quarta-feira, 2 de junho de 2010

Lições de Ipatinga

No último domingo de maio do corrente ano ocorreram eleições extemporâneas em algumas cidades mineiras, inclusive em Ipatinga, no chamado vale do aço. A cidade é o coração de uma das regiões metropolitanas mineiras – a outra é a capitaneada por Belo Horizonte – numa conurbação que envolve outros dois grandes municípios industriais – Timóteo e Coronel Fabriciano. O PT tem exercido a hegemonia neste complexo urbano há pelo menos duas décadas e sua influência se irradia por toda sua área polarizada. Há que se destacar a elevada politização e o grande acesso popular a informações – uma repetidora da TV Globo, por exemplo, está baseada em Fabriciano.

Pois bem, uma vitória petista em Ipatinga seria considerada quase como um passeio, um verdadeiro mamão com açúcar, em vista de tão favorável conjuntura. Tal expectativa seria reforçada por outro fato relevante: a candidata do PT era uma deputada estadual casada com o ícone partidário local que, por três vezes, fora prefeito da cidade (o qual, durante a campanha, vigilantemente postado à frente de numerosa comitiva partidária, conduzia a seu talante o processo eleitoral). Para fechar o quadro, a candidata petista ainda enfrentava um obscuro e modesto vereador, personalidade sem grandes brilhos nem destaque, se comparado à sua adversária e seus apreciados dotes. No entanto, apesar de tantos e poderosos apoios, Cecília Ferramenta foi fragorosamente derrotada (quase na proporção de três por dois, ou seja, 60% a 40%).

Os resultados de Ipatinga parecem sinalizar para a recorrência de um velho fenômeno brasileiro: a nordestinização do partido hegemônico. Já aconteceu antes com a ARENA, o PDS, o PFL e o PMDB. O PT segue agora na mesma toada. Disputa hoje com outras forças do atraso quem será majoritário nos grotões do país. O Brasil urbano e politizado seguirá em outra direção. O caciquismo, o nepotismo e o populismo apresentam limites insuspeitados que devem ser reconhecidos. As eleições em Ipatinga podem ser vistas como uma lição e um alerta.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

QUEM APOIA QUEM?

Antigo adágio proclamava: diga-me com quem andas que te direi se te acompanho! Nunca tal condicionante foi tão verdadeira como agora, principalmente no que se refere à campanha eleitoral em curso. Os dois principais candidatos - Dilma Rousseff e José Serra - recebem o apoio de quatro ex-presidentes vivos: José Sarney e Fernando Collor, a primeira, e Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, o segundo. Mais que qualquer outra coisa que se diga, essa configuração denota o perfil daqueles postulantes. É uma verdadeira lição por tudo que os antigos dirigentes simbolizam em suas respectivas trajetórias na vida pública.

Associações inevitáveis surgem à mente de qualquer cidadão de bem. Se não, vejamos: Sarney e Collor, juntos, não dariam melhor rosto ao atraso. Ambos são a imagem mais eloquente que se possa imaginar do Brasil que não presta. Não por acaso, os dois provêm dos Estados mais pobres do país, não só econômica, como social e politicamente. Quem tiver qualquer dúvida pode consultar os respectivos índices de desenvolvimento humano (IDH) e compará-los com o de outros Estados da federação. Sarney e Collor, verdadeiros "pai e filho" espirituais, são remanescentes de uma oligarquia truculenta, parasitária e corrupta cujo talento mais evidente - aprimorado em séculos de rapinagem - é o de saquear os cofres públicos. Teriam alcançado a perfeição genética se, por acaso, Collor tivesse se casado com uma filha de Sarney. O Eterno, certamente num rasgo de sua infinita bondade, privou-nos de sofrer os efeitos deletérios dessa eventual mistura de DNA. Deste conúbio teratológico talvez saltasse o próprio anti-Cristo previsto nas profecias.
Dilma Rousseff, no entanto, parece querer se credenciar (e com alegria), a ser a herdeira putativa desse concentrado ímpar de jequice, fanfarronice, histrionice, sem-vergonhice e cafajestice. O potencial resultado final se agrava, pois que temperado pela modelagem totalitária da madame, forjada politicamente num anacrônico stalinismo. Quem convidaria tão rançosas criaturas para um jantar em família, compartilhando o pão de uma refeição honesta? Só para relembrar, companheiro é aquele com quem compartilhamos, ou dividimos, o pão. O ousado anfitrião que os recebesse teria que se precaver obrigando os convidados a usarem algemas, ainda na porta de entrada, a fim de salvaguardar o patrimônio familiar, obviamente.
Menos má a situação de Serra com os seus apoiadores. Se Itamar é exótico e dado a faniquitos não se pode, contudo, deixar de reconhecer-lhe méritos pessoais que são raros no mundo da política. O mínimo que se pode dizer sobre ele é que tem licença de andar pelas ruas sem o risco de receber vaias e hostilidades de qualquer tipo. Fernando Henrique também não envergonharia ninguém. Seu legado maior, em que pesem várias críticas (mas nenhuma desqualificante), é ter conduzido o povo brasileiro em direção ao conhecimento da experiência rara da estabilidade da moeda, além de ter tido uma compostura que poucos tiveram no exercício do cargo de presidente.
Entre a barbárie da oligarquia nordestina - capitaneada por Sarney e Collor - e a civilização de autênticos democratas, simbolizados por Itamar e Fernando Henrique, ficará a escolha do futuro presidente do Brasil. Os mineiros, do alto de sua experiência histórica, saberão fazer as comparações devidas. O salutar exercício da memória deve, portanto, incluir os nefastos períodos de governo do maranhoso Sarney (o mistificador do plano Cruzado), e do indecoroso Collor (o ladrão da poupança popular). Minas Gerais já purgou seus erros e pecados com Newton Cardoso, assim como São Paulo o fez com Paulo Maluf. Foi uma dura aprendizagem.
(Publicado, com modificações, no jornal O Tempo em 30/05/2010)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Lei de Gérson

(Extraído de SUPERINTERESSANTE)

"Viva a lei de Gérson!


O meio-campista Gérson ficou célebre não apenas por ter sido uma das maiores estrelas do tricampeonato brasileiro em 1970, mas por ter formulado, na propaganda do cigarro Vila Rica veiculada anos depois, aquela que viria a ser conhecida como lei de Gérson: "O importante é levar vantagem em tudo, certo?" - frase dita num carregado sotaque carioca, forçando os erres até o palato ficar encharcado. Gérson tentou por muito tempo se desvencilhar da fama de patrocinador dos espertalhões, patrono dos corruptos e propagandista dos canalhas, mas não teve jeito.

A lei de Gérson pegou. Sociólogos, antropólogos e a nata da intelectualidade brasileira já gastaram horas e mais horas, tinta e mais tinta, neurônios e mais neurônios para condenar nossa brasileira condição gersoniana. Somos mesmo uma nação de egoístas, corruptos e sacanas, que só pensam em si e só querem saber de levar vantagem. Certo?

Errado. No fundo, Gérson deveria ter é orgulho. Só a lei de Gérson nos salva nesta era politicamente correta, em que anão virou "verticalmente prejudicado", pobre virou "excluído social", débil mental virou "diferentemente capacitado" e em que nem propaganda de cigarro é mais possível fazer sem pedir desculpas em letras garrafais. O enunciado da lei de Gérson põe a nu a essência do nosso caráter sem pudor: somos um povo que gosta de levar vantagem. E daí? Alguém aí teria orgulho de fazer parte de uma nação de trouxas e otários?

Ninguém aqui vai defender um comportamento antiético ou ilegal com base no enunciado da lei de Gérson. Se ela existe, é em primeiro lugar reflexo da nossa realidade. Veja o caso das nossas empresas. Na hora de dar entrevista e aparecer na mídia, todas querem loas a sua responsabilidade social corporativa e boa cidadania. Na hora de declarar imposto, de desempatar alguma pendenga judicial ou de conseguir autorização para obras, estão todas atrás do primeiro Rocha Mattos de plantão para livrar-lhes a cara, já que, em meio à nossa barafunda legal, a propina é questão de sobrevivência e só ela faz a economia andar.

Parece que o povo brasileiro vive uma tensão entre duas forças. Por fora, a força da imagem. Em público, todos têm de ser como que sacerdotes, com comportamento impecável, retidão moral absoluta, espinha dorsal inflexível. Os políticos corruptos são condenados com virulência, qualquer deslize de executivos tem de ser punido de forma exemplar, damos a nossos filhos a impressão de que a ira divina se abaterá sobre suas menores falhas. Esse sentimento faz a fortuna e a desgraça de prefeitos, governadores e presidentes.

Por dentro, porém, irrompe a força de Gérson. Ninguém agüenta essa pressão hipócrita. Todos querem o melhor para si - e que mal há de haver nisso? De posse da menor fímbria de poder, de uma tênue nesga de oportunidade, não raro transgredimos as mesmíssimas regras cuja transgressão acabamos de condenar nos outros. Julgamos, condenamos, enforcamos e esquartejamos Gérson. Mas Gérson somos nós. Eis nosso dilema.

Para que tanta hipocrisia? Nada disso precisa ser assim. A lei de Gérson muito deveria nos honrar. Basta despi-la da hipocrisia para perceber que é a esperteza nacional que faz o Brasil se destacar em meio à mediocridade reinante no planeta politicamente correto, em que tudo tem de ser igual e insosso, em que todos acham que têm direito a tudo, em que a criatividade - e a verdadeira diferença - foram banidas.

Na América Latina, os argentinos choram suas tristezas frustradas num tango melancólico, enquanto nós brasileiros damos risadas de nossas sacanagens num alegre sambinha. Qual o problema se podemos ser espertos e felizes? Quem disse que ser esperto é ruim ou necessariamente antiético? Por que ter vergonha disso em vez de usar a esperteza a nosso favor?O empreendedorismo e a criatividade do brasileiro nada mais são que expressões dessa faceta mais nobre da lei de Gérson.

Afinal, empreender não é saber aproveitar oportunidades? Criar não é violar regras estabelecidas e preconcebidas? Tudo isso não é, no fundo, saber levar vantagem? Vamos largar a mão de ser bestas e incorporar com orgulho nosso lado Macunaíma. Vamos dar um basta à histeria politicamente correta que infesta a humanidade e usar nosso próprio antídoto: a boa e velha lei de Gérson. Viva Macunaíma! Viva Gérson! Ziriguidum. Telecoteco. Balacobaco, esquindô, esquindô."

Sherit Hapleitá (Floriano Pesaro)

(Discurso de Floriano Pesaro discursa na sessão soleneem recordação aos heróis e mártiresda II Guerra Mundial)

"Nós todos, que hoje advogamos pela memória da tragédia do Holocausto como alerta para o futuro, devemos nossa inspiração à Associação dos Sobreviventes Israelitas da Perseguição Nazista – O Sherit Hapleita.

Já no vislumbre de um possível fim do Holocausto, os sobreviventes da barbárie buscaram um caminho para o povo judeu. Inspirando-se nada menos do que na Bíblia - o nome Sherit Hapleita tem origem no primeiro livro de Crônicas 4:43 - essas pessoas, provas vivas da capacidade humana de sofrimento e superação, começaram a se organizar social e politicamente, já que o colapso nazista os deixara sem família, sem lar, sem país, sem perspectiva.

Recusando a segregação e a desumanidade dos Campos de Pessoas Deslocadas, recusando o aviltamento de terem que sair de “Dachau para Feldafing”, os corajosos cidadãos do Sherit Hapleita, rejeitaram definitivamente serem mais uma vez tutelados e ignorados.

Tendo como fator primordial de convergência o mesmo fato que os levou à beira do extermínio (ser judeu), a organização foi pioneira em determinar linhas de ação para que o povo judeu pudesse ter voz, compensação, memória, país e autodeterminação.

Já em sua primeira conferência, os delegados de Sherit Hapleitá decidiram sobre um programa de 14 pontos em que estabeleciam um amplo mandato, incluindo o estabelecimento de um estado Judeu na Palestina, com reconhecimento pelas Nações Unidas, compensação para as vítimas do nazismo, participação nos julgamentos contra os criminosos de guerra nazistas, um arquivo de registros históricos e ampla autonomia.

Hoje, somos milhões em Israel e no mundo afora, livres, confiantes, orgulhosos por termos uma terra para chamar de nossa. Mas devemos isso à coragem e esperança destes heróis sobreviventes que reafirmaram um dos fundamentos de nosso povo: a valorização da vida acima de tudo. Heróis que entenderam o perigo de subserviência, heróis rotos, machucados, sofridos, enlutados. Uma massa de seres humanos distintos em suas crenças políticas, sociais e mesmo em seus graus de crença.Mas heróis que sumarizam a inestimável citação do sábio rabino Hilel:

" IM EIN ANI LI MI LI"

(Se eu não for por mim, quem será por mim? E se eu cuido só de mim, quem sou, afinal? E se não agora, quando?)

Nosso agradecimento será eterno. Nosso caminho foi esboçado lá, no rescaldo das cinzas de nossos familiares. Foi lá que escolhemos renascer, foi lá que decidimos que nossa resposta a Hitler seria recordar, alertar, mas sobretudo: viver. Por isso hoje podemos dizer de boca cheia: AM ISRAEL HAI."

Os homens ou os sistemas políticos?

"A EXPERIÊNCIA FRUSTRANTE DE ACREDITAR MAIS UMA VEZ QUE O PROBLEMA SÃO OS HOMENS E NÃO OS SISTEMAS POLÍTICOS"! (Trechos do artigo de Jorge Fernández Díaz, no La Nacion)

1. Os homens, assim como os meninos, querem que contemos sempre a mesma história, e a arte consiste em fazer com que pareça sempre diferente. Vale a máxima de Oscar Wilde: "O único dever que temos para com a história é reescrevê-la”.

2. O mítico final de Júlio César só funciona hoje como uma simples metáfora para o declínio e derrota de um governante. Esclarecimento fundamental nesta era de má-fé, em que tudo é manipulado para o escárnio. Essa metáfora, explica que o que aconteceu em Roma em 15 de Março do ano 44 AC e tem conotações no presente: "Para a sociedade civil apresentava-se então, como se apresenta agora, se prefere a liberdade ou a segurança e a paz”.

3. O poder supremo de César foi o produto de um longo período de desintegração e caos que o havia precedido. A sociedade buscou um homem forte e, em seguida, começou a queixar-se quando esse líder providencial se perpetuou no poder e adotou as irritantes atitudes de um monarca.

4. No palácio, uma amante de César o surpreendeu em uma intimidade exausta e fatalista, e disse: "Quanto maior é o seu poder, maior a inveja; quanto maior é seu valor, maior é o ódio. É inevitável”. César sentia que não somente seus inimigos políticos preparavam sua queda, mas toda sociedade esperava, cansada e ansiosa, esse resultado. O resultado é conhecido: um grupo de "guerreiros da liberdade" esperam por Júlio César no Senado e o apunhalam, e depois saem à rua à procura de vivas e aplausos do povo.

5. Os eventos que seguem estas primeiras horas são ainda mais interessantes, já que contém uma inquietante lição política. O protagonista deste segundo momento - Marco António - não aceitou participar, mas tampouco denunciou os conspiradores. Ele era partidário do partido do poder. E fez imediatamente uma descoberta surpreendente: "Não sabem o que fazer. Não têm a menor idéia. Ninguém se preocupou em pensar o que iria acontecer depois". Ele estava se referindo aos "libertadores", como se nomearam.

6. O único projeto que tinham era substituir Júlio César, uma obsessão que não havia lhes permitido definir que rumo seria dado ao Império Romano. Marco Antonio triunfou naquele dia, já que era um cesarista prodigioso e contava com aparato e uma verdadeira vocação para o poder. Os resultados foram, no entanto, catastróficos: uma série de lutas e guerras internas irromperam, a República caiu em desgraça e foi substituída por uma variação da monarquia chamada principado, com uma figura monumental como Augusto e uma cadeia de césares ditatoriais culminando em Nero.

7. Mostra a inutilidade da derrubada de César e a seqüência de mal-entendidos e cegueira entre os líderes e governantes, os riscos de procurar o poder absoluto, a leviandade de quem quer o governo sem saber exatamente o que fazer com ele e a experiência frustrante de acreditar mais uma vez que o problema são os homens e não os sistemas políticos e as sociedades que os tenham parido. Está certo. O único dever que temos para com a história é reescrevê-la. Assim nos livros como na realidade."

(Extraído do ex-blog de Cesar Maia, em 20/05/2010)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Dilma, nota dez! (Impagável)

(Do blog de Augusto Nunes)

"Dilma entra em campo com Ganso e Neymar: um grande momento do Discurso sobre o Nada
(12 de maio de 2010)

"Com a segurança de um lateral escalado para acompanhar Pelé sem perder Garrincha de vista, Dilma Rousseff resolveu incluir no Discurso sobre o Nada um capítulo sobre futebol. Começou por dizer o que pensa de Neymar e Ganso. Depois de analisar o vídeo de 45 segundos, Celso Arnaldo decidiu convocá-lo para a seleção dos melhores momentos de Dilma Rousseff. Confira:

O bisonho comentário da Dilma hoje cedo no twitter, a respeito da lista de Dunga, passou a ideia de que ela também não entende de futebol ─ se é que entende de alguma coisa.
Mas era um julgamento injusto ─ o formato de 140 toques certamente prejudicou-lhe o raciocínio. Porque, na entrevista de ontem à noite para a imprensa gaúcha, indagada sobre a seleção, Dilma Rousseff revelou-se um João Saldanha de terninho, pela análise ferina e cortante a respeito da não-convocação de Neymar e Ganso.

Se a ouvisse antes, é provável que Dunga, outro conterrâneo, se convencesse: “Na minha humildade, né, no meu chinelo da minha humildade, eu gostaria muito de ver o Neymar e o Ganso. Porque eu acho que 11 entre 10 brasileiros gostariam. Porque deu alegria ao futebol. Porque, a gente… Eu vi. Cê veja, eu já vi. Parei de vê, voltei a vê. E acho que o Neymar e o Ganso têm essa capacidade. Fazê a gente olhá.. Porque é uma coisa que, né, mexe com a gente. Tem esse lado brincalhão e alegre.”

Nenhum dos ferrenhos defensores de Neymar e Ganso na seleção descreveu melhor o futebol mágico da dupla santista, que enfeitiçou 11 de cada 10 brasileiros ─ mais feitiço do que isso, impossível.

De chinelos humildes, um dia Dilma contará ao neto Gabriel, que nascerá depois da Copa, quem foram Neymar e Ganso, transformados numa só entidade: “Menino: eu vi. Cê veja, eu já vi. Parei de vê, voltei a vê”. Nem a avó de Gabriel Garcia Márquez, inspiradora de “Cem anos de solidão”, transmitiu ao neto um realismo tão mágico.

Este vídeo é titular absoluto na seleção de melhores momentos de Dilma. Talvez camisa 10."

domingo, 9 de maio de 2010

Quero estudar na propaganda do governo Lula

"Reportagem de Bernardo Mello Franco, na Folha de hoje, dá conta do ridículo a que chegou o governo Lula com a sua, se me permitem, tara pelo ineditismo. Propaganda oficial conduzida pela Secom, do companheiro Franklin Martins, veiculada em jornais de todos os estados e com conteúdo regional, infla números, expropria obras alheias e ainda violenta a geografia! Escolas técnicas inauguradas em governos anteriores — uma delas é de JK!!! — aparecem como obras do governo Lula. A cidade de Campinas, a segunda maior de São Paulo (só perde para a capital), foi parar no Norte do Estado, a uns 400 quilômetros de sua real localização. Tudo feito como muito profissionalismo… Leiam:

"A pressa para divulgar ações em ano eleitoral levou o governo a inflar estatísticas e tropeçar na geografia, em campanha publicitária de R$ 60 milhões paga pela Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência da República. A propaganda oficial atribui ao governo Lula a inauguração de escolas técnicas federais criadas muito antes da posse do presidente, em 2003. Além disso, usa mapas com indicações trocadas -no do Estado de São Paulo, por exemplo, há cidades indicadas a cerca de 400 quilômetros do local correto.

Os erros estão espalhados em anúncios de meia página publicados anteontem nos principais jornais do país, inclusive na Folha. As peças foram regionalizadas para divulgar obras em cada um dos 26 Estados e no Distrito Federal. O material apresenta como novas escolas técnicas abertas em governos anteriores ou que ainda estão em construção. O anúncio publicado nos jornais de Brasília, por exemplo, traz um mapa com cinco unidades assinaladas. Quatro não existem e uma foi inaugurada em 1958, pelo então presidente Juscelino Kubitschek.

Abaixo do mapa, um texto de apoio informa que a Escola Técnica de Planaltina “já prepara jovens para o mercado de trabalho”. Como a unidade existe desde 1958, os primeiros jovens formados já devem ter celebrado os 70 anos de idade. O Planalto é reincidente no erro. Em fevereiro do ano passado, quando Lula reabriu a escola, o material de divulgação omitia tratar-se de uma obra de JK, como o presidente reconheceu no discurso. Sobre as escolas em construção, o texto diz que serão abertas “até o final da expansão da rede”, sem indicar data. No mapa, não há qualquer observação de que elas ainda não existem.

O problema se repete no anúncio dos jornais cariocas. Lá, aparece como nova a unidade do Centro Federal de Educação Tecnológica em Maria da Graça, no subúrbio do Rio. O site do Cefet informa que ele existe desde 1997 e foi apenas transformado em “unidade descentralizada” em 2006. Além de inflar dados, os mapas erram a localização de cidades e confundem bairros com municípios. No de São Paulo, Campinas virou um pontinho no norte do Estado. Caraguatatuba, cujo nome oficial contém “Estância Balneária”, foi “promovida” do litoral para o topo da Serra do Mar. No mapa do Rio, bairros como Realengo foram sinalizados com o padrão gráfico de cidades."

(Do blog de Reinaldo Azevedo, em 8/5/2010)