no governo, em 2007, e com a máquina ocupada, o poder de Lula e do PT se tornou absoluto.
            
7. Apenas uma pequena minoria parlamentar não aderiu e os grandes grupos e setores econômicos passaram a defender o governo Lula, sem nenhum pudor. Com a correlação de forças (ver Zé Dirceu) totalmente favorável, foi implementando o Estado Total, conceito caro ao nazismo. A partir daí, a Carta aos Brasileiros foi rasgada. A “expropriação” passou a ocorrer na maior empresa brasileira, a Petrobras/fornecedores, nas grandes obras, nos amplos subsídios...
            
8. Os fundamentos macroeconômicos foram jogados no lixo, a “ética revolucionária” prevaleceu, afinal não havia oposição nem política, nem social (os sindicatos no governo), nem empresarial. A crise de 2008 foi respondida com um keynesianismo de consumo que só visava o PIB, a economia perdeu competitividade, a situação fiscal foi deteriorando e respondida com fraudes contábeis, o setor externo desintegrando com recordes de déficit corrente...
            
9. Mas num mundo globalizado, as expectativas têm caráter internacional. A crise econômica foi sendo antecipada pelo mercado e a velocidade de agravamento saiu de controle. A correlação de forças foi mudando e se expressou na eleição presidencial. Dilma volta ao primeiro capítulo e tenta, através da designação de um Pallocci ainda mais ortodoxo (Levy), reverter este quadro. Era tarde.
            
10. A operação Lava-Jato é assumida por um juiz independente (reveja Jean Louis Tritignant – 
juiz de instrução no filme Z, de Costa Gravas). Não há mais por onde “negociar”. A “expropriação” passa a ser chamada por seu nome próprio: corrupção. Os valores dão dimensão internacional.
            
11. Os parceiros (políticos, empresariais, jornalísticos, sociais...) lavam as mãos.
            
12. As previsões de 2002 se confirmaram. O tempo desmontou as fraudes. Era um castelo de cartas –house of cards- que ruiu".


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OBS: Cesar Maia continua sendo um excelente analista político.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

As leis e as salsichas

Bismarck, chanceler da Prússia nos idos do século XIX, já ensinava que não seria bom que se soubesse como são feitas nem as leis, nem as salsichas. O risco de um ataque de vômito seria muito grande. Na salsicharia do Palácio do Planalto as costumeiras carnes utilizadas exalam o odor esperado, coerentes com o apodrecimento geral daquele ambiente. Não surpreende ninguém que o empreendimento seja comandado por gente da estirpe de Lula e Dilma. Estes são apenas a parte visível do iceberg. Dando-lhes suporte está uma multidão cuja natureza é similar à deles: uma horda. 

Os resultados finais das eleições seguem em aberto. Apesar de resultados recentes de pesquisa indicarem um empate técnico entre Aécio e dona Dilma, é mais provável que os indecisos e os que admitem votar em branco ou votar nulo optem, ao final, pelo candidato oposicionista. Se quisessem escolher a candidata oficial, eles já o teriam feito, em vista da maciça propaganda martelada dia e noite, há mais de uma década, por todos os meios de comunicação. Caberá a largas frações das chamadas classes médias o papel decisivo nesse confronto entre a civilização e a barbárie.   

Como já versejava, em 1960, um poeta obscuro e amargo, porém, sagaz, em seu soneto "3 de Outubro" (que era a data das eleições antigamente):

Ei-los vendilhões da pátria escravizada,
Ei-los a disputar a marmita e a gamela.
Imorais fariseus arautos da embrulhada,
A preparar ao povo a cangalha e a sela.

E esse povo imbecil que tomba na esparrela,
Que não compreende a fraude, não entende nada,
Não vê que essa canalha a própria pança zela,
E quer ver a caveira à plebe degradada.

No fim da apuração o eterno resultado,
Que desde oitenta e nove a nação avassala,
Levando ao poder o patife e o tarado.

C'o ajuda do eito vil e os votos da senzala,
Caco se elege e Ali-Babá é deputado,
Numa competição de rifa e de cabala.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

CEMIG, COPASA, CODEMIG: olhos gulosos as espreitam...

A gulosa turma do PT e associados (onde o PMDB é cúmplice preferencial), faz relembrar versos de Augusto dos Anjos:

              "Já o verme, este operário das ruínas,
               que o sangue podre das carnificinas 
               come, e à vida em geral declara guerra,

               Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
               e há de deixar-me apenas os cabelos,
               na frialdade inorgânica da Terra".

Diferentemente do poeta amargo que se via condenado a tão lúgubre destino, a turma do Pimentel lança seu olhar cúpido para as poderosas empresas públicas de Minas Gerais, candidatas a ter seus olhos e bolsos roídos implacavelmente. 

Próxima de ser enxotada das bocadas no governo federal (onde, nos últimos doze anos, assaltaram a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, os Correios, a Eletrobrás e outras mais, tantas, inumeráveis), a quadrilha lulo-petista já imagina a farra que poderá fazer com as ricas instituições mineiras. Até babam em antecipado gozo, caso vençam as eleições locais.

Minas Gerais já viveu experiência semelhante a essa que nos ameaça - de desastre anunciado - no período em que Newton Cardoso foi governador. Quem conhece a história do estado é capaz de recuperar os fatos daquele período, bem como suas consequências políticas e econômicas para o cidadão mineiro. Pelo frondoso currículo, gente como Newtão (e, quem sabe, até Zé Dirceu, mineiro da gema pronto a retornar à terrinha mãe), já estão a postos para assumir a Secretaria da Fazenda de Fernando Pimentel, famoso ex-ministro do catastrófico governo Dilma, a dona ensandecida que ainda governa o Brasil.  

As altas tecnologias do saqueio do dinheiro público estão perfeitamente dominadas pelo petismo (mensalão, petrolão etc.). Os rombos e roubos são divulgados quase que de hora em hora pela imprensa. Não furtam mais aquele troco extraído da conta do Custeio do orçamento público. O negócio, agora, é mais grosso, a começar pelas propinas dos empreiteiros. O Investimento passou a ser o objeto do desejo dessa nuvem de gafanhotos capitaneada por Pimentel. 

Minas Gerais está em risco. A ameaça se torna mais preocupante em vista do destino dos gatunos que serão afastados da órbita federal, com a mais que provável vitória das oposições. Aos corruptos e imorais fariseus locais, serão acrescidos os de outras plagas, configurando um quadro de verdadeira calamidade. Os terroristas de ontem (com novas técnicas, porém com os mesmos objetivos), voltam a assombrar a vida pacata dos que só querem viver em paz.  

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Dona Dilma, a nona passageira

Fernando Pimentel não é o verdadeiro candidato da oposição ao governo de Minas Gerais, tal qual muitos podem imaginar. A suposta novidade, apresentada em melífluas propagandas televisivas, é só uma ilusão, que cabe desvendar, pois pode levar os eleitores mineiros a se comportar como estão fazendo, segundo indicam pesquisas de opinião que apontam Pimentel à frente da disputa estadual. Pimentel é, na realidade o candidato da pior forma de continuidade; a continuidade da corrupção, da incompetência e da mistificação que tão bem caracterizam os governos petistas. 

Pimentel saiu direto dos porões onde foram gestadas as pretensões dele, de Marcelo Crivela, de Alexandre Padilha e de Gleisi Hoffman aos governos estaduais de Minas, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, respectivamente. O palácio do Planalto operou, assim, tal como se conta naquele filme de ficção - Alien, o oitavo passageiro - onde um monstro pavoroso expele seus ovos que, após chocados, geram outros Aliens que vão se alimentar de outros seres vivos, em perpétua multiplicação. 

Dona Dilma - a nona passageira - encastelada na chocadeira palaciana, tenta reproduzir, em alguns dos principais estados da federação, as mesmas estruturas nefastas que caracterizam o lulo-petismo nacional. Não são ovos de uma simples serpente, mas de uma criatura teratológica com assombrosa capacidade para o mal.

Enviou, pois, suas crias para locais onde o petismo nunca houvera antes obtido qualquer vitória. No caso do Rio de Janeiro, fez uma inovação: terceirizou a monstruosidade através de um notório personagem - ex-ministro da Pesca - bispo de conhecida igreja neo-pentecostal, famosa pela devoção, menos ao Divino Mestre que a Anás e Caifás (oh! Senhor, onde estás com Seu chicote purificador?). 

Já em relação a Minas Gerais, Paraná e São Paulo, os escolhidos para comandar a pérfida operação foram os também ex-ministros da Indústria e Desenvolvimento (Fernando Pimentel), da Casa Civil (Gleisi Hofman) e da Saúde (Alexandre Padilha), todos eles filiados ao PT e todos, também, bem alimentados por repulsiva gosma, pois que, afinal, são os favoritos da mamãe Alien. 

Até agora, felizmente, o tenebroso projeto de dona Dilma (em estreita parceria com Lula), deu com os burros n'água no Rio, no Paraná e em São Paulo. Apenas em Minas Gerais, talvez pela soberba dos tucanos mineiros, um dos filhotes da horrenda ET trabalha com alguma perspectiva de vitória.

Caso Fernando Pimentel efetivamente ganhe as eleições para governador, este resultado será muito mais grave para o PSDB local que a derrota de Aécio no plano nacional. Aécio simplesmente não ganharia a presidência, enquanto Pimenta da Veiga perderia o governo que os tucanos controlam há mais de uma década. Não ganhar o que não se tem é uma coisa; perder aquilo que se possui é outra completamente diferente.

Os marqueteiros tucanos, ao que parece, ainda não conseguiram desenhar um novo mapa para responder à mudança do cenário eleitoral, conjuntura que se constituiu com a candidatura Marina Silva, alçada à condição de favorita, quase que incontinenti ao seu lançamento após a morte de Eduardo Campos. 

Se é difícil desconstruir Marina Silva para, então, ocupar o seu lugar (ou o lugar de dona Dilma), não seria difícil fazê-lo com Fernando Pimentel. Para o Brasil, paradoxalmente, seria um desastre se dona Dilma fosse alijada da disputa no segundo turno. Uma aliança dos petistas com Marina daria a ela uma vitória quase que certa. Produziria, no entanto, e esse é o aspecto terrível de não impossível circunstância, uma sobrevida ao PT, frustrando assim, logo no início da nova gestão, o desejo majoritário da nação de se ver livre dessa gente perniciosa que controla o Brasil há doze anos.

Para o bem do povo brasileiro, o ideal seria uma vitória de Marina no primeiro turno. Vitória indiscutível, acachapante, que afastasse possíveis veleidades dos derrotados, em especial da turma de dona Dilma, sempre ávida por uma boquinha.

A tragédia maior ficaria para os mineiros, caso tenham que suportar Fernando Pimentel e a famélica companheirada que, derrotada nos estados mais importantes, mudar-se-ia de mala e cuia para Minas Gerais atrás de alguma sinecura na CEMIG, COPASA e outras empresas controladas pelo governo mineiro. É de interesse público, portanto, que Fernando Pimentel seja derrotado mais uma vez em eleição majoritária.

Para o Brasil ficar livre da metástase emanada do Planalto (com a introdução, em Minas Gerais, dos costumes muito pouco republicanos dos petistas), algumas decisões devem ser tomadas. A primeira é mostrar, sem enrolação, os vínculos de Pimentel com as estripulias típicas de Brasília, demonstrando que Pimentel não representa nenhuma novidade, antes pelo contrário. Sua presença na disputa pelo governo mineiro significa, aí sim, a ameaçadora transfusão, para o corpo político das Alterosas, das mais antigas e detestáveis práticas em que se especializou o petismo. 

Pimentel, como se disso precisasse para ser o craque que é, saiu de Minas Gerais para se aperfeiçoar nas artes em que o lulismo é profissional. Como exemplos, basta conferir os escândalos nas empresas públicas e de economia mista controladas pelo governo federal. 

Pimentel foi o responsável, enquanto ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior, por situações cuja divulgação irão deixá-lo na defensiva. A progressiva desativação da indústria brasileira é denunciada pelos próprios órgãos oficiais, sem falar na perda de parques produtivos (a Fiat, levada a se instalar em Pernambuco, e o polo de acrilatos, antes prometido para Minas e depois transferido para a Bahia), caracterizando uma inequívoca postura anti-Minas Gerais da parte do governo federal. Como ele justificaria, então, para os mineiros, sua candidatura ao governo do estado?  

Acordos e negócios do governo petista com ditaduras africanas - envolvendo recursos do povo brasileiro (BNDES) - estão gravados com o selo de confidencialidade (suas cláusulas secretas só serão conhecidas daqui a décadas, quando todos nós provavelmente já estaremos mortos); tal deliberado ocultamento viola, de cara, preceito constitucional que exige da Administração Pública a obediência a princípios como o da publicidade. 

Qual a razão de esconder do público os termos de negócios financiados com dinheiro da sociedade? Quem ficaria comprometido se o que é secreto for levado à luz? Francamente, segredo em acordos com ditaduras só podem estar a esconder situações suspeitas e, certamente, tisnadas pela corrupção.

As ditaduras africanas não esgotam o festival de explicações que caberia a Fernando Pimentel dar ao povo mineiro. As negociatas com Fidel Castro, o mais longevo ditador da face da Terra, sem falar das tratativas com o chavismo, deveriam também ser postas em debate. 

Enquanto o Brasil sofre com a falta de investimentos em infraestrutura, Cuba mereceu de Pimentel e sua turma os mais generosos recursos para a construção de moderno porto (em Mariel). Não se sabe, aliás, para que serviria tal obra, pois que Cuba nada tem para exportar, a não ser cubanos reduzidos a situação similar à de escravos. 

Ao magnífico porto segue a construção de moderníssimo aeroporto, como igual não há no Brasil. Ora, não haveria em Minas Gerais ninguém capaz de questionar, e indagar, sobre os feitos pouco heroicos do antigo guerrilheiro de festim, companheiro de armas de dona Dilma e Zé Dirceu, que preferiu beneficiar Cuba em vez de favorecer o Brasil? 

Pimentel, caso eleito governador, trará para Minas Gerais o DNA aperfeiçoado do mensalão. O candidato petista é legítimo herdeiro das práticas políticas que estão sendo renegadas em todo o país. De todos os emissários enviados por dona Dilma, para tomar de assalto os governos estaduais mais importantes, Pimentel é o único que representa uma ameaça real aos desejos, compartilhados por todos os brasileiros, de bloquear o acesso aos cofres públicos dos egressos do lulo-petismo. Padilha patina na faixa de 5% de preferência, em São Paulo; Hofman fica nos 12% a 15%, no Paraná; Crivela oscila nos mesmos patamares de Gleisi, no Rio de Janeiro, e Pimentel tem um pouco mais que um terço das intenções de voto, conforme as últimas pesquisas.

A rejeição a dona Dilma e seus cúmplices cresce a cada dia por todos os rincões do Brasil. Seria inconcebível que os mineiros, na contra-mão do sentimento nacional, passassem as mãos na cabeça dessa gente de má fama, quase que lhes dando uma absolvição pelos desatinos políticos que cometeram. A justa e generalizada repulsa provocada pela degradação dos costumes políticos brasileiros (que já não são lá essas coisas), mostram que aqueles que têm o mínimo senso de cidadania devem reagir às pretensões de Dilma e Pimentel. Para o bem do povo, ambos precisam ser derrotados. Minas não pode responder ao repto de Tancredo -  o primeiro dever de Minas é com a liberdade - elegendo um personagem de perfil tão nefasto, em nítida contraposição às gloriosas tradições da mineiridade. A eleição de Newton Cardoso para governador, tempos atrás, já bastou como ilustração, mais que suficiente, das consequências de uma escolha irrefletida.         
      

domingo, 3 de agosto de 2014

"Falta sentimento democrático" - Fernando Henrique Cardoso


(Publicado no Estadão em 03-08-2014)


Ainda é cedo, mas há fortes indícios de que o PT perderá as próximas eleições. Em que Estado com muitos eleitores seus candidatos a governador se mostram competitivos? Talvez em um. No total os petistas aparecem bem situados apenas em quatro Estados, se tanto, três deles com não muitos eleitores. Quanto aos aliados, especialmente o principal, o PMDB, parece que andam em franca debandada em vários Estados. Também, pudera, como pedir fidelidade no apoio à reeleição quando, além do pouco embalo da chapa presidencial, os candidatos da oposição e do próprio PMDB aos governos estaduais aparecem bem à frente dos candidatos do PT?
As taxas de rejeição da presidenta estão nas nuvens, não só em São Paulo, onde nem o céu é o limite. Também crescem nos pequenos municípios do Norte e do Nordeste para onde, nas asas das bolsas-família, migraram os apoios do partido que nasceu com os trabalhadores urbanos. As raízes deste quadro se abeberam em vários mananciais: o das dificuldades econômicas, da tragédia das políticas energéticas (vale prêmio Nobel derrubar ao mesmo tempo o valor de bolsa da Petrobras e as chances do etanol e ainda encalacrar as empresas de energia elétrica), da confusão administrativa, do pântano das corrupções e assim por diante. Culpa da presidenta? Não necessariamente.
Há tempo, escrevi um artigo nesta coluna com o título de Herança Maldita. Fazia ironia, obviamente, com o estigma que petistas ilustres quiserem impingir a meu Governo. No artigo indicava que a origem das dificuldades não estava no atual Governo, vinha de seu predecessor. A cada oportunidade que tenho procuro separar a figura da presidenta, seu comportamento passado e atual, digno de consideração, dos erros que, eventualmente atribuo ora a ela, ora ao estilo petista de governar.
Mas, francamente, é demais não reconhecer que há motivos reais, objetivos, para o mal-estar que envolve a atual política brasileira sob hegemonia petista. Abro ao acaso os jornais desta semana: os europeus advertem que a produtividade do país está estagnada; o humor do varejo em São Paulo é o pior em três anos; a produção industrial e a confiança dos industriais não param de cair; o FMI publica documento oficial assinalando que nossa economia é das mais vulneráveis a uma mudança no cenário internacional e ajusta mais uma vez para baixo a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2014, para 1,3% (seriam otimistas?); o boletim Focus, do BC, prevê um crescimento ainda menor, de 0,9% (seriam os pessimistas?); o juro para a pessoa física atinge seu maior patamar em três anos; a geração de empregos é a menor para o mês de junho em dezesseis anos; para não falar na decisão do TCU de bloquear os bens dos dirigentes da Petrobras ao responsabilizá-los por prejuízos causados aos cofres públicos na compra da refinaria de Pasadena.
Espanta, portanto, que a remessa de análise conjuntural feita por analistas de um banco a seus clientes haja provocado reações tão inusitadas. O mercado não deve se intrometer na política, protestaram Governo e petistas. Talvez. Mas se intromete rotineiramente e quando o vento está a favor os governos se deixam embalar por seu sopro. Então, por que agora e por que de forma tão desproporcional ao fato, presidenta?
Não creio que seja por desconhecimento da situação nem muito menos por ingenuidade. Trata-se de estratégia: o ataque é a melhor defesa. E nisto Lula é mestre. Lá vêm aí de novo com as “zelites” (da qual faz parte) contra o povo pobre. Até aí, táticas eleitorais. Mas me preocupa a insistência em tapar o sol com a peneira. Talvez queiram esconder o acúmulo de dificuldades que estão se avolumando para o próximo mandato: inflação subindo, com tarifas públicas e preço da gasolina represados; contas públicas que nem malabarismos fiscais conseguem ajustar; o BNDES com um duto ligado ao Tesouro, numa espécie de orçamento paralelo, como no passado remoto; as tarifas elétricas rebaixadas fora de hora e agora o Tesouro bancando os custos da manobra populista, e assim por diante. Em algum momento o próximo Governo, mesmo se for o do PT, terá de pôr cobro a tanto desatino. Mas, creem os governistas, enquanto der, vamos empurrando com a barriga.
Que fez o Governo do PSDB quando as pesquisas eleitorais de 2002 apontavam possível vitória do PT da época? Elevou os juros, antes mesmo das eleições, reduzindo as próprias chances eleitorais. Sustentou mundo afora, antes e depois das eleições, que não haveria perigo de irresponsabilidades, pois as leis e a cultura do país haviam mudado. Pediu um empréstimo ao FMI, com a prévia anuência pública de todos os candidatos a Presidente, inclusive e especificamente do candidato do PT. O dinheiro seria desembolsado e utilizado pelo Governo a ser eleito para acalmar os mercados, que temiam um descontrole cambial e inflacionário e mesmo uma moratória com a vitória de Lula. Aprovamos ainda uma lei para dar tempo e condições ao novo Governo de se inteirar da situação e se organizar antes mesmo de tomar posse.
Agora, na eventualidade de vitória oposicionista (e, repito, é cedo para assegurá-la) que fazem os detentores do poder? Previnem-se ameaçando: faremos o controle social da mídia; criaremos um Governo paralelo, com comissões populares sob a batuta da Casa Civil que dará os rumos à sociedade; amedrontam bancos que apenas dizem o que todos sabem etc. Sei que são mais palavras equívocas do que realidades impositivas. Mas denotam um estado de espírito. Em lugar de se prepararem para “aceitar o outro”, como em qualquer transição democrática decente, estigmatizam os adversários e ameaçam com um futuro do qual os outros estarão excluídos.
Vejo fantasmas? Pode ser, mas é melhor cuidar do que não lhes dar atenção. A democracia entre nós, já disseram melhor outros personagens, é como uma planta tenra que tem que ser cuidada e regada com exemplos, pensamentos, palavras e ações todos os dias. Cuidemos dela, pois.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

CORAÇÕES E MENTES

Os doutrinadores do lulo-petismo construíram um estratégia política que lhes garantiu a vitória nas eleições presidenciais por três vezes sucessivas. Aplicando conceitos extraídos do leninismo renovado (basicamente nas doutrinas de Gramsci), erigiram um conjunto de procedimentos, seguidos com a disciplina stalinista, que lhes desse a hegemonia em todos os campos da vida social, cultural, econômica e política. 

O projeto é simples na sua concepção, porém de complexa execução quando posto em prática. Ganhar ou perder eleições nunca foi o objetivo maior a ser alcançado. Tanto isso é verdade que ao longo dos últimos trinta anos o PT marchou sozinho – ou com alguns fiéis partidos satélites – em disputas de toda ordem. Buscaram, antes, consolidar um nicho que ancorasse seus movimentos no futuro, que ganhar mandatos a qualquer preço em eventuais disputas. Consolidado, passou a admitir então qualquer tipo de composição com outras forças sociais e políticas, desde que eles, petistas, detivessem o controle e o comando último.

Para que este projeto de larga duração obtivesse êxito seria necessária, todavia, a conquista dos corações e das mentes, não só das massas populares quanto, também, de artistas, professores, intelectuais e outras lideranças políticas, empresariais, eclesiásticas e militares. Mais que as mentes, aliás, o fundamental seria conquistar os corações, em toda sua extensa significação e valor simbólico. Laços baseados no afeto são mais duradouros que aqueles forjados pela fria inteligência. David Hume, o notável racionalista inglês, já reconhecia a razão como escrava das paixões. Nenhum argumento, por exemplo, nem o mais consistente, levaria um torcedor apaixonado a renegar seu time, quando derrotado, pelas cores de outro, mesmo que este seja persistentemente vitorioso.

O desespero da cúpula dirigente do petismo com as manifestações críticas nos estádios de futebol e nas ruas tem, pois, razão de ser. O povo brasileiro denota claramente que está com preguiça de dona Dilma e sua corte de patifes – Sarney, Collor, Calheiros, Zé Dirceu, Genoíno, Delúbio etc. Do mais graduado ao mais reles, a relação é enciclopédica, quase infinita. Quem quer que tenha sua própria lista de políticos corruptos poderá constatar: todos com Dilma, sem tirar nem por, em qualquer estado da federação. 

Em sua volúpia hegemônica os petistas açambarcaram, sem pudor, de caquéticos e anacrônicos coronéis nordestinos, a modernosos tecnocratas gatunos, como os que abundam na Petrobrás e outras empresas públicas. Até Maluf, ícone inconteste e notório da velhacaria e cinismo nacional, antigamente tratado pelo PT a tapas, agora andam aos beijos, sôfregos, nas enxovias, próximos dos cofres. Enlouquecidos pela soberba, os petistas julgaram que o afeto popular lhes perdoaria qualquer crime. Mas o filtro de tolerância que beneficiou o partido durante tantos anos se esgarçou. Perderam.

domingo, 11 de julho de 2010

Brechó político

As campanhas eleitorais costumam exibir um curioso fenômeno: em todas elas os partidos tradicionais se revestem dos mesmos surrados discursos sobre suas propostas de governo. Retiram as lorotas do fundo do armário, qual um paletó velho e fora de moda, calçam sandálias da humildade e saem pelo mundo em franciscana pregação de virtude e de apego ao “social” e ao “econômico” politicamente corretos. Coerentemente com as idéias encarquilhadas apresentam candidatos que parecem saídos de algum brechó de personalidades (alguns lembram figurantes de filmes de terror).
Não que a experiência de varões encanecidos deva ser desprezada, muito antes pelo contrário. Em momentos de crise foram homens mais que maduros que lideraram a condução de seus povos no enfrentamento de adversidades marcantes. No início da segunda grande guerra Churchill, por exemplo, prometeu aos britânicos apenas “sangue, suor e lágrimas”. Quanta diferença em relação ao que vemos no Brasil atual! Em vez de enfrentar os graves desafios postos à sociedade, as forças da mesmice se encharcam de promessas demagógicas acenando com a expectativa de casa, comida e roupa lavada para todos.

Os mineiros podem recuperar, em outubro próximo, o fio da história que os ligam aos primórdios de sua formação. A Conjuração Mineira, marco inicial, representou bem a resistência contra a opressão da Coroa portuguesa. A justa rebelião se fez ativada pelo inconformismo com a cobrança de 20% sobre as rendas dos mineradores. Tiradentes, hoje, talvez se suicidasse desesperado - antes de ser enforcado - se soubesse que nosso povo é subtraído de 40% dos seus ganhos, em favor de governantes mais preocupados com benesses e mordomias que atender ao interesse público.
Relembremos a Páscoa, festa maior da tradição judaico-cristã. Sua gênese está na rebelião dos hebreus contra a extorsão dos cobradores de impostos a soldo dos Faraós. Naqueles bíblicos tempos o povo de Deus ainda pôde fugir para a Terra Prometida. Hoje, no entanto, não há para onde ir. A resistência aos desatinos dos governos precisa começar, então, aqui e agora. Há que se favorecer a sociedade, reduzindo drasticamente o furor tributário do governo.
Imaginar que burocratas sabem, mais que as próprias pessoas, o que é melhor para elas é ignorar o fracasso das escolas públicas, a ruindade dos serviços de saúde, a precariedade do transporte coletivo, os cotidianos atentados à segurança, os graves danos ambientais etc. O cidadão paga seus impostos e pouco recebe em troca. Tem, aliás, que pagar duplamente: planos de saúde, matrícula em escolas privadas, contratação de empresas de segurança etc. A discussão de pontos como estes acima deixaria mais arejado o mundo que muitos estão a sonhar. (Publicado no jornal O Tempo, em 12/07/2010)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Lições de Ipatinga

No último domingo de maio do corrente ano ocorreram eleições extemporâneas em algumas cidades mineiras, inclusive em Ipatinga, no chamado vale do aço. A cidade é o coração de uma das regiões metropolitanas mineiras – a outra é a capitaneada por Belo Horizonte – numa conurbação que envolve outros dois grandes municípios industriais – Timóteo e Coronel Fabriciano. O PT tem exercido a hegemonia neste complexo urbano há pelo menos duas décadas e sua influência se irradia por toda sua área polarizada. Há que se destacar a elevada politização e o grande acesso popular a informações – uma repetidora da TV Globo, por exemplo, está baseada em Fabriciano.

Pois bem, uma vitória petista em Ipatinga seria considerada quase como um passeio, um verdadeiro mamão com açúcar, em vista de tão favorável conjuntura. Tal expectativa seria reforçada por outro fato relevante: a candidata do PT era uma deputada estadual casada com o ícone partidário local que, por três vezes, fora prefeito da cidade (o qual, durante a campanha, vigilantemente postado à frente de numerosa comitiva partidária, conduzia a seu talante o processo eleitoral). Para fechar o quadro, a candidata petista ainda enfrentava um obscuro e modesto vereador, personalidade sem grandes brilhos nem destaque, se comparado à sua adversária e seus apreciados dotes. No entanto, apesar de tantos e poderosos apoios, Cecília Ferramenta foi fragorosamente derrotada (quase na proporção de três por dois, ou seja, 60% a 40%).

Os resultados de Ipatinga parecem sinalizar para a recorrência de um velho fenômeno brasileiro: a nordestinização do partido hegemônico. Já aconteceu antes com a ARENA, o PDS, o PFL e o PMDB. O PT segue agora na mesma toada. Disputa hoje com outras forças do atraso quem será majoritário nos grotões do país. O Brasil urbano e politizado seguirá em outra direção. O caciquismo, o nepotismo e o populismo apresentam limites insuspeitados que devem ser reconhecidos. As eleições em Ipatinga podem ser vistas como uma lição e um alerta.