quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Defeito genético derruba preconceitos e leva a amor pelo próximo (Giovana Girardi, do Estadão)


Imagine se houvesse uma pílula que, fornecida a líderes mundiais em uma reunião das Nações Unidas, tornasse-os extremamente sociais, sem preconceitos, sem racismo, em um arroubo de amor pelo próximo. Que conflitos pudessem ser resolvidos com uma intervenção medicamentosa que dirimisse desconfianças e facilitasse a interação. Em um sonho ainda muito distante, esse seria o resultado de uma pesquisa que desvendou a ação de um gene que contribui para a intolerância.

A descoberta, liderada pelo neurocientista brasileiro Alysson Muotri, pesquisador da Universidade da Califórnia em San Diego, foi possível a partir da análise de pacientes portadores de uma doença que os torna super sociáveis o tempo todo. É a chamada Síndrome de Williams, que, grosso modo, funciona de modo oposto ao autismo.

Rara (atinge 1 a cada 10 mil nascimentos), a doença ocorre quando cerca de 25 genes são deletados do cromossomo 7 durante o desenvolvimento neural dos bebês. As pessoas com essa condição têm uma feição bastante característica (nariz pontudo, queixo fino, olhos grandes, boca larga).

Estão sempre sorrindo, não têm inibição, conversam com todo mundo, mesmo os estranhos, independentemente de cor, religião, beleza. Adoram música, são dóceis, ingênuos e carinhosos com quem está sofrendo. E tem uma linguagem bastante sofisticada. Mas apresentam também baixo rendimento intelectual e problemas cardíacos.

Muotri, que é especialista em autismo – doença caracterizada pela pouca sociabilidade e dificuldade de linguagem –, imaginou que investigando a Síndrome de Williams poderia encontrar alguma pista para explicar o desenvolvimento do cérebro social humano.

Pessoas com a Síndrome de Williams estão sempre sorrindo, não têm inibição, conversam com todo mundo, mesmo os estranhos, independentemente de cor, religião, beleza 
Evolução. Ao longo da evolução da nossa espécie, ao mesmo tempo em que foi interessante desenvolver um comportamento colaborativo e gregário para sobreviver, também deve ter sido vantajoso limitar essa capacidade social em uma época em que vivíamos em pequenos grupos. Na luta por fontes restritas de alimentos, era preciso ser meio desconfiado em relação a outros para proteger os interesses das suas próprias comunidades.

Para Muotri e companhia, um dos genes que falta aos pacientes com a Síndrome de Williams (o FZD9) pode ter sido o responsável por esse comportamento. “Com esse gene criamos o preconceito, o racismo, que em algum momento foram importantes na nossa interação com outros grupos, nos manteve seguros, mas que hoje, a meu ver, não é mais necessário.”

Mas a evolução é lenta e vai levar tempo para naturalmente eliminar essa característica. Tampouco é rápido mudar culturalmente um comportamento preconceituoso e racista. Daí a ideia de tentar induzir no corpo o que ocorre quando o FZD9 está em falta.

A pesquisa, publicada na edição desta quinta-feira da revista Nature, partiu da investigação genética de cinco pacientes com a Síndrome de Williams. Em quatro deles, havia a deleção típica dos 25 genes (inclusive de uma das duas cópias do FZD9) e eles apresentavam todas as características físicas e comportamentais da doença.

O quinto paciente era um pouco diferente – ele não era super social como os demais. A investigação notou que ele tinha mantido as duas cópias do FZD9, assim como ocorre com a maioria dos seres humanos. “Isso nos fez concluir que esse gene contribui para o preconceito ou a intolerância. A natureza fez o teste para a gente”, disse Muotri.  Em outra formulação, definiu o pesquisador, pode se dizer que o "amor pelo próximo pode ser causado por um defeito genético".

Mais ou menos na mesma época em que ocorria essa pesquisa, um outro trabalho do mesmo grupo observou que alguns autistas apresentam uma duplicação das cópias desse gene, totalizando três cópias, o que reforçou a conclusão de ele estar relacionado a um comportamento menos social.

Mini-cérebros. A etapa seguinte foi trabalhar com reprogramação celular para fazer com que células-tronco retiradas do dente dos pacientes voltassem a agir como células-tronco embrionárias (as chamadas iPS, ou células de pluripotência induzida) e, com elas, produzir mini-cérebros.

Isso permitiu aos pesquisadores observarem como se dá o desenvolvimento neural em pacientes com a Síndrome de Williams tradicional (com todos os 25 genes deletados), naquele que manteve as duas cópias do FZD9, e no grupo controle (pessoas “normais”, que têm as duas cópias). Depois eles também compararam com pacientes com autismo (que têm três cópias).

Na falta de uma cópia desse gene no primeiro grupo, os cientistas notaram que ocorre uma má formação no córtex, levando os neurônios a ficarem ultra conectados e realizarem um número muito maior de sinapses que nas pessoas com as duas cópias do gene. É isso que tornaria os pacientes com Williams super sociáveis. Já nos autistas, os neurônios ficam menos conectados e há menos sinapses.

Os pesquisadores observaram que o FZD9 atua em uma via metabólica durante o desenvolvimento neural responsável pelos circuitos sociais. Muotri defende que talvez seja possível desenvolver algum remédio que possa manipular essa via para tornar as pessoas mais sociáveis.“É tudo uma questão de dose. Se ela é baixa, a criança é super social, se é alta, é autista. Existe uma modulação dessa via que é importante e que talvez possamos trabalhar no futuro”, afirma.

A dose é importante porque as crianças com Williams acabam sendo muito ingênuas, não têm filtro e podem ser enganadas ou mesmo feridas. Há relatos de famílias de meninas que acabaram engravidadas, lembra Muotri.

“Mas seria interessante usar isso em reuniões de líderes mundiais, por exemplo. Para que num dado momento eles se enchessem de empatia. Não é para desligar o tempo todo. Claro que é importante ficar alerta diante de um estranho, até para se proteger, mas seria interessante manipular em outros momentos.”


A reportagem questiona: isso não seria muito artificial? “Seria, mas podemos pensar que estamos dando uma força para a evolução. Pense no Dalai Lama. Ele medita para ter empatia. É a mesma coisa, porque ela não vem naturalmente, não é algo que se sustente por todas as horas do dia. É um exercício.”

Boff, o piedoso devoto de Francisco: derrubem os cavalos


Apoiador histórico do PT, Leonardo Boff manda “derrubar cavalos” com bolas de gude.
É isso mesmo.
Figura onipresente nos já clássicos abaixo-assinados para defender algum líder petista metido em encrenca, Leonardo Boff é parte da chamada “classe artística apoiadora” do partido.
Mas, apesar do passado religioso, parece que suas pregações não são sempre em nome da paz.
Vejam o que Boff recomendou recentemente:

“Para nos defender contra o golpe policial e nosso direito de nos manifestar nas praças compremos bolas de gude para derrubar os cavalos”.

Diante das críticas, tentou explicar-se e aí mandou essa:
“Os cavalos são nossos irmãos na comunidade de vida. Mas não devem servir de meio para a polícia fazer mal aos manifestantes. Não são para isso.

Só piorou, portanto. Os pobres cavalos, que nada tem a ver com isso, seriam as grandes vítimas nessa detestável “tática de guerra”.
E depois dizem que os “reaças” é que são agressivos.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Tucanos assustados



As denúncias feitas por colaboradores da operação Lava Jato se aproximam cada vez mais do PSDB. Os tucanos parecem assustados. Temem ser arrastados para a lama do lulopetismo.



Tucanos, no entanto, são irmãos siameses dos petistas. As disputas entre os dois grupos lembram à perfeição aquelas que se dão na caverna de Ali Babá. Quando brigam a razão é simples: o cocho é pequeno e a manada é grande.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Escola sem partido = Escola sem PT


O PT não é o que de pior poderia acontecer a estudantes em termos de deformação espiritual. A estupidez, aí sim, granítica, está com outros fanáticos de agrupamentos tipo PSOL, PSTU, PCB, Rede e Causa Operária mas, principalmente, com os trogloditas do PC do B. Pessoas comuns jamais acreditariam que a Albânia fosse o "farol do socialismo"; muito menos que a Coréia do Norte fosse o ápice da democracia, verdadeira antecâmara do paraíso comunista. Para quem tiver alguma dúvida a respeito de tais figuras e seu modo de pensar, basta visitar o site Vermelho, do PC do B. Essa gente é uma prova viva de quão inexorável é a entropia, à qual estamos condenados, caso não se desenvolvam outros paradigmas organizacionais.   

domingo, 7 de agosto de 2016

Processo do PT sumiu no TSE

Há coisas que só acontecem com o PT. Caso espantoso dentre inúmeros outros é o do desaparecimento de processo no TSE, cujo resultado pode levar à cassação de seu registro partidário. Aliás, as oposições deveriam avaliar com maior acuidade a Diretoria de Tecnologia da Corte Eleitoral. São muitas as suspeitas de manipulação dos resultados envolvendo as urnas eletrônicas e a impossibilidade de auditagem das votações. 

A cautela tem um fundamento simples: se há petistas infiltrados em todas as instituições da república, por qual razão o estratégico setor encarregado dos procedimentos técnicos eleitorais estaria livre deles? Não faz sentido, ainda mais sendo os petistas quem eles são. Dispensam apresentações, conforme se vê pelos escândalos monumentais em que se acham metidos. Esse negócio de "extraviar" processo, ainda mais quando tudo está submetido a registros eletrônicos, é algo grave que deveria exigir uma explicação contundente. 

O Estadão noticiou que "o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, abriu processo para apurar uso de verbas públicas da Petrobrás pelo PT. Em caso de confirmação da ilegalidade, o partido pode ter o registro de funcionamento cassado. O pedido original da Corregedoria-Geral Eleitoral foi feito em setembro do ano passado, mas, segundo a Corte, teria sido extraviado”.

O processo deriva da prestação das contas da campanha da presidente Dilma Rousseff e do Comitê Financeiro do PT em 2014, aprovadas com ressalvas, devido às suspeitas de irregularidades detectadas à época. Foi instaurado com base em informações da Operação Lava Jato, que levantou provas de que o esquema de desvio de recursos na estatal abasteceu o caixa da legenda.

Em troca de contratos públicos, empreiteiras teriam feito repasses ao PT e às campanhas do partido, inclusive as presidenciais, na forma de doações oficiais e clandestinas. O suposto uso do sistema oficial para recebimento de propina é um indício de lavagem de dinheiro obtido por meio de corrupção. 

O pedido de abertura de processo havia sido feito em setembro do ano passado pelo ex-corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro João Otávio de Noronha, ao gabinete do então presidente do TSE, Dias Tóffoli. Ele embasou o pedido em informações remetidas por Mendes, relator das contas de campanha de Dilma e do PT.

As doações contabilizadas parecem formar um ciclo que retirava os recursos da estatal, abastecia contas do partido, mesmo fora do período eleitoral, e circulava para as campanhas eleitorais. No período eleitoral, o esquema abasteceria também as campanhas diretamente”, escreveu Mendes à época. O ciclo se completaria não somente com o efetivo financiamento das campanhas com dinheiro sujo, mas também com a conversão do capital em ativos aparentemente desvinculados de sua origem criminosa, podendo ser empregados, como se lícitos fossem, em finalidades outras, até o momento não reveladas, acrescentou Mendes.

A instauração do processo, no entanto, não foi levada adiante pelo gabinete de Tóffoli. O TSE sustenta que o pedido do ex-corregedor extraviou. Recentemente, a gestão de Mendes constatou que não havia sido tomada providência a respeito e pediu que o procedimento fosse reconstituído.

Na sexta-feira, 5, 11 meses após o pedido original, o atual presidente autuou e deu número ao processo, que inicialmente ficará sob relatoria da atual corregedora, ministra Maria Thereza de Assis Moura. Ela fica no cargo este mês e depois será substituída pelo ministro Herman Benjamin, que assumirá o caso.

O processo ainda está em fase inicial, cabendo toda a coleta de provas e de depoimentos. Não há prazo para que a investigação se encerre e seja levada a julgamento em plenário.

Conforme a Lei dos Partidos, as legendas só podem usar recursos públicos se a fonte for o Fundo Partidário. O uso de qualquer outra verba é considerado irregularidade grave, passível da cassação do registro de funcionamento. Na prática, deixa de existir formalmente, não podendo mais disputar eleições, receber doações e fazer propaganda partidária. 

A assessoria de imprensa do PT divulgou nota neste sábado, 6, negando irregularidades com a velha conversa mole de que o PT não tem conhecimento de nenhum pedido de cassação de seu registro e não vê motivos para adoção desta medida, pois todas as suas operações financeiras são feitas dentro da legalidade, diz o texto".

Ora, quando se sabe que a Casa Civil da Presidência da República coordena a política de Tecnologia da Informação dos órgãos públicos, dá para se imaginar o que essa gente é capaz de fazer para ganhar as eleições. Dona Dilma o disse em alto e bom som. Não se pode duvidar dela, ao menos nesse caso.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Dilma na nuvem (Ruy Castro)


Vamos sentir saudades dela. Onde encontraremos outra tão deliciosamente inepta, magnificamente irresponsável e esplendidamente à vontade no seu sesquipedal despreparo? Ninguém se lhe compara na firmeza com que exerce seu desconhecimento sobre a lógica ou a aritmética mais simples. Ninguém a supera na arte de dizer sandices e, ao corrigir-se, dobrar a meta e dizer mais sandices. E ninguém faz isto num português tão tosco, singelo e de quinta. Refiro-me, claro, à ex-presidente Dilma Rousseff.

Depois de nos brindar com enunciados inesquecíveis sobre a mandioca, o vento estocado, a mulher sapiens, as pastas de dente que insistem em escapar do dentifrício e o meio ambiente como uma ameaça ao desenvolvimento sustentável, temia-se que seu afastamento nos privasse de novas contribuições ao nonsense. Mas Dilma não falha — é só colocar-se ao alcance de um microfone.


Sua última façanha está na internet e é facilmente acessível basta digitar "Dilma" e "nuvem". Ao saber outro dia que as acusações contra ela estão na "nuvem" — uma nova forma de armazenamento incorpóreo e universal de arquivos –, soltou os cachorros em entrevista a um canal de televisão.


"Pois bem", rugiu. "Inventam uma história fantástica. Que tá na nuvem. É. Tá na nuvem. Sei lá que nuvem. Sabe, eu não entendi muito bem essa história de nuvem. Tô aqui tentando apurar direitinho. Como é que uma coisa pode estar na nuvem? É muito simples estar na nuvem, não tem de provar. Que nuvem? Onde está a prova?"



A Dilma tá certa. Essa história de nuvem é mais uma tentativa de golpe contra uma mulher honesta, que fez o diabo para se eleger, digo, sofreu o diabo na ditadura. Quero ver provar. Mas o José Eduardo Cardozo [seu ministro de estimação, advogado e porta-voz] já está vendo isso. Ele vai desmoralizar essa nuvem.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

As pedaladas, as campeãs e o assalto aos velhinhos (Rolf Kuntz)


Um caso ou outro poderia ser acidente. Mas os maus negócios dos bancos, a queima de recursos das fundações, a devastação das grandes estatais e a crise da Oi, sem condições de pagar R$ 65,4 bilhões de dívidas, trazem as marcas de um estilo de governo. Esse estilo foi implantado em 2003 e só interrompido, por enquanto provisoriamente, em abril deste ano. O escândalo do crédito consignado apenas acrescentou um toque de perversidade, um tempero especial, a uma longa história de bandalheiras.

Os R$ 23,1 bilhões perdidos pela Petros podem ser uma cifra assustadora, mas esse valor parece até modesto quando se pensa no balanço da Oi. A quebra, ou quase quebra, da operadora estabeleceu um recorde. Nenhum outro processo de recuperação judicial havia envolvido tanto dinheiro. Mas outros detalhes também tornam especial esse episódio. A Oi, uma das maiores empresas de telecomunicação do Brasil, é uma das mais discutíveis criações do governo petista.

O toque final de sua constituição dependeu de uma alteração legal promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Formatada para ser a grande companhia nacional do setor, capaz de enfrentar as multinacionais, essa operadora resultou em mais um fracasso, mais uma prova contra a política de criação de campeãs nacionais. Uma de suas poucas realizações notáveis foi a instalação de uma antena ao lado do sítio do ex-presidente Lula.

A nova ação da Polícia Federal, com prisão do ex-ministro Paulo Bernardo, condução de seu colega Carlos Gabas e visita à sede do PT em São Paulo, foi classificada por aliados da presidente Dilma Rousseff como tentativa de reforçar o processo de impeachment. A manobra seria destinada, além disso, a desviar a atenção das acusações a membros do governo provisório. Alegações como essas poderiam ter alguma respeitabilidade em outras circunstâncias. Mas é impossível, agora, levá-las a sério. Afinal, a Operação Custo Brasil, mais um desdobramento da Operação Lava Jato, só escancara mais detalhes de uma enorme sequência de crimes.

Alguns desses novos detalhes, como o desvio de dinheiro de clientes do crédito consignado, funcionários ativos e aposentados, são especialmente hediondos. Mas, além de mais escabrosos que outros, podem ser especialmente informativos. A denúncia vai além do assalto e aponta o PT como um dos beneficiários do dinheiro subtraído.

Cada novo capítulo da Operação Lava Jato confirma os vínculos entre aparelhamento, loteamento e corrupção nos governos entre 2013 e meados de abril de 2016. Esses governos foram guiados essencialmente por um projeto de poder. Todo o discurso a respeito de planos de integração social e de mudança econômica nunca foi mais que um esforço de construção de imagem. Esse esforço pode ter enganado parte do público brasileiro e, com certeza, uma parte considerável do público estrangeiro. Mas a chamada política social do PT foi principalmente um instrumento de dominação, baseado muito mais na transferência de renda – um mecanismo de fácil manejo – do que na efetiva absorção dos pobres na economia moderna. Sem as transferências, a maior parte das famílias provavelmente voltaria às condições miseráveis.

Os aumentos do salário mínimo superiores aos ganhos de produtividade também proporcionaram alguma melhora do consumo, mas políticas desse tipo são insustentáveis. Depois de algum tempo, a inflação tende a anular seus efeitos.

Além disso, nenhuma economia administrada sem disciplina fiscal, uso criterioso de recursos e atenção ao investimento e à produtividade vai muito longe. A recessão brasileira, com mais de 11 milhões de desempregados, é mais uma prova dessa obviedade ignorada pelos petistas – principalmente pela presidente Dilma Rousseff e por seus incompetentes favoritos.

Não há como fixar uma linha divisória entre o estilo de ocupação do governo – aparelhamento, loteamento e apropriação partidária do Estado – e o desastre econômico. A mediocridade do primeiro mandato, com crescimento médio anual de apenas 2,1%, foi um claro prenúncio da recessão. Em 2014 a economia, já atolada na crise, cresceu 0,1%, enquanto a inflação bateu em 10,67%. A piora do quadro a partir daí foi um desdobramento normal, até porque a presidente rejeitou os esforços do ministro Joaquim Levy de reconhecer e enfrentar os problemas.

Quem vincula a Operação Custo Brasil ao processo de impeachment acerta, no entanto, pelo menos num ponto. Há um parentesco indisfarçável entre o projeto de poder do PT, os desmandos na administração direta e indireta, a desastrosa política econômica e as pedaladas fiscais. São estas, formalmente, a base do processo de impeachment. Mas só com muito esforço de abstração é possível separá-las do resto. O resto inclui, entre outros detalhes, o desemprego de mais de 11 milhões e o assalto aos velhinhos do crédito consignado. Esse jogo político é indivisível.