1) O STF considerou inconstitucional o financiamento
eleitoral por parte de empresas. Vários analistas, vários acadêmicos, máquinas
sindicais, os pequenos partidos ideológicos outsiders, etc., comemoraram a
decisão. Ou é por boa fé, por desconhecimento, por ingenuidade ou por esperteza.
2) Com essa decisão do STF, as vantagem dos que estão no
governo controlando as máquinas e orçamentos é flagrante. Passam a ter
monopólio do financiamento, só que não diretamente pelas empresas, mas
indiretamente e através dos governos.
3) Os gastos de campanha estão concentrados na publicidade
(TV, etc.) e no pagamento dos cabos eleitorais e mobilidade. CPI's já
demonstraram, ao extremo, como funciona esse processo. Os governos, através de
uma seleção subjetiva, contratam agências de publicidade de suas
confianças. Muitas vezes que trabalharam para a candidatura deles na
última campanha eleitoral.
4) Através delas deixam pré-paga parte importante da
publicidade (TVs, etc.) para a próxima campanha eleitoral. Por exemplo: nas
inserções nos meios de comunicação, as agências têm direito a comissões que vão
de 10% a 20%. Se a mídia técnica sugere X inserções, governos fazem o dobro ou
mais. Como isso não gera custo adicional, apenas aumenta o faturamento da
agência.
5) Descontando o imposto de renda desse excesso de mídia, os
partidos nos governos passam a ter uma reserva financeira para a campanha
seguinte. Podem até antecipar a publicidade da campanha e deixar guardada na
memória eletrônica. E uma vez em campanha o registro do gasto realizado é
muitas vezes menor que o que seria efetivado sem a reserva conseguida pelos
governos.
6) Da mesma forma, a publicidade exige subcontratações de
material gráfico de pesquisas de opinião pública, etc. E, de novo, governos
pagam bem mais do que utilizam e deixam a sobra como reserva para utilizar na
campanha seguinte. E - claro - registram valores muito menores como gastos
efetivos de campanha.
7) Em relação aos cabos eleitorais se utiliza amplamente os
comissionamentos e gratificações que cobrem as despesas - pagas pelos governos -
desses "cabos eleitorais" ou de amigos. E de forma tão ou mais ampla
através das terceirizações. O pessoal padrão necessário para uma função
qualquer de limpeza, vigilância, etc., é ampliado em 20%, 30%, 50%... A
imprensa costuma chamá-los de funcionários fantasmas. Certo, fantasmas para o
gasto dos governos, mas muito vivos para as campanhas eleitorais.
8) E além destes vetores mais significativos, ainda vem um
conjunto grande de "pedaladas" eleitorais de mesma origem, com a
disponibilidade de veículos alugados muito além do necessário, carros de som,
etc., e assim de reservas "técnicas".
9) Isso para não falar nas máquinas de grandes sindicatos e
centrais sindicais com financiamento público garantido, que mobilizam pessoal,
gráfica, publicidade, etc., a favor de quem apoiam.
10) Numa conjuntura como a atual, que sinaliza claramente a
descontinuidade dos que estão no poder, especialmente o PT, que detém máquinas
importantes como a federal, estados como os de Minas Gerais e Bahia,
prefeituras expressivas Brasil afora, mudar as regras do jogo beneficiando quem
está no poder, é de um descaramento que só os de boa-fé, os desinformados, os
ingênuos ou os mal intencionados poderiam defender.