quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O amigão esquisito do PC do B

Fala, santa...
















O ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, ordenou o fuzilamento de vice-primeiro-ministro, Choe Yong-on, segundo informou nesta quarta-feira a agência sul-coreana de notícias Yonhap. A informação ainda não foi confirmada pelo serviço de inteligência da Coreia do Sul, mas a agência cita fontes anônimas do governo de Seul. A nova execução ordenada pelo ditador norte-coreano seria mais um indício de que Kim estaria enfrentando resistências no núcleo duro do regime norte-coreano e estaria tentando se impor pela força.

Segundo a fonte anônima, Choe foi executado em maio após mostrar sua inconformidade com relação à política florestal do ditador norte-coreano. O vice-premiê tinha de 63 anos e também era um ex-representante para a cooperação Norte-Sul.


Neste ano, o Serviço Nacional de Inteligência (NIS) sul-coreano garantiu que Kim reforçou seu domínio com uma brutal política de expurgos que inclui a execução recente de cerca de 70 membros de alta categoria do partido único que governa o país e do Exército Popular. Entre estas execuções estaria a do ex-ministro de Defesa, Hyun Yong-chol, que segundo membros do NIS morreu com fogo de artilharia.

No final de 2013, Kim Jong-un ordenou a execução de seu tio, Jang Song-thaek (casado com sua tia, Kim Kyong-hui), por "traição". Jang chegou a ser considerado como a segunda figura mais poderosa do regime e neste caso a Coreia do Norte tornou pública sua execução, algo muito pouco habitual. Kim Jong-un chegou ao poder depois que seu pai, Kim Jong-il, faleceu em dezembro de 2011 e se transformou assim no terceiro membro da saga iniciada por Kim Il-Sung (1912-1994), fundador da Coreia do Norte e considerado hoje em dia "presidente eterno" do país, conhecido pelo culto exacerbado com seus líderes.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

O patético PC do B


A tigrada do PC do B acha, com alguma razão, que o Brasil é feito de babacas e desmemoriados. Resolveram (não é piada), organizar atos pela "legalidade e pela democracia", a fim de defender o moribundo governo Dilma, do qual são comensais e fiadores, aliás, mais caninamente fiéis que os próprios petistas. E que defesa da "legalidade e da democracia" é essa? 

O PC do B, sempre é bom relembrar, é o mesmo que tem a inaudita coragem de defender algumas das mais torpes ditaduras do mundo. A Coréia do Norte é seu ícone e seu modelo de sociedade. Quem se der ao trabalho de fazer uma rápida pesquisa pela internet verá que, até canibalismo vem sendo praticado naquelas terras bárbaras, governada por uma dinastia de malucos há quase setenta anos. 

O PC do B, evidentemente não poderia se comportar de outra maneira. Ele traz no seu DNA a comprovação de sua natureza. Na famigerada guerrilha do Araguaia, ali no início dos anos 70 do século passado, sob o comando de gente como José Genoíno (só podia ser), levaram para encontro com a morte um punhado de jovens absolutamente despreparados para sobreviver na selva e, ainda mais, sem adequada logística para sustentar operações militares guerrilheiras como pretendiam. O vício da representação presumida, do qual se achavam imbuídos, levou-os a uma aventura catastrófica, cujo preço é amplamente conhecido nos dias de hoje.

Os resultados concretos do projeto não poderiam ser diferentes dos obtidos, quando a tropa mambembe enfrentou a dura e profissional repressão do regime militar. Salvaram-se, escafedendo-se, como sempre acontece, alguns dos que comandavam o tropical exército brancaleônico dos comunistas do Brasil, deixando os demais incautos entregues à própria sorte. 

Não vale nem a pena qualquer referência adicional à estreiteza mental dos quadros partidários do PC do B, que pode ser avaliada pela compra - com cartão de crédito corporativo - de uma tapioca e um caldo de cana numa feira em Brasília, por parte de Orlando Silva, então ministro dos esportes. A despesa, certamente, não passaria de cinco reais. Qualquer pessoa traz no bolso quantia superior a esta. Mas o hábito, este tirano, como dizia Montaigne, levou Sua Excelência a sacar do bolso o cartão e exibi-lo triunfante a um bando de deslumbrados com a glória efêmera do poder.

Essa gente, agora, diz que quer defender a "legalidade e a democracia", metáfora para a manutenção na presidência de outra pacóvia, Dilma Rousseff, que se sair do PT é digna de adentrar nas fileiras repletas de corações valentes homiziados no velho partido de Stálin.   

O escândalo é único (José Nêumanne)



"Que WikiLeaks, que Swissleaks, que cartéis mexicano e colombiano de drogas, que Fifagate, que nada! O escândalo top do mundo hoje é outro. Nada se lhe compara em grandeza aritmética, ousadia delituosa ou desrespeito a valores éticos. E é coisa nossa! Embora nada tenhamos a nos orgulhar de que o seja. Ao contrário!

Após se ter oposto ferozmente à escolha de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral para dar início à Nova República; à posse e ao governo de José Sarney, a Fernando Collor, que ajudou a derrubar; ao sucessor constitucional deste, Itamar Franco, de cuja ascensão participou; e a Fernando Henrique Cardoso, o Partido dos Trabalhadores (PT) chegou ao governo federal com seu maior líder, Luiz Inácio Lula da Silva, e se lambuzou no pote de mel do poder sem medo de ser feliz.

O primeiro objetivo caiu-lhe no colo como a maçã desabou sobre a cabeça de Newton. Era de uma obviedade acaciana. Sob crítica feroz da oposição, que o PT comandava, os tucanos privatizaram a Telebrás e, devidamente desossado, o filé apetitoso das operadoras de telefones foi devorado na nova administração. Sob as bênçãos e os olhos cúpidos do padim Lula, a telefonia digital foi entregue a consórcios nos quais se associaram algumas operadoras internacionais, com a experiência exigida no ramo, burgueses amigos e fundos de pensão, cujos cofres já vinham sendo arrombados pelos mandachuvas das centrais sindicais. Nunca antes na história deste país houve chance tão boa para mergulhar na banheira de moedas do Tio Patinhas.

Só que o negócio era bom demais para ser administrado em paz. Logo os concessionários se engalfinharam em disputas acionárias, que mobilizaram a Polícia Federal (PF), a Justiça nacional, os órgãos de garantia de combate a monopólios e até instrumentos de arbitragem internacional. No fragor da guerra das teles, os primeiros sinais de maracutaia dividiram as grandes rotas com os aviões de carreira. Sabia-se que naquele pirão tinha caroço. Mas quem ficou com a parte do leão?

Impossível saber, pois este contencioso está enterrado sob sete palmos de terra. Desde o Estado Novo, os sindicatos operários ou patronais administram sem controle externo caixas que têm engordado ao longo do tempo com a cobrança da Contribuição Sindical, que arrecada um dia de trabalho de todo trabalhador formal no Brasil, seja ou não sindicalizado. Sob a égide de Lula, as centrais sindicais foram incluídas na divisão desse bolo gordo e açucarado. E o sistema financeiro, acusado de ser a sanguessuga do suor do trabalhador, incorporou a esse cabedal os fundos de pensão. Sob controle de dirigentes sindicais, estes ocultam uma caixa-preta que ninguém tem poder nem coragem para abrir.

Só que o noticiário sobre tais episódios foi soterrado pela avalanche de denúncias provocada pelas revelações da Ação Penal (AP) 470, já julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e conhecida popularmente pela denominação que lhe foi dada pelo delator, Roberto Jefferson – o mensalão. Agora, após seu julgamento ter sido concluído e com os réus condenados, este é visto quase como lana-caprina desde a eclosão de outro mais espetacular: a roubalheira do propinoduto da Petrobras devassada pela Operação Lava Jato. Mas a cada dia fica mais claro que os dois casos se conectam e se explicam.

A importância de elucidar um crime ao investigar outro foi comprovada quando, na Operação Lava Jato, a PF encontrou nos papéis de Meire Poza, contadora do delator premiado Alberto Youssef, a prova de que o operador do mensalão, Marcos Valério, deu R$ 6 milhões ao empresário Ronan Maria Pinto, como tinha contado em depoimento referente à AP 470. Segundo Valério, essa quantia evitaria chantagem de Ronan, que ameaçava contar o que Lula e José Dirceu tinham que ver com o sequestro e a morte de Celso Daniel, que era responsável pelo programa de governo na campanha de 2002.

Mas nem essa evidência da conexão Santo André-mensalão-petrolão convence o PSDB a dobrar a oposição do relator da CPI da Petrobras, Luiz Sérgio (PT-RJ), e levar Ronan a depor, como tem insistido a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP). É que os tucanos articulam uma aliança com o atual dono do Diário do Grande ABC para enfrentar o petista Carlos Alberto Grana na eleição municipal de Santo André. E este corpo mole pode dificultar o esclarecimento da verdade toda.

A Lava Jato já produziu fatos antes inimagináveis, como acusações contra os maiores empreiteiros do País e até a prisão de vários deles. É o caso de Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, que presidia o Conselho de Administração da Oi na guerra das teles. Isso revela mais um investigado em mais de um escândalo. Como Pedro Corrêa e José Dirceu, acusados de receber propina da Petrobras quando cumpriam pena pelo mensalão.

A Consuelo Dieguez, em reportagem da revista Piauí, publicada em setembro de 2012, Haroldo Lima, que tinha sido demitido por Dilma da presidência da Agência Nacional de Petróleo, disse que, no Conselho de Administração da Petrobras, ele, a presidente e o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli só votavam como o chefe mandava. E agora Lula é investigado por eventual lobby para a Odebrecht no exterior em obras financiadas pelo BNDES, a ser devassado em breve numa CPI na Câmara.

E a Lava Jato chegou à eletricidade. Walter Cardeal, diretor da Eletrobrás que acompanha Dilma desde o Rio Grande do Sul, foi citado na delação de Ricardo Pessoa, tido como chefe do cartel do petrolão, acusado de ter negociado doação de R$ 6,5 milhões à campanha da reeleição dela. Othon Silva, presidente licenciado da Eletronuclear, foi preso ontem, sob suspeita de ter recebido propina.

Teles, fundos de pensão, Santo André, mensalão, BNDES, eletrolão e petrolão não são casos isolados. Eles compõem um escândalo só, investigado em Portugal, Suíça e EUA: é este Brasil de Lula e Dilma".

Crise é para os fracos (Carlos Brickmann)

1) Crise é para os fracos

Inflação em alta, PIB em baixa, desemprego em alta, popularidade da presidente em baixa, som das panelas em alta, vozes do governo em baixa ─ vozes que não se manifestaram nem para defender o companheiro de partido que sempre adularam, neste momento em que é recolhido à prisão. A coisa está tão séria que Aloizio Mercadante, em geral coerente em sua arrogância, comportou-se com modéstia no Congresso, dizendo que o PSDB age de modo elegante, e admitiu até que o Plano Real conteve a inflação ─ justo ele, que liderou a oposição do PT ao Real e garantiu que aquilo não ia dar certo. Tão grave que Michel Temer, sempre cauteloso, disse que alguém tem de unir de novo o país ─ alguém cujo nome, claro, comece com M, de Michel Miguel Elias Temer Lulia. Mas a crise não é o maior problema de Dilma. O maior problema é que ela deixou de ter importância política. Convocou 80 parlamentares para um churrasco noturno ─ algo inusitado no horário ─ e lhes fez uma série de exortações. Dali os parlamentares saíram direto para um jantar normal, com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, para rir dos pedidos de Dilma e combinar as próximas derrotas que lhe imporiam. Combinaram e executaram: multiplicaram o salário de várias carreiras jurídicas, com 95,3% dos votos (até de petistas), arrombando o ajuste fiscal. No dia seguinte abriram caminho para examinar as contas de Dilma. Se as rejeitarem, fica a seu critério colocar o impeachment em votação.
O problema de Dilma não é a crise. É não ser mais levada a sério.


2) Como é o nome deles?

Michel Miguel Elias Temer Lulia faz anos em 23 de setembro. É casado com Marcela Tedeschi Araújo Temer, nascida em 16 de maio. 

É bom ir decorando.


3) Fuscão vermelho

Numa estranha reportagem, sob o título Intelectuais ligados ao PT criticam prisão, aparecem apenas cinco personalidades em todo o país que defendem José Dirceu: os atores José de Abreu e Paulo Betti, os escritores Luiz Fernando Veríssimo e Fernando Morais e o produtor cinematográfico Luiz Carlos Barreto. O editor e escritor Luiz Fernando Emediato associou-se depois ao grupo. Nada de Chico Buarque, Marilena Chauí, Antônio Cândido, Frei Betto, Leonardo Boff e outros intelectuais sempre ligados a José Dirceu.


Deixaram-no só.


4) Dez anos depois

Diziam os antigos que os poetas eram adivinhos; a palavra “vate”, poeta, gerou “vaticínio”, adivinhação. Pois não é que os antigos tinham razão? No Carnaval de 2004, o Bloco do Pacotão, formado por jornalistas de Brasília, cantou a marchinha Ô, Waldomiro!, sobre o vídeo em que Waldomiro Diniz, auxiliar próximo de José Dirceu, negociava propina com o bicheiro Carlinhos Cachoeira (
https://youtu.be/dmHAPk8RI6Y). 

Dizia a letra: Ô Waldomiro, ô Waldomiro, me responda, por favor/ Se neste rolo, o bicho pega, nosso Lulinha Paz e Amor. /Ô Waldomiro, ô Waldomiro, me diga o bicho que deu/ Se o Zé Dirceu, se o Zé Dirceu, se o Zé Dirceu também comeu. /Ô Zé Dirceu, que bicho deu? Ô Zé Dirceu, eu quero o meu./ Ô Waldomiro, Ô Waldomiro, me diga o bicho que deu/ Se quem comeu, foi só o Magela, ou Zé Dirceu também comeu. 

Magela era político do PT de Brasília. O presidente da República na época era Lulinha Paz e Amor.


5) Passa, passa, Pasadena

E, por falar em passado, já acabaram as investigações sobre a compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos? Em 2005, uma empresa belga, a Astra Oil, comprou a Refinaria de Pasadena, no Texas, por US$ 42,5 milhões. Um ano depois, em 2006, a Petrobras pagou à Astra Oil US$ 360 milhões por metade da refinaria (mais uma parte do estoque de petróleo para refinar). Em 2012, a Petrobras comprou a parte da Astra Oil, os 50% restantes, gastando US$ 812 milhões. No total, pagou US$ 1,18 bilhão pela refinaria que a Astra Oil tinha comprado cerca de sete anos antes por US$ 42,5 milhões. Foi o caso Pasadena que tornou conhecido um discretíssimo diretor da Petrobras chamado Nestor Cerveró.

Mas, escândalo encobre escândalo, faz tempo que ninguém fala de Pasadena. Mas a pouco usual operação certamente ainda dará o que falar.


6) O Brasil paulistano

Preste atenção em uma série de episódios da administração do prefeito paulistano Fernando Haddad que lembram casos federais protagonizados por seu partido, o PT. Há problemas germinando: a parceria público-privada para a iluminação de São Paulo foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Município, por irregularidades. As ciclovias, orgulho maior do prefeito, foram feitas sem concorrência pública (a desculpa, por incrível que pareça, é que não se tratava de “obras”, mas de “readequações” ─ embora as placas se referissem às obras das ciclovias). A concorrência para implantação de faixas de ônibus foi suspensa, por indícios de superfaturamento, pelo Tribunal de Contas da União (que examina o caso, já que há verbas do PAC). Alguns dias antes, o Tribunal de Contas do Município também tinha mandado suspender as obras, pelo mesmo motivo. 

Marta Suplicy, prefeita pelo PT, fez inúmeras faixas de ônibus sem suspeita de superfaturamento. Ou seja, é possível. Haddad trabalhou com Marta, mas só na área de criar taxas.

Em 04 de março de 2013 dona Dilma declarou cinicamente: "Podemos fazer o diabo na hora da eleição". E fez, sem nenhum pudor, conforme se viu em 2014.

Em 10 de agosto de 2015, a madame pontificou: "Vamos repudiar sistematicamente o vale-tudo para atingir qualquer governo", tentando escapar da ameaça de ser condenada pelos principais tribunais do país (TSE, STF, Tribunal de Contas), e do repúdio de praticamente três em cada quatro brasileiros que a querem no cu da cobra. 

Simulações sobre a crise política (Ex-blog do Cesar Maia)


            
1. Forma-se um consenso entre parlamentares, analistas, empresários, economistas, etc., que a crise mais grave hoje é a crise política. O apoio parlamentar ao governo esfarelou, a linguagem econômica do governo é uma e a do parlamento é outra, o apoio de opinião pública de Dilma inexiste e por aí vai. Vão surgindo propostas de todos os tipos e de todas as latitudes e longitudes. Uma babel. 
            
2. Dessa forma, é inevitável perguntar: e se Dilma tivesse um amplo apoio parlamentar, mudaria alguma coisa? A primeira simulação seria imaginar se o governo e o PT na eleição do presidente da Câmara apoiassem Eduardo Cunha. Com isso, a oposição orgânica seria empurrada para sua efetiva proporção parlamentar naquele momento, ou uns 20%. O acordo envolveria – naturalmente - as pautas a votar, o comando da reforma política, as questões econômicas e fiscais, etc.  A própria votação de Cunha mostrou que havia riscos de não vencer no primeiro turno. O apoio seria bem-vindo. 
            
3. Mas para garantir efetivamente essa sua ampla base política, Levy não poderia ter sido escolhido ministro plenipotenciário da Fazenda. Essa escolha estilhaçou a esquerda do governo, a esquerda acadêmica e a esquerda social. Para manter a base de 80%, Levy não poderia ter sido escolhido. A escolha para acalmar os mercados ignorou a repercussão política na base orgânica do governo. Numa outra simulação se poderia imaginar a fórmula dos últimos 3 governos: FHC, Lula e Lula. FHC, após 1998, teve Malan como seu ministro de economia de relações exteriores. Armínio Fraga –no Banco Central- conduzia a política econômica. 
           
4. Lula teve Palocci como seu vocalizador econômico num governo, e Mantega – vocalizador socioeconômico - e Henrique Meireles – no Banco Central - conduzindo a politica econômica nos dois governos Lula. Dilma, par constante de Mantega, mudou essa equação e minimizou o Banco Central e passou a cogerir o Ministério da Fazenda. Dilma poderia ter tentado a mesma formula: um forte presidente do Banco Central e um vocalizador acalmando os mercados para dentro e para fora. Não o fez, pois pensa que entende de economia. 
          
5. Ao escolher Levy para salvar o segundo governo, respondendo a pressão dos mercados, perdeu unidade até na sua base direta e, com isso, perdeu autoridade na sua base aliada. A decisão de dar uma guinada tecnoliberal no governo inevitavelmente abriria uma crise política. Fragilizou o seu apoio orgânico e seu apoio clientelar. Não adianta distribuir cargos sem poder e sem orçamento, na lógica da dita base aliada. 
           
6. Se a crise política é o eixo das crises atuais, só há duas soluções para a permanência de Levy. A primeira seria o PT decidir não ocupar nenhum ministério, nenhuma empresa estatal, nenhuma posição governamental relevante e empurrar Dilma para um governo de personalidades. A segunda seria Dilma renunciar. Nesse momento, Levy sair seria uma enorme turbulência. Dilma se esqueceu da máxima politica: Nunca nomeie quem você não pode demitir. 
           
7. A inflação beijando os 9% atuais é, desde 1999, uma rotina nos governos. O que não é rotina é a estagflação dos últimos anos e projetada para o futuro. Não há saída política por pacto ou consenso. Só com outro governo, seja de personalidades, com Dilma presidente descolada do chão, ou sem Dilma. Não dá mais para voltar atrás e reconstruir as decisões pós-eleitorais.

Aqueles olhos glaucos...


Jaques Wagner, no discurso em homenagem a Eduardo Campos, disse que o ex-governador de Pernambuco era “um homem muito bonito”, com “aquele sorriso e aqueles olhos”.
Jean Willys deve ter ficado com ciúmes.