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sexta-feira, 17 de março de 2017

Febre Amarela: alerta da OPAS (Obrigado, Pimentel)


A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) emitiu na tarde desta quinta-feira, 16, um comunicado sobre febre amarela em que alerta para a possibilidade de o Brasil voltar a ter transmissão da forma urbana da doença. No texto, a organização atribuiu o risco à confirmação de casos em humanos e macacos em áreas próximas a grandes aglomerados urbanos. A Opas observa, no entanto, não haver até o momento evidências de que o Aedes aegypti, mosquito associado à forma urbana da doença, tenha provocado casos da infecção.
Mortes de macacos foram registradas em áreas próximas do Rio. Em Minas, epicentro da epidemia até o momento, um paciente de Esmeraldas, cidade situada na região metropolitana de Belo Horizonte, teve a infecção confirmada. Foi registrada ainda a morte de macacos na região próxima da capital mineira. 
No comunicado desta quinta, a Opas foi mais enfática em relação ao risco de o Brasil voltar a ter a forma urbana da doença - o último caso foi registrado em 1942. Na nota de janeiro sobre o tema, a organização afirmava: "risco de transmissão urbana da febre amarela não pode ser descartado." 
Em 17 de fevereiro, o comunicado dizia que, "mesmo que exista a possibilidade de uma mudança no ciclo de transmissão de febre amarela em curso, até o momento não há evidências de que o mosquito Aedes aegypti esteja envolvido na transmissão."
O Ministério da Saúde, em comunicado, assegurou não haver no momento evidências de febre amarela urbana no País. De acordo com a pasta, equipes de vigilância têm feito coleta de mosquitos nas áreas afetadas para verificar a presença do vírus. O texto assegura que não foram encontrados até agora insetos infectados nas áreas urbanas. 
No alerta desta quinta, a Opas informa que suas equipes estão em diversas áreas afetadas para apoiar o País na resposta ao surto. O comunicado dá destaque ainda para expansão da doença no continente. Além do Brasil, outros cinco países notificaram casos de febre amarela neste ano: Colômbia, Bolívia, Equador, Peru e Suriname - dois países a mais do que no boletim anterior, divulgado no início de março. 
No Equador, a confirmação do caso é a primeira depois de 2012. No Suriname, nenhuma infecção era registrada desde 1972. O Peru registrou três casos e a Bolívia, um.
A Opas ressalta que Estados precisam continuar seus esforços para detectar, confirmar e tratar adequadamente e de forma oportuna os casos da doença, "dada a atual situação de febre amarela no Brasil e o surgimento de casos em áreas que passaram vários anos sem registros." De acordo com o comunicado, "para isso, é importante que profissionais de saúde estejam atualizados e capacitados para detectar e tratar os casos, especialmente em áreas de circulação do vírus."

O governador petista Fernando Pimentel, e seus mirmídones, a cada momento, mergulhando na lama fétida da História. Mas convenhamos: os mineiros votaram nele porque quiseram. Pimentel venceu no primeiro turno as eleições de 2014. Ninguém pode alegar que foi enganado.   

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Febre amarela: aviso aos navegantes (Conteúdo da Revista Veja)

Mosquito que vai ajudar a derrubar Pimentel


"Em 12 de janeiro deste ano o governo de Minas Gerais decretou situação de emergência em saúde pública por 180 dias nas áreas do estado onde há surto de febre amarela. O decreto contempla 152 cidades no entorno de Coronel Fabriciano, Governador Valadares, na região leste do estado, Manhumirim, na Zona da Mata, e Teófilo Otoni, no Vale do Jequitinhonha e Mucuri. Em Minas, trinta pessoas morreram com sintomas da doença neste ano.

A situação atual e preocupante das arboviroses no Brasil reflete um complexo contexto, no qual interagem entre si ineficácias gerais de atuação do poder público e da sociedade em geral.

Os condicionantes da expansão das arboviroses nas Américas e no Brasil são similares e referem-se em grande parte ao modelo de crescimento econômico implementado na região, caracterizado pelo crescimento desordenado dos centros urbanos.

O Brasil concentra mais de 80% de sua população em áreas urbanas, com importantes lacunas no setor de infraestrutura, tais como dificuldades para garantir o abastecimento regular e contínuo de água, assim como também é deficiente a coleta e destinação adequada dos resíduos sólidos. Outros fatores, tais como a acelerada expansão da indústria de materiais não biodegradáveis, além de condições climáticas favoráveis, agravadas pelo aquecimento global, conduzem a um cenário que impede, pelo menos a curto prazo, a proposição de ações visando à erradicação do vetor transmissor.

Dentro desse contexto, é com enorme preocupação que deparamos com as notícias que revelam o ressurgimento de casos de febre amarela em nosso país.

Como apontado em Boletim da Organização Mundial da Saúde de maio de 2016, “grandes epidemias de febre amarela ocorrem quando pessoas infectadas introduzem o vírus em áreas densamente povoadas onde exista elevada densidade de mosquitos transmissores e onde a maioria da população apresente pouca ou nenhuma imunidade, tendo em vista a baixa cobertura vacinal. Sob tais condições, mosquitos infectados transmitem o vírus de pessoa a pessoa”.

Essa é situação prevalente no Brasil atualmente; conquanto os casos até agora relatados o tenham sido em regiões com densidade populacional inferior àquela de nossas grandes metrópoles, sabemos da facilidade de deslocamento das pessoas nos dias de hoje. E, caso pessoas infectadas nessas áreas menos povoadas venham à metrópole, vão encontrar ambiente totalmente favorável à disseminação do vírus da febre amarela. Lembremos que as outras arboviroses atualmente prevalentes em nosso meio (dengue, zika e chikungunya) também se originaram em ambientes rurais e atingiram a dimensão que conhecemos tendo em vista as condições supramencionadas que permitiram sua disseminação.

Nossa proposta para nos defrontarmos com esse grave problema tem por base as diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde também em maio de 2016: “A rápida detecção de casos de febre amarela e uma rápida resposta através de campanhas de vacinação emergencial são essenciais para o controle de surtos.

Ressalte-se, não obstante, que nessas situações a subnotificação é preocupante e estima-se que o número real de casos seja dez a 250 vezes maior]] que o número reportado. A OMS recomenda que todo e qualquer país que se encontre sob risco de surto de febre amarela tenha ao menos um laboratório nacional de referência onde possam ser executados os testes laboratoriais que permitam o diagnóstico da doença. As equipes responsáveis pela investigação devem avaliar e responder ao surto tanto com medidas emergenciais como também com planejamento de longo prazo para incrementar a cobertura vacinal”.

A vacina constitui-se o mais importante meio de combate à febre amarela; é produto seguro, eficaz e relativamente barato, sendo uma única dose suficiente para induzir imunidade de longo prazo. Para a prevenção de surtos em regiões afetadas, a cobertura vacinal deve alcançar ao menos 80% da população sob risco.


As recomendações da OMS em países onde há relatos de casos de febre amarela são enfáticas no que tange à indicação de imunização de toda a população com idade acima de 9 meses não previamente imunizada (em regiões epidêmicas há recomendação de vacinação acima dos 6 meses de idade, quando então o risco da doença é superior àquele do evento adverso da vacina).

No Brasil, vem sendo empregada a estratégia de “vacinação de contenção”, isto é, vacinação de toda a população em regiões onde foram descritos casos suspeitos e/ou confirmados de febre amarela. Como os dados relatados vêm evidenciando uma rápida progressão da doença, talvez essa estratégia não esteja se mostrando suficiente.


Precisaríamos ter uma vigilância epidemiológica atenta, com diagnóstico precoce dos casos; caso se mantenha esse panorama inicial verificado no Estado de Minas Gerais, certamente a abrangência da cobertura vacinal deveria ser ampliada, provavelmente atingindo todo o estado.

Importante também é a cooperação com serviços que monitorem de perto a mortalidade de macacos e outros animais silvestres em regiões silvestres periurbanas, que se caracteriza como “sentinela” quanto à proximidade da febre amarela dos centros urbanos.

Em resumo, temos de encarar o problema como sendo de enorme relevância; não podemos menosprezá-lo, sob risco de nos depararmos com mais um expressivo problema de saúde pública em nosso já combalido país".


domingo, 15 de janeiro de 2017

Febre amarela: surto?

O ainda governador Pimentel se esforça para restringir a incipiente epidemia de febre amarela a apenas algumas regiões do estado, como se fossem casos isolados, focos fortuitos de características silvestres. Quer por que quer afastar as suspeitas, sugeridas pelos dados que estão publicados, que vêem a devastação já atingindo a região metropolitana de Belo Horizonte. 

Tenta, assim, vender a ideia de que só moradores das zonas rurais estariam ameaçados pelos vetores da moléstia. Ignorância ou má fé dos sanitaristas oficiais, que parecem desconhecer que, mesmo pessoas devotadas a atividades agrícolas, moram, hoje, em centros urbanos. Trabalham no campo mas residem nas cidades. As universalizadas motocicletas se encarregam de propiciar tal trânsito e contato. 

A companheirada sanitarista, muito parecida com os engenheiros da Petrobrás, só bota a boca no trombone frente aos desmandos e incompetência, se for para fazer oposição a quem estiver num governo não petista. No mais, caladinhos, mudos como um estátua de pedra. 

Ah, isso deve ser culpa do golpista Temer e seus acólitos neoliberais. Seria interessante saber quantos cubanos, celebrados adeptos da medicina social, atuam nas regiões afetadas, e como se houveram na notificação da doença. 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Pimentel e a febre amarela


A grande imprensa nacional noticia reforço recebido pela administração petista em Minas Gerais. Foi nomeado para a FUNED, fundação estadual devotada à pesquisa e produção de medicamentos, de mais um suspeito de mutretas com recursos públicos, um ex-prefeito de obscuro município, igual a tantas centenas de outros espalhados no vasto grotão das gerais. É verdadeiramente incrível a mútua atração de certos personagens e instituições, como se fossem macho e fêmea, goiabada com queijo, Romeu e Julieta... 

Cabe aqui, no entanto, o benefício da dúvida. Talvez um dono de farmácia, como é o caso, possa ajudar na efetiva neutralização de moléstias medievais que vêm prosperando impávidas no território mineiro - como a febre amarela - esta supostamente erradicada do Brasil, desde os tempos do grande sanitarista Osvaldo Cruz, ainda no início do século XX. Uma coisa, entretanto, é certa. Ficará como parte da herança maldita de Pimentel e petistas, a triste nódoa a ser deixada pela febre amarela, que já ceifou algumas vidas nos vales da miséria - Mucuri e Jequitinhonha, secundados pelo vale do rio Doce - e se prepara para atingir outras. 

O governador Pimentel, enquanto a desgraça atinge suas vítimas preferenciais, borboleteia por aí de helicóptero com familiares e vai despreocupadamente às compras em luxuosas lojas de São Paulo, esquecendo-se - oh memória! - de pagar a tempo e à hora o funcionalismo que vive de modestos salários, agora recebidos à prestação. Em sua homenagem a mortífera febre deveria ser denominada, a partir de agora, de febre "vermelha". Ficaria mais fácil de lembrar no futuro.