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segunda-feira, 14 de março de 2016

O Brasil renuncia a Dilma (Noblat)

Fora Dilma na Av. Paullista
Uma vez lavado de certas impurezas de origem pelas manifestações que marcaram o domingo, o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff espera a última palavra do Supremo Tribunal Federal (STF) para finalmente dar a partida na Câmara dos Deputados.
Nesta quarta-feira, o STF poderá manter ou revisar as regras que orientarão o rito do impeachment. Mas isso já não importa tanto.
É bem verdade que a presidente resiste a entregar os pontos. Na última sexta-feira, a poucas horas de o país tomar conhecimento de mais um capítulo da delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), ex-líder do governo, Dilma improvisou uma entrevista coletiva para dizer que não tem cara de quem renunciará ao cargo – e, muito menos, de quem está resignada com o fim aparentemente próximo. Foi um desastre.
Sem a ajuda de marqueteiros (o seu está preso, suspeito de ter sido pago no exterior por serviços prestados ao PT e à campanha à reeleição), Dilma mal conseguiu disfarçar o nervosismo.
Estava mais magra do que deveria e mais envelhecida do que há poucas semanas. Disse sandices como de hábito. Enrolou-se com as palavras e cometeu o ato falho de afirmar que “não se renunciaria”. “Eu não me renuncio”, garantiu. Assessores contiveram o riso.
Se não renuncia a si própria e ao cargo, há muito tempo que renunciou a governar. O primeiro ano do seu segundo mandato foi  de ausência de governo, de inércia da administração pública carente de dinheiro, ideias e iniciativas.
Enquanto isso o país andou para trás empurrado pela crise econômica mais nefasta desde os anos 30 do século passado. Só não atingiu ainda o fundo do poço porque ao poço, talvez, falte fundo.
A Dilma, além de tudo que sempre lhe faltou como talento e brilho, agora falta apoio para fingir que governa.
Finge governar quando reúne ministros para debater assuntos urgentes, viaja para entregar as unidades do programa Minha Casa Minha Vida, se lembra de sobrevoar regiões em estado de calamidade, e transmite recados pelas redes sociais na impossibilidade de fazê-lo pelo rádio e pela televisão. Teme os incômodos panelaços.
Mas o país suportará que ela siga fingindo governar assim por mais quase três anos? Ou, pior: que se meta de fato a governar sujeita a repetir os trágicos erros do primeiro mandato? Por que seria diferente?
Sob a pressão do PT que cobra um temerário cavalo de pau na condução da economia; do PMDB que começa a desembarcar do governo sem devolver os cargos que ocupa; e das ruas impacientes, Dilma leva algum jeito de poder se recuperar?
Mesmo se levasse jeito, o que não é o caso, sua imagem pessoal de honradez começa a ser posta em xeque. A figura da faxineira ética durou menos de um ano.
Está para ser escrita a história da falsa faxineira que se rendeu às necessidades do PT de roubar e de deixar que roubassem na tentativa de se eternizar no poder. Rendeu-se, não: compartilhou as necessidades. E beneficiou-se dos resultados.
É recomendável que as almas sensíveis e os de estômago frágil se retirem da sala quando trechos da delação gravada de Delcídio puderem ser ouvidos. São chocantes.
Tanto quanto as conversas com auxiliares de Dilma gravadas por empresários delatores.
A Lava-Jato não sequestrou o governo como dizem vozes do governo. Lula, o PT e Dilma foram sequestrados pela própria ambição.
O Brasil, ontem, 13 de março, renunciou a Dilma. Cabe ao Congresso formalizar a renúncia.


sábado, 12 de março de 2016

Delação de Delcídio explode no colo de Dilma (Noblat)


Palácio do Planalto

Pedro Collor não apresentou uma só prova para detonar o irmão, o então presidente Fernando Collor. A entrevista que concedeu à VEJA desencadeou a tempestade quase perfeita encerrada com a deposição do primeiro presidente da República eleito pelo voto popular depois de 21 anos de ditadura.
Roberto Jefferson muito menos provou o que disse à Folha de S. Paulo sobre o mensalão. Acusou o governo de subornar deputados para que votassem na Câmara como ele queria. Jefferson poupou Lula. Disse apenas que ele chorou quando ouviu falar do mensalão. Mais tarde, tudo o que Jefferson disse acabou provado.
Tudo indica que Delcídio Amaral, ex-líder do governo Dilma no Senado, pretende seguir os exemplos de Pedro e de Jefferson. Algumas provas ele diz que tem. Mas aposta que sua copiosa delação feita ao Procurador Geral da República se provará assim que começar a ser investigada.
A revista IstoÉ divulgou na semana passada o primeiro capítulo da delação. E ontem, quando começou a circular outra vez, o segundo capítulo. Esse explodiu como uma bomba no colo de Dilma. E explica por que ela convocou jornalistas para dizer que não renunciará ao cargo. Ninguém havia lhe perguntado isso.
A certa altura da entrevista, Dilma se disse vítima de denúncias seletivas. E mencionou a de Delcídio sem citar o nome dele. Os jornalistas pensaram que ela se referia ao capítulo 1. Não sabiam da existência do capítulo 2. Dilma sabia. Fora procurada pela revista. Correu a defender-se antes da IstoÉ cair nas redes sociais.
Dilma jamais conseguirá se sustentar no cargo caso se confirme o que Delcídio revelou. O mais provável, contudo, é que caia antes, vítima do pedido de impeachment PMDB, PSDB, DEM, PPS, PRB, PSB e partidos menores estão de acordo em despachar Dilma, substituindo-a por seu vice Michel Temer.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Renúncias em favor do Brasil


As enrascadas em que o PT se meteu levaram o presidente Fernando Henrique Cardoso a sugerir como saída (em prol do país e da governabilidade), a renúncia de dona Dilma. Seria dada à Nação a oportunidade de se recompor, política e administrativamente, agora sob nova direção no poder Executivo. Ficaríamos livres dos Bumlai, dos Lulas, dos escândalos em série e outras mazelas deploráveis.

Ainda mais recentemente, Marco Aurélio Melo, ministro do Supremo Tribunal Federal, frente às trapalhadas de Renan Calheiros, no Senado, e Eduardo Cunha, na Câmara dos Deputados, repetiu a mesma recomendação: que renunciassem para que o Congresso Nacional se reorganizasse de maneira a melhor responder aos anseios do país.

Na vasta lista dos que precisam ser afastados faltam, contudo, os nomes daqueles que se hospedam nos tribunais superiores. O papel extraordinariamente positivo do judiciário da primeira instância (basta ver o exemplo da operação Lava Jato), não pode camuflar as responsabilidades dos que se encontram na mais alta magistratura, em relação à grave crise que engolfa o Brasil. 

No julgamento da Ação Penal 470 - do tristemente célebre mensalão - o então ministro Joaquim Barbosa chegou ao ponto de acusar o atual presidente do STF, Ricardo Levandowski, de estar fazendo chicana para beneficiar os mensaleiros. Pelo que foi mostrado ao vivo durante o julgamento, não foi sem razão o questionamento de Joaquim Barbosa. Casos notórios de "embargo auricular" são de conhecimento público, em especial no âmbito do TSE. Para muitos causa espécie a romaria pidona que indicados para os mais altos cargos do Judiciário tenham que fazer. Ficam, durante semanas, a mendigar o voto dos senadores que lhes garantirão a aprovação. De fonte assim tão espúria, aliás, pode resultar um magistrado isento, como seria de esperar? 

As desassombradas declarações do senador Delcídio Amaral sobre alguns juízes mostram como estes são vistos pelos que os patrocinaram. Ao que parece, o líder do governo Dilma apenas vocalizou concretamente a realidade da peita, o que a tantos soava como mera plausibilidade, porém com não desejada desconfiança. Oxalá pudessem os ilustres ministros dos tribunais superiores receberem, da parte da população, o mesmo reverencial respeito devotado ao juiz Moro que, é bom relembrar, chegou a seu cargo mediatizado pelo concurso público. Se ainda há juízes nas várias Curitibas brasileiras, o mesmo não se pode dizer dos tribunais de Brasília. Aqui, ao contrário, prevalece uma pomposidade vazia nos interstícios de ampla teia de cumplicidades.

Os áulicos de todos os tipos - do Executivo, do Legislativo e do Judiciário - deveriam sofrer um surto de grandeza e renunciar a seus cargos em prol da Pátria. No ambiente de cinismo geral, isso pode parecer ingênua utopia. E é, mas direciona o sentimento popular na busca de uma solução com a mesma tessitura.    


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Dona Dilma, a difícil travessia


Declaração do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, a propósito da crise de credibilidade do governo petista: 

"Acho que a Dilma terá de renunciar. É o capítulo final". 

O ex-ministro de FHC não considerou, contudo, a saída ao estilo japonês clássico: o harakiri. Caso acontecesse, dona Dilma ainda poderia, até, ser santificada. Basta relembrar o episódio Maria Mutema, no Grande Sertão: Veredas.


terça-feira, 18 de agosto de 2015

Renúncia ou suicídio


Entre as opções postas à dona Dilma parece que a renúncia vai ganhando prevalência. Ela, no entanto, é a menos provável por uma simples razão: sua saída voluntária levaria consigo a vasta corriola petista encastelada em todos os nichos do governo. Seria um suicídio indireto do PT. Já um suicídio direto da madame abriria espaço para uma composição com parte da turma, dentro de um grande acordo nacional ao qual os petistas também se integrariam. 

Boa parte das boquinhas, então, ficaria preservada. O olho da rua para militantes acostumados a coçar o saco, e a patrocinar o saqueio dos recursos públicos, ficaria afastado. A renúncia, pois, seria uma catástrofe para o PT. Ao partido interessaria uma saída da ainda presidente, mas preservando algumas bocadas suculentas que dominam. 

Acostumados à guerra de posição dentro das burocracias, não teriam dificuldades em bombardear os futuros colegas do possível governo de união (ao estilo Itamar), cuspindo para dentro em vez de escarrar para fora. 

Já um suicídio, ao estilo Getúlio, mesmo sem a dramaticidade vista nos exemplos japoneses, é uma efetiva possibilidade com excelentes resultados. Daria ao PMDB e outras forças aliadas uma cobertura emocional para não tirar todo o PT ao acordão que se constituiria. Em vez de Dilma renunciar, carregando consigo o PT (bancando a Tiradentes com o pescoço dos petistas), melhor que ela o faça com o próprio pescoço saindo da vida para entrar na história, nem que seja pela porta dos fundos. 

Em suma, Dilma vai, mas sua turma (ou ao menos boa parte dela), fica e a vida continuará em busca da normalidade e da relativa pacificação nacional. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Não há o que temer: Temer presidente

O caminho é Temer









Mais uma vez, repita-se: o modelo a ser seguido para o Brasil ficar livre da canalha petista é fazer Michel Temer presidente, tal qual aconteceu com o presidente Itamar, na sucessão de Collor.

Para os petistas, a única chance de ainda manterem - vá lá, custa pouco a concessão - umas boquinhas naqueles ditos ministérios das mulheres e dos afrodescendentes, por exemplo, é o harakiri da madame. Se ela só renunciar, para onde ela iria depois? Para Cuba? Para a Venezuela? Para o Sudão, do norte ou do sul? Nem esse tipo de país iria aceitar tal estrovenga. 

Uma saída dramática criaria uma comoção popular, e criaria um clima que poderia salvar alguma coisa para os petistas, num hipotético governo de conciliação e salvação nacional. Em homenagem perpétua à obra da tia velha, seria erguido um monumento à mandioca, no centro da praça dos Três Poderes, para que os brasileiros se lembrem sempre dos acontecimentos contemporâneos e nunca mais cometam o mesmo erro.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Renuncie, Mulher sapiens sapiens! (Reinaldo Azevedo, em 10/07/2015)


"No dia 23 de janeiro de 2013, a presidente Dilma Rousseff anunciou, em rede nacional de rádio e televisão: "Acabo de assinar o ato que coloca em vigor, a partir de amanhã, uma forte redução na conta de luz de todos os brasileiros. (...) A partir de agora, a conta de luz das famílias brasileiras vai ficar 18% mais barata".

A redução da tarifa vinha casada com uma lambança no setor elétrico que custou, até agora, mais de R$ 100 bilhões ao Tesouro. É crime de responsabilidade. A intervenção feita na área pela governanta, em setembro de 2012, incide nos artigos 4º e 11 da lei 1.079. As pedaladas fiscais e o assalto à Petrobras são pinto perto disso. É uma pena que não se possa impichá-la três vezes só para ser didático.

No anúncio, ela não se esqueceu de seus críticos. Disse: "Neste novo Brasil, aqueles que são sempre do contra estão ficando para trás [...]. Estamos vendo como erraram os que diziam que não iríamos conseguir baixar os juros nem o custo da energia e que tentavam amedrontar nosso povo com a queda do emprego e a perda do poder de compra do salário. Os juros caíram como nunca, o emprego aumentou".

Nunca bastou ao PT fazer bobagem. Sempre foi preciso humilhar e tratar como lixo os que divergiam. Segundo o Datafolha, naquele tempo, 62% consideravam o governo ótimo ou bom; 30%, regular, e apenas 7%, ruim ou péssimo. Quem precisava de críticos?

O "malaise" de agora com o petismo não tem origem apenas nos maus resultados e no estelionato eleitoral. Há também um sentimento que Tarantino transformaria, assim, num "Django" ou num "Bastardos Inglórios" tropicais —trocando o sangue pela chanchada, claro!

Como os petistas abusaram da nossa paciência, não é!? Naquele janeiro, eles ainda contavam vencer a eleição de 2014 no primeiro turno; fazer a maior bancada da história; impor a reforma política que bem entendessem; quebrar as pernas do PMDB —já que davam o PSDB por liquidado— e impor o controle social da mídia".

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OBS: O jornalista Reinaldo Azevedo desconheceu a possibilidade teórica de suicídio. Como farsa não haveria melhor escolha, após a tragédia de Getúlio Vargas.

terça-feira, 17 de março de 2015

Dilma, a humilde

Em recente e momentosa entrevista (concedida com o propósito de refutar a gigantesca massa de gente que se levantou pelo Brasil afora contra ela, o PT e seu governo), dona Dilma envelopou sua iracunda catadura com o adocicado véu da humildade. No entanto, ainda pouco afeita aos gestos que marcam os primeiros passos para se chegar à sabedoria, a velha senhora, recém-convertida à humildade, tropeçou algumas vezes nas palavras. Compreensível. Neófitos em artes que lhes são por completo estranhas, quando tentam se exercitar gaguejam, tropeçam, contradizem-se com alguma frequência. 

Dona Dilma, doravante a mais humilde entre os dirigentes pátrios, se outorgou o admirável título, numa imitação barata de Stálin, através de um ucasse definitivo e irrevogável, ao estilo do Gosplan. A patacoada soaria como delírio inconsequente se não lembrasse as trapalhadas do Chaves, não o facinoroso venezuelano, mas o encantador personagem mexicano vivido por Roberto Bolaños.

Em um dos episódios da comédia infantil, o professor Girafales conversa com um lacrimejante Chaves num canto do pátio onde se desenrolam suas aventuras. O histriônico professor tenta consolar o Chaves (que se lamentava por um erro qualquer que havia cometido), coisa banal e sem maior importância, dizendo-lhe que todos erram alguma vez na vida. Chaves retruca perguntado então se ele – o sábio mestre – também já havia cometido algum erro. O professor Girafales, ao estilo premonitório de dona Dilma, foi definitivo: “sim, Chaves, eu também já errei; errei pensando que tinha errado”. 

Dona Dilma, a humilde, ao que parece, inspirou-se no burlesco professor Girafales para definir o novo papel que pretende desempenhar. Provavelmente a madame só se lembrou dele, muito popular desde os anos 70 do século passado. Outras referências não deveriam estar disponíveis para escolha, certamente por absoluto desconhecimento e impossibilidade histórica. Afinal, ela não teve muitas oportunidades de conviver com gente que não fosse arrogante, autoritária, totalitária e pernóstica. 

Se na juventude ela aprendeu a dialogar portando uma metralhadora, a compulsão à repetição (conforme alertava Freud), só poderia conduzi-la pelo trilho que construiu ao caminhar, distribuindo pontapés e pescoções a torto e a direito. Agora, dona Dilma proclama que está livre de repetir o hábito perverso: tornou-se humilde e ai dos que discordarem. Na referida entrevista, ponderou que ela talvez tenha se equivocado em alguma decisão de governo. Não no mérito, frisou, porém na dose e na extensão, como se fora uma homeopata distraída que se esqueceu de diluir suas beberagens, e apresentou ao doente o veneno em sua forma pura.

A história apresenta a dona Dilma uma surpreendente oportunidade de exercitar a força de sua humildade. Poderá renunciar, como Collor. Não precisa ir ao limite de uma solução ao estilo Vargas. O povo brasileiro é bom e generoso.