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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Herança de Fernando Pimentel: crescimento brasileiro a 0,5% em 2014


A formidável obra de Pimentel na condução da política industrial brasileira recebe mais um prego no caixão. A expectativa de crescimento da economia reduziu-se a 0,5% (meio por cento), o que é praticamente ficar no mesmo lugar. O autodenominado "bom de serviço" é, de fato, um desastre. Caso ele se eleja governador, Minas Gerais voltará ao estágio de economia colonial, aquela em que os mineirinhos ficavam pitando cigarrinho de palha de cócoras nas beiras de estradas, numa imitação piorada dos caipiras e Jecas Tatus descritos por Monteiro Lobato.

No seu blog na revista Veja, em 1° de setembro, o jornalista Reinaldo Azevedo teceu as considerações abaixo:

"Não é por nada, não, mas, quando se olha o cenário econômico, a gente se pergunta por que tantos querem governar o país, não é mesmo? O boletim Focus reviu para baixo, mais uma vez, o crescimento neste 2014: na semana passada, era de 0,7%; agora, de 0,52%. A mudança se dá depois de os números do IBGE terem demonstrado que o Brasil entrou em recessão técnica, com o encolhimento da economia em 0,2 % no primeiro trimestre e 0,9% no segundo. Este é 14º rebaixamento consecutivo da expectativa de crescimento. Caiu também a previsão para o ano que vem: de 1,2% para 1,1%.

Se, nessa área, os números assombram porque baixos, no que diz respeito à inflação, o índice deste ano segue firme em 6,27%, e o de 2015 passou de 6,28% para 6,29%, quase no teto da meta (6,5%). Também as previsões para a Selic são siderais: fecha este ano em 11% e vai a 11,75% no ano que vem.

Resumo da ópera: o mercado prevê um 2015 com crescimento mixuruca, inflação alta e juros nas estrelas. Imaginem se a gente acrescentar Dilma Rousseff a essa receita indigesta, dado o que o mercado anda pensando dela…".

O excelente jornalista se esqueceu, contudo, de dar o devido crédito a Fernando Pimentel pela sua inequívoca colaboração para os resultados encontrados. De fernando em fernando, o Brasil vai afundando.... 


domingo, 17 de agosto de 2014

O bom de serviço e a herança maldita

Vale a pena ler abaixo o editorial do Estadão - "Seis meses desastrosos" -, publicado no último sábado. Os resultados da deplorável obra de dona Dilma e do professor Fernando Pimentel estão lá traduzidos em números: a indústria, o comércio exterior e o desenvolvimento caminhando céleres para o buraco. Os dados não foram inventados por algum oposicionista rancoroso. Os dados são oficiais. Depois de tanto obrarem, a madame e seu ministro ainda querem continuar "governando" o país e, de lambugem, ocupar o governo mineiro para, certamente, reduzir as alterosas ao nível de alguma republiqueta africana, ou latino americana. Lula da Silva, o pai de todos, só teve um momento de lucidez na sua vida. Cunhou a expressão "herança maldita". Nunca antes na história deste país descreveu-se com tal precisão aquilo que dona Dilma e Pimentel legarão aos brasileiros. A favor dos três, reconheçamos, há o magnífico porto de Mariel. Construído em Cuba, claro, ao custo de bilhões que poderiam ter sido aplicados na precária infraestrutura nacional. Mas o Brasil não é prioritário. Prioritários são os interesses de um ditador gagá, cujo regime se especializou em alugar mercenários de todos os tipos para os governos amigos. Não é um modelo original. Na África subsaariana havia, nos séculos XVI e XVII, estados que se devotavam a uma única atividade: o tráfico de escravos. Se para Cuba os lulo-petistas construíram Mariel, para o Brasil ficaram as inumeráveis obras inacabadas ou mal iniciadas ou, então, construídas no padrão PAC, tal como se viu com o viaduto que desabou em Belo Horizonte. O país está precisando, mesmo, é de tomar um banho de sal grosso para se livrar desses hereges. Ou de um exorcista, daqueles dos bons, para espantar tanta coisa ruim.  

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SEIS MESES DESASTROSOS

"O Brasil continuou perdendo espaço na economia mundial, no primeiro semestre, com desempenho muito pior que o da maior parte dos países, tanto emergentes quanto desenvolvidos. A recuperação global vem sendo mais lenta do que se previa há alguns meses, mas o quadro brasileiro é especial. O País tem exibido uma rara combinação de baixíssimo crescimento com inflação elevada, contas públicas em deterioração e comércio externo empacado. Na sexta-feira a estagnação foi confirmada por mais uma fonte oficial. Em junho, a atividade econômica foi 1,48% inferior à de maio e 2,68% menor que a de um ano antes, segundo o índice produzido mensalmente pelo Banco Central (IBC-Br). Esses números são da série livre de efeitos sazonais. O crescimento ficou em 0,08% na primeira metade do ano. Em 12 meses, chegou a 1,41%, mas com forte perda de ritmo na fase final.

O balanço completo do período janeiro-junho será divulgado no fim do mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas o índice do BC é considerado uma boa antecipação do Produto Interno Bruto (PIB) e, além disso, harmoniza-se muito bem com os dados parciais de produção, consumo e investimento conhecidos até agora e também com os números da balança comercial. Será enorme surpresa se o PIB vier muito melhor que o IBC-Br.

As projeções mais otimistas para o ano todo continuam sendo as do setor público. O Ministério do Planejamento publicou em julho uma estimativa de crescimento econômico de 1,8%. No mês anterior o BC havia divulgado uma projeção de 1,6%. As bolas de cristal do setor privado mostram cenários muito piores. A mediana das projeções do setor financeiro chegou a 0,81% no dia 8, segundo a pesquisa Focus, conduzida pelo BC. Na semana anterior a estimativa de crescimento estava em 0,86%. Na metade de julho havia chegado a 1,05%.

Os maus números de junho têm sido atribuídos, pelo menos em parte, à Copa do Mundo. Houve menos dias de trabalho e menor atenção aos negócios e, além disso, decisões importantes foram adiadas. Há alguma verdade nesse argumento. Mas a Copa durou cerca de um mês e a economia foi mal durante todo o semestre. Além disso, vários números da série do IBC-Br foram revistos para baixo, segundo a informação publicada ontem. O dado de maio passou de -0,18% para -0,80%. O de abril, de +0,05% para -0,01%. O de março, de +0,04% para -0,24%. Seria cômico atribuir todo esse desastre à mudança de rotina provocada pelo campeonato da Fifa.

O futebol pode servir para explicar parcialmente, portanto, a redução do consumo e o recuo da produção industrial em junho e, talvez, em parte de julho. Mas é necessário examinar outros fatores para analisar o atoleiro econômico do primeiro semestre deste ano. Um dos principais componentes do quadro é a estagnação da indústria.

A produção industrial nos primeiros seis meses foi 2,6% menor que a de janeiro a junho de 2013. A de bens de consumo duráveis, 8,6% inferior à de um ano antes. Esse número combina, à primeira vista, com os do consumo. O volume das vendas no varejo, no mesmo período, ficou 4,2% acima das de um ano antes, sem contar as de carros, veículos, peças e material de construção. Quando esses itens entram na conta, a diferença fica em apenas 0,1%. Isso se explica em parte pelo endividamento dos consumidores, pela alta dos juros e pelo efeito da inflação no orçamento familiar.

Mas o aumento da importação também é parte da conta. Nos 12 meses terminados em junho, a parcela de importados no mercado nacional de bens industriais chegou a 21,8%, o coeficiente mais alto desde 2007. O cálculo é da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Juntam-se nesse quadro a perda de vigor do mercado interno e o baixo poder de competição da indústria. A competitividade foi erodida por vários fatores desastrosos. Mais estímulo ao consumo que à produção, baixo nível de investimento, ineficiência da infraestrutura e política comercial mais ideológica do que pragmática são exemplos evidentes. Grandes erros nasceram das fantasias do governo, incluída a do mercado interno como seguro contra a crise".

(Publicado em O ESTADO DE SÃO PAULO, de 16-08-2014)

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Os bons de serviço

O período eleitoral se renova a cada dois anos; eleições de base local - prefeitos e vereadores num ano - e governadores, deputados, senadores e presidente em outro.  Partidos e candidatos apresentam-se então ao povo para pedir seu voto. A publicidade dos postulantes é um show de criatividade e de cores. As promessas são exponenciais, gravadas em ricas páginas coloridas e sedutoras imagens do porvir. O mínimo que oferecem ao eleitorado pode ser traduzido no tripé: casa, comida e roupa lavada; dependendo da situação pode-se ampliar o último ponto, oferecendo a roupa, além de lavada,  já passada e até engomada. De uma coisa pode-se ter certeza: não há escassez na ousadia. A maioria dos pretendentes possui inaudita coragem para propor tópicos impossíveis de serem realizados, como se os eleitores fossem um bando de idiotas ou de desmiolados e desmemoriados. Os críticos mais severos do cinismo prevalecente (céticos frente ao lero-lero da vez), costumam dizer que, em vez de coragem, há candidatos que, de fato, são portadores de elevadas doses de caradurismo. 

Por tudo isso dito acima, é necessário divulgar fatos que ajudem os eleitores na sua decisão, em cinco de outubro. Evidentemente que fazê-lo implica o risco de ser perseguido ou censurado, tal como ocorreu com analista de um grande banco, que foi punida pela sua opinião contrária aos interesses dos mandarins refestelados em Brasília. A continuar este espírito de caça às bruxas, comandado pelos atuais governantes (não esquecer que há jornalistas amaldiçoados que já fazem parte de um índex proibitorum forjado pelo PT, ao modo do Vaticano), em breve chegaremos ao mesmo nível da imprensa de Cuba e da Coréia do Norte: amordaçada, acoelhada e subjugada. Torçamos para que fique só assim esse esgar totalitário.

Falando em Cuba, o ex-ministro Fernando Pimentel, da copa e da cozinha de dona Dilma, pretendente a governar Minas Gerais, tem uma ficha que não pode ser considerada limpa, do ponto de vista democrático e político. Foi ele patrocinador de acordos comerciais com Fidel Castro (e com famigerados sobas africanos também), cujos termos estão protegidos por cláusulas de silêncio, que só poderão ser divulgadas quando todos nós já estivermos mortos. Pois bem, o ex-ministro, repita-se, é candidato a governar Minas Gerais, terra das maiores tradições libertárias no Brasil. Ora, por que, então, tamanho segredo envolvendo o dinheiro público usado para beneficiar ditaduras? Se fosse eleito, o ex-ministro pretenderia também governar Minas Gerais com segredinhos que não podem vir à luz do dia? Talvez Pimentel não tenha lido a Constituição cidadã; um de seus mais caros princípios é o da publicidade, sem falar, é claro, da moralidade, dentre outros que presidem a gestão da coisa pública.

O candidato Fernando Pimentel foi Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior durante quase todo o mandato de dona Dilma Rousseff. Sob seu comando foi implantada uma pífia política industrial cujos resultados são refletidos diariamente pela grande imprensa. A outrora pujante indústria brasileira cresce, agora, como cresce o rabo de cavalo: para baixo e sempre. O único setor que se salva do nefasto governo de dona Dilma é o agrícola, apesar do esforço governamental para inviabilizá-lo. Estará Pimentel pretendendo fazer com a indústria mineira o mesmo que ele fez com as indústrias nacionais? Segundo ele mesmo diz, Minas não pode ficar restrita à produção do minério de ferro e à agricultura. Ora, se ele não conseguiu alavancar a indústria brasileira, quando era ministro, qual mágica usará para desenvolver industrialmente o nosso estado? O povo mineiro tem o direito de questionar e, principalmente, de duvidar de seus propósitos. No papel tudo é possível. Mas só no papel. 

O povo mineiro não se esquece dos "bons conselhos" dados por Pimentel a um pequeno fabricante de tubaína lá em Pernambuco (nem dos resultados alcançados pelo infeliz empresário assessorado por profissional tão gabaritado), e, muito menos, da farsa das igualmente supostas consultorias milionárias prestadas à Federação das Indústrias de Minas Gerais, antes de se tornar ministro de dona Dilma. Outras pérolas do seu "programa" de governo ainda serão aqui avaliadas.