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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Governo teme a delação premiada de Delcídio (Noblat)


Governo fraco dá nisso: não pode brigar com ninguém. Muito menos com quem pode lhe fazer mal.
Essa é a situação do governo Dilma à medida que com sua incompetência crônica arrasta o país ladeira a baixo.
Não pode brigar com Eduardo Cunha por medo do impeachment. Nem com Renan Calheiros porque precisa aprovar as medidas de ajuste fiscal.
Por essa mesma razão, não pode brigar com a oposição – embora ela possa, e brigue, com o governo.
Não pode brigar com deputados aquinhoados com cargos e sinecuras e que nem por isso lhe dão seu voto. Acabará precisando deles um dia.
Não pode, sequer, brigar com Delcídio, hóspede há 48 horas da carceragem da Polícia Federal, em Brasília.
Não seria o caso de brigar com Delcídio. Mas de publicamente se desvincular do que ele fez, sim.
Foram tímidas, assustadas, as tentativas feitas nesse sentido pelo ministro da Justiça e pelo líder do PT no Senado.
Era com a presidente que Delcídio despachava. Na companhia dela apareceu muitas vezes. Representou o governo dela no Senado, mas não somente ali.
Ocorre que Dilma, aconselhada pelos que a cercam de perto, está morrendo de medo de que Delcídio acabe negociando com a Justiça a delação premiada. Lula compartilha o mesmo medo.
Temos por hábito dizer, sempre que algum graúdo é preso, que se ele “piar”, a República desaba. Há muito exagero nisso.
Não há nenhum exagero em dizer, porém, que a República desabaria se Delcídio piasse.
Imagine se um dia Delcídio contasse como ajudou Lula a garantir o silêncio de Marcos Valério, um dos operadores do mensalão.
Ou o que fez para ajudar Dilma a livrar-se da responsabilidade pela compra desastrosa da refinaria Pasadena, da Petrobras. Na época, Dilma era presidente do Conselho de Administração da empresa.
Delcídio foi ministro das Minas e Energia no governo Itamar Franco e diretor da Petrobras no governo Fernando Henrique Cardoso. Sabe tudo sobre o setor de energia.
Renan debita na conta de Delcídio a indicação de Nestor Cerveró para a diretoria da Petrobras. Cerveró acabou de negociar a delação premiada.

Este é um governo “balança, balança, mas não cai”. Até que um dia cai.

domingo, 26 de abril de 2015

PT e suas sutilezas

Clima interno no PT: barata voa



















A Coluna do Cláudio Humberto, em 26 de abril, informa:

"Correntes internas do PT, ainda minoritárias, se uniram para articular a queda de Sibá Machado (AC) da liderança petista na Câmara. É considerado primário, ingênuo, desinformado, de inteligência limitada e sem a dimensão do cargo que ocupa. Além disso, o deputado tem feito declarações que envergonham os liderados, e não conseguiu se articular para evitar as várias derrotas do governo Dilma na Câmara". Só faltou dizer também que é glabro.


Chamem o xerife.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Mais uma façanha de Dilma (editorial do jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, de 10/11/2014)

"Ao tomar posse de seu primeiro mandato, em 1.º de janeiro de 2011, a presidente Dilma Rousseff disse que "a luta mais obstinada" de seu governo seria "pela erradicação da pobreza extrema". A dois meses do fim desse mandato, descobre-se que o total de brasileiros considerados miseráveis subiu 3,68%, de 10,081 milhões para 10,452 milhões, entre 2012 e 2013. Foi a primeira alta desde que o PT chegou ao poder, em 2003. Dilma, portanto, foi incapaz de cumprir seu principal compromisso como administradora - justamente aquele que ela invocou nos palanques para diferenciá-la dos candidatos de oposição - e nada indica que ela terá melhor desempenho no segundo mandato, pois a situação econômica atual é bem pior do que a de quatro anos atrás.

Os números sobre a miséria constam de estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Esse levantamento deveria ter sido divulgado em outubro, mas o Ipea, vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos, decidiu adiar a publicação, sob a alegação de que a legislação eleitoral proibia a divulgação de dados que pudessem favorecer candidatos.

O governo não teve esse mesmo pudor na campanha de 2010, quando o lulopetismo tentava levar o "poste" Dilma à Presidência. Naquela ocasião, o Ipea divulgou dados retumbantes sobre a redução da miséria na gestão de Lula, usados à vontade na propaganda eleitoral para favorecer a candidata petista. Mesmo na última campanha, Dilma foi à TV, em cadeia nacional, para trombetear que, "em uma década, foram retirados 36 milhões de brasileiros da miséria" - e ela acabou corrigida pelo próprio Ipea, que informou que a queda havia sido de 8,4 milhões.

Por fim, não há nada na lei eleitoral que impeça órgãos do Estado de divulgar seus dados regulares durante a campanha. Torna-se então evidente que o zelo do governo nada mais foi do que uma manobra para escamotear números que revelavam as imposturas de sua propaganda - o que gerou uma crise no Ipea, levando dois diretores a pedirem demissão. Numa eleição tão apertada como a que reconduziu Dilma à Presidência, era preciso impedir que o eleitor tivesse conhecimento de qualquer informação que desmentisse a retórica petista.

De acordo com o Ipea, a proporção de extremamente pobres passou de 5,29% para 5,50% da população. A linha de extrema pobreza baseia-se em uma estimativa do valor de uma cesta de alimentos com o mínimo de calorias para suprir as necessidades de uma pessoa, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação e a Organização Mundial da Saúde. Ou seja, o Brasil ainda tem mais de 10 milhões de pessoas que não conseguem se alimentar de forma minimamente adequada.

Por esse critério, ressalta o Ipea, o número de pessoas em situação de pobreza - cuja linha é o dobro da linha de extrema pobreza - caiu de 15,93% para 15,09%. No entanto, se fosse levado em conta o critério do programa Brasil sem Miséria, que estabelece a renda per capita de R$ 77 mensais como linha de extrema pobreza, o porcentual de pobres no País seria menor, mas também teria apresentado crescimento - de 8,9% para 9%. Também por esse critério, o número de extremamente pobres seria de 8,05 milhões - um salto de 3,6% para 4% da população, ou 870.784 pessoas a mais.

Tal situação é particularmente constrangedora quando se recorda que o combate à pobreza é cantado pelos petistas como a grande marca de seus governos. Mas o fôlego dos programas de distribuição de renda só se mantém se houver renda a ser distribuída - algo que a desastrosa gestão econômica de Dilma comprometeu.


Para reverter o quadro, Dilma deveria recordar o que ela mesma disse quando tomou posse em 2011. Primeiro, afirmou que "a superação da miséria exige prioridade na sustentação de um longo ciclo de crescimento". Depois, reconheceu que "a inflação desorganiza a economia e degrada a renda do trabalhador", razão pela qual jurou que não permitiria, "sob nenhuma hipótese", que "essa praga volte a corroer nosso tecido econômico e a castigar as famílias mais pobres".