Mostrando postagens com marcador João Leite. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador João Leite. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Faroeste em Belo Horizonte (O rei do gatilho)


Se a campanha para eleger o prefeito da capital mineira fosse um filme, certamente não seria um folhetim meloso, nem uma tragédia. Estaria mais próximo de um pastelão narrado como faroeste, em nada, porém, similar àqueles filmes de bangue-bangue clássicos da filmografia americana. Sua genética estaria com os faroestes espaguetes italianos, pastelões mais próximos da comédia que dos dramas que marcaram aquele gênero. O estilo, indefectível, é o mesmo que o de Kid Morengueira.


Dick Vigarista



Começa o filme. No salão alguns dançam, outros bebem e aqueloutros jogam um carteado amigo. Misturam-se os diferentes tipos humanos. O zumbido aumenta alguns decibéis antes de tudo ficar naquele silêncio que antecipa graves decisões. A cafetina, acostumada aos tiroteios, puxa suas pupilas pelos braços rumo a um canto protegido do salão. O mocinho e o bandido caminham um em direção ao outro. Um bêbado pergunta a uma criança escondida debaixo de uma mesa quem é quem os que vão duelar. A criança, sempre ela, tal como no caso da roupa do rei, não quer perder nenhum movimento das próximas cenas. Responde rápido ao interlocutor: tá na cara. Um é o mocinho e o outro é o bandido. Dick vigarista se dá fácil a conhecer. A seu lado, Muttley, rindo sarcasticamente. O cão se aloja no topo da escada, para melhor apreciar o combate.  

Cuidado, Moreira! Bang, bang, bang....


Muttley Pimentel
  

Na fita real que se desenrola agora na capital mineira, bem frente aos nossos olhos, em flagrante imitação da arte pela vida, os contendores do cabaré de Belo Horizonte respondem pelos nomes de João Leite e Kalil. Prevalecerá o julgamento comprometido com a verdade feito pela criança? Quem é o mocinho e quem é o bandido, é a pergunta que não quer calar. Lombroso é a chave do enigma.



segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Para onde vão os votos dos petistas?

O PT e o petismo sempre tiveram ao menos uma terça parte do eleitorado de Belo Horizonte. É necessário fazer referência ao petismo (sem vínculo exclusivo com o PT) por uma simples razão. Em outras eleições o partido se revestiu do manto de outras siglas, como é o caso do PSB, mera linha auxiliar histórica do PT, que era reforçado, ainda, pela sopa de letrinhas de outros grupos partidários, como o PC do B, velho serviçal sempre disponível para o que desse e viesse, além de dissidentes fanáticos gerados no mesmo ventre perverso (PSOL, PSTU, Rede etc.).

As últimas pesquisas de opinião na capital mineira apontam que a chapa de candidatos a prefeito e vice - formada respectivamente por dois deputados federais do PT e do PC do B - mal alcança 5% das intenções de voto.  

Ora, onde estão os eleitores petistas que não se dariam a aparecer? Mergulhados em algum  limbo político? Ou estão se encaminhando para alguma candidatura de perfil gelatinoso e pronto para aceitar escolhas de variadas origens políticas e ideológicas, verdadeiro voto útil, capaz de, menos que vencer, infligir uma derrota aos principais e tradicionais adversários, os tucanos?

Kalil, sem dúvida, é o nome do "tapado" como dizem os mexicanos para o verdadeiro candidato oculto do centro de poder. Dentre os demais pretendentes que, talvez, até buscassem criar um cenário que lhes fosse mais favorável, o que parece não ter se configurado até o momento (a quinze dias da eleição), Kalil, o empreiteiro parvenu, corre por fora da raia verbalizando o popular discurso da anti-política, atraindo cada vez mais os votos ressentidos do petismo, agora desamparado de opções orgânicas. 

Assim como Collor fez com as elites políticas brasileiras em outro momento, Kalil se impôs ao governador Pimentel, que ao estilo de Pilatos, lavou as mãos, liberando seus adeptos para fazerem suas escolhas eleitorais. Fragilizado por sua participação nas escandalosas roubalheiras da companheirada, Pimentel sabe, no entanto, que um empreiteiro como prefeito de Belo Horizonte não será obstáculo a um entendimento e a acertos de natureza política e administrativa com o governo estadual. Para o governador, o importante agora é reduzir os danos, optar pelo mal menor. Pimentel circula bem, muito bem, aliás, no ambiente empresarial. Kalil seria um interlocutor bastante satisfatório, caso venha a vencer a disputa, credenciando-se para enfrentar no segundo turno o deputado João Leite, desta feita o real preferido de Aécio, coisa que não o fora nas eleições municipais de 2004. Mas esta é outra história. Os ventos mudam de direção e o secretamente rejeitado de ontem torna-se o desejado de hoje.  


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Campanha ao estilo petista

Os governistas de Belo Horizonte vêm se utilizando de antiga tática de difamação, muito praticada na campanha de 2004 para a prefeitura da capital mineira. Naquela época eram adversários o deputado tucano João Leite, e o então prefeito petista Fernando Pimentel, que disputava a reeleição (assumira o cargo com o afastamento do titular, de quem era vice). João Leite, famoso ex-goleiro do Atlético Mineiro, era conhecido pela urbanidade de trato, pela extrema religiosidade e pelos seus compromissos em defesa dos direitos humanos. Pimentel era o que é e sempre foi: um burocrata capaz, ou o "bom de serviço" capaz de tudo.

Pois bem, os petistas desenvolveram, com eficiência, a mais feroz campanha de destruição de imagem contra João Leite. Contaram para isso com a ajuda de jornalistas de aluguel e o emprego de sem número de mercenários. Explorando o sentimento popular quanto à insegurança pública, taxaram João Leite de candidato da criminalidade. A defesa histórica que o deputado fazia dos direitos humanos era distorcida de maneira vil. Desenvolveram um discurso sórdido de forma a identificar João Leite como um defensor dos bandidos. 

A tática, que estão a repetir contra Aécio, consistia em colocar duplas de mercenários - em geral composta de gente com aparência humilde - para dialogar em altos brados dentro dos ônibus que servem às periferias de Belo Horizonte. O tema central daquele distante 2004 era o suposto comprometimento de João Leite com a bandidagem. 

O assunto de hoje está centrado na figura de Aécio. Acusando o senador e ex-governador mineiro das maiores vilanias, buscam criar nas pessoas desinformadas um espírito de rejeição que favoreça dona Dilma. Numa disputa mano a mano, é fundamental ampliar a rejeição ao adversário. 

Fingindo estar apenas batendo um papinho ocioso, as duplas contratadas destilam suas canalhices e, terminado o recado, descem do ônibus e pegam outro no próximo ponto. Passam o dia inteiro nesse projeto sistemático de difamação. Os demais passageiros, em geral pouco atentos à verdade, só retém o fel da malícia. 

Se estão a fazer isso em Belo Horizonte, provavelmente estarão também em outras grandes cidades pelo Brasil afora.