terça-feira, 15 de julho de 2014

O voto, ou a escolha nula (ao modo de Ulrica)


Na sua primeira epístola aos Coríntios (7: 8-9) Paulo prescreve:

“Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu. Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se”.

Fazendo um paralelo com o voto nulo, talvez este seja a  mais sábia das escolhas nos dias atuais. Homens e mulheres, afinal, são seres imperfeitos e o matrimônio, como bem o sabem os casados, não é um mar de rosas. A renúncia ao casamento, assim como a renúncia a escolher um parceiro político, pode conduzir o ser humano a patamares existenciais mais dignos e mais coerentes com a satisfação pessoal e, quem sabe, com os próprios desígnios do Eterno. O preço da escolha é penoso e os resultados costumam ser imprevisíveis. Melhor seria, então, não se arriscar. 

Os acontecimentos e os fatos, no entanto, colocam desafios dos quais não conseguimos fugir. Avaliações equivocadas (por exemplo, dizer que todos os homens, ou todas as mulheres, são iguais), jogam gatos e sapatos num mesmo balaio. Talvez, até, exista fundamento em equiparar tudo e todos num pacote similar. É compreensível. Nós, afinal, somos homens e mulheres comuns, possuidores de simultâneas “escuridão e rutilância”, como dizia o poeta. Somos capazes das maiores grandezas e, também, das maiores baixarias. 

Sofremos decepções com nossas escolhas. Inúmeros se queixam da má-sorte de terem se casado com a pessoa errada, ou distinta daquela com a qual se uniu em tempos passados. Queixamo-nos, também, das escolhas políticas, quando percebemos a distância entre aquilo que nos foi prometido e aquilo que nos foi entregue.  

Mas a vida deve seguir seu trilho. Casamos e fracassamos, mas não desistimos. Aí entra o conselho paulino: melhor casar outra vez, ou quantas vezes se fizer necessário, do que ficar se remoendo por dentro, em brasas, afogueado, a reclamar amargamente dos outros. Escolhemos políticos de maneira equivocada, mas não devemos deixar de refazer outras escolhas quando a oportunidade se impuser, mais além da bucólica e amorosa configuração posta por Fernando Pessoa: 

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.

Votamos em patifes no passado, gente que só mais tarde alcançamos conhecer na sua integralidade. Vale reconhecer que não é incomum sabermos, antecipadamente, das malandragens de pessoas que escolhemos, quer como parceiros amorosos quer como parceiros políticos. Pilantras exercem um estranho fascínio sobre as pessoas que os elegem. Todas as famílias têm algum caso para contar; moças encantadoras e bem formadas, apesar de advertências cabais, insistem em se casar com vagabundos, traficantes e preguiçosos de maneira incompreensível para seus pais, irmãos e outros parentes e amigos. E seus melhores pretendentes são relegados a segundo plano, com desdém.

Nem por isso se deveria renunciar ao direito de escolher novamente. Nós fracassamos, sim, mas devemos assumir nossas fragilidades. “Navegar é preciso”, dizia outro grande poeta, num verso ambíguo. Dificilmente encontramos alguém perfeito. Só os abençoados por Deus o conseguem. Não temos entre nós (para elegermos) lideranças do porte de um Mahatma Gandhi, de um Churchill ou de um Roosevelt. Mas se, ao menos, pudermos impedir que políticos demagogos, gatunos e tiranos continuem a infernizar o país, já teremos dado a modesta contribuição individual possível. Isso é só o que resta a cada um de nós. Ou, então, fazer como o avestruz: enfiar a cabeça no buraco e deixar a bunda de fora facilitando o trabalho dos predadores. Entre um mal maior e um mal menor, melhor o último. Há gente decente no Brasil. Vamos encontrá-la nem que precisemos garimpar a vida toda.
     





quinta-feira, 10 de julho de 2014

Muita promessa...

...E pouco atendimento! Não pense algum desavisado que o título deste artigo, e sua continuação no início deste texto, faça  parte de algum receituário gerado nos porões obscuros do palácio do Planalto. Ou seja fruto do vadio e imaginoso espírito marqueteiro de Lula da Silva, harmonizado com eventuais emanações do cérebro sáfaro de dona Dilma. Felizmente não é assim tão vulgar. Trata-se, de fato, de um verso da Divina Comédia que anuncia pérfido conselho – recebido de um aventureiro, e acatado pelo papa Bonifácio VIII – desejoso de derrotar seus inimigos de então, os cardeais Colona. São antigas, como se vê, as deploráveis práticas a que se entregam os políticos (pátrios e de outras plagas também): prometer muito, e pouco cumprir das promessas.

Fazendo o diabo em época de eleições, como já pontificou a atual presidente, imagine-se o que não fariam nossos dirigentes, caso tivessem lido na íntegra a obra de Dante Alighieri, tão ricamente ilustrada com pecados e perversões os mais diversificados. Sob tal inspiração o país viraria uma festa! De arromba! Sorte nossa que Lula seja pouco dado às letras clássicas, se é que é dado a alguma. E do vernáculo, dona Dilma não domine quantidade de palavras superior à de um funkeiro mediano. Até em coisas das mais triviais o Brasil se empobreceu nos últimos tempos: em vez de trinca de patetas, temos agora apenas uma dupla. Relembre-se, a propósito, que Ulisses Guimarães tachou de "três patetas" o triunvirato militar que se apossou do governo após a morte de Costa e Silva. 
       
O deplorável casal petista, verso e reverso de um mesmo disco arranhado, não possui o mínimo daquilo que se chamava antigamente de semancol. Lula e dona Dilma não “se mancam”, não desconfiam, ou fingem não desconfiar, que seu tempo acabou. Zumbis insepultos que se recusam a ir para a cova, continuam a agir como se o Brasil não estivesse a mudar, grávido, ansioso por novos tempos e novas caras na condução do país. Um país ansioso, sobretudo, por palavras que lhe toquem o ânimo e o estimule na busca de um tempo mais civilizado. 

Os brasileiros estão fartos das vulgaridades costumeiras de Lula, e das tronchices com as quais dona Dilma fere dia a dia nossos ouvidos e  sensibilidade. Uma inspeção nos arquivos da internet mostrará a qualquer curioso a magnitude da estupidez e da mais granítica ignorância de ambos frente a assuntos corriqueiros. Enfim, basta ler e ouvir para crer quem são os atuais dirigentes do Brasil.

Lula e Dilma arregimentaram em torno de si o lixo político e cultural produzido em cinco séculos da história brasileira. De tal união brota o chorume repulsivo que alimenta figuras emblemáticas como Sarney, Collor, Dirceu e Maluf. As recentes manifestações e censuras públicas ligadas à realização da Copa do mundo não passam de um sintoma do que fermenta sob a superfície. Quem mais vai acreditar em promessas desses embusteiros? Que pessoa normal consegue imaginar a nação conduzida, nos próximos anos, por gente tão desqualificada cujo maior legado foi a institucionalização da corrupção, da propaganda desavergonhada, da mentira e das falsas promessas? O Brasil está farto de tais trapalhões. Os eleitores têm sinalizado pela rejeição ao nome de dona Dilma, que desejam mudanças. Entretanto, não se viu ainda uma clara opção alternativa. Nas simulações que os institutos de pesquisa publicam, as oposições ainda patinam no mesmo lugar. Os discursos dos pretendentes oposicionistas soam perigosamente similares uns aos outros. Por surpreendente que possa parecer, o único que tem se manifestado de forma clara e inequívoca é o pastor Everaldo Pereira, candidato do nanico PSC, falando com firmeza à expressiva base evangélica disseminada por todo o país. Os dois nomes mais em evidência - Aécio Neves e Eduardo Campos - parece estarem a oferecer apenas mais do mesmo. Suas bases programáticas são variantes daquilo que o petismo implantou nos últimos doze anos, com acréscimos cosméticos e pontuais aqui e ali. Talvez por isso o aparente paradoxo: o povo não quer dona Dilma, mas ainda não indicou aquele que melhor interprete o desejo eleitoral da maioria em outubro próximo. Frente ao lenga-lenga burocrático e administrativista de Campos e Aécio, não causaria surpresa um crescimento dos índices eleitorais do pastor Everaldo.  

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Silêncio da OAB (e das Universidades também)

As ameaças à democracia constitucional brasileira encontram poucos defensores. Instituições que marcaram sua existência pela luta em favor da constituição - como as Universidades e, notadamente, a OAB - se rendem à sedução totalitária encarnada no petismo. É uma situação tão espantosa que até um ex-presidente da Ordem se manifestou preocupado. Em artigo publicado no jornal O Globo, o dr. Reginaldo Castro assim escreveu:
"Estamos diante de uma agenda política assustadora. Teme-se pela independência do Judiciário e do Legislativo. O aparelhamento do Estado, síntese desses temores, culmina com a edição do decreto 8.243, que o entrega ao arbítrio dos “movimentos sociais”, sem que se defina o que são, já que podem ser institucionais ou não, segundo o decreto.
Antes, tivemos o mensalão, pontuado de agressões por parte dos réus ao STF e ameaças de morte a seu presidente, Joaquim Barbosa. E ainda: a tentativa de regulamentar (eufemismo de censurar) a mídia; a inconstitucionalidade do programa Mais Médicos; a desobediência do presidente do Senado ao STF quanto à instalação da CPI da Petrobras; a violência dos black blocs nas manifestações de rua; as ações criminosas de milícias armadas do MST e do MTST, entre numerosas outras ilegalidades que reclamam uma palavra firme de condenação por parte da advocacia brasileira. E o que se ouviu da OAB? Nada.
São assassinadas no Brasil anualmente mais de 50 mil pessoas, a maioria, jovens e pobres, em decorrência do narcotráfico. Hoje, o Brasil é, além de rota preferencial do comércio de drogas, o segundo maior consumidor mundial de cocaína e o primeiro de crack. O PT, há quase 12 anos no poder, não inclui esse combate entre suas prioridades. E o que diz a OAB? Nada!"
O petismo parece ter aprendido algo sobre a natureza profunda dos burocratas: eles gostam, mesmo, é de dinheiro e de privilégios. A OAB nem sempre foi assim; ela já foi dirigida por gente de outro barro. O exemplo mais notável é o de Raimundo Faoro (vale a pena reler sua obra prima OS DONOS DO PODER). Dentro das universidades, os que não venderam a alma, ao preço de  "bolsas e ajudas de custo", se tornaram tão minoritários como os que, em outras épocas, sustentaram o espírito crítico e oposicionista aos governantes de plantão. Deve ser o tal espírito do tempo.   

Nunca discuta com idiotas

Para aqueles tentados a perder o precioso tempo discutindo com idiotas, confiram este vídeo no YouTube:

http://youtu.be/TqASXGI_9j0

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Salve Joaquim Barbosa


O ministro Joaquim Barbosa se afastou voluntariamente do STF. Aposentou-se precocemente para desgosto de tantos que o viam como garante do interesse público, ao contrário de boa parte dos membros daquele colegiado, serviçais sempre prestativos dos que mandam e desmandam no Brasil. Se as oposições forem vitoriosas no próximo 5 de outubro, há que se pensar no aumento do número de membros do Supremo Tribunal Federal, para neutralizar a presença de figuras como Tóffoli, Barroso e outros.

O povo brasileiro, em sábia postura, vem dando ao ex-ministro o merecido reconhecimento. Joaquim Barbosa pode, ao contrário dos Lewandovski da vida, circular livremente pelas ruas, pelos restaurantes, pelas praias e outros lugares onde pessoas normais comparecem. E mais: onde ele passa os cidadãos brasileiros honestos lhe fazem elogios, tiram fotos, pedem autógrafos ou, então, simplesmente, o aplaudem. Se, por acaso, ele sofrer alguma hostilidade, pode-se ter certeza que ela virá de bandidos, ou parentes, ou amigos, ou cúmplices dos mensaleiros que ele mandou para o xilindró. Joaquim Barbosa tem autoridade para comparecer aos estádios de futebol; ele jamais receberá dos torcedores os apodos dirigidos a dona Dilma.

Deveríamos fazer um repto a Dona Dilma Rousseff: ajuntar um séquito de muquiranas para assistir as partidas restantes da copa, principalmente o jogo final no Maracanã. O batalhão composto por Ideli Salvatti, Marilena Chauí, Gleisi Hoffman, Marta Suplicy, e outras mais esquisitas ainda, poderiam todas se cobrir de burcas - fornecidas pelos seus amigos, os aiatolás atômicos - para não serem reconhecidas por ninguém. Essas tiazinhas rancorosas e rabugentas merecem, por justiça, ser deportadas para o Irã, ou Coréia do Norte. Lá elas poderão destilar adequadamente o ódio de que são feitas ou estão impregnadas.   





terça-feira, 1 de julho de 2014

Os bons companheiros

Quem com porcos se mistura, farelos come, reza um dos mais antigos e verdadeiros ditados populares. Outro ainda, tão límpido como aquele,  proclama que um gambá cheira o outro. Os iguais, enfim, costumam se associar ou marchar juntos em vista da comunhão de interesses. Da mesma forma que a adesão de novatos a grupo já consolidado permite a este se ampliar e se revigorar com os recém afiliados. As eleições de outubro próximo podem ser vislumbradas a partir dos dois provérbios acima.

Os mais notórios patifes da república brasileira, alguns com décadas de refinada atuação nas práticas mais condenáveis da vida pública, marcham unidos em torno da candidatura de dona Dilma. Parece até que é alguma praga. De norte a sul, de leste a oeste, os personagens em questão dão uma resposta uníssona a eventual pergunta sobre quem eles estão apoiando para ser o próximo presidente do Brasil. Suas escolhas obedecem a um padrão muito regular para que fosse considerado apenas fruto de simples acaso.

Faça-se uma listagem, dos corruptos  mais conhecidos aos de menor evidência: Maluf, Sarney, Jucá, Calheiros e outros inumeráveis. Todos eles se congregam na igreja satânica de dona Dilma, sem qualquer defecção. Realmente, um gambá cheira o outro e quem com porcos se mistura, farelos come.
De fato, nestas eleições de 2014, haverá uma disputa do nós contra eles. "Eles" são aqueles que comem no mesmo cocho da porcada sem vergonha que parasita o povo brasileiro, com os petistas à frente do batalhão. Cada um que escolha o lado que quer ficar e os companheiros de jornada.

A felicidade dos papudinhos

Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe. Os papudinhos estão felizes agora. Papudinhos são os hóspedes da tristemente famosa penitenciária da Papuda, em Brasília. Seu núcleo é composto pela cúpula dirigente do Partido dos Trabalhadores, aqueles mesmos que adoravam proclamar em alto e bom som que “o PT não róba nem deixa robá” (sic). Não caíram de paraquedas lá dentro das grades, é bom lembrar, mas em virtude do esforço morigerador aplicado pelo STF, sob a batuta do ministro Joaquim Barbosa, a impenitentes corruptos desavergonhados. Enfim, para surpresa de muitos, os agentes mais notórios do mensalão (Zé Dirceu, Delúbio e Genoíno) foram capturados e trancafiados. Ficou de fora aquele que era o verdadeiro chefe da quadrilha, safo o suficiente para jogar suas culpas sobre os ombros alheios. 

Reconheça-se, no entanto, que o chefão tem um peculiar talento: quem tem a última palavra, se não fosse o suficientemente velhaco e esperto – deixando-se apanhar – logo, logo perderia o comando da vasta e gulosa grei que vive de parasitar o Estado. Assim, no arremedo de Nuremberg onde se deu a condenação da horda de patifes, ficou faltando um, o maior dentre todos, novamente a circular por aí, todo pimpão, em sua vilegiatura incansável sobre os palanques, a arengar perversamente sandices inacreditáveis. Nas cervejarias de Munique, Hitler não faria melhor.
 
A vida, entretanto, seguiu seu curso. O quase ex-ministro Joaquim Barbosa – juiz que honrou e dignificou a magistratura de todos os tempos, como a confirmar que “ainda há juízes em Berlim” – deixou a relatoria do processo do mensalão em decorrência de sua precoce aposentadoria no STF. Seus sucessores (no comando do Supremo e do referido processo), tecendo horas de seda e ouro, aguardam, pacientemente, o momento de desfazer as principais decisões tomadas por aquela corte constitucional, que cometeu a imperdoável condenação daqueles quadrilheiros tão famosos, algo insólito nas vetustas práticas judiciárias brasileiras, vocacionadas desde sempre para o beija mão dos que têm o poder, notadamente o de acrescentar uns caraminguás ao seu rico capilé de fim do mês. Dois ou três paus a mais, não importa quanto, já dão para o gasto; de grão em grão a galinha enche o papo. A conta fica mesmo é para a rica viúva que nunca faltou aos seus.

Liberados da monotonia melancólica do dia a dia detrás das grades, os papudinhos poderão retornar às articulações habituais no submundo da política. Entre outros desafios, há que azeitar os relacionamentos, visando os bons negócios, com varões de Plutarco como Sarney, Maluf, Jucá e outros notáveis companheiros de biografias cujas raízes remontam aos distantes tempos do regime militar. Tudo muito natural, pois, afinal, os donos do poder de hoje e de ontem falam a mesma língua. Eles se entendem através dos mais singelos sinais, que passam despercebidos ao comum dos mortais (a cristianização do petista Padilha, em São Paulo, para apoiar a candidatura do peemedebista Skaf, parece já ser fruto da repaginação do condomínio; se traem os próprios companheiros do PT, imagine-se o que não são capazes de fazer com os outros que não rezam na mesma cartilha). E a situação eleitoral de dona Dilma está a exigir a intervenção de profissionais, como aqueles da turma de Zé Dirceu. 

O retorno dos papudinhos ao centro do palco, revigorados como que saídos de um SPA, prenuncia dias gloriosos para a República. Palmas, então, para os magistrados que tão bem compreenderam a relevância política de se abrir a gaiola onde jaziam pássaros de tal nobreza. O povo brasileiro chora. Os papudinhos, ao contrário, estão felizes como pintos no lixo.