terça-feira, 29 de julho de 2014

O fiasco dos incentivos (publicado no Estadão de 29-07-2014)

"O fracasso da política industrial foi provado e comprovado pela estagnação econômica dos últimos quatro anos, pelo péssimo desempenho da indústria e pelo déficit comercial do setor de manufaturados. Mais uma prova contundente acaba de surgir com um estudo sobre o efeito do incentivo fiscal - redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) - ao setor automobilístico. 

Entre 2010 e 2013, esse benefício resultou em acréscimo de apenas 0,02% ao ano ao Produto Interno Bruto (PIB) e de 0,04% ao emprego, segundo análise dos professores Alexandre Porsse e Felipe Madruga, da Universidade Federal do Paraná. Apesar disso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, decidiu prorrogar mais uma vez o benefício. Sua extinção estava prevista para o começo de julho, mas a redução valerá até o fim do ano.

Com a decisão, o governo mais uma vez cedeu às pressões da indústria. Mas o ministro e a presidente Dilma Rousseff podem ter levado em consideração outros motivos. A economia foi muito mal no primeiro semestre e no mês passado as perspectivas continuavam ruins - um detalhe especialmente incômodo em tempo de eleições. Sem ideias melhores para impulsionar a atividade, mais uma dose da política seguida nos últimos anos poderia parecer uma saída razoável.

Nem por isso as projeções econômicas deixaram de piorar. A mediana das projeções para o crescimento do PIB chegou a 0,97% no dia 18 e a 0,9% uma semana depois, segundo a pesquisa semanal do Banco Central (BC) com instituições financeiras e consultorias. Na semana passada, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) cortou de 1,8% para 1% a estimativa de expansão do PIB.

A previsão para a indústria passou de um crescimento de 1,7%, estimado em março, para uma contração de 0,5%. Para o segmento de transformação, o encolhimento agora esperado chegou a 1%. Para a construção civil, a variação negativa deve ser de 1,7%. Para dois segmentos ainda há projeções positivas: 2% para os serviços industriais de utilidade pública e 1,5% para a indústria extrativa.

O baixo investimento continuará limitando o potencial de expansão econômica neste ano e ainda por algum tempo. O total investido em máquinas, equipamentos, construções privadas e infraestrutura caiu 4% em 2012, aumentou 5,2% em 2013 e deve cair 2% neste ano, segundo a estimativa da CNI. A projeção formulada em março indicava um aumento de 2,5%. Ainda assim, a proporção da renda aplicada em investimentos produtivos continuaria muito baixa para as necessidades brasileiras e muito inferior aos padrões internacionais.

Estímulos como a redução do IPI para automóveis e algumas outras classes de produtos favorecem principalmente o consumo e pouco afetam o investimento. Isso foi comprovado amplamente nos últimos anos. Ações desse tipo foram iniciadas como políticas anticíclicas. Podem ter contribuído, em 2009, para o Brasil sair da recessão. Mas seu alcance era previsivelmente limitado.

O governo parece ter sido incapaz de perceber essa obviedade - e até mesmo de notar a mudança de situação. Ministros e altos funcionários ainda falam de medidas anticíclicas, como se o cenário fosse o mesmo de cinco ou seis anos atrás. Parece incrível, mas a presidente e sua equipe vão completar quatro anos de governo com uma política desenhada para os problemas conjunturais de 2008-2009. Já na posse, em janeiro de 2011, o quadro global e nacional era outro, mas os formuladores da política menosprezaram esse detalhe.

O estudo sobre a redução do IPI dos automóveis comprova a ineficácia de uma política industrial voltada para uma indústria ou para alguns segmentos. Testar os efeitos dessa política - conhecida como vertical - foi um dos objetivos da análise realizada pelos dois pesquisadores. Políticas verticais, também praticadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, tendem a ser um desperdício de recursos, podem ter efeitos concentradores e entravam a modernização, se forem acompanhadas de protecionismo. Mas o governo parece ainda longe dessa conclusão".


segunda-feira, 28 de julho de 2014

Antes, era a Arena. Agora, o PT

Pulicado no Estadão de segunda-Feira 28/07/14

Tito Costa*
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"Quando os militares assumiram o poder em março de 1964, puseram de lado a Constituição e passaram a legislar por meio de Atos Institucionais, criação da mente privilegiada de Francisco Campos, o Chico Ciência. O Ato Institucional nº 1 aboliu garantias constitucionais, especialmente o habeas corpus, autorizou a cassação de mandatos eletivos e de direitos políticos, entre tantas outras restrições. O AI nº 2 extinguiu os partidos políticos então existentes, e eram muitos, tal como hoje. Necessitando de um instrumento político para governar, ainda que garroteado, e salvando as aparências, permitiu o governo militar, por esse AI-2, a criação de duas entidades com finalidade de partidos políticos, mas sem o nome de partido: surgiram a ARENA – Aliança Renovadora Nacional (de apoio ao governo) e MDB – Movimento Democrático Brasileiro (acolhendo as oposições).

A ARENA dominou a cena política elegendo, nas poucas eleições então permitidas, grande maioria de representantes seus em diversos postos do poder executivo (menos o federal, claro) e nos legislativos. Essa hegemonia perdurou nos dez primeiros anos da instalação do governo castrense. Em 1974, já aflorando os primeiros sinais de cansaço natural em relação a um poder opressivo, houve clara reação popular, com manifestação nas urnas que apontavam para o rumo, digamos, de renovação. Então, o MDB elegeu governadores, prefeitos, parlamentares em expressivas maiorias, sinalizando o desejo de mudança de uma sociedade já meio desiludida em relação aos excessos do poder dominante, com perseguições, prisões, tortura nos dissidentes, e o clamor público, embora contido, expressando seu inconformismo pela via do silêncio das urnas.

Surgiu então, por volta do final dos anos setenta, inicio dos anos oitenta, meio que no apagar das luzes dos governos militares, quando já circulavam promessas de abertura, lenta e gradual, um movimento nascido no ABC paulista gerado por greves ruidosas sob o comando daquele que, liderando-as, viria a ser, mais adiante, o principal fundador do PT, o Partido dos Trabalhadores. Chegava Lula empolgando multidões não apenas de trabalhadores, mas também da sociedade em geral, a intelectualidade e o meio artístico deslumbrados com o despontar carismático do líder operário.

Abro aqui um parêntese para destacar fatos que marcaram esse tempo de violência e incertezas, como os ocorridos a partir do dia 23 de março de 1979, em que se deu a intervenção no Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de São Bernardo pelo Ministro do Trabalho Murilo Macedo. O ato intervencionista ocorreu na madrugada dessa sexta-feira e encontrou Lula em vigília na sede do Sindicato, onde passara toda a noite, de plantão, em companhia do então deputado e escritor Fernando Moraes. Na véspera do dia da intervenção, prevenido por certo de que ela ocorreria, pediu-me Lula, por telefone, ajuda para remoção da sede do Sindicato, de alimentos ali estocados, aguardando pelo pior que poderia ocorrer, como de fato ocorreu. Mandei-lhe caminhões da prefeitura para retirar dalí a carga preciosa, que foi levada para uma igreja cedida especialmente para o seu garantido resguardo. Expliquei-lhe que não poderia acolher esse material em dependências da prefeitura. Despertado por telefonema dele, nessa madrugada, dirigi-me imediatamente à Delegacia de Polícia local onde já se encontravam presos alguns trabalhadores. Na companhia do Delegado do DOPS, o simpático e saudoso bragantino Dr. Nivaldo, dirigimo-nos à sede do Sindicato totalmente cercada por tropas militares. Ali encontramos Lula e o Fernando Moraes naturalmente surpresos e assustados. Dali voltamos à Delegacia onde havia detidos. Mais tarde, à boa moda brasileira, resgatados, Lula foi levado para esconderijo numa igreja no subdistrito do Riacho Grande.

Nesse mesmo 23 de março de 1979, à tarde, na praça em frente ao Paço Municipal onde se realizava uma assembléia do Sindicato, houve violenta intervenção militar com a natural reação dos participantes do evento. Registre-se que a reunião ali ocorria pelo fato de o Estádio de Vila Euclides, cedido pela prefeitura para as reuniões dos grevistas, havia sido interditado por ordem do então governador Paulo Maluf, nomeado pelo governo militar. Almoçando em meu apartamento com alguns jornalistas, por volta das treze horas, fui chamado às pressas para o local da assembléia e aí, enfrentando o tumulto, procurei o comandante da operação e me ofereci, como prefeito, para impedir que prosseguisse, com as possíveis consequências de feridos ou até mesmo mortos, que não houve. E então, sem nenhuma intenção de assumir a prática de improvisado ato de bravura, e com a devida permissão do então comandante da operação repressiva, o coronel Walterdimas Rigonato, subi na capota de seu veículo oficial, ali a serviço, e com o microfone por ele cedido, busquei conter a multidão, o que foi conseguido com a ajuda do então Bispo de Santo André, dom Claudio Hummes , chegado, providencialmente, ao local naquele momento. O fato está registrado pela mídia que lhe deu o devido destaque nos dias que se seguiram. Nesse mesmo ano de 1979, por ocasião do Natal, fiz visita ao coronel Rigonato em seu quartel e, então, já refeitos do susto, brincou ele dizendo que iria cobrar da prefeitura de São Bernardo os estragos feitos na lataria do veículo pelo pisar dos meus sapatos.

Foi assim que, como prefeito de São Bernardo, participei, juntamente com lideranças da Igreja e de destacados políticos do MDB, de tratativas com o poder dominante no sentido, principalmente, de evitar consequências mais graves das que já vinham ocorrendo em razão do inconformismo dos grevistas e dos evidentes excessos , comuns na época, na atuação de autoridades, tanto civis, quanto militares.
Mais adiante, acompanhei, à distância, o nascimento do PT, na década de 80, assumindo posição ao lado dos trabalhadores e, não sem os riscos naturais do enfrentamento do status quo reinante, sem a ele filiar-me.

Feita essa digressão, necessária para registro de fatos que fazem parte da história de nossos dias, e de um tempo importante na abertura política que viria mais t arde, volto o foco ao PT que, já atuante em busca do poder, com apoio de sua expressiva militância (atualmente com deserções e muitos desapontamentos). Como é sabido, após duas ou três tentativas nas urnas, agora com as liberdades à solta, a partir de 1985, e depois sob o manto da Constituição Cidadã de 1988 (Ulysses Guimarães), chega o ano de 2002. Vem a mudança de governo pelo voto popular, Lula e PT anunciando representar o novo, assumem o buscado poder e ele se torna presidente da República, para continuar em 2006, reeleito. Em 2010, com a tônica da continuidade de um governo popular, como “nunca antes, na história deste país”, prosseguiu o PT no governo central, elegendo a sucessora imposta por Lula ao partido que acolheu a candidata “mascando o freio” como se diz no linguajar caboclo.

Estamos agora em 2014. O desgaste petista no poder é evidente: escândalos, processos, mensalão, roubalheiras, prisões, a Petrobrás, empresa orgulho do Brasil, posta na berlinda com as inexplicáveis compras bilionárias de usinas nos Estados Unidos, no Japão, e tantos abusos mais, tudo a evidenciar aquilo que na Física se chama resistência e fadiga dos materiais. Nas ruas sente-se claro o desejo de estancar a ladroagem, de conter a inflação, de desmascarar os projetos caríssimos, muitos inacabados do tal PAC, obras incompletas e abandonadas, seus custos superfaturados, com a drenagem criminosa de recursos públicos desviados dos projetos a que se destinariam. A economia à deriva, nosso PIB claudicante, e o povo, impaciente, vem a tudo assistindo, perplexo, impotente, descrente, desiludido. E quer mudança, de preferência sem continuidade do governo atual, revelam aflorados sentimentos e pesquisas.

Reedita-se agora, em situação diversa, mas semelhante, o antigo descontentamento da sociedade em geral com a velha ARENA, no distante ano de 1974. Após dez anos de sua predominância político-administrativa, foi substituída, na eleição e em parte, pelo velho MDB, o legítimo, até então fiel às suas origens e aos seus propósitos. Veio depois o PMDB, agora como partido político, fiel até então ao seu destino, porém antes de sua notória e lamentável deterioração política, depois atrelando-se ao que há de pior nos quadros políticos brasileiros. Claro, com as exceções de sempre.

Há fantasmas agora rondando a combalida fortaleza petista. O movimento pendular da História tende a registrar os limites de exaustão na paciência da sociedade em relação a desmandos, alta inflação, economia em recesso, desenvolvimento em baixa. E assim, esgota-se a capacidade de tolerância de todos e de cada um, nos mais variados segmentos da sociedade, nas urgências dos apelos por respeito e dignidade no trato da coisa pública.

Tal como aconteceu em 1974, dez anos após o advento do poder militar, a ARENA, entidade de sustentação ao governo, esgotada a munição que garantia sua superioridade política, até certo ponto artificial, cedeu a vez ao MDB. Agora é o PT, partido no comando da Nação há doze anos, que protagoniza o desgaste próprio do mau exercício do poder na linha inversa do comando constitucional a exigir da administração pública, direta e indireta, obediência aos princípios da moralidade e transparência, entre outros. Bem por isso, passa a arcar com as consequências de seu negativo desempenho. Ficou, lá atrás, o tempo da todo poderosa ARENA. Esgota-se agora a força petista com seus conhecidos abusos na administração pública e até mesmo certa arrogância impulsionada pela certeza de vitórias ainda a perseguir, como se fosse senhor absoluto de alardeadas virtudes que por momentos procurou ostentar sem praticá-las. Alguns, verdadeiros “aloprados”, como os definiu alhures seu chefe supremo.
Autorizadas vozes de dentro do poder petista reconhecem os desajustes de sua atuação frente aos reclamos da sociedade e registram a necessidade de “um rigor interno ético muito grande” que se destinaria “a mudar o indutor da corrupção”, ainda firme nos mais variados escalões do poder, especialmente o central. Do lado de fóra, nos grandes, médios e pequenos municípios do Brasil, nos táxis, nas feiras, nos trens, nas filas de ônibus, nas estações do Metrô e, durante a Copa de futebol, nas gritas dos estádios, a voz é uma só: o cansaço, a exaustão, a paciência do povo revelando sinais evidentes de esgotamento, de desencanto, e a esperança de mudanças adentrando o pessimismo na economia, o desabrochar de novas ondas de desemprego em escala alarmante, ao ponto de prestigiosas lideranças trabalhistas reclamarem que o PT estaria virando as costas aos trabalhadores. Enfim, avaliações mais negativas que positivas de um eleitorado descrente de tudo aquilo de bom e de mudanças com que lhe acenava o partido em sua chegada ao poder. E, de dentro do poder, com os desentendimentos próprios de grupos que se digladiam, na possível surdina dos gabinetes, afloram preocupantes sinais de uma sempre buscada tentativa de garroteamento dos meios de comunicação, assim como a já decretada instituição de “conselhos” para gerir a administração pública, pela via da inconstitucionalidade. Sempre com a presença deletéria de conhecidos delírios esquerdizantes apostando e insistindo numa adoção cabocla de bolivarismo soprado por ventos advindos de vizinhos nada confiáveis. E nossas conquistas democráticas resistindo até onde seja possível resistir diante da enganação de perseverante marquetagem, a ludibriar incautos e distraídos das ameaças a liberdades duramente conquistadas.

Mas, há tempo para o despertar de uma aparentemente silenciosa indiferença popular. Oportunismos de praxe que se agregam ao poder, seja ele qual for, tangidos por indecorosa e momentânea conveniência política, podem manter-se alheios ao interesse da sociedade, como um todo, indiferentes ao perigo que nos ronda em face da pretendida continuidade de um poder desgastado e desmoralizado. Não será demais apontar a estes as consequências da indiferença, como lembrado nos versos de Eduardo Alves da Costa em seu festejado “No Caminho com Maiacóvski”: “Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor de nosso jardim/E não dizemos nada./Na segunda noite, já não se escondem:pisam as flores, matam nosso cão,/e não dizemos nada./Até que um dia,/ o mais frágil deles/entra sozinho em nossa casa/rouba-nos a luz,e,/conhecendo nosso medo/arranca-nos a voz da garganta./E já não podemos dizer nada”.

No caso ora enfocado, poderíamos substituir a palavra medo do poema por indiferença de alguns. Ou, talvez, egoisticamente, conveniência para outros tantos. Mas o desastre poderá ser inevitável, para todos.

*Tito Costa, advogado. Prefeito de São Bernardo do Campo (1977-1982). Deputado federal constituinte (1988).


sábado, 26 de julho de 2014

Israel e Brasil

Israel não é apenas uma nesga de terreno árido no oriente próximo, abarcando parte de territórios de grande simbolismo para três religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islamismo), todas ancoradas na devoção comum a Abraão ou Ibraim (o maior dos Patriarcas), conforme se pode verificar nos seus livros de referência – a Torá, a Bíblia e o Corão. Israel é, assim, mais que a expressão material e política de uma tradição milenar, a mesma que configurou, junto com o helenismo, os fundamentos do ocidente e das maiores conquistas que a humanidade já auferiu. Na sua grandeza, Roma foi tão somente uma projeção de tal arranjo civilizatório. Sem o amálgama judaico-helênico estaríamos catando coquinhos nas florestas ou, quem sabe, vivendo num estágio tribal em permanente disputa autofágica. A chave para se entender o papel da cultura judaica no progresso da humanidade está no domínio generalizado da leitura e da escrita. Ler, entender e interpretar a palavra do Eterno é seu alfa e o ômega. O protestantismo, que nasceu recuperando o imperativo de tais práticas letradas, tangencia aí o judaísmo, ao transformar a casa do culto numa casa do estudo e do saber. Não se deve ao acaso que três dos mais importantes pensadores da modernidade - Marx, Einstein e Freud - sejam nascidos em lares judaicos.    

Israel está há muito tempo submetido a graves ameaças. Defender sua existência é, acima de tudo, um tributo que a humanidade deve a um projeto de civilização de base imemorial. Pode-se mesmo postular que é uma espécie de devolução legítima, àqueles que nos forjaram, do direito de terem novamente o seu próprio estado em base física reconhecida e aceita. Quanto a isso, infelizmente, há polêmica entre os assumidos apoiadores da existência do estado judeu, e os que a questionam, estes últimos sempre com razões subalternas, oportunistas ou até mesmo racistas. O atual governo brasileiro - junto com outros governantes de feições pouco recomendáveis, em geral ditaduras sangrentas - se coloca diplomática e ideologicamente nesta última posição. Ecoa o discurso de ódio de terroristas fanáticos contra o que chamam “a entidade sionista”, arvorando-se, então, de autoconcedida liberação para jogar foguetes e bombas sobre o povo israelense, condenado então a um sobressalto eterno e insolúvel. Espantoso que milícias armadas ao longo das fronteiras israelenses se conduzam dessa forma, logo contra Israel, única democracia constitucional naquela região infestada de regimes teocráticos e medievais, nos quais o conceito de direitos humanos é tratado como piada. Que o digam as crianças, as mulheres, os homossexuais e os adeptos de outras religiões ou seitas que não a oficialmente adotada pelo déspota eventual de plantão. 

Os críticos do sionismo - movimento que, em sua essência, significou um modelo de defesa, um caminho para os judeus perseguidos poderem se abrigar em um lar nacional - desconhecem, ou fingem desconhecer, as violências, expropriações e torturas gratuitas a que foram submetidas populações de origem judaica na Europa, na América, na Ásia e na África em diferentes momentos do tempo. Ibéricos obrigavam os judeus a uma conversão sob pena de condenação à fogueira. Desta maldade bestial, no entanto, nasceu algo positivo: foram inumeráveis os cristãos-novos que aportaram na então colônia portuguesa, muito contribuindo para a formação do povo brasileiro. Onde se abrigar, então, contra a opressão e o genocídio foi o grande desafio enfrentado pelo povo do livro ao longo da história. Seria possível uma assimilação ou integração nas diferentes sociedades nacionais, mesmo como simples minoria, porém respeitada nos seus direitos?

Os vexames impostos às comunidades judaicas modernas nos últimos cinco séculos estão suficientemente documentados. Vale ler, por todos, o livro de Hannah Arendt sobre o julgamento de Eichmann em Jerusalém. A Europa nazista, ainda ontem estabelecida, era um conjunto de ratoeiras interligadas; não havia para onde fugir. Escapava-se de uma, caia-se em outra necessariamente. O horror ainda está fresco na memória contemporânea. Já muito antes do holocausto alguns dos melhores pensadores (Kafka, por exemplo), advogavam a necessidade de se ter um local onde os judeus pudessem viver em paz, amadurecendo uma esperança razoável frente à percepção do que estava por vir, e acabou chegando. O ameaçador clima de barbárie que antecedeu o nazismo, tão bem traduzido por Elias Canetti, dorme como brasa sob as cinzas. Mas aqui e ali, ameaçadoramente, fumegam sinais de um totalitarismo tardio.

A Declaração Balfour, de 1917, expressou o compromisso dos então mandatários da Palestina de apoiar a criação de um Lar Nacional Judeu, única alternativa de fuga aos pogroms habituais, e bem antes da edificação dos campos de extermínio industriais dos nazistas. A ONU, em 1948, só ratificou uma expectativa e um direito que estava latente, ao endossar também o estabelecimento concomitante de um estado para os palestinos, que recusaram a justa solução política adotada ao preferir, em vez da paz, a guerra e o terror permanentes observados nas últimas sete décadas. As Nações Unidas adotaram um equacionamento político similar ao caso de Israel e Palestina, no pós-guerra, no sub-continente indiano, com a separação entre hindus (Índia) e muçulmanos (Paquistão) à falta de melhor saída. Dois povos e uma mesma terra? Divide-se: parte para um e parte para outro. Numa visão realista esta foi a saída possível. 

Israel tem, pois, o mais legítimo direito à existência. O povo brasileiro o apoia e a história da nossa diplomacia o confirma. Souza Dantas, Guimarães Rosa e Osvaldo Aranha, mais que os pigmeus que hoje dominam o Itamarati, são nomes emblemáticos. Israel, como todo estado soberano tem, mais que o direito, o dever de se defender de agressões contra sua população. Se toda a energia e custo humanos despendidos pelos belicosos vizinhos de Israel tivessem sido aplicados produtivamente, aquela milenar região voltaria a ser, de fato, a Terra da Promissão, local sagrado de onde manam o leite e o mel. Os fomentadores da guerra que infelicita os israelenses e os palestinos estão, sim, abrigados nos governos da vizinhança. É uma pena que os dirigentes brasileiros se prestem ao papel de títeres de tais tiranias, contribuindo para avivar a discórdia e a patrocinar fanáticos que não respeitam sua própria vida e, muito menos, a vida dos outros.

Shalom.


(Publicado, com modificações, por exigência de espaço, no jornal O Tempo, de 25-07-2014)

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Por uma futura Comissão da Verdade

O Tribunal de Contas da União e o Ministério Público refrescaram a vida de dona Dilma. Apesar de ela ser a presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, livraram-na da responsabilidade pelo espantoso escândalo da refinaria de Pasadena (localizada no estado americano do Texas), considerada uma montanha de ferro velho, com valor equivalente ao de um container de bananas maduras, porém adquirida e paga ao preço de um caminhão de lingotes do mais puro ouro. Dona Dilma, a cândida, segundo as supras referidas autoridades, teria recebido uma pernada de diretores da Petrobrás, gente safada que não a informou sobre detalhes importantes do negócio. Logo ela, conhecida por "espancar" projetos para deles extrair todas as significações (conforme didaticamente esclareceu há tempos o ministro Mercadante), logo ela, insista-se, foi ser vítima do trampo urdido pela cúpula da empresa, cujos diretores foram todos nomeados pela então poderosa ministra chefe da Casa Civil e por Lula da Silva, o amigão de Hugo Chavez, de Kadafi e dos aiatolás atômicos? Difícil de acreditar. Não custa relembrar o conhecido estilo centralizador da madame, estilo este que a leva a interferir até no plano de voo do avião presidencial, configurando um quadro onde subalternos eventuais jamais encontrariam espaço para o exercício da autonomia. Comigo não, violão, é o brado da tia velha onipotente, centralizadora e obsessiva. 

Ora, em primeiro lugar, se a madame tivesse o juízo político e gerencial que propagandeia, deveria ter questionado, preliminarmente, a legitimidade de se comprar uma refinaria de petróleo justo nos Estados Unidos - o grande satã, inimigo dos povos livres, do socialismo e dos oprimidos em geral. Investir dinheiro dos pobres brasileiros para beneficiar os estadunidenses (o petismo assim denomina os americanos), convenhamos, só pode ser coisa de traíras infiltrados no governo, para denegrir a boa imagem dos patriotas excelentes que nos dirigem. Não era mais simples construir uma refinaria no Brasil? Mais simples, mais barato, mais sensato  e mais patriótico?

Outro, no entanto, foi o entendimento de dona Dilma e seu bando. A surpreendente ideia de jerico da turma era simples na sua essência: sendo o petróleo extraído nas costas marítimas brasileiras de um tipo com baixo valor de mercado, em vez de refiná-lo aqui no país, imaginou-se que seria um excelente negócio comprar uma refinaria no golfo do México, levar para lá o tal petróleo pesado, processá-lo e revender seus subprodutos no mercado americano, aí então com gordos lucros para a multinacional brasileira. Imaginaram singelamente que o Brasil já estava auto suficiente em matéria de combustíveis, e o cenário era propício para consolidar empresarialmente a Petrobrás. Difícil encontrar outro exemplo, na suposição da boa fé, para concepção tão tacanha! E lá se foram pelo mundo nossos "especialistas" em perfurar poços, como diria o Severino, expandindo os negócios tal qual uma equivalente multinacional que se espraia aqui e ali, sempre à cata de uma boa oportunidade..

Claro que tão simplória engenharia esbarrava em questões técnicas óbvias para quem quisesse ver. A refinaria requerida para processar o tal petróleo (do campo de Marlin, por exemplo, situado ao largo do litoral do Rio de Janeiro), deveria ter a configuração adequada de sua planta industrial, vale dizer, capacidade operacional de processar o petróleo pesado típico do Brasil e, por estranha coincidência, também o mesmo petróleo que é encontrado na Venezuela. Nunca se deu a devida atenção a este vínculo potencial; mas se os investimentos em Pasadena se destinavam a gerar lucros para os acionistas, a aquisição de petróleo pesado em fonte mais próxima permitiria economizar ao menos no valor do frete. 
  
Deixando de lado ponderações do tipo, a refinaria de Pasadena foi comprada pela Petrobrás (50%, inicialmente, com a outra metade nas mãos de espertos negociantes belgas, seus antigos donos), mesmo não sendo ela apta a refinar o petróleo brasileiro (nem o da Venezuela, repita-se, para valorizar a coincidência). A pátria do bolivarianismo, afinal, está ali mesmo, pertinho das instalações de refino caribenhas, muito mais próxima, aliás, que os campos de petróleo brasileiro da Petrobrás e, na eventualidade de não se dispor da matéria prima do Brasil, Pasadena poderia perfeitamente atender aos interesses dos venezuelanos (sem falar dos de Cuba).

Qualquer pessoa medianamente informada já deduziria que algo errado estava em andamento. Num país como o Brasil, tão carente de investimentos industriais de base, ainda mais num setor estratégico como o da energia, como justificar a aquisição de uma refinaria de petróleo no Texas, tecnologicamente ultrapassada e, ainda por cima, inadequada para os fins perseguidos oficialmente, pois ajustada apenas ao petróleo leve, só extraído em regiões do mundo bem localizadas? Seria imaginável a hipótese que considerasse otários os norte-americanos e, nós, os brazucas, os mais sabidos do mundo?

Dona Dilma é mineira. Ser mineiro, além das prescrições roseanas, implica também estar sempre levando manta nos negócios e, ao descobrir o engodo, em vez de botar a viola no saco, sair denunciando que foi passado para trás. Mineiro é mesmo bocó! Deve ser algum carma, similar ao dos palestinos: nunca perder a oportunidade de perder a oportunidade.  No lusco fusco das vagas lembranças de dona Dilma pairava, certamente, o período em que os mineiros iam ao Rio de Janeiro e a São Paulo para comprar bondes. Será que ela resolveu inovar, adquirindo agora refinaria caindo aos pedaços? Os velhacos e trapaceiros do mundo - de tiranetes latinos até ferozes aiatolás, passando por ditadores africanos – mas não somente eles, todos agora andam a tirar uma casquinha nos brasileiros, estes seres angelicais, tão bonzinhos como os da anedota. Até os alemães não perdem a oportunidade de levar alguma vantagem, conforme se viu recentemente na Copa do Mundo.  

Pois bem, comprada a refinaria haveriam duas saídas: ou ela continuaria a processar o tipo de petróleo para o qual foi concebida, ou deveria sofrer uma custosa adaptação para trabalhar com o petróleo pesado brasileiro ou venezuelano (foi aqui que os sócios belgas pularam fora, cientes do volume dos novos investimentos para chegar ao ponto desejado pela Petrobrás, obrigando esta a adquirir a outra metade da companhia, conforme estabelecido em contrato). Com um vasto e experiente corpo técnico - ou não era, como sempre foi considerado? - os engenheiros e economistas da Petrobrás não mediram a água e o fubá para fazer o angu desejado. Ao que parece, esconderam os cálculos que lhes foram requisitados. A buliçosa Associação dos Engenheiros da Petrobrás quedou em obsequioso silêncio. Foi tudo, como se diz, realizado nas coxas. Nada mais, nada menos que mera "conta de padeiro", conforme a pitoresca definição de notório trambiqueiro envolvido com o assunto, ao se referir a outro escândalo mais garboso ainda para os padrões do petismo: o inacreditável caso da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco (as digitais de Hugo Chavez, outra espantosa coincidência, estão na gênese desse outro empreendimento). Este caso nem é da alçada de Tribunal de Contas: é caso de polícia comum, de delegacia de furtos e roubos.

Imagine-se um criador de porcos que precise comprar um meio que permita transportá-los. Aparece, então, um vendedor que lhe oferece um micro-ônibus escolar de segunda mão para fazer o serviço. O criador de porcos compra o veículo e só então percebe que há uma inadequação entre o ônibus e a carga. Terá, portanto, que fazer modificações, adaptando o que era adequado ao transporte de gente para uma carroçaria ajustada ao deslocamento dos animais. Melhor teria sido se a aquisição feita já fosse, antes, de um caminhão próprio às suas necessidades. O aparentemente barato, no início, acabaria ficando muito mais caro para o interessado. Claro que outras metáforas menos sujas podem ser utilizadas, porém, no caso, a suína, é uma justa homenagem aos participantes da negociata. 

Da mesma maneira que o ocorrido com o mensalão – quando o Ministério Público não teve coragem de imputar a Lula sua parte naquele latifúndio – repete-se o mesmo com dona Dilma, que mandava e desmandava nas decisões fundamentais da Petrobrás, porém escapou das acusações de improbidade administrativa que claramente lhe pertencem. O prejuízo foi debitado na conta da diretoria executiva, que não tinha competência jurídica para decidir sobre a compra de Pasadena, competência esta do Conselho de Administração, conforme o estatuto da Petrobrás. No futuro que se avizinha, uma comissão da verdade, aí sim, necessária, ainda trará a lume as tramas urdidas, e as responsabilidades de cada um pelas inumeráveis patifarias dos últimos doze anos. A sorte de Lula e de dona Dilma é a amizade de ambos com Fidel Castro. Poderão fugir e pedir asilo a Cuba. Eis aí uma função de relevância que poderia ser atribuída ao ministro Joaquim Barbosa. O povo aplaudiria em delírio.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

APRENDENDO COM OS GATUNOS



O sentimento majoritário entre todas as pessoas é de repulsa àqueles que furtam ou roubam o dinheiro alheio. Mesmo os ladrões que foram roubados por outros gatunos cultivam em relação a estes uma forte rejeição. São corriqueiros os ajustes de contas entre bandidos que se sentem ludibriados por alguns de seus capangas ou parceiros de crimes. Quando a ilícita apropriação se faz em prejuízo do patrimônio público, a censura popular assume feições ainda mais duras. Corruptos, de fato, não são benquistos pelos homens de bem. Os notórios escândalos que marcaram a gestão petista no último decênio estão, certamente, na raiz da rejeição sofrida por seus candidatos nas eleições que se aproximam.

Tais deploráveis condutas dos que podem ser chamados, genericamente, de mensaleiros oferecem à sociedade, no entanto, surpreendentes benefícios potenciais. Algo parecido com o ditado popular que manda do limão fazer uma limonada ou aproveitar uma transgressão civilizatória em prol da coletividade ofendida. Em suma, identificar o mal e com ele aprender, não para sua perpetuação, mas para alcançar níveis positivos de sociabilidade.  Os criminosos do mensalão devem ser observados com lupa. Aquilo que fizeram, e que ainda é feito por muitos, exige a posse de importantes qualidades pessoais.

Primeiro, a perseverança; se não conseguem o que pretendem numa primeira tentativa, eles jamais desistem. Segundo, a solidariedade; seus companheiros agem com a maior camaradagem entre si, estando dentro ou fora das grades. Terceiro, a coragem; colocam até a vida e a liberdade em risco para obterem o que desejam. Quarto, a generosidade; o que conseguem para si, eles vendem por pouca recompensa. Quinto, a resignação; ladrões são pacientes com seus infortúnios eventuais, e, sexto, lealdade; amam sua tarefa acima de qualquer outra (tais deduções foram extraídas das sábias lições do rabino Nilton Bonder). Perseverança, fraternidade, coragem, desprendimento, tolerância a frustrações e dedicação configuram, assim, um conjunto de virtudes destiladas do próprio veneno contido no ilegal e no imoral dos comportamentos transgressores.

Ao longo da vida o trânsito se faz por estreitos caminhos, quase um fio da navalha. Há os que caem, por erro ou imprudência, e há os que saltam voluntariamente para o lado do mal, sempre à esquerda, que é o caminho da perdição, conforme se vê no Inferno de Dante.   



terça-feira, 22 de julho de 2014

O Brasil se empobrece




O Brasil se empobrece e não somente do ponto de vista econômico. Até na dimensão circense da política, há um esvaziamento do picadeiro. Quando da morte de Costa e Silva, Ulisses Guimarães definiu com precisão cirúrgica a natureza do triunvirato militar que assumiu as rédeas do governo: denominou-os de “três patetas”, em cáustica referência aos famosos cômicos americanos da primeira metade do século passado, adeptos de um humor chegado ao pastelão e à farsa física. Na época presente, nem três são agora os patetas que comandam o país. Reduziram-se a dois e, não demora muito, sobrará apenas um deles à frente da ribalta.

Lula da Silva não pode ver um microfone. Tomando-o, em qualquer lugar e situação, o resultado de sua intervenção é previsível: abobrinhas e obscenidades jorrando aos borbotões, sob o olhar embasbacado de plateias inverossímeis, que vão do lumpesinato tangido a mortadela e tubaína, até pelegos sindicais habituados desde sempre ao não-trabalho, passando por velhotas ainda histéricas, bem como intelectuais e acadêmicos chapas-brancas sempre à procura de uma boquinha no aparelho do estado. 

Duas das mais esquisitas criaturas dessa fauna – uma, filósofa mulata, dita uspiana, inimiga jurada da classe média e habitante de um estranho mundo paralelo e a outra, senadora da república, branca, de olhos claros e proverbial e fatal lourice, também versada em sexologia - de tal modo enfeitiçadas pelos sortilégios do farsante-mor até já o chamaram, em espantosa idolatria, de “deus”, ou lhe atribuíram a capacidade de paralisar o tempo, fantasticamente, para que o mundo pudesse sorvê-lo. Nem Moe, nem Larry e nem Curly, mesmo nos momentos mais agudos de suas carreiras como humoristas conseguiriam alcançar o nível de palhaçadas protagonizadas por Lula da Silva.

Já dona Dilma, coitada, à falta de maiores dotes, só lhe resta o histrionismo tacanho, ao modo dos Trapalhões ou de Tiririca, derivado da incapacidade insuperável de enunciar frases com sujeito, verbo e predicado. Ou, então, de servir de objeto de repulsa, no papel inglório de Monga, a mulher barbuda que se exibe em circos mambembes aterrorizando as criancinhas com suas caretas, apertando os beiços com ódio. Seu gestual grosseiro pode, no máximo, servir de alusão a velhos personagens de filmes de faroeste, quando caminham, pernas semi arqueadas, em passadas firmes e ritmadas para o duelo final, prontos para sacar a pistola. John Wayne não faria melhor. 

Os dois patetas, legítimos sucessores dos três patetas dos anos de chumbo, não querem, contudo, largar o proscênio. Imaginam-se eternos, querem-se amados e aplaudidos pela plateia, apesar das piadas e desempenhos que não sensibilizam nem fazer rir a mais ninguém. O último protagonismo que lhes resta será botar fogo na lona do circo. E disso eles são perfeitamente capazes.           

Eu agora sou Thaís

Eu agora sou feliz (Jamelão)


http://youtu.be/aZJ2qDuj7EM