terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Advogado perfeito (O Antagonista)


A Época disse que um dos juristas convocados ontem à tarde para defender Dilma Rousseff do pedido de impeachment, Marthius Lobato, é amigo de Delúbio Soares e de José Dirceu.
A revista disse também que ele advogou para o mensaleiro Henrique Pizzolato.
Dilma Rousseff não poderia ter escolhido um advogado melhor do que ele.

Dilma voltará a pegar em armas? (Reinaldo Azevedo)


"De todos os argumentos vigaristas para combater o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o mais estúpido é o que sustenta que sua situação é muito diferente da de Fernando Collor porque este, afinal, não tinha partido, não tinha base social e não tinha incluído milhões de pessoas na economia.

Aliás, aí está a essência do que defini como “petralhismo”, que é prática dos petralhas: apelar ao social para justificar ações criminosas. Consegue ser um lixo moral superior à defesa do roubo puro e simples. Por quê?

O ladrão que não procura se justificar tem ao menos o bom gosto de não corromper o bem, não é mesmo? Esses outros não: arrastam qualquer ideia de virtude em sua pantomima criminosa. Se os operadores dessa máquina maligna são detestáveis, seus arautos na imprensa, no mundo do direito e na academia constituem a mais nefasta canalha.

Os ladrões que se assumem como aquilo que efetivamente são não degradam as instituições, não inviabilizam países, não condenam gerações ao atraso, à penúria e à melancolia. Esses outros, por óbvio, sim.

Pensem: quanto tempo vai demorar para que o estado brasileiro se alimpe dessa súcia que infelicita o Brasil, que impede a devida aplicação de políticas públicas, que se impõe para defender e proteger os interesses de seu grupo, de sua camarilha, contra as necessidades do conjunto da população?.

Se querem uma evidência do que essa gente é capaz, olhem para a nossa educação, olhem para a saúde. Tomem como exemplo o surto de microcefalia no país. Há quantos anos o governo central namora com o mosquito, que antes era só da dengue, depois passou a ser também da chikungunya e agora é do zika vírus? O que mata os brasileiros não é um destino, mas suas escolhas.

E, como resta claro, nem uma sombra de bom senso ameaça a incompetência arrogante do governo. Nesta segunda, o ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) concedeu até uma entrevista razoável à Folha. Mas a ponderação durou pouco.

Ontem, Dilma compareceu à abertura da Conferência Nacional de Assistência Social — essas conferências, desde sempre, de qualquer área, são conduzidas por franjas do petismo. Foi recebida aos gritos de “não vai ter golpe”. A presidente não se fez de rogada. Afirmou: “Ao longo da história, os golpes não constroem harmonia, a unidade, nem constroem a pacificação necessária para os países avançarem. Pelo contrário: geralmente o que os golpes constroem é o caos, que deixam feridas e marcas profundas”.

Dilma sabe que não há golpe nenhum. Ao fazer essa acusação, deslegitima o próprio Parlamento que vai tomar a decisão sobre o seu caso. Ela está a dizer que só aceita um resultado. Mas um Poder Legislativo que só pudesse votar de uma maneira seria livre?

E não pensem que Dilma negou as pedaladas, não. Ela as admitiu nestes termos: “Nós escolhemos um caminho, uma política, e podem ter certeza de que essa escolha, mais cedo ou mais tarde, sempre é cobrada. Uma parte do que me acusam é de ter pago o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. Uma parte do que me acusam é por isso. Paguei, sim. Mas nós pagamos com dinheiro do povo brasileiro. Não foi empréstimo que pagou o Minha Casa Minha Vida, foi o dinheiro legítimo dos tributos pagos pelo povo desse país”.

Aí está, para aqueles ditos juristas do nariz marrom que lhe foram puxar o saco no Palácio do Planalto, a confissão do crime. Atenção! Dos R$ 40 bilhões das pedaladas dadas só em 2014, R$ 19,6 bilhões foram do BNDES, que nada têm a ver com os programas sociais a que se referiu na governanta. Dilma está admitindo o crime, sim. Deixa claro que o cometeu de forma consciente. E conta uma mentira sobre a destinação do dinheiro.

É evidente que, se Dilma acha que está diante de uma ação golpista, então ela não reconhece as instâncias que vão avaliar o processo contra ela e, eventualmente, julgá-la. Se é assim, como é que aceita se submeter, então, a um julgamento que pode contemplar um golpe?

Se é como diz a presidente, o melhor que ela tem a fazer é voltar às suas origens, aderir a um grupo clandestino e partir para a resistência armada. Mas que o faça já, não é? Não pode esperar a votação da Câmara e, eventualmente, o julgamento do Senado.

Ou será que a presidente deixou a luta armada para mais tarde, para a hipótese de o Congresso fazer a coisa certa e, diante da confissão do crime e a evidência de que ela o cometeu de modo claro, consciente e determinado, condená-la por isso?"



Temer sai das sombras... (Noblat)



"No dia 25 de agosto de 1954, ameaçado de ser deposto pelos militares, o presidente Getúlio Vargas trancou-se no seu quarto do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, apontou o revólver para o coração e atirou. Saiu da vida para entrar na História.
No dia 7 de dezembro de 2015, farto de desempenhar o papel de figura decorativa da República, o vice-presidente Michel Temer sacou de uma caneta, em São Paulo, e atirou no coração... da presidente Dilma. Saiu das sombras para entrar na História.
Resta saber se será protagonista de um capítulo ou de uma simples nota de rodapé.
Onde ficou o Temer austero, de gestos contidos, de palavras amenas, mais um jurista impoluto como sempre quis ser visto do que um político que parecia destinado a jamais atingir o cume do poder?
Na carta que remeteu a Dilma, não perdeu a elegância. Perdeu a aparente timidez que o impediu ao longo da vida de romper os limites da prudência. Aproveitou o embalo e rompeu com a presidente.
O que ele escreveu foi mais do que um desabafo. Temer acusou Dilma de não trata-lo com consideração, de desprezá-lo com frequência, de humilhá-lo vez por outra, e de não confiar nele nem no seu partido, o PMDB.
Na política não existe “sempre” nem “jamais”. Temer e Dilma, um dia, ainda poderão se reconciliar. Mas não parece provável que isso ocorra, seja pelo temperamento dela, seja pela condição assumida por Temer desde que enviou a carta.
Quer negue ou não, para surpresa de políticos que nunca o julgaram capaz de tamanha ousadia, Temer é desde ontem aspirante declarado à vaga de Dilma, caso ela acabe derrubada por meio do impeachment.
Nada que Dilma não soubesse. Mas isso era tudo o que ela tentava evitar com a sua falta de jeito, seus modos grosseiros, sua arrogância habitual, e a dificuldade de compreender e saber lidar com seus semelhantes.  
Pela natureza do PMDB, não se espere que a banda governista do partido troque Dilma por Temer, devolvendo os cargos que ocupa. Até poderá proceder assim desde que se convença que o impeachment dará certo.
O que importa, por ora, é que Temer, com seu gesto, mostrou que quer ser levado a sério como uma perspectiva real de poder."

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Alea jacta est



Com a carta enviada a Dilma, Michel Temer repete o gesto de Júlio Cesar: atravessou o Rubicão. Foi dado o primeiro passo em direção à presidência da República. Saiu de uma posição defensiva e partiu para o ataque. Atingiu com sua carta o ponto nevrálgico de dona Dilma e seu entorno: a credibilidade. Não é possível manter o papel de representante político atuando somente nas sombras. Michel Temer praticamente acuou a madame dando-lhe um xeque devastador. Ainda não é o xeque-mate; este será dado pelo Parlamento. Agora é só uma questão de tempo. Temer não é mais uma peça decorativa. Temer é a clara expectativa de poder que conduz o processo de aglutinação política em torno de si e de um novo projeto. 

Dona Dilma não tem como responder às duras considerações do ainda vice-presidente. Michel Temer taxou-a de mentirosa, dissimulada, hipócrita, oportunista e incompetente. Aliás, haveria melhor conjunto de adjetivos que descrevessem à perfeição a estúpida figura presidencial?

O Brasil vai ficar melhor sem Dilma e seus penduricalhos. Nariz marrom, lambe-cu ou puxa-saco, é o mínimo que se pode dizer da famulagem desprezível que cerca o trono da soberana, pastiche da rainha de copas da história de Alice. Em breve o povo brasileiro não será mais obrigado a ouvir a deplorável linguagem de estiva que a madame e seu antecessor instalaram na cúpula política da Nação. Não se verão mais episódios deprimentes, como aquele em que um bando de áulicos trombeteava em impenetrável dialeto jurídico justificativas para as trapalhadas e trapaças da presidente atual. 

Francamente. Querer se contrapor, com argumentos, desculpas esfarrapadas na verdade, de mercenários do Direito às lúcidas e justas considerações produzidas por Hélio Bicudo e Miguel Reale, reflete bem as opções que o petismo sempre adotou. Sempre gostaram do lixo histórico, social, político e acadêmico. Gente desse jaez é a mesma que patrocina, em Universidades públicas, bebedeiras de alunos e seminários sobre a nobre arte da masturbação.

Parafraseando famosa manchete jornalística nos estertores do governo Jango, quando ninguém aguentava mais os desmandos, os desatinos e a irresponsabilidade vigentes: Basta!

UM JANTAR EM HAVANA (Cesar Maia)

UM JANTAR EM HAVANA EM DEZEMBRO DE 2004!
         
1. Em dezembro de 2004, o prefeito do Rio, Cesar Maia, foi convidado para os eventos em torno dos 490 anos de Havana, fundada em 1514. O prefeito do Rio teve oportunidade de conversar com o vice-presidente da república, com o responsável do comitê central para a América Latina e com o coordenador da revitalização do centro histórico, também membro do comitê central.
         
2. O tema que mais preocupava o secretário para a América Latina era a política econômica do governo Lula, classificada por ele como neoliberal e inadmissível. No jantar com o comandante José Ramon Fernandes, Vice-Presidente, e o Embaixador do Brasil, Tilden Santiago, o tema foi a reunião em 2002 que Cuba realizou de análise da crise dos mísseis de 1962, 40 anos depois, dirigida por FIdel Castro e coordenada por duas universidades norte-americanas, com a presença dos personagens da crise, como McNamara. O prefeito Cesar Maia pediu e conseguiu um vídeo completo dessa reunião.
        
3. Dois dias depois, o Embaixador Tilden Santiago e sua esposa convidaram para jantar o prefeito Cesar Maia, seu secretário de governo, o vice-prefeito de São Paulo à época, Dr. Helio Bicudo, e um jovem secretário de relações internacionais da prefeitura de S. Paulo.
       
4. O Embaixador falou da pesquisa que estava fazendo sobre a participação de um padre na guerrilha de Sierra Maestra. O Embaixador, nos anos 60/70, quando padre, fez parte do movimento dos Padres Operários e serviu no Oriente Médio.
       
5. Naturalmente, a conversa passou à situação do Brasil e a política econômica do governo Lula e as críticas da esquerda sobre o seu caráter neoliberal. O prefeito Cesar Maia falou sobre a inevitabilidade daquelas medidas de continuidade do governo FHC, produto da crise anterior.
       
6. Foram interrompidos pelo Dr. Hélio Bicudo, que disse a todos que o problema do governo Lula e do PT não era a economia, mas a CORRUPÇÃO que se ampliava e generalizava.
       
7. O prefeito do Rio, constrangido, pediu licença para se retirar, pois era uma conversa pessoal entre Dr. Hélio Bicudo e o Embaixador Tilden Santiago. O Dr. Hélio Bicudo pediu que o prefeito permanecesse, pois não era segredo e o assunto era muito grave. E falou dos problemas em nível federal e municipal e o choque que teve da forma que se financiou a campanha eleitoral de 2004 em S. Paulo.

8. E esse foi o tema que acompanhou o jantar até o final, com cordialidade e sem estresse. Para surpresa do prefeito.

Reunião no Planalto: Dilma e sua assessoria jurídica


A turma é só alegria

Reforma política: os primeiros passos


A reforma política exige uma providência inicial: decapitar Dilma. Não precisa, é claro, ser ao estilo do Estado Islâmico. No caso brasileiro, onde o Estado é "Lâmico", limpar a pocilga do Planalto já estará de bom tamanho. Será o primeiro passo para que Michel Temer inicie o penoso processo de recondução do Brasil por trilhas mais seguras. 

Afastada a nefasta madame, seus seguidores, por naturalmente inconformados, podem ampará-la. Por exemplo, nomeando-a para algum alto cargo dos governos estaduais que eles ainda controlam. Os mineiros ganhariam, por exigência histórica, a prioridade. Se a dobradinha Dilma/Pimentel destruiu a indústria brasileira, talvez eles possam resgatar a situação mineira daqui para frente, com Dilma nomeada Secretária do Desenvolvimento de Minas Gerais. Quem sabe, até, como suporte para eventual candidatura da madame ao Senado federal? Os gaúchos terão que se conformar, e lamentar, não poderem gozar com tamanha felicidade. Afinal, Belo Horizonte é o berço que embalou a funesta criatura. Quem pariu Mateus que o embale. Minas Gerais, sem qualquer dúvida tirará enormes proveitos da dobradinha do além. 

O feliz estado das Alterosas poderá, ainda, ganhar a colaboração de outras sumidades da cúpula dilmista quando a abominável criatura for defenestrada junto com seus mirmídones. Para evitar o risco de cometer injustiças, melhor não identificar nominalmente esse extraordinário conjunto de varões e viragos da República. 

Apesar de ser considerado ministério da xepa - nunca dantes se viu igual na história do país - reajuntá-lo sob a liderança de Pimentel será oportunidade pedagógica para os demais membros da federação. A lição é simples e direta: eis o que acontece quando os eleitores escolhem Barrabás em vez do Divino Mestre. 

Cassar o mandato de dona Dilma tem o efeito adicional, não desprezível, de afastar os parasitas, milhares deles, verdadeira legião, das boquinhas de onde sugam a energia da Nação.    

Outra medida profilática seria transferir a Capital da República para São Paulo ou, então, voltar com ela para o Rio de Janeiro. Certamente é impraticável, mas seria engraçada a hipótese de envolver Brasília com cerca eletrificada para impedir que alguém possa de lá fugir. Entrar, pode. Não pode é sair. O Brasil, inegavelmente, respiraria ares mais puros. Para que a Sodoma brasiliense não fique desprovida de alguma função, ela pode ser transformada num Museu aberto da Corrupção, esta sim, a obra cultural que falta para coroar o destino infame da filha bastarda de Juscelino.