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terça-feira, 7 de março de 2017

Propina não é propina


A propina paga pela burguesia à "crasse" trabalhadora deve ser entendida de forma diferente como tem sido feita. A fatídica palavra remete a gorjeta, tal qual entendem os povos de língua espanhola. Pedir propina não passa de  reles solicitação de um adjutório, perfeitamente integrado nos costumes locais dos hermanos. Na concepção pátria, no entanto, a propina ganha aura de política de distribuição de renda, quando não de expressão da velha luta de classes. Reagindo à alienação, como diria Marx, o capilé arrancado dos capitães da indústria traveste-se de mais valia, quando repassada aos representantes sindicais, agora sob a forma de Participação em Lucros e Resultados - a PLR. Não há nada de ilícito nisso. Aliás, há sólidos fundamentos a justificá-la. A previsão legal encontra-se no ordenamento jurídico brasileiro. Claro que no Brasil há singularidades não encontráveis em nenhum outro país. Por exemplo, a curiosa prática na Petrobrás de pagar a PLR aos petroleiros, mesmo quando a empresa dá prejuízo. 


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Renato Duque: roubai-vos uns aos outros

O Brasil é mesmo uma piada. O jornal Estado de São Paulo noticia que roubaram a propina do Renato Duque, um dos enrolados no Petrolão. 

A história é singela: o portador de 100 pixulecos, sacados numa agência do City Bank, no centro do Rio de Janeiro, dirigia-se à sede da Petrobrás para entregar a mala com a grana ao nobre Duque. Pois bem, no meio do caminho tinha um outro gatuno. 

Quer dizer, nem corruptos têm mais a necessária tranquilidade para fazer seu "trabalho". Bandidos pés-de-chinelo se julgam, agora, no direito de atravessar transações de trapaceiros de alto coturno. 

É o que dá esse negócio de inclusão. Devem ter entendido errado as palavras bíblicas. Em vez de amai-vos, pensaram que fosse roubai-vos, uns aos outros.