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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Barroso, o Homem sem visão de janeiro (Augusto Nunes)

Este vê longe!

“Dedico este troféu à presidenta Dilma Rousseff, que me incluiu na bancada dos ministros da Defesa do governo no Supremo Tribunal Federal”, emocionou-se Luís Roberto Barroso no discurso em que celebrou a conquista do título de Homem sem Visão de Janeiro. “Por ser ainda um craque em começo de carreira, não poderia imaginar que a minha performance seria tão soberba”, completou com uma lágrima pendurada em cada canto de olho o candidato que conseguiu o apoio de 12.502 eleitores, nada menos que 75% do total.

O harmonioso contraste dos fios grisalhos nas têmporas com o restante dos cabelos negros como as asas da graúna, a simetria do duplo V desenhado pelas sobrancelhas arqueadas, terno escuro modelo Jornal Nacional em dia de notícia que deve ser recitada com sobriedade ─ esses e muitos outros detalhes atestaram que o HSV do mês se preparou para a noite de premiação com esmero de candidato ao Oscar. Segundos um dos 112 advogados que o assessoram, só minutos antes da cerimônia Barroso desistiu de discursar em Latim.

“O chefe mudou de ideia porque isso poderia parecer pedante, e todo mundo sabe que ele é um homem sem vaidade”, informou a mesma fonte. A amigos íntimos, o ministro contou que o troféu será o mais vistoso enfeite do currículo cuja confecção ele próprio encomendou a Luis Cláudio Lulinha da Silva, inventor do Método Control C + Control V de Consultoria.

O caçula dos lulinhas furtou da Wikipédia a seguinte folha corrida: “Luís Roberto Barroso, que ficou conhecido quando defendeu o pacifista Cesare Battisti, é um jurista voltado ao direito público, especialmenteteoria constitucional, direito constitucional contemporâneo, interpretação constitucional, controle de constitucionalidade, direito constitucional econômico, administrativo e regulação”. A partir de agora, o verbete terá de incluir a especialidade que justificou seu triunfo na enquete: ele é um craque em não enxergar, durante a leitura de um documento, trechos que desmontam a tese que está defendendo.

Para disputar com chances o título de HSV do Ano, Barroso pretende ampliar o alcance do voto aberto que o STF instituiu para a eleição de uma comissão de impeachment na Câmara dos Deputados. Ele vai propor que também sejam escolhidos em votação secreta ministros de Estado, síndicos, rainhas da bateria de escolas de samba, engenheiros que monitoram obras em sítios de Atibaia e moradores do Guarujá, fora o resto.

O campeão derrotou por ampla vantagem o segundo colocado Jaques Wagner, chefe da Casa Civil, sufragado por 2.450 votantes (15% do total). Seguiram-se o advogado Nabor Bulhões (1.071, 6%) e o ministro da Saúde, Marcelo Castro (656, ou 4%). .

A eleição do HSV de Fevereiro já começou, leitores-eleitores! Escolham seus candidatos! Como sempre, que vença o pior.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Que vergonha, hem Barroso?


O texto abaixo foi retirado da coluna do Augusto Nunes hospedada no portal da VEJA. Em vista da evidente fraude, dolosamente cometida pelo ministro Barroso, para justificar seu preconceito e a rancorosa perseguição ao deputado Eduardo Cunha, a votação da matéria deveria ser anulada imediatamente e submetida outra vez ao plenário. Mais: com a óbvia e exigível suspensão do direito de votar na causa por parte do parcial magistrado. O pleno do STF talvez chegue à verdade real, sem a contaminação grosseira do posicionamento de Barroso. A conduta desse juiz poderia ser classificada como atentatória à dignidade da Justiça. Todos os requisitos para se ter um julgamento justo se assentam na pedra angular da IMPARCIALIDADE do juiz. Se não, o resultado será sempre tisnado de ilegitimidade e de ilegalidade. O novo Código do Processo Civil, no seu artigo 77, é cristalino ao exigir como "deveres das partes, de seus procuradores e de todos aqueles que de qualquer forma participem do processo: 

I - expor os fatos em juízo conforme a verdade;
(...)

VI - não praticar inovação ilegal no estado de fato de bem ou direito litigioso". 

Barroso, o mentiroso, foi pego com as calças na mão. Que vergonha, hem ministro? É assim que se pratica o "Novo Constitucionalismo?"

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Segue abaixo, editada, a coluna do Augusto Nunes:

Sempre caprichando na pose de quem recitava de fraldas artigos e incisos da Constituição, o ministro Luís Roberto Barroso resolveu mostrar, na sessão em que o Supremo Tribunal Federal embaralhou o processo de impeachment, que usa as horas livres do recesso para decorar normas que regulamentam as atividades dos demais Poderes. Conseguiu apenas confirmar que, para impedir o desmoronamento da argumentação mambembe, é capaz de sonegar informações essenciais e mentir publicamente.

BARROSO ─ “Alguém poderia imaginar que o Regimento Interno da Câmara pudesse prever alguma hipótese de votação secreta legítima” ─ concede o doutor em tudo na abertura do vídeo de 1min57. “Eu vou ao Regimento Interno da Câmara dos Deputados e quando vejo os dispositivos que tratam da formação de comissões, permanentes ou temporárias, nenhum deles menciona a possibilidade de votação secreta”.

TEORI ─ “Vossa Excelência me permite?” ─ ouve-se o cerimonioso aparte de Teori Zavascki.

BARROSO ─ “Pois não” ─ autoriza o professor de impeachment.

TEORI ─ “Salvo engano meu, há um dispositivo, sim, do Regimento Interno, artigo 188, inciso III” ─ prossegue Teori. “Diz que a votação por escrutínio secreto far-se-á para eleição do presidente e demais membros da Mesa Diretora, do presidente e vice-presidente de comissões permanentes e temporárias, dos membros da Câmara que irão compor a comissão representativa…” Teori faz uma pausa para virar a página. Barroso, que acompanha a leitura que está terminando, tenta interrompê-la:

BARROSO ─ “Sim, mas olha aqui…”  

TEORI - … “e dos cidadãos que irão integrar o Conselho…” 

As sobrancelhas simetricamente arqueadas e os cílios enfileirados realçam o sobressalto de Barroso com a aproximação do perigo. Então, confisca a palavra e recomeça a leitura do inciso III, cuja íntegra aparece no vídeo que escancara a pilantragem togada: para esconder a fraude, o juiz esperto amputa as quatro palavras finais do texto: E NAS DEMAIS ELEIÇÕES. (Quem quiser conferir, basta procurar o vídeo no Portal Vox).

Animado com a rendição balbuciada pelo confuso Teori, Barroso declama outra falácia:

BARROSO ─ “Considero, portanto, que o voto secreto foi instituído por uma deliberação unipessoal e discricionária do presidente da Câmara no meio do jogo”.


Conversa fiada. O Brasil decente é que considera uma infâmia o que Barroso fez para ganhar o jogo. O trecho do Regimento Interno foi guilhotinado por uma deliberação pessoal e discricionária de um servidor público que é pago pelo povo para defender a lei. Coisa de vigarista.