Mostrando postagens com marcador Lula informante. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lula informante. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Lula, o informante (Editorial do Estadão em 27/12/2015)


Em depoimento à Polícia Federal (PF) no dia 16 passado, no âmbito da Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva parecia falar de um outro governo, e não daquele cuja chefia ele exerceu ao longo de oito anos. Todas as suas respostas às autoridades, relativas a seu conhecimento do escândalo do petrolão, invariavelmente indicavam ignorância ou envolvimento apenas incidental. A responsabilidade, segundo ele, sempre foi dos outros – a começar por seu ministro José Dirceu.

Como Lula prestou depoimento na condição de “informante”, conforme consta no despacho do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, esperava-se que ele tivesse ao menos alguma contribuição a dar para o esclarecimento dos fatos. Em sua oitiva, no entanto, Lula, a exemplo do que já fizera no caso do mensalão, preferiu fazer os brasileiros de tolos, ao dizer que nunca soube de nada a respeito de desvios na Petrobrás quando era presidente. “Esses fatos não eram também do conhecimento dos órgãos de fiscalização e controle, bem como da própria imprensa”, justificou-se Lula. Não consta que tenha corado. Com isso, Lula pretende convencer o País de que ele, como presidente da República, estava sendo enganado tanto quanto os cidadãos comuns, embora um dos principais beneficiados pelo assalto à Petrobrás tenha sido seu partido, o PT.

Mas a exibição pública da essência de seu caráter e o insulto à inteligência alheia não pararam por aí. Lula explicou à PF que “cabia à Casa Civil receber as indicações partidárias” para preencher as diretorias da Petrobrás, que estão no centro do escândalo. O chefão petista lembrou que o ministro da Casa Civil na época era José Dirceu, a quem coube “escolher a pessoa que seria nomeada”.
Lula disse que não participava, em nenhum momento, desse processo de nomeação – ele apenas “recebia os nomes dos diretores a partir de acordos políticos firmados”. Tais acordos eram feitos, declarou ele, “pelo ministro da área, pelo coordenador político do governo e pelo partido interessado na nomeação”. Para Lula, não havia nada de errado nisso, pois “em uma política de coalizões presume-se que haja distribuição de Ministérios e cargos importantes do governo para os partidos políticos que compõem a base de apoio”.

Somente quando tudo era resolvido entre todas as partes, disse o ex-presidente, é que o nome do escolhido lhe era submetido – e Lula então resolvia se “concordava ou não com o nome apresentado” conforme os “critérios técnicos que credenciavam o indicado”. Ou seja, o ex-presidente quer mesmo fazer todo mundo acreditar que a Petrobrás foi assaltada por diretores nomeados exclusivamente por suas qualidades técnicas.

Além disso, a estratégia do “informante” petista é, como sempre foi, desmoralizar as investigações. Ele sugeriu que os ex-diretores da Petrobrás que delataram o esquema não contaram a verdade, e sim somente aquilo que os investigadores queriam ouvir, em troca dos “benefícios que a colaboração premiada dá ao delator”. Tudo isso faria parte de um maligno “processo de criminalização do PT”, acusou Lula.

Mas o ex-presidente, mesmo sendo mestre na arte de dissimular, teve de admitir à polícia que de fato é amigo do pecuarista José Carlos Bumlai – aquele que está preso e confessou ter participado de um esquema envolvendo um contrato da Petrobrás para abastecer os cofres do PT com R$ 12 milhões. Lula garantiu, porém, que “jamais tratou com Bumlai sobre dinheiro ou valores” – e isso, disse o petista, era “algo merecedor de respeito”.

O depoimento de Lula é repleto de embustes dessa natureza. Em seus melhores momentos, o ex-presidente declarou que “nunca tratou com qualquer liderança de qualquer partido sobre a indicação de algum nome para cargo na administração pública” e que o apoio dos partidos da coalizão governista era “baseado na afinidade dos partidos com o programa de governo”. Depois disso, a Polícia Federal deve ter se convencido de que é impossível extrair de Lula alguma informação útil ou relevante, pois o chefão petista é simplesmente incapaz de dizer a verdade.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Lula entrega Dirceu pela segunda vez (Ricardo Noblat)


Calma, gente!. Entrega no bom sentido.
Não, ainda não chegou a hora de Lula negociar a delação premiada. Se é que a hora chegará, sejamos justos. E se é que ele delatará um dia.
Dilma, que assinou a lei da delação, mas que diz ter horror a quem delata.
Lula não leva jeito de quem se comportaria como Dilma, mas, isso não vem ao caso por enquanto.
Em depoimento, esta semana, na Lava-Jato, Lula tirou o dele da reta e entregou a Casa Civil dos seus governos como responsável pela indicação de nomes para cargos públicos.
Isso é uma mentira completa – ou uma meia verdade. Pelo menos quando se trata da Petrobras.
Há farta prova na Lava-Jato de que Lula não só indicou os presidentes da empresa, o que ele reconhece, como também diretores.
Se Dilma, ex-chefe da Casa Civil, pudesse contar... Ela vive a repetir que nada teve a ver com a roubalheira na Petrobras. Quem teve então?
Quando estourou o escândalo do mensalão, com medo de ser deposto, Lula entregou a cabeça do então chefe da Casa Civil José Dirceu.
Dirceu perdeu o emprego, depois o mandato de deputado federal, e acabou preso e condenado. Foi preso novamente, dessa vez pela Lava-Jato.
De alguma forma, Lula está entregando Dirceu pela segunda vez.
Há uma passagem do depoimento de Lula à Polícia Federal que não parece ter chamado muita atenção.
É quando ele diz que o pecuarista José Carlos Bumlai, preso pela Lava-Jato, hospedou-se várias vezes na Granja do Torto, mas no Palácio da Alvorada, jamais.
A Granja do Torto é uma das residências oficiais do presidente da República em Brasília. Ali, hospedou-se mais de uma vez Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, condenado no processo do mensalão.
O curioso: no final de novembro passado, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, minimizou a proximidade entre Bumlai e o ex-presidente:
- O Bumlai frequentava as festas e aniversários, mas não era 'aquele' amigo do Lula que todo mundo está falando.
E, no entanto, Bumlai era hóspede do Torto. Não é para qualquer um! E apesar de tamanha intimidade, nunca revelou a Lula que tomara um empréstimo de R$ 12 milhões junto ao Banco Schahin para cobrir dívidas do PT.
Se revelou, Lula não lembra.

A memória de Lula está fraquinha. A ponto de ele não lembrar o nome completo de suas noras, segundo relatório da Polícia Federal.