terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Lula e Obama

Os resultados eleitorais americanos têm provocado curiosas avaliações sobre eventuais paralelismos com outros países. Uma das mais equivocadas refere-se à suposta similitude entre a eleição de Lula da Silva aqui no Brasil e esta recente eleição de Obama. O próprio Lula arriscou esta comparação, insinuando que a eleição de um metalúrgico (ou seja, ele), teria o mesmo valor simbólico da eleição de um “negro” na América. Obama, no entanto, não é negro: é um mestiço ou, como ele mesmo gosta de dizer, um brown (marrom), filho de mãe branca com pai africano (queniano morador eventual nos Estados Unidos onde fazia pós-graduação). Não traz consigo a herança da escravidão sofrida pelos genitores dos negros de diferentes tons que hoje abundam em todo o continente americano e que é peculiar, por exemplo, aos mulatos brasileiros (frutos da miscigenação de pais brancos com mães pretas). A mestiçagem brasileira teve início com o estupro da mulher, inicialmente a indígena e, depois, a africana trazida aos magotes para o novo mundo. Obama é fruto do amor entre dois adultos, não da violência costumeira que preside as relações entre senhores e escravos. Talvez por isso sua compreensão não racializada da política, ao contrário da forma como a compreendem lideranças de outros tempos e lugares.

Obama é egresso da elite pensante americana e, em nada, lembra o atual presidente brasileiro (apesar deste ser egresso de uma elite: a sindical que sempre foi sócia da elite empresarial do Brasil). Ouvir os discursos e tomar contato com os posicionamentos de Obama é um agradável exercício para os sentidos: claro, sereno, inteligente e profundo. Em nada lembra a tronchice usual do mandatário brasileiro. Aliás, a bem da verdade, Lula se parece muito mais com Bush que com qualquer outro líder existente no resto do mundo civilizado. Lula da Silva e George Bush se irmanam, para começar, no desprezo que dedicam ao pensamento e às formas corretas de expressá-lo. Seria uma obra prima, digna de ser exibida no Youtube, um diálogo (?) entre os dois. A mímica seria, naturalmente, usada com largueza. Charles Chaplin e Monsier Hulot morreriam de inveja por não terem inventado algo parecido em suas fantasias cinematográficas. Faz, pois, enorme sentido imaginar algo assim entre os dois atuais presidentes - Lula da Silva e George Bush - em vista de nenhum deles falar o inglês, e muito menos o português. O contato pessoal deles (caso fosse mostrado ao público) ficaria, desta forma, recheado de caras e bocas em profusão, dedos e mãos em diferentes posições e movimentos, guinchos, arrotos e flatulências sem limites, numa composição final onde o grotesco seria, com certeza, o tom predominante, como se estivessem, ambos, sob o efeito da marvada (de cuja devoção nenhum dos dois ficou imune ao longo de suas vidas).

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O POVO DE FORA (profecia feita em 17-06-2008)

"Lá o presidente negro, aqui...

O POVO DE FORA

O sistema de eleições prévias nos Estados Unidos é difícil de ser implantado em outros lugares. O federalismo que lá se pratica é muito diferente do nosso e de outros países. Mas é inegável que há uma grande participação popular na escolha dos candidatos dos dois principais partidos. O mundo inteiro conhece hoje o negro Barack Obama, suas idéias, sua vida, seus compromissos e ligações, além dos principais pontos de seu programa de governo. Para nós, brasileiros, ainda existe a lembrança da premonição genial de Monteiro Lobato quando escreveu “O Presidente Negro ou o Choque das Raças”, no longínquo ano de 1926. Parece que o livro está sendo relançado.
Aqui os partidos políticos têm até o dia 30 de junho para escolherem os seus candidatos a prefeito e a vereadores. A propaganda eleitoral começa no dia 6 de julho, segundo as resoluções do Tribunal Superior Eleitoral. Como não existe democracia nos partidos e nem interesse da população, saberemos pela imprensa quem são os candidatos e quais as coligações que se fizeram para que cumpramos a obrigação de votar no dia 5 de outubro, sob as penas da lei, porque o voto é obrigatório. Os candidatos se apresentarão, com imagens preparadas por publicitários (mais vale o que parece ser do que aquilo que é...), as cidades se encherão de cartazes, as ruas de “santinhos”, promessas e tapinhas nas costas não faltarão, o horário eleitoral gratuito(?) das televisões e dos rádios irritará a população e chegaremos ao dia das eleições com as ruas cheias de cabos eleitorais pagos para conquistar o voto dos indecisos entre os milhões de desinteressados.
Este é um resumo triste e pessimista da nossa dura realidade, reconheço. Mas o que fazer se, como dizem os mais jovens, “está tudo dominado”? Vejam o exemplo de Belo Horizonte. Quando o ano começou já havia um candidato escolhido pelo prefeito Pimentel e pelo Governador Aécio que sempre se deram muito bem, embora de partidos adversários. Esta boa relação, tradicional entre prefeitos e governadores de Minas Gerais, transformou-se em um valor, mais do que numa obrigação. Nenhuma proposta para a cidade, nenhuma discussão com os partidos (afinal eles se julgam os donos, dos partidos e da verdade). Os eleitores? Ora...os eleitores. Eles farão o que nós decidirmos. Este é o caminho mais curto para um ser presidente e o outro governador. Isto é o que importa. O que vale é a conquista do poder. Os instrumentos de comunicação que “fazem a cabeça” do povão estão em nossas mãos. Não somos os campeões em gastos com publicidade?
Como a direção nacional de um dos partidos não aprovou a coligação a imprensa se ocupou, durante cinco meses, diariamente, dos conchavos para superar a divergência. O povo de fora, como sempre. E se, no dia da eleição, o eleitor tomar consciência de que só ele é que manda no próprio voto?"

(Artigo não publicado na imprensa de autoria de Antônio Faria - advogado)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

YES, CONTINUAMOS BANANAS!

Márcio Lacerda não perde a oportunidade de nos lembrar o que somos: bananas. Não é qualquer banana, não. Somos bananas daquelas de tostão, daquelas bem vagabundas que são vendidas na xepa das feiras livres. Em recente entrevista ao jornal HOJE EM DIA o homem da rima (que rima! Meu Deus, que rima rica seu nome propicia!), perdeu as estribeiras e falou merda. Merda tão grande quanto à nossa dimensão bananosa. Em profética antecipação (pois atirou no que viu, ontem, e acertou no que não viu, hoje), Juca Chaves já dizia que...”lugar de feijão é na mesa, e Lacerda é em outro lugar...” Cada um imagine o lugar que bem lhe aprouver.

Pois bem, na referida entrevista o rimoso candidato a prefeito de Belo Horizonte assumiu seu lado hard, fugindo do script de bom moço que os publicitários lhe receitaram. Soltou os cachorros em cima da UFMG, corporação que em boa parte é petecana (quer dizer, vota no PT ou no PSDB). Como eles se ajuntaram num pacto meio anormal, vê-se que o tal Lacerda está cuspindo no prato que comeu. Ingratidão é um negócio muito feio, apesar de se saber que não há gratidão na vida política. E, para falar a verdade, nem em outras esferas da existência. Jesus, por exemplo, Ele, o próprio filho de Deus não recebeu o devido reconhecimento por parte dos doentes e estropiados que Ele curou. Consta no Evangelho que dois, apenas dois, voltaram para Lhe agradecer.

O lado mais hard ainda do Lacerda foi quando, na mesma entrevista, ele ameaçou dar porradas em quem divulgasse as verdades que ele não quer ver divulgadas. Parece que o espírito do general Figueiredo encostou nele. Prendo e arrebento, na inesquecível formulação de cavalariça. Lacerda deveria ter usado imagens mais coerentes consigo próprio (por exemplo, mandar andar na prancha, como nos filmes de piratas de capa e espada, em vista de seus vínculos com a navegação marítima, e as sutis afinidades com o capitão Gancho, também marinheiro). Sua valentia verbal, aliás, só se sustenta por andar cercado de guarda-costas. Assim, até eu. Com um bando de praticantes de artes marciais ao meu lado, eu também desafiaria a Deus e ao mundo. Napoleão já dizia, numa de suas mais famosas boutades que com baioneta pode-se fazer tudo; só não pode se assentar em cima delas.

Sangrando na veia da verdade, sente-se incomodado com o pipocar de denúncias que comprometem a origem lisa de sua grande fortuna: denúncias de sonegação de impostos em Belo Horizonte (em Betim, por sinal, um processo rigorosamente igual ao que a prefeitura da capital mineira está lhe movendo já foi julgado em instância final e o mesmo sonegador foi condenado - basta conferir o Recurso Especial 917751 no site do STJ); denúncias no PROCON, em São José dos Campos-SP; denúncias de apropriação de ações da Telebrás no Mato Grosso do Sul (cuja Assembléia Legislativas chegou a propor a abertura de CPI, abortada no Supremo por ação do sócio de Lacerda – o inefável Daniel Dantas); recebimento de propina do mensalão (conforme afirmou um dos trapaceiros envolvidos na negociata – o carequinha Marcos Valério, e constante nos autos de CPI promovida pelo Congresso Nacional), e vai por aí afora.

Quer dizer, uma figura, no mínimo, controvertida para ficar numa avaliação generosa. Seu passado de Secretário disto e daquilo (de Lula e de Aécio), posto em sua propaganda como aval de seu preparo para o cargo de prefeito, faz lembrar outra figura nefanda da política brasileira que tinha um perfil similar: Celso Pitta, ex-diretor da Casa da Moeda, ex-Secretário de Paulo Maluf e, também, jejuno de qualquer disputa eleitoral anterior quando se elegeu prefeito de São Paulo. Pitta era um negão de cara meio sonsa e olhos esbugalhados (postura estudada da milenar subserviência, numa humildade tão verdadeira quanto uma nota de três reais), arrebatou o eleitorado paulista e, depois, fez a merda que fez. Maluf, à época, fez como faz Aécio e Pimentel: dava garantia que Pitta seria o melhor prefeito de São Paulo e ainda oferecia como penhor o pedido de que, caso isso não acontecesse, o povo nunca mais deveria votar nele, Paulo Maluf. Este modelo Pitta/Lacerda, se vingar, vai transformar o Belo Horizonte num lixo político igual à capital de São Paulo. Há que se dar um basta nisto! Belo Horizonte é uma cidade prudente. Não vai correr este risco de virar uma sub-São Paulo.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

YES, NÓS SOMOS BANANAS

A propaganda eleitoral em curso na capital mineira é a mais clara demonstração de que somos ou estamos sendo considerados pelos candidatos, com honrosas exceções, um monte de bananas. Pois é assim que nos imaginam os nomes que disputam o cargo de prefeito de Belo Horizonte. De fósseis tresloucados querendo nova revolução soviética, até figuras que parecem santos de tão angelical sua forma a nós apresentada, há de tudo nesta eleição. A maioria, contudo, teima em nos taxar indiretamente de idiotas. E talvez sejamos, para demérito nosso, que pensávamos ter melhorado alguma coisa neste limiar de uma nova era, adentrado já o terceiro milênio.
Vejamos exemplos. Na mais cintilante cara de pau há candidatos dizendo que irão ampliar o metrô de Belo Horizonte. Proclamam inusitada aliança com os governos federal e estadual para conseguirem viabilizar seus ditos projetos (?). Entretanto, quando se observa o disposto na Lei de Diretrizes Orçamentárias recentemente divulgada, constata-se que há uma previsão de somente R$1 bilhão de reais para serem aplicados nos metrôs e trens metropolitanos de sete cidades do país (BH é, tão somente, uma delas). De onde, então, sairá o dinheiro se o custo de um quilômetro de metrô está estimado em torno de R$300 milhões de reais? Se o governo federal não der o dinheiro, muito menos do governo estadual ele virá. Do caixa local, então, nem se fala, em vista da verdadeira pindaíba em que se encontra a prefeitura da capital.
A duplicação da avenida Antônio Carlos é outro caso patético. Depois de dezesseis anos na cúpula da prefeitura, Pimentel e sua turma não conseguiram duplicar mais que 1.600 metros, ou seja, uma média de 100 metros para cada ano de poder. Como ainda faltam algo em torno de quatro mil metros, a conta é simples e fácil; basta dividir 4.000 por 100 e o resultado é cristalino: daqui a quarenta anos estará concluída a duplicação da principal via de acesso à região da Pampulha. Zombando da esperança de muitos, a propaganda do candidato oficial ainda nos ameaça com o término das obras, caso a população faça outra escolha que não ele. Yes, nós somos bananas! Esta ameaça - brandida no ar durante o horário eleitoral - é um verdadeiro ato de terrorismo, coerente com o lamentável passado dos seus autores. Ou seja, não passa de uma repetição do cacoete forjado na truculência e no uso de armas para a conquista do poder a qualquer custo.
Onde está a chamada Justiça Eleitoral que não ouve nem percebe esta violação dos direitos da cidadania? Esta mesma justiça, que vem fazendo uma sólida campanha de esclarecimento popular, vai tolerar isto? Permitiremos que a turma do mensalão siga impávida no seu plano de assalto aos cofres de Belo Horizonte? A Justiça Eleitoral continuará cega como ficou ao desconsiderar os absurdos na prestação de contas de Pimentel - em 2004 - quando doações ilegais de empresas de lixo (proibidas expressamente por Lei Complementar), foram feitas em grande estilo e grande valor?

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A turma do mensalão (destaque: Márcio Lacerda)

Os ladrões de dinheiro público constam na lista abaixo. Entre eles destacam-se o atual candidato a prefeito de Belo Horizonte - Márcio Lacerda - e o Assessor Especial do prefeito Fernando Pimentel - Rodrigo Barroso Fernandes (um dos articuladores financeiros da campanha de Pimentel em 2004 e ex-secretário municipal da Cultura, afastado e nomeado assessor especial quando o escândalo veio à tona). A presença de gente do PSDB (Paulo Menicucci, por exemplo, que foi tesoureiro da campanha de João Leite, em 2004, por expressa indicação de Aécio Neves), e do PT, além de outros próceres dos partidos que compõem a formidável "ALIANÇA" urdida por Aécio e Pimentel (Romeu Queiroz, do PTB, por exemplo), só comprova o velho dito popular: Deus os fez e o diabo os ajuntou. Cruz Credo. Em suma, a turma de petecanos sempre comeu e bebeu no mesmo cocho. Esta união em torno do Márcio Lacerda poderia ser enquadrada no código penal pela evidente formação de quadrilha. A saída de Márcio Lacerda do governo Lula foi decorrência deste escândalo e, não, por alguma razão maior ou defensável eticamente. Saiu do ministério (onde coordenava a transposição do rio São Francisco), mas encontrou braços compreensivos de volta a Minas Gerais, onde chegou com o rabo entre as pernas por ter sido pegado em flagrante.


"SENADO FEDERAL/SECRETARIA DE COMISSÕES/Secretaria de Apoio às Comissões Especiais e Parlamentares de Inquérito

Presidente: Senador Delcídio AmaralVice-Presidente: Deputado Asdrubal BentesRelator: Deputado Osmar Serraglio Sub-Relator: Deputado Gustavo Fruet

Relatório Parcial sobre Movimentação FinanceiraRelatório parcial da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito criada pelo Requerimento nº 3, de 2005-CN, para investigar as causas e as conseqüências das denúncias e atos delituosos praticados por agentes públicos nos Correios e Telégrafos.

3.3 Beneficiários dos Recursos da conta 2595-2 - Agência 009 - Banco Rural

3.3.1 Relacionados aos cruzamentos da contabilidade da SMP&B com as informações bancárias. Menciona-se os nomes dos favorecidos e os valores recebidos, que resultaram do cruzamento das informações contábeis da SMP&B com as informações bancárias disponíveis na CPMI.

Favorecidos e Valores:

Adilson Gomes da Silva: 42.450,00

Alexandre Vasconcelos Castro: 770.000,00

Anita Leocádia Pereira da Costa: 420.000,00

Anita Leocádia Pereira da Costa/Paulo Rocha: 50.000,00

Antônio de Pádua de Souza Lamas: 350.000,00

Antonio Fausto da Silva Barros: 44.552,20

Aureo Macato: 300.000,00

Cantídio Cotta de Figueiredo: 85.676,84

Century Participações Ltda: 100.000,00

Charles dos Santos Dias: 100.000,00

Cristiano de Mello Paz: 1.294.372,44

Cristiano de Mello Paz e Marcos Valério: 1.434.126,73

Cristiano de Mello Paz e Ramon Hollerbach Cardoso: 4.528.183,45

Cristiano Paz e Simone Vasconcelos: 171.260,40

Cristiano Paiva Neves: 300.000,00

David Rodrigues Alves: 6.800.000,00

Einhart Jacome da Paz/Lia Ferreira Gomes: 50.000,00 (cunhado/irmã de Ciro Gomes)

Eliane Alves Lopes: 300.000,00

Francisco de Assis Novaes Santos: 2.450.000,00

Francisco de Assis Novaes Santos/Martinez: 250.000,00

Guaranhuns/Waldemar Costa Neto/Adhemar de Barros: 166.000,00

Guaranhuns/Waldemar Costa Neto/BRA LTDA: 150.000,00

Guaranhuns/Waldemar Costa Neto/Destilaria Barra: 300.000,00

Guaranhuns/Waldemar Costa Neto/Edna Artero: 350.000,00

Guaranhuns/Waldemar Costa Neto/Engefin LTDA: 150.000,00

Guaranhuns/Waldemar Costa Neto/Erste Banking: 650.000,00

Guaranhuns/Waldemar Costa Neto/Francisco Santos: 200.000,00

Guaranhuns/Waldemar Costa Neto: 2.494.000,00

Guaranhuns/Waldemar Costa Neto/LC Imóveis S.A.: 255.000,00

Guaranhuns/Waldemar Costa Neto/Shaim Engenharia: 300.000,00

Guaranhuns/Waldemar Costa Neto/Temon LTDA: 800.000,00

Guaranhuns/Waldemar Costa Neto/Unitow LTDA: 95.000,00

Guaranhus Participações Ltda: 327.500,00

José Nobre Guimarães 150.000,00: (irmão do deputado José Genoíno)

Isabel Cristina Estevão: 150.000,00

Ita Participações e Empreendimentos Ltda: 50.000,00

Jacinto de Souza Lamas: 600.000,00

Jader Cunha de Oliveira: 67.000,00

Jair dos Santos: 300.000,00

João Cláudio de Carvalho Genu: 1.000.000,00

João Ferreira dos Santos: 260.000,00

João Magno de Moura: 42.000,00 (Deputado do PT/Ipatinga)

José Antônio Campos Chaves: 56.000,00

José Luiz Alves: 200.000,00

Josias Gomes da Silva: 100.000,00 (Deputado do PT/Bahia)

Leopoldo Hubner Passos/Maria Beatriz Passos: 100.000,00

Luis Carlos Costa Lara: 300.000,00 (Minas Gerais)

Luiz Carlos de Miranda Faria: 68.541,84 (Ipatinga)

Luiz Carlos Masano; 50.000,00

Luiz Eduardo Ferreira da Silva: 326.660,67

Marcia Regina Milanesi Cunha: 50.000,00 (Mulher do deputado João Cunha, PT/SP)

MÁRCIO LACERDA: 300.000,00 (candidato a prefeito de Belo Horizonte apoiado por Aécio e Pimentel e outros comensais)

Marcos Valério Fernandes de Souza: 125.520,00

Marcos Valério /Renilda Maria Santiago F. de Souza: 162.411,00

Marcos Pinto Mendes Coelho Saraiva: 150.000,00

Marcos Valério /Ramon Hollerbach Cardoso: 469.014,00

Marcos Valério /Simone Reis Lobo de Vasconcelos: 13.000,00

Maria Tereza Chaves de Mello Paz: 20.000,00

Mario Sérgio Augusto dos Santos: 50.400,00

Martinez: 400.000,00

Multcash Ltda: 800.000,00

Nestor Francisco de Oliveira: 102.812,76

Newton Vieira Filho: 342.704,60

Otília de Camargo da Costa: 140.000,00

Paulão - Pt - Nordeste: 160.000,00

Paulo Leite Nunes: 102.812,76 (Romeu Queiroz/PTB)

Paulo Eduardo Luiz Mattos: 100.000,00

Paulo Roberto Menicucci: 205.000,00 (PSDB/MG)

Paz Publicidade Mkt Ltda: 150.000,00

PT Nacional: 350.000,00

Raimundo Ferreira Silva Junior: 100.000,00

Ramon Hollerbach Cardoso: 1.828.527,14

Ramon Hollerbach Cardoso e Simone Vasconcelos: 400.000,00

Renato Bemfica Vilela/Magdalena Bemfica Vilela: 150.000,00

Renilda Souza: 100.000,00 (Mulher de Marcos Valério)

Roberto Costa Pinho: 200.000,00

RODRIGO BARROSO FERNANDES: 274.167,36 (Assessor de Pimentel, praticamente um irmão)

Rogério Lanza Tolentino: 50.000,00

Romeu Queiroz: 50.000,00 (Deputado, PTB/MG)

Rosielma Barreto Lemos Andreza: 200.000,00

Ruy Millani: 250.000,00"
OBSERVAÇÃO: (alguns nomes foram retirados do original em vista dos pequenos valores)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

A CAMPANHA DE BELO HORIZONTE EM AGOSTO DE 2008

1) Qual o significado de uma campanha onde se busca o voto popular? Pede-se ao povo uma autorização para tomar decisões que serão acatadas por todos posteriormente, respeitadas as regras do jogo democrático previstas constitucionalmente. Não é uma delegação como muitos ainda pensam. Esta última é da esfera do direito privado e, não, do direito público. Mandato de um político, em qualquer esfera, não se compara a uma procuração dada a um advogado, por exemplo, para defender interesses específicos. Neste sentido, a credibilidade é algo fundamental. Ao autorizarmos alguém a governar estamos cientes que o interesse público irá presidir todas as ações posteriores durante o decorrer do mandato e que o eleito decidirá sobre questões que afetam a toda a sociedade.

2) A campanha, até aqui, mais bem sucedida é a do candidato Márcio Lacerda. O que nutre sua meteórica subida nas pesquisas de intenção de voto é o apoio dos atuais governador e prefeito, explicitado numa contundência jamais vista em outras campanhas. Uma publicidade maciça e bem feita faz com que ele se aproxime da possibilidade de vencer a eleição ainda no primeiro turno. Sem entrar no mérito da receptividade de Aécio e Pimentel junto ao eleitorado, pode-se concluir que a percepção dos belorizontinos sobre o que está disponível como alternativa (os demais candidatos), transfere para Lacerda a avaliação positiva dos seus dois patrocinadores. Pouco importa o que ele fale (aliás, não fala nada), ou o teor de suas propostas (que são claras, pois diz, tão somente, que vai continuar o que está sendo feito há anos). É uma figura maleável que concorda com tudo e que proclama, com sorriso e postura angelical, sua devoção e fidelidade a Lula, a Aécio, a Pimentel, a Ciro Gomes, a Célio de Castro, a Patrus Ananias e a quem mais ele precisar se referir. Até a angulação corporal é estudada para transmitir humildade (olhando de baixo para cima como se a pedir desculpas e mercês, com o queixo embarbichado colado ao peito). Sua imagem é reforçada pela generosidade pois teria distribuído parte do dinheiro da venda de uma de suas empresas para os empregados). Todo esforço publicitário é para dizer que Lacerda é um homem bom, humilde e trabalhador, com experiência em servir – verbo fundamental – ao presidente, ao governador e, agora, ao povo da capital, se este assim o permitir, no próximo dia cinco de outubro. Em suma, os “pais” de Lacerda infantilizam a população achando que somos todos um bando de patetas e, talvez, até tenham razão.

3) A campanha de alguns, como o Serjão Miranda, perde-se em clippings publicitários (com falas de populares e outros), desperdiçando precioso tempo de televisão e de rádio. Estas criações só servem para encher lingüiça de quem tem muito tempo disponível.

4) O caminho para a oposição, em vista destas pequenas reflexões, é simples: há que demolir Márcio Lacerda. Ele não tem luz própria para liderar a cidade nem tem as qualidades pessoais fundamentais de um homem público, dentre as quais brilha a honestidade em toda sua ampla concepção (valor caro a uma boa parcela da população, apesar do descrédito generalizado de todos os políticos). Quais deveriam ser os pontos a serem atacados?

1º.) Seu envolvimento com o maior escândalo já ocorrido no Brasil – o caso do “mensalão”, conforme denunciado por Marcos Valério publicamente. Este fato, por sinal, foi o que motivou sua saída do ministério da Integração Nacional, onde era Secretário-Executivo, ou vice-ministro de Ciro Gomes. Um homem enredado com dinheiros de má origem (como aqueles do mensalão), pode ser o gestor dos cinco bilhões do orçamento da PBH? Alguém votaria em Marcos Valério, apenas para ficar num dos outros nomes mais notórios, para ser tesoureiro de um condomínio ou para ser diretor financeiro de uma empresa onde o eleitor fosse acionista? E Márcio Lacerda, receberia, também, sua confiança ou um cheque em branco?

2º.) Sua participação na concepção e execução do projeto de transposição do rio São Francisco. Este malsinado projeto recebeu a condenação irrestrita de todos os mineiros (e, até, do governador Aécio), sendo considerado uma afronta aos direitos de todo o povo de Minas Gerais. Como pode uma pessoa que trabalhava contra os mineiros querer, agora, ser prefeito da capital do estado?

3º.) Seus obscuros vínculos com a ditadura militar que permitiram a ele se enriquecer prodigiosamente. Se ele tivesse sido, realmente, um perseguido político, não teria se transformado num dos grandes fornecedores do sistema de telefonia governamental. Fazer, agora, pose de injustiçado pelos milicos só engana a quem quer ser enganado. Negócios com empresas públicas só são feitos quando se tem bons “padrinhos” e sólidas relações políticas. Atualmente, conforme se pode deduzir de sua declaração patrimonial entregue à justiça eleitoral ele vive de aplicações financeiras em poderoso banco estrangeiro – o UBS/Pactual. Para quem não conhece os meandros das altas finanças, isto significa que sua renda provém em grande parte da dívida pública, vale dizer, dos monumentais juros que o governo federal é obrigado a pagar para financistas e agiotas.

4º.) Sua alardeada generosidade (com distribuição entre os empregados de U$1,5 milhão de dólares, segundo diz sua propaganda), é contraditória com os débitos fiscais de uma de suas empresas com o poder público. Somente com a prefeitura de Belo Horizonte há um contencioso de milhares de reais, conforme atesta ação de execução fiscal no Foro da Capital. Quer dizer, a doação de dinheiro aos ex-empregados se fez, mesmo, às expensas da população, ou dos cofres públicos, numa verdadeira mesura com chapéu alheio. E se ele, por acaso, se eleger prefeito? Vai pagar o que deve, que foi sonegado, ou vai cancelar a dívida ajuizada pela prefeitura? Esta dúvida moral é perfeitamente legítima de ser levantada. Estas são questões concretas que têm passado ao largo da campanha de Belo Horizonte e que precisam ser corretamente respondidas pelo pretendente.

4) Uma trombada desta magnitude poderia provocar uma tsunami política e eleitoral. Algo como jogar bosta no ventilador, sem garantia de que os benefícios seriam apropriados, necessariamente, pelo denunciante. Desmascarar o candidato oficial, entretanto, deve ser parte de uma proposta de governo assentada sobre valores fundamentais para a boa política, em conformidade com as maiores autoridades do judiciário. Pois não está o TSE fazendo firme pregação sobre a importância do voto consciente? Não está sendo propagado na TV um conjunto de filmetes defendendo uma postura crítica do cidadão? Não propala o próprio governo estadual sobre a relevância de se denunciar crimes e criminosos? Pois bem: os atos de Márcio Lacerda representam um tipo de delinqüência política que cabe repudiar. Nada pessoal, pode dizer-se. O importante é que o esclarecimento sobre as mistificações e as fraudes precisa ser tornado público antes da decisão eleitoral. Isto feito, no horário gratuito da TV (pois a imprensa jamais daria guarida a questionamentos deste tipo), dar-se-ia um nó no governador e no prefeito, que seriam obrigados a sair em defesa de Márcio Lacerda ou, então, a se calar pressionados pelo clamor ético. Pois como explicar o apoio a um homem com qualidades e histórico tão duvidosos? A população vem aceitando a imposição tácita de seu nome por não ver nele nada de reprovável. Este desvelar, ou para usar velho adágio popular, este destampar do pinico, pode obrigar o eleitor a se reposicionar no processo. Não dá para fazer isto que está sendo proposto de uma forma bem comportada. É um tiro de canhão com efeitos desmoralizantes. Gente sem credibilidade não pode ter esta ousadia. E, afinal, de contas, onde já se viu política bem comportada? O PT, para ficar num exemplo óbvio, sempre praticou o estilo “chute na canela”. E querem, agora, ser afagados? A ousadia – e isto é um truísmo vulgar - é inseparável da vitória. Chamar Márcio Lacerda a dar explicações, principalmente em entrevistas aos meios de comunicação, vai deixá-lo em má situação, em vista de suas notórias dificuldades de enfrentamento. Sua medíocre participação no debate da TV Bandeirantes é uma amostra de sua incapacidade e falta de jogo de cintura.

5) Mas poderás tu, meu irmão e meu companheiro, vaso do mesmo barro, agir como aconselhava Teodoro (n’ O Mandarim, de Eça)? Que dizia: só bem sabe o pão que ganha o suor de teu rosto; nunca mates o mandarim! Serás tu capaz de “matar” politicamente o Lacerda? Até agora a propaganda do homem tem dado um passeio nos concorrentes. E veja que ela está sendo potencializada, indiretamente, pela propaganda do governo de Minas, que não deixou de ser feita mesmo durante o período eleitoral. Convenhamos que é impossível fazer uma contra-propaganda, até por falta de meios materiais. Mas um desmonte da imagem do Márcio Lacerda, apelando para fatos que não possam sofrer contestações judiciais, vai neutralizar o efeito do apoio do governador e do prefeito. Se a população é conservadora – e os fatos e os números parecem confirmar isto – por que não apelar para a faceta moral, que é parte indissociável do conservadorismo? Em suma, você votaria num candidato a prefeito envolvido no escândalo do mensalão? O atual prefeito tem entre seus “assessores especiais” outro dos nomes que apareceram como recebedores das malas de dinheiro de Marcos Valério, o carequinha safado – um tal de Rodrigo Barroso, ex-secretário municipal da Cultura e ex-presidente da Fundação Municipal da Cultura de Belo Horizonte e, também, apoiador da campanha de Pimentel em 2004. Quando o escândalo explodiu trataram de tirá-lo da linha de fogo e colocá-lo nesta “assessoria especial”. Outra vez pergunto: você votaria num candidato a prefeito que, contrariando todos os mineiros, coordenava o projeto de transposição do rio São Francisco? Mais uma pergunta para finalizar: você votaria num candidato a prefeito que estivesse sendo executado por sonegação fiscal pela própria prefeitura que ele quer assumir? Um candidato com este perfil conseguirá estabelecer compromissos aceitáveis com nossa cidade? Alguém pode confiar que Belo Horizonte estará em boas mãos se Lacerda for prefeito? Colocar R$5 bilhões nas mãos de uma pessoa com este passado não é um risco que não se deve correr?

6) Ponto importante que não deve ser negligenciado é que as pesquisas estão captando muito mais intenção de voto que decisão de voto. Isto é o que explica a subida meteórica do Márcio Lacerda com apenas duas semanas de campanha pela mídia. Ele precisa receber um tiro na asa. Ainda há tempo para isto. A própria “indefinição” da maioria do eleitorado durante tanto tempo mostra esta possibilidade.

Sôbre a ética e o jeitinho no Brasil (extraído do site do Prof. Roberto Romano)

O candidato a vereador Ricardo Holz (PMDB), da coligação São Paulo no Rumo Certo, tem usado uma organização não-governamental para conseguir votos em troca da promessa de obter bolsas de estudo em universidades particulares. A lei caracteriza como compra de voto o oferecimento ou a promessa ao eleitor de vantagem pessoal de qualquer natureza, em busca de seu apoio. Pesquisa recente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) mostrou que 61% dos entrevistados conhecem alguém que trocaria favores por voto, mas 89% condenam quem faz isso.
Holz é presidente do Instituto Bolsa Universidade, uma ONG que funciona em uma pequena sala do 3º andar de um conjunto comercial da Rua 24 de Maio, centro da cidade. A entidade, segundo seu site, consegue “bolsas parciais de 5% a 70%” em “faculdades ou universidades parceiras do instituto” para quem “siga os passos e normas estipulados pelo instituto”. Em seu site na internet, o instituto informa que tem parceria com 63 faculdades. A reportagem falou com quatro das mais conhecidas delas, PUC-São Paulo, Mackenzie, Uniban e Unip. As três primeira negaram ter a ONG como parceira. A Unip disse que tem convênio com a entidade, mas não comenta o uso das bolsas.
O interessado na obtenção da bolsa, ao procurar a sede da instituição, é levado por uma funcionária até outra sala do mesmo andar. Não há placas da ONG nessa nova sala, apenas adesivos da candidatura de Holz. Depois de perguntar qual o curso de interesse e até quanto o interessado pode gastar por mês com a faculdade, os atendentes avisam que o presidente da entidade é candidato a vereador e que para ter uma “atenção especial” e o nome incluído na lista de possíveis beneficiados é preciso conseguir para ele os votos de 20 pessoas. A reportagem do "Estado de São Paulo", após se cadastrar, foi até o local. O repórter recebeu duas folhas de papel com o nome de Holz, número eleitoral no cabeçalho e uma lista para ser preenchida com os dados de 20 eleitores que dariam seu voto. Ela inclui a zona eleitoral onde ele vota, para futura conferência.

Ontem, em novo contato por telefone, uma funcionária disse que há 12 anos a ONG concede as bolsas, mas este ano teria prioridade quem apoiasse a candidatura de Holz. “Se você trouxer 30 pessoas que se comprometam a votar no Ricardo, a bolsa é de graça. Mas fica entre a gente”, disse ela. Com as folhas, o funcionário entregou um envelope com material de campanha, inclusive folhetos mostrando Holz ao lado do candidato Gilberto Kassab (DEM). Holz nega que esteja comprando voto. “Eu peço o apoio dos associados. Não autorizo que façam isso.”
"Um hábito antigo, de Estados onde o cidadão não tem direitos nem deveres"
de Gabriel Manzano Filho.

O gesto do candidato Ricardo Holz é uma prova - mais uma - de que modernidade não é garantia de democratização e antigos hábitos sobrevivem nas novas formas de mando das sociedades atuais. Quem o diz é o professor de Ética da Unicamp Roberto Romano, veterano estudioso dos bons e maus costumes da vida brasileira. “É uma coisa lamentável, mas não surpreendente”, diz ele. “A compra de votos já era uma coisa comum no Império Romano.” “Platão se irritava com essa tradição na Grécia antiga e Maquiavel a condenava na Florença no século 15. O autor italiano Luciano Canfora identifica o costume há 2 mil anos, no seu livro Júlio César, o Ditador Democrático”.

Mas por que o hábito é tão marcante no Brasil? “Porque nossa história é uma permanente negação, na vida social, da democracia e do liberalismo. A ausência de liberdade moldou a vida dos municípios. Construiu-se, desse modo, um sistema em que o indivíduo não tem direitos, mas, também, não tem deveres. Ele não é cobrado, não sente o dever de observar limites ou princípios.” Na origem disso está o monopólio do poder pelo Estado, diz ele. “Vivemos num ambiente em que tudo se concentra no Executivo, que ainda fica com 70% do total dos impostos. Isso estrangula as aspirações do sujeito e ele recorre a truques para se safar. O deputado e o vereador se tornam estafetas de luxo, que fazem a mediação entre quem tem o poder e o dinheiro e quem dele precisa.”

Roberto Romano observa que o povo brasileiro conviveu, desde as origens do País, com experiências de absolutismo monárquico. Seguidas rebeliões liberais foram massacradas. A República Velha herdou esse viés absolutista do Estado. “Tudo conduziu à desvalorização do indivíduo - o catolicismo dominante, conservador, o monopólio de poder exercido durante a República Velha, as duas ditaduras no século 20. Dessa salada saíram os valores sociais que moldam nossas relações sociais de hoje.” O que temos como eleitorado é uma clientela, diz ele. “E onde há clientela há o jeitinho.”