segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Ninguém aguenta mais o PT (Salim Mattar) - 08/09/2014




Salim Mattar
Salim Mattar teve seu primeiro contato com a ideia de liberalismo aos 16 anos, quando o professor de um cursinho noturno obrigou os alunos a ler A Riqueza das Nações, de Adam Smith.
Era o destino.
“Quais as chances de um curso de contabilidade, no interior de Minas Gerais, ensinar um livro tão importante?” Salim parece pensar em voz alta durante um almoço recente em Belo Horizonte, sede da Localiza, a empresa de aluguel de automóveis da qual é fundador, presidente executivo do conselho e um dos maiores acionistas.
O segundo contato veio no ano seguinte, quando leu na revistaVisão excertos do livro O caminho da servidão, do economista austríaco Friedrich Hayek, cuja tese central é de que todas as formas de coletivismo, incluindo o socialismo, levam irremediavelmente à perda das liberdades individuais.
“Li aquilo e pensei: Esse cara está falando coisas que fazem sentido e em que eu acredito.” (A Visão, já extinta, era publicada por um outro liberal, o empresário Henry Maksoud, já falecido.)
Décadas depois, Salim tomou para si a tarefa de disseminar o ideário liberal no País –principalmente agora, depois de 12 anos do PT no poder e do crescimento exacerbado da máquina estatal, da carga fiscal e do discurso antiliberal.
Seu ativismo mais direto começou nos anos 80, período em que foi fundado o Instituto Liberal no Rio, São Paulo e Belo Horizonte, e por meio do qual ajudou a financiar a tradução para o português da obra mais eloquente do ideário liberal: A Revolta de Atlas, de Ayn Rand, uma filósofa russa naturalizada americana. Em 2000, foi um dos fundadores do Instituto Millenium, também voltado para a defesa da livre iniciativa e das liberdades individuais.
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Nos últimos meses, outros empresários fizeram pronunciamentos de viés liberal, com tonalidades distintas. Rubens Ometto Silveira de Mello, da Cosan, citou Ayn Rand num discurso em Nova Iorque. Abilio Diniz disse esperar que o governo “não atrapalhe”, falando de uma medida provisória que prejudicava a BRF, e Benjamin Steinbruch criou o melhor slogan para a tese de que o Estado hoje atrapalha, dizendo que “só louco investe no Brasil.”
De uma hora pra outra, Salim Mattar não está mais falando sozinho.
Abaixo, o que ele acha das eleições que se aproximam.
Como o senhor vê o que aparenta ser o fim iminente do ciclo do PT no poder?
Acho que é hora de fazermos uma reflexão. Por que o Brasil está nesta situação, de 12 anos de PT desconstruindo o Brasil? O Brasil só não está pior porque o País é bom demais: é um país rico, com um povo trabalhador e um bom empresariado. Ninguém gosta de colocar o dedo na ferida, mas de quem é a culpa disto?  Para mim, a culpa é do DEM e do PSDB. Com um Fiat Elba, cassaram o Collor, mas com o mensalão, faltou culhão ao DEM e ao PSDB para pedir o impeachment do Lula. Aí dizem: “Mas não havia clima pra isso… Lula tinha tido uma votação maciça..” Pois muito bem, mas e a lei? Onde fica a lei? Uma votação maciça põe um indivíduo acima da lei? O DEM e o PSDB têm um débito com o País. Aliás, nunca souberam fazer oposição e não aprenderam com o PT sendo oposição enquanto governavam.
E a perspectiva de eleição de Marina Silva?
Todo mundo fala da comoção que foi a morte do Eduardo. Mas tem outra comoção implícita nas pesquisas: a comoção do antipetismo. Você vê que as pessoas querem mudança. Marina vai ser muito melhor que a Dilma porque vai ‘despetizar’ o Governo. Ao despetizar o Governo, o país melhora. Existe um ranço no atual Governo contra o capital, contra o lucro, contra o livre mercado, contra o capital estrangeiro e contra as liberdades individuais e de imprensa, contra a ética. Qualquer opositor da Dilma que vença vai fazer um trabalho de naturalmente despetizar o Governo. Ninguém aguenta mais! Aquele desabafo do Roberto Setúbal é isso: ninguém aguenta mais a mediocridade. A sociedade clama por qualquer um que não seja o PT.
Tanto faz Marina ou Aécio?
Não importa quem seja: o povo está dizendo que é anti tudo que está acontecendo atualmente: o aparelhamento da agências reguladoras, a qualidade da educação, que caiu, as obras de infraestrutura que não foram feitas a tempo… e agora tem essa delação premiada do cara da Petrobras: isso, em qualquer País sério, derruba governo, cai todo mundo! No Brasil, vai ficar por isso mesmo? Qualquer governo novo serve. Um governo que seja pior do que o da Dilma serve, porque vai ‘despetizar’ o Governo. Aécio ainda é para mim o nome certo para consertar o País. Ainda tenho esperança, faltam 30 dias e tudo pode acontecer. Se não der Aécio, que seja a Marina. Com certeza melhor do que ‘tudo isto que está aí’. Quem vencer vai receber uma herança maldita.
O empresariado está tomando posição?
Sou do grupo controlador de uma empresa listada na Bolsa, tenho acionistas, então tento não misturar as coisas, mas eu, como cidadão, não tenho mais como me calar. Estou no limite. Amo este país, acredito nele! É claro que estou colocando mais emoção nas palavras para tocar as pessoas, mas a maior parte do empresariado deseja uma mudança. Muitos não falam porque têm medo de retaliação. Todo dia a gente ouve uma história. Este Governo gera medo nas pessoas usando de sua força, do seu poder.
O senhor acha que os empresários deveriam participar mais do debate de ideias no País?
“Uma coisa é você não querer envolver sua empresa, que tem acionistas que podem até não concordar com você. Mas os empresários poderiam fazê-lo na pessoa física. Poderiam contribuir para a disseminação de idéias que possam garantir amanhã o livre mercado e mais liberdade para empreender. A gente compra seguro contra incêndio, seguro de vida e acidentes… Por que não comprar um seguro para garantir que teremos um livre mercado amanhã?”

(Transcrito de Mercado de Ideias)

Sermão do bom ladrão - Padre Vieira


«[…]
Encomendou E-Rei D. João o terceiro a S. Francisco Xavier o informasse do estado da Índia por via de seu companheiro, que era mestre do príncipe; e o que o Santo escreveu de lá, sem nomear ofícios, nem pessoas, foi que o verbo rapio na Índia se conjugava por todos os modos. A frase pareceu jocosa em negócio tão sério; mas falou o servo de Deus como fala Deus, que em uma palavra diz tudo.

Nicolau de Lira, sobre aquelas palavras de Daniel: Nabuchodinosor rex misit ad congegandos sátrapas, magistartus et judices, declarando a etimologia de sátrapas, que eram os governadores das províncias, diz que este nome foi composto de sat e de rapio. Dicuntur satrape qusi satis rapientes; quia solent Bona inferiorum rapere: "Chamam sátrapas, porque costumam roubar assaz". E este assaz é o que especificou melhor S. Francisco Xavier, dizendo que conjugam o verbo rapio por todos os modos. 

O que eu posso acrescentar, pela experiência que tenho, é que não só do cabo da Boa Esperança para lá, mas também das partes aquém se usa igualmente a mesma conjugação. Conjugam por todos os modos o verbo rapio; porque furtam por todos os modos da arte, não falando em outros novos e esquisitos, que não conheceu Donato nem Despautério. Tanto que lá chegam, começam a furtar pelo modo indicativo, porque a primeira informação que pedem aos práticos é que lhes apontem e mostrem os caminhos por onde podem abarcar tudo. 

Furtam pelo modo imperativo, porque, como têm o mero e misto império, todo ele aplicam despoticamente às execuções na rapina. 

Furtam pelo modo mandativo, porque aceitam quando lhes mandam; e para que mandem todos, os que não mandam não são aceitos. 

Furtam pelo modo optativo, porque desejam quanto lhes parece bem; e gabando as cousas desejadas aos donos delas, por cortesia sem vontade as fazem suas. 

Furtam pelo modo conjuntivo, porque ajuntam o seu pouco cabedal com o daqueles que manejam muito; e basta só que ajuntem a sua graça, para serem, quando menos, meeiros na ganância. 

Furtam pelo modo potencial, porque, sem pretexto nem cerimónia, usam de potência. 

Furtam pelo modo permissivo, porque permitem que outros furtem e estes compram as permissões. 

Furtam pelo modo infinitivo, porque não tem fim o furtar com o fim do governo, e sempre lá deixam raízes em que se vão continuando os furtos. 

Estes mesmos modos conjugam por todas as pessoas; porque a primeira pessoa do verbo é a sua, as segundas os seus criados e as terceiras, quantas para isso têm indústria e consciência.Furtam juntamente por todos os tempos, porque do presente (que é o seu tempo) colhem quanto dá de si o triénio; e para incluírem no presente o pretérito e o futuro, do pretérito desenterram crimes de que vendem os perdões, e dívidas esquecidas de que se pagam inteiramente; e do futuro empenham as rendas e antecipam os contratos, com que tudo o caído e não caído lhes vem a cair nas mãos. 

Finalmente, nos mesmos tempos que lhes escapam os imperfeitos, perfeitos, plusquam perfeitos, e quaisquer outros, porque furtam, furtaram, furtavam, furtariam e haveriam de furtar mais, se mais houvesse. Em suma que o resumo de toda esta rapante conjugação vem a ser o supino do mesmo verbo: a furtar para furtar. E quando eles têm conjugado assim toda a voz activa, e as miseráveis províncias suportado toda a passiva, eles, como se tiveram feito grandes serviços, tornam carregados de despojos e ricos; e elas ficam roubadas e consumidas.

É certo que os reis não querem isto, antes mandam em seus regimentos tudo o contrário; mas como as patentes se dão aos gramáticos destas conjugações tão peritos ou tão cadimos nelas; que outros efeitos se podem esperar dos seus governos? Cada patente destas em própria significação vem a ser uma licença geral in scriptis ou um passaporte para furtar.
[…]»
Sermão do Bom Ladrão VIII, pregado na Igreja da Misericórdia de Lisboa, no ano de 1655.

Padre Vieira, o profeta

Padre Antonio Vieira descreveu com mais de trezentos anos de antecedência o modus operandi da turma do mensalão e do petrolão:

(...) porque há príncipes que correm com os ladrões e concorrem com eles. Correm com eles, porque os admitem à sua familiaridade e graça, e concorrem com eles, porque, dando-lhes autoridade e jurisdições, concorrem para o que eles furtam. E a maior circunstância desta gravíssima culpa consiste no Si videbas. 

Se estes ladrões foram ocultos, e o que corre e concorre com eles não os conhecera, alguma desculpa tinha; mas se eles são ladrões públicos e conhecidos, se roubam sem rebuço e à cara descoberta, se todos os vêem roubar, e o mesmo que os consente e apóia o está vendo: Si videbas furem, que desculpa pode ter diante de Deus e do mundo?”

Algemas para os gatunos

Paulo Roberto Costa demonstrou ser mais sagaz que Marcos Valério. Este confiou demais na turma lulo-petista que lhe acenara com a absolvição ou, ao menos, uma expressiva redução de eventuais penas, caso condenado. Uns dias em cana e, logo logo, estaria livre como um passarinho para desfrutar pacificamente dos cabedais amealhados. O grande azar dele foi trombar com um Joaquinzão no meio do caminho. Duro, áspero, inflexível, corajoso e justo, o ex-ministro Joaquim Barbosa conduziu-se da maneira que todos os brasileiros gostariam de ver operando nos tribunais. Juízes e, não, mamulengos venais comerciando sentenças e favores.

Antes do início do julgamento, Marcos Valério poderia ter lançado mão do instituto da delação premiada. Vacilou, como se diz. Levado na maciota pelos espertos petistas, ficou mudo como um frade de pedra. Quando acordou e vislumbrou que o pau de bosta ficaria na sua mão, tentou delatar a turma e os fatos mas, aí, já era tarde. Resultado: 40 anos de cana, destruição da família e sangria patrimonial que resultaram no fim de sua vida como homem e como cidadão.

Paulo Roberto Costa desconfiou que o destino que lhe estava reservado pela companheirada repetiria a trajetória de Marcos Valério. Os chefões escapariam como sempre fazem (Lula é o exemplo mais notório). O rabo de foguete sobraria mesmo é para ele e sua família. Ninguém viria em seu auxílio, concluiu. Os petistas são animais políticos em seu sentido mais amplo. Solidariedade para eles significa uma relação onde um entra com as costas e o outro com o chicote (e ainda deve pedir desculpas por estar ajoelhado). Na hora do pega pra capar, eles pulam fora e só tentam salvar os seus, e olhe lá. Zé Dirceu, João Paulo e Genoíno que o digam.

Em vista disso, Paulo Roberto Costa resolveu abrir o bico, e contar tudo que sabe sobre as roubalheiras na Petrobrás, na esperança de merecer os favores da legislação. Dados os riscos que corre, dificilmente relataria algo que não pudesse provar. As denúncias publicadas pela revista VEJA, na semana que passou, devem ser complementadas na próxima edição, seguindo velha técnica jornalística de sempre deixar reservado um pouco do material, para ser divulgado depois de armado o fuzuê. Por isso o silêncio ou despiste dos envolvidos. Eles não podem dar explicação ou negar fatos sem saber o que a revista publicará no próximo final de semana. 

O tal Alberto Youssef, doleiro que operava para a turma, que fique velhaco também. É outro candidato a ser vizinho do Marcos Valério, enquanto as lideranças petistas buscarão abrigo com os gentis ministros dos tribunais superiores, conforme todo mundo viu no julgamento do mensalão. Pelo divulgado até o momento, essa gente fez muita merda. O destampar do pinico causará uma comoção nacional, principalmente se o material em estoque naquele for jogado no ventilador. Haverá, no mínimo, se não um dilúvio, ao menos um tsunami de bom tamanho.

Os candidatos adversários do PT e associados deveriam enfeitar o estúdio, onde gravam seus programas eleitorais, com inúmeras algemas e correntes, daquelas que os presidiários americanos usam nos filmes policiais sujeitando as canelas. Peados e algemados, tal é o quadro que o Brasil que presta gostaria de testemunhar. Esse é o pano de fundo da decoração: algemas em todos os lugares; penduradas nas paredes, no teto e em cima das mesas, bem ao alcance das mãos. O povo entenderia perfeitamente a simbologia.     

Objetivo final: a Casa da Moeda

A turma do PT sempre mordeu os cofres públicos. Isso é velho como a Sé de Braga. Mesmo quando seus dirigentes exalavam o ar de santarrões, a plêiade de devotos e sacristãos fazia vistas grossas ao que se passava nos porões palacianos. Os homens são o estilo, parafraseando Buffon. Mas, continuando, não se chega ao governo sem algum treinamento prévio. Claro, ninguém se torna gatuno de um dia para outro, como num passe de mágica. É preciso - é fundamental - que o aprimoramento se dê, passo a passo, para que se tenha garantia de resultados no futuro. 

O inevitável começo se dá nas entidades estudantis e em associações voluntárias. Tal situação primordial opera como se fora um jogo de Banco Imobiliário: compra, venda, troca e aluguel de ativos, com a mediação de dinheiro de pouco ou nenhum valor real.

Em seguida passa-se aos sindicatos e outras organizações de natureza trabalhista e profissional. Agora a coisa esquenta. Numerário do gordo, e garantido, começa a fluir para os ávidos cofres de tais entidades. Articulados nos chamados coletivos, a turma passa a desviar a grana para financiar campanhas eleitorais da companheirada: vereador, prefeito, deputado, senador e presidente da república. Tudo perfeitamente justificável; pois, sindicato não é para lutar? 

Passada essa fase, inicia-se o período de colher o que se plantou anteriormente. A partir do controle de fatias do poder executivo, as tetas da gigantesca e sagrada vaca passam a ser sugadas implacavelmente. Há, agora, uma transformação importante. Não é mais o coletivo o destinatário das propinas inumeráveis, qualquer que seja sua forma ou aparência. 

O fluxo financeiro dirige-se então para o patrimônio privado dos antigos revolucionários e lutadores sociais: apartamentos de luxo, fazendas e boiadas, carros exóticos, lanchas, iates, hotéis e contas secretas no exterior, enfim, tudo que o bom e velho dinheiro pode comprar.

A arraia miúda, no entanto, não é esquecida. Ela necessita ser alimentada para funcionar como massa de manobra na defesa do eficiente modelo. Discursos e palavras de ordem carecem de vozes que os enunciem. Retira-se, então, alguma mixaria das poderosas empresas públicas, a fim de dar um capilé para a turma famélica de militantes de todas as causas, turma que cresce aos borbotões escorada em ONG's multifacetadas.      

Em esquemáticas  palavras, está apresentada a anatomia do fantástico universo de larápios do modelo lulo-petista. As roubalheiras na Petrobrás são apenas um detalhe, assim como o foi a gatunagem no Banco do Brasil, por ocasião do famoso mensalão. Aliás, a bem da verdade, consta que o mensalão desviou algo em torno de R$170 milhões de reais. Um troco, se comparado com os bilhões do petrolão. Há quem fique surpreso com a complexidade operacional do esquema. Seria muito mais eficiente se a turma saqueasse diretamente a Casa da Moeda. Lá eles poderiam imprimir até euros e dólares. É tudo papel colorido mesmo. E ainda contribuiria para sacanear Obama e seus pérfidos aliados neoliberais.


domingo, 7 de setembro de 2014

Reforma política

Os acontecimentos dos últimos dias (com o caso Petrobrás), sem descartar a relevância de tudo que aconteceu em termos de roubalheira nos últimos doze anos, permitem imaginar um cenário insólito para o Brasil. Se no país vigorasse a Sharia islâmica, os petistas seriam conhecidos como a turma do Capitão Gancho. Alguns, certamente, teriam não um, mas dois ganchos no lugar das mãos. 

É incrível a capacidade da moçada no saqueio de recursos públicos. Parece uma compulsão, uma espécie de doença. Fazem as advertências já seculares do padre Vieira parecerem conselhos a escoteiros traquinas. Ainda chegará o dia em que a seguinte lei será aprovada no Parlamento:

Art. 1º - É proibido a qualquer pessoa filiada ao PT ter o controle do cofre de qualquer órgão, instituição ou setor da administração pública direta ou indireta, independente de qual seja o  ente federado. 

Parágrafo único: aqueles que violarem o contido no caput incorrerão em crime de responsabilidade.

Art. 2º - Em situações onde petistas já estejam controlando ou dominando a destinação de recursos públicos, o Ministério Público deverá indicar um interventor que responderá civil, administrativa e penalmente pela correta aplicação do numerário.

Parágrafo único: Equiparam-se às entidades referidas no artigo 1º todas e quaisquer organizações que receberam, recebem ou venham a receber recursos provenientes dos cofres públicos, quer por destinação legal ou por transferência voluntária.

Art. 3º - Esta lei entra em vigor imediatamente e seus efeitos se aplicam a todas e quaisquer situações presentes, passadas e futuras.

Art. 4º - Revogam-se quaisquer disposições eventualmente em contrário que entrem em choque com o espírito de tal normatização.

Essa lei seria uma contribuição para a reforma política que ainda ocorrerá no futuro. Não resolveria todos os problemas, mas pelo menos uns 50% estariam equacionados. Emendas que protejam o erário de outros saqueadores serão bem vindas.  

Volte, Joaquinzão!

Se o povo brasileiro pudesse ser ouvido, o grande grito dos excluídos seria, neste sete de setembro de 2014, o de "Volte, Joaquinzão"! Empobrecido pela saída precoce do ilustre ex-ministro, o STF perdeu, com isso, o lugar de depositário das esperanças da nação. 

Mais que nunca, o princípio da publicidade deve ser o principal instrumento jurídico, para que a nação tome ciência dos nomes daqueles que fatiaram, e estão a devorar a Petrobrás. 

É absolutamente necessário que todos saibam quem são os cleptocratas que saqueiam os cofres públicos. Será lamentável, será um atentado à cidadania, se o ministro Teori Zavaski proibir o acesso da imprensa aos autos do inquérito contendo as denúncias do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa. 

A chefia do bando já é bem conhecida. Lula e Dilma não poderão escapar de suas responsabilidades. A madame - gorda e patusca como diria Nelson Rodrigues - fez o diabo enquanto pôde, e ainda faz, conforme se constata no dia-a-dia da política brasileira. Há doze anos que ela manda e desmanda na Petrobrás, Eletrobrás e outras. 

A conduta irresponsável ou, no mínimo temerária, da plastificada senhora de cérebro baldio, pode ser aferida pela sua autorização de compra do ferro velho de Pasadena. Ela mesma assim se delatou. Assinou importantes documentos sem ao menos lê-los, numa leviandade incomparável. Ora, como uma pessoa capaz de tal comportamento ainda quer ser juiz de propostas de adversários, como ela está fazendo ao tecer críticas às propostas da candidata Marina Silva?

Marina Silva deveria interpelá-la para saber se, ao fazer o que fez, dona Dilma estava defendendo os interesses da Petrobrás ou, então, estava apenas dando uma ordem prévia para que se operasse o saqueio de centenas de milhões de dólares dos cofres da estatal. Talvez aqui se devesse utilizar as medidas de Tio Patinhas para se ter uma ideia mais aproximada do quantum surrupiado: Quaquaquilhões, estupidibilhões, dada a magnitude das medidas, inconcebível para pessoas normais. 

A gatunagem no setor energético durante todo o período do lulopetismo, ali incluído o vasto segmento elétrico, sempre teve como parceiro o ainda senador José Sarney. Saber que o ministro Lobão pai (outro bate pau do Sarney, de quem imita até a tintura dos cabelos), era um dos comensais das propinas, causa agora tanto espanto quanto causou, outrora, a notícia de que o ex-ministro Silas Rondeau (também das Minas e Energia e homem de confiança de Sarney), recebia gratificações dentro de seu próprio gabinete. 

Que espanto isso ainda provoca? Nenhum, pode-se dizer, sem qualquer e mínima dúvida. O petismo comprova, como se fora necessário, a cada denúncia que vem a lume, que sua natureza é a mesma da turma de Ali Babá. 

Volte, Joaquinzão! Volte!