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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O "cantor" do PC do B (O Antagonista)


(Do cantor David Bowie, que morreu, ao cantor Orlando Silva, que é muito vivo).

Em junho de 2014, durante a campanha eleitoral, João Vaccari Neto e o presidente da OAS, Léo Pinheiro, trocaram mensagens. João Vaccari Neto escreveu:
- “Ouça a música do cantor Orlando Silva”.
O empreiteiro respondeu:
- “Ligo pra ele”.

No dia seguinte, Vaccari enviou-lhe mais uma mensagem:

- “Conserte as duas faixas arranhadas, caso tenha solução”.

Segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, "Orlando Silva, deputado pelo PC do B, não recebeu recursos da OAS, mas a Direção Nacional da sigla foi contemplada com R$ 600 mil logo após as mensagens, em agosto de 2014".


terça-feira, 11 de agosto de 2015

O patético PC do B


A tigrada do PC do B acha, com alguma razão, que o Brasil é feito de babacas e desmemoriados. Resolveram (não é piada), organizar atos pela "legalidade e pela democracia", a fim de defender o moribundo governo Dilma, do qual são comensais e fiadores, aliás, mais caninamente fiéis que os próprios petistas. E que defesa da "legalidade e da democracia" é essa? 

O PC do B, sempre é bom relembrar, é o mesmo que tem a inaudita coragem de defender algumas das mais torpes ditaduras do mundo. A Coréia do Norte é seu ícone e seu modelo de sociedade. Quem se der ao trabalho de fazer uma rápida pesquisa pela internet verá que, até canibalismo vem sendo praticado naquelas terras bárbaras, governada por uma dinastia de malucos há quase setenta anos. 

O PC do B, evidentemente não poderia se comportar de outra maneira. Ele traz no seu DNA a comprovação de sua natureza. Na famigerada guerrilha do Araguaia, ali no início dos anos 70 do século passado, sob o comando de gente como José Genoíno (só podia ser), levaram para encontro com a morte um punhado de jovens absolutamente despreparados para sobreviver na selva e, ainda mais, sem adequada logística para sustentar operações militares guerrilheiras como pretendiam. O vício da representação presumida, do qual se achavam imbuídos, levou-os a uma aventura catastrófica, cujo preço é amplamente conhecido nos dias de hoje.

Os resultados concretos do projeto não poderiam ser diferentes dos obtidos, quando a tropa mambembe enfrentou a dura e profissional repressão do regime militar. Salvaram-se, escafedendo-se, como sempre acontece, alguns dos que comandavam o tropical exército brancaleônico dos comunistas do Brasil, deixando os demais incautos entregues à própria sorte. 

Não vale nem a pena qualquer referência adicional à estreiteza mental dos quadros partidários do PC do B, que pode ser avaliada pela compra - com cartão de crédito corporativo - de uma tapioca e um caldo de cana numa feira em Brasília, por parte de Orlando Silva, então ministro dos esportes. A despesa, certamente, não passaria de cinco reais. Qualquer pessoa traz no bolso quantia superior a esta. Mas o hábito, este tirano, como dizia Montaigne, levou Sua Excelência a sacar do bolso o cartão e exibi-lo triunfante a um bando de deslumbrados com a glória efêmera do poder.

Essa gente, agora, diz que quer defender a "legalidade e a democracia", metáfora para a manutenção na presidência de outra pacóvia, Dilma Rousseff, que se sair do PT é digna de adentrar nas fileiras repletas de corações valentes homiziados no velho partido de Stálin.   

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

"E o vento levou" - Fernando Gabeira

(Publicado no Estado de São Paulo, em 28 de outubro de 2011)



"Lula aconselhou o PC do B a resistir. É preciso enfrentar o vento, não se deixar levar pela tempestade. Os orientais dariam um conselho oposto: é preciso se curvar ao vento, para que não nos arranque do chão, em sua trajetória.


Existem exceções de homens e mulheres que enfrentaram a ventania de peito aberto e não foram arrastados por ela. Todos eles, entretanto, têm um ponto em comum: a defesa de uma grande causa.

O ex-ministro Orlando Silva disse que estava lendo a biografia de Nelson Mandela para se inspirar. Errou de Mandela. A biografia de Winnie Mandela seria mais adequada, pela fluidez da fronteira entre política e crime em sua história pessoal.

A fragilidade da resistência do governo é esta: uma causa clandestina. Ela só vale para alguns dirigentes e militantes que a consideram legítima. A causa é o direito de aparelhar a máquina do Estado para fortalecer os partidos. Por ser antirrepublicana, não pode vir à luz. Daí a insistência em fazer espumas: querer provas de que um dinheiro foi entregue na garagem, recusando-se a fornecer as provas de gastos de R$ 49 milhões.

Além de estar defendendo uma causa que não pode vir à luz, o governo não analisou a natureza da ventania. Há ventos, como o Sudoeste, no Rio, que são indício de tempestade. Lula usou um argumento de força, não de sabedoria, porque está baseado em dois fatores: a popularidade interna e o reconhecimento internacional. Ambos são fatores dinâmicos, não qualidades naturais, imutáveis. Dependem das escolhas políticas.

A corrupção no campo esportivo é de fácil compreensão popular. Ela não foca somente o que se passa no governo, mas também na CBF, dirigida por Ricardo Teixeira. O anfitrião da Copa do Mundo iria apresentar-se, internacionalmente, com uma dupla singular de dirigentes: Teixeira e Silva. Um é investigado pela Polícia Federal, o outro é investigado pelo Supremo Tribunal Federal a pedido do Ministério Público.

A terceira fragilidade na resistência do governo é a análise do adversário. Alguns adeptos entusiasmados escreveram na rede que a manutenção de Orlando Silva e do esquema do PC do B era o confronto de uma presidente eleita com a mídia golpista. A análise vai mais longe, a julgar por declarações esparsas de Lula. Numa delas, afirmou que quase ninguém lê jornais na Baixada Fluminense. Esqueceu que, pela internet, os jornais chegam, como nunca chegaram, às áreas metropolitanas.

O que anima essas distorções é a redução da imprensa a uma variável eleitoral. Foi possível vencer as eleições sem ela, logo, é possível enfrentá-la - afirmam. Daí o espanto do governo com a sucessão de denúncias, classificada por Gilberto Carvalho como um momento de histeria.

Mas o quadro é outro: a sucessão de denúncias é apenas o trabalho da máquina profissional na coleta de dados. Sem ela a população ficaria mais indefesa diante dos governos. As denúncias aparecem, nesse ritmo, porque repórteres trabalham dia e noite para elucidar a passagem do PC do B pelo Ministério do Esporte.

Outra frágil sustentação no confronto é a evidência de que o PC do B cresceu nesse período. É fato que o uso da máquina do Estado turbina o crescimento dos partidos. Não é a única forma de crescer. Com essa prática a democracia se enfraquece, as eleições vão perdendo vida. Como vencê-las só com um candidato, um programa e uma equipe de governo?

Não tenho o hábito de olhar para trás e dizer: naquela época tinha razão. Mesmo porque já me equivoquei muitas vezes. No entanto, quando descobrimos, em 2008, que os kits de merenda do programa Segundo Tempo foram usados na boca de urna, protestei, porque sentia na carne que a democracia na competição estava sendo fraudada.

Não me equivoco agora: a resistência do governo foi um erro histórico. Manter o PC do B com essas ONGs fajutas e enfrentar a onda de denúncias abriria um grande flanco interno. Ignorar o elo entre Ministério do Esporte e a corrupção e entregá-lo a um partido associado, no imaginário internacional, ao século passado abriria um grande flanco externo.

A Copa do Mundo representa um investimento alto, embora ainda não saibamos quanto. Seu êxito se mede pela eficácia na realização dos jogos, pelo legado de infraestrutura e também pela projeção do prestígio do País.

As pessoas que veem no episódio um confronto da imprensa golpista com o governo ficariam surpresas com as reportagens fora do Brasil. Nesse caso, teriam de migrar para um conceito de golpe da imprensa internacional. Viveriam um pesadelo, achando que a opinião pública planetária se uniu para tirar os empregos do PC do B. Não é isso só que está em jogo.

Não somos uma República bananeira. Mas também não podemos ser uma República de laranjas. Esse processo de tomada da máquina estatal não é perverso apenas por desviar dinheiro de áreas necessitadas. É um processo cuja estratégia é a permanência no poder, reduzindo as chances de alternância democrática.

Não quero dizer com isso que o governo seja o culpado pela fragilidade da oposição. São poucos os políticos que se opõem claramente à ocupação partidária da máquina. No entanto, vivemos um momento claro de transição. As demandas sociais por mudanças políticas estão no ar, embora ainda neutralizadas por uma sensação de bem-estar com o crescimento econômico.

Classificar a luta contra a corrupção como algo da direita moralista, congelando-a em outro momento da História do Brasil, é a cereja no bolo do festival de equívocos.

Corrupção, esporte, Copa do Mundo. Não é fórmula para vencer. Como dizer isso aos patriotas do PC do B, que têm um cargo de direção na Agência Nacional do Petróleo e constroem uma casa de campo em cima de um oleoduto da Petrobrás? Responderiam que torcemos contra o clube verde e amarelo, do qual se sentem sócios proprietários.

Ainda bem que Orlando Silva se considerava indestrutível. Sua pobreza de espírito é adequada para seguir os conselhos de Lula. E ser levado pelo vento."

domingo, 16 de outubro de 2011

O PC do B e os esportes

O Partido Comunista do Brasil - o PC do B - vai demonstrando, a cada dia que passa, o valor da dialética de cabeça para baixo. Começaram endeusando a antiga União Soviética, passaram pela louvação à China, classificaram a Albânia como o Farol do Socialismo, pagaram tributo a Cuba e alcançaram o píncaro no regime do PT. Dentro de tal lógica acabarão reinventado o Imperador Bokassa ou outro soba africano qualquer a quem ainda prestarão vassalagem. Realmente, o tal Orlando Silva é um prodígio. É bom que não se consiga, ainda, clonar seres humanos. Correríamos o risco de multiplicar um reles burocrata, medíocre ao ponto de ser capaz de pagar um pastel na feira com o cartão de crédito corporativo. O professor Delúbio tinha mais classe. Desviar dinheiro de crianças é uma façanha digna de um Herodes. Mas, como diz o velho provérbio: Pelo dedo se conhece o gigante. Imagine-se o que fazem, fizeram ou farão em outras áreas da administração pública. Segue abaixo artigo do jornalista Augusto Nunes, publicado em 15-10-2011, no portal da revista Veja, com o título modificado.

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"Orlando Silva e seu bando têm de cair fora do ministério que virou covil do PCdoB
Pilhado em flagrante de novo, agora chapinhando no pântano do programa Segundo Tempo, o ministro Orlando Silva tentou trocar a pose de cartola a serviço da nação em Guadalajara pela fantasia de voluntário da pátria gravemente ofendido. “Confesso que eu estou chocado”, caprichou o canastrão vocacional ao saber das denúncias publicadas na edição de VEJA que acaba de chegar às bancas. “Estou estupefato, perplexo. Um bandido fala e eu que tenho que provar que não fiz, meu Deus?”. A fala decorada às pressas foi desmentida pela voz de quem deve, pela cara de culpa e pelas duas palavras finais: um comunista que invoca Deus quando o emprego está em perigo é tão confiável quanto um ministro que compra tapioca com cartão corporativo.

De todo modo, é compreensível que qualifique de bandido o companheiro do PCdoB que até recentemente era contemplado por verbas milionárias e audiências no Ministério do Esporte. Orlando Silva sabe que, no momento, cavalga o quinto andar da procissão dos condenados ao despejo. Não por vontade de Dilma Rousseff, que é só um codinome de Lula. Vai perder a boca no primeiro escalão por exigência dos milhões de brasileiros fartos de tanta ladroagem impune. Há limites para tudo.

Há limites também para a farsa encenada há quase nove anos. Um texto aqui publicado em março registrou que, no balanço dos dois mandatos que Lula registrou em cartório, a enxurrada de deslumbramentos do Segundo Tempo inunda quatro das 2.200 páginas divididas. Lançado em 24 de novembro de 2003 pelo Ministério do Esporte, bate no peito o parágrafo de abertura, o programa “visa democratizar o acesso à prática e à cultura do esporte de forma a promover o desenvolvimento integral da criança, do adolescente e do jovem, como fator de formação da cidadania e de melhoria da qualidade de vida, prioritariamente daqueles que se encontram em áreas de vulnerabilidade social”.

Entre outros embustes superlativos, o palavrório que vai da página 345 à 349 jura que “o Programa Segundo Tempo, desde a sua criação, permitiu 3.852.345 atendimentos de crianças, adolescentes e jovens”. Essas cifras de matar de inveja um dinamarquês não teriam sido alcançadas sem “a capacitação e qualificação de 9.246 profissionais entre coordenadores, professores, agentes formadores e gestores de esporte e lazer”. Magnânimo, o fundador do Brasil Maravilha divide a façanha com alguns parceiros.

“Foi por meio da celebração de convênios com governos estaduais, municipais e organizações não governamentais (ONGs), e de parcerias com outros ministérios, que se alcançaram, a partir de 2005, mais de 1 milhão de atendimentos anuais, considerando-se os convênios anuais e plurianuais. Isso foi possível em função do crescimento exponencial do orçamento do Programa Segundo Tempo, que iniciou (sic) com R$ 24 milhões em 2003 e alcançou R$ 207.887 milhões em 2010”.

Estelionato eleitoreiro é isso aí, atestam as incontáveis gatunagens da quadrilha que controla o programa nascido e criado para servir ao Partido Comunista do Brasil, premiado com o Ministério do Esporte no primeiro dia da Era Lula. Só em 2010, pelo menos R$ 69,4 milhões foram parar nos caixas de 42 ONGs e entidades de fachada controladas pelo PCdoB. O Estadão descobriu, por exemplo, que uma ONG explorada pelo partido em Santa Catarina resolveu importar merendas de Tanguá, no Rio de Janeiro. A empresa presenteada com a encomenda no valor de R$ 4,6 milhões tem um funcionário só, cujo nome o dono ignora, prospera num galpão abandonado há quatro anos e jamais produziu uma única e mísera merenda.

No Distrito Federal, 3,2 mil crianças continuam à espera dos 32 núcleos prometidos pelo convênio entre o ministério e outra ONG de estimação. Em Teresina, o que deveria ser uma quadra é um matagal onde os iludidos pelo Segundo Tempo tentam jogar futebol e vôlei improvisando traves e redes com tijolos, bambus e muita imaginação. A logomarca do programa num muro garante que aquilo é um núcleo esportivo. É só a prova de mais uma negociata que irrigou com R$ 4,2 milhões outra entidade a serviço do PCdoB.

“Vamos apurar todas as denúncias”, recita Orlando Silva depois de cada escândalo. “Vou processar o acusador”, acaba de declamar em Guadalara. Vai coisa nenhuma. Pecador não apura; é investigado. Delinquente não processa; é processado. As patifarias do Segundo tempo são apenas mais um tópico que inclui, entre outros espantos, os R$ 4 bilhões enterrados no Pan-2007 (veja o texto na seção Vale Reprise). O ministro meteu-se num beco sem saída. Se não soube de nada, é inepto. Se soube, é corrupto. Em qualquer hipótese, não pode continuar no cargo. Tem de ser imediatamente afastado das cercanias dos cofres onde correm perigo os bilhões da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016.

Dois dias depois da descoberta de que o Ministério do Esporte anda roubando até crianças, Orlando Silva apareceu em São Paulo para discorrer sobre obras em aeroportos e estádios em construção. O craque das jogadas ilegais sonha com lances ainda mais ousados. No Brasil em adiantado estado de decomposição moral, os crimes já são anunciados com alguns anos de antecedência. Se corrupção desse cadeia, a população carcerária não caberia numa Bolívia. Mas sempre há lugar para um Orlando Silva.

No primeiro escalão é que não pode haver lugar para uma figura dessas. Lula, que o transformou em ministro em 2006, sabe muito bem com quem continua lidando. Dilma Rousseff também conhece bastante o parceiro que chama de “Orlandinho”. Diga o que disser o protetor de bandidos companheiros, queira ou não queira a coiteira dos afilhados do chefe, Orlando Silva e seu bando têm de cair fora do gabinete que virou covil do PCdoB. Já."