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segunda-feira, 13 de julho de 2020

Harmonia e cacofonia

Ministros do Supremo Tribunal Federal, bem como presidentes do Senado e da Câmara dos deputados, não se cansam de, dia sim, dia não, proclamar as altas virtudes da separação dos poderes, a fim de justificarem suas abusivas intromissões no campo de competência do presidente da república. Tais manifestações de tão altos juízes togados criam, ao contrário da harmonia estipulada constitucionalmente, uma infernal cacofonia. Algo parecido com uma orquestra composta por vuvuzelas, caxirolas e berimbaus agrupados num bando de dimensões equivalentes ao somatório do número de magistrados das Cortes Superiores. Obedecido o critério, isso vai pra lá de meia centena de participantes, todos vuvuzelando, caxirolando e berimbausando. Nem Dante imaginou ruídos tão infernais para seus condenados. Seria esta, de fato, a mais perfeita imagem de cacofonia, com a orquestra de vuvuzelas, caxirolas e berimbaus comandada por um ensandecido Barbarícia. Somente este,  postado como maestro da turma, demônio indecente que era, portava instrumento diferente daqueles outros, ao fazer de tuba o traseiro rodopiante, conforme apontou o memorável poeta florentino.   

Harmonia, ao contrário, exige instrumentos de outra ordem. No paraíso a bem aventurança é gozada não apenas pela presença de Deus, mas pelas melodias harmoniosas que brotam do violino de Bach, e se espalham eternamente pelo éter, para gáudio das almas escolhidas, aquelas que buscaram com sinceridade cultivar a harmonia como princípio, em todas as oportunidades com as quais se depararam em vida. 


 

sábado, 10 de outubro de 2015

Ventos e tempestades

Inferno, Canto XXV - punição dos ladrões


Velho adágio ensinava: quem planta vento colhe tempestades. A ojeriza que o povo brasileiro vem demonstrando ao PT e às suas lideranças é a prova viva daquela verdade. Não é gratuita tal rejeição. Colhem apenas um pouco do que plantaram com afinco e zelo. O coitadismo do qual lançam mão para se fazerem de vítimas é só mais uma prova de cinismo temperado com atrevimento. Poucos seriam os adultos que não conseguiriam citar um exemplo de condutas delinquentes, atrabiliárias e arrogantes cometidas por petistas ao longo dos últimos trinta anos. 

Um inventário de suas incivilidades preencheria toneladas de papel. Não há um setor da vida social que tenha ficado imune a seus atos deletérios. Em escolas de qualquer nível as práticas petistas mais pareciam piadas, para dizer o mínimo, tal o nível de desfaçatez. Ficaram famosas as folclóricas agitações patrocinadas por seus simpatizantes nos corredores de vetustas universidades. Para impor sua totalitária visão de mundo, bandos de bárbaros tumultuavam atividades escolares normais, soprando seus apitos a guisa de argumento, irritando professores e demais alunos que só queriam trabalhar e estudar, e não podiam.

Tumultos e outras impertinências conduzidas por marmanjos petistas desocupados (em boa parte financiados com dinheiro dos sindicatos ou pixulecos de empresas públicas), infernizam a vida dos cidadãos comuns. Adoram engarrafar o trânsito nos horários de maior movimento nas grandes cidades. Para eles é fácil, pois que não trabalham nem têm quaisquer outras obrigações. Isso quando não estão na linha de frente da paralisação de serviços essenciais: educação, saúde, transporte, combustíveis, energia etc. O povo fraco e dependente que se dane, é o conceito que os orienta sem qualquer remorso dos males que provocam.

Na dimensão da vida política eleitoral e parlamentar o elenco das malfeitorias da moçada (para lançar mão do curioso jargão da presidenta), chega ao nível do sublime. Onde há petistas e seus acólitos pode-se esperar alguma trapalhada. É quase que a crônica de uma morte anunciada. Os recentes episódios do mensalão e do petrolão, sem subestimar as novas patifarias que marcham para o centro do palco (atingindo outras empresas públicas cujos cofres estão a descoberto), sugerem que o petismo gangrenou todas as instituições. Alguns, com suposta ingenuidade, alegam que o PT de antigamente era puro e honesto. A convivência com Maluf, Barbalho, Collor, Sarney e outros é que os teriam levado a cair na vida. Falso. O homem adulto já está na criança. Aprenderam a saquear o erário treinando nos sindicatos, nas entidades estudantis e nas diversas associações. Foi um processo, bem sucedido, se não for heresia dizer isso. 

O espírito de rapina do PT é comprovado pelo destino dos seus últimos tesoureiros. Um foi para a Papuda, o outro engaiolado pela Lavajato. Ou alguém terá a cara de pau de dizer que o PT se financiava vendendo estrelinhas em barracas de camelôs no centro das cidades? Quando desembarcaram na presidência da república, em 2003, o fizeram com a mão grande e a goela aberta. Que o diga o caso, até hoje não esclarecido, da primeira briga dentro da caverna de Ali-Babá, que levou a mudança, um ou dois meses após a posse, da cúpula do Ministério do Trabalho. Essa gente - do mesmo modo que outros flibusteiros - é capaz de vender a própria mãe para fazer uma boa catira. A única diferença é que os petistas entregam a velha, tudo conforme o combinado. 

A rejeição popular vista hoje possui, portanto, raízes profundas. O futuro dessa quadrilha está selado. Aguarda-os a sétima vala do oitavo círculo do Inferno (Canto XXV), onde os ladrões correm em meio de enormes serpentes. Quando por elas picados, entram em combustão, reduzindo-se a cinzas, para renascerem logo em seguida. Que Dante tenha razão em sua especial profecia.

sábado, 26 de setembro de 2015

Navegando no pântano (Fernando Gabeira)



Navegando no pântano do Rio Pandeiros, no norte de Minas, tive uma intuição sobre o curso das coisas no Brasil. As plantas aquáticas dominavam o caminho, não se via água. Onde estava o leito do rio? Nosso objetivo era alcançar o São Francisco onde o Rio Pandeiros desemboca.

O barco avançava entre os aguapés ao som do ruído do choque das plantas com o metal do casco e percebi que sozinho ficaria perdido na imensidão daquele pântano verde-garrafa. Por isso levamos o barqueiro Pedro, que conhece as pequenas e fugidias trilhas da água. E ele nos levou, depois de quase três horas de viagem, ao encontro do São Francisco.

A verdade é que na volta, pelo mesmo caminho, o motor do barco fundiu. Mas Pedro faz o mesmo percurso quase todo dia. Sabe se mover no pântano.

A sensação de se mover de forma errática naquele território de mil hectares seria insuportável. No entanto, ela se parece com a que vivemos na cena nacional. Os atores aparentam não conhecer as trilhas do pântano. E se perdem no emaranhado das folhas, retrocedem achando que avançam.

Falemos dos projetos de “bondades” que o Congresso aprovou e Dilma vetou. Derrubar os vetos da presidente, sem dúvida, a enfraqueceria. Mas ao custo de perpetuar a mesma ilusão que nos jogou no buraco: fazer o bem sem olhar o momento ou saber como pagar.

O governo, então, parece ter adotado o pântano, como os jacarés. Delira em público sobre impostos, da CPMF à Cide, e termina sua noite nos cassinos, sonhando em legalizar o jogo. Com quem será, com quem será que a gente vai se ferrar?

Todos sabem que não se sai do pântano sem um timoneiro. E a maioria considera o impeachment inevitável. Mesmo o PT já deve estar discutindo internamente se a renúncia ou o impeachment pode servir-lhe melhor na outra vida. Se houver outra vida depois da que se perdeu na delinquência.

Dos atores pantaneiros, o que me parece ter um esboço do caminho é o PMDB. Recusou indicar ministros e marcou para dia Proclamação da República a convenção que pode romper com o governo federal. Daí para se unir com a oposição e despachar Dilma é somente um passo.

Não é um trajeto fácil, porque o barco do PMDB ainda vai enfrentar a tempestade da Lava Jato, mais ameaçadora ainda com o surgimento de novas delações premiadas. E alguns dos seus quadros não resistem a participar de um governo, mesmo depois de morto.

E há as grandes dificuldades do pós-impeachment. As empresas brasileiras perderam R$ 1 trilhão em valor de mercado. O dólar aumenta vertiginosamente, com reflexos na economia, no cotidiano e na produtividade de quem depende de produtos importados.

São instrumentos de trabalho que não se vendem no posto Ipiranga. Falava de tudo isso, segunda-feira, num encontro com amigos em Niterói, no momento em que o motorista que me esperava na porta foi sequestrado e assaltado.

Com os últimos arrastões no Rio e a insegurança que sinto nos meus deslocamentos, deveria ter enfatizado algo que apenas esbocei em alguns artigos. As duas crises que se alimentam mutuamente, a política e a econômica, começam a disparar o gatilho da que realmente vai mudar a qualidade do processo: a crise social.

Dois importantes termômetros são o índice de desemprego e o aumento da violência urbana. Daí o sentido de urgência não só de despachar Dilma, de mas esboçar uma visão de como sair do pântano. Algumas realidades não desaparecem com a saída de Dilma. O rombo no Orçamento, por exemplo. Teremos pouco dinheiro para demandas crescentes.

Creio que as trilhas do impeachment são visíveis no momento. Para o depois, nem tanto.

Existe um quase consenso, do qual compartilho, de que é preciso reconquistar a confiança do mercado. Inúmeras vezes defendi essa tese no Parlamento, a de uma sintonia com o mercado. No entanto, sempre ressalvei que precisava trabalhar com outras coordenadas, senão iria soltar a voz na Bolsa de Valores, e não no Congresso Nacional.

O desafio de sintonizar-se com o mercado, articulando as diferentes dimensões da crise, é dos políticos. Talvez esteja dramatizando um pouco, mas em outro contexto. O Congresso deveria estar fervilhando não apenas com o impulso da queda de Dilma, mas no debate das opções que se abrem.

Em linhas mais gerais, ficou claro que só é possível avançar respeitando as leis que regem o capitalismo. Só tem sentido contrariar essas grandes realidades quando se tem outro modelo como estratégia. Exemplo: o “socialismo do século 21” na Venezuela. Na verdade, uma ruína do século 21.

Ao longo destes anos, o governo do PT suscitou um arsenal crítico que é um ponto de referência. Mudar a política externa, hoje talvez seja fácil, pelo menos no curto período que vai até 2018: bastaria inverter as prioridades do governo petista. Isso não significa voltar as costas para os vizinhos continentais. Mas diante das potencialidades do país, não podemos distanciar-nos da inovação tecnológica.

A tarefa central de um governo minimamente articulado será a de levar o país para 2018, restabelecendo um fio de confiança no processo político brasileiro. Aí, então, será possível renovar a esperança e prosseguir na tarefa gigantesca não só de resolver a crise econômica, mas todos os problemas que incomodavam quando a economia, para muitos, ainda parecia bem em 2013 e milhões de pessoas foram às ruas exigir melhores serviços públicos.

Quando caiu o Muro de Berlim, os camelôs vendiam seus pedaços aos turistas. O material acabou e os camelôs passaram a vender pedaços de muro falsificados. Não sei se vejo bem, mas a ideia me ocorreu quando comecei um livro sobre o meu aprendizado da democracia nos trópicos.

 Este momento histórico mostra a implosão, no país, do último pedaço falsificado do Muro de Berlim.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Dilma, a filha da mentira

   
Quando ele profere mentira fala   
do que lhe é próprio, porque é
mentiroso, e pai da mentira 
(João 8:44)


                                      
Em discurso pronunciado na abertura dos trabalhos da ONU, dona Dilma mostrou, mais uma vez, que seu caso não é político: é espiritual. Uma pessoa temente ao Senhor não ousaria apoiar assassinos, estupradores e abusadores de crianças e mulheres congregados na seita de sicários denominada Estado Islâmico, organização terrorista que tem como método de ação a degola ou crucificação de suas vítimas. 




Ninguém próximo da dita normalidade, teria coragem de afrontar os parâmetros da vida civilizada que regem as relações entre os povos, em flagrante contradição com o entendimento da totalidade das nações irmanadas na ONU, as quais querem coibir os crimes daqueles fanáticos. Somente dona Dilma, a tresloucada filha da mentira, ou do diabo, o que dá no mesmo, teria a coragem de patrocinar tal posicionamento (nada de repressão aos degoladores e crucificadores - propõe dona Dilma - mas conversas e conselhos gentis para que eles se redimam e abandonem suas práticas abomináveis).   




Dona Dilma parece estar endemoniada. Talvez sua alma nem mais esteja entre nós e ela, Dilma ou o que imaginamos ser a própria, seja tão somente um daqueles seres fantásticos que transitam entre diferentes mundos. Talvez sua alma já habite, há muito, as profundezas do inferno, mergulhada em mar de piche fervente. Talvez seu corpo esvaziado tenha sido ocupado por algum demônio do bando de Barbarícia. 

Talvez não só dona Dilma, mas o conjunto de seus acólitos, se transformaram em corpos sem alma: zumbis, a vagar sem rumo e sem pouso. Talvez os demônios desocupados se aproveitaram e invadiram imediatamente aqueles vazios, assim como o fazem os bárbaros do MST em todos os rincões do Brasil. Talvez os demônios amigos de dona Dilma tenham se constituído no MDSC (Movimento dos Demônios sem Corpo). 

Dona Dilma deveria ser exorcizada. Entre alguns de seus devotados amigos pratica-se a cerimônia de descarrego, visando afastar os encostos que encalistam suas vítimas. Que eles cumpram seus deveres para com a humanidade ou, ao menos, tentem amenizar este flagelo

É necessário fazer uma corrente; orar para que o demônio encarnado em Dona Dilma se afaste de seu corpo, e volte o mais rápido possível ao seu mundo infernal. Duzentos milhões de brasileiros merecem ser dirigidos por alguém menos nefasto. Dona Dilma, a endemoniada, é u'a ameaça para todos os povos da Terra!