Críticas e comentários sobre os acontecimentos politicos nacionais e regionais. Serão abordadas ainda as questões energéticas, ambientais e educacionais, com sugestões de leituras e resenhas de obras sobre estes temas.
A capivara de Lula, ao que parece, vai dando filhotes. Agora há pouco, o noticiário informa que ele recebeu nova condenação em processo criminal vinculado à Operação Lava Jato, em Curitiba. Não surpreendeu ninguém que o velho delinquente fosse mais uma vez apenado (já o fora em momentoso processo ainda percorrendo trâmites recursais).
Nelson Hungria dizia que "ninguém tem carta branca para cometer crimes", isso lá pelos idos de 1942, quase oito décadas atrás. Lula da Silva, certamente, pensa o contrário, pois que se considera imune a qualquer punição pelos seus atos, em linha de confronto com o grande jurista.
O mais ilustre penalista brasileiro recomendava ainda que "a aguilhada da pena devia atingir o criminoso para que ele acertasse o passo ao ritmo da ordem jurídica". É duvidoso, no entanto, esperar qualquer mudança de comportamento de alguém com o perfil de Lula da Silva. Somente a biologia, no devido tempo, poderá transformá-lo.
O dia 6 de fevereiro é a data na qual se evoca o Dia Internacional de Tolerância Zero com a Mutilação Genital Feminina (MGF). Se é verdade que a chamada "matriz africana" contribuiu para os avanços civilizatórios compartilhados com o restante do mundo, a mutilação genital de meninas e moças cultivada por inumeráveis povos africanos, não passa de ato de barbárie impossível de ser justificado por qualquer pretexto idôneo. Alguns, os mais cínicos, arriscam justificar as mutilações das mulheres comparando-as com a prática imemorial do povo judeu, que faz a circuncisão dos homens. Nada mais falso.
A verdade é que aqueles que navegam nas águas acríticas do multiculturalismo não conseguem dar explicações satisfatórias; preferem o silêncio que, no caso, tem sabor de cumplicidade com aquelas práticas e com quem as executa. São as mães e avós que conduzem o nefando ritual, apelando para estiletes, cacos de vidro e outros materiais cortantes. Falar que não se obedece ao mais elementar princípio de assepsia soa macabro, como se cuidados de higiene fossem suficientes para legitimar a infâmia que atinge, no seu cerne, os mais elementares princípios universais dos direitos humanos. Importante reiterar que a dignidade da pessoa humana é a rocha que sustenta a regulação da vida em qualquer ponto do planeta. Números apurados por entidades insuspeitas, como a Anistia Internacional, indicam haver no mundo mais de 120 milhões de mulheres genitalmente mutiladas. Tal magnitude permitiria, até, equiparar a MGF ao genocídio, tal como conhecido e praticado, em locais e momentos históricos sobejamente conhecidos. Cabe lembrar, finalmente, que não apenas na África negra meninas sofrem tamanha brutalidade; ela persiste, também, em países asiáticos e, mesmo, na América do Norte e na Europa onde prosperam comunidades africanas ou africanizadas.
Não causaria espécie a ninguém se o Brasil, para onde correram muitos africanos nos últimos tempos, apresentasse a mesma deplorável ocorrência. Se médicos devem informar às autoridades sobre a incidência de determinadas moléstias, deveriam, igualmente, comunicar ao SUS constatação ou suspeita de mutilação genital de crianças e adolescentes.
A mineradora Vale protagonizou, há algumas horas, mais um grave acidente ambiental, agora em Brumadinho, município da região metropolitana de Belo Horizonte. O rompimento de uma barragem de rejeitos minerários em tudo lembra aquele ocorrido no município de Mariana, considerado até agora o mais grave acidente ambiental do Brasil. A contaminação do rio São Francisco projeta, para as populações a jusante, impactos da maior significação. Vão se tornando tragédia acidentes que afetam duas das maiores bacias hidrográficas do Brasil.
Talvez tenha chegado a hora de convocar os acionistas da Vale a uma participação mais efetiva na resolução de crises provocadas pela empresa, consoante a responsabilidade objetiva que possuem, e da qual parecem querer se esconder. Cabe lembrar aqui que o controle acionário da Vale pertence aos notórios fundos de pensão das estatais. Se a satisfação dos acionistas é uma da pedras de toque do mundo empresarial, aos bônus deve corresponder, por outro lado, os simétricos ônus.
Mais que nunca, urgem respostas para o povo brasileiro. Uma delas seria erigir um Museu dos Acidentes. Para que nunca sejam esquecidos aqueles que deixaram sua marca funesta nas pessoas e no meio ambiente. Um marco, um símbolo permanente dos danos sofridos pelo país. Talvez isso ajude a todos, no futuro, servindo de alerta e de orientação sobre os rumos a seguir.
A família
Ravaillac estabeleceu-se em Angoumois
no início do século XVI e possuía em Angoulême, desde esta época, escritórios de
política através dos quais muitas famílias burguesas chegaram inicialmente a
cargos públicos ou judiciários e depois até mesmo à nobreza.
François
Ravaillac começa sua vida primeiramente como servidor e a seguir torna-se
professor. Muito religioso, tenta entrar na Ordem dos "Feuillants". Seu noviciado
fracassa devido a suas "visões". Tenta então entrar para a Companhia de Jesus
em 1606, não sendo aceito por já ter
pertencido a outra religião.
Em 1609,
tem uma visão ordenando que convença Henrique IV
a converter os huguenotes. Incapaz
de encontrar-se com o rei, interpreta a decisão real de invadir os Países Baixos
Espanhóis como o início de uma guerra contra o Papa.
O Assassinato de Henrique IV
Em 14 de Maio de 1610,
Ravaillac rouba uma faca dum albergue. Esconde-se
na Rua
de la Ferronnerie, em Paris (no atual Quartier des
Halles; as armas de Henrique IV, esculpidas no chão, indicam hoje o
local exato do regicídio). Aí espera
pela passagem da carruagem real, já que o rei havia decidido dirigir-se ao
Arsenal para visitar seu ministro Sully
que estava enfermo.
Às quatro
horas da tarde, o rei chega. De repente, o cortejo fica bloqueado devido a um
congestionamento. Haviam duas carroças bloqueando a passagem: Ravaillac
aproveita a chance e atira-se sobre o rei. Dá-lhe dois golpes de faca: o
primeiro desliza entre duas costelas, o outro
atinge a carótida direita.
Ravaillac
descreveu desta forma em seu depoimento: "Procurou o Rei no Louvre...ao
vê-lo sair do coche, seguiu-o até os Inocentes, perto do local onde outrora o
encontrara fortuitamente, quando ele não lhe quis falar, e vendo seu coche
detido por causa de umas carroças, Sua majestade no fundo voltando o rosto e
inclinando para o lado do Duque de Epernon, deu-lhe uma punhalada nas costas
passando o braço por cima da roda do coche".
Ravaillac
refugia-se em seguida em um porão na Rua des Lombards, bem próximo ao local do
atentado,[2] mas é rapidamente encontrado e
subjugado. É levado ao Hôtel
de Retz para evitar um linchamento e conduzido à Conciergerie.
Após a
morte do Rei Henrique IV, tido como o "bom rei", a França é tomada
por um sentimento de comoção. A população se volta fortemente contra o
regicida, intentando prosseguir com sua vingança. Ravaillac, por sua vez, tem a
tranquila serenidade dos justiceiros, assumindo atitude que o acompanhará
durante todo o processo, mesmo diante dos suplícios mais tenazes a que seria
submetido.[3]
Processo, tortura e execução
Fato a se
destacar é que nas monarquias de direito divino, a exemplo da Francesa, o
monarca era considerado como o pai de todos os seus súditos. Logo, o regicídio
contra Henrique IV também se reveste de parricídio. O interrogatório e o
processo, por essa razão, demandavam celeridade e rigidez, a fim de oferecer
respostas à população enlutada e de dar exemplo acerca das consequências que se
destinariam a alguém que cometesse esse tipo de crime. Os principais objetivos
dos interrogatórios foram descobrir as motivações e os eventuais cúmplices do
ato.
O
processo de Ravaillac vai durar somente 10 dias, o que parece pouco, ao se
pensar em todos os inquéritos, depoimentos e acareações que poderiam ter sido
feitos. O interrogatório de Ravaillac não serviu de fio condutor para a verdade,
pois este manteve por todo o tempo sua afirmação de que agira sozinho, guiado
somente por revelações da eterna providência.
Sua
sentença rezava: "Foi dito que o Tribunal declarou e declara o dito
Ravaillac devidamente atingido e condenado pelo crime de lesa-majestade divina
e humana, em primeiro grau, pelo muito cruel, abominável e detestável
parricídio cometido na pessoa do Rei Henrique IV, de muito boa e muito louvável
memória. Para reparação do qual o condenou e condena a fazer penitência pública
em frente da porta principal da Igreja de Paris, onde será levado e conduzido
numa carroça em camisa, segurando um brandão a arder com o peso de duas libras,
dizer e declarar que infeliz e premeditadamente cometeu o dito mui horrível,
abominável e detestável parricídio e atingiu o dito rei com duas punhaladas no
corpo, de que se arrepende, pede perdão à Deus, ao rei e à justiça; daí
conduzido à praça de Grève e sobre um cadafalso que ali será erguido, lhe será
aplicado o suplício das tenazes nos mamilos, braços, coxas e interior das
pernas, a mão direita segurando a faca com a qual cometeu o dito parricídio
será queimada em fogo de enxofre e nos sítios em que for atenazado, será
lançado chumbo fundido, óleo fervente, pez ardente, cera e enxofre fundidos conjuntamente.
Feito isto, seu corpo será puxado e desmembrado por quatro cavalos, os seus
membros e seu corpo consumido no fogo, reduzidos a cinza e lançados ao
vento."[4]
Antes do
interrogatório, Ravaillac é preso à roda. A roda é girada e
Ravaillac agredido. Suas pernas são esmagadas para fazê-lo falar e são feitos
cortes em seu torso, braços e costas. Uma mistura de chumbo derretido, óleo,
vinagre e sal foi derramada sobre seu corpo para fechar as feridas.
Colocaram-lhe a seguir um culote
úmido e o aproximaram do fogo. O culote encolhe, para fazer com que os ossos
das pernas, já quebrados, movam-se ; toda sua pele é retirada e ele é
queimado vivo. Na verdade, Ravaillac ainda permaneceu vivo e nunca confessou a
existência de cúmplices em seu crime. Foi, a seguir, esquartejado por quatro cavalos.
Ao final,
Ravaillac foi decapitado, seu corpo queimado e as cinzas jogadas ao vento.
Seus
parentes foram condenados ao exílio e um édito foi promulgado proibindo a qualquer
pessoa do reino de se chamar Ravaillac.
No
extrato do texto da condenação do Grande Parlamento, tem-se:"Ordena que
a casa onde nasceu seja demolida, aquele a quem pertence seja previamente
indenizado sem que nas suas fundações possa no futuro ser construída outra
casa. E na quinzena após a publicação da presente sentença a som de trompa e
grito público na cidade de Angoulême, seu pai e sua mãe saiam do reino com a
proibição de nunca mais voltarem sob pena de serem enforcados e estrangulados
sem outra forma ou figura de processo. Proíbe seus irmãos, irmãs, tios e outros
a usarem daqui para o futuro o dito nome de Ravaillac, ordena-lhes que mudem
para outro sob as mesmas penas."[5]
Apesar de
seus familiares serem condenados conjuntamente pelo crime de Ravaillac, os
mesmos não foram escutados durante o julgamento. Estima-se que por uma
conveniência para a celeridade do julgamento, considerando que trazer seus
familiares demoraria duas a três semanas.
A
sentença, além de condenar o assassino, também buscava condenar algumas
doutrinas recentes que defendiam o regicídio.
Este
assassinato desencadeou uma enorme polêmica. Por um lado, levantou-se a
suspeita de que os jesuítas teriam
incitado Ravaillac ao regicídio. Por outro lado, este ato teria sido inspirado
por uma conspiração de que teriam participado Maria de Médicis
(esposa do rei), Henriqueta
d'Entragues (Marquesa de Verneuil) e o Duque
d'Epernon; teriam agido em nome da Espanha.
A tese do complô
Em
Janeiro de 1611, Madame Jacqueline
d'Escoman, que havia conhecido Ravaillac, denuncia o Duque d'Epernon
como responsável pela morte de Henrique IV. Por causa disso ela será jogada na
prisão pelo resto de seus dias.
Em seu
livro "L'Étrange Mort de Henri IV" ("A Estranha Morte
de Henrique IV") (1964), Philippe
Erlanger pretende que, em sua chegada a Paris, Ravaillac foi alojado
na casa de Charlotte
du Tillet, amante do Duque d'Epernon. Para ele, o assassinato foi
"teleguiado" pelo Duque, por Henriqueta
d'Entragues e por Charlotte
du Tillet.
Uma análise médica atual
Segundo a
maior parte dos psiquiatras que se
interessaram pelo caso, François Ravaillac apresenta o perfil típico do doente esquizofrênicoparanóico. Inteiramente voltado para sua
idéia fixa há muito tempo, Ravaillac já teria se deslocado duas vezes de
Angoulême até Paris, a pé, acreditando poder encontrar-se facilmente com o rei
para dissuadi-lo de invadir os Países Baixos
Espanhóis (atual Bélgica). É apenas na
terceira vez que ele passa à ação.
Em
diferentes momentos apresenta comportamentos contraditórios. Ao mesmo tempo em
que se mostrou "envergonhado" e culpado o suficiente somente pelo
fato de pensar em assassinar o Rei, não se permitiu comungar na ocasião. Tal
fato indicaria que talvez não fosse capaz de consumar o crime.
Provavelmente
neste século XXI, ele teria sido declarado « irresponsável por seus
atos » e colocado em um hospital especializado para ser tratado.[
PS: A fonte desta postagem não é lá muito rigorosa. Permite, porém, especular sobre fatos de ontem e de hoje com curiosas semelhanças. Essa questão sobre de quem seria o braço que conduziu a mão de Ravaillac - sempre se suspeitou do jesuíta - continua aberta. Como ainda está para ser esclarecida a cadeia de comando que levou um tal Adélio Bispo a apunhalar o presidente Bolsonaro, em 6 de setembro de 2018, na cidade de Juiz de Fora.
O caso da Escola Base, em São Paulo, no início dos anos 90 do século passado, expôs a dignidade e a honra do casal que dirigia aquela instituição de educação infantil. Foram acusados de praticarem atividades sexuais com as crianças postas aos seus cuidados. Há relato pormenorizado feito pelo jornalista Alex Ribeiro sobre o assunto (Cf. o livro "Os abusos da imprensa", publicado pela Editora Ática, no ano 2.000).
Acusações das mais cabeludas destruíram a vida dos donos e dos demais professores da escolinha. Ao final de todas as provações, os mestres foram absolvidos. Mas, e daí? As acusações já eram uma condenação. Não há qualquer presunção de inocência, conforme deveria ser a praxe. Caiu na boca do leão (como ocorria na antiga Roma), está ferrado.
O momentoso caso de agora - as acusações ao médium e líder espiritual de Abadiânia - sinaliza penoso prognóstico para o "suspeito" de inumeráveis crimes contra a dignidade sexual das mulheres . Para estudiosos dos crimes contra a honra, um prato cheio para bem ilustrar teses e monografias.
No artigo "Psicanálise Silvestre", em que discorre sobre a má compreensão a respeito do assunto por parte de neófitos, Freud tece alguns comentários que deveriam, ainda hoje e mais que nunca, ser levados em consideração.
Procurado por duas mulheres já maduras, que lhe relataram os "conselhos" recebidos de outro médico bem jovem para uma delas, recém divorciada (voltar a conviver com o ex-marido, arrumar um amante ou, então, masturbar-se), Freud assinala, de início, que o "conceito do que é sexual vai muito além de sua posição vulgar". Tão má compreensão científica pode acarretar danos aos pacientes, bem como ao próprio médico. Deixemos, então, que o grande pensador austríaco fale por si, segundo conferência pronunciada em 1905: "Longos anos de experiência me ensinaram - como podem ensinar a qualquer outro - a não aceitar de imediato como verdade o que os pacientes, especialmente os pacientes nervosos, relatam acerca de seus médicos. Não apenas facilmente se torna o especialista em doenças nervosas o objeto de muitos dos sentimentos hostis de seus pacientes, qualquer que seja o método de tratamento que empregue; ele deve também, muitas vezes, resignar-se a aceitar, por uma espécie de projeção, a responsabilidade pelos desejos reprimidos ocultos de seus pacientes nervosos. É um fato melancólico, mas significativo, que tais acusações em nenhum outro lugar encontrem crédito mais prontamente do que entre os outros médicos" (p. 207, 208 do vol. XI, das obras completas de Freud, editadas pela Imago).
Em favor de Olavo de Carvalho, no uso de palavrões, pode-se invocar, igualmente, o insuspeito depoimento de outro santo da Igreja, o espanhol Josemaría Escrivá, agora já no século XX, quatro séculos após Santo Thomas Morus.
No ponto 850, de seus Caminhos, cultiva o por ele denominado Apostolado dos Palavrões, ao orientar jovens discípulos.
Em tom provocativo afirma o criador da Opus Dei:
"Que conversas! Que baixeza e que ... nojo! E tens de conviver com eles, no escritório, na universidade, no consultório ... no mundo. Se pedes por favor que se calem, ficam caçoando de ti. Se fazes má cara, insistem. Se te vais embora, continuam. A solução é esta: primeiro, pedir a Deus por eles e desagravar; depois ... ir de frente, varonilmente, e empregar o apostolado dos palavrões. Quando te vir, hei de dizer-te, ao ouvido, um bom repertório".