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sexta-feira, 24 de julho de 2015

O único pacto possível é com a Lei (Reinaldo Azevedo,em 24/07/2015)


"Leio na Folha que também o Palácio do Planalto — deve ser a presidente Dilma Rousseff — estimula, a exemplo de Lula, a aproximação com a oposição. Deixem-me ver se entendi direito o modelo: o PT vence a eleição afirmando que o adversário pretende elevar juros, aumentar tarifas e provocar recessão. Uma vez vitorioso, eleva juros, aumenta tarifas e produz recessão. Certo. O PT vence a eleição transformando a oposição no Belzebu do atraso social e dizendo-se, ele próprio, a voz do povo. Uma vez vitorioso, vê-se obrigado a cortar benefícios com os quais comprou uma parte do eleitorado. Entendo. O PT vence a eleição sustentando que qualquer outro resultado que não o triunfo do partido implicaria uma marcha à ré na história. Uma vez vitorioso, acuado por suas próprias contradições, demonizado nas ruas, cobrado por suas promessas não cumpridas, eis que o partido descobre as virtudes de um “entendimento” com a.. oposição.

O ministro Edinho Silva, da Comunicação Social, diz que, “em todos os países democráticos, é natural que ex-presidentes conversem e, muitas vezes, que sejam chamados pelos presidentes em exercício”. E acrescenta: “Essa é uma prática comum nos Estados Unidos, por exemplo”. É verdade… No primeiro programa do segundo turno da campanha do ano passado, Dilma se referiu assim ao tucano Aécio Neves: “Ele representa um modelo que quebrou o país três vezes, que abafou todos os escândalos de corrupção, que provocou desemprego altíssimo, recessão, que esqueceu os mais pobres.”

É mesmo, Dilma? E está querendo conversar com “eles” por quê? Mais interessante ainda: os petistas decidiram agora distinguir os “bons tucanos” dos “maus tucanos” — e os “maus”, claro!, são aqueles que não querem bater um papinho em nome do entendimento. Na lista dos tucanos mauzinhos do PT está o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, o que é, claro!, uma distinção e tanto. Espero que o presidente do maior partido de oposição continue persona non grata aos petistas.

O Instituto Lula, que, num primeiro momento, negou que estivesse em curso uma tentativa de diálogo, resolveu mudar de posição por intermédio de seu presidente, Paulo Okamoto, que afirmou à Folha: “Minha opinião é que tanto o presidente Lula como o presidente Fernando Henrique são políticos importantes, com responsabilidades e capacidade de analisar o que o Brasil está enfrentando. Sempre fui a favor de que a gente converse com quem faz política.”

Ah, que bom que Okamoto pensa isso, não é? Na campanha eleitoral, a candidata à reeleição Dilma Rousseff afirmou o seguinte: “Está em jogo o salário mínimo. O candidato dele — ela se referia a Aécio — a ministro da Fazenda (estava falando de Armínio Fraga) acha alto demais e tem que reduzir. Nós não vamos permitir que o Brasil volte para trás”.

Por que Dilma iria querer um entendimento com gente tão má?

Jaques Wagner, ministro da Defesa e candidato de sempre à Casa Civil, reconhece que isso pode não ter sido muito elegante e diz: “Apesar da última campanha dura, não podemos deixar consolidar na alma brasileira, e na política brasileira, uma dicotomia que não se conversa. Essas posições, governo e oposição, a gente troca. O que não pode perder é o norte do país”.

Que bom! Segundo a candidata Dilma, como se evidencia acima, não tem essa de alterar oposição e governo. Ou o PT vence, ou se trata de retrocesso.

Acho que chega, não é mesmo? Essa conversa já foi longe demais. Se há tucanos querendo bater um papinho, o PT sempre será um lugar quentinho para abrigar o diálogo. Basta se bandear. Eu estou enganado ou a população elegeu o PSDB para liderar a oposição? Não! Eu não estou enganado. Sendo assim, que cada um honre o voto que recebeu.

Querer um diálogo com a oposição, como agora quer Dilma, com 7,7% de ótimo e bom, segundo a mais recente pesquisa, é um coisa. Os petistas deveriam ter se lembrado de dialogar quando a presidente tinha quase 70% de aprovação. Ah, a minha memória não falha: eles não queriam conversa. A ordem, então, era destruir até o PMDB, já que davam o PSDB por liquidado.

Vamos fazer um pacto, gente, em favor da governabilidade? Todos seguiremos as leis e a Constituição que contemplam, até, o impeachment. Que tal?"

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Dilma, a neoliberal

O chamado Consenso de Washington estabeleceu os parâmetros daquilo que seria conhecido depois como neoliberalismo. São quatro componentes:
1°) Ajuste fiscal macroeconômico;
2°) Privatização das estatais;
3°) Abertura para o exterior;
4°) Políticas sociais compensatórias.

Os governos pós 1995 (Fernando Henrique, Lula e Dilma), todos, seguiram parcial ou completamente as recomendações de tal ideário. Lula evitou a privatização o máximo possível. Sob o governo da madame impostora tentaram os petistas fugir dos itens primeiro e segundo.  

Agora, não dá mais. O ajuste fiscal é a peça fundamental onde se assentam os demais componentes. Será divertido acompanhar a retomada das críticas ao neoliberalismo. O uso de tal expressão, de natureza negativa para a turma do PT e PC do B, já começa a dar as caras, aqui e ali, ainda que timidamente. 

As oposições de verdade devem torcer para que o petismo seja o anti-Maquiavel: faça o mal bem devagarinho, ao estilo conhecido dos tucanos, aves vadias sempre em férias.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A vaca tossiu



Dona Dilma é, realmente, um fenômeno. Sem nunca ter lido Dante, segue-lhe inconscientemente os conselhos na maior tranquilidade ("muita promessa e pouco atendimento", recomendava Guido de Montefeltri ao papa Bonifácio VIII, em pérfido conselho). Prepara-se, agora, para lançar sobre os trabalhadores e homens comuns a conta da farra previdenciária. Com um sindicalismo desavergonhado e submisso, tornado parceiro dos grandes negócios com os empreiteiros e o capital financeiro, dificilmente haverá contestação às medidas recém adotadas pela madame. 

Se os tucanos não fossem tão parecidos com os petistas, seria a hora de fazer avançar a verdadeira reforma da previdência no Brasil. Por exemplo, propor a unificação dos diferentes regimes (geral, federal, estaduais e municipais). Acabar, definitivamente, com os privilégios, como as aposentadorias especiais, que garantem a parlamentares, magistrados, altos burocratas do executivo, judiciário e legislativo um modo de vida sem comparação com outros lugares do mundo. Jogadores de truco sabem qual a resposta ao desafio recebido: retrucam dando seis na cara dos blefadores.

Se a vaca tossiu, que ela acabe ficando louca. O Brasil talvez se salve com a metamorfose.  

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Lula e Dilma

Acuse os outros daquilo que você mesmo faz, eis a lição leninista cumprida com rigor por Lula e Dilma. Um vulgar cachaceiro chegado ao bestialismo se considera, agora, juiz do pensamento e da conduta alheios. A imagem abaixo mostra-o escornado após alguma farra.



Outra mais é quase que definitiva na sua expressividade, dispensando acréscimos à sua foto-biografia.



A última piada, de mau gosto, é evidente, foi Lula tachar os tucanos de nazistas durante comício em Pernambuco. Logo ele, que declarou em entrevista à Playboy que era admirador de Hitler. As obscenidades, pelo visto, estão mais presentes em sua língua que a própria saliva. Ninguém, por óbvio, se espantou minimamente com o vomitado. Dali só sai lixo. A outra, coitada, não passa de emanação tardia do stalinismo rombudo que aqui brotou e vicejou com gosto, desde o primeiro quartel do século XX. Ao que parece, também é chegada numa marafa, conforme se vê ao lado, saindo de farra promovida em Lisboa. Os olhos inchados carecem de explicação. O guarda costa parece ser o mesmo que atendia ao Inácio, certamente por experiência.


Enfiada em sua indumentária de campanha - quase sempre com ridículo paletozinho vermelho, daqueles de cagar em pé - quando não está emburrada, está com aquele sorriso paralisado, imóvel, talvez por excesso de botox. Se fosse possível um cruzamento entre ambos (vá lá a fantasia perversa), a cria resultante seria destinada, sem nenhuma dúvida, a algum circo de horrores, repleto de monstruosidades.      
Esse tipo de gente tem a capacidade de suscitar às suas vítimas, não só um horror espiritual e intelectual mas, também, um horror epidérmico e orgânico. 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A estética de Pimentel

A campanha de Fernando Pimentel - ex-ministro de dona Dilma - ao governo de Minas vai se atrelando, cada vez mais, à campanha de Aécio à presidência da república. Os tucanos têm um nó estratégico a desatar, ou cortar, ao estilo de Alexandre, o grande, em Górdio. Aécio tem baseado sua pretensão na crítica à nefasta continuidade dos governos petistas nos últimos doze anos. Pimentel faz o mesmo: questiona os últimos doze anos de hegemonia do PSDB na política mineira. Aécio e Pimentel batem na mesma tecla. As palavras de um podem ser substituídas perfeitamente pelas do outro. Pimenta da Veiga perde-se em platitudes - parece até que é dona Dilma falando - num discurso vazio frente à ofensividade de Pimentel. De fato, é uma situação esquizofrênica: apoiar a continuidade de Dilma e a mudança em Minas Gerais ou, ao contrário, apoiar a mudança no nível federal e a concomitante permanência do quadro regional. Tão estranha antinomia cria para, o eleitor comum, uma situação de perplexidade.

Pimenta da Veiga ainda não encontrou a manobra para sair do curé em que se encontra. Pimentel, sempre mais velhaco, constrói  um pano de fundo que o possibilite pegar uma carona na provável vitória de Aécio em Minas Gerais. Já lançou dona Dima ao mar, omitindo seu nome em peças publicitárias, situação confirmada, apesar de negada, pelo uso de uma estética de campanha que apela mais para o azul e amarelo que para o vermelho e branco tradicionais. O agressivo rubro do PT vai-se dissolvendo em tons do ouro e do azul peculiares dos tucanos. É algo insidioso, como o veneno que se administra gradativamente, através de um contrabando no imaginário popular. Pimentel vai, assim, parasitando o projeto nacional de Aécio, qual uma rêmora que se agarra junto às guelras do tubarão.