terça-feira, 3 de agosto de 2010

SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO - 2010/2

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
FAE/DECAE
Sociologia da Educação - 2010/2
CARGA HORÁRIA: 60 HORAS (4 créditos)
Professor: Antônio Machado de Carvalho

EMENTA:Estrutura social e Educação: reprodução social e transmissão de conhecimento. O impacto das revoluções tecnológicas nos processos civilizatórios: o papel da escola. A relação da escola com a sociedade e com o Estado. Análise sociológica do fracasso escolar.

PRIMEIRA UNIDADE: A Sociedade contemporânea
a) Conceitos básicos da teoria sociológica
b) As revoluções científicas e tecnológicas e suas implicações
c) A nova divisão do trabalho
d) A questão ambiental e energética

SEGUNDA UNIDADE: A escola fundamental e os determinantes da escolarização
a) O papel do Estado
b) Os direitos sociais e a questão da cidadania
c) O fracasso escolar e as determinações de classe, gênero e cor

TERCEIRA UNIDADE: Propostas de organização da escola
a) Contexto histórico em que surgiram
b) Objetivos sociais e políticos
c) Concepção da formação para o trabalho e para a cidadania

METODOLOGIA: Aulas expositivas, trabalhos em grupo e seminários

AVALIAÇÃO: Provas em sala: ao final de cada unidade, num total de três, e trabalho final.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BÁSICAS (outras sugestões serão apresentadas ao longo do semestre):
- RUSSEL, Bertrand. As funções do professor (texto avulso)
- MONTAIGNE. Ensaios. São Paulo: Abril Cultural, 1984
- MEKSENAS, Paulo. Sociologia da Educação. São Paulo: Ed. Loyola, 1992.
- MANACORDA, M. A. História da Educação: da antigüidade aos nossos dias. São Paulo: Cortez, 1989.
- TEIXEIRA, Anisio. Educação não é privilégio. São Paulo: Ed. Nacional, 1977.
- TEIXEIRA, Anisio. Valores reais e valores proclamados... (texto avulso).
- DURKHEIM, E. Educação e sociologia. São Paulo: Ed. Melhoramentos, 1972.
- SCHAFF, Adam. A sociedade Informática. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1990.
- Virilio, Paul.
- SOARES, Rose Dore. A concepção gramsciana do Estado e o debate sobre a escola (Tese de doutoramento).
- ALPORT, Gordon. A natureza do preconceito (texto avulso).
- MARTINS, Herbert e CARVALHO, A. M. Biodiesel - produção e desafios. Belo Horizonte: Ed. Sempre, 2008.
- PASTORE, José. Desigualdade e mobilidade social no Brasil. São Paulo: TAQ/EDUSP. 1979
- ARENDT, H. A condição Humana. Rio de Janeiro: Ed. Forense, 1991.
- ARENDT, H. As origens do totalitarismo
-TAVARES, José Giusti. Totalitarismo tardio - o caso do PT. Porto Alegre: Mercado Aberto, 2000.
- RIBEIRO, Darcy. Nossa escola é uma calamidade. Rio de Janeiro: Salamandra, 1984.
-RIBEIRO, Darcy. Teoria do Brasil. Petrópolis: Vozes, 1985.
- RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro
- CASTRO, Cláudio Moura. Educação brasileira, consertos e remendos. Rio de Janeiro: Rocco, 1995.
- CASTRO, Cláudio Moura. Custos e determinantes da educação na A. Latina. Rio de Janeiro: INTED, 1978.
- CASTRO, Cláudio Moura. Escolas feias, escolas boas. (texto avulso).
- MANGABEIRA-UNGER, R. A alternativa transformadora. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 1990.
- MANGABEIRA-UNGER, R. A democracia realizada. São Paulo: Boitempo, 1999.
- MANGABEIRA-UNGER, R. A segunda via. São Paulo: Boitempo, 2001.
- SENGE, Peter. A quinta disciplina. São Paulo: Atlas, 1990.
- LOJKINE, Jean. A revolução informacional. São Paulo: Cortez, 1995.
- CORIAT, Benjamin. Pensar pelo avesso: o modelo japonês... Rio de Janeiro: Revan, 1994.
- RODRIGUES, Alberto Tosi. Sociologia da Educação. Rio de Janeiro: DP&A editora, 2002.
- ROMANO, Roberto. Conservadorismo romântico: origem do totalitarismo. SP: Editora Brasiliense, 1981.
- FORRESTER, V. O horror econômico. São Paulo: UNESP, 1997.
- MUFFAT, R. A incivilidade como barômetro da deterioração social (texto avulso).
- SOUZA, Jessé. A ralé brasileira. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2009

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O espírito do SNI e a burocracia federal

A burocracia pública federal se esmera em dar exemplos de violação dos mais comezinhos direitos da cidadania. A truculência observada em casos como o do caseiro Francenildo (cujo sigilo foi escancarado para atender às conveniências do então ministro Palocci, ocultando suas sórdidas aventuras), envergonham qualquer pessoa considerada normal. Lançada a canalhice ministerial na vala comum do esquecimento - como se nada tivesse acontecido - não é que o trêfego deputado paulista posa, hoje, de principal coordenador da campanha presidencial de dona Dilma, dando conselhos e articulando a base empresarial do lulismo? De um certo ponto de vista essas coisas não espantam a quem conhece o padrão de comportamento da moçada. Afinal, quem sai aos seus não degenera, como diz velho preceito popular de profunda sabedoria.

Mais recentemente viu-se a incrível divulgação de dados pessoais - arquivados na Receita Federal - pertencentes a um alto dirigente do principal partido de oposição ao atual governo. Uma gang de fazer inveja a Al Capone, composta de filiados ao PT, não tem qualquer escrúpulo em atentar contra preceitos consagrados em nossa Carta Magna. O sigilo bancário propriamente dito, aliás, é considerado letra morta desde que os petistas, através do seu braço sindical, se especializaram há muitos anos em bisbilhotar contas de terceiros, principalmente daqueles que eles consideram desafetos. Quem conhece a trajetória política de Berzoini, e outros dirigentes sindicais bancários ligados á CUT, sabe o que este tipo de gente é capaz de fazer.

Recuperando o espírito do antigo SNI de triste memória, militantes e simpatizantes do PT não se fartam em mostrar, sempre que surge a oportunidade, sua capacidade de cometer crimes civilizatórios. Qualquer um que não reze pela cartilha totalitária da turma pode ser vítima de dossiês, de acusações levianas, de imputações desqualificantes, de danos à honra pessoal, de assédio moral ou coisas ainda piores (Celso Daniel é um exemplo extremo que não pode ser subestimado). Verdade seja dita que tais patifarias não são monopólio do petismo; seus cúmplices mais próximos, originários dos dejetos do stalinismo albanês, cumprem também com eficiência as missões que recebem. Não está longe o dia em que casos exemplares ilustrarão o modo de pensar e de operar da escória alojada na burocracia, notadamente a acadêmica.

domingo, 18 de julho de 2010

Rapinantes e carniceiros

Por ocasião da primeira eleição dos novos tempos dois hebreus disputavam a preferência popular: o Divino Mestre e um bandido “endurecido no mal”. Eça de Queiroz, em A Relíquia, assim descreve o clamor popular dirigido a Pôncio Pilatos: “Bar-Abbás! Ouve bem! Bar-Abbás! O povo só quer Bar-Abbás!” Insuflados pelos intelectuais da época (reunidos no Sinédrio), os eleitores de então votaram no criminoso em detrimento do Justo. No Novo testamento Marcos descreve a cena: “Então, Pilatos, querendo contentar a multidão, soltou-lhe Barrabás; e, após mandar açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado”. O resto da história todos nós conhecemos.

Esses velhos acontecimentos parecem se reproduzir no Brasil de hoje. Nossas próximas eleições presidenciais serão coordenadas por um dirigente do Tribunal Eleitoral que imita o Procurador da Judéia: lava as mãos, como se nada de grave estivesse acontecendo “neste país”, sob o comando direto do presidente da república e seus aloprados (segundo ele próprio classificou a companheirada bandida). Em defesa de seus múltiplos negócios, os vendilhões do templo de hoje partem a insuflar multidão de fariseus a optar pelo clone degenerado do atual presidente, numa repetição grotesca daquela perversa aliança entre o poder temporal e o poder secular. Espantosamente, pipocam na imprensa solenes manifestos de letrados (descendentes espirituais de Caifás), fazendo apologia das virtudes cívicas de dona Dilma - a terrorista assassina, herdeira legítima de Barrabás.

Esqueceram-se, certamente, do que diz o profeta: “ao louco nunca mais se chamará nobre, e do fraudulento jamais se dirá que é magnânimo”! (Isaías, 32:5) Sim, pois “o louco fala loucamente, e o seu coração obra o que é iníquo”. Apesar de suas delinqüências, o Sr. Lula da Silva, e seu golem, podem caminhar para um destino exitoso em suas pretensões eleitorais, mesmo que de suas bocas brotem mentiras e impiedades próprias de um louco (até se comparar a Jesus, em blasfema impiedade, Lula já o fez). Os acólitos de Anás, todavia, negligenciam tais fatos, como se isso não tivesse a menor importância.

Neste amplo quadro os carniceiros petistas (com a ajuda de seus novos e velhos parceiros), parecem ter a pretensão de evoluir para o status de rapinantes. Insatisfeitos com o saqueio do Custeio orçamentário preparam-se para atacar o Investimento público (sob a supervisão dos sacerdotes do PMDB, coordenados pelos pontífices Sarney, Temer, Renan, Jucá e outros menos votados). Torcendo, claro, para a chegada à grei do reforço metodológico trazido por dona Marta, Pimentel e demais mensaleiros. Os olhares gulosos dessa turma lulesca dirigem-se aos cifrões das obras públicas (estradas, pontes, portos, hidrelétricas etc.).

Já os camundongos sindicais, acostumados com o lixo e as propinas de milhares de reais, verão agora o operar de profissionais. Bagatelas do tipo da bolsa esmola são coisas de pobres, principalmente os de espírito! Na nova ordem, que pode se concretizar, os negócios serão medidos, não por malas e sacolas de dinheiro, mas por caminhões e containers, mais aptos à escala dos novos valores. Que o Eterno tenha piedade de nós e proteja-nos, todos (principalmente o Erário público), de Dilma e dos seus insensatos apoiadores!

Política externa de Lula: a canalhice bem explicada

(Transcrição de texto publicado no blog de Augusto Nunes, em 17-07-2010)


"Garcia também esquarteja a vítima e atira os restos aos rotweillers do quintal

Marco Aurélio Garcia tentou camuflar o enfado quando um jornalista perguntou-lhe, em 24 de fevereiro, se tinha algo a dizer sobre a morte do preso político cubano Orlando Zapata Tamayo. “Há problemas de direitos humanos no mundo inteiro”, relativizou o conselheiro presidencial para complicações cucarachas. Mas não é toda semana, nem em qualquer lugar, que um preso de consciência morre no 65° dia de uma greve de fome, demonstrou a reação indignada de democratas de todo o mundo. O gaúcho irritadiço respirou 48 horas antes de voltar ao tema. “A morte de Zapata é uma situação que incomoda, eu preferia que não tivessem dissidentes”, disse em 26 de fevereiro. Não havia ocorrido, portanto, nenhuma tragédia. Só um fato incômodo, que seria evitado se a tribo dos dissidentes não teimasse em existir. Como existe, está exposta a situações desagradáveis. Não vale a pena fazer tanto barulho por tão pouco. “Uma declaração tonitruante é muito bom para a plateia, mas para Cuba pode piorar a situação”, explicou.

Depois de duas semanas de mudez, Garcia perdeu a paciência com os que continuam entendendo que o Brasil preferiu virar as costas aos presos sem culpa para ajoelhar-se aos pés dos Irmãos Castro. “O governo brasileiro não é uma ONG”, ensinou em 13 de março. “Nosso relacionamento é com governos e não com dissidentes”. De onde menos se espera é que não vem nada mesmo, reiterou o palavrório. Não se deve procurar vestígios de grandeza em quem comemorou com esgares e um top-top-top notícias sobre o acidente apavorante.

Mas nem os que já não se espantam com nada deixaram de achar espantosa a reentrada em cena do canastrão, ocorrida em 9 de julho. No dia 6, numa escala da viagem à África, ele fora surpreendido pela (para ele) péssima notícia: ao fim de negociações sigilosas com o governo da Espanha e o cardeal Jaime Ortega, arcebispo de Havana, a ditadura cubana aceitara libertar um lote de presos políticos. Sobressaltado, Garcia atravessou os três dias seguintes reescrevendo a segunda parte do script. E irrompeu de novo no palco.

Também desconcertado com a surpresa, o presidente Lula admitiu que o amigo Fidel e o compadre Raúl nem se lembraram de avisá-lo. Igualmente perplexo, o chanceler Celso Amorim caprichou nos murmúrios e sorrisos de quem sabe mais do que diz. Sempre mais feroz e mais trapalhão, Garcia inverteu a rota, afundou o pé no acelerador e mentiu descaradamente: “Nós ajudamos”, inventou. “Atuamos na surdina, sem alarde”.

Talvez tivesse parado por aí se os repórteres esquecessem o protocolo, caíssem na gargalhada e convidassem o declarante a tratar os fatos com menos brutalidade. O silêncio coletivo aconselhou Garcia a seguir em frente. “A Espanha pegou carona com a gente, viu a bola cair nos pés e chutou”, prosseguiu o espetáculo da desfaçatez. “Eles estavam na hora certa e no lugar certo para bater para o gol”. Até para os padrões do personagem, a coisa foi longe demais. Embora só o crime de homicídio esteja capitulado no Código Penal, há semelhanças de estilo entre os três articuladores da política externa brasileira, que vivem assassinando a verdade, e o bando que executou a jovem Eliza Samudio. A placidez com que o presidente Lula tenta safar-se das operações em que se envolve lembra o goleiro Bruno: nenhum dos dois perde a pose quando desmascarado. Como o amigo Makarrão, o chanceler Celso Amorim está aí para fazer as vontades do chefe e ídolo. E o conselheiro Garcia trucida a realidade com a ausência de culpas ou remorsos exibida pelo policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o “Bola”.

Como o algoz de Eliza, Garcia não se limita a matar a verdade. Também esquarteja a vítima e atira os restos aos rottweilers que rosnam no quintal".

sábado, 17 de julho de 2010

"Em nossa forma mais banal de ser humano"

(Publicado por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, em 16-07-2010).

"O senhor Jerôme Valcke, secretário-geral da FIFA, segundo a imprensa nacional e internacional, repetiu, entre irônico, sarcástico e aborrecido, o conjunto de explicações que constantemente ouve dos brasileiros com quem conversa a respeito da Copa de 2014:
"nossos principais problemas são construir estádios, construir aeroportos, construir estradas, fazer funcionar um sistema de telecomunicações, resolver as acomodações", mas "fora isso, trabalharemos para que tudo funcione".

O presidente Lula não gostou. Na verdade, ele se ofendeu e reagiu à altura. À sua altura, evidentemente: "Terminou a Copa da África do Sul agora e começam a dizer 'cadê os aeroportos brasileiros, os estádios brasileiros, os corredores de trem, os metrôs?', como se nós fossemos um bando de idiotas que não soubéssemos fazer as coisas e definir nossas prioridades".

Será? E quais são as nossas prioridades?

Se forem as obras para a festa de 2014, estamos realmente muito atrasados. Diria que temos um atraso de uns 5 anos. E uso como régua as obras de reforma do Palácio do Planalto! Um prédio de linhas sofisticadas, mas simples, uma casa grande, é isso que é o Palácio do Planalto. Pois bem, segundo o representante do arquiteto Oscar Niemeyer, em carta assinada e talvez até rubricada: "O que está sendo feito é de péssima qualidade. Estou perplexo diante de tanto descaso e despreparo".
Apesar do prazo estourado, da entrega da obra já ter sido adiada por três vezes, as falhas encontradas são tantas que até foi questionada a segurança da estrutura do prédio. São tantos os erros a serem corrigidos que a entrega da obra foi adiada mais uma vez e agora se fala que o presidente só voltará a trabalhar lá em agosto. Deus permita, porque francamente, se esse é o exemplo da mão de obra com que contamos para as obras que a FIFA exige, acho que essa Copa terá que ser adiada para 2041! Será que a FIFA não exagera um pouco? Quem dá a essa entidade tantos poderes?

Um economista, Stefan Szymanski, e um jornalista, Simon Kuper, escreveram um livro chamado “Soccernomics” no qual dizem o seguinte: "Os brasileiros deveriam ter em mente que, independentemente do que o governo diz, a Copa não os tornará mais ricos como um todo, embora o evento possa ser uma bela oportunidade para quem é dono de uma empresa construtora de estádios. Nós prevemos com confiança que o contribuinte brasileiro gastará mais com a Copa do que dizem as estimativas iniciais". E Simon Kuper diz mais: “Se o presidente Lula quisesse ser honesto quanto à Copa, diria: ‘Vai custar dinheiro, sobrará menos para escolas, hospitais, mas todos adoramos futebol e será um mês divertido, portanto vale a pena’. O erro é achar que a Copa fará do Brasil um país mais rico”.

Isso tudo e muito mais li no caderno Especial da Folha de São Paulo, editado em 12 de julho. É rico em informações e ainda nos lembra algo que procuramos não ver: é um jogo. Podemos perder ou ganhar. Já pensaram nisso? Eu concordo com o presidente Lula. Nós, brasileiros, não somos um bando de idiotas. Nós nos fazemos de idiotas quando isso nos interessa. Mas negligentes somos, descansados, também, e arrogantes, muito.

Agora mesmo aceitamos que o presidente enviasse ao Congresso um projeto “pioneiro”que pune os pais que maltratam fisicamente os filhos. Foi uma solenidade e tanto. Do tipo que só Brasília produz. E soube de uma coisa impressionante: sou filha adotiva do presidente do Brasil! Lula dixit: “Quem não trata bem seus filhos em casa não será um bom governante, pois não saberá lidar com os filhos "adotados eleitoralmente". Agradeço aos céus termos tido um pai como o Lula, que educou tão bem seus filhos e que foi tão bem educado ele mesmo, só assim ele pode ser o grande pai-presidente que é.
Só duas coisas me intrigaram. A primeira: o presidente nunca apanhou de sua mãe, que era contra a violência, nem de seu pai, apesar desse ser chegado a um destempero. Como então ele sabe que um "beliscão dói para cacete"? Quem foi o audacioso que teve a coragem de dar um beliscão no presidente? A segunda: na mesma ocasião, ele disse que os conservadores iam criticar o projeto antipalmada. Criticou acerbamente os pais de família brasileiros, que não têm tempo para os filhos, mas têm tempo para uma cervejinha. E encerrou com chave de platina:
“O máximo que o homem brasileiro aprendeu a fazer, na sua forma mais banal de ser humano, é ter orgulho de, quando o filho completasse 15 anos, levar ele a uma casa de prostituição para ter sua primeira experiência sexual. E o máximo, para o pai, é a filha ser virgem até o casamento”.

Não, não foi o presidente Epitácio Pessoa quem disse isso. Foi Luiz Inácio Lula da Silva, em julho de 2010. Tenho a impressão que a garotada deve ter rido muito, isso depois de se informar sobre o que é uma casa de prostituição e o que vem a ser virgindade.

Idiotas? Não. Isso, não".

terça-feira, 13 de julho de 2010

Algumas pérolas de Borges

48. Felices los valientes, los que aceptan con ánimo parejo la derrota o las palmas.

49. Felices los que guardan en la memoria palabras de Virgilio o de Cristo, porque éstas darán luz a sus días.

50. Felices los amados y los amanates y los que pueden prescindir del amor.

51. Felices los felices.

(Parte final de "Fragmentos de un evangelio apócrifo", in Elogio de la Sombra, de J. L. Borges)

Agora, um pouco de Quevedo (Musa, II, 109)

Retirado en la paz de estos desiertos,
con pocos, pero doctos, libros juntos,
vivo en conversación con los difuntos
y escucho con mis ojos a los muertos.

Si no siempre entendidos, siempre abiertos,
o enmiendan o secundan mis asuntos,
y en músicos callados contrapuntos
al sueño de la vida hablan despiertos.

Las grandes almas que la muerte ausenta,
de injurias de los años vengadora,
libra, oh gran don Joseph, docta la Imprenta.

En fuga irrevocable huye la hora;
pero aquélla el mejor cálculo cuenta,
que en la lección y estudio nos mejora.

(in, Borges, J. L. Otras inquisiciones)