segunda-feira, 8 de junho de 2009

PETROBRÁS: EU TENHO A FORÇA!

A PETROBRÁS - uma das "oito irmãs" - vai confirmando nos seus atos tudo aquilo que muitos estudiosos vêm denunciando há décadas sobre o poder das transnacionais. Estas gigantescas estruturas econômicas e políticas ultrapassam a dimensão clássica dos estados-nações. Agindo segundo uma lógica que lhes é peculiar, constituem uma rede tentacular espalhada pelo planeta. Buscam o controle estratégico da vida social, produtiva e espiritual daqueles que se encontram sob seu jugo. Potencializada por um partido político de natureza totalitária (como é o caso do PT), a PETROBRÁS tem como remota referência aquilo que foi a Krupp para a Alemanha nazista. Ela, com efeito, não é um estado dentro de um estado como muitos imaginam. Ela configura, isto sim, a nova verdadeira ordem internacional em que o estado tradicional é, tão somente, uma extensão dos desígnios destas predadoras organizações. O estado brasileiro, portanto, é que se encontra "aparelhado" pela PETROBRÁS e, não, o seu contrário.

Prepara-se o polvo (designação que era aplicada antigamente a empresas como a ESSO e a SHELL), para o exercício de mais uma ousada manobra, similar ao que fizeram as petroleiras americanas ao patrocinarem a eleição de George W. Bush como presidente dos Estados Unidos. Aliás, vão um pouco além. Buscam ocupar a direção do partido político hegemônico no Brasil - o PT - através de um dos seus quadros dirigentes, quer dizer, um diretor da PETROBRÁS. Com a ajuda dos bilionários fundos de pensão de empresas estatais, ou para-estatais, pretende o polvo caboclo reduzir o processo político brasileiro a uma mera assembléia de acionistas com as cartas previamente marcadas. A configuração do novo "politburo" desta nova máquina de poder vai-se desenhando lenta, porém, inexoravelmente. O próprio Lula reconheceu numa de suas falas destrambelhadas que aspirava ser, quando terminar o seu mandato, o futuro presidente da PETROBRÁS. Apesar de toda grossura, canastrice e inconveniências que protagoniza no dia-a-dia, não se pode deixar de reconhecer que Lula tem clareza sobre o real sistema de poder vigente no Brasil. Não por acaso se curvou a aceitar que a manda-chuva do Conselho de Administração da PETROBRÁS - Dona Dilma - se tornasse a candidata oficial do PT nas eleições de 2010.

Roberto Campos chamava a PETROBRÁS de "petrossauro". O antigo senador de Mato Grosso, no entanto, equivocou-se redondamente. Imaginava que a empresa fosse uma espécie de fóssil vivo que ficara à margem da história e que estaria condenada à extinção natural. Mas ela é, de fato, um mutante, um espantoso mutante qual um Alien dos filmes de ficção científica. Um mutante que vai de maneira implacável se apossando e se assenhoreando deste País tropical abençoado por Deus. Seus ovos envenenados já se encontram em todos os nichos da vida coletiva. Qualquer hora dessas que ainda estão por vir uma resolução de Diretoria, ou um simples ato administrativo demite o Congresso e fecha o Supremo Tribunal Federal. Triste perspectiva para o povo Brasileiro ter que depositar suas esperanças na coragem e na escassa competência do "Esqueleto" para enfrentar um He-man enlouquecido pela volúpia de poder.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A INTELIGÊNCIA AINDA EXISTE NO BRASIL

"O pigmeu de Pyangyong e o gigante maranhense


Kim Jong-Il, apresento-lhe José Sarney. José Sarney, apresento-lhe Kim Jong-Il. Se Arnaldo Carrilho, o embaixador brasileiro na Coreia do Norte, cumprir a promessa de presentear Kim Jong-Il com os DVDs de Glauber Rocha, finalmente ocorrerá o encontro entre o "pigmeu de Pyangyong" - o apelido dado por George W. Bush - e o gigante maranhense.
Glauber Rocha fez um documentário sobre a posse de José Sarney no governo do Maranhão, em 1966. Título? Maranhão 66. O documentário reproduzia integralmente o discurso de posse de José Sarney, intercalando-o com cenas de miséria dos maranhenses. José Sarney, no palanque, proclamava: "O Maranhão não suportava o contraste de suas terras férteis, de seus vales úmidos, de seus babaçuais ondulantes e de suas fabulosas riquezas potenciais com a miséria, com a angústia, com a fome". Enquanto isso, na tela, Glauber Rocha exibia imagens de miséria, de angústia e de fome, reiterando didaticamente o discurso eleitoreiro de José Sarney.
Os glauberianos sempre argumentaram que, ao contrapor o discurso de posse de José Sarney às imagens de miséria, Glauber Rocha, na realidade, pretendia denunciar as falsas promessas do governador recém-eleito. Mentira. Maranhão 66 é pura propaganda política. Ele foi encomendado a Glauber Rocha pelo próprio José Sarney, sendo financiado pelo governo estadual. A rigor, aliás, quem o financiou foram os mesmos miseráveis mostrados no filme. José Sarney, eleito com o apoio do marechal Castelo Branco, contou também com o apoio do marketeiro baiano Glauber Rocha, predecessor daquele outro marketeiro baiano, Duda Mendonça. Maranhão 66 está para Glauber Rocha assim como a conta Dusseldorf está para Duda Mendonça.
Luiz Gutemberg, hagiógrafo de José Sarney, comentou o trabalho da seguinte maneira: "O filme concentra as esperanças que nasciam dos casebres, dos hospitais e, no meio de tudo, a voz de Sarney. Glauber, modificando a ciclagem da voz do novo governador, obteve um efeito emocionante e fez com que ela soasse como a voz de um vulto profético, fixando o choque entre o impossível, que a mensagem de esperança do novo governador anunciava, e a miséria que as imagens mostravam".
José Sarney ridicularizou a idéia de que Glauber Rocha pudesse ter qualquer propósito crítico, apresentando-o como um apaniguado cúmplice e obediente. Ele disse: "Quando fui eleito governador, o levei para fazer o documentário da posse. Ele se empolgou e fez. Eu também ajudei porque fiz, de certo modo, o roteiro do documentário, para fugirmos daquela coisa, para ver o contraste entre o que se encontrava e o que a gente desejava. E ele fez".
Maranhão 66 foi produzido por Luiz Carlos Barreto. E quem mais poderia ser? Atualmente, Luiz Carlos Barreto produz uma cinebiografia de Lula. Pena que Glauber Rocha tenha morrido, porque ele certamente se empolgaria com o projeto e o dirigiria. Seu filho, Erik Rocha, já dirigiu um documentário empolgado sobre Lula. De Maranhão 66 a Brasília 09, a política continua igual. E o cinema brasileiro continua igual: empolga-se e faz." (Diogo Mainardi, em 5/06/2009)

domingo, 31 de maio de 2009

ONDE LULINHA ESTUDOU?

"Olhem, como se diz por aí, “na boa”, não sei como Lula consegue se olhar no espelho depois de fazer certos discursos. Tá bom, vá lá, eu sei. Eu mesmo já identifiquei aqui uma possível patologia psíquica: Lula é destituído de superego. Por que isso agora? Ontem, esse gênio da raça descobriu os culpados pela baixa qualidade do ensino: a classe média. (Disse Lula da Silva):

“Uma das razões pelas quais a escola pública foi se deteriorando é porque grande parte da classe média se afastou dela. Para não brigar [por qualidade], decidiu colocar os filhos na escola particular. E pagar na mensalidade de 3º ano primário o mesmo preço de uma universidade particular”.

Não está sozinho nessa avaliação. Há alguns teóricos da educação — também de classe média ou acima disso, que jamais pisaram numa escola pública — que acham a mesma coisa. É a velha tese de que os responsáveis por seus problemas são as vítimas. Ora, a classe média se afastou da escola pública porque ela era ineficiente. Claro, claro: o pai e a mãe poderiam ter-se convertido em militantes da causa. Enquanto isso, os filhos ficariam comendo grama; enquanto isso, a esquerdopatia reinante nos sindicatos de professores ficariam promovendo greves. “Ah, os sindicatos só são assim porque as condições são ruins”. Mentira! Em São Paulo, a Apeoesp se opôs a um programa de qualificação do corpo docente. É gente que promove queima de livro. Mas me afastei um pouco.
Lula, quando ainda dirigente da oposição, poderia ter dado o exemplo. Poderia ter posto os filhos para estudar na escola pública. Quem melhor do que ele para liderar o movimento, não é mesmo? Pois se preparem para uma revelação. Sabem o Fábio Luiz da Silva, o Lulinha, o Ronaldinho de Lula? ESTUDOU EM ESCOLA PARTICULAR. É, em escola particular. Mais precisamente, no Colégio Singular, em Santo André, uma das mais conceituadas da região. Como eu sei? EU DAVA AULA LÁ.
Mas é claro que a coisa foi feita à moda Lula. Fábio estudou no Colégio Singular, mas com bolsa de estudos, entenderam? Lula, o burguês do capital alheio, pôs o seu prestígio político a serviço da concessão de um privilégio — ou vocês acham que ele não tinha dinheiro para pagar a escola do seu gênio empresarial? Tinha. Mas, vocês sabem, onde há uma mamata, Lula está lá, mamando. “O cara” até recebe pensão por ter lutado contra a ditadura, ora essa!!! Enquanto ele “lutava”, construía o PT, que o faria chegar à Presidência, constituía um patrimônio que nenhum outro trabalhador com o seu nível de instrução tem e garantia a melhor escola para os filhos — sem desembolsar um tostão por isso.
Do Singular, já saíram alunos que se transformaram em profissionais de primeiro time, alguns com renome internacional. Volta e meia, um ex-aluno de lá manda um comentário a este velho professor… Só tenho 47. É que comecei a dar aula muito cedo. Pois bem, não foi o caso de Lulinha. Cursou biologia, vagou aqui e ali etc. Quando o pai alcançou a Presidência, era monitor de Jardim Zoológico: “Lulinha, onde fica a zebra?” Ele indicava. “Lulinha, onde fica a anta?” Ele mostrava. “Lulinha, onde fica o jumento?” Ele dava o caminho. O pai chegou lá, e ele se transformou num empresário de enorme sucesso, não é? A Telemar — atual Oi, de que Sérgio Andrade, o principal financiador das campanhas do seu pai, é sócio — logo descobriu o seu talento para o mundo dos negócios. A fala a seguir é pura imaginação benevolente deste escrita: “Que é isso, Lulinha? Alguém com o seu talento em, bem…, em seja lá o que for, merece ser empresário”. E Lulinha virou empresário. A família Andrade gosta da família Lula. Custeou a educação de Lurian em Paris.
Como a gente vê, o Brasil continua mesmo a ser um país injusto. É preciso pôr um fim nesse regime que garante a existência de fidalgos — sejam eles da antes chamada “burguesia”, seja da antes chamada “classe operária”. O que o Brasil ainda não conseguiu ser, de fato, é uma República. É preciso pôr fim ao regime dos aristocratas. E Lula é o seu mais pançudo representante.
Mais uma vez, este senhor é flagrado a fazer o exato oposto do que enuncia e anuncia" (Transcrito do blog do Reinaldo Azevedo de 30/09/2009)

"NOVOS POBRES E NOVOS RICOS"

"Muita chiadeira por causa do post de ontem em que censuro a bobagem dita por Lula sobre a culpa pela baixa qualidade do ensino público. Segundo ele, é da classe média, que, em vez de brigar por mais qualidade, decidiu pôr os filhos em escolas particulares — que, de resto, na média, não são também nenhuma maravilha. Mas, ao menos, os filhos costumam estar ao abrigo das greves e das faltas. Lula queria pais, digamos, sindicalizados brigando, para depois tudo terminar num acordão, como aqueles que ele celebrava com o antigo Grupo 14 da Fiesp, afogado, quase literalmente, em Black Label. Porque Lula, vocês sabem, não é um homem de ferro. É de carne e osso. Mais carne do que osso. Por que os petralhas espernearam? Porque revelei que o gênio empresarial Fábio Luiz da Silva, o notório “Lulinha”, estudou em… escola particular. Mais precisamente, no Colégio Singular, em Santo André, destinado à “Dona Zelite” do Grande ABC.
Sei porque dava aula lá — não fui professor da sua turma. Aí me informa um leitor:
"Caro Reinaldo,
Não só o Lulinha, mas seus irmãos também estudaram no Singular. A Lurian fez o primeiro ano (em 1991) na unidade de São Bernardo, eu estava lá na época e lembro de uma visita do Apedeuta à escola. Não sei se teve bolsa também. Mas ela nem chegou a terminar o colégio lá, saiu no fim do primeiro ano. O irmão mais novo (o que levou os amigos para tomar banho de piscina no Palácio da Alvorada, com nosso dinheiro, em avião da FAB) também estudou lá, na unidade de Santo André."

É isso aí. Se ambos também tiveram bolsa, não sei. Lulinha teve. Lurian deve ter deixado a escola para ir a Paris, com o patrocínio de Marília Andrade, prima de Sérgio Andrade e uma das herdeiras da empreiteira Andrade Gutierrez. Sérgio é amigo pessoal de Lula e o maior financiador individual de sua campanha eleitoral. A sua construtora acaba de retomar a construção da usina nuclear de Angra 3 com uma licitação herdada do governo Figueiredo. Já é quase uma licitação balzaquiana: 26 anos. Em dólar, o preço saltou de US$ 1,8 bilhão para US$ 3,3 bilhões. Mas podem ficar tranqüilos: custará muito mais, como sempre. Vejam o que aconteceu com a refinaria Abreu e Lima…
Ah, bem: Lula também mudou uma lei apenas para legalizar a compra da Brasil Telecom pela Oi. Sérgio é um dos controladores da Oi. Tá… Convenham: recorrendo a metáforas do mercado financeiro, quando Sérgio descobriu Lula, o homem era ainda uma “opção magra”. E passou a ser uma “blue chip”. No mundo dos negócios, é preciso enxergar longe, né? Andrade, mais do que qualquer outro, entendeu quem era Lula de verdade. O dono da Andrade Gutierrez poderia dizer: “Ao vencedor, um batatal inteiro”.
Volto ao ponto. Por que lembrar isso tudo? Porque um dos mitos — eivado de falsidades e coisas verossímeis, como todos os mitos — sobre a biografia de Lula dá conta de sua vida sofrida. Convenham: até atingir a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, vá lá, algum mérito da superação existe. Depois? Depois ele passou a ser personagem privilegiada de um enredo muito maior, que ele soube capitalizar — ah, como as palavras são ricas!!! — como poucos: o da abertura política. O Lula sofrido é conversa mole pra trouxa dormir. O Lula sofrido só serve para deixar excitadas as metáforas das Mailenas Chauis e Marias Ditabrandas Victorias…
Lula tem todo o direito de pôr o filho em escola particular? Claro que sim! Não acho que os garotos deveriam pagar o pato de ter o ensino ruim só para o pai dar o exemplo. Mas, então, o Apedeuta não pode sair por aí enfiando o dedo na cara dos outros. Não pode porque, definitivamente, não tem moral para isso. Enquanto ele organizava a companheirada, por que Mariza Letícia — o “Sorriso Enigmático da República” — não ficou fazendo comício em porta de escola? Por que a companheira do companheiro não fez o que ele recomenda à classe média? Ora, dobre a língua então. E nem adianta dizer que não pagou a escola, que tinha bolsa. Só piora tudo. Porque é óbvio que ele tinha condições de arcar com o custo.
Um daqueles seres que come os restos que as ratazanas vão largando pelo caminho, manda o seguinte (ah, sim: IP nº 189.74.165.118):De que crime se acusa o Lula? O de defender o ensino público, mas colocou seu filho em um colégio particular? Pelo amor de Deus! Crime maior cometeu o filho do FHC que fazia parte da diretoria do Banco Nacional, quando a cúpula do banco estava produzindo balancetes falsos porque estava falido. Lembra do rombo: quatro bilhões! Ele e o pai (FHC) disseram que não sabiam de nada (anjinhos). Lembra o que FHC fez- criou o Proer. E usou dinheiro do povo para cobrir o rombo de seus protegidos políticos. E eu pergunto que moral tem os “tucanos” para falarem do filho do Lula? Ele não deu prejuízo ao dinheiro público e ainda fica esse monte de alienados políticos falando do filho do Lula!
Pois é. Se os citados quiserem a mensagem para uma ação judicial, eu passo. Eu não acusei Lula de crime nenhum. Ele é que acusa outros de criminosos. Mas a questão é boa. Não custa lembrar:
- Paulo Henrique nunca foi diretor do Banco Nacional;
- os controladores do Nacional perderam o banco; um deles chegou a ser preso (e foi solto pela Justiça, não por FHC);
- essa história de que “FHC não sabia de nada” é pura bobagem; tanto o governo ficou sabendo da situação grave do banco (à época, “de bancos”, no plural), que fez a intervenção. E veio o Proer — razão por que se tem hoje um sistema bancário sólido. Até o Apedeuta já reconheceu isso. Mas os petistas chamavam o programa de “mamata para banqueiro”. Há idiotas na rede repetindo isso até hoje, seguindo a dica de mentores a soldo.
PRESTEM ATENÇÃO NUMA, ENTRE MUITAS OUTRAS, DIFERENÇA ENTRE FHC E LULA.
Paulo Henrique, que nunca foi diretor do Nacional, era casado com Ana Lúcia Magalhães Pinto, uma das herdeiras do banco, sim. O governo interveio, a empresa foi para o vinagre, e os irmãos Magalhães Pinto — a então nora do presidente incluída — foram indiciadas em três artigos da Lei do Colarinho Branco.
Ana Lúcia e Paulo Henrique têm duas filhas — gêmeas. Quando o avô das então meninas chegou à Presidência, elas eram herdeiras de um dos maiores bancos do país. Quando o avô saiu, elas eram ex-herdeiras, e a mãe, que nunca dirigira o banco, era uma das indiciadas. Entenderam a diferença? Não! Então deixo a coisa ainda mais clara.
Quando FHC chegou à Presidência, suas netas eram herdeiras de um patrimônio bilionário; quando ele saiu, elas eram moças sem-banco. Quando Lula chegou à Presidência, o filho era monitor de jardim zoológico; dois anos depois, já era um dos felizes proprietários da Gamecorp, onde a antiga Telemar, hoje Oi (aquela de Andrade), havia metido aos menos R$ 10 milhões. Lula disse que não podia fazer nada se tinha um “Ronaldinho” dos negócios — de “Ronaldinho”, Lulinha só tem a forma física (se é que me entendem)… Também para registro: um dos sócios da Telemar, agora Oi, é o BNDES, um banco público. A empresa de que um banco público é sócia meteu dinheiro no empreendimento do “Ronaldinho” do presidente.
Os petralhas querem xingar e espernear? Fazer o quê? Pensar é que eles não iriam. É injusto exigir de alguém algo além das duas condições objetivas. Tentem contestar algum fato no texto acima.
Ficamos assim: depois de oito anos de mandato de FHC, a descendência dos Cardoso está mais pobre. Depois de oito anos de mandato do Apedeuta, os Lulas da Silva certamente estão mais ricos. E reparem como Tio Rei é singelo: se não dá acusar o que enriqueceu de irregularidade, certamente soa um tanto estranho acusar de maracutuaia o que empobreceu, não é mesmo? Vai ver os Cardosos têm inclinação para novos-pobres, e os Lulas da Silva, para novos-ricos." (Transcrito do blog do Reinaldo Azevedo de 31/05/2009)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O pecado de Davi

"Os dois teólogos divagavam sobre os pecados, os múltiplos pecados humanos. Faziam isto há anos como se tais análises fossem parte intrínseca de suas vidas. Seus pais os ligaram para todo o sempre às inumeráveis controvérsias bíblicas (deram a eles nomes de patriarcas para que não se esquecessem da antiga e perpétua travessia dos eleitos de D'us). Acostumados a sutilezas da cabala buscavam acrescentar ao acervo dos conhecimentos explicações novas e ousadas sobre os mistérios do passado. Mais desafiadores ficavam estes mistérios quando eram percebidos na perpétua atualização de um mesmo script. Tal era o que percebiam a cada momento, a cada instante na vida de muitos. "O rei Davi" - disse o mais novo - "matou Urias para lhe tomar a mulher. Esta foi uma violação do Decálogo." Um homem não pode assassinar outro, concordaram. "Este crime de Davi, no entanto, foi antecedido por outro" afirmou o velho teólogo, mais afeito aos detalhes das palavras. "Davi cometeu o pecado, o grave pecado do olhar; não deveria ter lançado suas vistas para onde lançou", foi o julgamento definitivo naquele instante. Cabisbaixos, ambos voltaram ao modo costumeiro dos devotos. E mergulharam no silêncio, o absoluto silêncio, o silêncio conformado ante os atos absolutos".

(Javier Kramer, in O navio à deriva)

SOY

Soy el que sabe que no es menos vano
que el vano observador que en el espejo
de silencio y cristal sigue el reflejo
o el cuerpo (da lo mismo) del hermano.

Soy, tácitos amigos, el que sabe
que no hay otra venganza que el olvido
ni otro perdón. Un dios ha concedido
al odio humano esta curiosa llave.

Soy el que pese a tan ilustres modos
de errar, no ha descifrado el laberinto
singular y plural, arduo y distinto,

del tiempo, que es uno y es de todos.
Soy el que es nadie, el que no fue una espada
en la guerra. Soy eco, olvido, nada.

(J.L. BORGES)

"O milagre tem direito a impor condições..."

ULRICA
“Mi relato será fiel a la realidad o, en todo caso, a mi recuerdo personal de la realidad, o cual es lo mismo. Los hechos ocurrieron hace muy poco, pero sé que el hábito literario es asimismo el hábito de intercalar rasgos circunstanciales y de acentuar los énfasis. Quiero narrar mi encuentro con Ulrica (no supe su apellido y tal vez no lo sabré nunca) en la ciudad de York. La crónica abarcará una noche y una mañana. Nada me costaría referir que la vi por primera vez junto a las Cinco Hermanas de York, esos vitrales puros de toda imagen que respetaron los iconoclastas de Cromwell, pero el hecho es que nos conocimos en la salita del Northern Inn, que está del otro lado de las murallas. Eramos pocos y ella estaba de espaldas. Alguien le ofreció una copa y rehusó. -Soy feminista -dijo-. No quiero remedar a los hombres. Me desagradan su tabaco y su alcohol. La frase quería ser ingeiosa y adiviné que no era la primera vez que la pronunciaba. Supe después que no era característica de ella, pero lo que decimos no siempre se parece a nosotros. Refirió que había llegado tarde al museo, pero que la dejaron entrar cuando supieron que era noruega. Uno de los presentes comentó: -No es la primera vez que los noruegos entran en York. -Así es -dijo ella-. Inglaterra fue nuestra y la perdimos, si alguien puede tener algo o algo puede perderse. Fue entonces cuando la miré. Una línea de William Blake habla de muchachas de suave plata o furioso oro, pero en Ulrica estaban el oro y la suavidad. Era ligera y alta, de rasgos afilados y de ojos grises. Menos que su rostro me impresióno su aire de tranquilo misterio. Sonreía fácilmente y la sonrisa parecía alejarla. Vestía de negro, lo cual es raro en tierras del Norte, que tratan de alegrar con colores lo apagado del ámbito. Hablaba un inglés nítido y preciso y acentuaba levemente las erres. No soy observador; esas cosas las descrubrí poco a poco. Nos presentaron. Le dije que era profesor en la Universidad de los Andes en Bogotá. Aclaré que era colombiano. Me preguntó de un modo pensativo: -¿Qué es ser colombiano? -No sé -le respondí-. Es un acto de fe. -Como ser noruega -asintió. Nada más puedo recordar de lo que se dijo esa noche. Al día siguiente bajé temprano al comedor. Por los cristales vi que había nevado; los páramos se perdían en la mañana. No había nadie más. Ulrica me invitó a su mesa. Me dijo que le gustaba salir a caminar sola. Recordé una broma de Schopenhauer y contesté: -A mí también. Podemos sair los dos. Nos alejamos de la casa, sobre la nieve joven. No había un alma en los campos. Le propusé que fuéramos a Thorgate, que queda río abajo, a unas millas. Sé que ya estaba enamorado de Ulrica; no hubiera deseado a mi lado ninguna otra persona. Oí de pronto el lejano aullido de un lobo. No he oído nunca aullar a un lobo, pero sé que era un lobo. Ulrica no se inmutó. Al rato dijo como si pensara en voz alta: -Las pocas y pobres espadas que vi ayer en York Minster me han conmovido más que las grandes naves del museo de Oslo. Nuestros caminos se cruzaban. Ulrica, esa tarde, proseguiría el viaje hacia Londres; yo, hacia Edimburgo. -En Oxford Street -me dijo- repetiré los pasos de Quincey, que buscaba a su Anna perdida entre las muchedumbres de Londres. -De Quincey -respondí- dejó de buscarla. Yo, a lo largo del tiempo, sigo buscándola. -Tal vez -dijo en voz baja- la has encontrado. Comprendí que una cosa inesperada no me estaba prohibida y le besé la boca y los ojos. Me apartó con suave firmeza y luego declaró: -Seré tuya en la posada de Thorgate. Te pido mientras tanto, que no me toques. Es mejor que así sea. Para un hombre célibe entrado en años, el ofrecido amor es un don que ya no se espera. El milagro tiene derecho a imponer condiciones. Pensé en mis mocedades de Popayán y en una muchacha de Tezas, clara y esbelta como Ulrica que me había negado su amor. No incurrí en el error de preguntarle si me quería. Comprendí que no era el primero y que no sería el último. Esa aventura, acaso la postrera para mí, sería una de tantas para esa resplandeciente y resuelta discípula de Ibsen. Tomados de la mano seguimos. -Todo esto es como un sueño -dije- y yo nunca sueño. -Como aquel rey -replicó Ulrica- que no soñó hasta que un hechicero lo hizo dormir en una pocilga. Agregó después. -Oye bien. Un pájaro está por cantar. Al poco rato oímos el canto. -En estas tierras -dije-, piensan que quien está por morir prevé el futuro. Y yo estoy por morir -dijo ella. La miré atónito. -Cortemos por el bosque -la urgí-. Arribaremos más pronto a Thorgate. -El bosque es peligroso -replicó. Seguimos pos lor páramos. -Yo querría que este momento durara siempre -murmuré. -Siempre es una palabra que no está permitida a los hombres -afirmó Ulrica y, para aminorar el énfasis, me pidió que le repitiera mi nombre, que no había oído bien. -Javier Otálora- le dije. Quiso repetirlo y no pudo. Yo fracasé, parejamente, con el nombre de Ulrikke. -Te llamaré Sigurd- declaró con una sonrisa. Si soy Sigurd -le repliqué- tu serás Brynhild. Había demorado el paso. -¿Conoces la saga?- le pregunté. -Por supuesto -me dijo-. La trágica historia que los alemanes echaron a perder con sus tardíos Nibelungos. No quise discutir y le respondí: -Brynhild, caminas como si quisieras que entre los dos hubiera una espada en el lecho. Estábamos de golpe ante la posada. No me sorprendió que se llamara, como la otra, el Northern Inn. Desde lo alto de la escalinata, Ulrica me gritó: -¿Oíste el lobo? Ya no quedan lobos en Inglaterra. Apresúrate. Al subir al piso alto, noté que las paredes estaban empapeladas a la manera de William Morris, de un rojo muy profundo, con entrelazados frutos y pájaros. Ulrica entró primero. El aposento oscuro era bajo, con un techo a dos aguas. El esperado lecho se duplicaba en un vago cristal y la bruñida caoba me recordó el espejo de la Escritura. Ulrica ya se había desvestido. Me llamó por mi verdadero nombre, Javier. Sentí que la nieve arreciaba. Ya no quedaba muebles ni espejos. No había una espada entre los dos. Como la arena se iba al tiempo. Secular en la sombra fluyó el amor y poseí por primera y última vez la imagen de Ulrica.” (in El libro de arena de J.L. Borges)