terça-feira, 13 de julho de 2010
Mais Shakespeare - SONETO CXVI
Nada há que impeça. Amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Soneto LXXI - Shakespeare
Do que hás de ouvir triste sino a dobrar
Dizendo ao mundo que eu fugi enfim
Do mundo vil pra com os vermes morar.
E nem relembres, se estes versos leres,
A mão que os escreveu, pois te amo tanto
Que prefiro ver de mim te esqueceres
Do que o lembrar-me te levar ao pranto.
Se leres estas linhas, eu proclamo,
Quando eu, talvez, ao pó tenha voltado,
Nem tentes relembrar como me chamo:
Que fique o amor, como a vida, acabado.
Para que o sábio, olhando a tua dor,
Do amor não ria, depois que eu me for.
domingo, 11 de julho de 2010
Brechó político
Os mineiros podem recuperar, em outubro próximo, o fio da história que os ligam aos primórdios de sua formação. A Conjuração Mineira, marco inicial, representou bem a resistência contra a opressão da Coroa portuguesa. A justa rebelião se fez ativada pelo inconformismo com a cobrança de 20% sobre as rendas dos mineradores. Tiradentes, hoje, talvez se suicidasse desesperado - antes de ser enforcado - se soubesse que nosso povo é subtraído de 40% dos seus ganhos, em favor de governantes mais preocupados com benesses e mordomias que atender ao interesse público.
Lição de História: classe é classe
(Transcrição fiel de lição de história de Dona Dilma, durante encontro com dondocas do Rio de Janeiro, em casa de Lily Marinho - viúva de Roberto Marinho, fundador da rede Globo - envergonhando os professores que teve ao longo da vida. Antes do pronunciamento mandou Jandira Feghalli, acólita do PC do B que a acompanhava no regabofe, tomar a taça de champagne que lhe fora oferecida alegando não querer ficar "gorda como um boi").
Dona Dilma é a postulante oficial a governar o Brasil. Nunca antes na história deste país houve uma candidatura mais patética; nem as de Antônio Pedreira, Marronzinho, Enéas e outros se comparam à dela. Ao menos para nos divertir, a madame poderia cantar com Jorge Veiga (Café Soçaite):
"Doutor em anedotas e em champanhotas,
estou acontecendo no café soçaite.
Só digo “a chanté”,
muito merci all right,
troquei a luz do dia pela luz da light".
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Dilma é o Golem de Lula
El Golem (J. L. Borges)
Si (como afirma el griego en el Cratilo)
el nombre es arquetipo de la cosa
en las letras de 'rosa' está la rosa
y todo el Nilo en la palabra 'Nilo'.
Y, hecho de consonantes y vocales,
habrá un terrible Nombre, que la esencia
cifre de Dios y que la Omnipotencia
guarde en letras y sílabas cabales.
Adán y las estrellas lo supieron
en el Jardín. La herrumbre del pecado
(dicen los cabalistas) lo ha borrado
y las generaciones lo perdieron.
Los artificios y el candor del hombre
no tienen fin. Sabemos que hubo un día
en que el pueblo de Dios buscaba el Nombre
en las vigilias de la judería.
No a la manera de otras que una vaga
sombra insinúan en la vaga historia,
aún está verde y viva la memoria
de Judá León, que era rabino en Praga.
Sediento de saber lo que Dios sabe,
Judá León se dió a permutaciones
de letras y a complejas variaciones
y al fin pronunció el Nombre que es la Clave,
la Puerta, el Eco, el Huésped y el Palacio,
sobre un muñeco que con torpes manos
labró, para enseñarle los arcanos
de las Letras, del Tiempo y del Espacio.
El simulacro alzó los soñolientos
párpados y vio formas y colores
que no entendió, perdidos en rumores
y ensayó temerosos movimientos.
Gradualmente se vio (como nosotros)
aprisionado en esta red sonora
de Antes, Después, Ayer, Mientras, Ahora,
Derecha, Izquierda, Yo, Tú, Aquellos, Otros.
(El cabalista que ofició de numen
a la vasta criatura apodó Golem;
estas verdades las refiere Scholem
en un docto lugar de su volumen.)
El rabí le explicaba el universo
"esto es mi pie; esto el tuyo, esto la soga."
y logró, al cabo de años, que el perverso
barriera bien o mal la sinagoga.
Tal vez hubo un error en la grafía
o en la articulación del Sacro Nombre;
a pesar de tan alta hechicería,
no aprendió a hablar el aprendiz de hombre.
Sus ojos, menos de hombre que de perro
y harto menos de perro que de cosa,
seguían al rabí por la dudosa
penumbra de las piezas del encierro.
Algo anormal y tosco hubo en el Golem,
ya que a su paso el gato del rabino
se escondía. (Ese gato no está en Scholem
pero, a través del tiempo, lo adivino.)
Elevando a su Dios manos filiales,
las devociones de su Dios copiaba
o, estúpido y sonriente, se ahuecaba
en cóncavas zalemas orientales.
El rabí lo miraba con ternura
y con algún horror. '¿Cómo' (se dijo)'
pude engendrar este penoso hijo
y la inacción dejé, que es la cordura?''
¿Por qué di en agregar a la infinita
serie un símbolo más? ¿Por qué a la vana
madeja que en lo eterno se devana,
di otra causa, otro efecto y otra cuita?'
En la hora de angustia y de luz vaga,
en su Golem los ojos detenía.
¿Quién nos dirá las cosas que sentía
Dios, al mirar a su rabino en Praga?
Dunga ministro de Dilma
Há possibilidade desta tragédia acontecer, pois os quatro personagens compartilham muitas coisas. Truculentos e de escassa formação cultural, todos eles espancam a palavra e a bola em bestiais demonstrações públicas de primitivismo. Note-se que a eventual presença em escolas formais não garante – como nunca garantiu - um necessário aprimoramento individual de uma pessoa qualquer. A estupidez do bando dos quatro é de raiz, quase que genética. O tipo de caráter da turma dificulta sua lapidação. Um seixo grosseiro será sempre um seixo, nunca um diamante ou um topázio imperial, por maior que seja o refinamento de seu corte e a competência do lapidador. A experiência acumulada na convivência em ambientes melhores do que o originário, no entanto, ao substituir a freqüência à escola, poderia cumprir uma função civilizatória. Mas alguns nunca saíram da sarjeta onde nasceram, ou das névoas totalitárias onde foram forjados, mesmo quando fisicamente coabitaram em ambientes mais amigáveis. A adoção de adereços materiais, penteados e botox faz lembrar os anéis de ouro em focinho de porco; enfeitam, mas o espírito deste permanece imutável.
Lula, Dunga, Dilma e Felipe Melo parecem se aproximar também no apreço a valores. Valores monetários, claro, e não aqueles que presidem a ética geral, os comportamentos e as relações com os semelhantes. Se for preciso assaltar bancos para arrumar dinheiro e, no caminho houver pessoas atrapalhando, que sejam elas assassinadas! Se for necessário atropelar e ferir outro ser humano a fim de garantir os objetivos pessoais perseguidos, que se danem as vítimas! Se para garantir uma vitória a qualquer custo for imperativo pisar no tornozelo de um colega ou chupar-lhe a carótida, faça-se isto sem qualquer piedade ou dor de consciência!
DROGAS NAS ESCOLAS
Os dados parecem indicar que, do lado das famílias e da sociedade, há visível tolerância, ou indiferença, em relação ao consumo de bebidas alcoólicas pelos mais jovens. As instituições educativas, por sua parte, não ficam em melhor situação nesse dramático retrato. No caso das escolas, há um agravante fornecido pela autoencomiástica postura ética que alardeiam, em flagrante contradição entre os valores que proclamam e os valores que praticam (deformação antiga no Brasil, denunciada há meio século pelo grande educador Anísio Teixeira).
Exemplos evidentes não faltam aos olhos de quem quer ver. As conhecidas festas juninas, realizadas em ambientes escolares de todos os níveis, são fartamente irrigadas com quentões, cervejas e outros destilados; e tudo com uma naturalidade e sem-cerimônia que qualquer questionamento fica parecendo coisa de excêntricos.
Não é incomum que solenidades em instituições públicas brindem aos seus convidados com copiosas taças financiadas, provavelmente, pela cornucópia do erário (que assume ainda custos de eventuais danos ao patrimônio no decorrer da esbórnia). Ora, são os costumes, diria um distraído; qual o problema? Essa é a alegação usual, de fato. Tais práticas seriam parte da tradição. Colar nas provas e levar vantagem em tudo também fazem parte dos tais costumes. Nem por isso se deve condescender com tais aberrações.
A imprensa da capital mineira divulgou, há poucas semanas, evento oficial comemorativo em notória instituição de ensino superior devotada à formação de educadores. Como parte dos festejos, promoveu-se generosa distribuição de bebidas para professores, alunos e outros lá presentes (isso no horário das aulas, obviamente comprometidas para a viabilização da fuzarca). Não seria fantasiosa a hipótese que apontasse, no festim em tela, consumo alcoólico individual superior ao legalmente permitido, com múltiplas implicações, desde as pedagógicas até as de saúde pública. Graves acidentes, aliás, demonstram a correção da Lei Seca, apesar de esta confrontar os "inocentes" costumes em vigor, sempre defendidos por paladinos da ética proclamada.
No tocante às drogas, escolas deveriam dar exemplos, mais que proclamar virtudes.
(Publicado no jornal O TEMPO em: 04/07/2010)