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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Dilma voltará a pegar em armas? (Reinaldo Azevedo)


"De todos os argumentos vigaristas para combater o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o mais estúpido é o que sustenta que sua situação é muito diferente da de Fernando Collor porque este, afinal, não tinha partido, não tinha base social e não tinha incluído milhões de pessoas na economia.

Aliás, aí está a essência do que defini como “petralhismo”, que é prática dos petralhas: apelar ao social para justificar ações criminosas. Consegue ser um lixo moral superior à defesa do roubo puro e simples. Por quê?

O ladrão que não procura se justificar tem ao menos o bom gosto de não corromper o bem, não é mesmo? Esses outros não: arrastam qualquer ideia de virtude em sua pantomima criminosa. Se os operadores dessa máquina maligna são detestáveis, seus arautos na imprensa, no mundo do direito e na academia constituem a mais nefasta canalha.

Os ladrões que se assumem como aquilo que efetivamente são não degradam as instituições, não inviabilizam países, não condenam gerações ao atraso, à penúria e à melancolia. Esses outros, por óbvio, sim.

Pensem: quanto tempo vai demorar para que o estado brasileiro se alimpe dessa súcia que infelicita o Brasil, que impede a devida aplicação de políticas públicas, que se impõe para defender e proteger os interesses de seu grupo, de sua camarilha, contra as necessidades do conjunto da população?.

Se querem uma evidência do que essa gente é capaz, olhem para a nossa educação, olhem para a saúde. Tomem como exemplo o surto de microcefalia no país. Há quantos anos o governo central namora com o mosquito, que antes era só da dengue, depois passou a ser também da chikungunya e agora é do zika vírus? O que mata os brasileiros não é um destino, mas suas escolhas.

E, como resta claro, nem uma sombra de bom senso ameaça a incompetência arrogante do governo. Nesta segunda, o ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) concedeu até uma entrevista razoável à Folha. Mas a ponderação durou pouco.

Ontem, Dilma compareceu à abertura da Conferência Nacional de Assistência Social — essas conferências, desde sempre, de qualquer área, são conduzidas por franjas do petismo. Foi recebida aos gritos de “não vai ter golpe”. A presidente não se fez de rogada. Afirmou: “Ao longo da história, os golpes não constroem harmonia, a unidade, nem constroem a pacificação necessária para os países avançarem. Pelo contrário: geralmente o que os golpes constroem é o caos, que deixam feridas e marcas profundas”.

Dilma sabe que não há golpe nenhum. Ao fazer essa acusação, deslegitima o próprio Parlamento que vai tomar a decisão sobre o seu caso. Ela está a dizer que só aceita um resultado. Mas um Poder Legislativo que só pudesse votar de uma maneira seria livre?

E não pensem que Dilma negou as pedaladas, não. Ela as admitiu nestes termos: “Nós escolhemos um caminho, uma política, e podem ter certeza de que essa escolha, mais cedo ou mais tarde, sempre é cobrada. Uma parte do que me acusam é de ter pago o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. Uma parte do que me acusam é por isso. Paguei, sim. Mas nós pagamos com dinheiro do povo brasileiro. Não foi empréstimo que pagou o Minha Casa Minha Vida, foi o dinheiro legítimo dos tributos pagos pelo povo desse país”.

Aí está, para aqueles ditos juristas do nariz marrom que lhe foram puxar o saco no Palácio do Planalto, a confissão do crime. Atenção! Dos R$ 40 bilhões das pedaladas dadas só em 2014, R$ 19,6 bilhões foram do BNDES, que nada têm a ver com os programas sociais a que se referiu na governanta. Dilma está admitindo o crime, sim. Deixa claro que o cometeu de forma consciente. E conta uma mentira sobre a destinação do dinheiro.

É evidente que, se Dilma acha que está diante de uma ação golpista, então ela não reconhece as instâncias que vão avaliar o processo contra ela e, eventualmente, julgá-la. Se é assim, como é que aceita se submeter, então, a um julgamento que pode contemplar um golpe?

Se é como diz a presidente, o melhor que ela tem a fazer é voltar às suas origens, aderir a um grupo clandestino e partir para a resistência armada. Mas que o faça já, não é? Não pode esperar a votação da Câmara e, eventualmente, o julgamento do Senado.

Ou será que a presidente deixou a luta armada para mais tarde, para a hipótese de o Congresso fazer a coisa certa e, diante da confissão do crime e a evidência de que ela o cometeu de modo claro, consciente e determinado, condená-la por isso?"



terça-feira, 14 de outubro de 2014

Os que tomam a espada, morrerão à espada

Na narrativa bíblica há um momento em que Jesus é preso pelos sequazes de Caifás. Reagindo em defesa do Divino Mestre, Simão Pedro toma da espada e ataca Malcos (serviçal do templo), decepando-lhe a orelha. Giovani Papini relata o episódio em seu delicioso "As testemunhas da Paixão", livro ainda hoje constante do Index vaticano de obras proibidas por evidente heresia. Papini, com enorme graça, investiga o destino de personagens secundárias do drama bíblico, como Malcos, Simão Cirineu e o próprio Pilatos.

Voltando ao episódio da prisão do filho de Deus, Ele, imediatamente, repele o ato de Pedro, admoestando-o: 

 "Embainha a tua espada; pois todos os que tomam a  espada, morrerão à espada." (Mateus 26:52).

Esse notável episódio aflora novamente à memória, trazido pela queixa do ministro Gilberto Carvalho a respeito do sentimento de repulsa, cada vez mais intenso, que a população brasileira vem devotando ao PT e seus candidatos nas presentes eleições. O ministro reclama do visível ódio aos petralhas (sic), identificados pelo povo brasileiro com a ladroagem e a corrupção (o que é difícil de contestar, dados os fatos notórios). 

Ora, qual seria, então, o desejo do ministro? O que ele esperaria encontrar após anos e anos de práticas deletérias já amplamente demonstradas pelo petralhas (corroboradas a cada dia, sempre, com mais uma novidade escabrosa), tendo produzido, até, inafastável condenação da cúpula petista pela STF?

O PT sempre viveu pela espada. Sua concepção política de natureza totalitária nunca lhes permitiu avaliar, com equilíbrio e respeito pelos adversários, as eventuais disputas democráticas numa ordem constitucional pautada pela divisão dos poderes e pelo respeito aos direitos humanos. Sua semeadura sempre esteve impregnada de ódio. Quem os conhece desde o princípio (ou não o podendo fazer diretamente por questão de idade, conhecê-los pelo estudo), encontrarão toneladas de provas a demonstrar o caráter odiento de suas pregações. Rancorosos e invejosos, contaminam qualquer debate político civilizado que se queira travar.

Quem viveu pela espada, morrerá pela espada, eis uma verdade milenar. Os petistas só estão a colher o resultado daquilo que plantaram a vida toda. Pelo menos uma lição positiva eles irão deixar, confirmando a proposição de Strindberg: para amar o bem é necessário que se odeie o mal. O Partido dos Trabalhadores, assim como o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, representam, ambos, o mal. Seus adversários encontrarão no espelho, e com sinal invertido, o modelo que deverá ser seguido para, futuramente, dirigir a nação brasileira sem os malefícios agora observados.