terça-feira, 11 de agosto de 2015

Simulações sobre a crise política (Ex-blog do Cesar Maia)


            
1. Forma-se um consenso entre parlamentares, analistas, empresários, economistas, etc., que a crise mais grave hoje é a crise política. O apoio parlamentar ao governo esfarelou, a linguagem econômica do governo é uma e a do parlamento é outra, o apoio de opinião pública de Dilma inexiste e por aí vai. Vão surgindo propostas de todos os tipos e de todas as latitudes e longitudes. Uma babel. 
            
2. Dessa forma, é inevitável perguntar: e se Dilma tivesse um amplo apoio parlamentar, mudaria alguma coisa? A primeira simulação seria imaginar se o governo e o PT na eleição do presidente da Câmara apoiassem Eduardo Cunha. Com isso, a oposição orgânica seria empurrada para sua efetiva proporção parlamentar naquele momento, ou uns 20%. O acordo envolveria – naturalmente - as pautas a votar, o comando da reforma política, as questões econômicas e fiscais, etc.  A própria votação de Cunha mostrou que havia riscos de não vencer no primeiro turno. O apoio seria bem-vindo. 
            
3. Mas para garantir efetivamente essa sua ampla base política, Levy não poderia ter sido escolhido ministro plenipotenciário da Fazenda. Essa escolha estilhaçou a esquerda do governo, a esquerda acadêmica e a esquerda social. Para manter a base de 80%, Levy não poderia ter sido escolhido. A escolha para acalmar os mercados ignorou a repercussão política na base orgânica do governo. Numa outra simulação se poderia imaginar a fórmula dos últimos 3 governos: FHC, Lula e Lula. FHC, após 1998, teve Malan como seu ministro de economia de relações exteriores. Armínio Fraga –no Banco Central- conduzia a política econômica. 
           
4. Lula teve Palocci como seu vocalizador econômico num governo, e Mantega – vocalizador socioeconômico - e Henrique Meireles – no Banco Central - conduzindo a politica econômica nos dois governos Lula. Dilma, par constante de Mantega, mudou essa equação e minimizou o Banco Central e passou a cogerir o Ministério da Fazenda. Dilma poderia ter tentado a mesma formula: um forte presidente do Banco Central e um vocalizador acalmando os mercados para dentro e para fora. Não o fez, pois pensa que entende de economia. 
          
5. Ao escolher Levy para salvar o segundo governo, respondendo a pressão dos mercados, perdeu unidade até na sua base direta e, com isso, perdeu autoridade na sua base aliada. A decisão de dar uma guinada tecnoliberal no governo inevitavelmente abriria uma crise política. Fragilizou o seu apoio orgânico e seu apoio clientelar. Não adianta distribuir cargos sem poder e sem orçamento, na lógica da dita base aliada. 
           
6. Se a crise política é o eixo das crises atuais, só há duas soluções para a permanência de Levy. A primeira seria o PT decidir não ocupar nenhum ministério, nenhuma empresa estatal, nenhuma posição governamental relevante e empurrar Dilma para um governo de personalidades. A segunda seria Dilma renunciar. Nesse momento, Levy sair seria uma enorme turbulência. Dilma se esqueceu da máxima politica: Nunca nomeie quem você não pode demitir. 
           
7. A inflação beijando os 9% atuais é, desde 1999, uma rotina nos governos. O que não é rotina é a estagflação dos últimos anos e projetada para o futuro. Não há saída política por pacto ou consenso. Só com outro governo, seja de personalidades, com Dilma presidente descolada do chão, ou sem Dilma. Não dá mais para voltar atrás e reconstruir as decisões pós-eleitorais.

Aqueles olhos glaucos...


Jaques Wagner, no discurso em homenagem a Eduardo Campos, disse que o ex-governador de Pernambuco era “um homem muito bonito”, com “aquele sorriso e aqueles olhos”.
Jean Willys deve ter ficado com ciúmes.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Não há o que temer: Temer presidente

O caminho é Temer









Mais uma vez, repita-se: o modelo a ser seguido para o Brasil ficar livre da canalha petista é fazer Michel Temer presidente, tal qual aconteceu com o presidente Itamar, na sucessão de Collor.

Para os petistas, a única chance de ainda manterem - vá lá, custa pouco a concessão - umas boquinhas naqueles ditos ministérios das mulheres e dos afrodescendentes, por exemplo, é o harakiri da madame. Se ela só renunciar, para onde ela iria depois? Para Cuba? Para a Venezuela? Para o Sudão, do norte ou do sul? Nem esse tipo de país iria aceitar tal estrovenga. 

Uma saída dramática criaria uma comoção popular, e criaria um clima que poderia salvar alguma coisa para os petistas, num hipotético governo de conciliação e salvação nacional. Em homenagem perpétua à obra da tia velha, seria erguido um monumento à mandioca, no centro da praça dos Três Poderes, para que os brasileiros se lembrem sempre dos acontecimentos contemporâneos e nunca mais cometam o mesmo erro.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Quem peidou?













Foi ele!

Dilma, Lula e PT

Dona Dilma, Lula e o PT fizeram todas as cagadas possíveis. Agora, acenam para mais uma e, talvez, a última de suas façanhas. No seu programa eleitoral a ser exibido hoje, 6 de agosto, eles apelam aos brasileiros para que evitem uma "grave crise política", como se vivêssemos no melhor dos mundos possíveis. Dona Dilma revela-se, assim, como a mais perfeita encarnação do doutor Pangloss.  

A madame retoma o discurso de sua campanha, em 2014, cacarejando a respeito do pessimismo, que levaria o país, fatalmente, ao caminho do confronto.

Termina o lero lero, como não poderia deixar de ser, com uma atrevida ameaça ao povo brasileiro: um confronto "pode levar a um final trágico para todos". Este, também, era o posicionamento de Mussolini, antes de ser pendurado de cabeça para baixo, junto com Clara Petacci, naqueles já distantes tempos em Milão.

Essa gente cultiva ódios e tempestades (e não é de hoje). Não se sabe o que eles pensam colher com suas condutas: amor, flores, respeito e compreensão? Ou querem, com suas desabusadas chantagens, intimidar os cidadãos de bem que ainda existem no Brasil?


Fim da crise em outros tempos

Debilidade mental (6) - ou babaquice pega!


“As medidas não são sexies nem divertidas”.


Joaquim Levy, nesta quarta-feira, garantindo que, depois de alguns meses de convívio com Dilma Rousseff, descobriu que também existem medidas econômicas muito engraçadas ou com notável poder afrodisíaco.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O PT deve estar pronto para tudo (Noblat)

Quem avisa, amigo é










O que dirá o PT se João Vaccari, ex-tesoureiro preso em Curitiba, firmar acordo de delação premiada e contar tudo ou grande parte do que sabe?
E se ele admitir que de fato roubou para encher as burras do partido e o próprio bolso? O PT dirá que não sabia?
Dirá que, a exemplo de Delúbio Soares, um dos mensaleiros condenados, Vaccari era o único responsável pelas finanças do partido?
E que todos confiavam nele, todos o tinham como honesto, e todos, por isso mesmo, estão agora perplexos?
Quem acreditará mais  nisso?
É bom que o partido monte vários cenários e se prepare para todos eles. No caso da nova prisão de José Dirceu, não parecia preparado.
Olho no Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, ligado a Dirceu. Ele vai abrir o bico. E promete entregar políticos graúdos.
Duque operava para o PT como é público. É dono de segredos preciosos. Sua capacidade de produzir estragos não deve ser subestimada.
Não aposte tudo no silêncio de Marcelo Odebrecht. Ele é muito jovem e ambicioso para aguentar calado a ameaça de uma longa pena.
Prepare-se, também, para a eventualidade de Lula ser chamado a prestar esclarecimentos. Não falo em prisão, mas em depoimento.
O presidente do PT disse que todos são inocentes até prova em contrário e condenação final. Vale para Dirceu. Deve valer para Lula.
Como observou um procurador da Lava Jato, qualquer cidadão pode ser investigado e deve prestar as informações que a autoridade lhe peça.
Por suposto, vale para Lula, cidadão que é.

Não me venham depois com choramingas. Nem com teorias conspiratórias. Se avisados não foram, avisados estão.