terça-feira, 2 de outubro de 2018

Bolsonaro e Shakespeare

Bolsonaro disse que havia fraquejado quando lhe nasceu uma filha, em vez dos habituais rebentos masculinos. Foi duramente censurado pela pilhéria. 

Macbeth, no entanto, louvou a coragem da esposa afirmando:

"Bring forth men children only,
For thy undaunted mettle should compose
Nothing but males".

Numa tradução ligeira:

Apenas varões dá à luz,
Pois o teu intrépido valor não deveria formar
Senão machos.



 

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Quem é nazista?


Professores, intelectuais e artistas acusam Jair Bolsonaro de ser nazista e pregar a disseminação da cultura da violência. Manifestos são divulgados atribuindo ao capitão as maiores vilanias contra as pessoas e contra o espírito. Tais acusações teriam algum fundamento?

Em primeiro lugar, o uso da brutalidade e da pregação do ódio vem da matriz comunista. Não se deve esquecer das lições de Lenine e das práticas genocidas implantadas na Rússia a partir de 1917. Os fascistas italianos aproveitaram a lição e, em 1922, adotaram as mesmas estratégias hauridas da experiência soviética. Refinadas e sistematizadas pelos nazistas alemães, a partir de 1933, tornaram-se política de Estado com todas as implicações conhecidas.

Em segundo lugar, e para ficar em um mero exemplo no campo cultural, vejamos o que deve ser relembrado. Em 10 de maio de 1933, apenas três meses após Hitler assumir o poder, como se fora um alerta e sinalização do que estaria por vir, professores e estudantes nazistas patrocinaram monumental queima de livros às portas da Universidade de Berlim. Avisado sobre o que acontecera, Freud ainda fez uma pilhéria macabra: "Melhor queimar os livros que seus autores". Mais lúcido teria sido o poeta Heine que ponderou, com um século de antecedência, sobre o rumo das coisas, ao alertar que uma sociedade que queima livros, depois começa a queimar pessoas.

Pois bem, e não é que estudantes e professores (agora em 26 de março de 2010), num ataque de piromania, resolveram imitar seus colegas de oito décadas atrás? Sob a liderança da APEOESP (sindicato de professores de São Paulo), fizeram monumental fogueira de livros no centro da capital paulista. A dama que dirigiu o auto de fé foi posteriormente conduzida por Dilma Rousseff, como brinde, agradecimento e homenagem, ao Conselho Nacional de Educação. Muitos dos que assinaram manifestos anti-Bolsonaro, aliás, devem ter se congraçado em algum momento com a façanhuda conselheira, sem fazer qualquer reparo à sua conduta criminosa.  

Igualmente bizarro, porém no plano dos costumes e do simples pudor, foi o ato executado por outra potencial candidata a algum cargo no referido Conselho, caso Haddad vencesse as eleições presidenciais: a dama, no decorrer de manifestação política na Avenida Paulista, também em São Paulo, pôs-se a defecar, publicamente, em cima de cartaz com a imagem de Bolsonaro. Esse tipo de gente, nas horas vagas, por incrível que pareça, devota-se a ensinar artes aos filhos das pessoas que não sabem (e nem podem), como resistir a tais insanidades. Talvez por isso tantos pais estejam a preferir o capitão e seus métodos fundados na hierarquia e na disciplina. Com Bolsonaro presidente, a cagalhona já teria tomado outro destino.

Em tempo: Bolsonaro é quem é o nazista.

sábado, 22 de setembro de 2018

Matar Bolsonaro é legítima defesa (Lucas Berlanza, do Instituto Liberal)

"Há pessoas que realmente não se emendam! Esse deve ser o caso da professora de Letras da UFRJ, Georgina Martins, cujo rosto sequer vi alguma vez na vida, mas talvez já possa, de algum modo, considerar uma velha conhecida.

Em 2016, uma onda de ódio – esta sim, verdadeiramente, uma onda de ódio – foi movida, dentro da universidade carioca, contra os grupos de estudantes liberais e conservadores, a exemplo do UFRJ Livre, imputando-lhes a responsabilidade pela morte de um jovem homossexual, sem qualquer base. A simples presença de suas opiniões divergentes no ambiente universitário foi então tratada como uma aberração criminosa.

Naquela oportunidade, essa professora, ao que parece um espécime exemplar da fauna de extrema esquerda que domina as faculdades brasileiras, soltou a seguinte pérola, publicada em seu perfil no Facebook, juntamente com uma montagem com a foto do ditador soviético Josef Stálin:

“Depois de ler postagens de páginas fascistas da UFRJ, só tenho a dizer que posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las na Sibéria”.

Escrevi sobre essa “piada” grotesca à época, em texto em que dava testemunho da perseguição sofrida pelos amigos do UFRJ Livre. Comentei então que a declaração de Georgina me trazia à memória uma antiga discussão que tive com um comunista, em que ele me disse que os gulags existiam por conta de pessoas como eu. É comovente o apreço que essas pessoas manifestam pela pluralidade e a liberdade de expressão!

A professora Georgina me surpreendeu com uma reação hipócrita ao comentário, questionando se eu era incapaz de entender uma piada. Repercuti o fato em meu perfil pessoal:

“A professora de Letras da UFRJ, Georgina Martins, que, em meio à crise com as páginas UFRJ Livre e UFRJ da Opressão, fez a piada dizendo que defenderia até a morte o direito de liberais e conservadores expressarem suas opiniões NA SIBÉRIA – isto é, nas mãos de Stálin, em seus gulags -, reclamou de minha crítica irônica à sua atitude e perguntou se eu não sabia o que é humor, o que é paródia. Respondi que sei, e normalmente os humoristas não exaltam a tirania, a censura e a perseguição em seus posts; recomendo a ela que substitua Sibéria por Auschwitz, e talvez ela perceba que sua piada não tem graça”.

Pois muito bem; mesmo diante de um comportamento tão lamentável para uma professora de uma das universidades mais prestigiadas do país, garanto aos leitores que não estava preparado para imaginar o que viria mais de dois anos depois. Posso ser excessivamente ingênuo, mas acredito que os leitores entenderão minha estupefação, porque é impossível estar aguardando por uma manifestação de tamanha monstruosidade. Em print compartilhado pelo mesmo UFRJ Livre, diretamente de publicação no grupo de Letras da UFRJ, lê-se outro comentário, publicado pela mesma senhora.

O que transcrevo a seguir é o registro da decadência, o emblema da desgraça, o testemunho da deterioração moral que grassa onde nossas melhores mentes deveriam estar sendo formadas. Comprovem por si mesmos:

“Agora falando sério: o episódio da faca não foi intolerância como os defensores do candidato e a direita fascista desse país afirmam. Ao contrário, o episódio da faca foi legítima defesa contra a intolerância que o candidato prega. Foi a legítima defesa de um país que está indo pro fundo do poço. Foi a legítima defesa dos oprimidos. Foi a revolta contra o fascismo, contra o ódio pregado todos os dias, em todos os lugares pelo candidato fascista e seus asseclas (capangas), incentivados por uma direita burra e cruel”.

Acreditem se quiserem no que seus olhos vêem. Martins, obviamente, está fazendo referência ao atentado político cometido por Adelio Bispo em Minas Gerais contra o presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, que ainda se recupera no hospital Albert Einstein, em São Paulo. Atentado que foi feito para matar.

A professora de Letras da UFRJ está dizendo que matar Bolsonaro é uma forma de fazer justiça. É isso, com todas as letras. Ou será que dessa vez essa senhora monstruosa e imoral irá dizer que não entendi a sua piada? Esse tipo de ser humano está hoje, talvez neste exato momento, nas salas de aula do Brasil. Não é preciso dizer mais nada".

(Postado por Polibio Braga)

domingo, 9 de setembro de 2018

Teste rápido para Marina


(Aqui vai um pequeno e rápido teste para a candidata presidencial Marina Silva).

Se um grupo de moças e meninas está a caminhar pela floresta em direção ao trabalho, qual opção seria a melhor, se acaso lá aparecesse um lobo mau, muito mau mesmo, daqueles que matam e estupram suas vítimas?

1a.) Ficarem juntas e gritar desesperadas pelo auxílio de um eventual caçador;

2a.) Correr cada uma em diferentes direções, para que o lobo se contente apenas com uma delas, salvando-se as demais;

3a.) Pegar a espingarda cartucheira que a moça mais velha carregava e mandar bala no malvado;

4a.) Fazer um discurso para o lobo mostrando-lhe o quão anti-ecológico é o seu comportamento ilícito.

Evidentemente a melhor opção é a terceira. Após detonar o lobo, sairiam todas cantando: quem tem medo do lobo-mau, lobo-mau, lobo mau? Quem tem medo do lobo-mau...  

Esfolado o bruto, vão contentes com seus chapeuzinhos vermelhos esvoaçantes, se abrigar e comer um pedaço de bolo na casa da vovó. 

Enquanto abraçam docemente a boa velhinha, os testículos do lobo, presos num espeto adequado, assam por sobre o braseiro do fogão.

sábado, 8 de setembro de 2018

Bolsonaro atacado


"Sim, delenda Bolsonaro. Sim, Bolsonaro deve ser destruído. Há mais de vinte séculos os romanos deram a senha, ao se referirem a Cartago. Melhor faria o candidato se cuidasse de sua segurança. Para o seu próprio bem e o nosso".

O texto acima foi o último parágrafo de um aviso de alerta ao deputado Jair Bolsonaro. Deveria ele se precaver contra as ações reais ou potenciais de seus inimigos. Não foi escrito ontem, nem anteontem. Foi publicado neste blog no dia 7 de setembro de 2017, exato um ano antes da violência da qual foi vítima em Juiz de Fora.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O terror dos entrevistadores (Vittorio Medioli)


(PUBLICADO EM 02/09/18 - no jornal OTEMPO)

"No ensinamento das artes marciais, já na primeira aula o aluno aprende que deixar de prestar atenção à defesa é muito perigoso. Quando se decide atacar, esse esquecimento costuma ser fatal.

O entrevistado de quarta-feira pelo Jornal Nacional, Jair Bolsonaro, estudou numa escola superior de guerra, teve acesso ao que se precisa no enfrentamento e, bem por isso, nunca poderia ser subestimado.

Ainda mais depois da apresentação do início do mês passado na GloboNews, que deixou estonteados seus nove entrevistadores ao longo de duas horas e meia de sabatina, que respondeu como nunca se tinha visto numa rede de tamanha importância.

Desde Lao-Tze, três são os requisitos para a vitória, e o bom guerreiro, quando entende que lhe falta um desses, não se joga ao ataque.

Primeiro, conhecer o campo de batalha; segundo, conhecer bem o adversário; e terceiro, conhecer completamente a si próprio nos limites e fragilidades. A vitória será assim garantida.

O bom combatente pode se sujeitar a uma aparente derrota inicial, a um recuo, para confundir os planos do adversário e deixá-lo refém num campo que não lhe dá possibilidade de resistir.

Ousar, sem cálculo, contra um adversário desconhecido é confiar no azar. Subestimar o adversário deu no que deu com a apresentadora do JN, Renata Vasconcellos, na entrevista com o cadete das Agulhas Negras.

Na Itália se diz “sapato grosso, cérebro fino”. As botas de Bolsonaro confundiram a sutileza de seu plano e geraram o maior apuro de todos os tempos no templo mais temido do jornalismo nacional, que não costuma receber pedradas ao vivo.

Não serviu de alerta, nem foi levada a sério, a entrevista no canal GloboNews com o candidato do PSL. Repetiram-se, e com sucesso ainda maior, as perguntas e as respostas, com Bolsonaro se defendendo ao atacar os entrevistadores. Aplicou três seguidos golpes na entrevistadora e intimidou William Bonner, que não sabia para onde dirigir seu olhar.

Renata Vasconcellos não deve ter assistido à entrevista na GloboNews e partiu para cima. Cobrou, “indignada”, a paridade de salário entre homem e mulher, sobre a qual o presidenciável tem outra opinião, e recebeu a resposta de que há disparidade entre o salário dela e o de William Bonner.

Renata empalideceu e retrucou que isso não dizia a respeito ao entrevistado, já que ele recebe dinheiro público proveniente de contribuintes. Nessa, Bolsonaro disparou não haver diferença entre ele e Renata, já que a rede de televisão que a contrata recebe altas verbas do setor público, e nisso, portanto, se equiparam. Voltou com o tema homofobia, e dessa vez Bolsonaro abriu o livro, segundo ele, distribuído pelo MEC nas salas de aulas, com o qual discorda por ser endereçado a menores. Seguindo a trilha de sucesso anterior na Globo News, Renata relacionou Bolsonaro à ditadura, e ele, como já tinha respondido no começo do mês, declamou um editorial de Roberto Marinho, de 1964, que considerava o golpe militar “necessário”.

Pois é. Esse episódio, assistido ao vivo por 30 milhões de pessoas, em seguida reproduzido em milhões de postagens e compartilhamentos nas redes sociais, se concretiza até aqui como o grande fato dessa campanha presidencial, dando a Bolsonaro passaporte para o segundo turno.

Isso porque, num ambiente crivado de candidatos interpretando personagens, Bolsonaro se diferenciou como “novidade”. Sagaz e atento como a personagem mítica de Davi, que com uma pedra certeira derruba o gigante.

O jornalismo não pode ser alimentado de certezas e preconceitos, mas de análises e dúvidas, de olhares lançados de diferentes pontos contraditórios.

Tirar do conforto os políticos frente aos holofotes e microfones é mais do que justo, especialmente contrastando as platitudes e as formas rebuscadas de fugir de respostas precisas.

Bolsonaro, na descrença do “político tradicional”, mostrou contra-atacar sem medo e ter estudado detalhadamente as fraquezas do entrevistador, guardando no colete munições de sobra para colocar em apuros quem quer acuá-lo.

Nesse caso a entrevistadora subestimou amplamente o entrevistado, não teve o tempo ou o cuidado de analisar a mais recente entrevista de Bolsonaro, levantou-lhe a bola para gols de placa, emprestou-lhe um momento de “glória” frente a um universo de eleitores 30 vezes superior àquele da GloboNews.

Esse episódio se ergue na categoria dos “históricos”. Provavelmente consagra um Bolsonaro que não esperava tanto “apoio” para entrar no segundo turno, enquanto a outra vaga tem meia dúzia de aspirantes."

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Alice e o que se deve ensinar nas escolas


Em um dos mais deliciosos episódios da saga Através do Espelho e o que Alice encontrou lá, a menina discute com as rainhas ( a Branca e a Vermelha) a questão do papel da escola e do que se deve, enfim, aprender nela. A propósito de um convite para jantar, afirma uma das rainhas a Alice:

Rainha Vermelha: "... estou certa de que você não teve muitas aulas de  boas maneiras, não é?"

Alice: "Boas maneiras não se ensinam em aulas. Aulas ensinam a fazer contas de somar, e coisas desse tipo".

Na mosca! A aparentemente ingênua obra de Carroll revela aqui, e em outros inúmeros lugares, verdades de aplicação universal. Escola é lugar para aprender matemática e outras ciências. O precioso tempo das crianças não pode, ou não deve, ser dissipado perdulariamente. As avaliações internacionais, propiciadas pelos testes PISA, confirmam tal verdade, quando comparados os resultados brasileiros com os de outras nações. 

Não se deve perder a oportunidade de ler as fascinantes Aventuras de Alice no País das Maravilhas e o Através do Espelho e o que Alice encontrou lá.

Hoje, quando tantos querem atribuir à escola uma longa série de responsabilidades, soa agradável ler a sacada de Lewis Carroll, autor da incomparável e genial obra-prima.

No Brasil, atualmente, há educadores que valorizam mais o ensino de trivialidades nas escolas, e de temas que deveriam estar sob o cuidado dos pais (como educação sexual para criancinhas). Deixam de lado o singelo aprender a "ler, escrever e contar", conforme sintetizava o também inesquecível professor Darcy Ribeiro. Os efeitos gerais para o povo brasileiro, de uma escola que é uma calamidade, cobram a cada ano que passa o preço do nosso afastamento daqueles que estão à frente, no mundo, do processo de avanço científico e tecnológico.