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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Proudhon: Confissões de um revolucionário


"A ironia foi, em todos os tempos, o caráter do gênio filosófico e liberal, o selo do espírito humano, o instrumento irresistível do progresso. Os povos estagnados são todos sérios: o homem do povo que ri está mil vezes mais perto da razão e da liberdade que o anacoreta que reza ou o filósofo que argumenta. Ironia, verdadeira liberdade, és tu que me livras da ambição de poder, da servidão dos partidos, do respeito pela rotina, do pedantismo da ciência, da admiração pelos grandes personagens, das mistificações da política, do fanatismo dos reformadores, da superstição desse grande universo e da adoração de mim mesmo" (Proudhon). 


A história humana está recheada dos mais acabados exemplos do uso da ironia: Diógenes, Rabelais, Padre Vieira, Sorokin e Darcy Ribeiro, para ficar tão somente em alguns ícones do pensamento mundial. Isto para não se referir a Borges e ao maior de todos eles, Jonathan Swift. Caso a alguém seja recomendada a leitura de que “uma criancinha sadia e bem amamentada é, com um ano de idade, um alimento dos mais deliciosos, nutritivos e saudáveis, quer ensopada, assada ou cozida e, não tenho dúvidas, que ela poderá também ser preparada como fricassé ou ragout”, conforme o contido na “Proposta Modesta” do genial irlandês, correrá o risco de ser acusado de defesa e propagação do canibalismo.
 

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Realidade dispensa ironia













O aposentado Genésio Sinval Genivaldo Simas, 72, causou estranheza ao comparecer na prefeitura de São Paulo para requerer inscrição no programa “Bolsa Traveco”, implementado este ano.

Ao inquirir uma servidora pública, que não teve a identidade revelada, seu Genésio obteve a resposta de que não poderia se inscrever no programa, já que o mesmo era só para travestis.

“Foi aí que eu disse pra ela que quando saísse de lá eu ia comprar uma peruca, umas roupas de mulher e ia começar a comercializar o corpo pra fazer jus a ser beneficiário do programa”, explica seu Genésio.

O aposentado explica que o motivo de sua inusitada visita à prefeitura foi o fato de o município pagar R$ 827,00 para que travestis frequentem cursos profissionalizantes.


“Eu ganho menos que isso da minha aposentadoria. Por isso decidi virar travesti. Hoje em dia no Brasil é mais lucrativo ser travesti que trabalhar vida inteira pra se aposentar”, lamenta.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Imprensa é oposição (em homenagem a Millôr)

Dona Dilma e o PT resolveram provar que possuem algum senso de humor: criaram o dia do humorista (por sugestão, não podia ser outra, de deputado petista do Ceará). A partir de agora, todo 12 de abril será comemorado efusivamente. Todo mundo terá que dar gargalhadas, ao estilo do que se faz na Coréia do Norte. Ai de quem ficar triste... A decisão mostra o tamanho do latifúndio da estupidez reinante. Ponto a favor de Patrus Ananias que vem defendendo a tese da continuidade do latifúndio no Brasil. Patrus tem razão. Ele mesmo é um dos maiores latifundiários da pátria.

Essa gente esquisita não sabe que humor é sempre do contra, não tem como ser enquadrado numa moldura oficial. Só na antiga União Soviética havia humor a favor, A revista Crocodilus era o veículo que, junto com "A Verdade", informavam e divertiam o grande público, com bons modos e respeito, evidentemente. "A Verdade" é a tradução da palavra russa Pravda. A bem da real verdade, nem precisaria haver a tal revista. O jornal porta voz de Stalin já cumpria sua missão duplamente, a começar do título.

Em sua obra "Os órfãos de Jânio", Millôr Fernandes cunhou uma de suas frases definitivas: "Imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados". A formidável ironia do grande pensador brasileiro carece de ser sempre, lembrada. Os tempos de hoje estão carregados de obscurantismo. Só a ironia, a formidável arma de toda a história humana, permite apontar o bunda exposta do rei.

A ironia, afinal, “foi, em todos os tempos, o caráter do gênio filosófico e liberal, o selo do espírito humano, o instrumento irresistível do progresso. Os povos estagnados são todos sérios: o homem do povo que ri está mil vezes mais perto da razão e da liberdade que o anacoreta que reza ou o filósofo que argumenta. Ironia, verdadeira liberdade, és tu que me livras da ambição de poder, da servidão dos partidos, do respeito pela rotina, do pedantismo da ciência, da admiração pelos grandes personagens, das mistificações da política, do fanatismo dos reformadores, da superstição desse grande universo e da adoração de mim mesmo”. 

Nestas “Confissões de um Revolucionário”, Proudhon nos ensina um dos caminhos possíveis para a libertação espiritual. A história humana está recheada dos mais acabados exemplos do uso da ironia: Diógenes, Rabelais, Padre Vieira, Marx e Darcy Ribeiro, para ficar tão somente em alguns ícones do pensamento mundial. Isto para não se referir a Borges e ao maior de todos eles, Jonathan Swift. Em sua Proposta Modesta ele garante que “uma criancinha sadia e bem amamentada é, com um ano de idade, um alimento dos mais deliciosos, nutritivos e saudáveis, quer ensopada, assada ou cozida e, não tenho dúvidas, que ela poderá também ser preparada como fricassé ou ragout”.  Os latifundiários da estupidez não precisam se preocupar. Swift não era canibal, apesar da tentadora sugestão.